Our Fury

20 Fury and Rage


Notas iniciais
Heey, pessoas felizes que ainda me acompanham o/ Cá estou eu com esse novo e doido capítulo que demorou tanto pra ficar pronto, mas de uma boa sensação ao terminar :) Esse capítulo encerra a primeira fase da história, explico tudo lá nas notas finais. Não vou demorar muito aqui, mas espero sinceramente que gostem do capítulo. Nos vemos de novo lá embaixo, leiam as notas finais, ok?

Tyrion observou a mulher surgir no corredor. Shae parecia mais bem vestida e mais orgulhosa naqueles dias, como se houvesse conseguido um lugar de prestigio. Tyrion viu que ela tomava o caminho até os aposentos da Mão do Rei já que agora ela parecia ser criada exclusiva dele. Antes que subisse as escadas, os olhos de Shae o encontraram no fim do corredor, parando-a. Ela parecia perturbada em vê-lo, após os dias que ele foi solto, ela insistira em evita-lo e fugir de qualquer encontro com ele. Então, Shae finalmente seguiu seu caminho pelas escadarias rapidamente, voltando a fugir dele.

O que ela faz indo com tanta pressa para os aposentos de Lorde Tywin Lannister? Tyrion se indagou mentalmente. No fundo, a resposta já estava em sua mente, mas ele se recusava a acreditar.

– Lorde Tyrion, fico feliz em encontra-lo agora que está bem e inocentado das acusações. – Varys surgiu ao lado dele, enigmático. – Embora devo dizer que me parece um tanto perturbado, posso ajudar de alguma forma?

– Você a ajudou com aquela loucura toda, por que?

– Era necessário, foi o que ela disse, eu concordei com Lady Megara. – O eunuco suspirou. – Mas agora, ela corre sério risco de perder a cabeça na próxima manhã.

– Não se eu puder impedir e você vai me ajudar nisso.

– Era isso mesmo que eu imaginava que ia me propor. – ele sorriu. – Posso sugerir um lugar para ir depois que visitar seu pai? – Varys apontou a escadaria ao longe.

– Como você... Ah, esquece. – pediu Tyrion. – Tire-a da cela, coloque-a no primeiro navio que encontrar para longe, só não deixe-a aqui para morrer.

– É claro, milorde. – Varys suspirou. – Procure a passagem no fim dos corredores, eu estarei a sua espera.

– E quanto a Megara?

– Eu cuidarei dela, meu senhor. – garantiu. – Agora, creio que tem algo que queira descobrir. – Ele apontou as escadarias.

Tyrion assentiu e deixou-o para trás, conforme subia as escadas, silenciosamente.

_X_

O balanço do mar a incomodava, mas mesmo assim, Ellaria sabia que era o único jeito. Eles estavam a salvo, isso era tudo que importava para ela depois de tudo que acontecera. Do convés do navio, Ellaria conseguia ver ao longe a Fortaleza Vermelha sumindo no horizonte, de repente, se sentia aliviada. Oberyn estava vivo, todos os dornenses saíram são e salvos de Porto Real e estavam voltando para casa, isso era o suficiente. Nunca mais voltariam para aquele lugar, nunca mais.

Ela deu as costas aquilo tudo, então caminhou rapidamente até as cabines. Cumprimentou os guardas ao parar na porta, um deles abriu a porta de madeira para que ela pudesse entrar.

– Chegou em bom momento, senhora. – anunciou o Meistre. – O principe está acordando, finalmente parece melhorar.

Ellaria sorriu e sentou-se na beirada da cama, fitando-o com cuidado. Oberyn melhorava aos poucos. As marcas roxas em seu rosto causadas pelas mãos do monstro ainda resistiam, mas aos poucos iriam sumir. O maxilar quase se partira com o soco, alguns dentes haviam se quebrado e ele sentiria dor por algum tempo, mas isso também iria se curar. Em breve, seu príncipe estaria de volta para ela, a vida de beleza e prazer deles poderia voltar a existir.

– Volte para mim, meu amor.

– Ellaria. – ele murmurou com dificuldade. – Não fale... como se eu estivesse morto. – ao tentar sorrir, o rosto dele se contorceu em uma careta de dor.

– Não se esforce, meu amor. – ela pediu. – Descanse, apenas descanse, logo você ficará bem novamente.

Oberyn abriu os olhos e a encarou com cuidado, os olhos negros cheios de fúria e luxuria. Ele estava de volta para ela, isso era tudo que ela precisava.

– Eu não sirvo para ficar mofando em uma cama como inválido, isso é para Doran. – retrucou. – Aquele monstro tentou, mas eu disse que aquele não seria o dia da minha morte.

– Foi por muito pouco.

– Mas não aconteceu. – ele murmurou, respirando fundo. – Eu estou vivo, mas não vinguei Elia e...

– Do que se lembra? – ela interrompeu.

– Lembro-me de cair, das mãos apertando minha cabeça, da maldita dor. – Oberyn dizia cada palavra com ódio. – Aquele desgraçado, eu estive tão perto e ele escapou por entre os meus dedos por culpa minha, quando eu tiver outra chance, farei com que pague por Elia e pelo que fez.

– Você não lembra do resto?

Oberyn a fitou por alguns instantes, orgulhoso demais para não demonstrar confusão.

– O que houve? O que quer me contar?

– Das flechas, o arqueiro que o atingiu antes que ele esmagasse a sua cabeça entre as mãos dele.

– Eu me lembrou de um vulto negro sobre um muro e depois... – Oberyn parou por alguns instantes. – As flechas, eu achei que tivesse ouvido um silvar perto do meu ouvido, mas... Ele está morto? – ele indagou furiosamente.

O silêncio dele a assombrava.

– Ele está morto? – Oberyn estava com tanto ódio que apertou as mãos no braço dela. – Me diga que ele não está morto, diga.

– As flechas o mataram, foram atiradas nos ponto vitais e tinha veneno, junto com os cortes da sua lança foram fatais. – Ellaria disse rapidamente. – Ele está morto, não importa mais, acabou.

– Minha chance de vingar a minha irmã e seus filhos foi-se pelos ares, eu a deixei escapar, como não importa mais? Eu deveria tê-la vingado! – Ele elevou a voz, logo voltou a sentir a dor e seu rosto voltou a se contorcer de dor.

– Acalme-se!

– Quem foi? – indagou.

– Oberyn?

– Quem foi o arqueiro?

– Alguém que o amava demais para deixar que ele o matasse.

Oberyn a olhou surpreso.

– A garota Baratheon o matou.

– Megara. – Oberyn sussurrou. – Megara, onde ela está? – perguntou. – Diga, onde ela está? Onde?

Agora vem a parte difícil. Ellaria pensou.

– Ela assumiu a culpa pela morte do rei, no lugar do Duende, foi acusada e julgada por ter assassinado o próprio sobrinho. – Ellaria disse em um fio de voz.

– Isso é mentira.

– Ela foi condenada. – continuou. – A execução será amanhã, no próximo dia, ela estará morta, foi a escolha dela.

– Que morram todos eles, não ela! – Oberyn gritou. – Tola!- ele praguejou alto, ignorando a dor na própria boca. – Garota estúpida! Como ela pode fazer algo assim? Por quê? Qual direito ela achava que tinha?

– O direito de não querer perder quem ela amava. – Ellaria apontou.

– Nós iremos voltar, agora.

– Não! – ela rebateu. – Você quase morreu! Porto Real não é segura para você, não nesse estado, Dorne é nossa casa, é para lá que devemos ir, meu amor. – Ellaria disse. – De onde jamais deveríamos ter saído.

– Eu não vou deixa-la morrer, não dessa forma.

– Ela vai estar morta amanhã e você não poderá fazer nada pra impedir, acabou! – ela gritou. – Eu sinto muito se você a ama, mas agora é tarde, ela fez a escolha dela por você e agora tudo que lhe resta é aceitar a decisão.

– Eu me recuso a deixa-la morrer em vão!

– Em vão? – indagou. – Você está vivo e o Duende livre! Acha que algo que ela fez foi em vão?

Oberyn tentou erguer-se da cama e ficar de pé, mas o Meistre correu a cama e tentou segurá-lo. O dornês furioso acertou-lhe com o braço o empurrando para longe, no mesmo momento, os guardas entraram na cabine vindo na direção do príncipe e tentando contê-lo.

– Meu amor, me escute, por favor. – ela implorou. – Você a ama, eu sei disso, eu entendo mais do que nunca o quanto você a ama, mas algumas coisas não estão em nosso controle. Tudo que ela fez foi por amor a você. Megara, é jovem e esperta, ela deve ter um jeito de escapar disso tudo, eu sei que ela não se deixaria ser morta dessa forma. – Ellaria tocou o rosto dele. – Eu sei o que é ver alguém que você ama ir pelo caminho até a morte e não poder fazer nada que não seja assistir, eu sei o que sente... Foi o que eu senti quando vi você cair naquela arena, eu achei que perderia você pra sempre, foi por tão pouco que...

Oberyn suspirou, tentando suportar a dor em seu corpo e o ódio de se sentir impotente, mas mesmo assim ele parou, deitando-se na cama.

– Mas se ela morrer...

– Então eu terei minha vingança por eles me tirarem mais uma vez alguém que eu amei. – disse-lhe. – Ninguém ficará em meu caminho.

– Eu tenho certeza que sim, meu amor. – ela assentiu. – Eu confio em você.

Oberyn a olhou sombrio, com os olhos negros frios e cruéis.

– Confie na minha raiva.

_X_

Diante do espelho, ela vira uma mulher diferente da que saíra de Porto Real. Na capital, Moira fora uma aia elegante, com cabelos loiros dourados e cintilantes olhos azuis, pele pálida e sorriso audacioso. No entanto, em Vila Gaivota, a garota que chegaria no Ninho da Águia para servir em como criada era diferente. Os olhos azuis continuavam, mas os longos cabelos loiros sumiram no momento em que a tinta vermelha banhara seus cabelos, deixando-os em um vermelho sangue. As roupas elegantes foram trocadas por vestidos recatados e simples, o sorriso audacioso dera lugar ao ar tímido e recatado.

Assim que chegou a Vila Gaivota, Moira ouviu sobre a comitiva de camponesas que cavalgaria para o Ninho da Águia para serem criadas no castelo, soube que aquela era sua chance. Elas cavalgaram durante um dia inteiro, até alcançarem os Portões da Lua, onde uma garota as esperava para a travessia que a levaria ao castelo. A garota era seca e dura, com grandes olhos azuis e cabelos negros e lisos, cortados como os de um garoto.

– São temos difíceis no Ninho da Águia pelo que ouvi. – comentou distraída enquanto a seguia. – A morte de Lady Lysa deve ter deixado todos muito abalados.

– Sim, todos foram pegos de surpresa. – concordou Mya. – Principalmente o garoto, o jovem lorde Arryn, ele era muito apegado a mãe.

– Deve ser horrível para ele, como ele está?

– Deve estar mais difícil do que antes. – respondeu a jovem. – Ele já não era fácil de lidar, por ser enfermo e um pouco complicado, qualquer uma de vocês terá que ser paciente quando for cuidar do senhor Robin.

– Sim, é claro. – ela assentiu. – A propósito, eu sou Astrid.

– Mya Stone.

– Mas, pelo que sei, ela havia acabado de casar não é?

– Sim, com Lorde Petyr Baelish.

– Baelish? – ela indagou. – Que casa é essa?

– Não é uma casa grande e de renome, Astrid, são da região dos Dedos.

– E nem mesmo ricos. – comentou outra jovem que vinha logo atrás. – Como uma mulher de alto nascimento e senhora do Vale se casa com alguém como ele?

– Ele é Mestre da Moeda em Porto Real.

– E ainda trouxe uma filha bastarda para cá quando veio, isso é um desrespeito.

– Filha? – sussurrou a pergunta para Mya.

– Sim, o nome dela é Alayne Stone, ela é filha ilegítima de Lorde Baelish e veio com ele quando chegou ao Vale para se casar. – disse-lhe a jovem. – E bastarda ou não, você é uma criada e irá servi-la, acho melhor se referir a ela com mais respeito. – Mya respondeu olhando para a outra jovem com um tom raivoso.

Uma filha. Aquilo chamou sua atenção, precisava ver aquela garota com seus próprios olhos para saber quem ela era de verdade. Assim que chegaram ao castelo, despediram-se de Mya que as deixou para serem levadas para dentro. Todas elas foram mandadas para seus afazeres, para ela foi dada a missão de servir Alayne Stone, a filha de Lorde Baelish.

Com duas batidas na porta, ouvia voz da garota dizendo para que entrasse.

– Lady Alayne. – cumprimentou. – Eu sou Astrid, sua nova criada.

A garota estava em sua janela, fitando a paisagem fria que o Vale se tornara, com neve caindo. No entanto, quando ela se virou para encará-la, as duas pareceram levemente assustada em olhar uma para a outra. Aquela era Sansa Stark, ela tinha certeza. Moira a olhou por alguns momentos, vendo que os cabelos ruivos agora estavam negros assim com o vestido que ela usava, mas tinha certeza que era ela. Havia visto o rosto daquela garota durante muito tempo para ser enganada por tão pouco, ela tinha certeza que aquela era Sansa Stark.

– Algum problema minha senhora?

Ela parecera levemente assustada.

– Nos conhecemos de algum lugar?

– Eu creio que não, senhora. – respondeu. – Eu creio que me lembraria, sempre tive boa memória. – sorriu-lhe. – É um prazer conhece-la. – fez uma leve reverência.

– Como se chama mesmo?

– Astrid, minha senhora.

– De onde você vem?

– Vila Gaivota.

Ela franziu o cenho, olhando o rosto dela com atenção, tentando reconhece-la. Sansa a havia visto muitas vezes ao lado de Megara e era natural que o rosto lhe parecesse familiar. Mesmo assim, a garota pareceu se recompor e se tornar calma novamente, então assentiu.

– Escove meus cabelos.

Moira assentiu e pegou a escova passando-a pelos cabelos agora negros dela com muito cuidado. Alayne a olhava com atenção através do reflexo, fitando-a agora com os cabelos vermelhos e aquelas roupas tão recatadas.

– Você já foi criada antes?

– Não, minha senhora. – respondeu. – Essa é a primeira vez que sirvo.

Trançou os cabelos negros da garota com cuidado, deixando ver o trabalho, ela diria alguma coisa, mas as batidas na porta chamaram atenção das duas.

– Pode entrar.

Quando a porta se abriu, Moira respirou fundo ao ver Petyr Baelish entrar no quarto e observá-las.

– Alayne, está tudo bem?

– Sim, pai. – Ela pronunciou as palavras com dificuldade. – Estava me aprontado para o jantar, agora estou pronta.

Os olhos de Petyr pararam nela por alguns momentos, cheios de curiosidade. Moira abaixou os olhos, fingindo timidez. Se ele nunca foi capaz de reconhece-la na Fortaleza Vermelha, não seria possível que agora com cabelos vermelhos e tão diferente fosse reconhecer.

– Quem é ela?

– Essa é minha nova criada, Astrid.

Petyr continuou a olhando, até que ela fez uma rápida reverência a ele.

– Milorde. – falou com respeito.

– Olá, Astrid. – Petyr disse rapidamente. – Venha, Alayne, o jantar será servido.

A garota fez um sinal para que ela a seguisse até onde jantariam juntos, assim ela o fez. Quando os dois sentaram-se a mesa, o jantar lhes foi servido. Moira serviu suas taças com vinho, ficou no canto da sala apenas observando. Petyr vez ou outra a olhava com o canto dos olhos, parecendo curioso com ela, mas ela fingia que não o via.

– Amanhã desceremos ao encontro de Lorde Royce em Pedrarruna.

– Tão cedo?

– Quanto antes formos, melhor. – ele respondeu. – O inverno se torna mais duro a cada dia, o local mais seguro é lá.

– E quanto a Robin?

– Ele virá conosco, é claro. – Petyr sorriu. – Mas sugiro que leve suas roupas, nossa viagem será um pouco mais longa que o normal. – ele sorriu e então ergueu sua taça na direção de Moira. – Astrid, por favor.

Ela tomou a jarra novamente e encheu a taça com vinho.

– Como quiser. – Ela assentiu.

– Há algo mais que queria levar?

– Sim, se não por pedir muito. – Ela disse calmamente. – Eu quero que minha criada me acompanhe, será bom ter alguém para me ajudar a me vestir e com o que eu precisar.

– Minha querida, haverá criadas para você em Pedrarruna, deixe Astrid no castelo para que possa servir aqui. – ele pediu. – Você irá afastá-la de seus familiares.

– Você tem familiar por aqui, Astrid?

– Não, senhora. – respondeu. – Eu vim para o Vale após a morte de minha tia que me criou, eu não tenho mais ninguém por mim. – disse. – Seria uma honra servi-la aonde for, senhora.

Alayne olhou para ele com um tom questionador.

– Como desejar, leve-a com você. – Petyr assentiu. – Partimos amanhã pela manhã, Astrid, esteja pronta.

– Sim, milorde.

Moira voltou para seu lugar ao canto da sala, por mais recatada que parecesse, ela sabia que seu orgulho sorria dentro de si.

_X_

Quando a porta da cela se abriu, Megara se preparou para o pior, apoiou a cabeça na parede da cela e fechou seus olhos e esperou pelo que viesse.

– Seja rápida, Lady Megara. – sussurrou uma voz diferente. – Precisa vir.

Ela abriu os olhos, encarando o garoto franzino que segurava uma tocha e lhe estendia uma mão.

– Lorde Varys me pediu para busca-la, venha.

Megara segurou a mão do garoto e foi puxada do chão por ele, saindo da cela e ficando de frente a ele. Ainda segurando a tocha, o garoto lhe entregou uma capa que ela vestiu e cobriu sua cabeça com o capuz, segurou-lhe a mão e passou a arrastá-la pelos corredores.

– Onde está Varys?

– Ele estará a nossa espera. – respondeu. – Pediu para que eu viesse tirá-la da cela e levasse a senhorita até a passagem.

Os dois correram pelos corredores apressadamente, ouvindo apenas os sons de seus passos corridos em meio ao eco. Subiram por uma escada, então subiram e correram por mais corredores, até pararem diante de uma escadaria. Após as escadas, seguiram por um longo túnel escuro até chegarem diante de uma porta em arco. O garoto abriu as dobradiças que rangeram ao serem abertas.

– Onde isso nos leva?

– Para o rio, mas temos que esperar um pouco.

Megara assentiu, assim que ele abriu e então a guiou até o que parecia ser o começo de uma trilha que os levaria para o rio.

– Onde está Varys?

– Ele disse que chegaria em pouco tempo. – O garoto puxou uma adaga de suas mãos assustando Megara. – Ele pediu para que usasse isso e cortasse seus cabelos.

– Meu cabelo?

– Precisa ser disfarçar, para não chamar atenção, eles procuraram por uma jovem branca e alta, com cabelos longos e negros.

Megara aceitou a adaga e puxou algumas mechas de seu cabelo olhando com pena. O que é isso perto de sua vida? Ela pensou, então passou a lâmina sobre os fios deixando-os caírem sobre o chão, fez isso durante algum tempo, até deixar que seus cabelos em um tamanho que lhe chegava aos ombros. O garoto recolheu os fios do chão e queimou os fios com a tocha, queimando-os.

– Continue bela, senhora, se me permite.

Megara assustou-se com a voz de Varys surgindo das sombras, vindo na direção deles.

– Resolveu salvar minha vida?

– Sim, eu tenho um apresso grande pela, senhorita. – Varys sorriu afetado, segurando a mão dela no ar e depositando um beijo. – Mas, certo anão resolveu pedir minha ajuda para salvá-la do destino cruel em que se colocou e eu não pude negar.

– Tyrion. – sussurrou. – Onde ele está? Traga-o conosco! Onde ele está?

– Se acalme, Lady Megara.

– Tem que trazê-lo, se ele ficar será culpado, onde ele está? – Megara pediu. – E quanto a Oberyn? O que houve com ele?

– Senhora. – Ele chamou-a. – O príncipe dornês está nesse momento a caminho de casa com sua bela amante, quanto a Lorde Tyrion, ele está mais seguro que nunca depois do que ele fez, preocupe-se apenas com si mesma agora. – disse. – Agora, venha, temos que ser rápidos.

Varys a guiou junto com o garoto pela trilha até chegarem diante do rio, onde havia um barco a remo para leva-los até uma galé que estava no porto.

– Lady Megara, recebeu o punhal que lhe mandei?

– Aqui está. – Ela entregou o objeto nas mãos de Varys que o observou com atenção, enquanto o garoto lhe entregou a tocha para que ela segurasse.

Os três entraram no bote enquanto o garoto remava com dificuldade pelo rio, na direção da Baía da Água Negra. Megara fitou a Fortaleza Vermelha ao longe, sentindo como se um peso saísse de suas costas. Ela sempre detestou aquele lugar, deixa-lo para trás, era um alivio imenso. Aquele lugar só a trouxera dor e sofrimento, não havia felicidade para ela em Porto Real. O barco se aproximou e parou ao lado da galé, uma escada de madeira foi lançada para eles.

– Vá, minha senhora. – pediu Varys pegando a tocha das mãos dela.

Megara subiu as escadas com dificuldade agarrando-se a madeira a frente e apoiando seus pés nos que já havia passado. Quando chegara perto da amurada, um dos homens ajudou-a a passar para dentro do navio, quando passou sua perna pela amurada e pôs seus pés no convés.

– Já estou indo, minha senhora. – Ele parou diante do garoto e sorriu-lhe. – Você fez um ótimo trabalho, rapaz, um ótimo trabalho, mas corre risco se ficar por aqui e se encontrarem você e o interrogarem? – indagou.

– Senhor, eu juro...

– Um homem tem segredos e segredos podem ser revelados... – Ele segurou o ombro dele. – Mas um homem morto não tem segredos. – então ele cravou o punhal no peito do garoto, matando-o.

Megara tapou sua boca com as mãos para não gritar. Varys então subiu pelas escadas com dificuldade, quanto já estava perto de chegar a amurada, jogou a tocha no barco, incendiando o mesmo e o corpo do garoto de uma vez. Então, ele passou a perna e subiu no navio ficando ao lado dela no convés.

– Está tudo bem, senhora. – Varys disse. – O garoto poderia contar a alguém sobre o que fez, não quer ninguém a encontrando não é mesmo? Assim podemos seguir nossa viagem em segurança.

– Ele era um menino.

– Era um duplo, pelo que sei, vendeu alguns segredos que não deveria para Littlefinger, não foi um informante fiel, eu protejo aqueles que são fieis a mim.

Varys passou um braço sobre os ombros dela e a guiou pelo convés.

– Não se preocupe com ele, esqueça. – pediu. – Agora você deve descansar, vou leva-la até onde possa dormir, nossa viagem será longa.

Antes que pudessem continuar, Megara ouviu o som dos sinos soarem por toda a cidade, vindo da Fortaleza Vermelha. Ela virou-se encarando o castelo no alto da colina, onde os sinos cantavam que alguém havia morrido.

– Venha.

Megara foi levada por Varys até uma cabine do navio que era um verdadeiro cubículo, onde tinha apenas uma cama onde uma muda de roupas estava posta para ela. Varys despediu-se e a deixou sozinha, trancada dentro do cubículo para que dormisse. Ela deitou-se na cama, fitando-o o teto de madeira da cabine por alguns minutos, lá dentro o som dos sinos parecia distante como se fosse um sonho.

Ela fechou os olhos e esperou pelo que o destino pudesse trazer agora.

Ao abrir seus olhos, Megara encontrou novamente o mesmo lugar, a pequena cabine onde dormira. Ela soltou um longo suspiro, até levantar-se e vestir as roupas que deixaram para ela. As calças de linho tinham um tecido negro, assim como as botas que haviam sido deixadas. Um vestido roxo que lhe chegava até seus joelhos, com uma fenda que deixava as pernas cobertas pela calça a mostra, com mangas curtas que lhe cobriam apenas os ombros. Penteou seus cabelos negros que chegavam aos ombros agora, desfazendo os nós que os fios tinham.

– Que bom que acordou, senhora. – Varys disse ao abrir a porta. – Dormiu bem?

– Fiz o que pude para dormir.

– Venha, talvez queira comer alguma coisa.

Megara aceitou a mão que ele lhe estendeu e o seguiu para fora da cabine, caminhando com ele pelo convés enquanto os marinheiros corriam pelo mesmo. Ao olhar para o horizonte, Megara não via mais Porto Real, já haviam se afastado da cidade e agora estavam em meio ao mar.

– Onde está Tyrion?

– Ele segue sua viagem também, você o verá quando chegarmos.

– Por que não segue conosco?

– Porque seria perigoso manter o assassino de Tywin Lannister junto com a adorável assassina do rei no mesmo navio. – ele sussurrou para ela. – Mas fique calma, logo você o verá.

– Tywin Lannister está morto?

– Sim, deseja ficar de luto, senhora?

A atitude de Tyrion a deixara chocada, nunca imaginou que ele pudesse chegar a tanto e como fizera aquilo. Megara respirou fundo e continuou andando com Varys pelo convés, agora com um ar pensativo.

– Para onde vamos?

– Para o mais longe que pudermos. – ele sorriu. – As Cidade Livres são nosso destino, vá em frente, senhora, sinta sua liberdade.

Megara caminhou seguiu pelo convés em direção da proa do navio, sentindo o vento tocar seu rosto trazendo o aroma que a liberdade tinha. Seus cabelos foram lançados para trás, dançando junto com vento. Fechou seus olhos sentindo a doce sensação de poder respirar em paz. Apoiou-se na amurada e sentiu o vento ao abrir os olhos, ela viu o horizonte se aproximar cada vez mais.

Tudo que ela sentia haviam a levado a lugares que ela nunca imaginou chegar. Ela matara, mentira e lutara para salvar aqueles que amou, deixou sua vida de lado para salvá-los. Ela perdera a maioria deles, mas ainda havia motivos pelos quais lutar. Havia ela mesma. Megara notara que se esquecera de si mesma enquanto lutava apenas pelos outros. Ela havia esquecido de viver por si mesma e lutar também. Ela não cometeria mais esse erro. Não valia a pena viver com medo de ficar sozinha, se esquecendo de si mesma. Ela estava livre de Porto Real, estava livre de todos aqueles que tentaram prendê-la de alguma forma. Ela tinha sua vida em suas mãos, lutaria por ela, por Tyrion, por Oberyn, por quem ainda valesse a pena lutar, mas ainda sim viveria.

Ela estava livre agora, não importava como. Agora ela tinha seus destino em suas mãos, ninguém iria tirar isso dela e aquele que tentasse, sentiria sua fúria.

Notas finais
E esse é o fim! Calma, é o fim primeira parte dessa história, ainda teremos muito mais, claro se vocês quiserem não é? u_u Our Fury tem três partes, essa é a primeira, a segunda já começa próximo domingo mesmo. E ai? O que acharam do capítulo? Do que foi feito? Bom, domingo tem o começo da segunda parte. Aqui nesse mesmo tópico! Então, nos vemos no domingo, nessa mesma bat-hora, nesse mesmo bat-lugar -q Deixem reviews dizendo o que acharam, até o próximo capítulo, beijos :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.