Our Fury
6 O Beijo da Serpente
Eram duas crianças. Uma garota e um garoto correndo e rindo pelo acampamento dos soldados, como se aquilo fosse um divertido labirinto para que brincassem. Tão pequenos e extremamente parecidos. As crianças tinham cabelos negros, mesmo que os da menina fossem encaracolados e os do menino lisos, ambos tinham a pele branca e os rostos semelhantes.
Com um pouco de tempo, ela notou que aquelas crianças eram ela e Renly. A garotinha parou e esperou o menino, quando ela o alcançou, os dois deram as mãos e os dois entraram em uma das tendas.Ao entrarem na tenda, não era mais crianças, agora só havia Renly. Dentro da tenda, Stannis o esperava, mas ele não pareceu vê-lo. Renly parou diante do espelho, vestido em sua armadura resplandecente e magnifica, avaliando sua imagem no reflexo. Stannis se aproximou sorrateiro, então nem quê e nem para quê, cravou sua espada no irmão sem piedade.Megara sentiu o golpe como se fosse nela, a dor era como um reflexo sobre ela. Quando olhou novamente, não era mais Renly ferido e morto, e sim ela mesma, caindo sobre Stannis que a segurava friamente.– Irmão... — Sua voz saia fraca. — Por que?– Eu não seu irmão, Renly. — ele disse. — Eu sou seu rei.Um grito alto e agudo fez com que Megara abrisse os olhos.Seu próprio grito.Um sonho. Fora apenas isso. Ao tocar o peito, sentiu o coração batendo aos saltos em desespero. A testa estava suada. Megara se sentou na cama, ainda organizando seus pensamentos. Apenas um pesadelo terrivel. Ela sabia que nunca seria Stannis para matar Renly. Seu irmão mais velho era honrado demais para cometer fraticidio, nunca faria isso. Ele também não faria mal a ela. Stannis a amava, ela sabia disso, os dois eram irmãos.Stannis nunca faria isso.– Faria? — Ela perguntou a si mesma, sentindo a dúvida pesar em sua mente.Megara tentou voltar a dormir, deitando-se novamente na cama. Foi em vão. Virou de um lado para o outro uma centena de vezes, mas o sono não voltava. Fechava os olhos e a voz das palavras tenebrosas de seu irmão voltavam a sua mente ou a imagem dele cravando sua espada em Renly.Aceitou que não cairia no sono tão cedo, então resolveu caminhar. Enfiou-se dentro de um vestido simples que tinha ao lado da cama e jogou os cabelos sombro o ombro esquerdo. Ascendeu uma vela para guiar seu caminho enquanto andassem. Talvez nem todos estivessem dormindo na Fortaleza Vermelha aquela hora, mas não haviam criados nos corredores.Desceu as escadas cuidadosamente, erguendo as saias para não tropeçar. Talvez pudesse encontrar Moira e saber onde ela vinha se enfiando todas as noites. O som de vozes fez com que parasse na metade do caminho. Ligeiramente, se escondendo atrás da parede para que não a vissem. – Tem certeza que ninguém o viu vir atrás de mim? — Uma voz forte e sussurrante, era a voz de um homem.– Tenho.– Então escute minhas ordens para ter certeza de que não fará nada errado. — respondeu a outra voz. — A garota Baratheon deve morrer sem deixar rastros.– Isso eu sei.– Se for pego, deve fazer todos acreditar que outra pessoa encomendo a morte dela, entendeu? A única pessoa que poderia querer a morte dela.– E quem seria?– Stannis, o irmão dela.– Uma fraticidio. — acusou a outra voz. — Mas eu não serei pego.– Claro que não, mas mesmo assim, todos devem acreditar que a morte foi coisa dele. – Se me permite saber? Por que iriam querer uma garota tão jovem e bonita morta?– Há aqueles para quem ela representa perigo, eu só cumpro o que me pediram, senhor. — disse a voz do homem sussurrante. — Viva ela já representa perigo, mas viva e casada com um homem poderoso, ela pode ser ainda mais perigosa. — explicou. — Foi assim que meus senhores pediram.Megara deu dois passos para trás, sentindo o sangue gelar em suas veias.Havia alguém tramando matá-la, ela precisava ver quem eram para poder agir. Contou os passos silenciosos, para brechar quem seriam. Antes que pudesse dar mais um passo, uma mão se fechou sobre sua boca e um braço se fechar ao redor de seu corpo erguendo-a do chão.Ela tentou falar, mas sua voz soara abafada e ela temeu que os homens tivessem a ouvido.– Calada, senhora. — A voz do príncipe dornês sussurrou próxima de seu ouvido. — Não vai querer que os ratos nos escutem não é?Mesmo sem querer, sentiu a pele se arrepiar com a proximidade dele, mas tentou disfarçar. Ele a arrastou para subir as escadas, mesmo sobre resistência dela, mas em silêncio para não chamar atenção. Oberyn a arrastou com cuidado até o fim das escadas e pelos corredores de seu quarto, onde finalmente a soltou.– Imbecil! — Ela preguejou furiosa enquanto caminhava pelo corredor. — Eu tinha que saber quem estava tramando me matar, você atrapalhou tudo!– Eu salvei sua vida, seja educada uma vez na vida e me agradeça, senhora. — Ele pronunciou a ultima palavra com um tom sarcastico.– O galante principe dornês salvando a donzela em perigo? Quer uma canção pelo seu feito heróico?– Não, uma canção não, eu pensei em uma recompensa bem mais interessante. — ele disse, então ela sentiu os olhos dele sobre ela.Ela girou os calcanhares para encará-lo.
– O que fazia acordada uma hora dessas? — ele indagou.– O que faz nessa parte do castelo uma hora dessas? — Megara retorquiu, atrevida.Ao inves de se irritar, Oberyn sorriu.– Não vejo graça alguma, ainda tem gente tramando me matar, isso não é engraçado.– E você ainda queria descer as escadas, obviamente, seria a chance perfeita para que o serviço fosse feito.Megara abriu a boca para protestar, mas ele estava certo, então ela voltou a fechá-la permanecendo em silêncio.– Ah, não senhora, talvez eu esteja errado. — Ele se aproximou dela. — Você não é tão medrosa como imaginava,mas você também não é tão forte quanto achava que é.Ela foi até ele e o empurrou furiosamente.– Que ameaçador! — ele disse, com um sorriso de víbora irritante em seu rosto. — É assim que vai se defender dos seus assassinos? Você está muito nervosa.– Também estaria nervoso se soubesse que querem matá-lo.– Você achava que ninguém desejava sua morte nesse mundo? Essa sua lingua afiada já deve ter lhe arrumado muitos inimigos e você nem faz idéia.– Eu tenho que falar com o Tyrion.– Seria uma tola se fizesse isso.Ela o olhou escandalizada ao ouvir aquilo.– Tyrion é meu amigo!– Não pensou na possibilidade dos próprios Lannister estarem tramando isso?Mais uma vez, ele estava certo.– Suponho que eu tenho que confiar em você então? — perguntou, sarcastica. — A Vìbora de Dorne, o home que luta com lanças envenadas, é em você que eu tenho que confiar?– Não no homem que luta com lanças envenadas, mas no homem que acabou de salvar sua vida. — Ele corrigiu, então fingiu surpresa de um jeito sarcastico. — Oh não! Acho que são a mesma pessoa!Amaldiçoou-se mentalmente. O maldito príncipe estava certo, no momento, ele era a única pessoa em que ela poderia confiar.– Acho que tenho uma divida, então? — Ela disse, tentando se acalmar. — Não vejo como você pode me ajudar, mas já que não tenho saída...– O que fazia nos corredores com essas roupas tão finas?Ela notou os olhos negros do dornês caindo sobre ela com um ar malicioso. Sentiu-se quase despedida diante dele, talvez Oberyn tivesse mesmo essa capacidade de despir uma mulher com os olhos. O vestido fino que usava era aberto no colo, deixando-o a mostra e também não era muito composto.– Eu estava indo para sua cama, por um acaso. — respondeu sarcasticamente, sem pensar.Ele se aproximou dela ficando tão perto que ela sentia a respiração quente dele batendo contra seu rosto– Então venha até mim e terá o que quer.– E o que eu quero? — ela sussurrou, tentando se manter controlada perto dele. Inclinou seu rosto sobre o dele, sentindo os lábios se roçarem levemente. Ela fechou suas mãos nas roupas dele, o puxando para mais perto. Oberyn tinha gosto de vinho, o mais forte que havia, pronto para embrigar. A boca dele tomou a sua despudoramente e suas mãos se fecharam em volta da cintura dela, ela não teve alternativa a não ser ceder.
Notas finais
Espero que gostem :)
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