Our Fury

7 And You Will Keep Me Safe


O tiro do pequeno Tommen saiu torto.
– Mais devagar, querido. — Megara pediu. — No começo, a mira ainda é fraca, deve observar o alvo com mais atenção e tente manter o braço forte. — orientou se agachando ao lado do sobrinho.
– Um dia, serei melhor que você, tia.
Megara fingiu um tom indignado.
– Ora, que atrevido! — disse. — Saiba que nem o seu pai conseguiu ser melhor que eu! — vangloriou-se, então abraçou e encheu o rosto dele de beijos. — Por hoje chega, não quero que sua mãe nos veja e venha brigar comigo e com você, certo?
– Não posso tentar mais um tiro?
– Você tem tempo para fazer isso depois, hoje já está bom. — Ela segurou as mãos dele. — Eu vou ficar mais um pouco.
O pequeno principe se despediu dela com um docil beijo no rosto e se foi, acompanhado de seu guarda.
Tomou o arco em mãos e voltou a atirar.
Usar o arco era a única coisa que podia fazer. Não sabia bordar, nem cantar e dançava aceitavelmente. Se não fosse Renly para ensinar, talvez nem isso soubesse fazer direito. O arco fora a única coisa que aprendeu a manejar com destreza. Além de uma defesa caso precisasse, lhe ajudava a colocar os pensamentos em ordem.
Nos ultimos momentos, era tudo que precisava.
As memórias que tinha volta e meio vinham lhe assombrar. Lembrou as vozes tramando matá-la e isso lhe dava raiva. Tinha um inimigo, mas não sabia quem era, nem poderia prever por onde ele atacaria. Nem conseguira dormir naquela noite. Não, quando se deitara na cama, outra coisa lhe tirara o sono, não a possibilidade de uma morte, mas sim do gostos dos lábios de um príncipe dornês.
Ao se afastar dele, estava ofegante e sem ar, não teve tempo de falar nada ou se despedir, apenas correu de volta para o seu quarto antes que fizesse algo pior. O maldito dornês. Ela não podia culpá-lo tanto, afinal fora ela que cedeu a tentação e o beijara. Quando fechava os olhos, era o gosto de vinho que ele tinha que voltava a sua mente e ao pensar nele, tudo que queria era sentir aquela sensação de novo.
– Achei que encontraria você aqui.
Tyrion bamboleou-se até ela acompanhado por seu escudeiro, Podrick.
– Eu preciso treinar, para não perder o jeito.
– Maggie, você nunca perde o jeito com o arco. — disse o anão. — Você só vem aqui e fica atirando feito um louca quando está preocupada com algo.
– Eu não tenho motivos para estar preocupada não é mesmo?
– Sim, você tem, mas veja pelo lado bom, você não é Tyrion Lannister.
– Pelo menos, ninguém te quer morto.
– Engano seu, Maggie. — ele sorriu. — Garanto a você que muitas pessoas querem mais a minha cabeça feia em uma estacada com que esse seu belo rostinho.
Ela não sorriu do pequeno gracejo dele, continuou mirando sua flecha.
– O que está preocupando você?
Megara abaixou a flecha por alguns instantes, fitando o chão.
– Se sua familia quisesse me ver morta, sua irmã ou seu pai mandassem me matar e você soubesse disso. — ela pausou sua voz por alguns minutos. — Faria algo por mim?
Tyrion ficou impassível durante alguns minutos.
– Não.
Ouvir aquilo a surpreendeu, mas ela tentou não demonstrar.
– Eu faria tudo por você. — ele continuou. — Eu a mandaria para qualquer lugar que julgasse seguro, enfiara você em um navio para as Cidades Livres, qualquer lugar.... Mas não veria você morta.
– E por que?
– Ora, você é a coisa mais próxima que eu tenho de um amigo leal. — respondeu. — Talvez o mais perto de amor que uma mulher poderia sentir por mim. — acrescentou sarcastico.
As palavras dele a fizeram sorrir.
– Eu espero realmente que não esteja mentindo.
– Minha vez de perguntar. — ele sorriu. — E por que?
– Se tiver mentido para mim, eu juro que terei prazer em mandar a sua cabeça feia para qualquer um desses que a querem.
Tyrion não se aflingiu pela pequena ameaça.
– Eu não posso dizer que gostei de ouvir isso, mas me diga... Quem quer vê-la morta?
– O pior é que eu não sei.
– Eu acho mais seguro que comece a conhecer seus inimigos.
– Eu não pude. — suspirou. — Só ouvi quando as pessoas tramaram me matar, nem reconheci as vozes.
– Pessoas tramando matá-la? Melhor ficarmos mais cautelosos, até com o que você come. — avaliou Tyrion. — Quando ouviu isso?
– Uma noite atrás, tinha acordado durante a noite, não consegui dormir e resolvi sair do quarto por alguns minutos, então ouvi e iria olhar melhor para saber quem era, mas Oberyn....
– Oberyn? — Ele repetiu surpreso. — Megara, o que estava fazendo sozinha e a noite com Oberyn Martell? Ah, por favor, nem precisa responder.
O tom da indagação de Tyrion a fez coroar.
– Não é o que você esta pensando! — Ela se apressou. — Eu estava sozinha, ele apareceu depois, quando eu estava ouvindo a conversa e ele me impediu de ver quem era.
– Ainda bem. — ele sorriu. — Mas pelo seu desespero, vocês não ficaram apenas de conversa, ficaram?
Megara jogou o arco no chão com raiva.
– Quem diabos você é para falar comigo sobre isso? Você é Tyrion Lannister lembra? A pequena besta cheia de luxúria?
– Sim eu sou. — ele respondeu. — Megara, eu quero fazer de você a esposa da Vibora Vermelha e não uma substituta de Ellaria Sand. — Tyrion disse. — Ah, quase me esqueci, talvez Olenna Tyrell a chame para uma conversa, qualquer dia desses, ela esta louca para conhecer a garota que Tywin Lannister quer enfiar na cama do neto dela.
– Oh, não. — ela praguejou ao ouvir aquilo.

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O braço do Príncipe Oberyn se enlaçou ao dela, fazendo com que o acompanhasse.
– É um pouco arriscado ficar andando sozinha pelos corredores quando existem alguém tramando matá-la, senhora. — A voz do dornês disse fazendo com que ela diminuisse o passo.
– Agora não estou mais sozinha, embora não menos em perigo.
Oberyn apenas sorriu, maliciosamente.
– Você me acha perigoso?
– Eu seria uma idiota se não achasse a Víbora Vermelha perigosa.
Desta vez o príncipe gargalhou.
– Não ficou com medo de engolir um pouco do meu veneno?
Ela sentiu o rosto corar ao ouvir aquilo.
– Eu já disse que você não me assusta.
– Então talvez não se importe de correr mais alguns riscos.
Oberyn soltou seu braço, logo depois enlaçou sua cintura com o outro braço. Antes que pudesse protestar, ele engoliou suas palavras colocando sua boca sobre a dela. A boca do dornês tomou a sua mais uma vez e ela pode sentir o gosto do vinho que ele tinha. Megara deixou sua boca abrir para que a lingua dele pudesse entrar, ela se sentiu suas mãos segurarem os ombros do príncipe.
Foi longo beijo, mesmo que ela não soubesse dizer por quanto tempo tinha durado, mas recobrou a consciência e se arrancou dos braços de Oberyn, antes que alguém os visse, se já não tinham visto.
– Ficou louco? — Esbravejou. — Se alguém nos visse...Isso não foi certo.
– Se achava que não foi certo, por que o fez antes?
Ela quis esbofeteá-lo, mas controlou sua para mão para que não fizesse isso.
– Senhora Megara? — A voz feminina chamou seu nome, e quando ambos olharam para trás viram Ellaria Sand se aproximar. — Vejo que meu príncipe já a encontrou, ele estava a sua procura hoje mais cedo.
– Estava? — repetiu, lançando um olhar de relance para Oberyn.
– Sim. — ela sorriu, aceitando o braço que ele ofecereu para ela. — Nos acompanha para o jantar no Salão?
– Claro.
Ellaria Sand sorriu e passou a caminhar ao lado de seu principe, enquanto Megara ficou ao lado dela.
No Grande Salão fora organaizado um jantar especial para os senhores de alto nascimento para que o rei pudesse se apresentado ao Príncipe Oberyn. Era algo estúpido ao ver de Megara, mas Cersei mandara sua própria aia avisar dizendo que a presença dela era exigida, já que até alguns Tyrells iriam estar presentes no local.
– Senta conosco? — Ellaria ofereceu um lugar, em que Oberyn ficaria entre as duas.
– Ah...
– Sinto muito. — disse uma voz surgindo ao lado de Megara. — Hoje, a senhora se sentará conosco. — Garlan Tyrell respondeu, tentando parecer cordial.
– Deixe que ela responda já que o convite foi para ele, sor. — O príncipe Oberyn disse, venenosamente. — É isso que quer, senhora?
Megara olhou com o canto dos olhos para Garlan Tyrell e soltou um suspiro.
– Sim, senhor. — respondeu, incerta. — Eu me sentarei ao lado deles, essa noite, talvez em outra ocasião possamos jantar juntos.
O príncipe Oberyn assentiu e se afastou com sua amante que se despediu dos dois.
– Está encantadora, senhora. — Garlan elogiou quando os dois passaram a caminhar de braços dados. — Ainda mais bela do que da última vez que nos vimos.
– Vejo que não ganhou o nome galante a toa.
Ele sorriu.
Megara não sabia a razão dele estar sendo gentil com ela, já que ela nunca fez muita questão de ser gentil com ele, nem com nenhum Tyrell, mas suspeitava que havia algum interesse naquela gentileza toda e não gostava de toda aquela atenção que eles vinham lhe dando.
– Se me permite a intromissão, qual sua relação com os dorneses,senhora?
– Cortesia. — respondeu. — São nossos convidados, devo isso.
– Vou me lembrar de cobrar isso a senhora.
– Não garanto que vou pagar. — retorquiu. — Se quer falar de dividas, fale com os Lannister.
Pela primeira vez, Garlan Tyrell não lhe mostrou um sorriso como resposta.
– Senhora avó. — ele chamou. — A Senhora Megara aceitou sentar ao seu lado.
A velha encarquilhada sorriu ao encará-la.
– Venha cá, menina. — Ela disse. — Sente aqui do meu lado, deixe eu ver você melhor. — indicou uma cadeira ao lado dela na mesa. — Garlan, vá chamar o idiota do seu pai, ele vai querer conhecê-la também.
Megara se sentou rigidamente ao lado da Olenna Tyrell. De principio não conversaram muito, pois, Lord Mace Tyrell ainda não chegara. A cadeira que lhe colocaram, ficava diante da de Sansa Stark, mas a duas cadeiras mais a frente, poderia ver Oberyn Martell com seus olhos de víbora postos nela.
Era ao lado dele que ela queria estar sentada e não daquela velha tagarela. Quando o jantar foi servido, o Senhor de Jardim de Cima uniu-se a elas e se sentou do outro lado de Megara.
– Senhora. — Lord Mace cumprimentou sentando-se ao seu lado. — É um prazer conhecê-la.
– Digo o mesmo, senhor.
– É ainda mais bela do que me falaram.
– E não adianta ser tão bela se não tiver alguma inteligência, não é mesmo? — tagarelou Olenna. — Falaram que você era bonita, mas que era teimosa feito uma mula e também muito arredia, isso até se provou meio verdade.
– Arredia? Por que eu seria arredia? — Megara fingiu curiosidade, tomando a taça de vinho nas mãos. — Só por que cortesias baratas não me compram?
Senhora Olenna a estudou por alguns minutos, mas logo lhe deu um sorriso satisfeito.
– Você é das minhas. — ela deu um palmadinha na mão de Megara. — Viu, Mace? Ela é como eu pensei. — então sussurrou. — Você coroou o irmão errado!
– Mãe!
O Senhor gordo de Jardim de Cima ficou vermelho, parecia prestes a estourar.
– Não fique com esses sussurros por aqui? — repreendeu ele. — O que a Senhora Megara pensará de nós? Que somos traidores?
– Ela vai pensar que pelo menos um de nós tem miolos. — retorquiu a velha. — Mas, você não iria querer a coroa do seu irmão, era pesada demais! Um manto com uma rosa cairia melhor nesses seus ombros, não é? Seria bem mais seguro.
– A coroa já matou dois dos meus irmãos e levou um a guerra, eu não quero correr o risco.
– Então é esperta como eu pensei.
– Diga-me, senhora, gosta de ler? — Mace perguntou. — Nosso Willas ama a leitura, ele também tem as melhores aves dos Sete Reinos!
– E também é aleijado, diga a verdade para a garota. — completou a Senhora Olenna. — Culpa daquela coisinha dornesa e depravada ali. — sussurrou lançando um olhar sorrateiro para Oberyn Martell. — Essa víbora.
– Tenho certeza que Willas deve ser um um bom rapaz eu iria adorar conhecê-lo antes de...
– Enfiarem você na cama dele? Eu também acho que ele iria gostar. — A velha completou. — Sabe, você será uma esposa bem mais inteligente e boa para meu Willas, poderá por juizo na cabeça dos seus filhos como eu não pude fazer com esse dai. — Ela indicou o filho ao lado de Megara. — Você é esperta e é perigosa como alguns pensam por aqui. — ela segurou a mão dela. — Sozinha você já é perigosa, mas casada com alguém de poder é mais perigosa ainda.
Por pouco, ela não deixou as taça de vinho cair de suas mãos ao ouvir aquelas palavras. Parecidas demais com as que ouvia da voz que planejava matá-la. De repente, a comida não lhe dava mais fome, o vinho era amargo e as pessoas ao seu redor estavam a sufocando.
– Com licença, senhora. — disse, tentando não vacilar. — Eu não me sinto muito bem, acho que preciso respirar ar fresco, eu já volto.
Levantou-se sem esperar por respostas e ergueu as saias para andar, antes que pudesse sair do salão, pode ver os olhos de Cersei acompanharem seus movimentos, ela erguer sua taça de vinho como em um brinde silencioso.
Seus pés a levaram para fora do salão, mas sua mente estava confusa demais para perceber para onde estava indo. De repente, percebeu-se em um corredor vazio da Fortaleza de Maegor, completamente sozinha. O único som que ouvia, era o de seus próprios passos, mas logo depois conseguiu ouvir o som de outros passos acompanhando os seus. Ela não estava mais sozinha. Passou a apressar seus passos, olhou rapidamente para trás, notando o homem alto a seguindo.
– Vá embora! — gritou, grosseira.
Em respota, viu quando uma lámina cintilou na escuridão, um punhal nas mãos do homem. A luz do archote e a distância não lhe ajudavam a ver muita coisa. A silhueta e o rosto de longe não parecia lhe ser estranho, mas não estava preocupada em descobrir e sim em escapar. Apressou os passos o mais rápido que pode, e logo estava correndo o tanto quanto suas saias poderiam deixar que corresse.
Olhou para trás uma ultima vez, para olhar para ver se o homem ainda a seguia, ele ainda permanecia correndo em sua encalço. Foi pela luz do archote que seus olhos distinguiram um rosto com uma cicatriz na bochecha. Antes que pudesse raciocinar, acabou tropeçando nas proprias saias e indo ao chão. Sentiu seus joelhos arranharem, mas ignorou a dor e tentou se colocar de pé, mas antes que conseguisse, uma mão agarrou seus cabelos puxando sua cabeça para trás.
Um grito alto lhe escapou pela sua garganta antes que pudesse pensar em prendê-lo.
Megara debateu-se e tentou se libertar do homem que lhe puxava os cabelos, mas ele era bem mais forte que ela.
– Me largue!
Ela viu a lâmina próximo o suficiente para descer e acertar sua garganta, mas antes que pudesse ser feito. A mão largou bruscamente seu cabelo. Ela perdeu o equilibrio e caiu deitada no chão, mas ainda pode ver os homens lutando sobre a luz do fogo. Ergueu-se ainda zonza, se colocou de pé, com toda a dificuldade, porém antes que pudesse dar um passo, seu corpo trombou com outro e mãos fortes a seguraram.
Megara se debateu mais forte que conseguiu, mas o outro homem a segurou, antes que pudesse gritar de novo, uma mão se fechou em sua boca.
– Não pense nisso, senhora. — pediu-lhe a voz. — Viemos salvá-la, o seu irmão mandou buscá-la.
No mesmo instante, ela parou de se debater.
– Stannis?
– O seu irmão, o único rei. — respondeu o homem. — Nós viemos para salvá-la, senhora.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) Por favor, não se esqueçam dos reviews