Our Fury

8 A Verdade e o Desejo de Vingança


A escuridão não lhe deixava ver o caminho por onde lhe levavam. Enquanto era escoltada pelos cavaleiros, Megara sentia o coração bater descompassado dentro do peito. Os passos apressados era o único com o caminho inteiro, nenhum dos homens lhe deu mais alguma resposta. Ainda sim, se sentia estranha. Deveria se sentir feliz e aliviada, pois, seu irmão havia mandado lhe buscar finalmente. Estaria livre de Cersei e das intrigas da corte, estaria ao lado de sua única e verdadeira familia, o único irmão que lhe restara, aquele que amava demais. Mesmo assim, algo lhe apertava por dentro. Uma estranha sensação de deixar algo para trás ainda lhe torturava a alma.

Pensou em Tyrion, mas ele nunca precisou tanto dela, sempre foi que Megara que precisava do anão. Lembrou também de Sansa, a garota não suportaria tudo sozinha, mas ela sabia que Tyrion iria dar um jeito de cuidar dela. Havia Tommen, seu sobrinho, mas por mais mais que ainda odiasse Cersei, ela era mãe dele e o amava. Por último, seus pensamentos foram para Oberyn.

Megara se sentiu estupida por pensar nele. Não havia motivos para achá-lo tão importante assim. Ele não representava nada para ela, os dois mal se conheciam. E haviam trocados beijos. Disse a si mesma que aquilo não era nada e que agora estaria indo ao encontro de seu irmão. Stannis era mais importante que tudo. Era seu irmão. Era tudo que ela tinha. Seu coração e seus pensamentos deveriam estar todos para ele, afinal, ele havia a salvado de um jeito ou de outro.

– Por aqui, senhora. — disse um dos cavaleiros, a guiando. — Sor Davos, trouxemos a Senhora Megara.

O homem a encarou aliviado por vê-la salva.

Era um homem pequeno e de rosto comum, com seus cabelos e olhos castanhos, e sua barba da mesma cor só que salpicada de prata. Ele veio até ela respeitosamente, beijou sua mão.

– Peço perdão se a assustamos, senhora.

– Não se preocupe. — ela respondeu. — Onde está Stannis?

– Seu irmão não pode vir, ele ficou em Pedra do Dragão, esta a sua espera. — respondeu. — Ele deu ordens para que viessemos buscá-la.

– Leve-me pro meu irmão.

Sor Davos sorriu.

– Sor. — ela se lembrou. — Em que parte de Porto Real estamos?

– Não é seguro dizer, senhora Megara, estamos muito perto da Fortaleza Vermelha ainda e precisamos ser rapidos.

Eles andaram durantes alguns minutos ainda em meio ao escuro, a descida tornou-se inclinada, ela sentiu que seus pé deslizavam a puxando para um tombo certeiro. Antes que pudesse cair, uma mão quente e pequena envolveu seu cotovelo a mantendo de pé.

– Não caia, senhora. — disse-lhe uma voz feminina.

Quando olhou para trás, viu uma mulher com um archote em mãos. Ela era bela. Seus cabelos vermelhos acobreados, emolduravam seu belo rosto em forma de coração. Tinha um ar misterioso que a assombrava.

– Quem é você?

Sor Davos parou e olhou para as duas.

– Senhora Melisandre. — disse com um tom seco. — Essa é Melisandre de Asshai, senhora.

Ouvira falar delas, algo sobre uma sacerdotiza vermelha que acompanhava seu irmão.

– Prazer em conhecê-la, senhora Melisandre.

Ela sorriu placidamente.

– Megara Baratheon. — Melisandre sussurrou. — Irmã de três reis.

– Três?

– Embora nem todos verdadeiros reis. — concluiu. — Diga-me, Megara, até onde iria por seu irmão?

– Eu morreria por Stannis.

– Há coragem em você. — concluiu a mulher. — Bravura para defender aqueles que ama sem pensar duas vezes.

– E me sacrificar também.

Os olhos da mulher pareceram brilhar ao ouvir aquilo.

– Então é mais corajosa que muitos cavaleiros que temos ao nosso lado. — Melisandre sussurou para ela. — Sua coragem pode salvar não apenas seu irmão, mas o mundo, Megara.

– Como eu faria isso?

– Há poder em sangue de rei. — respondeu. — Mas o sangue, a alma, a força e a coragem de uma mulher criaram a espada que salvou o mundo da escuridãi uma vez, senhora. Se tiver tudo isso, você também pode salvar. — Ela segurou sua mão. — Devemos ir agora, senhora Megara, seu irmão esta a sua espera e juntos você salvarão o mundo da escuridão... Eu vou no primeiro bote e a senhora no segundo. — Ela se afastou indo a frente. — Venha, não deixe a serpente enganar seu coração.

Megara sentiu um frio na espinha ao ouvir a voz dela.

Melisandre sorriu calmamente e entrou no bote, deixando Megara para entrar no segundo. A mulher vermelha a assustava. Nem mesmo a conhecia, não fazia idéia de como saberia de Oberyn.

– Nissa Nissa. — A voz de Sor Davos a fez sair do transe. — Com eu não pude notar? Senhora, não deve vir conosco.

– Do que esta falando?

– Não estará seguro com ela. — Ele disse vindo até ela. — Deve voltar para casa.

– A Fortaleza Vermelha nunca foi minha casa, tenho que ir para o meu irmão.

– Ela irá matá-la, senhora Megara!

– O quê? — sentiu sua voz sair fraca, quase um sussurro.

– A espada ardente, ela vai querer cravá-la em você, como Azor Ahai fez a Nissa Nissa. — disse devagar. — Não pode vir.

– Stannis nunca deixaria que ela fizesse isso.

– Ela fará com que ele crave a espada em você.

A lembrança do sonho fez com que ela ficasse por algum tempo em silêncio.

– Meu irmão não é nenhum tolo que qualquer um manipula, ele é Stannis Baratheon e ela... Ela não tem motivo nenhum para me matar.

– Ela matou Lorde Renly!

Aquilo a fez parar. A simples menção de Renly fazia seus olhos se encherem de lágrimas, mas desta vez não de tristeza, mas de ódio. Ela quis negar para si mesma o que ouviu, mas era tolice. Algo dentro dela lhe gritava que era verdade.

– Meu irmão...

– Foi ela. — disse-lhe. — Com suas sombras... Não há tempo para explicar, tenho que ajudá-la a voltar agora, mas por favor, acredite em mim.

As maldita lágrimas cairam de seus olhos, desta vez não apenas com a dor, mas cheias de raiva. Queria ir atrá da mulher vermelha novamente, queria enfrentá-la. Tudo que queria era vingar Renly. Ela o matara.

– Eu quero vingá-lo.

– Não há tempo, senhora... Eu lhe peço, venha comigo.

Sor Davos agarrou a mão dela voltando o caminho o mais rápido que puderam. Mesmo que Megara ainda tropeçasse nas pedras, mas não caiu, pois o cavaleiro a ajudava. Sentia seu rosto molhado pelas lágrimas. A fúria e o ódio queimando dentro do peito. Odiou-a com todas as suas forças.

– Meus dois irmão estão mortos, foi ela que matou Robert também?

– Não, seu irmão acredita que Cersei Lannister tem dedo na morte do falecido Robert.

– Cersei? — repetiu. — Mas Robert era pai dos filhos dela...

– Não leu a carta?

– Que carta?

Sor Davos pareceu se arrepender de falar aquilo.

– A carta que declarava que os três filhos de Cersei são fruto do incesto dela com seu irmão, o regicida.

– Isso é loucura! O que houve com Stannis?

– Senhora...

Ela puxou sua mão da de Sor Davos.

– Estava certo, Sor Davos, eu devo mesmo voltar para a Fortaleza Vermelha.

– Tome cuidado, senhora. — ele pediu. — Deve voltar pelos corredores, foi por onde a trouxemos, encontrará o caminho com o archote.

Megara assentiu antes de virar as costas ao cavaleiro e voltar o caminho.

Aos poucos, sua memória lhe trouxe onde estava. Era uma das diversas passagens secretas da Fortaleza Vermelha. Ela conhecia aquela. Encontrara quando era pequena, se bem se lembrava, enquanto fugia de alguma septã mandada por Cersei para discipliná-la. Nunca contara a ninguém sobre aquela passagem, ninguém que não fosse o próprio Stannis.

Fazia muito tempo desde que andara por aqueles corredores estreitos, mas se lembrava que lhe levariam até algum lugar nos pátios, mas não tinha certeza. Um medo terrivel de se perder lhe tomou.

– As passagens escuras da Fortaleza Vermelha não são lugar para todos, senhora. — A voz do eunuco soou atrás dela.

Um grito fino lhe veio até a garganta, mas Varys tapou sua boca com a mão e o abafou.

– Está tudo bem, senhora Megara. — ele disse, calmo. — Eu não irei machucá-la, jamais faria isso. — Ele lhe sorriu tirando a mão de sua boca. — Deve vir comigo, todos estão a sua procura.

– Todos?

– As pessoas tem ouvidos, ouviram o grito, ficamos apavorados com a possibilidade de alguém feri-la, senhora. — Ele deu seu braço para ela. — A Mão do Rei mandou homens por todos os arredores do castelo a sua procura e ordenou que a trouxessem viva.

– Quanta preocupação.

– Todos nos preocupamos, senhora. — disse-lhe. — Até mesmo uma certa víbora vermelha que fez a gentileza de mandar alguns de seus homens em busca da senhora.

– Comovente.

– Mas seria estranho que a encontrassem assim ilesa e tão calma, senhora. — sugeriu a aranha. — Posso sugerir uma forma que ninguém desconfie?

– Estou ouvindo.

– Vá por esse corredor e sairá nos pátios, lá encontrá alguém que esteja a sua procura, e estará salva.

– Obrigado, Lord Varys. — disse-lhe. — Mas se todos estão preocupados, por que não vejo isso em você?

– Eu sou a aranha, senhora. — respondeu-lhe calmo. — Enquanto todos se desesperam nas dúvidas, eu acho as respostas e acredite não foi caindo em desespero.

– Muito justo, e seria estúpido da minha parte perguntar se sabia onde eu estava não é?

– Um pouco, senhora, mas sei que é inteligente demais para fazer essa pergunta. — Ele segurou a mão dela e depositou um beijo delicado. — Se aceita meus conselhos, doce menina, não bata de frente com magia negra.

– E deixar a morte do meu irmão em vão? É isso que devo fazer?

– Sem pressa, menina, a vingança que espera será sua em tempo, mas só se souber esperar.

Megara absorveu as palavras da aranha enquanto se afastava e seguia exatamente o que lhe lhe dissera. Estava certo, como ela esperava. Ao chegar no pátio, encontrou Podrick Payne e correu para ele, fingindo estar o mais desesperada que conseguiu fingir. O garoto lhe levou até a presença de Tywin Lannister que fez questão de ouvir o que acontecera, ela simplesmente lhe contou que alguém tentara matá-la, depois disso ela a mandou embora para seu quarto para que pudesse descansar.

Assim que saiu, Sansa veio até ela e lhe envolveu com um abraço, parecendo realmente aliviada por nada ter acontecido com Megara. Tyrion lhe olhou preocupadamente, mas nada disse. E o pequeno Tommen correu para abraçá-la e chorar dizendo o quanto ficara com medo de perdê-la. Megara nunca se sentiu tão estranha por chamá-lo de sobrinho, mas não chegava a sentir que o amor que tinha por ele tinha diminuido.

Dos Tyrell, apenas Loras estava presente. O Cavaleiro das Flores parecia extremamente procupado, tentando a dizer algo, mas não o fez. Megara não se deu muito trabalho para olhar pra ele, apenas fingiu que ele não estava ali. Após isso, o príncipe de Dorne surgiu ao seu lado nos corredores a ajudando a caminhar

– Sua preocupação é comovente. — disse, secamente. — Por que gosta de ficar perto dos arredores do meu quarto?

– Eu tenho motivos especiais.

– Ótimo, não me importa quais sejam, adeus! — Ela tentou se desvencilhar dos braços dele, mas ele não permitiu.

– Onde você estava? — O dornês perguntou curiosamente.

– Sendo perseguida por algum filho da mãe que queria me matar.

– Emocionante.

– Eu quase morri!

– Você me parecia calma demais para alguém que estava prestes a ser assassinada.

Megara suspirou.

– E agora não estou mais tão calma porque você estava me irritando.

Oberyn pareceu surpreso.

– Eu estou a irritando? Por favor, me diga como posso reparar esse erro, senhora. — Ele lhe disse, falsamente solicito. — Posso ajudá-la a extravazar sua raiva, lhe oferecer uma taça de vinho ou lhe dar algum prazer?

A última idéia lhe pareceu estranhamente convidativa. Apagou o pensamento de sua cabeça antes que fizesse alguma loucura.

– Poderia ir embora.

– Como desejar, senhora. — Ele sussurrou. — Conversamos quando estiver mais calma. — ele pronunciou as palavras com um tom sarcastico antes de se retirar.

De repente, ela se lembrou de algo que queria perguntar a ele.

– Oberyn!

Ele se virou com um sorriso viperino ao encará-la.

– Mudou de idéia?

– Não. — respondeu. — Só tenho algo a lhe perguntar, quem foi Nissa Nissa?

O príncipe franziu a testa, mas se aproximou novamente para responder.

– A Esposa de Azor Ahai, ele cravou nela sua espada Luminifera após forjá-la para que ficasse forte, sacrificando assim a única coisa que amava. — Ele respondeu. — Por quer saber?

– Por nada.

Oberyn sorriu.

– Lembre-se de agradecer da próxima vez, de onde eu venho é sinal de educação.

Megara não conteve o sorriso que surgiu em seu rosto.

Inclinou seu rosto e robou um rápido beijo dos lábios do dornês.

– Eu tenho outras formas de agradecer a você, meu principe.

– Ainda quer eu vá embora?

– Sim, quero muito. — respondeu-lhe.

Oberyn finalmente a soltou por alguns minutos e ela continuou seu caminho sozinha, até seu quarto. Quando chegou a frente de seu quarto, encontrou Tyrion parado em frente a porta.

– Por favor não me diga que ficou preocupado, já ouvi muito isso essa noite, para mim chega.

O anão lhe sorriu, por mais feio e grotesco que fosse seu sorriso, Megara se sentia grata por vê-lo.

– Você tem uma sorte incrivel. — ele concluiu. — Mas enquanto todos estavam tão preocupados, eu resolvei fazer algo mais útil por você.

– E o que seria?

– Descobrir quem mandou matá-la.

– E que utilidade isso teria se eu tivesse morrido?

– Nem tanta, mas você não morreu. — Ele lhe disse. — E parece que Cersei falhou.

– Sua irmã quer mesmo me matar.

– Você não faz idéia, ela quer mais isso do que você imagina.

– Acredite, Tyrion. — Megara suspirou pensativa. — O pior é que ela não é a única.