Our Fury

9 Os Herdeiros


Tyrion as observou de longe, Megara e Sansa debruçadas sobre a amurada da galeria, falando sobre qualquer coisa que fazia a garota Stark sorrir, como ela nunca sorria perto dele. Sentia-se grato por Megara fazer isso por ela, já que a mesma estava tão infeliz com ele. Sansa sentia uma afeição desmedida pela Baratheon, desde que se conheceram. Lembrou-se da noite em que Megara quase fora morta, da maneira como Sansa pareceu larga sua máscara de indiferença e se desesperou por Megara, pela primeira vez viera até ele com algo que não fosse cortesias frias ou dever.
– Encontre-a, meu senhor. — Ela pediu, urgente. — Salve a senhora Megara, por favor.
E ele fez o seu melhor, mesmo também estando terrivelmente preocupado. A maldita teimosa sempre conseguira ser encantadora quando queria, mesmo que ela nunca percebesse isso. Megara tinha o dom de fascinar as pessoas com sua teimosia e sua lingua grande. Tyrion temeu que Cersei tivesse sucesso em seu plano de matá-la. Ele não foi o único a se preocupar. Percebeu o ar agitado do dornês ao saber do desaparecimento dela, ainda mais quando chamou algum de seus homens de confiança e os colocou a procura dela.
– Meu senhor se encontra tão pensativo. — A voz melodiosa de uma lysena soou ao seu lado. — Precoupado?
– Talvez um pouco.
– São coisas grandiosas demais para um homem tão pequeno fazer, deve estar cansado.
Moira sorriu quando ele a fitou.
Era uma bela loira com um ar superior e astucioso. Tyrion se lembrou de quando a encontra pela primeira vez, de certo, ela não se parecia em nada com o que era antes. O medo sumira dos olhos dela e ela já não era mais tão menina. A lysena não se lembrava em nada aquela garotinha assustada e chorona que ele encontrou. Moira lhe devia muito, até onde sabia era muito grata a ele, sempre fazia o que ele lhe pedia para fazer.
– Você se tornou mais atrevida desde a primeira vez que nos vimos.
– O senhor me deu coragem. — ela disse. — Sabe que serei eternamente grata pelo que fez por mim, não sabe?
– Claro que sei. — Ele sorriu. — Mas sua gratidão não me importa tanto, Moira, e sim o que você anda descobrindo para mim e se me lembro, eu lhe dei uma missão.
Moira sorriu largamente.
– E eu, como uma boa menina, cumpri.
– Fique quieta, você nunca foi exatamente boa. — Tyrion acusou. — E eu também não, é por isso que nos damos bem.
– Desde que nos conhecemos.
– Exato, mas então, fez o que lhe pedi?
– Sim, eu fiz! — respondeu tirando algo de dentro da manga do vestido. — Sor Loras demorou para abrir a boca, mas com alguns goles de vinho e a confiança que criou em mim...
– Ele é mais tolo do que imaginei por confiar em você.
– Não me ofenda, senhor. — Moira se fingiu de ofendida. — Mas, sou boa e irei perdoar, aqui esta a chave para os planos dos Tyrell. — Entregou a carta nas mãos dele. — Megara ficaria ainda mais furiosa se soubesse disso.
Tyrion abriu a carta e passou seus olhos sobre o que tinha escrito.
– Isso é loucura. — ele disse. — Renly deveria estar bêbado quando quis fazer da irmã mais nova a herdeira de Ponta Tempestade.
– Ora, a mesma coisa que Robert fez com ele. — Ela encolheu os ombros. — Renly tinha certeza que seria rei, depois da falha nas negociações com Stannis, ele quis proteger a irmã e suas terras.
– Bela idéia de proteção aquele imbecil tinha. — amaldiçoou. — Colocou ela no meio de uma disputa, acha que Joffrey aceitara isso de bom grado? E Stannis perder o que seria seu por direito? Renly colocou a irmã no meio da linha de fogo.
– Que eu saiba Megara ficou com a sabedoria para si, Renly só tinha a beleza e eu nunca soube que ele fosse prudente. Ele acreditava que os Tyrell a protegeriam por amor a ele. — Moira comentou. — As leis de sucessão não tem mais validade nenhuma não é? — Ela questionou. — E essas rosinhas são mesmo traiçoeiras. — acrescentou secamente.
– Agora entendo o interesse na Megara. — Tyrion concluiu. — Casada com o herdeiro de Jardim de Cima, talvez poderia reivindicar o que era seu.
– Nossa Megara deve ser protegida dos espinhos as rosas, Tyrion. — Moira lhe disse com um ar mais sério. — Vamos arrancá-las pela raiz.
– Quem contara a Megara?
– Deixe isso comigo, você deve relatar isso ao seu pai e a sua irmã.
– E por que eu faria isso? Seria uma oportunidade perfeita para Cersei colocar Megara em apuros.
– Sua irmã não é tão inteligente assim, e é nisso que vamos nos apegar. — Moira sorriu. — Eu sempre cumpri o meu dever em todas as suas tramas, por que não me escuta em pelo menos uma vez? Nós vamos enganá-los.
– Qual seu plano?
– Você verá. — A lysena fez mistério. — Faça como eu disse, me devolva a carta e eu lhe entrego antes da reunião com o conselho. — Ela tomou o papel das mãos dele. — Faça o que eu digo, Tyrion.
– Vou esperar.
Moira sorriu.
– Eu não irei decepcionar você, Tyrion.

***
Megara ouviu as palavras atentamente para ter certeza de que estava ouvindo certo.
– Renly estava louco? — Acusou, enquanto andava de um lado para o outro. — Eu sou a irmã mais nova! Eu nasci por ultimo, nunca poderia ser a herdeira.
– Ele queria proteger você!
– Grande proteção! — Megara gritou. — Ele me colocou no meio de uma guerra!
– Talvez ele nunca imaginou que isso aconteceria. — Moira tentou remediar. — Ele jurava que seria rei, sendo assim quis dar para você, a irmã que tanto amava, quis dar para você as terras da familia.
– E quanto a Stannis?
– Renly nunca gostou dele, você mesma me disse isso.
– Não importa! Ele seria o herdeiro por direito, é mais velho, eu não posso ser herdeira.
– Para Renly, podia. — retorquiu a loira. — Renly nunca me pareceu muito respeitador as leis de sucessão.
Megara desabou em uma das cadeira ainda absorvendo tudo que ouvira.
Renyl tivera a idéia estupida de nomear Megara sua herdeira para Ponta Tempestade caso algo lhe acontecesse.Agora ele havia morrido e ela poderia ser tida como auto declarada Senhora de Ponta Tempestade. Ela nunca desejou tanto poder odiá-lo, mas ainda não conseguia fazer isso. Ele sempre achou que nada de ruim aconteceria a ele, que ele era invencivel, agora Renly estava morto. Se alguém soubesse dessa carta, podiam até acusa-la de traição já que Joffrey era para ser o senhor de Ponta Tempestade, com a traição de Stannis.
De repente, lhe veio a mente a lembrança das palavras de Sor Davos. Um arrepio lhe correu a espinha. Não queria acreditar naquela história monstruosa de incesto, mas sempre havia se perguntado porque nenhuma das crianças se parecia com os Baratheon. Todos eram tão dourados como os Lannister. Nenhum deles de parecia com algum dos Baratheon. Até mesmo Joffrey, lembrava tanto Jaime Lannister.
– Onde esta a carta? — Megara perguntou.
– Não esta comigo, Megara. — Moira repetiu. — Sor Loras apenas me contou sobre ela e sobre tudo, eu sinto muito.
– E por que ele lhe contaria tudo isso?
Moira abriu a boca para responder, mas o som de batidas na porta abafou qualquer resposta que pudesse ser dita.
– Quem é?
– É a Guarda Real, senhora Megara. — A voz de Sor Boros soou seria e grave. — O rei exige sua presença na Sala do Trono, agora mesmo.
Megara olhou urgente para Moira que pareceu tremer.
– Mas...
– Agora, senhora.
Ela repetiu em seu interior que não poderia temer. Era uma Baratheon. A fúria não conhecia o medo. Quando abriu as portas, encarou os dois soldados sem demonstrar temor e não lhes disse nada enquanto eles a escoltavam até diante do Trono de Ferro, onde encontrou Joffrey sentado com um ar agitado e Cersei, logo ao seu lado, com um ar de satisfação contido no rosto.
– Vossa Graça. — cumprimentou o sobrinho formalmente, mesmo que ao olhar para ele, as palavras de Sor Davos voltassem a assombrar sua mente.
– Tia Megara. — Ele disse, friamente. — Acredito que já saiba por que esta aqui.
– Não, Vossa Graça, eu não sei... Ninguém fez questão me contar porque me trouxeram até aqui.
– Eu deveria mandar prendê-la por traição. — Cersei acusou cuspindo as palavras.
– Traidores deve morrer, mãe. — O rei Joffrey disse. — Se for provado isso, teremos uma cabeça em um espigão em breve.
Um burburinho se instalou na sala do trono. De um lado, Megara poderia ver Margeary ao lado de sua mãe e irmão que pareciam assustados, do outro, a Rainha dos Espinhos com uma expressão indecifrável. Podia ver Sansa Stark, sendo segurada por Shae, tentando parecer calma, mas era fácil ver o medo em seu semblante. Por último, viu Oberyn Martell acompanhado de alguns de seus senhores dornenses, com uma expressão que ela não sabia qual era o significado.
– Essa carta chegou as nossas mãos na ultima reunião do pequeno conselho. — Tywin Lannister veio ao seu encontro, com a folha em mãos. — Aqui, o seu irmão falecido e traidor, Renly, lhe nomeia herdeira de Ponta Tempestade.
– Eu? — Megara repetiu, confusa. — Não é possivel, senhor, todos conhecemos as leis de sucessão e eu sei meu lugar como filha mais nova. — respondeu. — Como Stannis é tido como traidor....
– Joffrey é o Senhor de Ponta Tempestade. — Cersei enfatizou.
– Como filho do meu irmão Robert e com a traição dos meus irmãos, obviamente é. — concordou, mas falar aquilo nunca pareceu tão estupido para ela dizer aquilo, não depois do que ouvira. — Eu nunca soube dessa carta.
– Quer mesmo que eu acredite nisso? — A voz da leoa saiu exasperada. — Seus dois irmãos nos trairam! Renly ignorou os próprios sobrinhos e Stannis inventou uma mentira suja para que sua pretensão tivesse algum valor, os dois trairam o rei! Quem me garante que você também não traiu?
– Eu fiquei aqui! — gritou. — Fiquei aqui pela minha familia! Porque fui criada por Robert e por você, porque cresci ao lado dos meus sobrinhos e nunca viraria as costas para eles. Eu os amo. Eu nunca trairia a minha familia. — Megara decidiu entrar nas mentiras de Cersei. — Vossa Graça, quando todos os seus tios o trairam, eu fiquei aqui. Por dever, por honra e amor a minha familia. Acredita mesmo que eu o trairia?
– Mãe, a tia Megara não tinha como saber dos planos que meu tio Renly tinha contra mim, afinal ela estava aqui o tempo todo. O que ela diz é verdade.
– Mas...
– Ela sempre foi leal pelo que eu me lembre, não é tia? — Joffrey perguntou tentando parecer ameaçador.
– Claro.
– Sabia da existência dessa carta? — A voz de Tywin Lannister soou fria ao lado dela.
– Eu nunca soube.
– Ela tem alguma importância para você, tia? — Joffrey questionou.
Megara temeu o que poderia responder.
Estendeu a mão para a carta nas mãos de Tywin Lannister e ele a entregou. Abriu-a com cuidado, leu-a cautelosamente e sentiu os olhos se encherem de lágrimas ao ver a letra de Renly ou que parecia ser já que sua visão embaçada lhe atrapalhou a vista. Caminhou na direção de um dos archotes e pôs o papel ao fogo, observando-o queimar aos poucos, sendo consumido pela chama.
– Não importa em nada para mim.
Joffrey pareceu satisfeito com aquilo, mas Cersei parecia prestes a explodir.
O garoto desceu do trono e caminhou até ela com um ar contente, segurou-a pelos ombros com força e lhe deu um úmido beijo no rosto, como se a amasse. Joffrey nunca tivera grande amor por ela, mas Megara reconheceu que ele estava fingindo.
– Esta vendo, mãe? — Ele perguntou. — Minha tia é leal a mim, mais do que qualquer outro tio. — Os olhos do menino rei cintilaram ao se sentir temido. — Você nos ama não é tia? Sua lealdade é certa e eu a recompensarei por isso. — Ele disse com uma alegria — quase louca. — Peça o que quiser e se estiver ao meu alcance, é seu, tia.
– Joffrey... — A leoa tentou intervir.
– Calada mãe! — gritou Joffrey. — A lealdade da minha tia deve ser recompensada, senão meus suditos pensarão que sou ingrato.
Megara olhou para a leoa que se mexia inquieta em seu lugar.
– Se não for pedir muito, eu não gosto muito dos pretendentes que as pessoas vem tentando enfiar na minha cama, entede querido? Eu gostaria de me sentir livre para escolher o meu próprio marido, chega de tentativa frustradas dos outros.
Joffrey riu.
– Pedido concedido, tia. — Ele respondeu. — Meu pai sempre a deixou livre, eu não mudarei isso.
– Obrigado, Vossa graça.
Estaria livre dos Tyrell e agora também de Cersei e seu plano de arrumar um casamento assassino para ela. Ao olhar de novo para Cersei, viu que seu rosto se transformara em uma carranca fria, mas isso não deixou Megara mais satisfeita.
Quando todos se foram, Megara permaneceu na sala, observando as chamas do archote que consumira as ultimas palavras de Renly para ela. Uma lágrima silenciosa escapou de seus olhos ao pensar nele escrevendo aquelas palavras, talvez ele só desejasse o melhor para ela. Logo depois, estava soluçando compulsivamente ao olhar o fogo.
– Ela quer matá-la. — Oberyn Martell surgiu ao lado dela, observando as chamas junto a ela. — E acredito que não será agora que ira desistir, não enquanto ela ainda vir você como uma ameaça ao trono do filho dela.
Megara não tinha forças para brigar.
– Eu não quero esse maldito trono.
– Pode falar isso mil vezes, a rainha Cersei nunca irá acreditar. — respondeu-lhe, enlaçando a cintura dela com um braço. — Ela acredita que assim como seus irmãos um dia você achara que também pode reinar e usurpar a coroa, ela sabe que você pode ser mais perigosa que seus irmãos... Você é amada e encantadora, mesmo que não saiba disso, poderia conseguir bem mais aliados que Stannis e seria uma rainha bem melhor que esse rapaz. — A víbora sussurrou em seu ouvido. — Você ficaria ainda mais bela com uma coroa em sua cabeça.
– Que se dane essa maldita coroa. — disse entre soluços. — Eu só queria meus irmãos vivos e salvos, mas agora dois deles estão mortos.
Oberyn beijou seu rosto gentilmente.
– Mas você pode vingar seu irmão Robert, se é isso que tanto quer. — Ele sugeriu, descendo os lábios delo pescoço dela. — Será que ele morreu mesmo por acidente?
As palavras de Sor Davos que acusou Cersei que causar a morte de Robert, sobre o terrivel incesto. Mesmo que seus pensamentos estivessem embaralhados por tantas coisas e por ter o dornês lhe beijando o pescoço sedutoramente.
– Eu descobrirei a verdade, se Cersei...
– É claro que descobrira. — Oberyn disse com um sorriso viperino. — E se for mesmo a rainha que assassinou seu irmão, eu lhe darei sua vingança contra a leoa.

Notas finais
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