Our Fury
11 Eyes on Fire
Notas iniciais
A brisa fria soprou sutil ao atingir o rosto de Megara, fez com que os cachos escuros balançassem para trás. O Bosque Sagrado ainda era belo, mas agora tinha um ar melancólico devido ao momento. Naquele momento, sentia que nada que pudesse dizer remediaria a dor que Sansa Stark sentia, mas deixa-la sozinha não lhe pareceu também uma boa opção.
Sentou-se em uma pedra perto da árvore coração, onde Sansa estava ajoelhada, fazendo uma prece silenciosa e triste. Lágrimas dolorosas escorriam pelo rosto bonito e abatido da garota Stark. Megara sabia a dor que ela sentia. Fora a mesma dor que sentia ao ver Robert falecer em seu leito, ela permaneceu ao lado dele, ajoelhada ao lado de sua cama, quando ela a olhara nos olhos uma última vez. A mesma dor quando lhe disseram que Renly fora assassinado. Embora Megara não tivesse chegado a conhecer sua mãe — afinal ela morrera quando ainda era um bebê, não haveria ninguém que entendesse Sansa como ela.
Abriu os olhos azuis chorosos, mas continuou fitando a árvore coração com um olhar dolorido. Mãe e irmão mortos de uma vez só. Pelo que Tyrion contara para Megara, durante o casamento de Edmure Tully nas Gêmeas. O que não teve coragem de contar a Sansa, como saber que o pai tinha tido parte naquilo tudo, contara a Megara. O mais sórdido acabou escutando dos criados. Sobre terem costurado a cabeça do lobo cinzento do garoto Stark em seu corpo e sobre terem jogado o corpo nu da Senhora Catelyn em um rio. Sentiu-se triste por lembrar-se deles. A gentileza e cortesia de Lady Stark ao lhe receber em Winterfell, sempre muito preocupada com seu bem. Também por se lembrar de Robb Stark. O garoto bonito que conhecera no Norte. Os três garotos pareciam inquietos com ela, mesmo que Megara fosse mais velha que os três. Robb parecia ser o mais animado com ela, mas tentara parecer cortês e controlado. Theon Greyjoy manteve-se sedutor, sempre lhe fazendo algum galanteio ousado que ela ignorou. Jon Snow fora o mais tímido, acabara sendo dele que ela gostou mais.
Robb se encarregara de mostrar Winterfell para ela, acabaram por passar tanto tempo juntos que Robert fez uma piada com Ned dizendo que talvez devesse casar os dois. Isso pareceu absurdo aos olhos de Megara, já que ela era bem mais velha que Robb, mas logo o irmão pareceu pensar que essa não seria uma má ideia. Não foi o que aconteceu. Depois, quando partiram de Winterfell, ele pareceu levar a ideia para Renly e ele não aprovou. Renly nunca aprovara nenhuma proposta de casamento para Megara. Sempre os recusava, sempre arrumava alguma razão para não irem a frente com algum noivado. Apesar de ter gostado bem mais de Jon Snow – o que era impossível por ele ser mais novo e um bastardo, Robb não seria um mal destino aos seus olhos.
Aquilo não importava mais. Nada mais importava. Jon Snow estava na muralha pelo que sabia. Robb Stark, o belo e esperto rapaz que conhecera em Winterfell, estava morto. Não somente por Sansa, mas isso lhe trazia uma tristeza enorme também.
– Sansa.
Ela virou o rosto para encarar Megara por alguns minutos. Ergue-se de onde estava ajoelhada, indo até a pedra onde estava sentada. A garota mais nova abraçou-se a mais velha e chorou. Sem dizer nada, apenas deixou que as lágrimas que prendeu insistente na frente dos outros finalmente caíssem, deixou os soluços presos na garganta virem, voltou a ser a garotinha que era antes. Afinal, a Baratheon mais velha era a única que ouvia suas lágrimas.
– O meu irmão, senhora... – ela soluçou. – Minha mãe... Estão mortos, todos se foram.
– Sansa... Eu...
– Foram eles. – A voz de Sansa Stark soou cortante como uma lâmina. – Eu sei que foram eles. Os Lannisters. – Ela pronunciou o nome friamente.
– Sim, é claro que foram os Lannisters. – disse. – Seu irmão era um inimigo, é isso que eles fazem com os inimigos deles.
– Eu os odeio. Todos eles. Eu quero todos eles mortos.
Em pensar que Megara sentira uma ponta de arrependimento ao ver a dor de Kevan Lannister em ver seu filho morto. Uma pequena ponta, mas que morreu quando soube da morte do Jovem Lobo e de Catelyn Stark. Não havia mais arrependimento, apenas uma sensação de vingança que não era o bastante. Ainda havia Cersei. Agora ela não desejava só se vingar da rainha, mas de todos os outros. Desejava a morte de todos aqueles leões traiçoeiros.
No meio de seu silêncio, Sansa percebeu que falara demais.
– Eu... A senhora é tia de Joffrey. – Ela pareceu se lembrar. – Pelos Deuses, eu não deveria ter dito isso.
– Eu os odeio tanto quanto você, Sansa. – declarou com a voz fria. – Odeio tanto quanto você. Destruíram minha família tanto quanto a sua. Aqueles traidores, acabaram com minha família. Eu quero vinga-los, Sansa. Não vê isso?
– Mas, você é tia de Joffrey e amiga de Tyrion, como...?
– Eles fizeram mais mal aos meus do que você imagina.
Sansa ponderou um pouco.
– A rainha... Na noite da batalha contra seu irmão, ela me disse coisas horríveis sobre seu irmão, o Rei Robert, disse coisas ruins sobre ele.
– Ela fez bem mais do que dizer coisas ruins sobre ele.
Lembrou-se do corpo de Lancel enquanto era velado. Da dor nos olhos Kevan Lannister, mas do semblante perturbado de Cersei. Talvez ela imaginasse que alguém descobrira algo, mas pelo olhar dela para Tyrion, achava que fora ele.
Ela me julga como Robert ou Renly. Megara pensou. Continue me subestimando, leoa.
– Sansa. – segurou a mão da garota Stark nas suas. – Eu não posso trazer seu irmão de volta, nem sua mãe, mas podemos vingá-los, se quiser.
– Eu quero, senhora.
***
As noites de chuva forte e repleta de trovoadas lhe traziam lembranças doces da família que não tinha mais. Quando as gotas de chuva caiam geladas e o céu era cortado pela luz dos trovões junto com seu som forte que acalmava o coração de Megara, as lembranças vinham para ela. Stannis costumava gostar de noites de chuva, assim como ela. Sempre que estava em Porto Real, quando havia trovões, ele se unia a irmã mais nova para observar o céu.
– Agora sei por que chamam você de filha da tempestade, Megara. – dissera-lhe o irmão quando a encontrara na janela.
– E você também é um.
Stannis parou ao lado dele também vendo o trovão nos céus.
– Somos os únicos. – ele concordou.
– Renly odeia trovões.
– E ainda é o herdeiro de Ponta Tempestade. – Ele disse seriamente. – Ele não corre mais para o seu quarto em noite de tempestade, corre?
– Ele não faz mais isso. – respondeu, mesmo que fosse mentira. Renly nunca perdera aquela mania. – Não desde que Robert disse a ele que ele deveria usar saias e eu um par de calças.
Por um segundo, pensou ter visto algo como um começo de sorriso no rosto de Stannis, mas quando olhou mais atentamente havia sorrido.
– Palavras desrespeitosas para se dizer a um irmão, mas eu deveria esperar isso de Robert.
– Pela primeira vez, você e Renly concordariam em algo.
– Não seria a única coisa.
– E qual seria as outras coisas? Desde quando meus irmãos se dão bem e eu não sei disso?
Stannis torceu o canto da boca.
– Você pergunta demais, Megara. – Ele comentou secamente. – E de ser muito esperançosa, só disse que essa não é a única coisa que concordamos.
– E você sempre me colocando limites.
– Se eu não fizer isso, ninguém faz. – retorquiu. – Robert faz todas as suas vontades, Renly nunca acha que você esta errada, alguém tem que lhe por nas rédeas.
– Stannis, eu não sou um cavalo!
Ele suspirou.
– As vezes é tão incontrolável como um cavalo selvagem.
– Sinceramente, as vezes não sei como você é meu irmão favorito! Você me compara com um cavalo e eu ainda amo você. – Ela mesma sorriu com o comentário.
Desta vez, uma sugestão de sorriso por menor que fosse surgiu no rosto dele, ela sabia que ele sentia o mesmo em relação a ela.
Renly odiava tanto trovões que Megara nunca entendeu como ele vivia em Ponta Tempestade. Nessas noites, ele não a deixava dormir. Renly a fazia ficar acordada conversando com ele. Ele gostava muito de falar. As vezes, ela acabava por insultá-lo o chamando de tagarela, mas nos últimos dias, sentia falta da voz dele.
– Se Robert o encontrar aqui, vai lhe expulsar.
– Ele está ocupado, Maggie, eu garanto. – Ele disse enquanto folheava um livro. – Tenho a noite inteira para lhe importunar.
– Que os deuses me salvem de você.
– E que você me salve dos trovões. – Renly brincou.
– Francamente, Renly, como você é o herdeiro de Ponta Tempestade?
– Porque eu mereço e você esta com inveja de mim.
Renly sorriu e sentou-se na cama, batendo no lugar ao seu lado.
– Nós sempre dormimos na mesma cama, pelo menos em noites como essa.
– Renly, nós éramos crianças e hoje você já é um homem feito, não é apropriado.
– E o que Robert acha que vou fazer? Tirar a sua virtude?
– Renly! Isso é nojento! Você é meu irmão.
O gêmeo mais velho apenas gargalhou.
– Então não há razões para nos preocupar. – Ele a abraçou de lado. – Afinal, eu olho para você e vejo apenas um reflexo meu, não teria graça... Somos parecidos demais. – murmurou. – Além do mais, você jurou que me protegeria.
– Você é insuportável, Renly.
– Você não acha isso. – Ele discordou. – Você me ama, Maggie. Todos me amam.
– Tão modesto.
Ele a ignorou.
– Assim como eu amo você.
– Esta tentando me convencer a te deixar ficar aqui com isso?
– Também, mas não deixa de ser verdade. – Renly afastou uma mecha do cabelo dela. – Acredite, Maggie, se há algo que pode unir a nós, seus três irmãos, é o amor que sentimos por você.
Agora dois deles estavam mortos, apenas Stannis restara e não estava mais com ela. As vezes, se perguntava se não teria sido melhor ir ao encontro dele, ouvir o que ele tinha a lhe dizer. As dúvidas ainda a assombravam, mas não tanto como os pesadelos que ainda tinha. Durante a maioria encontrava Renly, por vezes, via Robert novamente agonizando em sua cama enquanto ela se ajoelhava ao lado dele, chorando, também podia ver Stannis, cortado pelas próprias espadas do trono. Sempre acordava aos gritos durante a noite, com Moira a sacudindo pelos ombros, dizendo que tudo não passara de um pesadelo.
Naquela noite, estava sozinha. O sonho começara tranquilo conforme ela caminhava pelos corredores vazios da Fortaleza Vermelha, até a Sala do Trono. Ao entrar, todos estavam lá. Robert, pálido e com seus olhos transformados em órbitas vazias e sem cor, sentado em seu trono. Renly ao seu lado, no lugar que pertencia a Cersei, com a pele acinzentada e pálida, o rosto estava destruído e cansado, com sua coroa caindo da cabeça. Stannis do outro lado, com sua coroa fincada em sua cabeça, fazendo furos de onde o sangue caia manchando seu rosto. Ao longe, atrás do trono, via Robb Stark com a cabeça de seu lobo costurada ao corpo, no lugar de sua própria cabeça. Megara gritou, mas ao acordar, percebera mais uma vez que tudo fora um pesadelo. Em meio a escuridão, uma silhueta que ela não via, lhe sacudia pelos ombros.
– Os pesadelos vão enlouquecê-la, Megara. – disse a voz conhecida de Oberyn Martell.
– Da sua torre distante dá para ouvir meus gritos?
– Não, mas os criados comentam e isso dá para ouvi.
O dornês inclinou-se e ascendeu uma vela, deixando que a pouca luz iluminasse um pouco os dois. Sob a luz da vela, ele parecia quase uma miragem. Oberyn tinha um rosto tão bonito. A pele morena parecia combinar com a cor quente do fogo. Os olhos negros refletiam a luz da chama, fazendo os olhos do príncipe cintilarem belamente. Sete infernos, por que ele precisa ser tão bonito? Ela amaldiçoou a si mesma por não conseguir parar de olhar para ele.
– O que veio fazer aqui? Está tão preocupado que eu me enforque de culpa por ter matado Lancel?
– Talvez, você nunca matou ninguém, deve estar se sentindo culpada por ter tirado uma vida tão jovem.
– Renly era jovem, Robb também era jovem, mas eu duvido que seus assassinos estejam se sentindo culpados pelo que fizeram. – retorquiu. – Espero que Lancel queime no inferno e que sua linda família dourada se junte a ele em breve.
Oberyn sorriu com a fúria nas palavras dela.
Após ele deixar seu riso parar, mas, manteve o semblante leve, passou a fita-la em silêncio.
– O que a assusta tanto todas as noites, Megara?
Ela desejou falar a ele tudo que sentia. Como sempre dizia a Renly. Abraçar-se a ele e lhe dizer todas as suas mágoas e seus medos. No mesmo momento, amaldiçoou-se por pensar aquilo e se julgou estúpida. Ele era Víbora de Dorne. Não era seu irmão. Oberyn não era o tipo de homem gentil e amável que lhe abraçaria e ouviria suas lamúrias. A julgar pelo desejo nos olhos dele, não era para isso que ele estava ali.
Deixe de ser tola, Megara. Não é suas lágrimas que ele quer, ele não veio até aqui para ouvir suas lamurias, pare de agir como uma garotinha que você nunca foi.
– Não fale como se isso importasse para você.
– Precisa sempre se esconder assim? – ele perguntou, quase para si mesmo do que para ela. – O que acha que ainda consegue esconder de mim?
Os dedos dele passaram pelo ombro dela, fazendo com que uma alça da fina camisola que usava, caísse de seu ombro, deixando-o desnudo.
– Muito mais do que você acha que sabe.
– Então me mostre. – ele sussurrou com um sorriso de víbora nos lábios.
Oberyn avançou com seus lábios sobre os dela, antes mesmo que pudesse protestar contra. Os dedos ágeis da víbora terminaram de puxar para baixo o restante do tecido que a cobria, Megara sentia o frio de estar quase despida por completo, tão exposta e com apenas os cabelos cobrindo os seios. Quando ele se separou dos lábios dela, sentiu que os olhos dele desceram para vê-la, ainda sentada na cama, com apenas os cachos escuros cobrindo os seios. Os olhos do príncipe cintilaram no fogo e com o desejo. Megara sentiu o rosto queimar com os olhos dele caindo sobre si, corando como uma donzela que realmente era. Ela nunca corara na frente dele.
– Esta corada, Megara. – ele sorriu, tocando um dos cachos. – Tão bonita... – ele os afastou com as mãos, deixando-a exposta.
Ela pensou em forçar suas mãos para afastá-lo, dizer algo para que o repelisse, mas nada saía concretamente. Não com ele deixou que seus dedos envolvessem um dos seios, inclinou-se deixando seus lábios sobre o pescoço dela passando uma trilha de beijos por onde passava. Toda sua vontade de impedi-lo, pareceu se esvair. Fechou seus olhos sentindo o calor dos beijos do dornês por sua pele, enquanto respirava com dificuldade. O som de sua respiração falha era mais forte do que o da chuva lá fora, um trovão soou lá fora, fazendo seu coração vacilar.
Quando deu por si, já ajudava o príncipe a retirar suas roupas. Oberyn já tinha o tronco despido, usava apenas o cordão prateado no pescoço e as calças. As mãos dele tocaram sua cintura assim que o restante da camisola a deixou e começaram um passeio por seu corpo. Quentes e ásperas, fazendo com que ela se arrepiasse. Oberyn jogou-a sobre a cama caindo por cima dela, deixando-a vulnerável a ele. Ainda com a boca dele sobre a sua, mantendo-a presa. Quando ele finalmente deixou seus lábios, o dornês passeou os lábios por seu pescoço e colo, desceu finos beijos pelo vale entre os seios, enquanto as mãos também passeavam quentes por todo seu corpo.
As mãos dele desceram perigosamente, enquanto ele não a beijava, um breve momento de sanidade lhe veio. O que estou fazendo? Indagou a si mesma. Quando foi que deixei ele ter todo esse poder sobre mim? Suas perguntas cessaram em sua mente quando sentiu um dedo dentro dela. Um gemido escapou de seus lábios involuntariamente. Que se danasse o orgulho que tinha, sua honra ou o fato dele tê-la dominado por algum momento. Tê-lo ali era bom demais para que se importasse com isso. Ele se demorou naquela pequena tortura maravilhosa durante algum tempo, apenas brincando com ela.
Após se cansar daquilo, deixou-se acomodar-se entre suas pernas. Os olhos dele a encararam luxuriosos por alguns instantes. Ele não lhe pediria permissão, não era esse tipo de homem, quando queria algo, com certeza iria lá e o tinha. Oberyn deslizou rapidamente para dentro dela, sem nenhum temor. Sentia uma pequena dor, aquela que ouviu as velhas septãs falarem. Era incomoda, mas não insuportável. O príncipe se moveu rápido e preciso, apertando sua pele com força enquanto o fazia. Ela deixou-se gemer e suspirar por ele, agarrando o cabelo negro entre os dedos com força. Queria poder dizer algo, dizer o nome dele talvez, mas seu orgulho não lhe permitia isso. Arranhou as costas deles com toda força que pode, enquanto ele abafou seus gemidos beijando a pele do pescoço de Megara com força. Sentia o coração bater descompassado dentro do peito, tão rápido que ela sentia o peito doer.
Deixou-se pertencer ao dornês, entre a chama da vela, as gotas da chuva e os trovões no céu.
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