Our Fury

13 Dragon Dreams


Notas iniciais
Olha quem voltou! Mereço ser apedrejada pela demora, sei disso, sei disso... Mas o motivo é o mesmo: Escola u_u Cá estou eu com um capitulo que eu me esforcei muito pra escrever, dei o meu melhor, diante da falta de inspiração que eu tive, mas estou de volta :) Espero que gostem e nos vemos de novo lá embaixo *-*

Quase morta. Aquelas palavras nunca o irritaram tanto.

Era assim que diziam que ela estava.

A sensação do fracasso lhe assombrando a mente o fazia sentir raiva. Uma raiva tão forte que lhe fazia apertar os punhos com tanta força que trazia dor. Cada vez que olhava para cada uma dos vidros, buscando o maldito antídoto, mas nunca encontrava. Oberyn já vasculhara cada parte de suas coisas, todos os vidros, todos os venenos, mas nada de encontrar o maldito antídoto que ele sabia que tinha. Era algo raro, mas ele tinha, e nunca havia usado antes.

Vai deixar que os Lannister tirem novamente de você aquilo que você ama?

Oberyn martelou a mesa com um soco furioso ao se lembrar daquelas palavras. Malditos. Seu desejo era apertar a garganta da puta Lannister em suas mãos até que a vida se esvaísse dela. Malditos sejam todos. Por alguns instantes, amaldiçoou a si mesmo por se deixar importar tanto pela garota Baratheon. Talvez pudesse deixá-la morrer, assim não teria nada que estivesse entre ele e sua vingança, nada que pudesse distraí-lo. Não. Aquilo não o faria se sentir melhor. Simplesmente imaginar Megara morta o assustava, como nada o assustara antes.

– Vai enlouquecer dessa maneira. Tenho quase certeza que você não trouxe aquele antidoto. Não adianta procurar tanto. – Ellaria disse em seu ouvido enquanto o abraçava pela cintura. – Descanse um pouco.

– A vida da garota Baratheon esta em minhas mãos.

– Por que a vida dela é tão importante? – questionou.

– Ellaria...

– A vida da sua irmã e dos filhos dela importou em algum momento para Robert Baratheon? Porque a vida da garota Baratheon é tão importante assim?

– Robert Baratheon não amava Elia.

– Como você ama Megara? – Ela completou dando um sorriso amargo, após se afastar dele. – A sua vingança e a morte da sua irmã se reduziram a nada só por causa de uma garotinha bonita?

– Quem disse isso?

– Eu ouvi você me falar durante anos sobre as coisas horríveis que aconteceram a sua irmã, a vingança por Elia nos trouxe até aqui e...

– Não ouse usar o nome da minha irmã para justificar o seu ciúme estúpido! – gritou. – Deixar Megara morrer não vingará Elia em nada.

– E se você não puder salvá-la?

– O quê?

– E se ela morrer?

Vai deixar que os Lannister tirem novamente de você aquilo que você ama?

Aquilo que você ama. Ele próprio não havia percebido em quão pouco tempo a garota se tornara tão importante. Logo agora em que ela estava a beira da morte. Ele viera até ali em busca de vingança, em busca do sangue daqueles que derramara o de sua irmã, mas amara aquela que estava entre seus inimigos. Ele deveria odiar Megara Baratheon tanto quanto aos outros. Mesmo assim, sabia que a amava. O pensamento quase o fez rir.

Doran acharia aquilo estranho.

Você vai até King’s Landing em busca de vingança e se apaixona pela irmã de Robert Baratheon. Podia até ouvi-lo dizer. Algo surpreendente, até pra você.

– Se ela estiver morta. – começou. – Matarei cada leão, inocente ou culpado, colocaria King’s Landing a baixo, mas teria a minha vingança por ela.

Ellaria suspirou.

– Você a ama. – A voz dela tinha um leve som de acusação. – Você a ama. – repetiu. – Ela vai tirar você de mim, é injusto. Ela é jovem e bela, tem tudo, eu só tenho você... Ela não precisa de você. Eu preciso.

O rosto dela tornou-se duro como uma rocha. Ellaria se escondeu dentro de si mesma pensando durante alguns minutos. Ela saiu de perto dele durante algum tempo, mas ela logo voltou.

– Você morreria mesmo por ela?

Ele a olhou de soslaio.

– Não. – Oberyn respondeu. – Eu mataria por ela.

Ele viu quando ela lhe estendeu uma mão com vidro para ele.

– Por um minuto, achei que fosse querer ela morta.

– Talvez eu preferisse. – ela retorquiu. – Mas eu não vou ver você se matar tentando vinga-la, é melhor que ela viva e você também.

***

– Tyrion acha que a culpa é minha.

Moira respirou fundo ao constatar aquilo.

Loras andava de um lado para o outro atrás dela, inquieto e preocupado. Parecia queimar os miolos tentando achar uma maneira de ajudar, mas não tinha sucesso. Quando o encontrou na porta da Arcada das Donzelas, soube que ele havia falhado, mas não o acusou. Ele havia tentado ao máximo, mas chegara tarde demais. O perdão dela não foi o suficiente para apaziguar Loras Tyrell. O cavaleiro se contorcia para tentar descobrir quem fora o responsável, a razão, mas ela não podia contar para ele.

– Talvez seja mesmo.

– Não, foi minha. – Loras admitiu sentando ao lado dela. – Se eu tivesse me apressado, se tivesse entrado logo e deixado aquela aia falando sozinha...

– Não importa. – Moira interrompeu. – Minha última esperança é Oberyn Martell, que ele não me decepcione.

– Confiar em uma víbora é loucura.

– Confiar em uma rosa também não me ajudou muito. – Ela retorquiu sem pensar.

Loras a olhou ressentido.

– Desculpe. – pediu, imediatamente. – Não quis ser rude... Eu só estou angustiada, ninguém me deixou nem mesmo entrar no quarto onde ela estava, não sei ao certo como ela está.

– Não é só você. – Loras respondeu. – Há guardas dias e noite na porta dos aposentos de Megara, ninguém pode entrar que não seja o Meistre Pycelle.

– Ele não irá fazer nada para salvá-la, temos que fazer alguma coisa. – Ela soltou um suspiro. – Eu tenho que ir até o príncipe Oberyn, eu vou fazer isso agora.

– Eu vou com você.

– Tem certeza? Pensei que dorneses e os da campina não nutrissem muito afeto uns pelos outros?

– É por isso mesmo, também porque ele aleijou meu irmão. – Loras passou a acompanha-la. – Eu não confio em Oberyn Martell e você também não deveria.

– Que pena. – A voz do dornês soou atrás dos dois. – Achei que precisasse de mim.

Ao girar os calcanhares, Moira encarou o príncipe Oberyn encostado a uma pilastra os observando, curiosamente.

– Você veio. – Moira montou a expressão mais confiante que pode. – Minhas palavras surtiram efeito em você.

– Você é persuasiva com essa sua língua afiada, mas devo dizer que esse decote que você tanto exibe por aí é bem mais persuasivo.

O rosto de Loras Tyrell se transformou em uma carranca.

– Vou levar isso como um elogio.

– Não foi um elogio! – Loras ergueu a voz.

– Calado, Loras, não atrapalhe. – Ela sussurrou aborrecida para ele, se aproximando do dornês. – Achou uma forma de salvá-la?

– E o que ganharei com isso?

– Quer algo em troca? – Moira ergueu uma sobrancelha. – A vida dela não lhe parece bom o suficiente?

– De que me vale a vida da criança?

– A criança? – repetiu, aproximou-se sussurrando ao ouvido do príncipe. – Sabia que o príncipe dormia com mulheres e homens e que disso gostava, mas crianças? Também gosta de dormir com crianças? E de se apaixonar por elas?

Antes que ela pudesse prever, a mão do dornês se fechou no pescoço dela com força.

– Moira! – A voz do Cavaleiro das Flores gritou assustada, junto com o som de sua espada sendo desembainhada. – Largue ela!

– Ou você fará o quê, rosinha?

– Agora!

– Vai protegê-la igual protegeu Renly?

O ar começou a faltar para Moira.

– Loras! Não... Responda! – disse, com dificuldade. – Não fale de Lorde Renly pra ele...

– Por que não, lysena?

– Você melhor do que ninguém deve saber como é doloroso falar de alguém que amamos e perdemos. Elia. Você a perdeu, não pode mudar isso. Isso dói em você, eu vejo. Megara. E quanto a ela? Vai perdê-la também? Vai deixar que tirem ela de você também? – O aperto do príncipe diminuiu no pescoço dela. – Vou entender como um sim.

Quando o príncipe Oberyn soltou seu pescoço, Moira respirou aliviada. Pousou a mão no pescoço, alisando o local onde ele havia apertado. Sentiu a mão de Loras pousar em seu ombro, encontrando os olhos preocupados dele que a encaravam.

– Vai pedir ao seu Meistre para aplicar o antídoto também? – Loras questionou. – Para ele fazer o mesmo trabalho maravilhoso que fez com o meu irmão.

– Cale a boca. – Moira ralhou. – Há dois membros da Guarda Real nas portas do quarto da Megara, ninguém pode entrar que não seja o Meistre Pycelle.

– Que ótimo. – resmungou Loras.

– E o que pretende fazer? – questionou o dornês.

– Temos que distrair os guardas e deixar as portas livres.

– E como vamos fazer isso? Os Guardas ali são fiéis aos Lannisters. Só se uma guerra acontecesse nas dentro da Fortaleza Vermelha para tirá-los de lá.

– Então vamos começar uma guerra na Fortaleza Vermelha. – Moira respondeu, convicta.

***

– Deu as ordens, príncipe? – A lysena questionou enquanto os dois caminhavam a passos rápidos nos corredores.

– Sim.

– Agora só precisamos esperar que Loras cumpra o que me prometeu.

Os dois pararam atrás de uma pilastra observando o corredor onde dois guardas estavam a frente da porta de um quarto. Em alguns minutos, Loras Tyrell surgiu correndo nos corredores, parando a porta do quarto. Os olhos dele vasculharam todos os cantos, até encontrar Moira e o príncipe Oberyn Martell, encoberto em um manto negro, escondidos atrás da pilastra.

– Sor Loras. – Um dos guardas cumprimentou. – O que aconteceu?

– Os dorneses atacaram os homens da minha casa. – Ele disse, ofegando. – Estão lutando no pátio de treino, ameaçam a segurança do Palácio, vai haver um banho de sangue se não os pararmos.

– São os homens da sua casa, não é nosso dever.

– Isso mesmo, nosso dever é guardar o quarto de Lady Megara.

– O dever da Guarda Real é manter a segurança da Fortaleza Vermelha e do rei, obedecê-lo principalmente. – Loras usou o tom mais forte que conseguiu. – O rei Joffrey ordenou que colocássemos fim aquilo, e os senhores sabem que ele não gosta de ser desobedecido e sabe bem como punir quem não o obedece.

Os dois homens se entre olharam, hesitantes.

– Rápido! – O Cavaleiro das Flores os apressou.

Não demorou muito para que os homens corressem junto a Loras, abandonando a porta do quarto.

– Achei que ele não fosse conseguir. – Moira disse enquanto corria para a porta do quarto.

– É o mínimo eu ele poderia fazer. – respondeu a lysena. – Agora vamos.

Moira abriu as portas rapidamente, deixando que ele entrasse primeiro, ela o seguiu. O quarto era engolido pela escuridão. Ele mal podia enxergar um palmo a frente do nariz, mas lysena parecia saber exatamente onde ir. O som dos passos dela foram até algum lugar, logo a luz tomou conta de um ponto do recinto, enquanto ela ascendia algumas velas em um castiçal. Enquanto Moira iluminava lugar, os olhos de Oberyn se fixaram na cama, onde a garota estava deitada.

Pálida e inerte, deitada ali Megara se parecia quase que uma estátua de mármore. Os lábios estavam sem cor e secos. Os olhos tinham um leve ar sôfrego. A ira lhe invadiu só de vê-la daquela forma. Malditos sejam. Ao tocar a mão sobre a testa dela, notou que estava quente por causa da febre. Apertou o pequeno frasco que tinha na mão esquerda, tentando conter seu ódio.

– Faça o que tem que ser feito. – disse a lysena. – Não temos muito tempo.

Foi o que ele fez. Tudo que ele fazia, era observado pelos atentos olhos verdes da lysena, aflita. Aos poucos, conseguiram que a febre diminuísse, mas a respiração continuava lenta. Ao tocar o pulso de Megara, notou que a pulsação estava cada vez mais fraca. Moira estava ajoelhada ao lado da cama, com um ar pensativo. Com o polegar, Oberyn abriu a tampinha do vidro do antídoto, com a mão ergueu o a cabeça dela do travesseiro, levando o vidro aos lábios de Megara.

– Só temos que esperar agora. – anunciou, deixando a lysena suspirar.

Era tão estranho vê-la daquela forma. Tão silenciosa e imóvel, frágil como ele a vira poucas vezes. Chegava a ser insuportável para ele vê-la assim. Ela era sua. Ninguém tinha o direito de tirar de novo dele alguém que ele amava. Ele não a perderia. Sua Megara.

Porque se ele não a salvasse, ele a vingaria.

***

Estava perdida.

O frio fazia sua pele arrepiar-se. O som de seus passos batendo no chão de pedra era a única coisa a se ouvir. Apertou o próprio corpo com os braços, desejando se proteger do frio. Ao fim, uma luz lhe chamou atenção. Megara correu em busca da luz, desejando se livrar da escuridão. Ao alcançar a luz uma forte ventania começou subitamente. O vento incomodou seus olhos, fazendo com que lágrimas insistentes se formassem. Megara colocou a mão para proteger o rosto, fechou os olhos por alguns minutos e quando voltou a abri-los.

Foi capaz de ver dois homens em um acampamento de guerra. Sentados em um trono de árvore derrubado, ambos sorriam e falavam um com o outro, diante da fogueira. Um tinha os cabelos prateados como um Targaryen, mas o outro tinha cabelos escuros como os dela. Julgou que era Robert, mas era impossível. Os homens pareciam como irmãos, no mínimo amigos e Robert havia matado Rhaegar Targaryen.

– Irmão. – O de cabelos prateados chamou, sua voz soava longínqua.

Ela deu um passo na direção dos dois, mas quando olhou novamente, haviam sumido. Como poderia um Targaryen e um Baratheon serem irmãos? A questão martelava em sua cabeça. No lugar dos homens, um imenso dragão a encarava com olhos que eram profundos poços vermelhos. Assim como seus chifres e placas também eram vermelhos, mas suas escamas eram negras. Ele a encarou por algum tempo.

Megara não sentia medo. O dragão lhe trazia uma sensação estranha como se já tivessem se visto antes. O calor dele emanava no ar, afastando o frio. Então, ele soltou uma rajada de fogo. Megara fechou os olhos, esperando a dor, mas essa não veio.

Ao abrir os olhos tudo havia sumido.

Não havia dragão, não havia escuridão, nem um corredor de pedra, nem frio. Estava em seu quarto, em sua cama. Puxou o ar em uma respiração desesperada.

Estou viva.

Notas finais
Hey! Aqui temos os feelings do Oberyn pela Meg