Our Days

6 O dia que aquele sentimento começou a fazer sentido.


11/07/XX

O dia que aquele sentimento começou a fazer sentido.

Crystal achava que estava ficando doente.

Ela parecia muito bem, mas quando ficava perto do seu amigo de olhos dourados, ela começava a se sentir estranha. Os batimentos aceleravam, as bochechas esquentavam e sentia uma sensação quente dentro do peito.

Por ironia do destino, ela ficou doente mesmo.

A pedido da dona do orfanato, Crystal faltou aula e ficou de cama por um bom tempo, muito para o seu desagrado, quando ficava doente costumava dormir mal já que não se sentia bem e costumavam ter uns sonhos desagradáveis.

Ela abriu os olhos de repente, respirando fundo. Sentiu algo gelado na sua testa e percebeu que era um pano úmido para amenizar a sua febre, ela estava debaixo das cobertas e mesmo assim ainda tremia.

–Ei, dorminhoca. – Ela ouviu uma voz a chamar e notou três cabeças olhando para ela.

–Eh? Gente...?

–Oi. – Acenou a outra morena, o ruivo ao seu lado deu um aceno de cabeça.

–O que vocês estão fazendo aqui?

–Por que ficamos preocupados, ora. – Kotone falou.

–Você nunca fica doente. – Afirmou Silver.

–Ah! – A garota juntou as mãos. – Eu e a mamãe fizemos uma sopa para você. Eu sempre tomo quando fico doente. – E apontou para o pote na cômoda ao lado da cama.

–Obrigada Kotone. – Crystal sorriu.

–Eu trouxe as tarefas. – O ruivo comentou, entregando os cadernos para a garota ao lado dele para ela colocá-los na cômoda também. – Assim você não se atrasa na matéria.

–Obrigada Silver. – O sorriso da garota aumentou.

Geralmente era ela quem sempre fazia isso quando um deles ficava doente, Crystal sempre foi a mais responsável. Ela sentiu o pano úmido sair da sua testa e quando se virou para o lado viu que tinha sido Gold que o pegara e o molhava de novo na bacia ao lado na cama.

–E... Assim. – Falou enquanto colocava o pano na testa dela de novo.

–Obrigada...

–Viu? Eu sei cuidar de alguém doente. – Brincou.

–Claro, claro. – Murmurou.

–Não vamos esquecer que você quase a encharcou da primeira vez, né? – Brincou Kotone, apontando para o jovem.

–Ah, mas isso é passado. – O garoto olhou para o lado, visivelmente não querendo admitir o seu erro. Bem que Crystal havia sentido algo gelado molhar-lhe a testa enquanto dormia.

O resto da tarde passou com os quatro conversando sobre qualquer coisa, com o passar do tempo Crystal já começava a se sentir bem melhor. Nada que uma tarde conversando com seus amigos não resolvesse, certo?

Pouco depois da noite ter caído e a luz da lua ter se espalhado pelo céu, Silver e Kotone haviam ido embora. Crystal se perguntava se ficariam bem, visto que ainda estavam brigados.

Gold, por outro lado, continuou do lado da cama da garota por mais um tempo.

–Ei, você não precisa ir também? – Ela perguntou.

–Tá me expulsando? – Ele riu.

–Você sabe que eu não quis dizer isso. – E soltou um suspirou. O garoto de olhos dourados se aproximou da cama e apoiou os cotovelos nela.

–Ei, Crys.

–Hm?

–Você lembra que eu vivia doente quando mais novo?

–Isso era porque você vivia saindo sem casaco no inverno E sem guarda-chuva quando chovia.

Ele riu e coçou a cabeça.

–Bem, é.

–E depois quem tinha que tomar conta de você era eu. – Ela suspirou pesadamente e balançou a cabeça.

–Ei, você não era obrigada. Você cuidava de mim porque queria. – Ele retrucou.

Ela parou por um segundo.

–É que... – Ela corou um pouco. – Eu não podia deixar você daquele jeito...

Gold piscou, mas sorriu depois e se afastou.

–Bem, o mesmo aqui.

–Eh?

–Tô só devolvendo o favor. – Ele olhou para ela pelo canto do olho. – Também não posso deixar você desse jeito.

A garota sentiu as bochechas esquentarem e segurou as cobertas com força. O coração acelerado de novo, mas não parecia que era porque ela estava doente.

Ah, então era isso...

Droga.