Our Days

7 O dia que ela admitiu que estava apaixonada por ele.


21/07/XX

O dia que ela admitiu que estava apaixonada por ele.

Isso não podia estar acontecendo.

Isso não estava acontecendo.

Há, isso com certeza não tá acontecendo.

Droga, isso tá acontecendo.

A garota de cabelos escuros agarrou a capa do DVD a sua frente com força.

Esses foram os pensamentos que rondaram a cabeça da jovem nos últimos dez dias. É, dez dias. Dez dias que apareceram uma eternidade, dez dias que a mente dela ficou completamente embaçada e dez dias... Em que ela ignorou completamente o seu amigo moreno.

–Que droga! – Ela exclamou, quase socando a caixa do DVD.

–Eh?! Crys? – Uma voz assustada falou ao seu lado, ela se virou e viu que Kotone tinha dado alguns passos para trás.

–A-Ah... Desculpa, Kotone. – Crystal pediu, envergonhada. Ficara tão perdida em pensamentos que se esquecera de que viera com a amiga escolher o filme para assistirem mais tarde.

–Tudo bem. – Kotone soltou uma risadinha e voltou a olhar as prateleiras. – Aconteceu alguma coisa?

–... Talvez.

–É por causa do Gold?

–Como você sabe?! – A dona dos olhos cristalinos praticamente pulou em cima da amiga ao ouvir a pergunta. Kotone por outro lado quase morreu de susto com a súbita aproximação.

–P- P- Por que você tem evitado ele, né?

...

Crystal voltou para o canto dela da prateleira.

–Tá... Tão visível assim? – Ela perguntou, juntando os dedos.

–Bom... Você correu dele ontem da escola, então...

Droga...

A morena apoiou-se sobre a prateleira quase fazendo-a tombar e derrubando todos os DVDs junto.

–E- Eh? Crys?

–O que tá acontecendo comigo...

–Hm? – A garota de olhos cor de avelã tombou a cabeça para o lado. – Ah!

Crystal olhou para ela.

–Por acaso, você tá apaixonada, Crys? – Kotone brincou.

–Tô.

Silêncio.

–Sério?! – A outra morena exclamou com os olhos arregalados.

–É tão estranho assim?

–N- Não... É que eu chutei... Nossa, eu sou boa nisso!

–Kotone...

–Então, então! – Ela se aproximou da amiga. – Quem é?~

A outra ficou com as bochechas vermelhas e virou o rosto.

–Por que você não tenta adivinhar de novo?

–Hm... É o Gold?

Crystal congelou. Droga, ela era mesmo boa nisso!

–Eu acertei?

A morena se virou para ela com as bochechas mais vermelhas e assentiu.

–Eeeh. – Kotone sorriu.

–Que foi?

–Nada. Eu meio que achei que isso fosse acontecer.

–Sério?

–É, quero dizer. Vocês são muito próximos.

–Você também é. – Crystal conhecera Kotone graças a Gold que as apresentara quando eram bem mais novos. – Aliás, você não... Gostava dele?

Kotone sorriu, sem graça.

–O meu não conta. – Ela fez que não com o dedo indicador. – Foi um amor de infância. Na verdade, acho que era só admiração mesmo.

–Ah... – Foi tudo o que a outra jovem disse.

–E também, eu gosto de outra pessoa. – Kotone murmurou, se lembrando de um jovem de cabelos vermelhos.

–Hm? O que você disse? – Crystal perguntou, já que a amiga falara baixo demais.

A outra morena apenas sorriu.

–Nada não. Ei, Crys.

–Que foi?

–O que você vai fazer agora?

Crystal suspirou.

–Boa pergunta.

Ela já admitira, mas... O que fazer agora?