Osvaldo | Companheiros Sagrados I
10 Capitulo Extra 1
Notas iniciais
Rudá olhando de lado, espiava a beleza de seu companheiro recém descoberto a umas horas atrás, graças a seu irmão, ele pode descobrir porque ele sentiu uma afeição e atração tão imediata e profunda só de um primeiro relance do olhar. Ele tinha cogitado uma paixão à primeira vista, mas a profundidade logo o fez descartar essa possibilidade. Era como se o seu lobo interior conhecesse a vida essa pessoa.
Seu companheiro era tímido e doce em sua forma de agir e falar, mas seus olhos eram cautelosos e esvaziados de emoções não tinha inocência, parecia o olhar amargurado dos velhacos da aldeia.
— Você não vai comer irmãozinho? Perguntou Piatã.
— Quem você está chamando pelo diminutivo? Rudá questionou
— Se eu tenho dois metros de altura, então com certeza não foi para mim.
— Meu irmãozinho Rudá. O diminutivo é para depreciar sua capacidade intelectual comparada a minha. A falsa formalidade gotejando sarcasmo na voz de Piatã.
— FDP! Rudá murmurou baixinho.
Até que ele ouviu um lindo riso contido, mas ainda indiscreto ao lado da mesa. Quando ele viu de onde vinha, seu rosto se aqueceu.
— Oh! Perdão Pajé. Desculpe por rir, você e sue irmão me lembram muito quando meu pai e irmão provocavam um ao outro.
— Não precisa me chamar de Pajé, me chame só de Rudá, por favor.
— Não seria indelicado chamar alguém em posição e classe de forma informal.
— Seria se você não fosse alguém importante para mim. Rudá disse de forma automática, sem pensar muito.
— O que? Osvaldo virou de repente o rosto um pouco chocado. Rudá segundos depois de entender o que disse no impulso, seu rosto se enrubesceu novamente. Perto de seu companheiro ele ficava constrangido com facilidade.
— Depois que eu te ajudei, considero você um dos meus protegidos, não precisamos de formalidades entre nós. Consertou sem querer consertar, mas ainda não considerava a hora de contar o que ele sente por Osvaldo.
— Seu irmão é bonitão igual você, Osvaldo? Piatã perguntou com segundas intenções em sua voz. Rudá observou seu companheiro ficar mais e mais envergonhado.
Seu companheiro, por vezes era muito tímido, já seu irmão, desde de pequeno sempre foi muito provocador e brincalhão. Seu pai, quando estava vivo, sempre ficava no ultimo nervo por isso ele se esforçou em colocar seu irmão para aprender as táticas de luta da aldeia para ver se assim ele aplicasse melhor toda essa vitalidade irritante.
— Qualquer pessoa é mais bonita que eu, meu irmão nem parece do mesmo sangue que o meu, sua beleza é notória. Rudá ouviu Osvaldo dizer com um sorriso fraco e triste. Sua voz quase sempre um sussurro.
— Osvaldo, você é um jovem muito bonito. Rudá comentou.
— Isso é muita gentileza sua! Disse Osvaldo um pouco envergonhado em seu pequeno sorriso.
— Acredite, Valdim, isso não foi uma gentileza. Se você vivesse das gentilezas do meu irmão, você morreria de fome. Piatã comentou sussurrando ao pé do ouvido. Rudá revirou os olhos.
— Eu ouvi o que você disse, ó moleque encrenqueiro! Pois saiba que eu sou um cavaleiro. Nossa mãe sempre comentava do quão educado eu era.
— Hahahahah Osvaldo, se você soubesse a piada boa que Rudá acabou de nos contar. Ele está usando como parâmetro a única pessoa que conseguiu dobrar ele, nossa mãe. O menino problemático da escola, que não dava nem bom dia para as professoras, virava um gentil cachorro de colo perto da nossa mãe.
Rudá já estava no ultimo nervo com Piatã, o deixando envergonhado. Mas pelos olhares zombeteiros que seu irmãozinho dava, ele não se importava de incomoda-lo.
— Resumindo Valdim, meu irmão estava elogiando, no melhor dos casos, te paquerando.
— Chega Piatã, você está passando dos limites, se você não vai me respeitar como seu irmão, então você vai me respeitar como o seu alf... Rudá começou a quase gritar com seu irmão, mas ele rapidamente se lembrou de que hoje não era somente ele dois, e que devia usar termos humanos perto do garoto sentado ao seu lado direito da mesa.
Rudá parando de falar repentinamente, e observando com mais atenção em seu prometido, uma penumbra de malicia lampejou o olhar de Osvaldo, como se ele tivesse entendido alguma coisa. Osvaldo percebendo-se observado, deu um sorriso mais sincero do que o anterior, como se realmente estivesse se divertindo com a interação fraternal, mas rapidamente sua feição mudou para uma de preocupação.
— Piatã, vamos para fora! Não esqueça que você prometeu me mostra aldeia e me contar as histórias do lugar. Osvaldo começou a dizer de forma apreensiva e preocupada. Rudá observando, não deixou de comentar.
— Osvaldo você está bem?
— Claro, Pajé. Sem problemas. Rudá se entristeceu quando percebeu que Osvaldo sentiu-se preocupado com Piatã, pensando que Rudá fosse atacar seu próprio irmão. Ele não queria que Osvaldo tivesse essa primeira impressão dele, mas ele esqueceu que seu companheiro não estava habituado com essa interação agressiva deles dois como irmãos.
— Pode deixar que eu resolvo. Piatã disse sussurrado de uma forma que só o ouvido de um shifter poderia escutar.
— Tudo bem, Valdim. Vamos! Piatã disse alegremente.
Osvaldo caminhava apressadamente com Piatã para fora de casa, ele praticamente puxava o jovem índio que caminhava mais saltitante do que apressado.
— Qual a pressa de querer sair tão rápido de casa?
— Nada não, só fiquei com medo de ficar sem conhecer tudo. Mentiu Osvaldo tentando soar convincente, mas pela cara de Piatã, não deu muito certo.
— Começamos com mentiras, logo no início, Osvaldo? Eu sei que não nos conhecemos tão bem, mas vejo futuro na nossa amizade. Vamos tentar ser sinceros um com o outro para deixar florescer uma amizade real. Piatã terminou de falar, e Osvaldo vendo o olhar fofo e pedinte de Piatã, não se negou a ser sincero com Piatã.
— Diga o que você quer saber, Piatã. Osvaldo disse, realmente desistindo de esconder qualquer coisa do pequeno índio.
— Você estava preocupado com a minha segurança devido ao tom grosseiro e irritado do meu irmão, ou você estava envergonhado das minhas provocações e dos elogios de Rudá? Osvaldo ouviu Piatã perguntar de forma honesta, sem segundas intenções.
— Talvez das duas coisas, eu não sei. Eu não conheço direito vocês dois. Então não sei como me comportar ao redor.
— Seja você mesmo. Nunca tenha medo de ser você mesmo. As pessoas apreciam a verdadeira personalidade de alguém. E não se preocupe, o meu irmão, não ia me fazer mal. Ele é estourado quando confrontado com algo que o faça se sentir inferior. Coisa de macho alfa,sabe? Ele já até acostumado até demais com minhas provocações.
— Que bom, que vocês estavam apenas provocando um ao outro. E pra deixar claro, eu não estou fingindo ou simulando alguma fala ou comportamento. Eu, por vezes, sou realmente tímido.
— Mas eu não gosto de mostrar muito de mim, quando estou em algum lugar que eu não sei o que vão pensar sobre mim. Admiro você ter essa segurança de não ter medo de se soltar e viver o que você é plenamente, mas isso não acontece comigo. Continuou Osvaldo a dizer.
— Eu entendo. Você não tem intimidade e segurança com a gente, para se sentir à vontade de sair etiqueta social com estranhos.
— Gostei do seu entendimento. Perto de você, eu pareço um livro aberto, não é? Piatã ouviu o tom subjacente de provocação nas falas de Valdim. Então, finalmente, ele teria uma abertura para tocar nesse assunto.
— Ontem, você era um livro aberto, hoje nem tanto. Você me abre a curiosidade, mas se fecha de uma maneira interessante. Disse Piatã, que diferente de Osvaldo, não escondeu qualquer provocação.
(...)
— Não conte ainda para ninguém aqui da aldeia. Os guerreiros, os moradores para ninguém, muito menos para o Rudá, Valdim.
— Anh?
— Que você sabe do mundo sobrenatural em que vivemos.
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