Osvaldo | Companheiros Sagrados I
11 Capitulo 10
Notas iniciais
Rudá estava em sua cama, pensando em seu companheiro dentro daquele ônibus, com todos pensando em machuca-lo, era seu dever e sua honra proteger Osvaldo disso. Osvaldo parecia tão indefeso e desprotegido, que Rudá não via a hora de tê-lo em seus braços, pois só assim se sentiria confiante em protege-lo. De agora em diante, Rudá precisava descobrir como trazer seu companheiro para a aldeia para protege-lo e ama-lo como deve ser.
Rudá ainda tinha que descobrir como trazer Osvaldo e seu irmão para cá, ele sabia que Osvaldo nunca viria para cá se não fosse com seu irmão. Se ele pelo menos tivesse pegado o nome do cara, para ver se estava no maldito caderno secreto do Piatã, ele ia saber se o cara ficaria feliz em estar aqui. Mas e se o irmão do Osvaldo for homofóbico ou qualquer tipo de idiota ignorante e preconceituoso, isso ia ser mais um problema na vida de seu companheiro. Seu companheiro doce e inocente, ele era tão fácil de se aprender amar.
Rudá pensava no corpo cheio e macio de seu amado. Ele se lembrava de suas mãos percorrendo suavemente aquelas curvas cheias de carne. Seu tronco sem ossos a se destacar, somente a mais suave e macia pele. E tão cheirosa e suculenta. Somente ao lembrar do cheiro, seu pau se mexeu dentro de sua bermuda em reconhecimento.
O beijo que eles deram ainda remexia sua mente, por mais que tentasse se concentrar em outras coisas, ainda que não quisesse se concentrar realmente, ele lembrava do beijo descontrolado, selvagem e inexperiente. Mas as mãos de seu companheiro não eram inexperientes, e nem inocentes. Valdim sabia onde toca-lo, onde passar suas pequenas mãos gorduchas no seu corpo. A partir do toque do seu companheiro, Rudá já sabia que seu corpo já não lhe pertencia mais.
Um simples toque, e Rudá já se perdia no calor da excitação. Aquelas mãos, como se o conhece por toda a vida, já sabia onde toca-lo para obtê-lo quente e necessitado. Aquele beijo descuidado só o fez gozar mais rápido e insatisfeito por querer obter mais. Mas Rudá estragou todo o momento, se afastando de forma tão áspera. Ele tinha que se afastar, logico, porque se continuasse, ele se perderia e faria o que seu companheiro e seu próprio corpo imploravam para ele fazer. Seu lobo ficou descontrolado àquela hora, querendo o que seu companheiro oferecia de forma tão doce, mas Rudá não podia.
Apesar do medo de tudo dar errado, como deu com Mizane, ele também sabia que Osvaldo era de menor. Claro, ele era de menor segundo as leis da cidade, porque na aldeia, a maioridade era aos 16 anos. Mas Osvaldo era da cidade, e lá as leis eram diferentes. E ele nunca foi de desrespeitar outras culturas e seu sistema na sociedade. Osvaldo tinha 17 anos, quanto tempo faltava para ele ter 18 anos? Como se isso realmente importasse. Talvez, Rudá não conseguisse nem tirar Osvaldo da cidade depois de fazer 18 anos. Mas ele ia tentar. Mesmo não tendo 18 anos, Rudá podia ainda bajular, cortejar seu companheiro e deixa-lo feliz sempre. Claro podia ter beijos roubados do seu inocente amado. Rudá gemeu mais uma vez pela lembrança do beijo perto da floresta, seu pau pulsou duro sobre o tecido. Talvez nem beijos roubados, ele pudesse ter, se ele queria realmente se comportar e respeitar Osvaldo até aos 18 anos.
— Porra, finalmente você está se distraindo do jeito certo e sem um ritual envolvendo isso tudo. Rudá se assustou com a repentina voz animada de seu irmão que ele nem viu entrar no quarto.
— Então, como está meu Valdim, Piatã? Rudá não se evitou de perguntar. O olhar receoso de seu irmão quando ouviu Rudá dizer o nome de seu companheiro o preocupou. Mas rapidamente, Piatã organizou suas feições, e colocou um sorriso fraco e honesto no rosto.
— Ele está em segurança com Elaine, a próxima ligação de checagem será em 45 minutos. Piatã respondeu automaticamente um pouco distraído.
— O que você está escondendo Piatã? Disse Rudá, em tom altivo. Piatã, como de costume não se assustou com seu tom como os guerreiros faziam, mas olhou para ele com olhos preocupados e com dor.
— Elaine me ligou e disse que um dos ferimentos do Valdim é grave, mas que já está sob controle. Disse Piatã quase sussurrando, como se não quisesse que seu alfa e irmão ouvisse. Mas Rudá ouviu, e uma raiva começou a crescer em seu peito.
— Eu quero um dos carros preparados para hoje à tarde. Eu vou alcançar a porra do ônibus e tira-lo de lá o quanto antes. Rudá disse com autoridade e seu poder de alfa estava saindo dele em ondas. Piatã saiu de seu transe, e olhou para o alfa assustado.
— Você não pode fazer isso, irmão. Piatã disse desesperado.
— Eu posso fazer a merda que eu quiser. Rudá observou seu irmão respirar profundamente e ajeitar sua postura, que mesmo estando assustado, estava sempre impecável, mas Rudá viu que Piatã tomava a postura de conselheiro.
— Não me venha com seus conselhos, irmão! Eu quero Osvaldo em segurança dentro da aldeia.
— Por favor, irmão alfa, me escute...
— AGORA, Piatã! Gritou Rudá em desespero.
— Você acha que gritar resolve alguma coisa, Rudá?
— EU não SEI, SÓ SEI QUE QUERO MEU COMPANHEIRO SEGURO E AMADO!! Rudá se surpreendeu quando seu irmão forte e inabalável começou a chorar suavemente. Rudá não entendia, seu irmão sempre ouvia seus gritos e nunca se abalava, por que agora?
— Podem sair. Piatã disse aos três guerreiros atrás dele. Suas lagrimas lutavam para sair, mas o seu tom com os guerreiros continuava forte e imponente. Os guerreiros se curvaram em respeito ao alfa e ao seu mestre e saíram pela porta. Piatã colocou suas mãos que estavam tremendo sobre seu rosto, cobrindo-o e escondendo as lagrimas que estavam caindo suavemente sobre seu rosto.
— Irmão, não chore! Você sempre me ouviu gritar, porque isso agora, hein? Rudá disse suavemente e agachando-se ao lado de Piatã, o segurando pelos ombros.
— Não estou chorando por ouvi-lo gritar. Ouviu-se a voz abafada de Piatã, ainda escondendo seu rosto.
— Então o que é, meu doce irmão?
— Eu sei o que você sente, Rudá. Eu sei que você sente que vai perde-lo. Eu sei que você já ama ele tão profundamente que sofre em pensar como ele tão ferido e triste. Eu sinto a mesma coisa. Osvaldo é como se fosse um irmão para mim. Como não amar ele, com ele mesmo cheio de dor, ainda se vê tão doce, bonito e inocente. Piatã disse, tirando suas mãos e seu rosto molhado com lagrimas.
— Calma, irmão. Nós vamos tira-lo de lá. Nós vamos deixa-lo seguro e confortável aqui na aldeia. Rudá disse ainda de forma suave, mas confiante em suas palavras. Piatã olhou para ele no fundo de seus olhos, com um sorriso fraco e desamparado no rosto.
— Você não pode, irmão.
— Porque, Piatã! Você está tão preocupado quanto eu! Eu sei disso. Então vamos traze-lo de uma vez para nossa família.
— Rosimar...
— Quem?
— Rosimar, o irmão de Valdim. Ele hackeou nosso sistema de segurança, e sabe tudo sobre nos. Pelo o que eu investiguei, Rosimar é mais protetor com Valdim do que eu e você juntos. Se Valdim não estiver em sua casa hoje à noite, Rosimar tem o contato da sede local da FUNAI e da polícia civil que beira a floresta que dá direto na aldeia. Ele entrará em contato com todos eles.
— E se você quiser seu companheiro aqui na aldeia depois de seu aniversário. Então somente se seu irmão aceitar, mesmo que ele fique maior de idade. Osvaldo não vai a lugar nenhum para longe de seu irmão. E causar uma confusão com a FUNAI e a polícia envolvendo Rosimar, só fara você se afastar de Valdim. Rudá se levantou e rosnou em frustação por tudo que Piatã dizia. E sabia que seu irmão tinha razão. Ele estava com as mãos amarradas nas costas no momento.
— O que vamos fazer, irmão? Ele não confiava em sua própria voz agora, ele não acreditava que soava tão desesperado e insano. Piatã tinha razão, ele já estava apaixonado por Osvaldo. Só isso, explicaria sua cabeça voando alto de preocupação e angustia tão profunda.
— Seu aniversário. Piatã disse simplesmente.
— O que? Rudá virou e olhou diretamente para Piatã, agora lhe dando toda sua atenção. Piatã fazia isso constantemente, quando via que alguém estava fora de si e não prestava total atenção a algo importante que ele dizia.
— O lobo Beta, Gurinhém só vai voltar daqui a 4 dias de sua missão. Antes disso, preciso de você aqui, porque não vai ter ninguém para substitui-lo até lá. Enquanto isso, vou chamar os gêmeos, seja lá onde eles estejam nessa merda de serviço secreto que você deu para eles, e mais 3 guerreiros para irem à cidade para participar do aniversário de Osvaldo e levar ele e seu irmão para cá em segurança.
— Você pretende levar 5 guerreiros mais os 2 que estão na cidade para escoltar Osvaldo e Rosimar para cá. O que está acontecendo Piatã? 4 guerreiros são mais que suficiente numa missão de escolta.
— Rudá, a favela que Osvaldo mora é comandada por shifter repteis e...
— Aí meus sagrados espíritos da terra. Osvaldo está em mais perigo do que imaginei e você ainda se põe contra a irmos lá o mais rápido possível?! Rudá estava enlouquecendo de raiva e preocupação. Ele era o pior companheiro do mundo. Nunca devia ter deixado Osvaldo sair da aldeia.
— Você não me deixou terminar. Se você se preocupar desse jeito, você vai ficar louco e vai fazer algo sem pensar, e machucar mais ainda seu companheiro. Ou você esqueceu da asneira que você com ele na floresta?
— Espera... Rudá ignorou os dizeres do seu irmão. Ele não precisava se lembrar da idiotice que fez ao tratar seu companheiro tão mal, ainda doía lembrar os olhos frios e sem vida de seu companheiro quando ele saiu de seus braços.
— Você deu uma missão de reconhecimento a Acir. Ele tem que descobrir quais os paranormais que tem na favela, mas você já sabe quais são? Por que você deu uma missão falsa ao Acir, Piatã? Ele pode ser idiota e ignorante como uma égua prenha, mas é um dos meus melhores guerreiros e irmão. Rudá olhou duro e frio para Piatã. Piatã não se contorceu, ou exalou medo como seus guerreiros e betas faziam quando fizeram merda.
— Acir está numa missão de reconhecimento sim. Isso eu não menti. Mas a missão é outra. E se contasse para ele a missão, então ele poderia falhar nela também. Eu to contando com Osvaldo para ajudá-lo com isso.
— O QUE?! Rudá gritou. Piatã levantou a mão, com autoridade, num sinal para parar, mas não foi para ele e sim para os guardas que entraram correndo no seu escritório pensando que seu alfa estava em perigo.
— Voltem para seus postos. O alfa está tendo um acesso de raiva só isso. A palavra é cordeiro. Agora vão. Piatã disse com veemência, num tom que não aceitava eles contradizerem suas ordens. O alfa deu o sinal silencioso em concordância aos guerreiros e eles foram para fora.
— Piatã ... Disse o alfa num tom mortal. — Porque você enviou Acir para uma missão junto com Osvaldo?! Você perdeu a cabeça, Piatã?!
— Sagrada mãe terra! Eu não mandei o Valdim para uma missão com Acir! Você não me deixa terminar de falar! Eu sei a merda que estou fazendo Rudá.
— Então o que. Rudá começou a dizer confuso, mas Piatã o cortou.
— Cala a boca, irmão. Eu estou esperando Acir pedir perdão a Osvaldo, e só assim ele cumprira a missão de reconhecimento. O plano original sempre foi Acir e Elaine escoltarem Osvaldo para casa. Entende agora seu alfa idiota. Rudá ignorou o insulto desrespeitoso ao seu título, isso porque era seu irmão.
— Qual é a porra da missão, conselheiro bobão?! Rudá disse, e Piatã abriu a boca espantado. Se a situação não fosse seria, ele teria rido.
— Você mesmo falando português tão bem ainda não sabe insultar alguém? Ok, tudo bem, esqueçamos os insultos. E a missão não posso falar qual é, mas aposto que você já sabe, você andou mexendo no meu quarto meses atrás, então logo sua cabeça esperta vai começar a pensar. E também, quando você mandou os gêmeos para aquela missão secreta, você não quis me dizer qual era, então eu também tenho missões desse tipo sob meu comando. Piatã disse sem perder a respiração.
— Não sei do que você está falando. Rudá ouviu o que Piatã disse, ele só não queria confirmar as suspeitas de Piatã sobre ele ter vasculhado seu quarto. Ele não queria perder a confiança de seu irmão. Mas ainda assim, ele não sabia, qual missão Acir tinha que cumprir, ele com a cabeça em volta de tantos problemas não conseguia associar nada.
— Eu nunca vou deixar de confiar em você, irmão! Mas se você quer se fazer de desentendido, tudo bem. Voltaremos a esse assunto em outro momento. Piatã olhou bem no fundo dos olhos de Rudá, retornando o olhar, Rudá só viu a confiança, o amor e o respeito que seu irmão tinha por ele. Rudá se sentiu um pouco culpado pelo que fez meses atrás, então soltou um pouco do que Piatã queria saber.
— Os gêmeos foram as terras ao sul, onde reside os vampiros para resolver a situação dos shifters abutres. Rudá viu a malicia e a inteligência brilharem nos olhos de Piatã, antes que ele conseguisse disfarçar, conhecendo a vida inteira seu irmão como ele conhecia, ele sabia o que aquele olhar queria dizer, aaaahhh merda...
— Você já sabia disso, não é? Rudá rosnou para seu irmão.
— Eu não sei do que você está falando. Piatã repetiu as palavras de Rudá num tom falso de inocência e confusão.
— Tudo bem, Piatã, eu vou confiar em você. Mas eu preciso saber como você descobriu? Eu não vou permitir um dos meus guerreiros traindo minha confiança. Rudá continuava rosnando para seu irmão.
— Não comece a ficar irritado, Rudá. Não há quebra de confiança pelos guerreiros. Digamos somente que eu tenho contatos. E esses contatos são confiáveis.
— Assim, espero Piatã. Assim, espero. Rudá deixou esse assunto para lá. Ele sabia que seu irmão tinha segredos, muitos segredos. Mas nenhum deles envolvia a matilha diretamente. Rudá por muito tempo, antes de se tornar alfa, tentou descobrir esses segredos. Mesmo o seu pai quando era vivo, contratou os melhores detetives para descobrir, mas não descobriam nada. Sendo alfa, anos atrás Rudá mandou os melhores guerreiros nessa missão secreta para descobrir o que Piatã fazia quando estava em missão, mas novamente, veio com nada.
Piatã apesar do tamanho pequeno, desde de criança, provava ser um gênio estrategista e um forte guerreiro. Seu pai apesar de ser bondoso e um bom pai, tinha o defeito de menosprezar essas qualidades em Piatã. Piatã, construiu uma vida fora e dentro da aldeia, sem a ajuda da influência da família, que era uma das mais respeitadas dentro da aldeia.
O distanciamento do pai de Piatã e Rudá, fez com que Piatã construísse segredos em torno de um monte de coisas. Rudá quanto mais pensava sobre isso tudo, mas via que parte de tudo isso era sua culpa. Mas o passado não podia se resolver, só o presente, onde apesar dos segredos entre eles, Rudá não poderia pedir um irmão melhor para se ter e confiar.
— Vamos pôr em pratica o plano logo de uma vez, Rudá. Temos somente quatro dias, e preciso dos gêmeos aqui o quanto antes. Você e eu, vamos treinar os guerreiros para lutar contra os shifters repteis. E eles não sabem como. Então eu vou me concentrar em treinar os gêmeos, e você se concentra nos três guerreiros. Precisamos deles afiados para a luta.
— Boa sorte em treinar os gêmeos. Você sabe que eles vão lutar com você de novo ne? Eles ainda querem matar você, por causa da missão de anos atrás. Rudá ouviu seu irmão dá um suspiro alto e bem audível.
— Por isso, eu preciso deles o mais rápido o possível aqui. Antes de treina-lo, eu ainda preciso chutar a bunda deles por algumas horas. Eu nem me preocupo mais. Isso parece mais um ritual asiático. Onde os pupilos antes de irem para a guerra, desafiam seus mestres para deixá-los prontos para lutar. Já virou até costume.
— Isso é verdade. Mas um dia eles vão te pegar com a guarda baixa. Rudá disse provocando seu irmão. Rudá viu o rosto de Piatã sorrir daquele jeito malicioso e cruel, como se um demônio tivesse possuindo seu corpo. Aquele sorriso que quando criança, Rudá secretamente, morria de medo. E agora ele usava quando tinha que chutar as bundas dos seus guerreiros quando falhavam em uma missão. Rudá não tinha mais medo desse sorriso, na verdade, esse sorriso inspirou o dele, quando ele ficava puto. O sorriso cheio de dentes, os olhos frios, mas que dentro deles, o lobo de Piatã parecia dançar de selvageria.
— Deixe eles tentarem. Piatã rosnou alto, dando uma risada fria e tenebrosa.
— Você sabe que não pode deixá-los fracos, quase morrendo como meses atrás ne?
— Eu não posso prometer nada. Talvez depois de um ano e meio. Eles consigam finalmente me derrubar. Piatã disse acalmando seu lobo. Rudá olhou para ele espantado.
— Por que em um ano e meio? O alfa perguntou curioso e assustado.
— Chame-os logo, Rudá. Não temos tempo a perder. Disse Piatã, saindo do quarto.
— AAAHH! Segredos de Piatã! Rudá rosnou sozinho para o teto de seu quarto.
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