Notas iniciais
Um pequeno capitulo pra finalizar de vez a tour longa do onibus. Só falta o onibus quebrar e passarmos por mais dramas dentro dele. hahahaha brincadeira gente. Acaba aqui mesmo kkkk Vamos ver o que Acir tem a dizer depois de tudo o que aprendeu sobre Osvaldo ( ¬ - ¬) Espero que ele tenha criado juizo. Boa leitura ♥ :3

Acir estava confuso com todas as informações que recebeu na última hora, ouvindo Elaine e Osvaldo conversarem com tudo aquilo. Ele tinha muito o que pensar, e seu orgulho estava ferido por realmente suas atitudes anteriores estarem erradas. Que se foda seu orgulho, foi ele que o colocou nessa situação com Piatã e o companheiro do alfa. Sua boca era enorme, todos já haviam falado várias vezes para ele que ele era um idiota ignorante.

E as palavras de Elaine sobre ele àquela hora... será que realmente o alfa e Piatã realmente quiseram uma mudança sobre ele o obrigando junto com os outros guerreiros a irem àquelas conferências e palestras patrocinadas pela FUNAI, e ele havia apenas marcado presença nesses seminários cansativos. Ele não havia demonstrado interesse ou participação efetiva nelas, e seu alfa e celta sabiam disso. Claro que eles sabiam, no final de todos os seminários eles entregavam um questionário para avaliar se realmente haviam aprendido algo com as reuniões, e os questionários eram enviados a Piatã e posteriormente com certeza a Rudá.

Uma sensação de vergonha encheu seu peito, ele se sentiu como se estivesse desrespeitando seus superiores por não ter dado o seu melhor no que eles lhe pediram para ser feito nesses encontros que eles investiram seu dinheiro, para formar uma educação melhor aos guerreiros. Ele se lembrou de outros guerreiros comentando entre si, que as palestras lhes ajudaram a ter coragem de fazer o ensino superior e até mesmo a não desistirem de seus cursos exaustivos na faculdade. E ele, mesmo com seu alfa oferecendo uma oportunidade de conhecimento que o levasse para frente, havia mostrado desinteresse e não usou isso para realizar seu sonho secreto de fazer faculdade futuramente. Ele era realmente um idiota. Ele precisava consertar a sua vida, e pedir perdão ao alfa e ao celta por tal desrespeito.

Acir perdido em seus pensamentos novamente, quase perdeu o momento que Elaine disse que eles já estavam saindo. Acir como que por instinto sobre tudo o que refletiu segundos atrás saiu detrás do ônibus e foi para a porta.

— Espera aí! Acir gritou, entrando no ônibus.

— Então, você finalmente parou de se esconder. Elaine disse com malicia. Acir gemeu interiormente. É claro que Elaine sabia que ele estava escondido.

— O que você está fazendo aqui? Ouviu Osvaldo assustado.

— Desculpe ter te assustado, Sr. Cairo. Acir disse suavemente e com respeito.

— Humm, ok... Osvaldo respondeu devagar, sua cabeça se inclinando de lado, enquanto seu rosto se enrugava numa expressão ingênua de confusão ao ouvir um tom de voz educado vindo de Acir que momentos atrás havia sido rude.

— O que você veio fazer aqui, Acir? Piatã junto com o alfa já deixou Osvaldo sob meus cuidados.

— Queria conversar um momento, com o Sr. Cairo. Acir respondeu humildemente.

— Isso só se Osvaldo quiser. O que acha, Osvaldo? Elaine disse suavemente ao garoto.

— Ok... Pode ser. O que você quer falar? Osvaldo perguntou distraído e confuso. Valdo se assustou, quando viu o homem se ajoelhar no espaço pequeno da cabine e diante dele. Ele olhou para a pequena porta que separava a lugar do motorista do restante dos passageiros. Osvaldo suspirou de alivio, ao saber que eles não teriam os olhares curiosos dos outros alunos sobre aquele momento... er... estranho, por assim dizer. Ele não gostava de chamar atenção para si mesmo.

— Quero te pedir perdão pelo meu comportamento nas cabanas. Sei que pedir perdão não é suficiente, mas eu posso tentar fazer o melhor por você a partir de agora, para que um dia quem sabe você possa me perdoar. O tom de suplica se sobressaindo na voz do guerreiro da aldeia, fez os nervos de Osvaldo em frangalhos. Ele não sabia o que dizer, só sabia que aquilo tudo era estranho. Ninguém nunca tinha pedido perdão a ele, muito menos de joelhos. A desconfiança exacerbada que ele carrega há anos devido ao abuso físico e moral que ele tomou de todos começou a florescer em sua mente.

— Por que isso agora? O que você descobriu? Osvaldo ficou assustado com sua própria voz. Ele poucas vezes deixava a raiva ultrapassar o seu tom de voz.

— O quê? Não entendi... Acir começou a dizer suavemente, sendo cortado por Osvaldo.

— Você vem aqui pedindo perdão, como se não fosse aquele homem arrogante que me tratou mal na aldeia. Isso é no mínimo suspeito. Eu não costumo ser rude como estou sendo agora, mas sinto que sua atitude de agora tem algo por trás.

— Não! É que conversei com Piatã no meu caminho até a cidade, e ouvi Rudá e Piatã enquanto esperava na linha que você era importante para eles e que eles estavam muito preocupados com sua...

— Então é isso! Osvaldo disse em voz alta como uma acusação.

— Você viu que eu era uma pessoa importante para seus chefes e veio pedir perdão para mim para que os seus chefes não lhe castiguem por ter me tratado mal. Isso é tudo por interesse. A última frase, Osvaldo disse quase gritando, e as lágrimas ao ponto de cair.

Osvaldo odiava ser tão fraco e sensível ao que as pessoas fazem de ruim para ele, ele queria mostrar frieza e indiferença, por vezes conseguia, mas vezes como essa a dor construída no seu peito era demais e ele não conseguia disfarçar.

Elaine viu o rosto de Acir ficar pálido e conseguiu cheirar o medo e a vergonha, Acir baixou a cabeça realmente envergonhado. Elaine nunca viu o guerreiro idiota nesse estado. Osvaldo tinha razões para ficar desconfiado, ele sendo um humano que passou por tanta dor, naturalmente criou barreiras em torno de si, sendo uma delas a descrença de alguém realmente bom no mundo. Sem falar, que Acir começou errado em seu pedido de desculpas.

Elaine sabia que era a primeira vez que o lobo pedia desculpas a alguém além do alfa e do mestre, então ele ia estragar tudo mesmo. Surpreendentemente, Elaine não cheirou a mentira nas palavras de Acir, mas ele não ia ajudar o cara. Ele precisava fazer isso sozinho.

— Não, é isso que eu queria dizer. Acir começou a dizer quase sussurrando ainda com a cabeça baixa.

— Eu me sinto realmente envergonhado. Eu ouvi tudo o que vocês conversaram minutos atrás, eu não queria ouvir. Eu juro. Mas foi bom eu ter ouvido, para eu perceber o quão mal eu fui com você. Piatã me puniu antes de eu vir procurar você para me desculpar, depois de eu perceber que você era importante para eles... Elaine viu o rosto perturbado de Osvaldo, que nem parecia ouvir Acir com suas desculpas patéticas.

— Mas depois que eu ouvi vocês conversarem, foi que as palavras de Piatã realmente entraram dentro da minha cabeça oca e eu percebi realmente que estava errado. Então inicialmente eu realmente vim aqui para me desculpar por causa da sua relação com meus irmãos, mas quando eu ouvi vocês dois, eu percebi o quanto eu tinha estragado tudo. Eu realmente não te conheço para julga-lo da maneira que eu fiz. Na verdade, se eu fosse uma boa pessoa, eu não julgaria qualquer pessoa por vidas violentas que cada um leva nas costas. Eu também não ajudei você quando você tinha acabado de ser ferido. E não deixaria você sem apoio como eu fiz. Eu realmente estraguei a confiança que Piatã colocou em mim para cuidar de você, e a confiança que você deu ao meu mestre de que você receberia alguém bom e confiável. Eu realmente tenho feito tudo errado na vida, se eu tivesse deixado Rudá e Piatã me ajudar mais vezes, eu conseguiria ter uma vida melhor, teria feito o curso que eu tanto sonhei e seria uma pessoa mais instruída e saberia lidar com todas pessoas ao meu redor como são meus irmãos. Mas eu sou burro o suficiente para achar que conquistei alguma coisa na vida, sendo que a única que tenho feito na vida é ser um canalha que não segue em frente com sua própria vida. EU SOU UM MISERAVEL! Acir não conseguia parar de falar. Ele não sabia da onde tudo aquilo estava vindo.

Era como se sua vida estivesse passando por seus olhos, enquanto falava. Ele não conseguia olhar para Osvaldo. A vergonha o cobria como nunca tinha antes. Ele sentia-se nu diante de todos os seus erros, o que realmente pensavam seus irmãos sobre ele. Seu alfa e seu celta tinha expectativas baixas para ele. Que vergonha. E Osvaldo, que já passara por tanta dor, seus olhos tristes e sem vida, o lembrara de quando era criança e sua mãe definhava com seu acasalamento conturbado, e depois de sua morte, passou a morar com avó. Acir com o rosto pálido e os olhos arregalados, se surpreendeu com as lagrimas suaves que molhavam seu rosto, quando ele tinha começado, nem mesmo ele sabia. Ele sentiu pequenas mãos cheias embalarem suas próprias mãos que tremiam.

— Já basta, Acir. Eu te perdoo. Disse uma voz suave, mas preenchida de tristeza e preocupação. Seu lobo interior acolheu as palavras bondosas com tristeza e com uma pequena porção de felicidade.

— Levante, Acir. Erga seu rosto e se sinta orgulhoso do que você é hoje. Osvaldo ordenou suavemente com carinho.

— Um guerreiro forte e honrado para a sua aldeia. Apesar de toda dor que você passou em sua vida, você se tornou um homem que lutou contra os perigos que sua aldeia enfrenta quando tem pessoas que não pode fazê-lo por elas mesmas. Osvaldo continuou a dizer. Acir levantou seu rosto e olhou diretamente nos olhos de Osvaldo, agora cheios de vida.

— Todos os seres humanos de todas as espécies erram, mas o que fortalece a alma e o corpo, é o reconhecimento desses erros e a tentativa de não comete-los novamente. Você é especial, Acir. Assim como todas as pessoas complicadas que se ergueram com honra. Valdo terminou de dizer.

— Osvaldo, por favor. Me deixe acompanha-lo no meu... Acir começou a dizer.

— Acir, volte para seu carro e nos vemos na minha casa. Valdo interrompeu com um pequeno sorriso gentil e franco.

Notas finais
Ok, esse arco foi finalizado. Mas antes de ir para o outro arco e finalmente conhecermos Rosimar. Temos mais um capitulo extra pra finalizarmos os diálogos de Piatã e Osvaldo sobre alguns assuntos pendentes. Alguns segredinhos de Piatã e até de Osvaldo vão se botados ao sol. Até a próxima!! o/