Osvaldo | Companheiros Sagrados I
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Acir ficava mais irritado a cada trecho do caminho correspondente que ele dirigia, o carro que Rudá comprou a sete anos atrás,que era quase inutilizável na aldeia, rugia mais uma vez e tornava seu humor tão negro como a noite. Rudá chamou um velho membro da aldeia que vivia na parte urbana da cidade para ensinar todos os guerreiros da matilha a dirigir caso ocorresse algo que os levasse a cidade, o que era raro.
Acir nunca negou que a liderança de Rudá os levava a um rumo cada vez mais positivo e melhor na aldeia, mas droga, ele gostava da antiga maneira dos índios, do tradicionalismo dos costumes de seu antepassados que não era de se enfiar em um carro de merda, mas seu mestre e treinador dos guerreiros lhe dera uma missão , e ele só ficaria honrado de obedecer seu chefe imediato.
Acir se movia pela estrada de terra que se dirigia as cabanas do acampamento onde sua missão começaria, ele tinha ouvido sobre a agressão ocorrido no trecho cerimonial da reserva, onde continha parte da história da aldeia que viveu a centenas de anos ali, enquanto ele pensava nos idiotas que desonraram o lugar com o tumulto da agressão , ele achava mais desonroso um cara que não sabia se levantar por si mesmo e se deixar agredir por seus próprios colegas, alguma coisa ele tinha que ter feito para conseguir tanta atenção sobre si mesmo para chegar a isso.
Mas até mesmo seus pensamentos pessoais não eram tão importantes para esse assunto, Piatã teve contato com o moleque fracote e pediu que o protegesse até sua casa, na volta da excursão até a cidade, estacionando perto da entrada das cabanas e próximo ao ônibus que partiria para a cidade, ele entrou na cabana onde os alunos ficaram nesses dois dias, a procura do moleque amedrontado que se chamava... se chamava... Ele tirou o papel que descrevia sua missão , onde continha dados da pessoa que ele ia proteger.
Osvaldo era o nome do cara, cabelos crespos, compridos e negros, um metro e setenta de altura e 98 quilos... que merda o cara era gordo, ele esperava que não fosse um daqueles gordos desprezíveis que tinham gordura pendurada nas roupas e peidava toda hora como via nos filmes. Perdido em seus pensamentos, ele quase perdeu o motim ao redor de uma das camas que ficava perto da porta de emergências e do banheiro, os caras que faziam parte do motim riam discretamente, mas com zombaria para algo que estava na cama, até que ele ouviu o gemido de dor, até que ele se fez presente:
— Que merda acontece aí? Todos se viraram pra ele e fecharam mais ainda o cerco ao redor da cama, os olhos se arregalaram ao vê-lo, e ele sabia o que eles estavam vendo, com sua altura de um metro e noventa e cinco e o peso de 100 quilos distribuídos em músculos inchados, e as tatuagens sobre o corpo e o alargador na parte superior da orelha, ele sabia que o povo da cidade o via como um homem bruto.
Ele caminhou lentamente até o cerco da cama, as crianças ao redor do cerco começaram a se afastar rapidamente da cama, quando ele ia para segurar um dos caras para pedir esclarecimentos do que acontecia, ele notou a camada negra e bagunçada de cabelos crespos que cobriam metade do corpo de um cara que se via em posição fetal bem enrolado no canto da cama.
— Ei, cara! O que aconteceu? Acir perguntou ao cara
— O mesmo de sempre... O cara sussurrou para que ninguém o ouvisse.
— Sim, você está bem? Nesse momento, o cara levantou a cabeça para olha-lo e Acir viu o olho roxo e corte na bochecha que sangrava lentamente... merda, o cara era o tal fracote. Osvaldo olhou a Acir com um sorriso fraco nos lábios e disse:
— Você é amigo de Piatã, né? Perguntou o gorducho medroso, numa voz suave e arrastada, obviamente por causa da dor. Acir não entende de onde veio a raiva, mas o cara com os olhos cheios de desamparo, solidão e fraqueza tomou um nervo dele.
— Não entendo como Piatã tem como protegido, um moleque fraco e medroso, e ainda por cima em tão má forma física como você, com certeza você gosta de se tornar um alvo de pessoas como aqueles idiotas.
Os olhos de Osvaldo se arregalaram de surpresa e rapidamente se abaixaram para o chão enquanto eles se sentavam na beira da cama, enquanto Acir olhava-o atentamente esperando que suas palavras colocasse um pouco de dureza no cara e o fizesse dele homem, ao invés de um moleque amedrontado num canto de uma cama, até ele viu um lagrima deslizar pelo rosto do lado ferido pelo corte na bochecha.
— Só um fracote como você para chorar como um coitado ao invés de vir a se defender a si mesmo e se fazer um homem decente que não deixa as pessoas chegarem a você, mas Piatã obviamente viu que você não conseguiria faze-lo por si próprio e me mandou para protege-lo de outros moleques como você. Aaaahh você vê? Chamaram um guerreiro altamente treinado para proteger sua bunda gorda de ser pego por moleques porque obviamente você não sabe cuidar de si mesmo.
Acir viu quando os ombros do cara se agitaram e o seu rosto ainda se via sombrio, mas algo na sua postura mudou, ele não sabia o que era, mas o rosto do cara estava de lado se apoiando em suas pernas que ainda se viam encolhidas, foi seus olhos se encontraram com os dele, o olhar do cara era penetrante, seus olhos estavam brilhando com alguma emoção, mas ao mesmo tempo parecia haver um vazio que Acir não sabia distinguir o que era
— Eu me pergunto a mesma coisa. Osvaldo disse suavemente de uma forma que a audição shifter só seria capaz de ouvir.
— O que?
— Como Piatã pode ter alguém como você ao seu lado, você é um verdadeiro idiota!
— O que você disse seu moleque!
— Piatã com certeza é apenas conhecido seu, não é? Você deve ser um daqueles caras que ele falou que tem o passado obscuro, não é? Acir não sabia o que dizer, a voz suave falando tudo aquilo era fria e sem vida e desde de quando o mestre Piatã falava da aldeia para desconhecidos como esse cara.
Acir não sabia a emoção por trás de cada palavra pois Osvaldo dizia tudo de forma linear e suave.
— Então você é como os idiotas que acabaram de sair, você julga os outros sem conhece-los e aqueles que não lhe agradam você despreza ou também machuca como o covarde que esse tipo de idiotas que são?! Acir saiu do transe que as palavras do cara o puseram e ele sentiu a raiva vindo dentro de si.
— Seu moleque insolente! Eu não machucaria alguém mais fraco que eu! Eu não sou idiota nem ignorante ao ponto de machucar um cara e bater nele como aqueles fizeram com você! EU NÃO SOU IGUAL A ELES! Acir estava perdendo o controle, ele tinha que se lembrar que estava numa missão de escoltar o cara até a casa dele sem se importar se ele era um fracote de merda.
— Você não é idiota o suficiente para achar que para machucar um cara é necessário somente os punhos né? Você de certo acha que é melhor do que esses caras que me atingiram, mas você é igual ou pior, você e suas palavras odiosas me julgando como se eu fosse inferior a você…
— Eu não me importo o que você acha de mim, moleque! Eu só estou aqui para leva-lo para casa como prometi a Piatã, então vamos logo que eu preciso acompanhar o ônibus parar saber o caminho até onde você mora.
— Eu não estou indo com você, idiota! Se você quiser seguir o ônibus até minha casa para avisar a Piatã que estou bem, tudo bem. Mas eu não estou indo com você.
— Você prefere ir no mesmo ônibus que aqueles idiotas que te bateram, você realmente gosta de chamar atenção para eles, né?
— Aí está você deduzindo de novo, que sabe alguma coisa de mim, como se fossemos amigos a anos. Mas eu não te conheço, e se for possível eu nem pretendo. Pelo amor de deus, eu nem sei seu nome, você não se apresentou, você não perguntou meu nome, você somente agiu como o idiota que você é, e se você acha que sou estupido o suficiente para ir para qualquer lugar com você, você é mais idiota do que eu pensei.
— Você está tirando cada pedaço da minha paciência, então, só entrem no carro e chegue ileso.
— Faça o que eu digo guerreiro, acompanhe o ônibus, porque eu não vou entrar em um carro de um idiota que eu nem conheço, os covardes que me atingiram, eu os conheço sei do que são capazes de fazer, já você… Acir perdeu a paciência, o rapaz já estava saindo com uma mochila surrada nas costas em direção ao ônibus que já estava partindo. Acir o agarrou pelo braço e ouviu o gemido baixo de dor do cara.
— Para! Você está me machucando,idiota!
— Eu não sou idiota, seu merda!
— Eu não continuaria isso se fosse você, Piatã e Rudá são muito protetores comigo, então se você me obrigar a alguma coisa, eu vou ligar para Piatã e dizer como um membro da aldeia deles me tratou, então me solta agora! Acir soltou o cara perante a ameaça, sem saber ao certo o que esse cara representava para seu mestre e seu alfa. Pela forma como as coisas caminharam hoje, ele tentaria descobrir isso rapidamente.
Osvaldo mancando continuou seu caminho até o ônibus que estava quase a partir, se o idiota preferiria se arriscar chamando atenção sobre si mesmo, então Acir não ia fazer nada quanto a isso, mas mesmo assim ele deve continuar com a missão e escoltar o cara até sua casa. Acir gemeu com o pensamento das horas que ele estaria trancado, perseguindo o ônibus até a cidade.
Osvaldo pensou na loucura da situação toda enquanto ele sentado no banco do ônibus apertado enrolava as faixas em torno do seu peito, as facadas que os alunos lhe deram no quarto não foram tão profundas, ainda bem, mas precisaram ser desinfeccionadas e de pontos, sorte que ele carregava tudo numa pequena necessaire velha que encontrara no guarda-roupa de seus pais.
Como ele já havia passado por coisas piores antes, ele já tinha algumas provisões de medicamentos para dor, álcool, gazes e faixas para algum sangramento sério, além de agulhas e linhas de pesca caso ele tivesse que dar pontos em algum corte, sim, sua vida era uma merda durante todo o caminho da sua vida. Ele não podia se culpar por toda merda que acontecia com ele, mas ele simplesmente não entendia como tudo isso chegava a ele.
Na favela, na escola, no seu trabalho de meio-período, tudo chamava problemas, alguém o via e já sentia raiva por ele, ou por ser gay, ou por sua aparência, ou por ser negro e outros tantos motivos que até mesmo ele desconhecia as vezes, ele só sabia que deveria cuidar de si mesmo quanto podia, ele não podia envolver seu irmão em toda essa confusão de sua vida, ele não poderia ir ao hospital de urgências da cidade com medo de que seu irmão perdesse a guarda sobre ele e acabasse indo para a assistência social e depois para um orfanato, e ainda mais descobrissem que ao s 16 anos, Rosimar, seu irmão o cuidara até a maioridade, agora com 24 anos já tinha a guarda legal.
Osvaldo olhava ao redor do ônibus, enquanto terminava de limpar seus ferimentos, seus olhos sempre atentos a quem se aproximava, mas ninguém estava lhe dando atenção , sim, ele podia ter ido no carro com o índio idiota, mas como ele disse, ele não confiava que o índio fosse tratar-lhe melhor que os idiotas com quem estudava, tudo bem que o índio foi mandado por Piatã para protege-lo, e ele apesar de poucos dias, confiava plenamente em Piatã , mas quem ia garantir que um dos guerreiros da aldeia não fosse mal-intencionado e pudesse lhe machucar pior do que todas as vezes da sua vida, se é que isso era possível, e Osvaldo não quis tomar como prova.
Osvaldo se sentara em um dos bancos da frente que estava disponível além dos ocupados por alguns professores, ele se sentara o mais perto possível do motorista do ônibus de viagem, ainda não sentindo seguro, pois entre os bancos de passageiros e o do motorista havia uma porta que o separava, mas era o melhor que podia fazer estando rodeados de pessoas idiotas que graças ao mais sagrado não estavam dando atenção a ele naquele momento.
Osvaldo não parava de olhar ao redor do veículo abafado com medo de que algum cara iria vir até ele, ele se sentia totalmente desprotegido, os 3 professores que se sentavam na sua frente não lhe davam qualquer sensação de segurança, por tudo que ele sabia, eles não fariam nada se algo acontecesse com ele.
— Com medo de alguma coisa, bichinha medrosa?! Marcelo, um dos caras que espancaram ele no trecho da floresta e na cabana disse em tom baixo, mas fazendo gestos para o pessoal no fundo do ônibus, chamando atenção para seus comparsas que começaram a rir e zombar ruidosamente nos bancos dos fundos.
— Ninguém está aqui para protege-lo de nós, moleque idiota! Aquela aldeia de viados não poderá te proteger mais, e eu e meus colegas vamos ter um bom divertimento no caminho até a cidade. Marcelo botou o braço em volta de seu pescoço e tampou sua boca antes que ele pudesse gritar por ajuda, não que isso fosse ajudar, e com o outro braço começou a socar seu estomago, onde ele havia costurado os pontos, fazendo a dor dos golpes ainda maior.
— AONDE ESTÃO OS ÍNDIOS DE MERDA PARA TE PROTEGER, VADIA GORDA! Marcelo gritou de euforia, perdendo o controle sobre a discrição de não querer ser pego espancando o Osvaldo de novo, enquanto seus amigos mais, uma vez lhe incentivavam a continuar entre zombarias e risos, e como o natural das coisas, nenhum professor intervia, nem mesmo os hipócritas que passaram o vídeo educacional anti-bullying na sala de aula.
— O que está acontecendo aqui?! Disse uma voz forte e estridente.
— Ahh, isso só pode ser zoação! Marcelo disse se lamentando e se afastando discretamente de Osvaldo, enquanto o mesmo tomava uma longa respiração através da dor.
— Outro índio de merda! O QUE?! Vocês agora estão por toda parte é?! Disse Marcelo, irritado e aborrecido que seu tempo surrando Osvaldo no estomago havia sido interrompido. Que pedaço de merda. Osvaldo pensou.
— Ahh, o idiota covarde ficou triste pela ''diversão " ter sido interrompida, eh? Osvaldo virou o quanto podia virar para ver de onde vinham a voz, embora doesse muito se mover, ele estava curioso para saber quem tinha impedido outra vil surra sobre sua bunda fraca, e viu um cara enorme com a pele cor de caramelo e os olhos pretos azulados, usava um uniforme da companhia de ônibus de viagem. Ahhh então ele é o motorista do ônibus.
— Eu fiz uma pergunta, meu jovem?! Quem deixou você intimidar e ameaçar fisicamente seu colega de escola dentro do meu ônibus!! O homem estava furioso, seus olhos pretos brilhavam de raiva, como se umas chamas negras dançassem neles, como se percebendo sua apreensão e medo diante da cena, o homem olhou para Valdo.
— Você está bem, meu jovem? Perguntou Elaine, era o que estava escrito no crachá, com um olhar suave, amável e preocupado, fazendo ele se lembrar de Rudá e Piatã quando olhava para ele. Algumas horas longe da aldeia, e Osvaldo já sentia falta deles como se os conhecesse a anos.
— S-Sim! Gaguejou Valdim.
— Venha para cá, meu jovem. Pegue suas coisas e sente no banco que tem ao lado do banco do motorista, dentro da cabine.
— Ahhh, seu motorista de merda! Você não é meu pai para falar comigo desse jeito!
— Ahh menino, eu com certeza não sou seu pai! Começou a dizer Elaine com a cara enojada, pensando como seria ter um laço de sangue com pedaço de merda como esse.
— Se eu fosse seu pai, te ensinaria a respeitar as pessoas, e a não intimidar aqueles que você pensa serem mais fracos que você! Marcelo queimava de raiva por dentro, e como o típico cara covarde e arrogante que era ao ouvir verdades sobre seu comportamento.
— Ahh seu índio idiota! Você não conhece meu pai, ele tem contatos em toda a cidade, e basta uma ligação para o seu chefe, e você amanhã não terá mais emprego! Osvaldo estremeceu ao ouvir isso, sabia que esse fato era verdade.
Ademir Lopes era conhecido até nos bairros mais pobres do Rio de Janeiro, e ele ficou com medo de que por culpa de toda atenção que ele está chamando para si por Elaine defende-lo, prejudicaria o cara no seu emprego, o que Rudá pensaria se descobrisse que por culpa dele um membro da aldeia ficasse desempregado. O que surpreendeu Osvaldo foi quando Elaine começou a rir, o riso sem humor e profundo que assustou alguns passageiros e até mesmo alguns professores que estavam ali.
— Você, sua merdinha arrogante filhinho do papai, pode chama-lo e dizer que o dono da companhia de ônibus de viagens, que por acaso sou eu, estou prestes a chutar sua bunda covarde para fora desse ônibus junto com um desses professores inúteis e malditamente silenciosos do caralho para conseguir seu próprio jeito de chegar até em casa, se quiser posso até reembolsar o dinheiro do aluguel do ônibus só para não ouvir sua voz irritante. A voz do cara era assustadora e maldosa, Marcelo logo perdeu a postura arrogante, e Elaine aproveitou para se aproximar perto dele, seu tamanho engolindo o espaço pessoal de Marcelo.
— E ai, meu jovem! Faça a porra da ligação, vou dirigir meu ônibus até a próxima estação de descanso para motoristas e você junto com um professor responsável podem se virar a partir dali. E diga a verdade menino covarde, ou minhas câmeras dirão por você.
— Por que vocês índios se importam tanto com bichinha de merda ali, pensei que vocês índios fossem durões como nos filmes. Disse Mariana, do fundo do ônibus.
— Ó menininha, nós somos durões, ooohh se somos! Disse Elaine numa voz fria e sem humor. -Precisamos ser, para proteger os jovens, as mulheres e os velhacos da nossa aldeia de qualquer mal, e quando digo qualquer mal me refiro a violência física e verbal causadas sobre as mais diversas circunstancias!
— O gorducho não é da sua aldeia! Gritou um aluno do fundo. Elaine respirou fundo, como se estivesse frustrado por procurar alguma paciência inexistente dentro dele.
— Vou explicar em palavras didáticas para vocês sobre o respeito aos seus semelhantes: As minhas frotas de ônibus são uma extensão da minha aldeia, qualquer um que entre nele está sob minha proteção; a fundação do índio, tem uma parceria comigo em nível estadual, ou seja todo estado, ao inserir programas anti-bullying e diversidade de gênero, etnia e sexual para permitir a entrada de minorias em programas sociais e eventos culturais. Entendido alunos?
— Então, só porque o cara é viado, ele tem mais direitos que a gente?
— Ohhh espirito da terra dai-me paciência para esses alunos idiotas! Osvaldo ouviu Elaine murmurando com raiva...
— O que o motorista quer dizer. A professora de história nacional começou.
— E que Osvaldo Cairo teve que se submeter a cursos, provas de admissão e trabalho voluntario para ser aceito num programa de bolsas dado a pessoas sem pouco recursos e com algum fator de minoria em seu currículo para receber amparo do governo para ter educação nas melhores escolas, participar de eventos e excursões.
— Ou seja, enquanto vocês, filhinhos de papai tiveram o dinheiro para pagar por tudo isso, Osvaldo teve que ralar a bunda dele o bastante para entrar num colégio cheio de idiotas intolerantes e professores inúteis, sendo um dos únicos méritos, foi conseguir visitar minha aldeia, com algum de vocês estragando tudo com o maldito preconceito. Osvaldo ficou impressionado com Elaine e a professora de História sabendo tudo isso sobre ele, nunca teve seus esforços reconhecidos, e ele queria chorar de emoção.
— Vamos Sr. Cairo, antes que esses meninos "inteligentes" me perguntem mais alguma e eu perca a paciência. Osvaldo tentou juntar suas coisas o mais rápido que conseguia através da dor que sentia, seu estomago doía, e os pontos se abriram, fazendo sua camisa se sujar de sangue, sem falar na sua perna esquerda que doía ainda pelo que aconteceu no bosque, ele ainda mancava, sabia que não tinha quebrado nada, mas ainda doía como o inferno.
— Merda Valdo! Elaine viu sua dificuldade ao tentar se levantar e juntar suas coisas.
— Você! O índio apontou para um aluno.
— Pegue os pertences do Sr. Cairo, enquanto o ajudo a caminhar até o banco da frente.
— Sim, senhor!
Finalmente Osvaldo teria algumas horas de paz, sem agressões e sem preocupações
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