Notas iniciais
Não gosto de nomear capítulos, mas se eu quisesse nomear, eu colocaria de nomes e apelidos. Um personagem novo aparece nesse capitulo e eu morro de medo de gostarem dele. Deixe seu comentário ou sua recomendação. Boa leitura.

Osvaldo acordou com um ruído baixo e discreto, mas agora seus sentidos estavam em alerta, devido a cama não parecer a cama do apartamento, essa cama parecia suficientemente mais confortável que do acampamento, ele abriu os olhos e se viu ao redor de um quarto de madeira e um teto de palha e telha, estava bem aquecido o lugar.

Até que ele olhou para o outro lado e tomou um susto quando viu um rapaz pequeno, um índio na verdade, escorado perto da porta, ele parecia uma criança na puberdade, se é que não era, mas não , não era, ele podia ver pelos olhos, eles eram inteligentes e frios o bastante pra não ser de uma criança ou um adolescente. Mas o que veio a seguir logo lhe fez duvidar por um instante, ele não estava esperando sair um sorriso tão encantador de um homem tão lindo e... fofo?!

— Oi, eu sou Piatã, e você quem é? Disse o pequeno homem com um sorriso lindo e uma voz suave e quase infantil.

— Meu nome é Osvaldo. Onde estou?

— Osvaldo? Que mãe em boa sanidade daria um nome feio desse ao filho! Disse Piatã olhando para ele preocupado com as mãos na cintura balançando a cabeça com se não soubesse o que fazer com Osvaldo e sua terrível mãe. Osvaldo não ia se dar ao trabalho de comentar que o nome do baixinho era mais esquisito que o dele, pelo menos no lugar onde ele vivia, era. O que era Piatã realmente?!

— Ok Valdin, vamos para o almoço antes que volte a ...

— O QUE você ME CHAMOU?! Osvaldo disse exasperado e com vergonha, quase gritando.

— Não reclame, que esse apelido é uma forma de você menos se envergonhar por aqui. Sua mãe devia ser presa por te nomear desse jeito. Osvaldo segurou os lábios para não retrucar o menino estranho, ele era fofo demais para ouvir palavras duras. E então de repente ele começou a rir devido a esse pensamento e então Piatã olhou para ele como se ele estivesse louco e então perguntou:

— O que foi tão engraçado que eu perdi?

— Você é muito fofo Piatã! Disse Osvaldo dando um risinho e Piatã deu um belo de um rosnado e depois ficou vermelho como um tomate maduro e sussurrou.

— Eu não sou fofo!!

— Ahhh, você está corando e ficando mais fofo! Disse Osvaldo realmente deslumbrado com a inocência do jovem e querendo terrivelmente apertar aquelas bochechas bronzeadas. Ele ergueu as mãos indo para o rosto do jovem até que o mesmo deu outro rosnado.

— Não ouse apertar minhas bochechas. Disse Piatã irritado e ainda rubro.

— AAhhhh!! Mas você é tão fofinho e apertável!

— AHHH Chega Valdin! Precisamos ir para o almoço.

— Já é outro dia? Perguntou Osvaldo desesperado por ter dormido tanto.

— Sim já é sim outro dia! Você dormiu feita uma pedra. E é exatamente isso que eu queria perguntar sem querer ofender.... Eu sei que você está machucado e tal, mas por que você dormiu tanto? Você costuma dormir tanto, Valdim? Perguntou Piatã entortando o pescoço olhando para ele com um rosto que expressava uma curiosidade sem malicia sem ser tendenciosa. Era uma curiosidade inocente. Ela nunca conheceria um índio tão fofo como aquele na sua vida, a não ser talvez, os bebes da aldeia, eles deviam ser mais fofos, ele ficou sorridente pensando nisso.

— Piatã, mesmo antes de aparecer aqui eu não conseguia dormir direito, o lugar onde eu moro é meio barulhento esses tempos. Então perdi bastante sono esses dias...

— Que lugar que você mora que é tão barulhento assim?

— Moro numa favela do Rio de Janeiro. Disse Osvaldo meio acanhado, não querendo responder.

— Pelo espirito sagrado da terra! Não me diga que você mora naquela terra sem dono onde acontece tiroteio dia e noite. Disse Piatã ficando pálido de repente, a preocupação saltava dos seus olhos, já dizia muito do rapaz que se preocupara com um mero estranho que mal se conhecia por meia hora, e dar-lhe um voto de confiança.

E só foi começar a falar do lugar onde morava para lembrar-se de seu irmão querido, e voltar a se preocupar novamente, ele precisava o quanto antes saber como estava seu irmão. E foi aí que ele olhou ao redor e perguntou a si mesmo se aquele lugar teria um telefone que ele pudesse usar.

— Vocês têm algum telefone que eu possa usar somente dois minutos? Osvaldo imploraria se fosse preciso. Mas ele precisava saber do seu irmão.

— Se for pela excursão, saiba que eles já foram avisados e você precisa voltar hoje de tarde ainda.

— Não é a excursão, Piatã.... Será que posso usar seu telefone? É uma chamada para o Rio de Janeiro, por favor eu te imploro, me deixe usar, por favor! Realmente Osvaldo tinham implorado já de primeira, ele precisava saber que seu irmão estava bem...

— Não precisa falar assim Valdim!! Logico que emprestamos o telefone, pode ligar para onde quiser e demorar o tempo que for necessário. Nunca mais me peça algo desse jeito, eu sou seu amigo, jamais te negaria alguma coisa. Piatã falou novamente com ele, com as mãos na cintura olhando preocupado e sem saber o que fazer com ele.

— Obrigado Piatã. De verdade, obrigado.

— O que tanto é que você agradece a meu irmãozinho? Osvaldo se assustou com a voz grave que se ouviu tão repentinamente, um corpo enorme e escuro se fez presença ao lado de Piatã, que supostamente era irmão dele. Ao olhar para cima, sentiu que o rosto que via era estranhamente familiar e conhecido, pena que não se lembrara de onde.

Rudá olhava de forma curiosa para Osvaldo, ele tinha ouvido toda conversa que tiveram entre si. Será que Osvaldo lembraria dele? Ele se lembrara do momento em que encontrara o rapaz com dor e se estivesse no lugar não lembraria nem em um milhão anos de qualquer rosto sequer. Mas estranhamente, ele queria ser lembrado por aquele rapaz.

— Osvaldo estava, tipo, implorando para eu emprestar nosso telefone. Disse seu irmão com um tom preocupado.

— Por que ele precisaria implorar, Piatã, o que você fez a esse pobre menino? Disse Rudá com autoridade.

— EI!! Eu não fiz nada! Ele é tímido demais e acha que vamos negar-lhe qualquer coisa!

— Ei! Eu não sou tímido e não falem de mim como se não estivesse aqui. Disse Osvaldo num tom brincalhão e curioso.

— É tímido sim! Além de bonitinho em um caminho quente! Rudá quase rosnou para o seu irmão ao ouvi-lo flertando com o Osvaldo. Agora ... Da onde estava vindo toda essa possesividade e por que dela estar lá em primeiro. Ele precisava parar com isso.

— Além de cheirar bem! Continuou Piatã a elogia-lo até que Rudá se atreveu a cheirar Osvaldo para comprovar a veracidade da informação... E foi aí que seu lobo uivou dentro dele... O cheiro de romã e urucum era forte e afrodisíaco, e um elo invencível ligava ele a Osvaldo, seu lobo choramingava de saudades, como se já tivesse tomado um gosto de Osvaldo por ele mesmo...

— Finalmente. Piatã, seu irmão, sussurrou para si mesmo. Então quer dizer que seu irmão já sabia, aahhh é claro que ele ia saber que Osvaldo era seu companheiro. Ninguém sabia na aldeia, e seu irmão também nem imaginara que ele sabia do seu pequeno segredo; Piatã tinha o dom de adivinhar ou reconhecer o companheiro de outras pessoas.

Mas ele nunca soube a extensão dos dons do seu irmão, pois Piatã nem tinha conhecimento de que ele sabia de seu segredo, ele só descobrira depois que encontrou um caderno vermelho com um grande coração estampado e dentro nomes correlacionados dentro de outros grandes corações com uma flecha atravessada num típico desenho romântico, ele chegou até desenhar anjinhos.

Os nomes que ele tinha visto naquele caderno com laços de companheiros era preocupante, ele precisava organizar a aldeia e a pousada para que não houvesse problemas futuros. Mas agora ele tinha encontrado seu companheiro e seus olhos não se desviavam um momento sequer dos olhos de Osvaldo que lhe olhava com curiosidade e certo anseio. Mas pelo que?

— Irmão, o Valdim precisa telefonar, comer e voltar para o acampamento?

— Quem precisa fazer tudo isso? Rudá perguntou confuso.

— O Valdim! Seu irmão respondeu apontando para Osvaldo e o dito cujo virando os olhos de tédio para o apelido dado por Piatã. Mas Rudá estranhamente gostou do apelido.

— Vamos lá, Valdim. Chamou Rudá pelas costas enquanto saia do quarto, com Piatã e Valdim no seu encalco, esfomeados.

Notas finais
Na estréia desse Original, publiquei 3 capítulos de uma vez, mas será uma vez por semana. Espero que tenham gostado e compartilhe se gostou. Até a próxima semana.