Osvaldo | Companheiros Sagrados I
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Osvaldo não se preocupara em mexer um dedo, o chão estava mais confortável que a provável dor que ele sentiria se mexesse seu corpo um centímetro sequer, mas o que mais lhe preocupava agora era o fato do lobo estar muito próximo dali ele sabia ele podia sentir que o lobo estava mais e mais próximo dali, mas ainda não adivinhara porque o lobo não o atacara como se devia ser, será que finalmente alguém teve pena e finalmente o deixaria sozinho dessa vez.
Ele sentia o lobo se aproximando mais e mais, e talvez não ele tivesse tanta sorte, talvez o lobo esteja só esperando a hora certa para come-lo, ele esperava que não fosse doloroso, esperava que o lobo o matasse primeiro antes de tudo.
— Vá em frente, lobo. Pode me comer, eu não vou te impedir! Todos querem isso, de vez em quando até mesmo eu. Então somente termine com isso! Osvaldo ficou dizendo como se o lobo realmente estivesse perto e pudesse lhe ouvir e entender.
— Você está bem, cara? Ele ouviu um cara com um sotaque forte se aproximar e perguntar para ele. — O que aconteceu com você, garoto?
— Cadê o lobo? Perguntou Osvaldo ainda atordoado, e ainda assim preferindo um lobo a um estranho perto dele.
— Que lobo, cara? A voz continuou a falar e Osvaldo ainda não olhara para cima para ver quem é, o peso das coisas que aconteceram com ele meia hora atrás ainda não passaram pela sua cabeça, e ele só queria ficar ali e pensar.
— O que aconteceu aqui, garoto? Me diga! A voz continuou, grave e forte, mas parecia que a pessoa não falava português constantemente. Mas algo na voz do homem o levou a querer respondê-lo corretamente.
— Eu fui fraco e bateram em mim.
— Quem fez isso, rapaz?
— Não importa, senhor...
— Eu sou Rudá, rapaz e sim, realmente importa quem fez isso! Então me diga quem?
— Foram meus colegas de classe.
— O que!! O homem esbravejou com raiva, como se tivessem batido nele e não em Osvaldo. — Como colegas de classe podem bater numa pessoa sozinha e indefesa. O que você fez, rapaz?
— O que você fez, rapaz? Para merecer que eles te batessem? Perguntou novamente Rudá com autoridade, e Osvaldo levantou-se finalmente do chão para olhar para Rudá nos olhos, mas se assustou ao ver homem.
— Você é um índio!! Osvaldo disse surpreso e exasperado.
— E você é um negro! Disse Rudá com sarcasmo, como se tivesse sido ofendido.
— Desculpa, eu não quis dizer nesse tom. Mas eu nunca tinha visto um índio de perto e sua pele é tão linda... er... quer dizer ... er... Osvaldo se atrapalhou na última parte, quando ele ia aprender a pensar antes de falar, ele não tinha que dizer que a pele do cara era bonita e agora ele passara vergonha por si mesmo. Por tudo que ele sabia o homem podia terminar o serviço que os adolescentes fudidos da cabeça começaram por ver que ele é gay.
Os olhos de Rudá, o índio, olhavam fixos no dele e viu o índio procura alguma coisa dentro de si através do olhar, e aí a expressão do seu rosto se mostrou confusa e curiosa, como se ele quisesse perguntar algo e não pudesse realmente, e Osvaldo não iria atrapalhar a linha de pensamentos do cara, o homem estava só de shorts sem camisa e exibia um corpo forte e musculoso que poderia lhe quebrar se fizesse um movimento em falso.
Não que ele não se sentisse atraído pelo índio, mas o medo e sua autopreservação inútil não lhe deixava ter segundos pensamentos sobre Rudá, pelo menos, não todo momento, ele também era adolescente, mas sua vida não o deixava ele ter o prazer de se descobrir na puberdade ou de ter alguma experiência amorosa ou sexual, ele com 17 anos, ainda nem havia beijado alguém, e tudo que ele sabe sobre sexualidade ele aprendeu nos livros de ciências que ele tinha, que falava sobre o corpo humano.
— Eu perguntei, o que você fez garoto para que lhe surrassem? O índio perguntou com autoridade e seu suposto sotaque estava menos grave agora e o português mais entendível.
— Eu não fiz nada, senhor!
— Me chame de Rudá e não senhor. E também, por que as pessoas bateriam sem motivo num cara?
— Ninguém faz nada sem motivo, senh... Saraiva! Mas nem por isso, os motivos deixam de ser irracionais. Disse Osvaldo olhando Rudá com um olhar misterioso.
Rudá não entendia o que estava acontecendo ali, ele sabia o que tinha acontecido com o garoto, ele não tinha que perguntar para saber, ele tinha visto tudo quando os jovens começaram a gritar aquela frase horrível enquanto batia no cara... Mas estranhamente ele precisava ouvir do cara abatido alguma coisa sobre tudo aquilo, e essas últimas palavras ditas por ele soaram cansadas, dolorosas, sabias e de alguém velho, mas ele estava em frente a uma criança praticamente. Se bem que seu corpo não reagia ao cara com se ele fosse uma criança, seu corpo se sentia atraído ao corpo tão sensual daquele garoto.
— Quantos anos você tem, garoto?
— 17. Porque? Perguntou o garoto em genuína curiosidade, e Rudá tinha que tentar ser agradável com o jovem, ele sentia que devia protege-lo por algum motivo desconhecido.
— Não precisa dizer mais nada sobre o ocorrido estava caminhando na floresta e ouvi os jovens gritando...
— O que!? Ahh meu deus, que vergonha! Disse Osvaldo assustado e com dor, seu rosto ficando rubro e triste. Rudá não queria ver o rosto do cara triste e nem com vergonha.
— Os únicos que deviam sentir vergonha eram os jovens que disseram aquilo enquanto te batiam... Ainda não entendo, o porquê de isso ter acontecido? Rudá perguntou sinceramente mais para si mesmo do que para o cara na frente dele. E rosto do garoto bonito continuou rubro, mas as expressões do rosto do cara começaram a ficar tensas e rígidas como se estivesse com raiva, até que ele explodiu.
— Porque ninguém sabe me deixar em paz! Ninguém sabe me deixar quieto, todos têm sempre que me incomodar e me machucar!! Seus olhos preenchidos de humilhação, raiva e dor. Como se já tivesse passado por isso várias outras vezes. Rudá entendeu que aquela não era a primeira agressão a ele. E foi aí que ele viu o cansaço cair sobre o jovem sendo que o mesmo lhe olhou nos olhos, os seus como se tivessem desistido e soavam perdidos, e disse:
— Meu nome é Osvaldo Cairo. Sei que vai ser estranho eu pedir isso, mas segure meu corpo, porque eu vou desmai... E para Rudá quase foi tarde demais, mas ele tinha sido rápido o suficiente para pegar o corpo desfalecendo antes de encontrar o chão.
— Osvaldo, acorde! Osvaldo! Osvaldo! Rudá tentou acordar de novo e de novo mais nada acontecia e Rudá em um desespero que ele não conseguiu identificar da onde vinha, verificou os sinais vitais de Osvaldo, e ele enfim suspirou ao ouvir o coração pulsando por debaixo daquele camisa larga e suas mãos sem malicia foram gentilmente para o peito do jovem para senti-lo respirar, e suas mãos quase caíram em tentação de apertar avidamente aquele corpo que pelo pouco que sentira era um banquete para um amante que soubesse ser carinhoso.
Rudá saiu de seus devaneios e tomou Osvaldo no colo, o corpo cheio de massa preenchendo seus braços e algo tocou nele àquela hora, como se Osvaldo fosse algo que devia proteger e estar lá para sempre em seus braços, Rudá não conseguia entender todas essas sensações e pensamentos, ele precisava levar Osvaldo até Ubira. E seu corpo se fez veloz pela floresta a caminho da aldeia que não se via tão longe.
Ubira, o ancião e curandeiro da aldeia, onde estavam agora, tirou a camiseta de Osvaldo para passar a pasta de ervas nas contusões e aliviar a dor e a vermelhidão que mesmo sobre tez tão negra ainda se viam claras e preocupantes. Rudá estava ao lado de Ubira, soando estranhamente preocupado e triste pelo jovem naquele estado. Ubira olhou para Rudá com curiosidade.
— O que passa, meu filho? Por que tanta tristeza?
— Ele foi ferido! Disse Rudá irado acompanhado de um rosnado forte e estrovejante.
— Ele está bem, nada do que não possa curar, não se faz necessário tanta preocupação pelo desconhecido.
— Eu sinto, mestre... er... eu sinto... Começou Rudá a dizer, e os olhos de Ubira se viam surpresos e preocupados, Rudá a muito tempo quando lhe foi entregue o título de Pajé, líder soberano da aldeia, havia parado de o chamar de mestre, isso para Ubira significava que Rudá precisava de orientação, e seria uma honra para Ubira.
— Eu sinto, mestre, como se ele fizesse parte da aldeia, como se ele fosse um de nós.... Rudá disse aquilo com confiança e como se fosse uma honra, e Ubira já sabia o que estava acontecendo, mas não sabia como lidar com aquilo diretamente.
Desde que um Deus fez uma aparição surpreendente na floresta para ele numa noite sem lua, ele foi avisado pelo Deus que seus dias de Pajé estavam ao fim, que uma nova era na aldeia estava prestes a começar e Ubira não teria a mente aberta para aceitar plenamente essa nova fase na aldeia, e agora entendia a sabedoria daquele Deus, ele sabia que o melhor é Rudá ser o Pajé da aldeia e não era preciso o Deus de nossa tribo dizer para Ubira saber que Rudá governaria por mais tempo que ele.
— Creio que não posso ajudar-lhe, Pajé Rudá. Mas tem alguém que poderá sanar suas dúvidas sobre esse rapaz...
— Quem, mestre?
— Seu lobo ajudara-lhe sabiamente. Confie em mim, respeitável Pajé.
— E nunca deixei de confiar-lhe. Seguirei seus sábios conselhos.
— Obrigado pela honra de orientar-lhe. Disse Ubira terminando suas formalidades. — Osvaldo vai ficar bem, mas ele precisa voltar ao acampamento amanhã cedo, se não o ponto de excursão ficara com má fama, e ele é nossa fonte de recursos principal.
— Concordo, mas estou com medo do ocorrido se repetir.
— Mande nossas sentinelas vigiarem a excursão. Esse clima de paz não pode ser quebrado por um bando de jovens intolerantes...
— Sempre os conselhos mais sábios, mestre.
— Uma pessoa com sua autoridade não deve me chamar de mestre, senhor...
— Ah tá... Rudá disse quebrando a formalidade e Ubira indo jantar.
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