Notas iniciais
Gente... ola? Alguém aí? Gente, sem muitas delongas. Minha vida se encheu de problemas... Então como presente a vcs vou postar 4 capítulos hj ainda de Osvaldo... Deixe seu comentário e tudo mais... Enfim, vamos conhecer Rosimar... Como será ele?

Acir viu Osvaldo se apressar em destrancar a porta, com Elaine atrás dele. A viagem tinha sido longa demais. Ele não sabia que Elaine tinha que deixar alguns alunos direto em suas casas. E como Osvaldo quis ficar com Elaine, Acir por tabela seguiu o ônibus. Pelo menos Elaine foi legal o suficiente, pra esperar ele abastecer quando o carro pediu.

E agora, aqui estavam eles, na favela. Subindo um morro com ruas semi-asfaltadas. Com casas dos mais diferentes tipos. Osvaldo morava numa parte comercial da favela. Era a parte mais afastada da avenida principal que levava ao centro urbano da cidade. Era difícil de entender o quanto, Osvaldo tinha que caminhar ou percorrer de ônibus para chegar num colégio que ficava no coração da cidade.

Ele carregava os pertences de Osvaldo até a porta, depois teria que voltar pra buscar sua pequena mala. Osvaldo já tinha convidado, ele e Elaine para ficarem na casa deles.

— Rosimar, cheguei. Osvaldo gritou para dentro da pequena sala. Seu irmão apareceu, Acir se surpreendeu com o irmão do cara. Diferente de Osvaldo, o cara era alto, 1,95m e não era gordo, mas tinha uns quilos extras, mas o peso foi bem distribuído e o cara tinha músculos apertados em seus braços, o cabelo era raspado mantendo o cabelo curto bem rente ao couro cabeludo. Os olhos e o tom de pele escuro era a única semelhança que os irmãos compartilhavam.

— Se não é meu pequeno irmãozinho doce. Rosimar disse carinhosamente saindo dos fundos da casa, e Osvaldo foi correndo animado para abraça-lo. Seu irmão o abraçou apertado e forte, o levantando do chão. Rosimar se sentou no sofá, levando Osvaldo junto com ele, e colocando habilmente em seu colo. Rosimar começou a dar beijinhos no rosto de seu irmão, e Osvaldo começou a corar fortemente.

— Pare com isso irmão, temos visitas. Disse Osvaldo histérico por estar envergonhado.

— Visitas? Como assim? Rosimar olhou para a porta e viu Acir e Elaine parados no pé da porta.

— Vavá, quem são eles? Rosimar perguntou a Osvaldo, usando seu apelido.

— Eles são da aldeia indígena que eu fui visitar, esses são Acir e Elaine. Osvaldo apontou se aproximando da porta. Acir viu os olhos de Rosimar mudarem ao olhar para eles, a postura corporal do cara também mudou.

— E porque eles vieram até aqui, Vavá? Seu irmão perguntou suavemente olhando para Osvaldo com amor e carinho.

— Nós viemos acompanha-lo até em casa com segurança. Elaine respondeu interrompendo. Rosimar olhou agora com preocupação e cuidado para seu irmão.

— O que aconteceu, Osvaldo? Você sabe que você pode me contar tudo ne? Rosimar perguntou sério. Osvaldo ficou envergonhado e tímido repentinamente.

— Nada, Rosi. Respondeu suavemente e com a cabeça baixa.

— Osvaldo, olhe para mim! Rosi disse um pouco enérgico e com alguma autoridade.

— Eu sei que está mentindo. Rosimar disse olhando nos seus olhos, até que Acir viu os olhos de Rosimar se enchendo de raiva contida.

— Que cortes são esses no seu rosto, você está machucado em algum outro lugar que eu não sei? Rosimar começou a tatear seu irmão a procura de ferimentos, até que ele sentiu a atadura enrolada no estomago. Seu rosto ficou sombrio e em seus olhos nadavam a tristeza e uma fúria encoberta.

— Eu te faço tirar férias desse lugar asqueroso, e você volta todo machucado e enfaixado. O que aconteceu com você? Quem te fez isso? Olhe para mim Vavá e responda. Disse num tom suave, mas ainda assim autoritário.

— Por favor irmão. Eu só quero esquecer isso e descansar um pouco. Não pergunte nada, por favor. Osvaldo suplicou com lagrimas caindo no seu rosto.

— Oh Vavá! Como eu posso te proteger se você nunca me conta nada. Rosimar disse abraçando seu irmão e dando um beijo em sua bochecha, seus olhos molhados e cheios de dor.

— Eu estou bem, irmão. Eu juro. Disse Osvaldo como se sentisse a dor de irmão.

— Não, você não está bem. Mas eu vou fazer você ficar. Disse Rosimar salpicando de beijos o rosto de seu irmão.

— Entre Elaine e Acir, fiquem à vontade. Disse Osvaldo por cima do ombro do seu irmão.

Acir estava estranhando tudo aquilo, nunca tinha visto dois irmãos terem tanto carinho um com outro. Rosimar beijava e tocava seu irmão de forma muito intima, como se fossem amantes. Osvaldo estava no colo do seu irmão, o que também era muito intimo se tratando de dois irmãos. Não que ele era alguém para julgar isso, ele sabia que em certas aldeias indígenas, havia pratica incestuosa entre os membros da aldeia.

Não que isso entre Osvaldo e seu irmão beirasse ao incesto, mas Acir não pode deixar de notar a intimidade de um para com outro, era como seu Osvaldo tivesse seis anos e Rosimar fosse o pai dele. Mas como os dois tinham pouca diferença de idade, aquilo soava estranho para quem visse, isso e o olhar contido de Rosimar para Osvaldo. Sem falar, que o cara levantou o cara gordo como se ele não pesasse nada, se o cara fosse um humano forte ou um shifter podia justificar aquilo, mas Rosimar não parecia forte em nada.

— Vamos, entrem. Osvaldo correu até Elaine e o puxou pelo braço, Acir foi junto.

— Vou fazer o jantar e espero que nos acompanhe. Não temos muito, mas posso cozinhar uma macarronada com sardinha deliciosa. Acir ficou tentado a aceitar o convite, mas ouvir Osvaldo sussurrar.

— Me desculpem, mas por favor não aceitem. Elaine que até agora não falara muito, limpou a garganta como se tentasse achar palavras a dizer.

— Oh muito obrigado, Rosimar, mas eu tinha prometido a Osvaldo que íamos comer uma pizza, eu quero que você nos acompanhe. Elaine disse numa voz suave e amigável.

— Obrigado, mas isso não é necessário...

— Por favor, eu insisto. Acir não entendia o porquê de Elaine estar oferecendo para leva-los para comer, ele preferiria o espaguete com sardinha.

— Por favor, irmão. Vamos lá! Disse Osvaldo com uma falsa animação. Acir viu os olhos de Rosimar brilhar com carinho para Osvaldo.

— Ok, tudo bem. Mas não vamos sair, é muito perigoso lá fora. Mais fácil pedir para eles entregarem. Enquanto isso, os senhores podem colocar o carro de vocês atrás da casa, tenho certeza que tem espaço.

— Ok, obrigado pela hospitalidade. Disse Elaine solenemente.

— Sim, obrigado. Acir disse e saiu acompanhando Elaine, quando Acir viu Elaine terminar a ligação para pizzaria.

— Eu sei que Osvaldo pediu para não aceitar, mas eu estou louco por uma comida caseira e não por uma pizza. Disse Acir com o estomago roncando.

— Você é um idiota mesmo ne? Será que você não percebeu?

— O que?

— Eles são pobres, idiotas. Provavelmente, Rosimar faria comida para nós que serviria para a refeição de outros dias. Foi por isso que Osvaldo pediu discretamente para a gente recusar. Eles não devem ter dinheiro para esbanjar um jantar para visitas. Foi por isso que eu inventei a coisa da pizza.

Acir se sentiu um idiota, e ele se lembrou da sua infância com sua Vó, quando chegava visitas sua Vó oferecia uma comida que ele mal tinha para os dois, tudo com bondade e carinho para as visitas que chegavam, seu peito apertou com o pensamento das épocas difíceis que ele e muitas outras pessoas já tiveram que passar.

— Ok, desculpe.

— Tudo bem, vamos lá. Temos que proteger Osvaldo. Elaine disse, batendo em suas costas.

Enquanto esperavam pela pizza, Rosimar perguntavam com todos na sala:

— Então quem mandou vocês dois para protegerem Vavá durante sua viagem de volta.

— O pajé e seu irmão, senhor. Respondeu Acir com formalidade, não querendo estragar de novo sua missão com Osvaldo.

— Nossa! Não sabia que o líder da aldeia se preocupavam tanto com os hospedes das cabanas de excursão. Rosimar estava impressionado, e Acir viu Valdo ganhar um tom envermelhado no rosto, Elaine também percebeu. Eles sabiam que Valdo estava mexido com Rudá, era a ligação de companheiros entre eles.

— Err... Elaine limpou a garganta.

— O pajé e o seu irmão mais novo Piatã são amigos do Valdo.

— O que?! Como assim? Rosimar levantou a cabeça e ficou com os olhos arregalados diante da declaração.

— O Vavá não sabe a língua nativa da sua tribo, como ele conseguiu conversar com eles. Elaine riu, Rosimar não estava impressionado que Osvaldo tivesse amizades importantes e sim que os chefes indígenas não costumavam aprender línguas estrangeiras.

— O chefe da nossa aldeia e Piatã são mentes abertas e globalizados, mas claro sem deixar as tradições da aldeia.

— Meu lindo Vavá arrasando corações como sempre. Valdo bufou.

— Não sei que corações que você está falando. Sempre tive uma merda de sorte em fazer amigos, a primeira coisa que as pessoas falam para mim quando me conhecem é de como eu sou gordo e o meu cabelo esquisito. Acir abaixou a cabeça envergonhado, ele se lembrava de horas atrás pensar da mesma forma, como o cara em algumas horas poder mudar seus pensamentos e seus preconceitos. Mas ele não sabia o porquê de ainda não conseguir simpatizar com Osvaldo completamente, quando ele mostrou mais de si do que todos. Acir ouviu Rosimar dar um rosnado baixo, o que foi impressionante por vir de um humano.

— O que já falei sobre essa boca linda sair palavrões feios, e o que eu já disse sobre deixar as pessoas idiotas chegarem até você com o preconceito feio deles. Eles são idiotas por não quererem amizade com alguém tão especial como você, se eles não podem enxergar sua luz então eles não merecem sua amizade ou companhia. Elaine riu quando viu Osvaldo virou o rosto e rolar os olhos de tedio com o discurso amoroso do seu irmão.

— Meu irmão conseguiu amizade de pessoas especiais da aldeia, e que passaram a se preocupar com ele, ao ponto de mandarem pessoas treinadas para escolta-lo, isso é muito interessante. Rosimar disse com calma e num tom baixo e resguardado, o que chamou atenção de Elaine e Acir. Ambos perceberam o tom de voz cheio intenções e inteligência, como se Rosimar soubesse o que estava acontecendo realmente. Isso era impossível, não era?

— Então aquele número que você me ligou era o número da aldeia e não o do telefone público perto das cabanas?

— Sim. Disse Osvaldo ainda extremamente envergonhado sob o olhar avaliador do seu irmão.

— Então eu vou retornar à ligação e agradece-los pela preocupação pela manhã.

— Posso te dar o número agora se quiser. Elaine ofereceu.

— Não é necessário. Já tenho o número. Acir virou a cabeça rapidamente em direção a Rosimar com olhos arregalados.

— Mas como? As linhas telefônicas da residência do alfa e seu círculo interno são privadas. Ninguém tem acesso. Acir disse assustado sem perceber que usara termos da matilha na frente de um humano.

— Alfa? Círculo interno? Rosimar franziu os olhos em confusão. Elaine olhou de um lado para o outro, desviando seus olhos para Osvaldo, Rosimar e depois para Acir.

— Rosi, a aldeia onde eles vivem tem uma reserva florestal onde vivem lobos rubros, a aldeia em homenagem aos lobos que tem lá, que em suas tradições são sagrados, os membros da aldeia adotam termos relacionados a uma matilha de lobos, como círculo interno, alfa, beta, ômega e tal. Entendeu? Elaine franziu os olhos em confusão para Osvaldo, se perguntando como ele sabia disso. Essa era a mesma justificativa que ele usaria para contornar o deslize de Acir. Como se sentisse o olhar de Elaine sobre ele, Osvaldo olhou para ele um pouco maliciosamente, mas depois rapidamente sorriu.

— Piatã me contou isso. Valdo explicou. Elaine não sabia porque mas parece que Valdo sabia mais do que isso. Será que ele sabia sobre shifters? Mas era impossível, Piatã disse que ele não sabia nada e que não era para dizer até o alfa por ele mesmo conta a seu companheiro.

— Ok, a pizza chegou e já paguei. Vamos comer. Disse Acir em um tom alto e contundente, com quatros caixas na mão. Como se quisesse cortar o assunto. Então Elaine quebrou seu olhar observador direcionado a Osvaldo e lançou um olhar carregado de letalidade e morte a Acir.

— Vavá pare de olhar para o vazio e ajude com os pratos enquanto eu faço algo para beber. Disse Rosimar que já tinha ido para a cozinha. Elaine desviou o olhar para Osvaldo novamente e viu ele observando a troca de olhares entre ele e Acir.

— Já vou! Valdo disse já caminhando em direção a cozinha, mas olhou para atrás por um momento para os dois na sala, no mesmo instante em que uma brisa deslizava pela janela e indelicadamente passava sobre um dos cachos rebeldes e negros que escondia parte de seu rosto ao público, adicionando mistério a seus próximos dizeres:

— Comportem-se e mantenham seus segredos. Sussurrou Osvaldo como se fosse em segredo, inaudível ao um ouvido humano mas tendo certeza que seus convidados ouviriam.

Notas finais
Enfim, os dois guerreiros estão desconfiando de tudo e de todos. Os dois irmãos são cheios de segredos, né? Rosimar tem o numero da aldeia? Enfim, não percam o próximo capitulo. Bjos.