Já se passaram alguns minutos desde que o ano novo começou. Os fogos de artifício que foram arremessados para os ares partindo do iate russo do senhor Svidetel foram de fato um espetáculo honroso de assistir. Houve um último que foi o que mais te chamou a atenção. Um arrepio sentido na pele e uma lembrança que veio de imediato na mente. O céu fica em silêncio após o estouro do último fogo de artifício deixando o céu todo em vermelho.


De repente vem o flashback do sonho que teve quando estava na companhia de Meghan, Victor e Nat outrora em Atelis subindo as escadas da mansão antecedendo seu encontro com Joseph, como se lhe teletransportasse para lá por alguns segundos.


Uma mão passa pela sua cintura te trazendo de volta à realidade atual.


— S/N, tá bem? — Meghan pergunta.


— Sim, por que a pergunta?


— Sei lá, parecia distante com aquele olhar parado de gente doida.


— É, eu 'tava distante. Me lembrei de uma coisa. Mas nada de mais — você diz – Cadê a Lavínia?


— Olha, você conhece mais a sua amiga do que eu, mas eu também acho que já a conheço um pouco. Depois da queima de fogos eu não a vi mais. Nem ela e... nem aquele filho bastardo do Svidetel.


— Não acredito. Você acha que a Lavínia tá sozinha em algum lugar desse navio com aquele sujeito?


— Não só acho, mas como eu tenho certeza. Eu ouvi a mãe dela também perguntando pela sua amiga. Pela cara dela me parece preocupada. Eu acho melhor você mandar alguma mensagem pra ela e saber onde que ela pode ter se metido — Meghan sugere.


— É exatamente isso que eu vou fazer — você diz logo pegando seu telefone — A Lavínia tem histórico de ter se relacionado com caras babacas. Eu não posso deixar que ela se meta com mais um.



Enquanto tenta entrar em contato com Lavínia, seu pai, Joseph, se direciona a um certo círculo no meio do navio fazendo com que chame a atenção de todos. Com um sinal ele pede que parem de tocar a música eletrônica animada dos alto-falantes e segura um microfone se preparando para dizer algo.




— ​"Senhoras e senhores, se me permitem um momento da sua atenção...

​Para aqueles que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, eu sou Joseph Montenegro. É uma honra absoluta começar este novo ciclo cercado por mentes tão brilhantes e companhias tão seletas.

​Antes de qualquer coisa, gostaria de expressar minha mais profunda gratidão à família Svidetel. Esta celebração está impecável. A hospitalidade de vocês é, sem dúvida, o padrão de ouro que todos nós deveríamos aspirar. Organizar uma festa desta magnitude em pleno oceano não é apenas um evento, é uma declaração de bom gosto. Meus sinceros agradecimentos por nos receberem tão bem. ​Mas, como vocês sabem, eu não acredito que um ano novo deva começar apenas com promessas; ele deve começar com movimento. E é por isso que preparei uma pequena surpresa para todos os presentes nesta noite. ​Muitos de vocês acompanharam as notícias sobre o desenvolvimento da mobilidade urbana aérea. Tive o privilégio de ser um dos principais investidores e mentes por trás do projeto do novo táxi voador, uma tecnologia que, até ontem, parecia ficção científica, mas que hoje é realidade graças ao nosso aporte econômico e visão. ​Como presente de Ano Novo, eu organizei algo especial: logo mais, à disposição de vocês, logo ali no heliponto e na costa, virão duas das primeiras unidades operacionais para um passeio exclusivo. Quero que vocês sintam, quem ainda não teve a experiência, em primeira mão, o que é cruzar o horizonte sem trânsito, sem barreiras e com o mundo aos seus pés. ​Aproveitem a vista, aproveitem a tecnologia e, acima de tudo, aproveitem o futuro. Um brinde à ele. E à família Svidetel!"



Foi um discurso e tanto. Bem bonito. Não dá pra negar. Tanto que todos os presentes aplaudem e parecem ter ficado bem contentes ao ouvirem tais palavras.



— Um passeio no táxi voador? Então era isso que seu pai estava planejando? — Meghan pergunta.


— É meio inacreditável, mas parece que era. Deve ter tido a necessidade de querer mostrar algo, fazer um agrado. É meio inesperado até. Nossa, a Lavínia não atende — você fala ao mandar um “onde vc tá?” para ela.


— Será que ela tá bem?


— Tá. Lavínia sempre consegue se virar sozinha. Tenho certeza que no mar ela não se jogou. Pelo menos não ainda. Agora nós temos que ter alguma resposta pronta caso a dona Martha pergunte alguma coisa.


— Isso não tem com que se preocupar. Eu sou muito boa com respostas — Meghan diz dando um sorrisinho piscando o olho.



Minutos depois, em meio à bela noite gélida, as atenções se voltam para o céu quando dois pontos brilhantes vão se aproximando até pousarem no heliponto do navio, na popa, como Joseph havia dito.


Talvez por causa disso, talvez por coincidência, Lavínia reaparece bem no lugar onde estão, toda sorridente, esbelta, parecendo renovada, porém, na companhia de Vladimir, um dos irmãos Svidetel.


— Ei, por onde você esteve, garota? Nós estávamos te procurando há um tempo. Por que não atendeu as ligações de S/N? — Meghan pergunta analisando o estado de Lavínia.


— Eu acho que nem precisa perguntar. Você tem que aparecer pra sua mãe, senão ela vai ter um ataque de pânico — você diz.


— Preciso voltar onde está meu pápa. Te vejo depois? — pergunta Vladimir à Lavínia.


— Como se eu pudesse ir pra algum lugar fora daqui — Lavínia responde recebendo um beijo de Vladimir.


E então ele sai reunindo-se com sua família logo à frente para admirar os táxis voadores.


— "Meu pápa". Ele não é fofo? — pergunta Lavínia com "corações rosas nos olhos".


— No dia em que um anticristo parecer fofo pode ter certeza que ele vai querer devorar alguém inteiro — Meghan fala dando uma risada.



Assim que o filho Svidetel sai, Martha, a mãe de Lavínia, chega apressadamente claramente com expressão de preocupada. Joseph vem logo em seguida segurando uma taça de champanhe pra ver o que está acontecendo.



— Minha filha, eu fiquei horas te procurando. Onde você estava? Quer matar sua mãe do coração? Até num navio você não sossega, menina!


— Mãe, eu já tô aqui, não tô? Acontece que eu fiquei fascinada e fui conhecer tudo. Quer dizer, não sei nem se deu pra conhecer tudo, né? Ele é enorme — Lavínia fala.


— E por que não foi com S/N e Meghan? Você não recebeu as ligações no seu telefone? Isso significa que vocês por um momento não estavam no mesmo local — Martha diz.


— Me perdoe, dona Martha. Eu esqueci de mencionar à senhora. Exato. Teve um momento em que estávamos num local do navio, porém Lavínia foi ao banheiro e marcamos de nos encontrar em outro lugar. Ela deve ter se perdido — Meghan diz tentando justificar.


— Mas o que o telefone desligado tem a ver com tudo isso? Tem alguma coisa mal explicada nessa história.


— Dona Martha, não se preocupe. Eu estive de olho em todo o navio e posso assegurar que sua filha Lavínia não estava fazendo nada de errado. Relaxe, aproveite a festa. Por acaso, a senhorita não deseja me acompanhar em mais uma taça de champanhe? — Joseph pergunta introduzindo-se à conversa.


— Mas é que...


— Mas nada. Você não confia em mim?


— No senhor eu posso até confiar, mas não sei se confio nessas bebidas chiques. Será que eu devo? Eu não tenho costume com essas coisas refinadas.


— Mãe! — Lavínia exclama.


— Que foi minha filha? Você sabe que é verdade.


— Tá, mãe. Isso não importa agora. O que eu quero é andar em um desses táxi voadores. Você viu? O senhor Joseph trouxe dois deles pra cá. A senhora sabe que eu sempre quis andar em um desses.


— Não, você não vai andar num troço desse de jeito nenhum. Me desculpe, senhor Joseph. Eu sei que o senhor está envolvido na criação e desenvolvimento desse veículo, mas mesmo assim eu acho muito arriscado colocar minha filha pra andar num negócio desse — Martha fala seriamente.


— Eu te entendo, dona Martha. A segurança dos nossos filhos em primeiro lugar. Mas... sendo assim... por que a senhorita não vai na companhia de sua filha? Assim a senhora já testa antecipadamente o veículo do futuro. Todos estão ansiosos pra ter um desse. A senhora pode ser a sortuda de testar antes de todos os seus amigos e familiares, que tal? — Joseph sugere.


— Ah, não, não. É muito perigoso pra mim. Essas bebidas que estou tomando parecem muito mais inofensivas — ela brinca.


— Eu não vou nem insistir. Entendo o seu lado.


— Ótimo. Nesse caso eu quero ir também. A Cynthia vai ficar bem surpresa quando souber que eu andei num táxi voador — Lavínia diz.


— Quem é Cynthia mesmo? — Meghan pergunta.


— É a versão de Nevinny da Jennifer de Atelis — você responde.


— Ahh.


— Não, nem pensar, Lavínia. Você também não vai entrar num negócio desse. Nem por cima do meu cadáver — Martha fala, repreendendo a filha.


— Cadáver? Acho que não pretendemos ver nenhum hoje à noite — comenta Joseph chamando sua atenção.


— Mas é totalmente seguro, mãe — diz Lavínia — Foi o pai de S/N que ajudou a construir. Se não fosse seguro você acha que ele daria esse presente pra gente aproveitar?


— Não teime comigo, menina!


— Além do mais eu não vou sozinha. Eu posso ir com... S/N.


— O quê? Não, eu.... não sei se vou querer andar num... táxi voador — você diz enquanto observa a estrutura do veículo.


Ele parece bem atraente, moderno e futurista. Seria legar ter um passeio numa máquina dessa, não é?


— Ótimo. Eu vou com S/N. Pronto, mãe. Tá decidido. Meghan, tudo bem por você? — Lavínia pergunta.


— É claro que está. Eu detesto altura. Não iria nesse nem que me pagassem. Sem ofensas, senhor Joseph — Meghan fala.


— Bom, então acho que pode ser. Mudei de ideia. Eu vou dar uma volta com a Lavínia. Tudo bem, pai? — você pergunta.


— Ahh, acho que seria melhor você ficar também, S/N. Martha está preocupada, então seria a melhor alternativa você ficar pra não incentivar a filha e assim Meghan não ficaria sozinha. Siga os passos dela.


— Ótimo. Nós três não vamos. Ficamos aqui. Podemos ir numa próxima, numa outra oportunidade. Ficamos aqui assistindo enquanto os outros vão. Ebaa! — comemora Meghan.


— Parece que um dos irmãos Svidetel vai testar a novidade. Um deles já está subindo em um dos táxis — você diz ao avistar a cena ao longe.



Nisso também vê a dona Zanelda, a mãe de Meghan vindo correndo em suas direções bem animada.



— Nem acredito que vou poder voar nesse táxi. Era o meu sonho desde que vi a performance dele chegando naquele Palácio Dakota. E agora ver ele bem perto de mim. Nossa, estou super empolgada! Espero que eu não tenha furado a fila e pego a frente de alguém.


— Não, mãe. Você não pegou. Na verdade ninguém do nosso grupo vai — afirma Meghan.


— Nossa, que caretas vocês são. Vocês jovens deveriam aproveitar mais essa noite. Eu tive a sorte de compartilhar lugar com um dos sócios do senhor Svidetel. Não sei se ele é russo também mas eu achei ele bonitão.


— Mãe, por favor! Não fala assim — Meghan exclama, repreendendo-a.


— Ué, mas é verdade. Eu não falei nada demais. Ou será que falei?



Joseph chega um pouco mais próximo da senhorita Zanelda e em um tom baixo pergunta para ela:


— Zanelda, será que a senhora está em condições de ir a esse passeio?


— Mas é claro que estou. Por que não estaria? Aliás é só um passeio inocente. Agora me deixem ir antes que eu perca a carona com o bonitão. Minha companhia é bem melhor do que um dos irmãos Svidetel. Aqueles meninos parece que não se suportam.


— Como assim? Os dois são um amorzinho de pessoas. Principalmente o Vladimir — Lavínia diz com olhar de apaixonada.


— Ah, é? O que você me diz então sobre o Vladimir ter humilhado o irmão dele? Eu estava reunida com a mãe Ofeliya e a irmã deles, a Anya, aliás belíssimas mulheres. Mas elas interviram numa discussão entre os dois irmãos. Acredito que tinha alguma coisa a ver com o táxi voador, mas eles estavam falando em russo, então não entendi nada. O que eu vi foi que o irmão mais novo, Zakhar, saiu chorando e foi amparado pela irmã, enquanto que o outro ficou possesso na companhia da mãe.


— Ótimo. Deixe que eles se entendam, então — você dispara.


— Ah, depois eu vejo o que aconteceu — Lavínia diz.


— Como assim você vai ver o que aconteceu? Essas confusões de gente rica é melhor que nós pobres mortais fiquemos longe senão sobra pra gente — Martha dispara.


— Mãe! De novo?!


— Por favor, me deem licença. Pois não quero demorar. Já vejo vocês. Vou dar uma voltinha e volto já — Zanelda sai toda encantada e animada indo em direção ao táxi voador.



O tal homem a quem ela se refere está à sua espera também simpático e receptivo. Os dois parecem trocar olhares amigáveis, porém o tal homem também apresenta expressão de medo em seus olhos.


Logo ao lado aparece Vladimir aprontando o seu blazer cumprimentando alguns homens de preto. Parecem seguranças ou pessoas responsáveis pelos veículos. Ele não perde tempo e já começa a se exibir tirando fotos ao lado do veículo. Lavínia fica assistindo de longe sem tirar os olhos dele parecendo meio preocupada ou algo do tipo.


— Bom, se quiserem acompanhar mais de perto vamos nos aproximar. Com certeza vão querer fazer questão de todos os convidados ficarem apreciando um dos anfitriões saindo em um dos veículos e não podemos desprezar essa linda cortesia com o dono da festa — Joseph diz dando um gole em sua bebida logo se direcionando onde está acontecendo a tal movimentação. Tal qual em um tom bem irônico, podendo-se dizer bem debochado até.



Logo, várias pessoas se reúnem em volta de onde estão estacionados os veículos. Dá pra se ouvir algum falatório e cochichos de pessoas que estão a observar olhando apreciadas com tudo. Talvez seja pelo orgulho porque a maioria das pessoas que estão presentes tem pelo menos um dedo na criação, construção e desenvolvimento de um dos veículos perfeitos que promete ser a nova grande revolução futurista.



— Será que se eu entrar correndo e entrar de uma vez em um desses táxis eu vou conseguir dar um passeio? Não acredito que minha mãe não deixou. Como que eu tô num evento onde eu não vou pagar nada pra andar num táxi e não posso andar nele? — Lavínia reclama com certa indignação — Bem que você podia ter me dado uma força pra convencer minha mãe de ter deixado eu ir.


— Não ia adiantar. Sua mãe é teimosa que nem você. Aliás, tá melhor desse jeito. Nem você anda, nem eu. Quando a gente tiver outra oportunidade de fazer isso a gente faz — você assegura.


— Mas quando a gente vai ter outra oportunidade de andar num negócio desse? Nós vamos ter que pagar pelos menos um milhão de nevinares pra poder ter um táxi voador.


— Claro que não. Você não vai precisar gastar nada. Já esqueceu onde você tá? Se eu consegui te introduzir numa festa de um russo milionário, como que eu não vou conseguir fazer a gente andar de graça nesse "negócio" como diz você? — você fala — Aliás, meu pai tem um dedo nesse táxi. Isso não seria impossível.


— S/N, quem diria? No colégio você fica andando com nós, meros mortais, dando de simples, mas por trás tem um império gigantesco. Já pensou? A escola inteira ia pirar se soubessem que você tem tudo isso.


— Você não vai dizer nada, pra ninguém. Tá doida? Se falar isso pra qualquer pessoa, o pessoal vai começar a me olhar com outros olhos, me chamar de apelidos por causa disso, iam me tratar com diferença e eu não quero que isso aconteça. Aliás, eu não sou donx de nada. Quem é o dono de tudo é o meu pai. E que continue assim.


— Ah, por favor, S/N. Pela hierarquia da realeza todo mundo sabe que quando o pai poderoso morre ele deixa tudo pro herdeiro ou pra herdeira. Ou pros dois quando se tem mais de um filho. Por que ia ser diferente com você? Por acaso você não é filhx únicx?


— Que eu saiba sim. Tem a Lívia, mas... eu não sei se ele faria algo por ela. Aliás, por que a gente tá conversando sobre isso agora? A mãe da Meghan já vai entrar no táxi voador. Vamos prestar atenção no evento.



Depois que a senhorita Zanelda e o tal homem com quem ela havia combinado ser seu par de viagem adentrarem o veículo, um dos instrutores passam alguns recados e avisos para os dois que são essenciais pra viagem caso ocorra alguma emergência. Terminado os avisos, logo começam a organizar a decolagem do primeiro veículo que é feita com sucesso.


Aplausos são emitidos a bordo do ZAINTZA. Mais cochichos e mais comentários a respeito do quão bem sucedido foi a invenção do táxi voador voltam a trafegar pelos ares.


Também não é pra menos: ​o som não é o de um motor convencional, mas um zumbido elétrico crescente, quase musical. Sua subida foi leve, parecendo uma pluma pairando por alguns segundos acima da marca do heliponto antes de inclinar o nariz para a frente. Não houve chamas ou raios saindo das turbinas e também não saiu disparado que nem um jato. A decolagem foi um sucesso combinado com o mais puro luxo do ambiente favorável.




⌚️ Minutos depois...



Após a breve partida dos dois táxis voadores, Lavínia ainda parece bem incoformada por não ter conseguido o sonhado passeio em um dos veículos.



— Que ótimo! Em minutos os dois táxis voadores já vão estar de volta e eu não vou ter dado uma volta em nenhum deles.


— Não fica assim, Lavínia. Com certeza terá outras oportunidades, meu bem. Você tá numa cidade super rica e luxuosa e é amiga de um dos criadores do táxi voador. Então, relaxa — Meghan comenta.


— Eu já avisei isso pra ela. A gente dá um jeito. Eu até tive uma ideia perversa. Seria ótimo se tivesse alguma coisa ou um outro jantar pra distrair os adultos. Assim a dona Martha ficaria ocupada e nós três íamos passear sozinhxs pela cidade — você dispara alegrando Meghan que parece ter adorado a ideia após dar um enorme sorriso.


— Você chama isso de perverso? Aposto que nem sabe o que isso significa — Lavínia retruca — Mas isso não seria má ideia.


— Onde será que eles estão agora? Será que estão perto de chegar?


— Eu não sei, mas eu queria tá junto com o Vladimir naquele táxi voador pra fechar a noite com chave de ouro. Mesmo que ele seja meu par romântico apenas essa noite e depois nunca mais eu veja ele, eu chamaria esse ano novo de perfeito de verdade.


— Eu que ainda não sei o que você viu naquele garoto? Pensei que sua fase de se apaixonar por homens maus tinha passado — você diz.


— Vladimir não é mau, ele é apenas bravo, turrão ou seja lá como vocês querem chamar ele.


— É, mas ele me parece ser agressivo e é um tanto ego super inflado. Eu ainda não esqueci o que minha mãe disse sobre o ataque de raiva dele com o irmão e depois você vai arrancar isso dele — Meghan ordena.


— É, eu também tô bem curiosa pra saber o que aconteceu. Pode deixar comigo — diz Lavínia um pouco pensativa — Mas, voltando a conversa pra você, S/N. A sua afirmação de que eu me apaixono apenas por caras maus tá super errada porque eu já me apaixonei pelo Heitor, lembra?


— Lembro, mas do Heitor pra um cara que é conhecido como "filho do anticristo" tem uma grande diferença entre as personalidades dos dois, né?


Lavínia nada diz.


— Quem é Heitor? — Meghan pergunta.


— É um medroso pelo qual eu já... fui afim.


— Afim, não. Ela já namorou com ele, Meghan.


— Um breve romance — Lavínia diz — Aliás, um breve romance que eu quero esquecer porque que menino mais idiota. Sério, ele é tão idiota que uma vez quando a gente 'tava na...


Lavínia já ia terminar a sua fala sobre seu breve período com Heitor quando a voz grave e apressada de Joseph Montenegro cortou o ar. Ele passa à frente, falando ao telefone, com o semblante tenso, porém não dá pra ouvir o que ele falava. Vocês apenas se entreolham, mas logo ignoram o ocorrido.


Antes que falem a primeira palavra, um clarão intenso interrompe no horizonte distante. Uma explosão rápida e abafada acontece bem em cima do oceano deixando o mar e o céu refletidos pelo coloração alaranjada.


Algumas pessoas correm para a ponta da popa para ver o cenário em questão. E mais uma fez inicia-se o falatório e perguntas, mas uma pessoa em especifica parece mais assustada com tudo isso.


— "Mas o que foi isso?" — pergunta um dos convidados do senhor Svidetel.



Meghan, assustada e com os olhos arregalados aponta em direção da explosão e pergunta…


— Aquele... aquele era um dos táxis voadores, não era?


— Não, Meghan. Não era. Calma. Nem pense em uma coisa dessas — Lavínia diz com um sorriso nervoso no rosto.


Joseph Montenegro, já na lateral da popa, vira-se bruscamente com o telefone ainda colado ao ouvido. Seus olhos, antes apenas preocupados, agora mostram um horror gelado.


— Não! — ele grita para o telefone — Isso... isso é impossível!


— Mãe?! Aconteceu alguma coisa com a minha mãe? Onde ela está? — Meghan pergunta, desesperada.


Joseph nada responde.


Você na tentativa de acalmar Meghan, a puxa para um pouco distante da proa. Joseph, após desligar o telefone com uma expressão de desespero, começa a dar ordens rápidas e diretas à sua equipe com a voz baixa, mas firme.


— Ativar protocolo de emergência. Contatar a equipe de recuperação imediatamente. Quero o SAR no local agora mesmo.


O choque ainda está fresco, mas uma sensação de pavor começa a crescer. Lavínia e Meghan começam a fazer várias perguntas. Meghan sobre sua mãe Zanelda, já Lavínia sobre Vladimir que havia embarcado em um dos táxis, porém suas perguntas permanecem sem respostas já que nada havia se confirmado ainda.


Em poucos minutos, a tripulação do iate, treinada para situações de emergência, começa a se mover com eficiência fria. Coletes salva-vidas vão sendo distribuídos discretamente, e a equipe de segurança começou a gentilmente direcionar os convidados para as áreas internas do iate.


​Enquanto isso, à distância, luzes piscantes de embarcações de resgate começam a aparecer no horizonte, correndo para o local do acidente. O som distante de helicópteros se aproximando pode ser ouvido, transformando a atmosfera antes festiva em um cenário de busca e resgate.


Aproveitando o momento do caos, por um momento você deixa Meghan aos cuidados de Lavínia e segue em direção ao seu pai que assiste a operação ao longe. Ele havia acabado de ter uma conversa séria com o senhor Yuri e parece que o que foi dito não tenha sido tão bom, aliás, o filho do senhor Svidetel, Vladimir, está em um dos táxis, então com certeza a pressão em cima de Joseph deve estar a mil.


De primeira você hesita em falar com ele a respeito sobre o que está acontecendo, se seria uma boa hora ou não devido ao stress, porém você não quer ficar com dúvidas na cabeça e assim poder esclarecer de uma vez por todas o que está acontecendo e, o mais importante: saber se todos estão bem e quem está no táxi no momento da explosão.


— Pai? — você chega em Joseph pondo a mão sobre seu ombro.


— Agora não, filhx. Essa noite está sendo terrível pra mim. Isso não poderia estar acontecendo — ele diz super nervoso.


— Eu sei, pai. Olha, eu só quero entender melhor o que tá acontecendo. Se o senhor também precisar de mim eu posso ajudar no quer for preciso.


— Não tem nada que você possa fazer agora. Na verdade nenhum de nós. O que tinha pra ser feito já está sendo feito. Eu mandei uma equipe de resgate até o local do acidente. Apenas um dos táxis foi afetado, o outro está inteiro. Mas que droga! — ele exclama.


— Calma, pai. Não fica tão nervoso assim. Agora eu só preciso saber o que foi que aconteceu. O que causou essa explosão? Foi falha no motor ou alguma coisa parecida?


— Parece que foi uma ave que se chocou contra uma das turbinas do táxi. Não teve mistério. A turbina explodiu e causou a queda do veículo, infelizmente — ele explica.


— Que coisa terrível! Mas e agora? O que a imprensa vai dizer sobre isso? Ela já deve estar sabendo uma hora dessa.


— Isso não pode acontecer. Isso teria que ficar por aqui e não se espalhar. Afinal, eu tenho um dedo metido no desenvolvimento desse veículo.


— Exatamente. Isso seria horrível. Mais um escândalo pra família. Será que o senhor Svidetel ajudaria a não transformar essa história num alarde também?


— Eu não sei, filhx. É provável que sim. Ou talvez não. Ele ficou ficou uma fera porque o filho embarcou também — ele dá uma pausa, lhe olha e pergunta — Espera, mas por que você tá fazendo tantas perguntas? Deixe que seu pai cuide do resto. Você não deveria estar lá dentro como os outros convidados. Eu quero a Meghan e sua outra amiga o mais longe dessa situação nesse momento.


— Mas foi mais por causa deles que eu vim, pai. Precisamos saber uma coisa sobre tudo isso. Precisamos saber se quem estava no táxi voador que explodiu está bem, pai. E o mais importante: quem 'tava nele?