Os órfãos de Nevinny Vol.2
10 Globe

Todos chegaram a bordo bem no amanhecer do dia. As vítimas do acidente no táxi voador foram atendidas prontamente no próprio pronto-socorro do navio assim que foram resgatados no mar. Felizmente não foi algo grave e, ambos, tanto a dona Zanelda quanto um dos sócios do senhor Yuri que a acompanhava no veículo sofreram apenas ferimentos leves e agora estão sendo preparados para irem à um hospital privado mais próximo de onde atracaram o navio.
— Que coisa mais triste. Uma mulher tão cheia de vida sofrer um acidente desse jeito. Ainda bem que ela saiu com vida. Meu pai está atordoado lá dentro dizendo que poderia ter acontecido com Zakhar. Seu pai teve sorte. De uma certa forma ele é responsável pelo acidente, já que foi ele que inventou trazer esses "inventos tão revolucionários" pra cá.
— Credo! Falando assim faz pensar que a dona Zanelda e o sócio... enfim. Mas... isso não aconteceu — você fala assustando-se com a fala de Anya que observa toda a movimentação no navio ainda com uma taça com um líquido escuro e espesso.
— É. Já pensou o escândalo que seria se isso tivesse acontecido. Eu desejo sorte a você e seu pai. Vão enfrentar um massacre social caso tudo isso vaze daqui. Com licença.
Anya sai de sua presença e Lavínia que está à espreita ouvindo tudo chega ao seu lado com expressão de assustada.
— Que mulher estranha! Você ouviu as mesmas coisas que eu ouvi? — Lavínia pergunta.
— É claro. Você a viu a bebida dela? Tudo isso aconteceu e ela parece estar super calma — você fala.
— Também achei. Mas... mudando de assunto, como tá a sua amiga? A mãe dela sofreu esse acidente, ela deve ter levado um susto enorme.
— Com certeza. Meghan já perdeu o pai dela, se alguma coisa mais séria tivesse acontecido com a mãe dela eu nem sei o que poderia acontecer depois.
— Nem me fale. A minha mesmo pirou quando ficou sabendo que aquele táxi voador explodiu. Ficou repetindo a noite inteira no meu ouvido dizendo "Viu, minha filha? Bem que eu avisei. Sua mãe sabe das coisas. Se você tivesse ido naquele passeio poderia ter acontecido com você." Nossa, um saco. Quando ela tem razão parece que faz questão de esfregar na minha cara — Lavínia reclama revirando os olhos.
— E ela fez bem. Já deve ser a milésima vez que ela deve te salvar de alguma coisa mas você insiste em teimar, não é?
— É. Eu que o diga. Mas também já passou. Quer dizer, eu ainda tô com trauma.
Você dá um breve respiro enquanto observa a situação dos investigadores analisando os pedaços dos destroços que estão juntando para levarem para algum lugar.
— O que foi? Por que tá com o olhar parado? — Lavínia pergunta aparecendo bem na sua frente.
— Eu não sei. Tô preocupadx com a Meghan. Ela vai precisar que a gente dê algum apoio pra ela quando for pro hospital acompanhar a mãe — você fala.
— Tá, e daí? Tem um mais, né? Essa sua cara de preocupadx não é por causa disso.
— Tem uma coisa, sim.
— Sabia. Pode dizer o que é.
— É só que... com essa história da explosão do táxi em que a dona Zanelda 'tava ela pode meio que culpar o meu pai por tudo — você afirma.
— Bom, sem querer ser sincera demais, mas praticamente o seu pai seria o único culpado já que foi ele que ajudou a desenvolver o veículo e foi ele que inventou de trazer eles pra cá pra esse povo dar uma volta.
— Mas isso foi um acidente. Acidentes acontecem e esse foi um caso. E além do mais eu tenho medo de que aconteça outra coisa. Meghan é muito rancorosa às vezes, dependendo da situação. Vai que ela decide descontar em mim também por causa de uma coisa que tem a ver com o meu pai?
— Isso não tem nada a ver. Não foi você que construiu o táxi voador e nem o seu pai também, ele apenas fez o investimento não é?
— Sim, foi. Mas isso não tira a culpa dele. Por mais que eles tenham feito testes antes dos veículos virem pra cá isso seria uma coisa imprevisível. Poderia acontecer a qualquer hora.
— Isso é verdade. Mas o que a gente faz agora?
— Como assim o que a gente faz? Eu preciso saber como meu pai está de novo e depois a gente vai pro hospital acompanhar a Meghan. Eu preciso saber o que o senhor Joseph tá tramando e o que eles vão fazer pra esconder isso e não vazar. Se isso sair na mídia, o lançamento dos táxis voadores nas lojas vai ser cancelado junto com meu pai e todo mundo envolvido — você explica.
— Olha, eu não sei o que você fez pra merecer pra se meter em tanto escândalo. Em Nevinny ou fora dela parece que pra onde você vai tem alguma coisa pra colocar você ou quem tá perto de você ficar nos holofotes. Cris realmente tem razão quando falou isso.
— O que você quer dizer?
— Nada. Eu não tô querendo dizer. Já tô dizendo. Você parece protagonista de filme ou novela. Tudo acontece ao seu redor — Lavínia gargalha — Mas sabe de uma coisa? Eu amo isso. Sua vida nunca é calma pelo que eu pude perceber. Isso não é demais?
— Eu tô achando isso "demais" mesmo. Tá sendo muita coisa pra esses últimos meses. Não sei se nasci pra isso — você fala.
— Não diz besteira. É claro que nasceu. Agora vem cá, mudando de assunto, por falar em Cris, você tem falado com elx? Cris te mandou mensagem de feliz ano novo ou coisa assim? As minhas mensagens você não 'tava respondendo, mas as de Cris você responde, não é?
— Eu vi algumas coisas sim, umas mensagens, nada demais. Mas por que você tá falando de Cris agora? A gente tem coisa mais importante pra resolver. A Meghan deve tá precisando da gente com ela pra dar apoio. Vamo' logo.
— Sempre arranjando um jeito de mudar de assunto. Mas tudo bem. Eu tô preocupada com a sua amiga. Ela parece valher a pena — Lavínia diz — Mas e aí, o que você quer fazer agora?
⌚️ Depois de um tempo já no hospital...
— Como é que tá a sua mãe, Meghan? Ela deve ter levado um susto daqueles — você fala meio insegurx com a resposta de Meghan.
Por sorte, como já havia sido mencionado antes, o acidente não foi grave. Dona Zanelda apenas teve um hematoma no braço ao tentar sair apressadamente do veículo logo depois que ele explodiu. A queda em alto-mar foi o que salvou sua vida amortecendo seu corpo e salvando-a de algo pior. O problema só foi que ela não sabia nadar.
— Ela tá bem. Apenas descansando um pouco. O trauma deve ter sido grande. Pra ela e, principalmente pra mim. S/N, eu poderia ter perdido a minha mãe! — Meghan exclama.
— Eu sei. Isso foi horrível. Eu também assustadx — você diz.
— Mas tá tudo bem. O importante é que ela tá viva.
— E quanto ao senhor que 'tava com ela? Alguém tem notícias? — Lavínia pergunta.
— Eu fiquei sabendo que ele tá bem melhor. Ele sabe nadar, ao contrário de dona Zanelda que não sabe. O pior que eu também não posso falar nada. Eu também não sei nadar — Meghan respira fundo — Olha, S/N, eu te amo e adoro sua família, mas eu nunca perdoaria seu pai se algo tivesse acontecido com a minha mãe. Você entende o que eu digo? Isso não teria nada a ver com você, mas...
— Eu sei, Meghan, não precisa falar nada. Eu te entendo. Mas a gente também tem que olhar pela lógica, né? Acidentes acontecem. Nós não poderíamos responsabilizar o meu pai por isso ter acontecido.
— Claro que não. E eu estou ciente que acidentes acontecem. Mas devido às circunstâncias, ele quem levou aqueles negócios. Eu iria culpar ele eternamente. Você sabe como eu penso — ela respira — Mas calma, eu não quero falar disso agora. No momento eu só quero ir pra casa com segurança.
— Isso. É o que mais importa agora. Em breve dona Zanelda vai estar em casa descansando bem. A Lavínia vai ficar com você por um tempinho. Eu vou precisar ir em casa. Quero ter uma conversa a sós com o meu pai. Afinal, a gente tem que se preparar pra outra onda de polêmicas caso essa história vaze. Eu não quero estar envolvidx em mais um caso de polícia ou caso parecido.
— Como assim? Você não ficar? — Lavínia questiona, surpresa — Você disse que ia ficar pra dar apoio em...
— Eu já fiz minha parte, Lavínia. Agora preciso cuidar de uma outra parte com meu pai. Acho que você entende e a Meghan também vai entender. Você já passou por situações constrangedoras comigo, lembra?
Você dá um abraço em Lavínia e em seguida em Meghan.
— Eu já vou agora. Meghan, vai me dando notícias. Se precisar de mim eu volto pra cá, mas acredito que não vá. Sua mãe vai sair em breve.
— Vai sim, S/N. Ela vai ficar bem. Qualquer coisa te mando mensagens — Meghan fala.
Após a sua partida, finalmente chega na mansão para falar com seu pai, Joseph, que parece estar bem preocupado com a situação. É estranho voltar pra casa depois de ter passado uma noite bem festiva e calma a princípio e no final ter virado esse pequeno desastre luxuoso.
— E então, pai. Eu vim saber como o senhor está e o que tá acontecendo sobre tudo a respeito do acidente. Tem alguma coisa que eu possa fazer?
Ele nada responde. Apenas te olha com uma expressão séria dando um suspiro breve porém profundo.
— Não me olhe assim — ele diz apontando para você — Eu não vou deixar destruírem nossa credibilidade. Não dessa vez. A ANAC suspendeu nosso CAVE. Na prática, estamos aterrados por tempo indeterminado. E as multas... S/N, as multas administrativas por expor civis ao risco podem passar dos seis dígitos antes mesmo de chegarmos ao tribunal.
— Mas como expor civis ao risco? O táxi voador explodiu enquanto estava acima do mar. Não tinha ninguém na água na hora. A não ser que...
— Não, não é isso que você está pensando. A Zanelda e o sócio que a acompanhava no veículo não denunciaram o que aconteceu. Alguém mais deve ter visto ou sabia. Alguém mais deve ter denunciado. Estava tudo esquematizado pra que caso acontecesse qualquer coisa, isso não sairia daqui entre nós. Poderíamos resolver entre nós mesmos.
— Então quer dizer que a mídia já tá sabendo? Vão suspender as vendas dos táxis nesse ano? — você pergunta.
— Não, isso não pode acontecer. Quer dizer... não vai. Estamos trabalhando pra que isso não ganhe proporções maiores e impeça o início das vendas. Estou contando com todos os sócios, engenheiros, investidores, enfim, todos os envolvidos pra que isso não vire um escândalo maior.
— Não vai, pai. Tenha calma. A gente vai conseguir resolver isso. Lembre-se: o senhor não é o único responsável por isso. Na verdade eu nem posso te considerar responsável disso. Acidentes acontecem. Mesmo os veículos terem sido testados antes do lançamento ou até mesmo antes de virem pra cá, isso é uma coisa que poderia acontecer a qualquer momento e a qualquer hora. O senhor sabe disso — você fala na tentativa de alcamá-lo.
— Mas não é só isso. Agora temos que enfrentar algo a mais. E esse parece ser bem difícil porque é um povo que não aceita qualquer oferta de desculpas. A vigilância ambiental vai ser a próxima a bater na nossa porta. Eles vão investigar se aquele lítio contaminou as águas.
— Se isso tiver acontecido vai ser uma responsabilidade enorme pra vocês. Isso se chama crime ambiental.
— E você acha que eu não sei? — ele diz já nervoso — Eles não podem e não vão encontrar nada. Eu acredito nessa história e não vai dar em nada. Não posso destruir nosso negócio antes mesmo dele começar.
Nesse momento, a tv que está na parede do escritório de Joseph liga automaticamente e a voz e imagem de um homem surge nela.
— "Joseph? O senhor está aí?"
Ele pergunta.
— Estou aqui, Parker. Por que você está entrando em contato agora? — Joseph pergunta.
— "Acredito que precisamos alinhar algunas coisas agora e se preparar caso aconteça alguma de extrema urgência devido ao acidente envolvendo um dos táxis voadores dessa madrugada. Nós precisamos conversar e montar um esquema pra cada etapa que possa surgir se essa história ganhar uma proporção que não esperávamos. O senhor está pronto?"
Nisso outras imagens de outras homens vão surgindo na tela formando um grande mosaico. Você observa todos os rostos que vão aparecendo, mas parece que nenhum, até então, lhe vê.
Logo, o primeiro homem que fala apresenta tipo um slide onde no título está escrito palavras como "Ficha de Análise de Riscos", "Registro de Telemetria", uma sigla escrita "MOM", além de outros nomes menores que não dá pra ler direito.
— "De acordo com o MOM, o nosso Manual de Operações e Manutenção, a nossa documentação está em dia, mas a ANAC precisará de uma prova que a manutenção do veículo estava em dia e que o protótipo utilizado no evento não foi modificado "na última hora" para a festa sem documentação oficial. O senhor possui esse documento, senhor Joseph? Ele será crucial pra enfrentarmos essa batalha que está por vir. Se a análise de risco dizia que o risco de explosão era improvável e aconteceu, os engenheiros terão que explicar o erro de cálculo. Caso contrário a ANAC vai dizer que o projeto é intrinsecamente inseguro. Eles vão pedir o recolhimento de todos os outros protótipos. O senhor entende?"
— Eu entendo senhor Parker. Eu estive a noite inteira pensando sobre isso. Me desculpe, o senhor, na verdade, os senhores me deem um minuto de sua licença? Eu já volto para a reunião.
— "É claro."
Nisso, Joseph retira o nome da reunião por alguns segundos e te olha fixamente por alguns segundos. Na hora você já entende que com esse olhar ele pede sua ausência da sala. Você obedece e se retira imediatamente. Ao sair você sente um desconforto ou algo que não sabe explicar. Ver todos aqueles homens no mosaico em uma reunião lhe faz sentir que o rumo dela possa não ser tão agradável. É como se seu pai estivesse prestes a ser sentenciado por algo terrível que tivesse acontecido, malhado pelo público, juíz ou pela humanidade inteira, talvez. Ele é o responsável por ter levado aqueles táxis voadores para a festa de réveillon de Yuri Svidetel, mesmo com autorização. Aliás ele é um dos investidores, então, o que seria decidido na reunião pode mudar vários rumos de vários aspectos.
📍 Mansão dos Mollins
Já é noite e, você, Lavínia e Meghan estão na sala de estar ainda falando sobre os acontecimentos da noite passada. Meghan está inquieta, andando de um lado para o outro preocupada e pensativa com várias coisas. Lavínia está encolhida em uma poltrona, ainda processando o susto, mesmo depois de horas. Você está checando o tablet para ver as últimas notícias sobre a investigação do acidente.
A conversa começa com a preocupação imediata sobre a mãe de Meghan, que já está medicada e dormindo no andar de cima no quarto.
— Eu ainda não consigo fechar os olhos sem ver aquele táxi voador perdendo o controle. Já pensou se uma das hélices tivesse inclinado mais dois graus para a esquerda na hora da queda e acertado a cabeça dela? — Meghan pergunta falando sobre uma cena que viu no tablet sobre a queda do táxi voador.
— Nem me fale isso, Meghan. Se já tá ruim do jeito que tá imagina se uma morte terrível tivesse acontecido — você comenta — Desculpa.
— Você não teve mais notícias do seu pai, S/N? Ele falou mais alguma coisa, se alguém mais viu alguma coisa? — Lavínia pergunta.
— Por enquanto só teve aquele vídeo gravado de um iate próximo, mas ele foi retirado das redes sociais e dado como vídeo fake antes mesmo de viralizar. Meu pai está em uma conferência no escritório dele. Ele investiu bastante nessa demonstração de presente pro réveillon. Era para ser o 'cartão de visitas' pra liberação mundial esse ano. Se o relatório apontar erro de software, o governo vai barrar a comercialização por mais dez anos.
— E isso não pode acontecer. Nossa, eu tenho medo demais de tudo isso e não paro de pensar em uma coisa que vocês sequer comentaram.
— E o que é? — Meghan pergunta parando de andar no mesmo segundo.
— Vamos, gente, eu quero sinceridade... vocês acham que o sistema falhou mesmo ou a falha foi humana? Porque se foi o sistema, o nome da empresa do seu pai, S/N, vai ser massacrado antes mesmo de janeiro acabar. Disso nós já estamos cientes. Não preciso nem repetir isso. Mas... e se não foi?
— Tá, deixa eu adivinhar. Você vai bem querer dizer que alguém fez alguma coisa de propósito pra prejudicar o meu pai e comprometer o lançamento mundial dos táxis. Tá, eu já pensei nisso. Mas, o que adianta pensar. Isso é uma questão de desconfiança de nossas cabeças, mas eu não tô nem um pouco a fim de investigar nada. Nós não vamos se meter em nada disso se é o que você tá querendo fazer. Nós temos um histórico de investigações nas nossas costas mas nenhuma delas deu em nada literalmente. Disso nós também sabemos. Isso não compete a gente, Lavínia Meu pai tá cuidando disso — você fala dando um profundo suspiro no final.
— É sério? Vocês não vão dar de detetives e encararem mais essa? Só porque eu queria participar — Meghan diz visivelmente frustrada.
— Não. Melhor ficarmos fora disso. Já temos muitas coisas em aberto e sem resposta nessa história. Se meter em mais coisas vai acabar deixando todo mundo confuso — você fala — Mas é isso. O que a Lavínia disse não é uma coisa absurda. Nunca confiei em gente russa. Pode parecer preconceito, mas... é só olhar nos livros de história, né?
— Tá, mas se a gente cogitar seriamente essa hipótese, por que raios alguém iria arruinar esse presente do Joseph? E quem faria isso? — Lavínia pergunta — O seu pai não tem rixa com Yuri, não é?
— Eu não sei. Não quero nem pensar nisso. Mas se tiver, eles que se resolvam. Não vou me meter em briga de gente grande.
— O que eu quero saber agora é só de uma coisa: Lavínia, você já conseguiu falar com o seu namoradinho russo? Como que é o nome dele mesmo? Vla...
— É Vladimir — Meghan completa.
— É isso mesmo. Mas ele não é meu namorado se você quiser saber. A gente só se aproximou — Lavínia fala — Mas, e daí? O que você quer saber?
— Você já descobriu qual foi o motivo dele ter ficado bravo antes de entrar no táxi voador?
— Ah, isso eu não perguntei ainda. Eu tô dando um tempo esperando essa poeira baixar. Na hora eu certa eu pergunto, tá bom? Aliás, isso vai ser importante pra alguma coisa? Vai me dizer que agora você tá preocupadx com o relacionamento dos dos irmãos?
— É claro que não. Foi só por perguntar mesmo. Aliás, ele também não te mandou mensagem?
— Por que você acha que eu tenho o número do Vladimir?
— E você não tem? — Meghan pergunta incrédula sentando-se ao lado de Lavínia.
— Não. Eu deveria?
— Então não adiantou de nada nós termos deixado vocês dois a sós? Pensei que você era mais esperta. Agora eu fiquei bem decepcionada — Meghan fala logo saindo de perto em seguida jogando-se na cama e pegando o celular.
— Então foi pra isso que vocês me largaram lá que nem uma idiota? Eu sabia que vocês não iam no banheiro coisa nenhuma.
— Foi pra isso sim. Vai me dizer que não gostou? — você pergunta.
— Ah, até que foi bom, sim — ela responde com uma risadinha de canto de boca.
— Hmm, parece que vamos ter companhia amanhã pra completar o nosso quarteto. Adivinha quem volta pro bairro amanhã — Meghan diz mostrando o celular para Lavínia.
— Nat? Quem é Nat mesmo?
— Um amor de infância de um certo alguém.
— Não foi amor de infância, foi só... Espera, Nat vai voltar pra cidade amanhã? — você pergunta largando o tablet de lado pegando o celular da mão de Meghan.
— Ei, o que tá fazendo? Não tem nada pra você ver aqui. É só isso. Nat vai voltar pra cidade amanhã. Por quê? Isso causou algum sentimento em você? — ela pergunta.
— Sentimento? Por que iria despertar algum sentimento em mim. Eu só... fiquei surpresx.
— Bom, então não precisa ficar desse jeito com cara de abobadx — Lavínia fala.
— Eu não tô.
— Nossa, nem acredito que eu vou conhecer mais um personagem da vida de S/N. Isso tá ficando tão interessante.
— Não tem nada de interessante, Meghan. Nat é apenas amigx de infância, assim como Meghan. Nós tivemos um namorico bobo, como qualquer criancinha.
— Engraçado... pra alguém que "não liga", você ficou um pouco pálidx dois tons abaixo do seu normal — Meghan comenta, rindo.
— Eu já disse. Era coisa de criança. Eu mudei, elx mudou. Até tá com essx tal de Ash. Amanhã eu só quero dormir até tarde e curtir outra manhã de inverno em paz. Nat é passado, e nós somos apenas amigxs e eu não tenho tempo pra arqueologia emocional. Aliás nós já se encontramos duas vezes e tudo está igual. Nenhum sentimento romântico. Agora, vamos mudar de assunto?
Meghan e Lavínia nada falam. A rebelde sensata apenas dá um sorrisinho de canto de boca pegando o tablet. Já a outra continua no celular tentando se desviar do assunto que acabara de circular. Por fim, você vai para a cozinha com o objetivo de dar um ponto final na conversa e evitar que qualquer palavra em relação à isso seja dita de outra vez.

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