Os órfãos de Nevinny Vol.2

2 Diamantes cortam mais no inverno


A noite até que está agradável. Continua aquele frio harmonioso onde dá vontade de ficar no quarto sob as cobertas assistindo TV, porém estamos no jantar natalino, tão esperado especialmente pela família Ferguson.


A mãe de Meghan realmente se esforçou em quesito decoração, luminosidade e como sempre nas comidas pra ceia. Mas a música... nossa! Parece não estar ajudando tanto. Sabe aquelas músicas natalinas clássicas e dançantes que costumam tocar nas residências e por aí afora pelas ruas com sonoridade de sinos e com a mesma melodia? Bem, dona Zanelda decidiu fazer o oposto e o que ela colocou de clássico aqui foram aquelas músicas com violino tipo Beethoven e mais canções parecendo serenata.


Isso foi o suficiente para levar você, Meghan e Nat para fora da residência e assim ficarem sentadxs num banco de madeira na calçada pra não terem que ouvir as canções que dá pra se escutar lá de dentro.


— Pelo menos aqui dá pra conversar — você comenta bebendo um pouco da sua taça com licor de chocolate.


— A festa tá linda lá dentro, mas sua mãe tinha logo que colocar música de Beethoven? — Nat pergunta — Nossa, essa cerveja amantegada tá uma delícia. Vou já já pegar mais lá dentro.


— Bom, as pessoas gostam. Meus pais adoram. Confesso que eu também. Vocês sabem que minha mãe adorar manter a classe. Deixa ela lá. A gente fica por aqui até o jantar de fato começar — Meghan fala.


— É, eu sei — você fala dando um sorrisinho.


— O que é mesmo que você tá bebendo? — Nat pergunta avaliando a taça de Meghan.


— Champanhe de morango. Você sabe, nada alcoólico, é claro — Meghan responde.


— É claro. Igual S/N que tá bebendo licor livre de álcool também?


— Esse é ótimo. Licor 82 sabor chocolate com toque de canela. Como eu senti falta disso — você fala cheirando sua taça com licor — Já faz tempo que eu não tomo uma dessa.


— Sua irmã não comprava licor pra você lá em Nevinny?


— Você sabe quanto custa uma garrafa de licor dessa? Minha irmã não é rica pra gastar com essas coisas.


— Com certeza é caríssima. Os pais de S/N só gostam de bebidas de um valor sentimental bem salgado. Eu não julgo. Realmente esses são os melhores — Nat fala.


Você nada responde. Apenas continua com o seu sorriso forçado de simpatia.


— Aliás, como ela está? Eu não tive a oportunidade de conhecer a sua irmã. Acredito que nunca a vi nem por foto — Meghan fala.


— Como ela é, S/N? Você nunca fala dela pra gente.


— Ah, a Lívia é uma excelente pessoa. Mas ela não tem nada a ver com a nossa família — você responde.


— Mas como assim? Ela não é sua irmã? Não é da sua família? — Meghan questiona.


— É, mas... não sei. Tem coisas que é complicado. A Lívia não se dá muito bem com o meu pai. Eles até se encontraram em Nevinny algumas vezes quando meu pai reapareceu. Não foram dias muito legais pra ela. E agora que ele praticamente me tomou dela, com certeza esse amor de filha que eu até pensei que pudesse existir nunca tome nem a sua primeira forma.


— Nossa, é grave assim? — Nat pergunta.


— Sim.


— Nossa, mas o que aconteceu? O que ele fez pra ela? — Meghan pergunta.


— Como sabe que foi ele que fez alguma coisa?


— Ah, me desculpa, S/N, mas o seu pai ultimamente não vem sido um exemplo a ser seguido. Todo mundo sabe disso.


— Meghan! — Nat repreende-a.


— Não, Nat. A Meghan tá certa. Ele foi o culpado nessa história também. Mas eu peço perdão pra vocês, não posso falar disso. É uma coisa muito pessoal pra Lívia — você fala lembrando-se da noite daquele jantar no Dakota Palace em que Joseph apareceu de surpresa sucedendo na discussão entre ele e sua irmã.


— Total. A gente te entende. Temos total respeito por isso.


— Mas eu fico pensando em Lívia. Ela tinha feito planos pro Natal comigo, talvez um jantar comigo e os amigos dela ou talvez íamos fazer uma ceia só em casa pra nós. Porém eu tive que vir pra cá, às pressas, pra ficar um tempo por aqui.


— Às pressas?


— Também não entendi — Meghan fala.


— Er... pra dar tempo de passar o natal e o ano novo com vocês. Esse ano não podia ser diferente e eu estava ansiosx pra voltar pra cá passar esse fim de ano com vocês. Eu só precisava concluir o que estava pendente com o encerramento do ano letivo na escola. Eu passei de ano, ainda bem, mas ainda tinha a questão de reunião, tinha o baile, enfim... vocês sabem como é.


— É, a gente sabe — Meghan diz olhando para Nat.


— Bom, vocês querem andar um pouco pelo bairro? De repente me deu um calor grande.


— Calor? Mas estamos no inverno e ainda é noite — Nat diz.


— É, deve ser a bebida. Na garrafa diz que esse licor é sem álcool, mas talvez eles devem ter colocado pelo menos um pouquinho pra dar mais personalidade — você fala levantando-se rapidamente.


— Ah, certo. Mas eu quero um pouco mais do meu champanhe. Vocês me acompanham pra pegarem um pouco mais comigo? — Meghan solicita.


— É claro. Nós vamos, sim — Nat concorda.


E assim Meghan sai um pouco à frente deixando você e Nat um pouco mais distantes. O momento propício pra Nat lhe fazer uma breve pergunta.


— Você tá bem?


E você responde:


— Sim, eu tô bem. O calor foi só da bebida.


Nat ri um pouco da sua resposta deixando que você tome o rumo à frente acompanhando os passos de Meghan até à casa.




⌚️ Alguns minutos depois...



— Nossa, nem acredito que estamos aqui de novo passeando pelas ruas do bairro. Me lembrou na hora o ano passado. Nós três — diz Nat te abraçando pelo pescoço lhe deixando um pouco incomodadx.


— Opa, Nat! Vamos com calma! Se Ash estivesse aqui não ia gostar nada de ver uma coisa dessa — Meghan repreende.


— Ué, mas não entendi o que eu tô fazendo. Um abraço não é nada demais.


— Não é desde que não esteja em um relacionamento. Meghan tem razão. Se Ash aparece aqui de repente e ver a gente assim com certeza não vai gostar. E eu não voltei pra cidade pra fazer intrigas — você afirma.


— Mas eu já falei que Ash não vem por aqui. Elx está na casa da família em uma cidade longe — Nat garante — E aliás, o que tem de mais nisso? Nos conhecemos desde criança. É um abraço inocente.


— Eu não sei. É melhor não arriscar — você fala dando uma golada na sua bebida que chega a escorrer um pouco sobre o queixo— Mas, sabe...? Isso me traz memórias. Boas, aliás. Essa noite me faz lembrar de uma vez em que eu tive um sonho.


— Qual sonho? — Meghan pergunta.


— Nós três, caminhando pelo bairro, só que era de dia, tudo muito iluminado e eu encontrava vocês. Mas tinha uma pessoa a mais.


— Não precisa nem falar quem era, senão eu já fico emocionada.


— Sinto muita falta do nosso amigo. Dá uma tristeza não ter o Victor aqui com a gente — Nat diz meio tristonhx.


— É, faz falta, sim. Mas vida que segue, né? Bola pra frente. Aposto que Victor não ia querer a gente triste pela morte dele — você fala.


— Que horror! — Meghan admoesta.


— Como pode pensar desse jeito, S/N? Soou totalmente frio vindo de você — Nat fala com os olhos julgadores e impressionados enquanto franze a testa.


— Ué, mas eu tô erradx? Eu também sinto falta dele, com toda certeza e eu também prezo pela memória do nosso amigo, mas a nossa vida continua. Com certeza ele ia querer que fizéssemos isso.


— É, talvez você tenha razão.



Em meio aos segundos de silêncio que fazem perante tal assunto, enquanto passam pelas calçadas das mansões dos vizinhos, ambos observam as movimentações das chegadas de convidados em certas residências tocando as campainhas, outros entrando imediatamente por terem suas portas bem abertas, escancaradas.


Ainda pode-se ouvir o tilintar das taças e as risadas altas, além das conversas reunidas trazendo toda a entonação e alegria característica de sempre do bairro.


— O que vocês querem fazer agora? A gente não vai ficar aqui a noite toda andando na rua, né? — Meghan questiona.


— Eu não sei. Vamos dar um tempo até meu pai chegar e também a família do Victor. Meu pai é sempre o último a chegar, mas daqui a pouco ele deve estar por aí — você diz.


— O que ele foi fazer mesmo? — Nat pergunta.


— Algum dos negócios dele. Até dia de hoje não para. Queria saber o que ele tanto faz, mas sempre que eu pergunto alguma coisa sobre ele desconversa.


— É um homem muito importante, ainda por cima um homem de negócios. Pessoas assim não param em casa.


— É, mas ele não era assim antes. Vocês sabem disso. Parece que agora ele tá envolvido em algo maior, eu não sei. Ele quase não para, vive saindo e sempre demora. Depois que minha mãe desapareceu e depois ele saiu da cadeia, parece que o ar profissional dele tá mais aflorado. Agora ele recebe pessoas diferentes em casa, diferente das que eu estava acostumadx antes. As conversas agora são diferentes, meio esquisitas, ou então é porque eu não entendo sobre o assunto. E ele sempre se mantém em segredo. Fala uma coisa e outra quando eu pergunto, mas eu sei que ele não fala tudo por completo. Sempre parece que falta ele falar alguma coisa — você desabafa.


— Calma. S/N. É assim mesmo. Acontece que você também esteve fora e as coisas mudaram pra ele também. Ele pode estar tentando refazer a vida por causa de tudo que aconteceu. Não é fácil sair de um escândalo que Joseph se meteu e depois aparecer em meio às pessoas que sempre estiveram dela. Você sabe como funciona o mundo dos negócios. Existem muitas coisas ilícitas, traições e quem está envolvido sempre tem que aranjar uma forma pra não ficar mais manchado ainda.


— Eu sei disso. Sei muito bem como é.


— Olha, S/N, me perdoe por eu ter ficado brava com você pelo modo que você agiu depois da descoberta do seu pai. Claro, nós todos ficamos em choque com tudo que aconteceu porque jamais a gente esperaria ouvir uma coisa dessa de alguém tão próximo, mas saiba que diferentemente dos outros, mesmo sabendo que seu estava errado, no fundo nós nunca saímos do lado de vocês — Meghan declara.


— Isso é verdade — Nat concorda — Pode-se dizer que tudo o que aconteceu pode ter sido um mal-entendido, já que seu pai deu a volta por cima e não ficou você-sabe-onde por muito tempo.


— É, por esse lado você tem razão. Mas é justamente com isso que eu me preocupo. Por que ele não ficou tanto tempo na prisão como deveria ter ficado? Eu sei que ele é o meu pai, mas o que é justo, é justo não, é?


— Não é querendo dizer nada, mas você pode interpretar da sua maneira. O seu pai é milionário, né, S/N? Você e todo mundo sabe que os milionários não ficam tanto tempo na cadeia. Eles sempre arranjam um jeitinho de escapar. Infelizmente o dinheiro pode comprar quase tudo, até a liberdade de alguém que cometeu um grande erro. Isso pode ter sido o caso do seu pai — Megan dispara.


— MEGHAN! — Nat admoesta.


— O que foi? Não é assim que acontece?


— É, mas o jeito que você falou...


— Não, Nat, eu não ligo pra isso. Ela tá certa. A gente sabe como essas coisas funcionam. Realmente no nosso mundo acontece tantas coisas. E acontecem coisas com quem não deveria, tipo pessoas com menos recursos que a gente. Vemos todos os dias na televisão e nós tivemos a oportunidade de saber de coisas que já aconteceram tão perto da gente — você declara.


— Er... vamos mudar de assunto? Não quero ficar nesse papo de erros e acertos ou o que nossos pais fizeram. Acho que essa andança já deu por hoje. A noite aqui fora tá gélida, acredito que no jantar está mais aconchegante. Vamos voltar? — Nat sugere.


— Pode ser. Vamos ver se chegou mais gente — você fala, concordando.


— Eu tive uma ideia pra gente passar essa noite se divertindo. Só vou precisar de uma ajuda de uma convidada que acredito que já deve estar chegando. Acho que vocês vão gostar — Meghan diz.


— Lá vem a Meghan com mais um jogo natalino. O que você aprontou dessa vez? Vai ser mais um "The Price is Right" ou vamos ficar a noite dançando no Just Dance? — Nat questiona dando uma gargalhada.


— Espera, que vocês vão ver. Vai ser bem legal e cativante, eu prometo.



Passado uns minutos vocês voltam para a mansão de Meghan onde está prestes a acontecer a ceia natalina. A residência agora está mais cheia, com alguns convidados surpresas sendo familiares de Nat e também duas pessoas nas quais vocês aguardavam ver.


Assim que viram o senhor e senhora Walsh elegantes pela sala em frente à mesa depois do hall de entrada, a surpresa e alegria em recebê-los foram instantâneos. Como dito anteriormente, os pais de Victor ultimamente não tem sido tão sociais desde a perda do filho e tem sido difícil vê-los com frequência, por isso a importância que eles comparecessem.


— Dona Beatrice, que esplêndido que a senhora veio. Eu vou justamente precisar da sua ajuda pra nos auxiliar com um jogo que eu bolei pra essa noite. A senhora me ajuda? — Megan fala toda alegre como se tivesse mirabolado um plano fascinante em sua cabeça devido ao empenho e brilho no olhar que expressa.


— Meghan, que isso, filha? Dona Beatrice acabou de chegar. Na verdade é uma honra ter a senhora com a gente. Faz um tempinho que não nos falamos, não é? — Zanelda, a mãe de Meghan fala, cumprimentando-a.


— Oh, não tem problema, Zanelda. Isso é por culpa de S/N. Elx está trazendo a reconciliação e união de volta em nossas famílias. Aliás, eu não podia deixar de vir e aproveitar uma celebração tão bonita como o Natal — ela fala toda sorridente.


— Que isso. Eu não fiz nada — você diz, envergonhadx.


— E o senhor Walsh? Não veio com a senhora? — Nat pergunta.


— Ah, sim. Finn ficou em casa falando com um familiar ao telefone fixo, mas daqui a pouco acredito que ele se junte a nós — Beatrice responde.


— Ótimo. É o timing perfeito pra senhora ajudar a gente no que eu preciso. Garanto que vai ser rápido, dona Beatrice. A senhora não vai precisar fazer quase nada.


— Bom, se é assim, não vejo razão para não ajudar. Com licença, dona Zanelda.


— Toda, dona Beatrice. Fique à vontade e perdoe se minha filha incomodar muito a senhora.


— Que nada! Pra mim é um dever ajudar a amiga do meu filho.




Dito isso, vocês levam dona Beatrice acima das escadas na qual o destino final é o quarto de Meghan. Bem exatamente do mesmo jeito que lembrara: a cama rosa cherry blossom com a leveza da lavanda rosa e suas variações com finas plumas enfeitadas e essa mesma coloração de rosa bebê pintando as paredes do quarto criando uma perfeita harmonia com as luzes douradas trazendo aquela sensação de paz e aconchego e um pensamento que aquilo não é real, como se fosse um quarto mágico e desejo de quase toda menina.


— Oh, mas que quarto esplêndido! Eu até já não recordava direito de como ele era. Que bom gosto, Meghan! — dona Beatrice fala, entusiasmada.


— Não, é? Eu que escolhi tudo — Meghan diz — Mas a senhora já conhecia meu quarto. Como pôde esquecer uma obra de arte dessa?


— Eu não sei. Apenas esqueci o quão magnífico ele é.



De imediato, Meghan dirige-se à sua escrivaninha e traz um jogo de tabuleiro escrito "Mestre do jogo". Ela adora coisas do tipo. Jogo de tabuleiro mesmo ela tem vários, desde os mais simples como Xadrez e Damas até mais complexos como Monopoly e até The Gathering, na qual uma vez jogaram um pouco mas não finalizaram por sua alta complexidade e também a falta de paciência para entendê-lo.


— Mestre do jogo? A gente não jogou esse, já? — Nat pergunta.


— Não, esse é novo. Tudo o que a gente precisa fazer é descobrir quem é o assassino — ela diz.


— Um jogo de assassino? Vocês estão em pleno natal e vão jogar uma coisa dessa? Não tem algo mais leve pra se jogar, não? Cadê o espírito natalino? — dona Beatrice repreende um pouco assustada.


— Não tem nada de mais, dona Beatrice. Esse é super fácil. Não tem a complexidade do The Gathering. Eu não tô com paciência pra raciocinar tanto hoje. Tudo o que a senhora vai precisar fazer é ser a nossa mestre do jogo. A senhora vai ficar responsável por distribuir os personagens, esconder as pistas, dar algumas dicas e quando um de nós estivermos pra descobrir o assassino, a senhora nos diz se está correto ou não. Nós iremos atrás de pistas e vamos recolhê-las e levar até a senhora. Depois de um tempo iremos fazer um interrogatório pra ver se prestamos atenção em algum movimento suspeito. Então, fazemos uma votação e uma dedução dx criminosx. Dona Beatrice irá contar os nossos votos e dizer quem recebeu mais votos acusantes. Se alguém acertar, ganha o jogo.


— Mas isso requer grandes responsabilidades. Vocês me acham capaz de fazer tudo isso?


— Super capaz. Sei que a senhora vai dar conta do recado.


— É, super facinho — você fala, encorajando-a.


— Bom, se é assim, o que quer que eu faça?


— Vamos lá, vou explicar tudo pra vocês.



Após um breve de explicações, Nat, Meghan e você já haviam recebido os nomes dos personagens onde em um deles consta ser o assassino. Além de uma descrição e também um segredo.


Dona Beatrice, com ajuda de seu esposo, Finn, havia escondido pela mansão algumas pistas na qual serão fundamentais pra dar procedência no jogo e assim descobrirem dentre vocês quem é o assassino.


— Aconteceu um crime terrível na noite de Natal e o senhor Bobs foi encontrado na cena do crime. Parece que o assassino foi meio descuidado e pode ter deixado algumas pistas pela casa que podem levar até o local. Rastros de sangue, talvez, ou um líquido suspeito que parece que o assassino aprecia bastante. Bem, isso é tudo o que eu posso dizer. Agora é com vocês descobrirem onde tudo se desenrola — Beatrice fala parecendo orgulhosa após seu breve discurso, deixando vocês intrigados e animadxs pra dar procedência.


— Tá, e o que a gente faz agora? — você pergunta.


— Vamos buscar as pistas. A gente precisa andar pela mansão e encontrar alguma coisa suspeita.



Após um tempo, encontrado-se algumas pistas vocês se reúnem no quarto para colocarem-nas numa caixa na qual estão separadas. Aproveitando o momento, dona Beatrice e Meghan dão uma revisada nas regras do jogo para se certificarem se tudo está sendo executado da maneira correta e assim continuarem dando procedência ao jogo. Eis que toca a campainha.



— Olha, parece que mais alguém chegou. Eu vou lá embaixo dar uma olhada quem é e logo volto para me juntar a vocês — dona Beatrice diz logo saindo, aproveitando a deixa perfeita para sair de cena. Em sua expressão dá pra ver um certo alívio como se estivesse pedindo por isso há um certo tempo.


— Bom, vamos ver o que temos aqui — inicia Meghan mexendo nas evidências — O senhor Bobs foi encontrado perto da lareira na sala dos fundos da mansão e perto dele foi encontrado um líquido suspeito. Não é vermelho, então não pode ser sangue. Eu senti o cheiro e parece que a dona Zanelda colocou um líquido na qual o cheiro me é bem familiar.


— Familiar? Que cheiro que você sentiu? — Nat pergunta.


— Eu senti o cheiro da... — Meghan olha para você no instante que vai finalizar a frase e diz: — É o cheiro da cerveja amantegada de Nat!


— O quê? O cheiro da minha cerveja amantegada?! Por que isso estaria lá?


— Talvez porque... você seja assassinx.


— O quê?! Não! Eu não sou assassinx. Espera! Cadê a dona Beatrice? Por que ela colocou a minha cerveja amantegada no local do crime pra me incriminar? Eu já disse. Não fui eu quem matou o senhor Bobs! — Nat insiste bravamente.


— Nat, você já tá falando que não matou o senhor Bobs? A identidade dx assassinx não é revelada agora — você diz franzindo a testa — A não ser que você esteja fingindo não ter matado o senhor Bobs.


— É isso! É claro! Essa é a identidade dx assassinx. É Nat! — Meghan exclama com toda a certeza.


— Calma, Meghan. A gente acabou de começar o jogo. Precisamos encontrar mais pistas — você fala.


— Eu também concordo — Nat apoia.


— Posso saber o que vocês estão concordando? — pergunta a voz não desconhecida lhes pegando de surpresa.


— Jennifer?! Nossa, quando você chegou? Agora? — Nat pergunta.


— Agorinha mesmo. Vocês não ouviram a campainha tocar? Eu acabei de chegar e vim dar uma passada com os meus pais e acabei vindo falar com vocês — Jennifer explica calmamente como se medisse as palavras.


— Mas que supresa agradável. A gente não estava esperando pela sua visita. Não estávamos esperando mesmo. Nat, você tá sabendo de alguma coisa? Seu pai convidou os Elliot? — Meghan pergunta.


— Que eu saiba, não. Mas que bom que vieram. A casa tá cheia de comida. É bom que não estraga — Nat fala.


— Ah, eu não vim ficar. Só viemos dar uma passada rápida pois temos um compromisso. Estamos a caminho de um jantar na mansão dos Svidetel.


— Olha, que elegante. Um jantar natalino na mansão da família russa. Que bom gosto. Eu ouvi dizer que o nível deles é super além de altíssimo, não é? — Nat diz.


— É sim. Por isso que não vejo a hora de chegar. Estou super ansiosa pela visita. Esse meu vestido vermelho que estou usando foi feito à mão somente pra esse jantar de hoje. Vai ser tudo tão magnífico — ela fala — S/N, que bom que está de volta. Eu confesso que senti falta de você. A última vez que nos vimos foi naquela competição de vôlei entre as escolas. Super épico. Ainda me lembro de cada momento daquele dia. Como você está? — ela lhe pergunta indo em sua direção lhe dando um inesperado abraço. Você não retribui.


— Ah, é. Aquele dia foi muito tenso. Agora, épico? Eu não sei se eu diria que aquele dia foi épico e sim um verdadeiro escândalo — você fala.


— Mas o público gostou, então isso que importa. Confesso que fiquei super com medo daquelas suas amigas que voaram pra cima do meu cabelo. Elas pareciam umas selvagens. Acho que nunca tinha visto aquilo de perto. Exceto quando visitei um colégio interno pra meninas na Inglaterra.


— O que você queria? Você acabou com a amizade daquelas meninas. Se bem que eu não vou te julgar, porque se o namorado de uma estava de caso com a amiga da outra, pensando assim você fez um favor — Meghan ri.


— É por isso que foi um escândalo — você fala.


— Mas não um escândalo maior do que o que você tá passando agora — Jennifer diz — Já imaginaram: receber uma acusação de quase assassinato e ter que se esconder em outra cidade? Aposto que seu nome deve tá em toda a Nevinny agora. Não sei como isso não chegou aqui ainda.


— O quê? Mas do que ela tá falando, S/N? — Meghan pergunta.


— Assassinato? Como assim? — Nat também questiona.


— Hum, pelo visto não estão sabendo ainda. Eu sei. Não é fácil. Por isso eu vou deixar vocês três conversarem assim S/N explica melhor essa história. Bom gente, como eu já disse, tenho um compromisso a caminho. Sinto muito por não ficar com vocês, mas foi bom rever S/N. Feliz Natal.


Jennifer sai com um sorriso de meiga e satisfeita no rosto enquanto que você transparece um olhor de desconforto e seriedade. Assim que ela sai pela porta, Nat e Meghan já querem adiantar o assunto, porém, antes:


— Nossa, vocês viram o vestido dela feito à mão? Eu achei elegantérrimo com aqueles detalhes em diamantes. Simplesmente amei. Mas, enfim, que tal de história de "quase assassinato" é essa, S/N? Qual a polêmica dessa vez? — Meghan questiona.


E a campainha lá embaixo toca outra vez. O gongo bateu na hora certa no exato momento que dona Beatrice aparece no quarto avisando que seu pai Joseph chegara e que está à sua procura.


Sem pensar, você aceita o chamado de dona Beatrice e segue rapidamente ao encontro de Joseph. Mesmo não querendo tanto fazer isso agora, não pôde deixar de aproveitar a oportunidade perfeita pra escapar desse assunto e evitar dar explicações numa noite como essa. Bem, pelo menos, por hora.