Os órfãos de Nevinny Vol.2
3 Primeiro de tudo
— É claro que a gente confia em você. Ora, desde quando S/N teria coragem de fazer isso com alguém. Nós te conhecemos há tempos, não é, Nat? Isso tudo é um mal-entendido — Meghan fala.
— E coloca mal-entendido nisso. Mas se seu pai tá tomando as rédeas, você já é uma pessoa livre. Ninguém vai julgar você — Nat afirma.
— Assim eu espero — você fala — Bom, ainda bem que vocês não me julgaram. Seria horrível se eu não pudesse ficar aqui entre vocês também. É só que eu...
— S/N, cuidado! — Nat grita exageradamente.
Ao virar-se você dá de cara com uma pessoa que está vindo rapidamente em sua direção. Não dá pra ver o rosto. Ela só segura uma estrela pontiaguda na mão parecendo que o ódio tomou conta de si e que está prestes a ser liberado.
Em meio ao medo e pavor do que possa se suceder, você dá um berro assustando quem está ao redor deixando-os um tanto bem preocupados também.
— Aii, S/N, o que foi? Pra que esse grito tão alto? — Meghan pergunta assustada pondo a mão sobre o peito.
— Tá tudo bem por aqui, crianças? Precisam de ajuda? — pergunta o senhor Grant à porta segurando um bastão preto gigantesco de beisebol.
— Não, pai. Tá tudo bem. Acho que S/N só teve um pesadelo — Nat diz.
— É, foi isso. Me desculpa por ter acordado todos vocês. Que vergonha — você diz pondo a mão na cabeça, atordoadx.
— Tudo bem. Acontece. Mas se precisarem de ajuda podem chamar que eu venho correndo com o bastão — Grant fala.
— Valeu, pai. Tudo bem. Nós não vamos precisar. Boa noite. Beijo — Nat fala fechando a porta suavemente.
— Sabe o que foi isso? Foi o lagostim que você comeu no jantar. Muito pesado — Meghan comenta.
— É, pode ter sido. E agora me deu uma dor de cabeça. Tá latejando — você se queixa ainda passando a mão sobre a cabeça.
— Esse pesadelo foi pesado, não é? O que você estava sonhando? — Nat pergunta.
— Sonhando? Não teve nada de sonho. Tinha um cara muito horrível vindo na minha direção e segurava uma estrela pra me matar igual a...
— Igual a do assasino da menina do baile?
— É — você responde — Espera, vocês não estavam dormindo? Nem estão com cara de sono.
— A gente? Dormindo? Em plena noite de natal? Qual é, S/N? Nós nunca fomos disso. Eu e Nat ficamos conversando, assistindo vídeos. Você que dormiu do nada — Meghan diz.
— Eu dormi do nada?
— É. Só se deitou aí na cama da Meghan e em dez minutos dormiu — Nat fala — Eu acho que seu licor de chocolate tinha alguma coisinha a mais.
— Por que eu tô com dor de cabeça? Eu 'tava me sentindo super bem.
— Bem, deve ter se irritado pela visita da irritante da Jennifer. Ela aparece aqui em pleno natal só pra pegar no nosso pé. No seu na verdade. Veio aqui pra soltar uma bomba e foi embora — Meghan diz.
— Mas não se preocupe, S/N. A gente está do seu lado e acreditamos que foi tudo um mal-entendido. Você não seria capaz de fazer uma atrocidade dessa com aquela garota — Nat diz.
— Nossa, nem me fale disso. Esse pesadelo me persegue tão forte que até parece que eu tive alguma coisa a ver — você declara.
— Mas você não teve. Agora nós ficamos um pouco chateadxs ao descobrirmos que a razão da sua volta pra Atelis foi por causa dessa história que aconteceu na sua escola e não porque você quis passar o fim de ano com a gente — Meghan afirma.
— Isso é verdade. Nós nos sentimos um pouco como descartes — Nat diz.
— O quê?! Não, que coisa horrível de se dizer. Eu nunca pensaria isso — você exclama — Mas eu também não podia ficar na cidade. Mesmo eu dizendo que não tive nada a ver com o que fizeram com a garota, ainda tem aqueles que ficaram comentando com segundas intenções e me enxergando como se eu pudesse ser assassinx.
— Bom, a gente não pode reclamar. Se foi esse o motivo principal que te trouxe de volta, pelo menos você tá aqui com a gente.
— Nossa, Nat. Que horror! Você não pensa sobre a vida da garota encontrada quase morta? — Meghan pergunta.
— Claro que sim, mas... ela não morreu, não é?
— Ah, será que a gente pode trocar de assunto? Eu tenho pesadelo com isso. Nunca vou me esquecer da noite horrível que encontrei essa candidata ao baile quase sem vida no chão e todo aquele circo que se formou, todo mundo me julgando. Me digam, o que vocês 'tavam fazendo enquanto eu 'tava dormindo — você fala na tentativa de trocar a temática da conversa.
— Bom, como você acabou dormindo aí na minha cama, eu tive a iniciativa de pedir o seu pai pra você dormir aqui em casa essa noite. Ele acabou aceitando na hora e depois foi embora — Meghan fala.
— Ele nunca fica até o final das festas — você comenta meio decepcionadx.
— Isso é normal. Agora o que eu fiquei chateadx é que a gente não conseguiu terminar o jogo. A Jennifer conseguiu tirar a gente do foco e também o senhor Joseph finalizou o restante com a chegada — Nat diz.
— Pois é. A Jennifer. Eu até agora não sei como ela conseguiu ficar sabendo do que aconteceu na minha escola no baile de inverno. O caso saiu em noticiários de fofoca na internet mas não foi uma coisa grande pra todo mundo ficar sabendo. Tanto que nem meu nome eles falaram, só o da moça. Meu pai pediu pra não comentarem o assunto, mas não teve jeito. Ainda bem que meus colegas me defenderam pra eu não ficar com a imagem manchada.
— Aquela garota não dá um pingo de paz pra gente. Não sei nem o porquê ela ter aparecido por aqui. A gente ficou sabendo que ela tinha viajado e de repente aparece aqui no quarto da Meghan.
— É, mas tá tudo bem. Agora já foi. E também graças a ela ficamos sabendo dessa resenha. Mas a gente entende se você não quis falar a princípio. Eu acho que também ficaria insegura.
— Tá, e o que mais vocês fizeram? — você pergunta.
— Ficamos olhando você dormir. Adoramos ficar te observando — Nat fala, sorrindo.
— É, basicamente foi isso. Nós ainda se despedimos dos convidados que ainda ficaram, na verdade não sei nem se ainda estão aqui. Não tinha mais nada pra fazer, viemos aqui pro quarto enquanto que a Bela Adormecida 'tava esparramada pela minha cama.
— Me desculpa. Não sei o que foi que me deu. Mas garanto que não foi o licor. Ele não tem álcool.
— Se você diz...
— Por falar nisso agora me deu sede. Será que eu posso ir até sua cozinha pra beber água?
— Não precisa nem perguntar, né? Eu vou com você — Meghan diz.
— Eu que não vou ficar aqui só — Nat fala logo se aprontando.
Ao descerem as escadas cuidadosamente, vocês verificam todo o espaço a fim de checarem se a ceia ainda continua e se há pelo menos um convidado pela casa, apesar de ser mais de duas da manhã. Tudo está limpo, a não ser quando passam pela cozinha e veem através da janela uma movimentação e sons de conversa vindo do jardim próximo à piscina. É a dona Zanelda que está acompanhada de um rapaz misterioso. Meghan observa toda a ação um pouco desconfiada, porém nada diz, até você perguntar...
— Quem é aquele rapaz que tá com a sua mãe, Meghan? É algum amigo?
— É, acho que sim. Na verdade nem sei. Mas pra tá aqui sozinho com ela só pode ser uma coisa. Minha mãe não tem jeito mesmo. Toda hora tá acompanhada de um rapazinho diferente — ela diz balançando a cabeça em negação.
— Bom, então vamos logo pegar a água e voltar pro quarto. S/N tome logo um remédio pra dor de cabeça. Quem sabe a gente assiste um filme de terror de natal ou então "Esqueceram de mim"? — Nat sugere.
— Essa é uma ótima ideia.
— Tudo bem, eu vou tomar o remédio — você concorda.

Então, passado algum tempo, vocês assistiram ao clássico "Esqueceram de mim" como Nat havia sugerido, filme estrelado por Macaulyn Culkin. Ao olharem para o relógio vocês veem que agora já passa das cinco e, com exceção de Meghan, você e Nat já evidenciam os sinais para quem pedem por uma boa noite de sono.
— Quem dorme no meio e quem dorme na ponta? — você pergunta.
— Tanto faz. Eu só quero dormir — diz Nat já bocejando.
— Espera. Do que vocês estão falando? Olhem isso que aconteceu na cidade de Montana, não tão longe daqui — Meghan fala e logo começa a ler algo no celular: — " A tranquila rotina da cidade de Montana foi abalada por um caso intrigante que culminou na morte de um morador local. A vítima, cuja identidade não foi revelada pelas autoridades, desapareceu após receber misteriosas coordenadas em seu telefone celular, sendo posteriormente encontrada sem vida em circunstâncias ainda não esclarecidas."
— Caramba, que doido! Isso foi em Montana mesmo? Lá é sempre tão tranquilo — você comenta.
— Espera ainda tem mais — Meghan avisa— "De acordo com relatos preliminares, a pessoa desaparecida havia comentado com amigos e familiares sobre uma série de mensagens enigmáticas que vinha recebendo em seu smartphone. O conteúdo dessas mensagens era, em sua maioria, sequências de números que, quando inseridas em aplicativos de mapas, apontavam para locais remotos e inusitados nos arredores da cidade." Aí aqui também diz que o rapaz saiu pra seguir essas tais coordenadas e a família sem conseguir contato depois de um tempo registrou um boletim de ocorrência. Depois a polícia seguiu os rastros com base na última localização do celular do rapaz, levando-os até uma área rochosa de uma praia da cidade — ela fala — E ainda completam: "Muitos questionam se o ocorrido se trata de um crime premeditado, um jogo perigoso que saiu do controle ou algo ainda mais sinistro. A população de Montana aguarda ansiosamente por respostas, enquanto a polícia segue em busca de pistas que possam desvendar esse enigma macabro."
— Nossa, e põe macabro nisso. Agora, quem em sã consciência se permite fazer uma coisa dessa? Não tá na cara que isso é um extremo perigo? É literalmente dar de caras com o desconhecido — Nat comenta.
— Bom, tem gente que cai em tudo. Não lembram do jogo de caçar Pokémons? Essa notícia me lembrou bastante isso. Acho que alguém se inspirou na ideia desse jogo, só que ao invés de encontrar pokémons, quem dá uma de curioso acaba encontrando isso. Sinto muito falar, mas só quem é idiota o suficiente pra ter coragem de se meter em uma dessa. Procurou, então mereceu — você diz.
— Ai, que horror! Eu sei que é muita ousadia e um pouquinho de falta de senso da pessoa, mas foi apenas a curiosidade que levou a vítima. Quem não iria querer saber o que tem no local de umas coordenadas que você recebe assim misteriosamente? Eu nunca iria, mas não dá uma curiosidade de saber?
— É, pensando assim — Nat fala — Mas enfim... e aí, galera? Vamos dormir?
— Eu ficaria acordada mais tempo, mas daqui a pouco o dia está raiando eu preciso descansar pra acordar renovadíssima amanhã.
— Sábias palavras, Meghan. Vamos. Tira logo esse cobertor da cama e nada de luz de celular — diz Nat logo se ajeitando.
Meghan já se prepara e também vai para a cama enquanto que você observa a cena um pouco afastadx ao passo que pensa no tal jovem da notícia que Meghan havia lido. Realmente dá arrepios de pensar que alguém, por pura curiosidade sai para ir ao local de coordenadas sem saber se estará de volta em casa e com vida.
— Vamos, S/N. Só falta você. Ainda tem um espaço aqui — Meghan avisa.
Um som estrondoso vai se aproximando do lado de fora da mansão. Assim mesmo, de uma vez, sem aviso. É como se tivesse brotado do nada e vai passando ferozmente em alguma certa direção.
Você vai para a janela observar por curiosidade e vê um helicóptero que está bem baixo, quase prestes a pousar.
— O que ele tá fazendo aqui tão baixo? Existe algum ponto de helicóptero aqui perto? — você pergunta com a sensação de já ter visto isso acontecer antes.
— Ah, não liga pra isso. Eles estão há uns dias fazendo essa rota. Mas sim, existe um ponto de pouso aqui perto. Eu mesma já vi. Agora não me questione o motivo porque não sei — Meghan afirma.
— Nós vimos. Confesso que estou intrigadx com isso porque ultimamente eles têm vindo com mais frequência. Na verdade eles vinham mais cedo e não vi mais. Acho que deve ser por isso. Eles mudaram o horário — Nat fala observando enquanto o helicóptero pousa vagarosamente em um ponto distante.
— Mas quem são eles? É alguma coisa do governo? — você pergunta.
— E como vamos saber, S/N? Nós não trabalhamos no governo. Deve ser alguma coisa deles ou algo secreto. Não deve ser nada demais — Meghan diz.
— Espera aí, também não pode ser nada demais. Se antes aqui não tinha isso e do nada passou a ter, então com certeza tem alguma coisa. Nessa vou ter que discordar de você, Meghan — Nat diz.
— Tive uma ideia. Vamos investigar? Nós saímos agora nesse quase amanhecer e vemos o que tem lá.
— O quê?! Você tá louca? O que nós vamos fazer saindo essa hora pra ir atrás de um helicóptero? Que ideia mais absurda.
— É, não vamos. Não quero saber de nada dessas coisas de novo — você declara.
— O que você andou aprontando lá pela cidadezinha roxa? — Meghan fala dando uma risadinha.
— Ah, er... nada. Nada de mais. Eu só quero ficar quietx no meu canto em paz.
É, esse "nada de mais" é apenas para disfarçar e esconder dos seus amigos o que de fato vivenciou em Nevinny: passagens subterrâneas, trilhos de trem espalhados pela cidade, lugares proibidos em Miríade, uma provável enfermeira assassina. Às vezes só de pensar faz surgir a dúvida de que será que vivenciou isso tudo mesmo ou fora apenas uma ilusão ou situações e imagens criadas de um mundo alternativo? Talvez seja isso mesmo ou... não, talvez não seja tanto.
— Ah, já sei o que pode ser isso. Pode ser alguma coisa sobre os testes dos táxis voadores que eles fazem por aqui. Quer dizer, que fazem não, que a família Elliot faz. Eles compraram um táxi voador pra Jennifer. Parece que foi o presente de aniversário de quinze anos adiantado — Meghan afirma.
— Presente adiantado? E já pode andar com táxi voador aqui em Atelis? Isso não só vai ser lançado ano que vem? — você questiona, confusx.
— Pro restante do público, não é, S/N? Agora pra quem tem regalias e condições como as nossas famílias já é outra coisa. Até parece que não sabe. Ficou longe da cidade dourada por uns meses e já esqueceu das regalias que temos?
— Claro que não. Como esquecer?
— Ok, vocês estão aí falando sobre helicóptero e táxi voador, mas acontece que nada disso importa e nada é da nossa conta. O que importa mesmo pra gente agora é irmos dormir, porque agora sim o dia tá nascendo. Olhem pela janela — Nat ordena.
— Realmente... — Meghan diz ao ver os tons amarelados tomando proporção lá fora.
É então que ela abaixa as cortinas automaticamente da janela, vai para a cama em sua companhia, enquanto que Nat já espera esparramadx tomando bastante espaço da cama rosa king size.
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