Os órfãos de Nevinny

94 Entre linhas e palavras



⌚️ 02:39 p.m. na biblioteca da escola...



— Eu quero saber por onde vocês vão começar. Ficar aqui na escola à tarde depois de um dia longo não é fácil. Mas a minha curiosidade é maior — Lavínia fala parecendo aborrecida.


— Eu estive em casa dando uma olhada em algumas coisas. Não pensem que eu deixei de estudar. Foram poucas coisas mas eu não sei se tem alguma ligação com o que a gente tá procurando — Allison diz.


— E o que você achou? Porque eu particularmente se fosse procurar por conta própria não ia fazer ideia por onde começar — você afirma.


— O que eu consegui encontrar foram coisas básicas pela internet, através de sites de arquivos sobre a cidade. Primeiro eu fiz uma comparação das imagens das cartas da parede com as fotos registradas no site pra ter certeza sobre o que eu pensava e sim, elas realmente são dos fundadores da cidade de Nevinny — Allison afirma.


— Mas isso você já tinha falado naquela tarde. Qual a descoberta? — Lavínia pergunta.


— Bom, descoberta mesmo não foi nenhuma relevante, mas com essa já demos o nosso primeiro passo.


— Tá, mas se na internet que é onde tem tudo você não conseguiu desvendar o mistério e você acha que aqui pelo livro a gente vai conseguir achar?


— A gente tem que tentar alguma coisa. Só precisamos conseguir a ordem certa das cartas e quais cartas que se encaixam lá na parede — você diz.


— Ótimo, S/N. Você falou o que a gente já sabe — Lavínia diz batendo com a mão sobre a testa.


— Allison, você conhece mais a história da cidade. Se a gente encontrar algum livro aqui na biblioteca que fale sobre o assunto você saberia dizer algum título?


— Ah, qualquer coisa que no meio tenha Nevinny, ou fundadores ou sei lá. Qualquer coisa parecida — Allison fala.


— Ok, então vamos começar. Duvido muito que a gente encontre o que a gente procura, mas vamos ver no que dá — Lavínia comenta.


— Certo. Então S/N procura numa parte, Lavínia em outra e eu vou dando mais uma olhada na internet pra facilitar nossa procura.


— Tá bom — você concorda.



Então, em meio a esse tempo vocês encontram alguns livros que mais chamaram suas atenções, porém suas expressões não são as das mais animadas ao avaliarem a quantidade de livros que encontraram. Dá até pra contar nos dedos. Ao todo são cinco.


Ao levarem os exemplares até à mesa onde Allison está sentadx, sua reação não é tão animadora quando ao torcer os lábios diz:


— Eu já esperava que não iam encontrar tanta coisa. Talvez na biblioteca central a gente consiga mais.


— É, mas a gente tem que ver antes o que tem neles. Qualquer ajuda ou informação são sempre bem-vindas pra ajudar — você diz logo abrindo um dos livros, manuseando-o — "Soberania e poder: uma história de conflitos em Nevinny. São 250 páginas. Vai ser meu trabalho de escola do final de semana.


— Eu não teria paciência pra ler tudo isso. Mal leio os da escola — Lavínia diz com desdém.


— Mas calma, vai dar certo. O tempo que a gente passar procurando as pistas vai ser o tempo que vocês vão poder voltar em Miríade. Uma visita a mais em tão pouca distância de tempo entre esses dias com certeza vai chamar a atenção do pessoal de lá. Vocês sabem como a população de Miríade é.


— A gente sabe, sim — você diz.


— Bom, eu vou dar uma olhada nesse que eu peguei de 100 páginas. Ele fala sobre os lados da cidade. Se tiver figuras vai ser bem mais fácil encontrar alguma coisa também — Lavínia diz mostrando um simples livro cinza escrito "Sangue azul e vermelho".


— Melanvique. Eu nunca ouvi falar desse autor — você diz.


— Ele é um autor super conhecido da cidade — diz Allison — É antigo. Escreveu sobre a história da cidade algumas vezes. Inclusive eu pesquisei muito sobre ele. De acordo com suas palavras ele foi um sobrevivente dos tratamentos de choque e de tortura dos miridianos. Lembra daquelas coisas velhas que encontramos na noite que descobrimos o túnel secreto?


— É sério?! Aquilo realmente existiu aqui? — você pergunta sem acreditar.


— Sim. História triste. Nem queria saber do resto.


— Credo, que coisa mais estranha e triste — Lavínia comenta.


— Pois é. Se as pessoas encontrassem aquilo ia ser um escândalo — você diz, pensativx.


— Ou talvez nem tanto. As pessoas já esperam o pior de Miríade mesmo — Allison fala.


— Certo, agora voltando pra parte principal da conversa: nós precisamos descobrir o quanto antes o código de passagem daquela porta pra ver o que tem naquele grande terreno. Vocês acham que a gente consegue ir antes do ano acabar? Daqui a pouco o ano acaba. Não sei se vai dar tempo.


— Vai depender do nosso empenho, se vocês cooperarem — Allison diz olhando fixamente para Lavínia.


— Por que você tá olhando pra mim assim desse jeito? Eu já disse que vou ajudar. Lógico que no meu tempo, mas podem contar comigo — ela afirma.


— Mas as provas finais já estão quase chegando. A gente também não pode fazer disso nossa maior prioridade — você declara — Allison, você tem certeza que ninguém do seu bairro desconfia do que a gente foi fazer lá nas duas vezes que fomos, né? Aqueles dois homes que estavam de guarda na última vez que a gente foi lá e ficaram parados, até hoje você nao explicou direito essa história dos dois.


— Expliquei sim. Os dois são aliados da causa e com isso não precisa se preocupar — Allison afirma asseguradamente.


— Tem certeza? — Lavínia pergunta.


— Claro que eu tenho — elx diz.


— Às vezes eu fico querendo perguntar pro meu pai se ele sabe de alguma coisa — você fala.


— O quê?!


— É. Tipo, ele é amigo do pai da Cynthia e eles fazem negócios juntos. O pai da Cynthia é daqui. Vocês acham que o meu pai não ia saber de nada relacionado à história da cidade?


— S/N, nós queremos que no mínimo zero pessoas saibam o que a gente tá querendo saber e o que a gente tá fazendo. Agora você tá querendo incluir mais uma pro meio dessa história? — Allison pergunta balançando a cabeça.


— Mas não é como eu fosse perguntar à ele diretamente o que eu quero saber e muito menos eu vou dizer o que a gente tá fazendo, né? Isso seria idiotice da minha parte — você diz.


— Tá bom, me desculpa.


— Mas até que não seria uma ideia ruim. Allisson também podia perguntar pro pai. O senhor Padalecki não é policial? Ele também não mora no bairro centro dessa história? Por que a gente não poupa tempo de ler todos esses livros e fazemos logo uma entrevista com ele? — Lavínia sugere.


— É, essa seria uma boa ideia também — você diz, pensativx.


— Eu não sei. Acho que deveríamos fazer isso por conta própria — Allison fala.


— Allison e sua mania de querer ser autossuficiente.


— Não é mania de querer ser autossuficiente, é apenas se preocupando em evitar colocar a gente no meio de confusão.


— Tá, vocês não vão querer discutir agora — você diz — Lavínia, sua mãe também não sabe de nada da cidade?


— Não tô acreditando que você tá cogitando em fazer isso mesmo, S/N.


— Calma, Allison. Eu sei o que eu tô querendo fazer — você afirma.


— Bom, minha mãe deve saber de alguma coisa. Nada que vá trazer uma luz pra o que a gente quer saber, mas eu também posso ver com ela. Ela nasceu aqui então deve saber de coisas — ela diz.


— Faz isso. Quanto mais informação melhor — você afirma — O pai de Allison também com certeza deve saber de bastante coisa, mas por causa da profissão dele não vai esclarecer tanta coisa assim ou então talvez até nada. Os policiais são bem sérios e confidenciais e acho que o senhor Padalecki não faz o tipo que aceita algum tipo de suborno.


— Não mesmo. Isso seria uma ofensa — Allison dispara — Por favor, não queiram meter meu pai nessa. Aliás ele é bem ocupado. Nunca que ele iria ter tempo pra isso também.


— Eu 'tava até pensando em como a gente poderia fazer. Mas acho melhor deixar pra lá.


— Então a gente vai ter que ler todos esses livros mesmo? — Lavínia pergunta um pouco desapontada.


— Vai. Você vai se sair bem nessa, Lavínia — Allison diz.



Você, pensativx, acaba de ter uma ideia que parece ser excelente conforme a ideia do que está sendo discutido. Há uma pessoa que vem na sua mente que pode lhe proporcionar as informações que necessita, porém há uma dúvida que lhe deixa um pouco receiosx se isso é o certo a ser feito.


— Eu conheço uma pessoa que pode falar bastante coisa sobre a história da cidade e talvez dar uma pista sobre o que o a gente quer. Inclusive eu até falei dela com vocês — você diz.


— Quem é? — Lavínia pergunta.


— Aquela minha amiga que foi encontrada desacordada na casa dela. Lembram que eu disse que ela foi ameaçada em um bilhete escrito? Pessoas comentaram que realmente pode ser obra dos miridianos. Ela pode ter muitas histórias por aqui e deve saber de pelo menos alguma coisa também. Talvez ela possa ajudar a gente. Eu posso pelo menos tentar.


— Aquela que era cuidada pela Mirella? — Allison pergunta.


— É.


— Ótimo. Então fala com ela logo — Lavínia diz.


— Só que tem uma coisa...


— Sempre tem — Allison comenta.


— Pelo que eu percebi pode ter uma chance de ela não estar totalmente com noção na cabeça. Nas últimas vezes que eu falei com ela, dona Ami fazia algumas confusões no meio das histórias. Ela diz ter vistos coisas ou sonhou, eu não sei, mas pelas substâncias que provavelmente ela 'tava tomando, isso pode ter deixado a mente dela confusa.


— Ótimo, então nós vamos se basear por uma história de uma bêbada — Lavínia reclama.


— Ela não é bêbada. Mas agora que ela tá afastada de Mirella e tá sendo cuidada por alguém de confiança, pode ser que ela não fale mais nada confuso. Ela pode estar melhor agora.


— Eu não sei. Tenho medo de isso ser perca de tempo, S/N — Allison declara.


— Não vai ser. Ela pode ajudar.


— Eu espero que sim. Mas gente, vamos mudar de assunto agora. Olhem pro lado. Vejam quem tá vindo pra perto da gente.


Lavínia avisa e, ao olharem para o lado, veem que quem está se aproximando em passos um poucos apressados é a bibliotecária carregando um sorriso singelo e ao mesmo tempo ameaçador como se estivesse prestes a devorar.

Notas finais
Saiu mais um capítulo, meus queridos leitores! Espero que tenham gostado. Esse foi mais curto, mas foi importante. Venho desejar um Feliz Natal e até o próximo capítulo:)