Os primeiros sete

5 Terça-feira, dia 5


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês! Espero que gostem! Boa leitura!

— Ei, homenzinho! Bom dia! – Steve disse sentado na beirada da cama do filho – Vamos acordar? Tem um belo sol lá fora – Steve disse sorrindo e acariciando o rosto do garoto

— Papai – O garoto disse abrindo os olhos devagar

— Ei, meu filho – Steve disse sorrindo pro menino – Bom dia, meu amor

— Bom dia, papai – Freddie disse baixinho – Desculpa – Freddie disse frustrado e com lágrimas silenciosas rolando pelo rosto

— O que foi? Por que está pedindo desculpas, carinha? – Steve disse alerta e viu o filho ficar envergonhado e como num clique, sua própria imagem de quando era criança veio à mente – Oh... Ô amigo, não se preocupe – Steve disse com cuidado – Está tudo bem, ok? Todo mundo molha a cama um dia. Não precisa ficar envergonhado – Steve falou segurando a ponta do cobertor como se pedisse autorização para retirá-lo, então Freddie afastou as mãos dele e Steve puxou com cuidado

— Eu não queria, papai – Freddie falou tentando manter a calma, então Steve o pegou e o sentou em seu colo

— Eu sei que você não queria, filho – Steve disse o olhando – O papai sabe que foi um acidente, e olha, acidentes acontecem, não se preocupe – Steve falou com calma – Tem pessoas que dizem que não, mas tem um segredo que elas escondem, sabe qual é?

— Não

— Todo mundo já fez xixi na cama um dia

— Mesmo? Até você, papai?

— Até o papai – Steve falou ao garoto – Escuta meu pequenino, você não tem que se desesperar por isso e nem pedir desculpas, ok? Você não tinha controle sobre isso, foi um acidente, e acidentes acontecem

— Mesmo? – O menino olhou um pouco chateado pra Steve

— Mesmo – Steve assegurou – Mas eu quero saber uma coisa muito importante

— O que, papai?

— Cadê o me abraço? – Steve perguntou e o menino rapidamente se levantou no colo e passou os braços ao redor do pescoço de Steve – Esse é o melhor abraço que eu já tive – Steve sorriu e também envolveu o garoto em um abraço apertado – Filho, vamos tomar um banho para ir a escolinha hoje?

— Eu não quero a escola, papai – Freddie rapidamente se afastou e olhou pra Steve

— E se o papai ficar lá com você hoje?

— Não vai embora? – Freddie perguntou assim que Steve o pôs em pé na beirada da banheira

— Podemos fazer um teste? O papai estará com você na escola até você se sentir bem e a vontade, tudo bem? – Steve disse ligando a água

— E você vai pro trabalho?

— Se você se sentir bem pra ficar sozinho com todos os amiguinhos e as tias da escola, sim. Mas se você não quiser, o papai vai ficar – Steve disse ajudando o filho a tirar os pijamas e entrar na água. Ao invés de jogar no cesto de roupa suja, Steve separou o conjunto e fez uma anotação mental para colocar para lavar antes de sair de casa

— Papai, eu acho que eu quero trabalhar com você e não quero a escola

— Você quer, é? – Steve sorriu – Bom, agora você tem que estudar primeiro, e depois quando você for um garoto grande, aí pode trabalhar

— Eu vou trabalhar com você quando eu for um garoto grande?

— O tempo dirá, amigão. Mas acho que até lá você vai cansar do trabalho do papai – Steve disse passando o shampoo nos cabelos do filho – Fecha os olhos – O garoto obedeceu e Steve lavou a cabeça do filho e pegou uma escova com pasta de dente – Os dentinhos – O garoto pegou a escova e começou a escovar

— Eu não acho que vou cansar, eu não estou fazendo agora – Freddie disse assim que terminou a escovação

— Ah – Steve riu – Boa garoto! – Steve terminou de dar banho no filho, ele o secou e o ajudou a vestir o uniforme da escola, penteou seus cabelos e por fim, passou um perfume no garoto – O papai vai tomar um banho, a porta do meu banheiro estará aberta, ok? – Steve disse trazendo o filho no colo até seu quarto e o colocou no chão

— Papai, posso ver desenho enquanto você toma banho?

— Ver desenho? – Steve disse o olhando – Você não acha melhor brincar com algum brinquedo ou desenhar?

— Não, eu gosto de assistir desenho

— Freddie, vamos combinar algo antes?

— Combinar o que?

— Você vai assistir o desenho, mas quando o papai dizer que tem que desligar, você desliga, ok?

— E se o desenho não tiver acabado?

— Freddie, hoje temos compromisso de ir à escola, não podemos nos atrasar a compromissos

— Tá bom então, eu vou ver só um pouquinho

— Ok – Freddie se sentou na cama e Steve pegou o controle da nova televisão que ele havia comprado pro seu quarto. Ele procurou por algum desenho e colocou antes de pegar suas roupas e sua toalha e seguir para o banheiro. Alguns minutos depois — Steve acabou dando uma folga pro garoto e demorou um pouco a mais no banho — ele já saiu pronto – Hora de desligar, filho

— Não – Freddie disse vidrado na televisão

— Filho, vamos. Você tem que tomar seu café da manhã para irmos

— Eu não quero, papai – O garoto disse sem olhar pra Steve

— Freddie, nós combinamos, filho! – Steve pegou o controle e desligou a televisão, torcendo pro garoto não chorar

— Não! – Freddie rapidamente se levantou, ficando em pé na cama – Eu quero o desenho! Liga!

— Você não pode continuar a assistir o desenho, filho. Você precisa comer para irmos para escola, ou vamos nos atrasar – Steve disse calmamente

— Então eu quero o celular – Freddie disse se sentando e pegando o celular na mesa de cabeceira

— Não. Você tem 3 anos, sem celular pra você, amigo – Steve pegou o garoto no colo – Vamos, entrega ao papai – Steve pediu

— Quero o joguinho

— Não tem joguinho aí, amigo

— Coloca o joguinho

— Freddie, não tem joguinho no meu celular – Steve o olhou sério e Freddie entregou o o celular para ele – Precisamos comer antes de sair, vamos filho – Steve disse descendo as escadas

— Não estou com fome

— Você precisa tomar pelo menos um pouco de leite, Freddie – Steve disse o sentando a mesa – Por favor amigo, olha, cereais de chocolate – Steve disse tirando a caixa de dentro do armário e o mostrando

— Talvez eu quero só um pouquinho – Freddie olhou pra Steve

— O papai vai colocar o cereal pra você, amor – E assim Steve fez, e em alguns segundos a tigela já estava na frente do menino – Eu vou organizar as coisas de você levar pra escola enquanto você come, ok? – O garoto concordou e Steve começou a preparar a lancheira. Era lanches leves, já que na escola eles serviam o almoço para as crianças, Steve então cortou algumas frutas, separou alguns biscoitos, um sanduíche com queijo « porque ele sabia que Freddie gostava » um suco de laranja. Em seguida foi pro quarto do filho, separando duas mudas de roupa — a escola pedia uma, mas ele é um cara prevenido — ele conferiu se não havia nada faltando da mochila do dia anterior, e concluindo que não, ele partiu para a segunda coisa.
Steve pegou a roupa de cama suja do menino e jogou no canto do quarto, retirando o colchão da cama, o colocou no sol na sacada da casa que dá de frente para a praia e, voltando pra dentro, pegou o pijama do garoto no banheiro, a roupa de cama no quarto e desceu as escadas até a lavanderia. Colocando o pijama em um saco para roupas delicadas, ele jogou na máquina e colocou o lençol e o cobertor. Ele colocou a máquina pra funcionar e voltou para onde o menino estava. Freddie havia acabado de comer e esperava Steve silenciosamente na mesa – Tudo bem, amigo? Já terminou ou quer mais?

— Não quero mais

— Tudo bem, amigão – Steve pegou a tigela, colocou dentro da pia e abriu a torneira para que enchesse de água para facilitar na lavagem mais tarde. Steve trocou a água e a comida do Eddie e voltou para onde o menino estava – Agora vamos, nós estamos atrasados e temos quer ir – Steve pegou o filho no colo e conferiu a roupa dele, que pra sua sorte, não havia nem uma gota de leite

— Mas você não vai comer seu cereal antes de sair, papai?

— Hoje não, pequeno – Steve fez a segunda anotação mental naquele momento: acordar mais cedo pra evitar que imprevistos os atrasem

— Papai, eu posso andar – Freddie disse e Steve deixou que descesse de seu colo, ele pegou a mochila e a lancheira do filho, colocou a arma e o distintivo na cintura, e, fazendo uma pequena varredura para conferir que tudo estava fechado, ele ativou o alarme e os dois saíram em direção a escola

— Escuta amigão, o papai está com você, ok? Você não vai fazer isso sozinho – Steve disse após tirar o menino da cadeirinha – Colo ou andando?

— Com o papai – Freddie agarrou o pescoço de Steve

— Tudo bem, vamos lá amigo – Steve pegou a mochila e a lancheira do garoto, colocou a arma e o distintivo no porta luvas do carro. Ele não queria estar com eles, principalmente a arma, dentro de uma sala com varias crianças – Vai ficar tudo bem, amigão – Steve disse trancando o carro e seguindo para dentro da escola

— Quero ir pra casa, papai – Freddie falou baixinho pra Steve enquanto passavam por alunos e pais

— Amigo, você nem experimentou ainda

— Não gosto – Freddie disse com a cabeça deitada no ombro de Steve – Vamos pra casa, papai, por favor – Freddie disse abafado pelo pescoço de Steve, mas ele pôde sentir lágrimas molhando sua camisa e a respiração quente e acelerada

— Ei amigo, o que está acontecendo? – Steve disse sentando em um banquinho que havia ali – O papai vai ficar com você

— Quero nossa casa – Freddie disse e olhou pra Steve

— Escuta amigão, vamos experimentar como é sua escola, ok? Vamos lá, vai ser divertido – Steve disse secando o rosto do filho com uma toalhinha de boca que estava guardado na mochila – Vai ficar tudo bem, carinha – Steve disse olhando pro menino – Eu sei que coisas novas são assustadoras, mas eu sei que se formos juntos, não vai ser tão assustador assim

— Promete?

— Prometo, filho – Steve disse o olhando – Eu vou estar com você o tempo todo – Steve sorriu pro garoto e ele se levantou com o menino no colo. Eles então seguiram até a sala onde Freddie estudaria – Pronto, campeão?

— Pronto, papai – Freddie disse levantando o rosto e passando só um dos braços ao redor do pescoço de Steve e ele avançou um pouco, ficando em frente a sala

— Ei, bom dia, senhorita Bennett – Steve disse ao ver uma das professoras ali na porta « Como ele sabia o nome dela? Talvez Steve tenha visitado escola por escola e conhecido cada um dos professores quando as visitou. E talvez, só talvez, tenha feito um pesquisa sobre cada um deles» – Steve McGarrett, estive aqui na semana passada

— Me lembro de você, Comandante McGarrett! Bom dia! Então esse é o pequeno Freddie?

— Ele mesmo – Steve sorriu – Eu liguei ontem, porque ele acabou não vindo. Hoje também não queria ficar, mas eu quero testar algo

— Quer ficar com ele aqui para uma adaptação?

— Sim, eu acho que poderia funcionar

— Claro, não tem problema. Isso é algo bem comum, mas temos que tentar que ele enturme...

— Tudo bem – Steve disse entendendo o recado – Obrigado por isso

— Sem problemas – Ela sorriu – Só preciso que tire as botas antes de entrar, você sabe, crianças pequenas

— Claro, eu entendo isso – Steve sorriu

— Então, oi Freddie – A jovem mulher disse carinhosamente ao menino – Meu nome é Laura, tudo bem com você? – Laura disse pegando a lancheira e mochila de Freddie das mãos de Steve

— Você pode dizer oi, Freddie? Está tudo bem, eu estou com você – Steve disse baixinho ao menino

— Oi – Freddie a olhou

— Filho, o papai precisa tirar os sapatos para ficar na sala com você. Pode descer do colo um pouquinho? – O menino obedeceu e Steve retirou os sapatos e eles entraram na sala com Freddie agarrado a mão do pai. Steve se sentou em um canto específico da sala que daria opções pro Freddie querer juntar-se ao restante da turma. Não demorou muito para que toda a turma estivesse ali, não era muito grande, Steve contou 9 crianças na sala.

— Qual que é seu nome? – Um garoto disse após se aproximar de Freddie e Steve

— Freddie

— Meu nome é Sean, você quer brincar comigo e com meus amigos? – Freddie olhou pro menino – Vem, vamos lá

— Vai lá, amigão – Steve encorajou – Estarei aqui se você precisar

— Promete?

— Sim, eu prometo – Steve disse e o garoto se levantou para ir com o novo colega.

Uma vez que Freddie foi para junto dos colegas, ele esqueceu que Steve estava ali e seguiu com as brincadeiras propostas pelas professoras e atividades. No momento do almoço, Steve se aproximou do garoto para conversar

— Ei amigão – Steve andou rápido até ele – Como você está? Tudo bem?

— Papai eu tô com meus amigos – Freddie disse ansioso pra voltar para junto das outras crianças

— Ah, está com seus amigos? – Steve sorriu

— Sim, eu posso ir lá?

— Pode, mas o papai quer saber uma coisa: Tudo bem se o papai ir pro trabalho agora? Mais tarde, quando acabar a aula, estarei aqui para te buscar

— Pode ir, papai – Freddie disse antes de correr para junto dos amigos

— Tchau, filho – Steve disse e o menino deu meia volta e pulou no colo do pai

— Tchau, papai – Freddie disse antes de voltar correndo para junto dos outros. Ele se despediu das professoras, e, dando uma última olhada no menino, saiu da escola em direção a algum restaurante. Depois de almoçar, Steve foi para a sede, onde mal entrou em seu escritório e Danny já estava lá dentro

— Você parece as vizinhas fofoqueiras da minha rua

— Suas vizinhas fofoqueiras?

— Sim, a Beth e a Melissa, todo santo dia estão falando sobre algo e se uma delas estiver fora por um tempo, querem saber o relatório completo do que aconteceu

— A Beth que acha que somos casados?

— É, essa Beth – Steve o olhou

— Fofoqueira sem vericidade. Eu pelo menos tenho certeza do que falo – Danny se sentou no sofá de Steve – Então, achei que iria passar o dia na escola, aquela mensagem que você me mandou pareceu que o Freddie estava muito assustado

— Mas ele estava, no início. Depois ele quase saiu sem sequer dar tchau – Steve o olhou

— Tem quanto tempo que saiu de lá?

— Uma hora e meia, talvez. Tive que almoçar, hoje de manhã foi uma loucura, sequer tive tempo de tomar meu café

— É assim mesmo – Danny suspirou

— Algo em andamento?

— Se tivesse, estaríamos aqui? – Steve deu um olhar mortal a Danny, que riu

— Eu achei que Freddie iria demorar um pouco mais para se acostumar com a escola

— Você já sente falta dele, não é?

— Ontem, apesar do caso, eu passei um tempo com ele. Mas agora eu só vou vê-lo no fim do dia. Eu não queria colocá-lo em tempo integral, mas não tenho escolha. Ele não pode vir aqui todo dia depois da aula.

— Eu sei como se sente – Danny se levantou e se sentou na cadeira em frente à mesa de Steve – Você sabe, agora ele tem vida social, as mães vai começar a chamá-lo para festinhas de aniversário, convites para brincar na casa de um coleguinha, espera até ter as festas do pijama!

— Tá dizendo que ele vai me esquecer?

— Esquecer é muito dramático, até pra mim.

— Repete? Você assumiu ser dramático?

— Não, você entendeu. Mas você vai passar ficar sem ele em um sábado inteiro, ou pelo menos a tarde, só que a noite ele vai chegar bem cansado, o que te sobra só o domingo, e olhe lá

— Isso era pra me deixar mais animado? Porque você falhou

— Só estou dizendo que tem que se acostumar a ficar algumas horas longe dele

— É, eu sei

O resto do dia passou lentamente, e já era hora de Steve buscar o menino na escola. Quando chegou lá, Freddie viu Steve e correu até ele

— Papai, papai! – Steve se abaixou e o menino pulou em seu colo

— Ei meu amor, como você está?

— Papai, eu pintei com tinta e eu brinquei no escorrega! Eu, o Tim, a Alice, o Sean, o Bobby, a Clarinha e a Mary brincamos na areia e com água

— Isso é muito bom, amigo – Steve disse sorrindo – Então você gostou da escola?

— Sim! Foi tão legal! – O menino disse animado

— Ele se divertiu bastante – Laura se aproximou para entregar as coisas do Freddie

— E foi tudo bem? Ele comportou e comeu direitinho?

— Sim, foi tudo ótimo. Ele é um bom garoto – A professora sorriu

— Que bom que foi tudo bem – Steve sorriu pro garoto

— Ele só não quis dormir a tarde, mesmo que estava cansado preferiu ficar brincando, como não forçamos eles a dormir, não insistimos

— Entendi, obrigado – Steve fez uma pausa – Filho, dá tchau para irmos pra casa

— Tchau, tia Laura – Freddie disse sorrindo

— Tchau, Freddie – Ela sorriu – Nos vemos amanhã

— Tchau, senhorita Bennett – Steve disse, ela assentiu e Steve para fora com Freddie. Steve colocou o garoto na cadeirinha então começou a dirigir pra casa, e Freddie já não aguentava mais 1 minuto acordado, quando Steve olhou pelo retrovisor, ele já estava dormindo.

Notas finais
Mahalo a quem leu até aqui. Nos vemos em breve com mais um capítulo!