Os primeiros sete

6 Quarta-feira, dia 6


Notas iniciais
Voltei com mais um capítulo! Então, esse capítulo é especialmente para a Ana, uma amiga que fiz no Twitter por causa de Hawaii Five-0, (que inclusive, foi uma conversa com ela que gerou a minha inspiração para toda essa história de Steve ter um garotinho!) que hoje está fazendo aniversário! Enfim, Ana, feliz aniversário pra você, que você esteja tendo um bom dia (apesar de tudo que vem acontecendo no país e no mundo nessas últimas semanas), desejo muita saúde e felicidade para você, muitas séries que você acompanha sejam renovadas e que os seus shipps não naufraguem (Miggs!!!)! Fique segura e meus parabéns pelo seu dia!!

— O que é isso? – Freddie disse vendo um pacote na porta da casa

— Deixa eu ver – Steve abriu a porta e pegou o pacote

— Papai, posso ver desenho? – O garoto disse assim que colocou os pés dentro de casa – Eddie! – Freddie falou assim que o cachorro apareceu correndo em sua direção

— Ei garoto – Steve passou a mão nos pelos do cachorro que estava no meio de uma sessão de abraços e carinho com o filho

— Então papai, eu posso ver o desenho? – Freddie disse ficando em pé novamente após Eddie correr pro andar de cima – O Noah disse que quando ele chega da escola ele vê Mini Beat Power Rockers

— Depois o papai vai ver se é um desenho pra você assistir, ok? – Steve disse entrando em casa e fechando a porta da frente

— Mas papai, o Noah vê – Freddie fez bico e se aproximou da televisão – Por favorzinho

— Olha, é pra você – Steve falou após ler o nome do filho no pacote e o entregou

— O que é isso? – Freddie disse se sentando no chão

— Abre aí – Steve olhou e o garoto começou a abrir

— Me ajuda, papai? – Freddie disse entregando o pacote meio aberto pra Steve, que se sentou ao lado dele

— Gosta de livros, garoto? – Steve disse abrindo o restante do pacote

— Eu gosto mais de desenho – Freddie olhou pra Steve – São livros? – Ele perguntou quando o pai terminou de abrir

— É, são livros. Não gostou, filho? Você gosta de quadrinhos

— É que eu gosto mais da televisão, eu posso ver o desenho agora? – Freddie se levantou, sem sequer dar atenção aos dois novos livros que haviam chegado – Quero ver desenho, papai, por favor – Steve respirou fundo e olhou pro menino em pé ao lado dele

— Tudo bem, só enquanto eu faço o jantar

— Tá bom, papai – Freddie sorriu amplamente e pulou no sofá

— Mas antes, nós vamos conversar – Steve também se levantou e sentou ao lado do menino no sofá – Filho, nós temos que estabelecer uma coisa importante

— O que é estabelecer?

— Estabelecer é... Como eu posso dizer? Instituir, temos que instituir uma coisa

— Eu também não sei o que é isso, papai

— Ok, vou tentar de novo. Hum, nós temos que ter algumas regras. Entendeu?

— Sim

— Escuta, ontem, antes de ir para a escola, nós fizemos um combinado, você só iria ver televisão enquanto o papai tomava banho, e depois iria desligar sem problemas, lembra? – O garoto concordou com a cabeça – Então filho, você não quis cumprir esse acordo

— Mas agora eu vou fazer certo

— Filho, escuta, quando fazemos um acordo, um combinado, uma promessa, nós devemos cumprir. Freddie, nós não mentimos um para o outro, nem pra ninguém

— Porque?

— Mentir é errado, Freddie, e tem consequências quando se faz isso, por menor que seja a mentira – Steve olhou pro garoto sentado no sofá o olhando como se o pai fosse atacá-lo a qualquer momento – Quando você faz um acordo e não cumpre, isso é mentira, sabe? E isso não é legal, isso não é certo. E aqui, aqui isso é uma regra, filho. Nós não mentimos. Mentiras trazem consequências e danos, e em algumas vezes, não dá pra voltar atrás. E nós não queremos isso, não é?

— Não, papai. Desculpa – Freddie disse baixinho

— Está tudo bem, filho – Steve disse o pegando no colo – Ainda não tínhamos falado sobre as regras, nós temos algumas e temos que conversar sobre isso

— Temos?

— Sim, nós temos – Freddie olhou ansioso para Steve

— Fala, papai

— Por enquanto, duas regras. E a número 1 é, nunca diga mentiras, não importa menor que seja

— Tudo bem, sem falar mentira

— Regra número 2, sempre cumpra o que prometeu

— Não falar mentira e fazer o que prometer, eu acho que eu sei fazer isso

— Isso é bom, amigo – Steve sorriu

— Tem mais regras?

— Você gostou das regras, cara? – Steve olhou pro menino que respondeu com um sorriso – Bom, tem outras regrinhas, mas por enquanto quero que saiba essas duas, ok?

— Porque as outras não?

— Aos poucos nós vamos conversar sobre isso, filho – O menino olhou pra Steve – Escuta, você deve estar com fome, vou preparar o jantar

— Liga a televisão? – Freddie deu um sorriso sapeca pra Steve

— Podemos combinar que quando o papai chamar, vamos desligar?

— Podemos

— Então está combinado? – Steve disse se levantando

— Sim! – Freddie sorriu animado e Steve ligou a televisão e seguiu para a cozinha pra fazer a comida. Quase 40 minutos depois, Steve voltou pra sala, onde só se ouvia as vozes das personagens do desenho e se via um Freddie muito concentrado

— O jantar está pronto, filho – Steve disse após se sentar ao lado do menino no sofá e espiar o desenho – Vamos desligar a televisão e ir comer?

— Só mais um pouquinho, papai – Freddie disse olhando para a televisão e agarrando o controle

— Filho, como é a nossa regra? – Steve disse sério e o filho o olhou como um cachorrinho que caiu da mudança, o que quase fez Steve ceder. Quase.

— Tudo bem – Freddie entregou o controle que estava segurando para Steve – Mas eu quero ver depois de novo

— Vamos conversar sobre isso depois, ok? – Steve se levantou – Agora o senhor vai lavar as mãozinhas para poder comer – Steve pegou o garoto no colo e andou até a cozinha, onde Freddie lavou a mão e em seguida, Steve o sentou à mesa

— O que é isso? – Freddie perguntou após ver o prato já montado

— Legumes assados, arroz e franguinho assado, tudo cortadinho para você – Steve fez uma pausa – Olha, tem cenoura, brócolis e batata

— Eu queria macarronada

— Por mais que seja muito gostoso, não é muito saudável comer sempre, filho. Tivemos macarronada ontem, lembra?

— Eu não gosto desse – Ele apontou pra cenoura

— Você já comeu antes?

— Eu não sei se eu comi

— Mas a cenourinha é muito boa, amigo – Steve disse puxando uma cadeira para ficar ao lado do filho – Experimenta, só um pedacinho – Steve disse colocando na colher do garoto um pedaço

— Não, papai – Freddie disse o olhando – Quero só o franguinho – Falou antes de pegar um pedaço no prato e em seguida comeu

— Ei amigo, não pegue a comida com as mãos

— Minha mão está limpa

— Eu sei, mas você precisa comer com a colher – Steve indicou a colher com a cenoura – Experimenta só um pouquinho, pequeno

— Não gosto, papai

— Você já experimentou para saber se não gosta?

— Não, só que eu não gosto – Freddie disse pegando a colher tirando a cenoura e pegando um pedaço de batata

— Come o brócolis também, filho – O menino pegou um pedaço do brócolis e comeu sem nenhum problema. Steve tentou mais uma vez que ele comesse a cenoura mas nada feito. Então Steve colocou seu prato e eles jantaram juntos, com direito a uma segunda rodada pro garoto.

— Agora eu posso ver mais desenho? – Disse após terminar de comer

— Você já viu muito desenho – Steve falou o ajudando a descer da cadeira

— Só um pouco

— Não filho, chega de desenho por hoje

— Mas papai...

— Não, filho

— Só que...

— Escuta – Steve se abaixou na frente do menino – Regra número 3, não é não, então, não insista

— Papai...

— Não, filho. O papai já falou. Olha, você pode desenhar, brincar, olhe seus livros, você nem viu

— Não gosto deles – Freddie fez bico – E nem gosto de brincar e nem de desenhar... Só gosto de desenho!

— Escuta, o papai vai arrumar as coisas na cozinha, quer ficar aqui e me dizer como foi seu dia? – Steve disse mudando o assunto, o que fez a expressão do garotinho mudar rapidamente

— Ah! Ah! Ah! – O menino falou agitado e Steve se levantou, indo pra cozinha seguido do filho – A mãe da Keith levou uma torta de abacaxi hoje pra todo mundo

— Ah é? E você gostou? – Steve disse o pegando no colo e colocando sentado na bancada perto da pia

— Sim! Foi a melhor torta que eu já comi! Depois nós fomos no parquinho, eu fui na gangorra, a tia Laura me ajudou! Era alto e legal!

— Você gostou mesmo da escola, né?

— Sim! Lá é muito legal, e eu fiz um desenho nosso, mas a tia disse que não eu não podia trazer hoje mas só depois que a escola acabar

— Entendi, olha, estou ansioso para ver seu desenho

— Eu fiz o Eddie, eu e você papai, também fiz a água

— Parece ser um belo desenho, cara! Deve ter ficado muito bom, sabe por que?

— Por quê?

— Porque você é um artista incrível – Steve sorriu pro menino, que seguiu contando as histórias e falando sobre seus amigos e como gosta de brincar com eles. Quando Steve terminou, eles foram pra sala e Freddie olhou pro pai e ele sabia o que estaria por vir

— Um gosto muito de desenhos, sabia papai?

— Eu prefiro os livros, sabe? – Steve desconversou e começou, então Freddie o olhou curioso – Quando você lê algo, você imagina muitas coisas e se diverte também – Steve se sentou no chão e pegou os dois livros recém chegados

— Eu me divirto vendo desenho – Respondeu decidido

— Mas os livros são diferentes – Steve disse olhando pro filho – Você gosta de histórias antes de dormir, não é?

— Sim, eu amo

— Com os livros, você pode ter história na hora que quiser

— Mas eu ainda não sei ler, só pode ser com você na hora de dormir

— Você pode usar sua imaginação – Steve disse abrindo um dos livros – Olha quantas figuras tem nos seus livros novos, você pode imaginar suas próprias histórias vendo elas

— Eu posso imaginar que essa é a nossa praia? – Freddie perguntou vendo a primeira página do livro “The Storm Whale”

— Você pode imaginar o que quiser

— Eu acho que é legal, o que está escrito aí?

— “Leo morava com o pai e seis gatos na beira do mar”

— São muitos gatos, papai

— É, são sim – Steve sorriu

— Eu sei contar nos meus dedos, olha – Freddie levantou a mão e começou a contar – Um, dois, três, quatro, cinco e seis – Ele completou com a outra mão

— Isso foi bom hein, carinha

— Continua o livro, papai – Freddie disse se aninhando do lado de Steve, que passou o braço ao redor do garoto e ele descansou a cabeça em seu peito

— “Todas as manhãs, o seu pai...”— Steve continuou a leitura e Freddie observava e ouvida tudo atentamente, e comentava sobre as imagens do novo livro. Quando acabou, Freddie pediu e então Steve leu o outro e o garoto agiu da mesma maneira: ouviu todas as palavras que o pai dizia e sorria e comentava sobre os desenhos de cada uma das páginas

— Tem outro, papai? – O menino perguntou e bocejou

— Agora você tem que tomar banho, eu leio outra história para você quando terminar, pode ser?

— Tá bom, papai – Steve se levantou do chão e Freddie continuou sentado

— Vamos lá, amigo? – Steve esperou e Freddie se levantou devagar – Está cansado?

— Não, eu aguentou outra história – O menino falou com a cabeça deitada no ombro do pai.

O banho foi incrivelmente mais rápido do que o habitual, provavelmente porque a pilha do menino precisava de recarga. Já vestido e com os dentes escovados, Freddie lutava contra o sono para poder ouvir o terceiro livro da noite, que como prometido, Steve leu. Quando ele terminou, o filho estava a um passo de dormir, então guardou o livro, desligou a luz do quarto que faltava e deixou a noturna ligada. Depois se aproximou novamente do menino, que o olhou

— Papai, eu acho que agora eu gosto de livros – O menino disse bem baixinho e fechando os olhos

— Isso é bom, filho – Steve disse baixinho e sorriu – Boa noite, meu garoto. Dorme bem – Steve beijou a testa do menino que já estava dormindo

Notas finais
Mahalo a você que leu até aqui! Nos vemos no próximo - e talvez* último - capítulo! *sei que são os primeiros sete dias, mas percebi que nunca tivemos a festa que eu mencionei uma vez com toda a ohana, então, se tudo der certo, vamos ter um capítulo extra!