Notas iniciais
Ola! Finalmente o tão esperado encontro entre Bilbo e Thorin! Que comece o romance! Nota: Em negrito está na língua dos anões (Khuzdûl).

Estranho como a viagem, que antes parecia infinita, tinha terminado. Desejava chegar logo a um lugar confortável, perto de uma lareira, fumar seu cachimbo, beber um chá quente e ler um bom livro. Sim, desejava chegar a “civilização”, afinal, hobbits adoravam o conforto de suas tocas. Mesmo Bilbo, que não era como a maioria, por desejar viajar além das fronteiras e ver o que nenhum hobbit jamais viu. Contudo, agora que já estavam próximos a Erebor, Bilbo se via desejoso a perpetuar a sua jornada pelas terras ermas da Terra Média; queria atrasar o máximo possível. Mas não se pode atrasar o inevitável.

– Já estamos chegando. Finalmente! – Disse Dwalin, indicando os grandes portões da cidadela anã que se revelavam ao fim da estrada. Bilbo não pode conter um calafrio ao ver as construções feitas em pedra bruta aumentarem mais sua proporção conforme se aproximavam.

– Vai dar tudo certo. — Sorriu Balin, dando tapinhas nas costas do jovem hobbit, que forçou um sorriso para ele. Pelo menos Bilbo não era o único a sofrer com a chegada ao reino dos anões. Kili e Fili também retardavam seus passos, ficando na retaguarda.

– Quero só ver qual será punição deles... Eu mesmo vou sugerir algumas a Thorin! – Riu Dwalin. Bilbo negou com a cabeça, afinal gostava dos seus novos sobrinhos. Mesmo que eles fossem encrenqueiros e inconsequentes, não podia negar que gostaria de protegê-los.

– Será que Thorin irá nós receber? – Perguntou Balin a Nori, que acariciou a sua barba cheia de tranças.

– Bem, não sei ao certo... Quando saímos de Erebor, não foi nos dado nenhum protocolo, a não ser guiar vocês e vigiar o elfo!

– Acredito que ele deve estar nos esperando... — Acrescentou Dori, contudo o seu tom era meio incerto.

– Hum... — Agora era a vez de Balin alisar sua longa barba branca, pensativo.

“Será que aconteceu alguma coisa?” Pensou Bilbo, preocupado.

O grupo continuou a andar, o sol já estava se pondo. A luz se esvaindo. A grande montanha parecia começar a se iluminar, de longe até pareciam vagalumes... Eram tochas que estavam sendo acesas. A entrada se aproximava. Agora não tinha como escapar.

Um anão se aproximou, Bilbo tremeu. Será que era Thorin? Ele veio recebê-los? Várias expectativas se formavam na mente do pequeno hobbit. O anão que se aproximava parecia ser de meia idade, tal como Nori, barba castanha com algumas tranças e presença de broches metálicos pretendo-as. Tinha um olhar carrancudo e um grande nariz, tal como uma batata...

“Esse é Thorin?” Pensou aflito.

– Gloin! – Disse Dwalin indo abraçar o amigo. Bilbo suspirou aliviado.

– Bem vindos, amigos. Graça a Aulë vocês estão bem! – Disse o anão – Estava preocupado. Espero que não tenha encontrado nenhum empecilho... Pelo visto, estão inteiros!

– Bem, tivemos nossa dose de aventura ao longo da viagem, mas nada que fosse realmente grave ou que não fosse resolvido! – Assegurou Balin, pegando Bilbo pela a mão e o puxando para perto – Gloin, esse é Bilbo Bolseiro, segundo rei de Erebor! – Apresentou com um certo ar de orgulho, o que fez o hobbit corar.

– Oh, é uma honra conhecê-lo, Majestade! – Fez uma reverência. Logo outros guardas se aproximaram para escoltá-los.

Bilbo estava desconfiado. Então Thorin não iria recebê-lo? Não veio buscá-lo no Condado ‒ bem que isso ele podia até entender, levando-se em conta a responsabilidade dele como governante ‒, mas não receber o seu esposo depois de uma viagem de quase um ano pela Terra Média?!

Onde está Thorin? – Perguntou Balin ‒ em Khuzdûl ‒ a Gloin, enquanto adentravam na montanha. Bilbo não se deixou vislumbrar com a imensa construção dos anões; seus ouvidos estavam atentos a conversa. Ao longo da viagem tinha aprendido, em segredo, um pouco da linguagem dos anões. Como tinha dito a Gandalf anteriormente, sempre fora bom em línguas. Também tivera ajuda de Kili e Fili, que pareciam não se importar muito com a regra de não ensinar a língua a indivíduos não-anões, afinal eles o consideravam da família.

Está em uma reunião do conselho– Respondeu o anão de barba castanha.

Em um momento como esse? Ele que deveria estar aqui esperando o segundo rei! Isso é um desrespeito! – Resmungou Balin.

Ele deve ter um motivo... – Tentou defendê-lo Dwalin.

Bem, amigos... Desde que vocês saíram de Erebor para iniciar essa jornada, os anões nobres e os representantes dos comerciantes começaram a criticar abertamente a decisão de Thorin com relação à aliança com o Condado. Eles acham que estamos gastando muito com uma terra que nada tem a nos oferecer além de prejuízo. Sem falar que acreditam que devemos investir muito mais em reconstruir Erebor do que manter um povo fraco como os Hobbits...

Bilbo rangeu os dentes, furioso. Mas de certa forma já devia saber disso; Gandalf tinha lhe avisado que muitos dos anões não concordavam em refazer os antigos laços entre os dois reinos.

Eles vêm implantando reuniões, audiências, fazem proclamações públicas! Thorin está tentando controlá-los, entretanto, temo que ele possa estar cedendo às opiniões deles... – Continuou Glóin.

Duvido! Thorin não cederá tão facilmente. Além disso, ele deu a palavra dele!– Ralhou Dwalin.

O contrato já foi assinado, Bilbo agora é rei. Não há nada que possam fazer com relação a isso!– Disse Balin, convicto.

“Parece que terei mais inimigos do que amigos...” Pensou o jovem hobbit “E se Thorin revogar o contrato... Ele tem poder para isso! Eu não teria mais função aqui. Seria mandando de volta. E quando voltasse ainda existiria o Condado?”

– Bem, acho que devemos descansar! – Sorriu Balin cordial, dando tapinhas nas costas de Bilbo – A viagem foi longa... Precisamos restabelecer nossas forças.

– Oh, sim. Temos ainda uma cerimônia pela frente! – Falou Dori, sorridente.

– C-cerimônia? – Gaguejou o hobbit.

– Ora, o seu casamento com Thorin! – Explicou Nori – As ordens são: quanto mais rápido melhor!

– Mas... Mas eu acabei de chegar! – Tentou argumentar.

– Bilbo, você já está casado com Thorin. Só iremos oficializar por meio de uma cerimônia... – Explicou Balin – Dori e Nori irão te guiar para seus aposentos, onde poderá trocar de roupa e descansar.

– Espere! Quando vai ser casamento? – Perguntou Bilbo enquanto era arrastado pelos outros dois anões.

– Não se preocupe, avisaremos! Até lá, descanse.

– Quanto mais rápido melhor... Isso é verdade, teremos opositores. Temo que eles façam algo com Bilbo! – Sussurrou Dwalin ao irmão, que concordou acenando com a cabeça.

Por isso temos Floin, Dolin, Jour e Glin. Eles irão acompanhar o nosso segundo rei como guarda-costas. Nós podemos confiar neles, afinal juraram lealdade ao Bilbo.

O pequeno hobbit nem pôde ouvir aquela conversa, pois já estava distante, sendo empurrado a um elevador.

– Não se preocupe majestade. Nós iremos cuidar do senhor! – Garantiu Nori. Bilbo forçou um sorriso ao anão. Podia sentir que a situação estava tensa; os guardas que acompanharam na viagem para Erebor pareciam prontos a atacar qualquer coisa que viesse no caminho.

Balin e Dwalin observaram de longe o elevador onde Bilbo estava começar a subir. Tinham acabado de chegar a Erebor e sentiam que a jornada ainda estava longe de terminar.

– Espera um pouco... – Disse Dwalin se virando buscando dois certos príncipes que permaneceram calados desde que chegaram a Erebor. O grande anão não se surpreendeu a não encontrá-los – Malditos! Fugiram!

–Temos coisas mais importantes para nos preocuparmos do que os príncipes. Eles sabem se cuidar e serão punidos no tempo devido. – Assegurou Balin – Devemos falar com Thorin!

– Eu irei guiá-los até a sala de reuniões — Anunciou Glóin aos amigos, que concordaram, começando a seguir o outro.

Tinham chegado ao seu lar... Mas estranhamente ainda não se sentiam seguros.

~TKATC~

– Que glória tem sentar em uma cadeira o dia todo? – Resmungou um jovem anão, massageando a testa. Preocupações se instauravam em sua mente e com elas vinham também a dor de cabeça. Certamente, a coroa de Erebor era sua por direito, tinha batalhado por ela. Contudo, nos últimos meses não havia combates com orcs ou qualquer ser vil que pudesse pôr em risco a segurança do reino. Tudo que tinha feito era participar de longas e maçantes reuniões, ler relatórios, fazer discursos, participar de festas formais... Não era bem isso que tinha imaginado quando mais jovem.

– Mas... Pelo menos Erebor existe. E não é só um sonho distante. — Analisou meio otimista – Bem, tenho que voltar ao trabalho. – Nisso, se levantou de sua cadeira. Era último que tinha permanecido na sala de reunião.

– Como sempre, absorvido em responsabilidades. Espero que não tenha trabalhado até a exaustão enquanto estive fora!

A voz conhecida fez o jovem anão sorrir e voltar seus olhos para o amigo. Balin estava na porta de entrada da sala e também sorria de forma amigável.

– Balin!

– Thorin...

Os dois se abraçaram e trocaram cabeçadas.

– Que bom te ver, meu amigo. Foram realmente difíceis esses meses sem você ao meu lado! Nunca fui muito bom em ficar ouvindo a fala mansa dos políticos... Acredito que não nasci para a diplomacia! – Resmungou.

– Ora, ninguém nasce para isso... Se aprende a lidar com isso! Você ainda tem muitos anos pela frente para que aprenda e talvez se torne tão bom quanto eu!

– Duvido muito.

Os dois saíram da sala, sendo recebidos por Dwalin, que logo foi cumprimentar Thorin com entusiasmo. Os três seguiram pelo o corredor, conversando sobre a viagem e as novidades de Erebor, o que foi construído e os avanços nas restaurações.

– Fico feliz em ver que Erebor está em melhores condições desde que partimos... -Observou Balin.

– Os níveis inferiores e a sala do tesouro são os que sofreram maiores danos, devido ao maldito dragão. São os mais difíceis de recuperar. Já tivemos 3 desmoronamentos...

– Aos poucos iremos recuperá-los.

– A mineração por metais já se iniciou; a ala das forjas está funcionando em pleno vigor. — Disse o rei, cheio de orgulho.

– Isso é muito bom. Mas o que acho estranho é que... Até o momento não me perguntou sobre o bem-estar de um certo hobbit... Como ele reagiu ao contrato? Se ele se machucou durante a jornada? Nada.

Aquelas palavras fizeram Thorin engolir em seco. Era impressionante como o velho anão parecia conhecê-lo tão bem para notar que o jovem rei propositalmente estava evitando aquele assunto.

– Eu presumi que, como você não me disse nada a respeito, o... Halfling deve estar bem... — Argumentou Thorin evitando encarar o amigo.

– O nome dele é Bilbo Bolseiro. – Corrigiu Dwalin.

– Bilbo... — Thorin testava o nome, soa ainda estranho, pois não podia associá-lo a um rosto.

– Glóin me informou dos problemas que está tendo com relação à aliança com o Condado...

– Você tem que entender que reconquistar Erebor nós causou grandes perdas, tanto de vidas, quanto financeiras. Eu entendo o receio deles para com a aceitar a aliança.

– Entende? – Agora Balin parecia irritado – O que os hobbits estão sofrendo não é diferente do que nós sofremos. Eles estão sendo massacrados por um inimigo bem mais forte do que eles e o único aliado deles o abandonou. Não acha essa história muito semelhante com a nossa? Nós culpamos os elfos por não nós ajudarem naquela época sombria e agora agimos como eles.

– Não nos compare aos malditos elfos! – Rosnou Thorin.

– Meu irmão está certo. Nós vimos a situação do Condado. Eles eram nossos antigos aliados, sei que não são fortes e nem poderão nos ajudar nas batalhas, contudo é um povo bom, amistoso... Doce... A Terra-Média não pode perder uma raça como aquela. — Disse Dwalin.

– Parece que seu coração foi conquistado pelos hobbits. — Provocou o rei, vendo que o amigo corou um pouco com a afirmação.

– Talvez ele tenha sido conquistado por um em especial. Bilbo tem todas as qualidades de um hobbit, mas tem outras a mais... – Sorriu Balin.

Outras a mais? – Thorin parecia meio incerto com aquilo. Gandalf tinha lhe garantido que o jovem Breeder era especial, apesar de também ter afirmado que há muitos anos não o via. Logo o jovem rei anão concluiu que a afirmação do mago não deveria ser levada em consideração. Além disso, aquele casamento seria focado na aliança e na capacidade do pequeno hobbit de ter filhos.

– Você vai ver quando o conhecer! – Agora era vez Dwalin falar – Ele é muito corajoso para alguém tão pequeno. Lutou contra três trolls para proteger os seus sobrinhos...

– Três trolls? –Thorin se surpreendeu.

– Não exagere, Dwalin. O que Bilbo fez foi usar a cabeça ao invés dos músculos, algo que nós anões deviríamos fazer também...

– Isso foi uma indireta? – Resmungou o rei, levantando uma de suas sobrancelhas.

Balin apenas sorriu, deixando um ar de mistério em torno da resposta. Thorin suspirou. Nunca conseguia entender o que se passava na cabeça do seu conselheiro.

– Vamos para os aposentos. – Informou Dwalin – Bilbo deve estar se...

EU JÁ DISSE QUE NÃO! – Aquela fala se propagou e ecoou pelas os corredores internos da montanha.

– O que foi isso? – Perguntou Thorin, já segurando o punho de sua espada.

Balin e Dwalin trocaram olhares.

– Bilbo... – Falaram ao mesmo tempo os irmãos, trocando sorrisos nervosos.

“Então esse é o Bilbo...” Pensou Thorin. Agora estava curioso para conhecê-lo.

~TKATC~

– Mas majestade... Só estamos... — Dori tentou se explicar, mas foi acertado com um casaco em seu rosto.

– Estava tentando me despir! É isso? – Rosnou Bilbo, visivelmente irritado.

– Tem que entender. Estamos te ajudando! – Agora era a vez de Nori intervir.

– Eu sei muito bem me vestir sozinho, mestre anão. — O hobbit cruzou os braços diante do seu peitoral agora nu, pois aqueles anões tinham conseguido, no meio da “luta”, retirar a sua camisa. Agora só usava suas calças, algo que deixava o jovem Bolseiro furioso. Um hobbit sem estar propriamente vestido? O que sua mãe diria ao vê-lo naquela situação?

“Não foi minha culpa, pelo menos.” Se defendeu em sua mente.

– Ora, sendo você o segundo rei, nós, como seus servos, temos o dever de te auxiliar nessa questão! Principalmente eu... — Bufou Dori – Sou o responsável pelas as roupas da realeza!

– Só porque me tornei rei, não significa que perdi as habilidades motoras, de modo que eu não consiga me vestir! – Resmungou, gesticulando com as mãos, como para provar o que dizia – Além disso, eu não preciso de uma plateia!

– Nós já mandamos os outros servos embora! – Garantiu Nori mostrando a sala vazia.

– Não todos... — Bilbo olhou para a dupla de irmãos.

– Nós não podemos ir. Estamos garantindo a sua proteção!

– Contra o que? Ser atacado por algum cinto maligno? Por uma camisa amaldiçoada? Ou mesmo essas... Essas botas! – Rosnou novamente o hobbit, apontando para o par de botas que Dori tinha trazido – Hobbits não vestem botas. Ou qualquer calçado!

– Ora. Nós já pedimos desculpas por causa disso, não sabíamos. Mas já estamos atrasados! Você nem ao menos vestiu a sua nova roupa! – Falou Dori com as bochechas vermelhas. Nori logo percebeu que o seu irmão mais velho estava perdendo a paciência.

– Eu não quero essa roupa! O que tem de errado com a minha roupa atual? Sei que ela está meio suja... Mas depois de limpa, ela estará ótima para ser usada!

– Não para o seu casamento!

Bilbo suspirou. Não queria aceitar aquela história de casamento... Não assim tão rápido! Ele nem tivera sequer uma refeição.

– Certo, eu me visto.

Dori e Nori sorriram animados, tal como tivessem vencido uma grande batalha.

– Mas sozinho!

– Majestade... — Dori já estava choramingando uma súplica, quando a porta foi aberta e um novo anão adentrou.

– Não outro servo! O que eu disse sobre isso? – Resmungou o hobbit, pegando as roupas novas antes que Dori ou Nori falassem algo – Maldito anões e suas teimosias! Suas cabeças são mais duras do que as rochas! Querem saber? Eu não vou vestir essa roupa. Eu escolherei a minha própria roupa para o casamento! –Nisso, empurrou a roupa nos braços do recém-chegado anão.

– Escolherá? – O novo anão perguntou. Agora que Bilbo estava mais próximo pôde notá-lo; tinha longos cabelos negros, uma barba não tão longa... Mas foram seus olhos azuis intensos que mais atraíram o jovem hobbit. Detinham um estranho poder que fez Bilbo sentir uma pressão sobre si; mas enfrentou tal olhar, não baixando sua vista para o estranho.

– O que? Não posso escolher a minha própria roupa também? Não sabia que ser rei faz você ter tantas limitações – Resmungou – Eu sou capaz de escolher o que quero... Tornei-me rei, e não um idiota.

O anão desconhecido lançou um olhar misto de irritação e surpresa com aquelas palavras. Bilbo devolveu o mesmo olhar.

“O que ele tem? Por que só fica olhando e não fala algo? Pensa que só com o olhar pode me assustar?” Pensou o menor, ficando ainda mais nervoso.

– Interessante analise, Bilbo! – Só então o Hobbit notou que o anão estava acompanhado de Balin.

– B-Balin?

“O que ele está fazendo aqui? Ele não iria encontrar o Thorin?” Pensou confuso.

– Certamente. Como rei, não significa que perdeu a capacidade de pensar. Unicamente, ganhamos mais responsabilidades, de modo que certas atividades se tornam triviais, o que resulta em delegar aos outros... Tal como o ato de vestir. –Falou o anão.

– Eu sei me vestir sozinho... Não acho que tal tarefa seja trivial!

– Halfings se importam tanto assim com isso?

– O nome é hobbit! Nós não somos “meias coisas” (half-things). Isso é muito mal-educado de ser falar, sabia? – Falou raivoso.

– Entendo... – O olhar do anão mudou. Parecia agora analisar o menor que tinha em sua frente. Bilbo sentiu um rubor se formar em suas bochechas, já que não se encontrava na melhor das aparências... Principalmente por estar sem camisa. Os olhos azuis intensos do anão se detiveram no peito do hobbit, que logo os cobriu com as mãos.

– Será que agora posso ter minha privacidade?

– Você disse que queria escolher outra roupa para se vestir... – Disse o anão ignorando a pergunta/pedido de Bilbo – Por acaso sabes que tal roupa é feita com um dos tecidos mais caros de Erebor? Costurado e bordado unicamente para o segundo rei?

– Ora... Não — Fez biquinho o menor – Mas...

– Vestir outra roupa seria a mesma forma de dizer que renegas a autoridade do primeiro rei, afinal tal roupa tem o símbolo da linhagem de Durin!

– Vocês implicam com barbas e cabelos... E agora com roupas? — Resmungou Bilbo. Antes que o menor pudesse pensar em uma resposta à altura daquele anão impertinente, o hobbit sentiu seu queixo ser puxado pelo o outro, de modo que o rosto do anão desconhecido estava agora a poucos centímetros do seu próprio.

– Como ousa... – Rangeu os dentes Bilbo, pronto para socá-lo.

– E eu quero te ver vestido de azul. O meu azul. — Sussurrou o anão, fazendo o jovem Bolseiro soltar um gemido surpreso, devido o tom autoritário e possessivo daquela voz – Assim todos irão ver a quem você pertence... A mim!

– A... A v-você? – Por alguns segundos, Bilbo sentiu suas pernas ficarem fracas, seu coração acelerou em seu peito – Thorin?

– Vejo que agora reconheces o seu rei... E marido. — Sorriu de forma arrogante o rei, sem soltar o queixo do menor. Com a outra mão, acariciou a face alva e sem pelos do hobbit, causando um leve calafrio em Bilbo, ao sentir aquela mão áspera sobre sua pele sensível.

– E-eu não sou sua propriedade. Não me trate como um objeto! – Resmungou Bilbo tentando se libertar do outro.

– Você leu o contrato. Você é meu, Bilbo Bolseiro! – Soltou o menor, agora com um sorriso satisfeito no rosto.

– Escute aqui... -Rangeu os dentes o hobbit.

– “O esposo deve sempre obedecer às ordens de seu rei” – Falou Thorin, entregando a roupa a Dori, e adorando a expressão de fúria do seu jovem esposo ao ver o contrato ser recitado – “O esposo não deve desobedecer ou questionar abertamente o seu rei”.

– Eu... Sei. Eu li o contrato! Mas... — Bilbo agora sorriu – Não me lembro de você me dar nenhuma ordem direta. Além disso, não te questionei abertamente, sem falar que eu nem sabia que você era o rei. De modo que não descumpri com as normas do contrato!

Balin conteve um sorriso por Bilbo ser esperto. Além de saber que não iria se submeter tão facilmente ao rei.

– Se é uma ordem que esperas... Irei lhe dar uma. Vista-se em 5 minutos, senão eu mesmo irei te despir e te vestir.

– HÃ? – Bilbo corou severamente – V-você não ousaria!

– Eu sou seu marido. Não devias ter vergonha, afinal, ainda teremos a noite de núpcias, não é mesmo?

Bilbo mordeu o lábio inferior para conter sua ira.

– Nori, comece a contar o tempo! – Ordenou Thorin – Te vejo daqui a 5 minutos... Bilbo.

Ao falar isso, o rei saiu do quarto e ao fechar a porta ouviu o som de algo ser lançado sobre as portas fechadas.

“Bilbo! Não jogue as botas deste jeito!” Ouviu Dori falar, advindo da sala.

– Vejo que o encontro... Foi... – Dwalin, que ouvia tudo de fora, observou os amigos, meio incerto do ocorrido.

– ...Perfeito! – Completou Thorin, com um estranho sorriso no rosto, continuando a caminhar pelo corredor. Parecia que o seu humor tinha melhorado... E muito.

– Aonde vais? – Perguntou Dwalin meio preocupado com a estranha atitude do rei, afinal, há minutos atrás, o mesmo parecia relutante e até mal-humorado para conhecer o seu esposo.

– Eu tenho que me arrumar, meu amigo. Tenho um casamento para ir... — Disse simplesmente e continuou a andar rapidamente para o seu quarto, deixando um atônito Dwalin para trás.

– E-eu não entendo...

– Parece que o encontro foi melhor do que imaginei... — Riu Balin, dando tapinhas de conforto no irmão – Thorin gostou do Bilbo.

– Gostou?

– Sim, contudo... Não sei dizer quanto a Bilbo. — Suspirou Balin, meio preocupado.

– Bem... Pelo o que eu pude observar, ambos são teimosos. São mais parecidos do que imaginei. — Analisou Dwalin – Sinto que um amor pode surgir deste conflito...

– Ora, meu jovem irmão... Parece ser um grande conhecedor do “amor”. — Provocou.

– Ei! Eu só estou dizendo com base na impressão que tive! – Se defendeu rapidamente.

– Espero que estejas certo.

O casamento seria ao anoitecer. Restavam apenas poucas horas...

Notas finais
Gostaram? Thorin é meio sádico... Bilbo iria acerta-lo com as botas... Sim, até que começou bem! LS: É nessas horas que eu penso se foi uma boa ser marcada como co-autora da história... Queria mandar um review! :v