Os dois reis sob a montanha
69 Sonhos futuros...
Drogo se remexia em sua cadeira quando assistia a dança. Se sentia desconfortável, isso porque estava ficando excitado com cada movimento feito por Kili. Sentia a emoção contida em seus passos de dança. Em seus urros. Era algo que parecia transbordar todas sentimentos do jovem príncipe. Seus medos, seus anseios...Sua necessidade de provar que não era mais uma criança. Era um adulto e como tal tinha maturidade o suficiente para seguir seus sonhos, sem receber críticas e limitações. Seu amor. Os olhos castanhos do príncipe de Erebor estavam cravados nos grandes olhos azuis de Drogo.
— Isso foi supreendente. — Comentou o rei Bard, que se sentava ao seu lado. Isso fez o menor se sobressaltar. Já tinha terminado? Estava tão envolvido que nem ao menos viu o tempo passar, na verdade, para o jovem hobbit, tudo aquilo parecia ter passado muito rápido... Drogo sentia uma certa decepção, queria ver Kili dançar mais. Contudo, esta decepção era apenas parcial...O desconforto que tinha entre as pernas era algo que não podia ignorar. Estava excitado, ao ponto de ter uma ereção! Em um lugar público? Na frente de seus amigos?
“Por Yavanna...Que vergonha...” Pensou sentindo as suas bochechas esquentarem.
— Você está bem? — Bard inqueriu — Está vermelho! É febre?
Drogo não o respondeu, agradecia a roupa mais grossa que usava, além do casaco, esse volume podia ajudar a ocultar...Mas até quando?
O rei humano deve ter ficado preocupado, pois tomou a iniciativa de tocar o irrequieto hobbit, mas antes que sua mão sequer tocasse a testa do pequeno, seu pulso foi capturado por outra mão. Forte e firme.
— Pode deixar que eu cuido do meu Drogo.
— C-certo! — Riu Bard. “Anões com sua mania possessiva!”.
— K-Kili? — Drogo levantou o rosto só para encontrar o príncipe de Erebor ao seu lado. O suor escorria por seu peitoral nu, seus cabelos castanhos escuros estavam despenteados e as calças apertadas de couros só deixavam toda a cena por demais erótica, deixando Drogo em uma situação realmente desconfortável.
— Drogo... — Kili se voltou para o menor com um sorriso estampado em seus lábios — Eu iria te convidar para dançar.
— Oh... M-mas o tipo de danças dos anões...Esse tipo eu não sei dançar. — Respondeu, com certo nervosismo.
— A dança de Mahal é algo especial, então, não dançamos somente para entretenimento, sabe? É algo meio que destinado somente para ocasiões únicas, tal como o festival Yule. — Explicou soltando, por fim, a mão de Bard (que, por sua vez, soltou um gemido de alivio) — A dança que desejo dançar com você é algo mais normal, se posso classificar assim...
Ao falar isso, Kili apontou para o centro do salão, havia diversos casais de diversas raças, dançando. A música tinha se alterada, de percussão ritmada, para uma lenta e doce balada. A oferta de dançar com o seu príncipe parecia por demais tentadora, mas...Havia um pequeno (ou talvez, não tão pequeno assim) problema.
— Eu adoraria dançar com você... — Começou dizendo o Hobbit.
As feições animadas de Kili logo foram substituídas por preocupação.
— Existe um mas nessa frase, não é? Eu praticamente posso sentir o “mas”...
— Pois é...Existe sim um “mas”. — Admitiu, baixando o rosto já totalmente avermelhado. Como poderia explicar? Não podia esquecer que ainda estavam em público...
— E por que seria isso? — Kili tinha se ajoelhado e sussurrava em seu ouvido.
“Por Yavanna! Ele só está fazendo tudo ficar ainda pior!” Pensou em desespero. O som da voz grossa do jovem Durin, o ar quente emanado por sua boca, contrastando com o ambiente frio, fez com que o Hobbit, de forma involuntária, deixasse escapar um gemido de prazer. Envergonhado, o menor levou as mãos a boca. Contudo, o mau já fora feito...
— Oh... — Kili, que estava apenas a poucos centímetros de distância do embaraçado Bolseiro, voltou a sorrir — Acho que entendi o problema.
— Não é para ficar sorrindo desta forma, se divertido as minhas custas. — Resmungou o Hobbit.
— Não estou me divertido, na verdade, estou honrado.
— Honrado?
— Por ter provocado esse tipo de reação em meu querido noivo. — E sorriu ainda mais, não o sorriso bobo e inocente que lhe é característico. Um sorriso arrogante mesclado com um ar juvenil e travesso, algo que Drogo passou a associar ao risco eminente de Kili se meter em alguma confusão.
— Kili... — Antes que pudesse falar algo, o príncipe, em um único movimento, carregou o envergonhado (e excitado) hobbit em seus braços — Kili! O que pensa que...
— Estou assumindo a responsabilidades por meus atos. Se não me engano, você sempre me cobra esse tipo de maturidade, não é mesmo? — Dizia enquanto caminhava pelo salão, ignorando e contendo as tentativas de Drogo escapar de sua “prisão”.
— Mas como você pretende...
— Ora, Drogo, você quer mesmo que eu explique o pretendo fazer com você, aqui? No meio do salão? Ou prefere que demonstre isso em nosso quarto?
Drogo quase sentiu seu coração sair de seu peito, devido ao aumento súbito da frequência de seus batimentos.
— Nosso?
— Ops, Ainda não temos um quarto só nosso... Tens razão! Então, aonde devemos ir?
— M-meu quarto... — Sugiriu Drogo em um sussurro.
Kili anuiu, dando um beijo na testa escarlate de seu amante.
~**~
Com um chute, Kili abriu a porta do quarto.
— Por Yavanna! Cuidado, Kili Durin! — Exclamou o hobbit, apesar de mortificado com toda aquela situação, ainda presava pela a preservação de seus poucos bens em Erebor e isso incluía a sua porta!
— Está tudo bem... — Garantiu Kili risonho colocando o hobbit sobre a grande mesa da antessala. Drogo tinha ficado abismado pelo tamanho do seu quarto, a qual mais parecia uma pequena casa, com todos recursos necessários, uma pequena cozinha, banheiro, antessala com direito a lareira e estantes com alguns livros, estantes essas que estavam sendo preenchidas com mais volumes de histórias épicas e fantásticas, conforme o pequeno hobbit visitava a biblioteca dos anões. Era o seu novo lar e, de certa forma, se sentia um adulto tendo um quarto como aquele. Ao ser posto sobre a mesa, papeis foram jogados ao chão, eram seus preciosos esboços, mas antes que pudesse reclamar de algo, Kili o beijou.
O beijo dissipou todas as preocupações e despertou seus anseios. Seus braços entrelaçaram no pescoço do anão, fazendo com o que o beijo fosse aprofundando.
— Então... — Sussurrou o jovem príncipe roçando os lábios sobre a trêmula boca do hobbit — Gostou de minha dança, não é mesmo?
— Isso foi meio que obvio, não é? — Respondeu o menor — Eu achei que ...Você estava lindo.
— Eu sempre sou lindo.
— E humilde, pelo visto. — Acrescentou Drogo soltando uma baixa risada.
Kili correspondeu o gesto, gargalhando, mas ao final encostou a sua suada testa na de Drogo.
— A dança de Mahal é muito importante, sabe? Só anões adultos podem participar...Meu tio ter permitido a minha presença, meio que me deixou mais confiante sobre o as decisões que estou tomando para o meu futuro...Para o nosso futuro. Sei que ainda tenho muito que crescer e...
— Kili. — Drogo deixou que sua mão repousasse sobre o rosto do seu anão — Eu e você somos seres pequenos, não iremos crescer muito.
Kili não conseguiu se segurar e voltou a rir.
— Eu estou tentando falar uma coisa séria! — Reclamou, apesar de ainda estar rindo.
— Se recorda do que conversamos nos andares superiores, na sacada, aonde está construindo o meu jardim? Você é o que é, Kili. Eu não desejo que mude para uma versão séria, madura e sem graça. Não foi por esse “adulto” Kili pelo qual me apaixonei... Você irá mudar, todos nos mudamos com o tempo, aprendemos com nossos erros e evoluímos, contudo, mudar a nossa essência? Isso é muito mais difícil. Eu te amo, Kili Durin. Não esqueça que não é só sobre os seus ombros que reside o peso de nosso futuro... Me deixe compartilhar de sua carga. Somos mais que um casal de amantes apaixonados...Somos parceiros!
Kili ficou boquiaberto, o fato dessa expressão ter perdurado por alguns segundos, fez o hobbit ficar preocupado. Será que tinha falado demais?
— Pela a barba de Mahal! — Exclamou subitamente o anão — Como isso é possível? Acabei de me apaixonar de novo por você!
Drogou se sentiu enrubescer totalmente.
— Idiota... — Resmungou.
— Posso até ser, mas sou o seu idiota. — Falou o anão sorridente.
Drogo o puxou para mais um beijo. Sim, compreendia a apreensão de Kili pelo o futuro, afinal, também compartilhava os mesmos sentimentos. Vivera tantos anos sobre os cuidados de outros, de Bilbo, dos Tûks...Será que seria capaz de cuidar de si mesmo, sozinho? E quando tivesse seus filhos! Seria capaz de cria-los de forma correta? Será que exista mesmo uma forma correta de criação? Entretanto, apesar de todas essas questões, seu desejo de casar com Kili não esmorecia, na verdade, se fortalecia a cada dia.
— Drogo... — A mão do anão, com destreza, desabotoava o casaco azul claro do hobbit.
— Kili...Nós não devíamos...
— Não se preocupe. Eu irei esperar por nossa noite de núpcias para que nossas almas, por fim, se entrelacem, mas não esqueça que existem muitas formas de sentir prazer.
Drogo escondeu o seu rosto avermelhado no ombro de Kili.
— V-você realmente tem que se responsabilizar por seus atos... Por sua culpa, estou excitado. — Sussurrou, não teria coragem de falar tais palavras em voz alta, mesmo estando sozinhos.
— Oh! Eu sei. — Havia orgulho naquela fala. O casaco foi aberto, a mão do príncipe conseguiu se aventurar para o seu interior, encontrando outro obstáculo, uma túnica de algodão também azulada.
— Muitas roupas... — Reclamou deixando sua mão navegar pelo peitoral coberto de Drogo, logo alcançando os seus mamilos que se destacavam, rígidos e proeminentes. Kili, com a ponta de seu dedo, massageou o sensível local.
— Ah! K-Kili... — Gemeu drogo, mordendo o seu lábio inferior em seguida.
O anão se abaixou, capturando com a boca um destes mamilos, mordiscando sobre a roupa. Drogo deixou que suas mãos se afundassem nos cabelos castanhos escuros e sedosos de seu amante.
— P-pare...Assim...Você vai me fazer gozar...
— Humm? — Kili não parecia achar esse argumento convincente o suficiente para interromper o seu procedimento. Alias, surtiu como um efeito oposto, fazendo com que o príncipe mordiscasse com mais força, arrancando uma exclamação de pruro prazer de seu hobbit.
— AHH! K-Kili! S-seu gozar...Vou sujar a roupa e...É difícil limpar as manchas de...Oh! Yavanna! Kili, você quer parar e me ouvir?
O anão se afastou, de forma bruta, só para voltar a carregar o agora confuso hobbit.
— Aonde? O que...
— Mudança de local! — Informou, enquanto, a passos rápidos se dirigia a outra parte do cômodo, desviando das pilhas de livros, papeis, penas e tinteiros que dominavam o chão do quarto de Drogo Bolseiro.
Kili encontraria a confortável e grande cama de Drogo mesmo que tivesse de olhos fechados, na verdade, nas últimas semanas, principalmente depois da tentativa de Golpe feita pelo Glorin, Kili residia ali. Simplesmente não conseguia deixar Drogo desprotegido, ainda mais com os pesadelos que se seguiram após o evento traumático. Kili também vislumbrou sinais de sua presença, suas roupas estavam penduradas em umas cadeiras. Seu arco e Flecha, estava pendurado em uma das paredes. Suas botas estavam dispostas a frente da lareira. A vida de ambos se mesclava em uma perfeita sintonia.
— Ouch! — Drogo se viu jogado sobre a sua cama. Kili o observava de perto, com um olhar nada inocente refletidos em seus lindos olhos castanhos.
— Você tem razão.
— Hã?
— Não podemos sujar nossas roupas. — Falou isso deixando com que sua mão descesse lentamente, passando por seu peitoral, abdômen firme e musculoso e parando sobre a barra de sua calça de couro.
Drogo sentiu sua boca salivar. Internamente, uma pequena voz dizia que tal atitude não era adequada para um Bolseiro descente, mas o jovem hobbit logo ignorou tal irritante voz.
— Eu tiro a minha roupa e você tira a sua. O que acha?
Naquele momento, Drogo só pode assentir com a cabeça. Suas mãos, trêmulas, retiraram o grosso casaco. Todavia, sua atenção não estava em seu ato de despir, pelo contrário, estava fascinado com Kili que se desfazia de sua calça apertada, revelando seu grande membro.
— Você ainda está vestido, Givashel — Lembrou Kili, deixando sua mão reposar sobre na base de seu pênis, acariciando o mesmo, com movimentos de cima para baixo. Aquilo era hipnótico e muito injusto. Como Drogo poderia se concentrar com aquele tipo de distração?
— Você quer que eu ajude?
— N-não...Eu c-consigo... — Falou, sua voz parecia rouca e trêmula. Até o momento só tinha se livrado de seu casaco. De uma forma urgente e atrapalhada conseguiu se livrar de sua túnica. Agora só restava as suas calças.
Por fim se livrou de sua última peça de roupa, o que foi um alivio.
— Lindo... — Balbuciou Kili se aproximando da cama.
— Eu? Não Kili... — Falou ele abraçando o seu corpo exposto — Você que é lindo...Um príncipe...Eu sou só...
— O mais corajoso, inteligente e doce hobbit que já conheci. Aquele que roubou meu coração... — Kili estendeu a sua mão, tocando o espaço no peitoral de Drogo, justamente o local sob o coração, o local aonde a marca seria escrita — Aquele que terei a honra de entrelaçar minha alma e destino.
Drogo sorriu, pode sentir o seu coração palpitar em seu peito.
— Vem cá. — Chamou Drogo abrindo os braços, Kili não pensou duas vezes em se entregar para aquela oferta.
Os dois se abraçaram e se beijaram. Não era a primeira vez que faziam isso naquela cama, mas era a primeira vez que faziam tais atos sem as suas roupas.
Kili deixou que suas mãos explorassem o corpo do seu futuro esposo. Sua pele macia, suas curvas. Anões podiam ser meio preconceituosos pela a falta de pelos. Hobbits era uma raça peculiar, sendo que pelo se concentravam sem seus grandes pés além de seus cabelos encaracolados e brilhantes. Não tinham pelos no corpo, tão pouco no rosto. Contudo, tal aparência não causava nojo em Kili, pelo contrário, o atraia. Na verdade, tudo em Drogo o deixava apaixonado...Não só seu corpo. Sua personalidade. Quando ficava concentrado em algum livro, ao ponto de fazer caretas de acordo com o que estava lendo. Ou quando desenhava e pintava, ignorando o quão sujo ficava ao fim de uma obra, sendo que hobbits prezam pela a higiene...Mas manchas de tinta e carvão não pareciam estar inclusos na lista de hábitos higiênicos, pelo menos, não para Drogo Bolseiro.
Kili alcançou seu objetivo, o membro pulsante do hobbit. Podia ouvir os gemidos prazerosos do menor, ainda mais quando o príncipe anão começou a masturba-lo. De forma lenta, afinal, gostava de provocar.
— Kili... — Reclamou o hobbit que, por sua vez, também tinha encontrado o grande membro do anão. Por que os anões tinham que ser tão...Avantajados? Era uma competição injusta com os hobbits... Drogo deixou sua mão movimentar sobre o falo. De cima para baixo, memorizando seu tamanho, sua grossura. Isso um dia iria penetra-lo... Será que iria caber?
— Eu te amo...Drogo.
Mais uma vez o coração do hobbit saltou em seu peito.
— E-eu também...Te amo, Kili.
Os dois sorriram, suas testas suadas encostadas. Olhos azuis focados nos olhos castanhos. Tudo parecia tão certo. Os toques. Os beijos...E o desejo.
Os movimentos se tornaram erráticos. Ofegavam. Kili balbuciava palavras inteligíveis em sua língua. Drogo soltou alguns palavrões em élfico (tinha aprendido com Elladan).
Por fim, alcançaram o seu ápice. Gritaram de prazer. Ainda abraçados. Corpos enroscados um no outro. Perfeito...
Quando a primavera chegasse. Quando a neve derretesse da montanha solitária. Na sacada que logo seria um magnifico jardim...O casamento ocorreria e suas vidas, formalmente, estariam unidas para sempre.
— Quer saber? — Falou Kili depois de recuperar o folego — Depois que casarmos...Poderíamos morar aqui.
— Aqui? — Drogo, que estava aconchegado sobre o peito do anão, inqueriu, franzido o cenho.
— Digo, o seu quarto...Acho que poderíamos chamar já de nosso, não é mesmo?
— Bem... Não vejo problema nisso.
— “Mas”? Pressinto que existe um “mas”...
Drogo sorriu.
— E tem... Mas e quanto aos nossos filhos?
— F-filhos? — Kili engasgou com a própria fala.
— Er...Esse quarto pode ser grande...Mas não tão grande. Supondo que ...Você deseje ter filhos...Quero dizer...
— E eu quero! — Interpôs Kili com entusiamos — Uma frota de pequenos guerreiros hobbits e anões! Meu próprio exercito! Meu próprio reino!
Drogo fez uma careta.
— Eu não serei uma fábrica de “guerreiros”, meu rei.
Kili riu dando um sonoro beijo nos cabeços negros encaracolados do seu amante.
— Vamos remodelar o nosso lar. Acrescentar quartos! Talvez um quarto para suas pinturas e desenhos! Será perfeito!
— Sim... Será perfeito.
E Kili começou a tagarelar sobre o planejamento dos quartos, já ansioso por construir. Drogo dava sugestões, alimentando ainda mais o entusiasmo do jovem príncipe. Ali, naquele desarrumado quarto, naquela grande montanha, no frio invernal do festival Yule, o jovem casal sonhava com o futuro que estava próximo de se tornar uma realidade...
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