Os dois reis sob a montanha
24 Perigos e amores
Notas iniciais
– Calma, garoto...
Fili acariciava o seu pônei — falando em Khuzdûl, já que tais animais foram criados em Erebor e só reconheciam a Língua dos Anões para seus comandos. Estavam tendo uma curta pausa, perto de um córrego, deixando que os animais se refrescassem um pouco. Tinham, realmente, avançado muito em apenas alguns dias; estavam cruzando as Montanhas Nebulosas, seguindo por Isengard. Estavam cada vez mais próximos do seu destino. O anão olhou de relance para o seu irmão que estava sentado próximo ao riacho, com os pés submersos na água fria que advinha do degelo das montanhas. Ele segurava papeis amarelados nas mãos e sorria conforme seus olhos corriam sobre as letras ali escritas; Fili logo concluiu que Kili estava lendo novamente outra carta de Drogo. Seu irmãozinho era tão previsível... Era até fofo vê-lo daquele modo. Uma coisa o herdeiro ao trono de Erebor sabia: seu irmão iria agir tal como um bobo — iria ser um total atrapalhado quando encontrasse com o Drogo em pessoa.
– Tolo... – Murmurou. Não que o moreno pudesse ouvir, já que estava muito imerso nas cartas.
– Será só ele? – Resmungou Glóin, que estava ao lado do príncipe.
– Hã? Do que está falando?
O anão mais velho nada disse: só olhou para ao alto da colina onde o príncipe elfo estava. Fili sentiu suas bochechas corarem, e tentou disfarçar reclamando do calor.
– Estamos no início do inverno... Alteza. – Disse o anão, exibindo um tom irônico.
Fili não soube o que dizer.
– Acho melhor você aproveitar esse momento — digamos que durante a viagem não terá que se preocupar com olhos curiosos os julgando.
– Glóin... Digo... Você sabe sobre a minha relação com o Legolas?
– Ora, por Mahal. Quem não sabe? Vocês não conseguem ser nada discretos.
– E-e-espera... N-nós tentamos — O príncipe estava tendo um surto de nervosismo e medo – Toda a Erebor sabe? M-meu tio sabe?
– Não, seu tio não sabe — ainda. Ele está muito ocupado com seu dever como rei e ainda com Bilbo; Mahal e todos Valar sabem como o nosso segundo rei pode dar trabalho. – Piscou Glóin, arrancando uma risada tímida do mais novo – E Erebor, talvez não, mas será só questão de tempo. Contudo, creio que grande parte da nossa companhia já sabe. Bilbo, com certeza, já sabe.
Fili praguejou. Pensava que ambos estavam sendo discretos. Mas agora revia seus atos; realmente ele e Legolas ficavam trocando olhares quando os elfos vinham a Erebor para as reuniões e conselhos, e às vezes saiam sorrateiros rumo a encontros secretos.
– Mas vocês pretendem manter isso em segredo?
– Bem... Levando-se em conta que nossas raças ainda se odeiam – Resmungou como resposta, afinal aquilo era bastante obvio. Como podiam demonstrar a afeição que tinham entre eles sem levantar um caos em ambos os reinos? O processo de aceitação da aliança entre anões e elfos ainda estava se firmando. Expor a relação entre os dois príncipes e herdeiros aos tronos podia gerar mais confusão do que comemorações. Sem falar que muitos anões ainda não aceitavam o casamento entre Thorin e Bilbo.
– Vocês têm que ser discretos. Mas, um conselho? Não desistam do amor.
– Você não é contra? Digo; você também odeia os elfos? – De fato, Fili não esperava um incentivo por parte do anão guerreiro, afinal já tinha demonstrado sua antipatia com a outra raça em diversas ocasiões.
– Odiar é uma palavra forte. Sei que muitos elfos são arrogantes e tem um nariz empinado, essa característica me enoja e por isso fico irritado. Entretanto, já passei da idade de pensar que todos os membros de uma raça são iguais. Já vi várias guerras, lutei ao lado de várias raças diferentes... Sei que além da sua origem, o que mais vale é o seu caráter. Além disso, digo por experiência própria, com relação ao amor... Apesar dos obstáculos gerados pelo preconceito, não desista.
–Como assim, “experiência própria”?
Glóin sorriu, alisou sua barba castanha, enfiou uma das mãos em seu casaco e retirou um porta-retratos portátil que ele mesmo tinha forjado; ali estava o desenho de sua mulher e seu filho.
– Quando Erebor caiu, devido ao dragão, eu fui para as Colinas de Ferro buscando exílio — acho que sua mãe deve ter lhe contato como não fomos bem recebidos de início, o que era compreensível. Milhares de anões, agora sem lar, buscando ajuda em outro reino que já tinha seus próprios problemas... Muitos sentiam pena de nosso infortúnio, contudo, não queria compartilhar de suas riquezas e alimento. Eu era um jovem ex-guarda, faminto e pobre, lutando para sobreviver em um mundo que me parecia deveras maligno. Minha própria raça me renegava, não tinha mais um lar e nem um líder a quem seguir. Foi então que encontrei a anã que seria a minha esposa: ela era filha de comerciantes e estes se opuseram a nossa união, eles diziam que eu nada podia oferecer para ela... O que era de fato verdade. Mas eu não desisti. Aos poucos fui conquistando meu espaço. Trabalhei, comecei a acumular uma pequena fortuna, pude começar a cortejá-la. Depois, finalmente casei com ela. Mas o preconceito ainda continuava; eu ainda era um anão sem pátria e de certa forma com um futuro incerto, e seus pais, bem como outros anões das Colinas de Ferro, lembravam-me deste fato o tempo todo. Quando Thorin retornou e declarou que seria o novo rei e reconquistaria Erebor, se minha esposa não tivesse dado a luz ao meu filho Gimli, aposto que seus pais teriam feito algo para nós separar. Afinal, para muitos anões, a ideia de lutar contra um dragão era deveras insana...
– Eu não sabia disso... – Fili realmente não tinha notado muito da antipatia do reino de Dáin, afinal quando lá viviam passavam mais tempo viajando em busca de aventuras e empregos em cidades dos homens do que socializando com aquele povo anão. De fato, nunca se sentiram relaxados lá. Como se não fossem parte da comunidade, ansiavam escapar dali e encontrar algo que pudessem chamar de lar.
– Eu lutei pelo meu amor, independente da opinião dos outros e da incerteza de nosso futuro. Por isso, digo que você também deve lutar. O amor é um sentimento que não se limita a raças ou preconceitos, é um sentimento puro. Quem sou eu para limitá-lo e julgá-lo?
– Obrigado, Glóin. Eu agradeço o seu apoio.
– Não precisa agradecer, Alteza. E quer saber? Aquele mago... Qual era mesmo o nome? AH! Gandalf. Ele mencionou, na cerimônia de casamento de nossos reis, que o nosso mundo estava começando uma nova era de mudanças. Quem sabe isso significaria que o futuro de Erebor seria uma aliança permanente com os elfos, envolvendo o casamento dos futuros reis de reinos que no passado eram inimigos? –Disse, arqueando as sobrancelhas grossas e sorrindo.
– Quem sabe... — Riu nervoso o jovem príncipe; estava muito cedo para se falar em casamento.
– Vai logo atrás do seu elfo! – Glóin deu uma tapa forte no ombro do loiro. Fili sorriu, massageando o ombro dolorido, e subiu a colina para ir de encontro a Legolas que, por sua vez, parecia concentrado ao olhar o horizonte.
– Algum sinal de aranhas? – Perguntou o anão, fazendo o elfo se sobressaltar. Esse parecia não ter notado a presença do outro.
– Oh... Não. — Disse meio embaraçado por ter sido pego desprevenido – Só estou observando.
– Hum. Você já tinha viajado tão longe assim?
– Bem, quando era mais novo visitei Imladris – mais conhecido por vocês como Valfenda. Mas isso já faz algum tempo.
Os dois permaneceram em silêncio, sem saber ao certo como continuar a conversa. Era impressionante como agiam como bobos algumas vezes... Fili massageava o pescoço, enquanto Legolas alisava uma das mechas loiras de seu cabelo.
– Ah. Eu tenho uma coisa para dar a você! – Informou subitamente o elfo, tirando algo de seu pescoço. Logo Fili notou que tratava-se de um colar cujo pingente tinha a forma de uma folha prateada; peça que parecia emitir um brilho próprio.
– É... Lindo – O anão sabia que aquela joia não fora forjada por anões, já que tinha a delicadeza e a leveza da manufatura élfica.
– É seu. — Falou Legolas, entregando o colar para o príncipe anão; que o aceitou, confuso.
– Mas... – Fili notou o quanto o elfo estava corado –... Por que está me dando isso?
– B-bem... Er... – Voltou a alisar uma mecha de seu longo cabelo – Que eu saiba, os anões gostam de dar presentes para aqueles que... — Engoliu em seco – Aqueles que se desejam cortejar. Algo de valor, que demonstram suas intenções. E deveria ser algo que fora forjado por eles mesmos; desta forma, estou lhe dando o meu colar. Eu o forjei quando alcancei a maioridade e de certo modo ele me representa... A luz que emana dele está em sincronia comigo, então seria como entregar meu c-coração a v-você... — No final da explicação já estava gaguejando e até suas orelhas assumiram uma coloração avermelhada. O príncipe elfo não conseguia nem encarar o anão, que o observava atônico. Fili tinha os olhos tão abertos que pareciam querer saltar para fora; realmente não estava esperando aquilo. Olhou para o colar que tinha em suas mãos e sorriu.
– F-fale alguma coisa. Digo... Eu fiz algo errado?
Legolas obteve a sua resposta quando o anão o puxou bruscamente para baixo e seus lábios foram tomados de forma quase faminta por Fili. O jovem elfo tentou, debilmente, corresponder ao beijo, mas o outro príncipe o dominou totalmente, aprofundando e explorando totalmente os lábios e boca do elfo. Minutos se passaram até que ambos tiveram que se separar, já que necessitavam respirar. Fili ainda segurava o rosto de Legolas próximo a si, e emitia um rosnado baixo de excitação.
– I-isso... Significa que aceitas o meu presente? – Perguntou o elfo lambendo os lábios agora avermelhados, adorando ver a reação do anão que acompanhava com os olhos o trajeto da língua.
– Por Mahal. Lógico que aceito! Irei guardá-lo sempre perto de mim... Será o meu tesouro mais precioso.
– Bom... – Sorriu, puxando o anão para um abraço, pois adorava sentir os braços fortes de Fili o envolvendo.
– Legolas, eu...
– Não. – Fili sentiu seu amado ficar tenso em seus braços.
– Hã? O que foi?
– Wargs. – Sussurrou o elfo ao seu ouvido.
– O que? – O príncipe anão se virou, olhando para aonde o elfo estava mirando, mas nada viu.
– Eles estão longe do seu campo de visão – Informou Legolas – Mas eu consigo vê-los nitidamente. Estão próximos a Isengard e rumam para o leste. Orcs estão os montando.
– Orcs? Em plena luz do dia?
– Exato.
– Isso é estranho... – Fili sentia um ímpeto de investigar aquilo, mas tinham outra missão. Além disso, com a presença de orcs, não podiam se deter muito tempo ali, já que estavam em menor número e logicamente apresentavam desvantagem – Vamos continuar a viagem, o mais rápido possível. Chegando ao Condado, informaremos aos anões sobre o que vimos.
– Acha que eles podem ter algo a ver com as aranhas? E por que eles estavam tão próximos a Isengard? Aquele lugar não é o domínio do mago branco? Eles não pareciam nem temer... Deslocavam-se livremente!
– Eu não sei o que está acontecendo, Legolas, mas creio que algo ruim está se formando. Mas nada podemos fazer por enquanto; devemos continuar a nossa jornada, e informaremos aos nossos pais quando retornarmos.
– Certo. Tens razão. – Disse o elfo, e este também parecia estar apreensivo com aquela visão.
– Vamos – Fili o segurou pela mão – Quanto mais rápido irmos, melhor. Não quero arriscar que nosso cheiro seja farejado por um Warg! Temos que aproveitar as horas de luz do dia que ainda temos em nossa vantagem.
Ambos desceram a colina. A jornada antes tranquila estava começando a se tornar mais parecido com uma “aventura” de fato.
~TKATC~
O pôr do sol no horizonte estava parcialmente ocultado pelas nuvens e montanhas. Bilbo suspirou ao observar aquilo da sacada de sua estufa; aquele era o prelúdio do inverno que se aproximava de Erebor. O frio do outono estava se tornando cada vez mais intenso. As árvores na base da Montanha há tempos já tinham perdido suas folhas e agora postavam-se nuas, esperando pelo o manto branco da neve que logo as cobriria. O pequeno hobbit não gostava do inverno, pois se lembrava de como era uma época difícil no seu reino do Condado, afinal não podiam plantar e tinham que viver do que tinham conseguido acumular durante as outras estações. Isso não seria problema se não fossem os ataques constantes dos orcs, que destruíam direta e indiretamente a colheita. Afinal, ninguém iria se aventurar no campo se podia ser atacado a qualquer momento; desta forma o inverno era sinônimo de fome e medo. Mas isso era passado. Não tinha que temer pelo seu povo; não mais.
– Te encontrei! – Uma voz irritada o fez despertar de suas lembranças. Não precisava nem se virar para reconhecer quem falara: seu marido, primeiro rei de Erebor, que se aproximava – O que pensas estar fazendo? – Rosnou.
Bilbo sorriu, virando para encarar Thorin. Este estava ofegante, e era evidente que tinha corrido até ali.
– Estou apreciando o pôr do sol, não é óbvio? – Disse provocador, o que gerou um olhar reprovativo do outro rei.
– Bilbo, nada de brincadeiras agora! Sabes como fiquei preocupado? Ainda mais... Como pôde enganar Dwalin daquele jeito?
– Eu não o enganei. Na verdade, eu o ajudei. – Falou o hobbit, cruzando os braços diante de si. Já era um adulto e não precisava ser repreendido como uma criança.
– Ajudou? Fazê-lo se perder na biblioteca em busca dos livros que você tinha pedido não me parece ser uma definição correta de “ajudar”! Sabias que quando fui informado do seu sumiço tive um ataque de pânico? Quase direcionei todo o nosso exército para vasculhar a Montanha a sua procura!
– Aposto que ele teve bastante ajuda de Ori... – Sorriu o segundo rei, o que deixou Thorin ainda mais confuso – E não sejas tão dramático. Você sabia aonde me encontrar.
– Certamente ele teve ajuda de Ori, afinal ele é o bibliotecário! – O primeiro rei tentou ignorar o descaso que seu amado tinha com relação a sua segurança. Era realmente difícil fazer o pequeno hobbit entender que não devia simplesmente sumir quando lhe era conveniente.
– Amor... Você realmente não está entendendo. Você não consegue ver que existe uma certa ligação entre o nosso amigo Dwalin e o tímido e fofo Ori?
– Mas que...? Ligação? Que tipo de ligação?
Bilbo balançou a cabeça.
– Como você conseguiu me cortejar e ser tão romântico quando não consegues ver a faísca de amor entre nossos amigos? Sinceramente Thorin, às vezes você é muito lento para entender certas coisas! – Bilbo colocou as mãos em sua cintura, claramente irritado – Eu certamente não entendo como podes ser tão pervertido e não notar essas coisas. – Nisso suas bochechas coraram; tinha falado demais.
– Givasha... – A preocupação e irritação que o anão sentia anteriormente já tinham se esvaído com aquela cena. O anão se aproximou, levantou a mão buscando o broche de Bilbo, acariciando o metal em que estava marcado com o símbolo de Escudo-de-Carvalho – Eu só tenho esse tipo de pensamentos com você. Eu só sou romântico e ajo deste modo unicamente com você. Os outros pouco me importam.
– Hum... Sei. — Resmungou o menor virando o rosto; seu rubor tinha aumentando ainda mais – Mas isso não muda o fato de que Dwalin e Ori parecem apaixonados.
– Sério? Tens certeza disso? Dwalin não me falou nada a respeito.
– Não acho que ele iria pedir conselhos amorosos a você. Ele parece ser bastante cabeça dura, tal como uma pedra. Não... Diamante! – Disse orgulhoso com a comparação, afinal suas aulas sobre gemas e cristais estavam avançando, lentamente, mais estavam. Thorin riu baixo.
– Sim, claro. Mas, querido... Mesmo que suas intenções sejam boas, isso não justifica que ajas desta maneira. — O primeiro rei agora acariciava o rosto avermelhado do menor e notara o quanto estava frio, afinal estavam naquele local aberto e com os ventos frios soprando constantemente. Sem dúvida não era um local ideal para passar o fim da tarde.
– Eu estou bem e... Atchim! – Espirrou, Thorin rapidamente retirou o manto de pele que usava e cobriu os ombros do seu amado – Thorin! Eu estou bem.
– Givasha... Por favor, não sejas teimoso agora. – Thorin falando em Khuzdûl parecia ter um efeito calmante em Bilbo, que se deixou ser levado para dentro da estufa.
– Opa — Falou subitamente, o que fez Thorin parar.
– O que foi? Está tudo bem?
– Bem... — Bilbo levou a mão à grande barriga.
– Por Mahal! Chegou a hora? Devo chamar Óin? Devo te levar para o nosso quarto? Enfermaria? Não. Acho melhor te deixar deitado aqui... Espera. Nosso filho não pode nascer em meio a terra! Espera. Eu vou pensar em uma solução e... — Bilbo levou um dos dedos à boca do rei anão, o fazendo calar, e depois pegou a mão de Thorin e levou à sua barriga — Bilbo... O que...
– Shhh. Nosso bebê está dizendo um “oi”. – Sorriu o hobbit. Thorin estava ainda confuso, mas logo sentiu algo chutando a sua mão, aquilo era...
– Por Mahal... – Se ajoelhou ali mesmo, nem se importando se suas vestes ficariam sujas de terra. Encostou a testa na barriga do seu amado, ainda sentindo os movimentos do seu filho.
– Fico feliz que desta vez você pôde sentir...
– “Desta vez”? Essa não foi a primeira vez?
– Não. Infelizmente, você estava em uma reunião do Conselho quando aconteceu a primeira vez. Dís não te contou? Ela estava comigo quando...
– Tsc. Ela estava ao seu lado na primeira vez?
Bilbo pôde sentir o tom de rivalidade sendo expresso naquelas palavras. O segundo rei soltou um suspiro. Aqueles dois irmãos realmente competiam entre si; até mesmo naquilo?!
– Sim, mas... — Bilbo acariciou os cabeços negros do marido – Essa vez é ainda mais especial. Não é mesmo? Já que estas ao meu lado...
– Sim... — Thorin voltou a sua atenção para a barriga, dando um beijo nela – Filho... Nós já te amamos muito. Sei que não posso estar ao lado de sua mãe...
– Pai! – Corrigiu rapidamente o hobbit, com o semblante agudo.
– Pai... Todo o tempo — Sorriu Thorin, continuando – Mas eu estou fazendo o possível para ficar mais tempo ao lado de vocês. Não quero perder nada. Não quero que tenha dúvidas do meu amor por você.
– Não sejas tolo. Ele não tem dúvidas quanta a isso... Nem eu.
O primeiro rei se levantou e rapidamente levantou o seu esposo, o segurando em seu colo.
–Thorin! O que está fazendo?
–Temos que comemorar isso.
Bilbo tentou não sorrir; isso só incentivaria o seu marido e temia que ele tivesse alguma ideia absurda de comemoração.
– Talvez outro feriado...
– Não. Nem pense nisso! Já basta o feriado anterior quando engravidei! Outro feriado por que você sentiu nosso filho se movimentar?
– Ora, isso é uma dádiva! Aposto que todos irão adorar. Ou quem sabe uma estátua...
– Thorin! – Reclamou, aquilo era mais absurdo ainda.
– Mas... Bilbo... Não quero que essa memória passe despercebida.
– E não vai passar — Bilbo acariciou a face do seu amado – Que tal passarmos o resto da tarde e a manhã seguinte comigo? Assim poderás sentir mais, além de me ajudar em arrumar o quarto do bebê. Ainda falta o berço...
– Eu disse que iria fazê-lo!
– Ótimo, agora tens tempo!
Thorin sorriu, iria concordar com a ideia do seu pequeno amado.
– Mas... Poderíamos fazer uma pequena festa, só com os membros da Companhia, não é mesmo?
– Sim, podemos, mas não esqueças de convidar a sua irmã!
Thorin fez uma careta, mas não podia dizer não ao segundo rei.
– Bem... Já que está tudo resolvido, vamos para o nosso quarto. Meus pés estão doendo, alguém terá que massageá-los! – Mandou, se aconchegando no colo do marido.
– Sim, majestade. – Riu o anão, por às vezes pensar que o primeiro rei de Erebor era, de fato, Bilbo.
Fale com o autor