Notas iniciais
Lady - just uma coisita about the capítulo: LKASJDLSHDFHSDHJSJDFHSDFJKJSHJHJ Boa leitura. :v

Os raios solares atravessavam as nuvens cinzentas que obscureciam o dia em Hobbiton; não parecia ser um bom dia para navegar no rio Brandywine. Contudo, Drogo Bolseiro não estava pensando sobre o tempo, mesmo que uma chuva seria excelente para as suas rosas e petúnias. Não... Sua mente vagava por problemas e preocupações diversas, tanto que nem percebeu quando Prímula o cutucou, o que fez a jovem hobbit lhe dar um empurrão mais forte por atenção, fazendo a balsa em que estavam chocalhar.

– Prim!? O que pensa que está fazendo? – Indagou Drogo, sentindo seu coração bater rapidamente devido o susto – A balsa podia virar, sabia disso?

– Bem, pelo assim você prestaria atenção no que está ocorrendo a sua volta! – A garota tinha cabelos castanho claros, bem encaracolados, sua face era arredonda e as bochechas rosadas lhe davam um semblante ainda mais jovial do que aparentava; algo que Prímula Brandebuque odiava, afinal ela já era adulta, mesmo que tal titulo só lhe tivesse sido dado a poucas semanas.

– Eu estava prestando atenção... – Resmungou o jovem Bolseiro – Sinceramente... Você parece ser mais Tûk do que o primo Bilbo!

‒ Sinto muito se minha mãe e a mãe do primo Bilbo eram do clã Tûk! – Falou Prim com um tom de orgulho. Realmente não estava arrependida de suas ações.

– Que seja... — Suspirou Drogo.

– Primo... Eu estava falando por quase meia hora e em nenhum momento você reclamou ou emitiu alguma opinião! Está se sentindo bem? Sei que não gostas de passear de balsa... Mas pensei que isso fosse te animar um pouco.

– Animar? Por que preciso ser animado? Eu estou ótimo! – Respondeu irritado, estava cansado dos outros se preocuparem, era como se não pensassem que ele fosse capaz de se defender!

– Sei. Ultimamente você só fica animado quando recebe cartas.

– L-lógico que eu devo ficar feliz... Trata-se das mensagens do primo Bilbo!

– Oh, verdade! – Prímula sorriu – Mas creio que a sua felicidade não se direcione tão somente as mensagens de Bilbo. Talvez... Quem sabe... Um certo príncipe anão...

– Prim! – O rubor dominou as bochechas de Drogo – Kili é só um amigo!

– Então esse príncipe tem um nome? Já estava na hora de eu saber sobre esse tal amigo misterioso!

– Prímula... Sinceramente, eu não irei falar destas coisas com você!

– E por que não? – Fez biquinho – Somos melhores amigos, não somos?

– Sim. Mas... – Como Drogo podia explicar que há tempos atrás pensava que era Prímula quem seria o amor de sua vida? Realmente tinha imaginado o seu futuro, tal como um hobbit comum, que consistiria em se casar com uma bela hobbit, ter vários filhos e viver tranquilamente. Mas tudo mudou. Primeiramente foi com a notícia derradeira que recebera quando alcançou a maioridade: era um Breeder. Logo, pela a lei, não poderia se casar com uma hobbit fêmea, afinal estaria na mesma categoria que elas. Porém, ao contrário do que imaginara, a noticia não foi tão catastrófica assim; o que o fez supor que na verdade não amava Prímula da forma que imaginara, e sim tinha por ela uma afeição fraternal. Afinal, eles tinham sido criados juntos, partilhavam lembranças semelhantes da infância, tanto boas quanto ruins. Além disso, as cartas de “um certo príncipe anão” eram o que preenchiam seu coração... O fazendo bater rápido a cada palavra escrita na caligrafia trêmula e cheia de erros de Kili Durin.

– Ohhh! Está sorrindo! Estava pensando no anão de novo, não é?

– N-não! – Se Drogo estava com as bochechas vermelhas antes, agora essa vermelhidão tinha dominado todo o seu rosto.

– Sei! – A garota sorria animada – Eu queria saber como ele é! Você sabe?

– B-bem... Meio que recebi uma descrição física...

– Só isso?!

– Mas não me importo! Quero dizer, não foi pela a beleza física que eu me senti atraído por ele, bem que creio que deve ser muito bonito e... — Calou a boca. Já estava falando demai;, na verdade já tinha falado muito mais do que deveria.

– Então é verdade! Você se sente atraído por ele?! – Prim tinha se movimentado na balsa, indo para mais perto dele, o que fez o barco balançar.

– Prímula, cuidado!

– Tudo bem! Não se preocupe! Essa balsa é novinha, não tem como ela...

– Água! – Exclamou Drogo, ao ver que, de fato, água estava começando a adentrar na balsa advindo de um furo no centro da mesma.

– Ah? C-como!?

– Prim. A quem você contou que iriamos passear de balsa?

– Isso é importante agora?! Temos que pensar em alguma forma de tirar essa água!

– Sim, é extremamente importante! Só responda a pergunta! – Prímula engoliu em seco, era uma das poucas vezes que viu seu amigo tão sério.

– B-bem... Acho que falei com a Lobélia; na verdade, foi ela quem sugeriu o passeio de balsa... Já que fazíamos isso quando erámos criança e achei uma boa ideia, então...

– Ela sabia! – Rosnou o jovem breeder dando um soco na madeira, machucando punho.

– Drogo! O que está havendo?

– Eles estão tentando me matar... – Murmurou.

– M-matar? Mas... Por quê? Eles são da sua família!

– Prímula, pegue os remos! Vamos tentar chegar à margem antes que a balsa afunde! – Mandou, pegando o seu próprio remo e começando a movimentá-lo. A garota também copiou o seu ato, ambos remando freneticamente, tentando alcançar terra firme. A água já estava nos seus tornozelos...

– Yavanna nos ajude... — Murmurou Drogo. A margem não estava tão distante assim. Talvez eles conseguissem

Um flash de luz iluminou o céu, acompanhado em seguida por um forte trovão. Pingos grossos começaram a cair subitamente.

– Maldição! – Resmungou o jovem Bolseiro.

– Drogo! – Gritou Prímula, fazendo com que o outro se virasse a tempo de ver sua amiga perder o remo que segurava – Não se preocupe! Eu pego!

O vento forte agora balançava a balsa. Prim tentou se apoiar no parapeito da embarcação, mas desequilibrou com um dos movimentos bruscos da balsa. Drogo tentou segurá-la, mas fora jogado para trás.

– PRÍMULA! – Gritou, mas seu próprio grito foi abafado pela tempestade. Drogo buscou por algum sinal da garota na água agora nada cautelosas do rio. Pode ver uma mão se erguendo além das ondas – PRIM! AGUENTE FIRME! – Não pensou bem, e... Saltou.

A partir daquele momento suas lembranças se tornavam confusas. Lembrava-se de tentar lutar contra a correnteza, mesmo sem saber ao certo como fazê-lo. O motivo de não gostar de passear de balsa era justamente o fato de não saber nadar. Na verdade, poucos hobbits sabiam; tratava-se de uma habilidade não muito apreciada por aquela raça. Mesmo sabendo desta incapacidade, tentou lutar contra a própria natureza e alcançar Prímula. Água adentrava por sua boca. Tossia. Seu corpo parecia tão pesado... Por que não conseguia alcançá-la? Onde ela estava?

– P-Prim... — Arfou, enquanto tentava respirar, mas mais água engolia. Não iria conseguir. Esse seria o seu fim? Bilbo provavelmente iria pensar em um jeito para solucionar aquele problema. Sabia que não era como o seu primo... Se fosse, não estaria naquela situação. Bilbo tinha confiado nele para assumir o seu lugar como líder do clã Bolseiro, tomar conta do Bolsão e no final das contas iria morrer... Os Justa-Correia iriam vencer no final.

“Eu não sirvo para ser um Bolseiro...” Esse foi seu ultimo pensamento antes de desfalecer.

~TKATC~

– Prim! – Drogo abriu os olhos rapidamente, braços levantados prontos a agarrar algo... Infelizmente, esse “algo” nunca mais poderia ser alcançado. Olhou para os lados. Estava em seu quarto, sabia disso; não era a primeira e nem seria a última vez que teria aquele pesadelo – ou, sendo mais correto, recordação.

– Drogo! Você está bem? – Ada adentrou no quarto subitamente, indo rápido às bordas da cama do seu jovem primo, tocando em sua face – Não está com febre... Bom.

– Eu estou bem... — Sussurrou o mais novo somente, ainda observando as suas mãos, abrindo e fechando os punhos. Sentia-se tão impotente. Fraco. Se tivesse se esforçado mais, Prímula não teria...

– Hoje nós temos sopa de abóbora, sua favorita! – Dizia o Tûk em um tom carinhoso na voz – Quer eu traga para você comer?

– Não estou com fome.

– Drogo... Não podes continuar assim. Você nunca irá se recuperar se não comer!

– Talvez eu não queira me recuperar.

– Não diga isso! Você está vivo!

– E do que vale eu estar vivo? Prímula morreu por minha causa! Quantos mais irão morrer só pelo simples fato de eu ser o herdeiro dos Bolseiros? Se eu tivesse morrido, tudo isso teria acabado! – Lágrimas escorriam de sua face. Tudo aquilo ocorreu por sua culpa! Não devia ter sobrevivido...

– Drogo Bolseiro! – Uma voz firme fez ambos os rapazes se sobressaltarem e miraram para a porta. Uma velha senhora, apoiada em sua bengala, os observava com seus olhos verdes reprovadores. Adalgrim engoliu em seco. Mesmo com seu tamanho e músculos, ter batalhado contra orcs e outros seres sinistros nas fronteiras do Condado, nada disso era comparado ao medo que sentia dos sermões dados por sua avó.

– Vovó Tûk... — Murmurou Drogo.

– Como você ousa falar coisas deste tipo? Eu não me lembro de ter criado um hobbit mal-educado e ingrato!

Drogo mordeu o lábio inferior. Não podia responder de forma bruta aquela senhora que fora tão importante para a sua vida... Afinal, foi ela quem abriu as portas de sua casa e permitiu que ele e Bilbo, órfãos e desamparados, pudessem adentrar em seu seio familiar.

– Querido... — Agora a senhora Tûk se aproximava da cama e sentava na beirada, emitindo um gemido de dor a cada movimento, como ela mesma enfatizava, seu corpo parecia não concordar com seus movimentos e por isso se rebelavam causando dor – Eu sei o quanto você está sofrendo. Afinal, tal como você e Bilbo, eu também acolhi Prímula devido a morte dos pais dela depois de um ataque de lobos durante um inverno... Ela também fez parte da minha família! A notícia do seu falecimento foi recebida com pesar por todo o clã Tûk, por isso enfatizo que sabemos da sua dor...

– Vovó Tûk... Eu que fui responsável pela a morte dela! Vocês não deveriam sentir só pesar e sim deveriam sentir raiva! Eu... Eu sou o culpado! – Fungou. Não conseguia controlar o seu próprio choro. Pensara que o tanto que tinha chorado nos últimos dias resultaria na falta de lágrimas, mas tinha se enganado; seu corpo, de alguma forma, ainda tinha um estoque bastante grande para derramá-las.

– Oh, meu querido! – A líder do clã Tûk tocou a mão trêmula do jovem Bolseiro e a apertou – Você não é o culpado pelo o que ocorreu com Prímula.

– Mas... – Tentou, novamente, impor a sua opinião a respeito. Não achava certo que fosse isento de culpa.

– Drogo, a vovó Tûk está certa! – Interpôs Adalgrim – Os únicos que devem ser os verdadeiros culpados, seriam aqueles que planejaram a sua morte!

– Sim, Ada está certo! – Concordou a hobbit anciã – Esses indivíduos que tiveram a coragem de fazer um plano tão vil é que são os verdadeiros vilões.

– Isso é o pior... – Disse cabisbaixo – Esses culpados estão soltos. Livres. E não podemos acusá-los!

– Mas você bradou que Prímula tinha lhe dito que Lobélia era quem tinha sugerido o passeio de balsa! – Disse Ada.

–Temo em dizer, primo Ada, que isso não seria o suficiente para comprometê-los. Além disso, Prim não está viva para poder reafirmar isso... Seria a minha palavra contra a deles.

– E sua palavra é tão sem valor assim que o conselho de Hobbiton não iria lhe dar ouvidos?

– Eu sou um breeder...

– Besteira! – Ralhou vovó Tûk – Bilbo também era um breeder, e...

– Eu não sou como o Bilbo! – Interrompeu enfurecido – Eu não sou destemido como ele! Tão pouco sou um líder! Ele errou me deixando com a responsabilidade de liderar clã dos Bolseiros!

– Drogo... — A velha senhora levou as mãos enrugadas para a face úmida do hobbit – De fato, você não é como Bilbo. O que vejo diante de mim é um jovem hobbit ainda temeroso a trilhar o caminho dos adultos; essa mesma expressão não foi diferente do que observei quando encontrei Bilbo diante da minha porta, pedindo abrigo depois daquela horrenda batalha contra os orcs e a destruição do Bolsão. Querido, não creio que o seu querido primo Bilbo errou em te escolher... O fato de ser um breeder não deve servir de obstáculo, e além disso você não precisa ser igual ao Bilbo para se fazer ouvir e impor sua autoridade como herdeiro do sangue real dos Bolseiros!

– M-mas... Como eu devo agir? – Desde que seu primo fora embora para Erebor Drogo sentiu um vazio o preencher. Antes, Bilbo o protegia e resolvia todos os problemas; muitas vezes Drogo tentara intervir e se fazer útil, mas Bilbo sempre o afastava, dizendo que não se preocupasse, que poderia lidar com tudo aquilo sozinho. Agora estava só... Perdido. Confuso. Temia não atingir as expectativas, afinal, como poderia ser igual ao seu primo?

– Sei que irás pensar em uma maneira, afinal és um Bolseiro! Tens em suas veias o sangue dos antepassados que construíram o Condado! Ninguém pode negar esse fato. – Falou orgulhosa a vovó Tûk.

Drogo sorriu levemente. Ainda sentia insegurança e um imenso fardo nas costas, todavia não podia negar que sentia um pouco de satisfação. Bilbo devia se sentir assim há tempos atrás, antes de casar com o rei anão; de certa forma, se sentia mais próximo do primo daquela maneira.

“Irei pensar em uma solução...” Fechou o punho fortemente.

– Agora, não esqueças que tens amigos que irão te apoiar! Seu primo Bilbo era muito teimoso e orgulhoso para tentar mostrar fraqueza... Mas não esqueças, não há nada de errado em pedir ajuda!

– Sim, vovó Tûk. – Disse, agora um pouco mais animado, Drogo. De certa forma aquilo lhe fez lembrar dos diversos sermões que a anciã tinha lhe dado quando fazia alguma travessura na época da infância.

– Agora por que não relaxas um pouco? Eu posso gostar de cuidar de jardins, mais temo que não consiga tratar de suas flores com tanta destreza de quando eu era jovem... — Suspirou pesadamente a senhora Tûk.

– S-sim! – Drogo se levantou, ainda se sentia meio fraco mas conseguiu se manter em pé sem vacilar – Depois eu como a sopa de abóbora... – Sorriu para Ada, que correspondeu o sorriso.

O jovem mestre Bolseiro saiu do quarto, rumo ao seu amado jardim.

~TKATC~

– Desculpe... — Sussurrou para um botão de rosa. Seu jardim tinha sobrevivido aos seus meses de depressão graças a ajuda da vovó Tûk; mas, como ela mesmo tinha mencionado, a velha matriarca não detinha as mesmas habilidades de sua juventude, logo, não podia retirar todas as ervas daninhas e nem tosar todos os galhos que necessitavam serem tosados – Eu também falhei com vocês.

Sempre amara as flores, era muito mais do que um hobbie para ele cuidá-las; afinal, uma das poucas lembranças que tinha de seus parentes era que sua mãe passava grande parte do tempo cultivando lindas flores no jardim, e as colhia para enfeitar o interior de sua toca. Drogo ainda podia sentir o cheiro adocicado advindo daquelas memórias. As flores sempre o tranquilizaram e animavam...

– Eu não irei falhar novamente. Não irei deixar que machuquem o que me é precioso. – Prometeu. Sua visão ficou desfocada por instantes para depois seus olhos verterem lágrimas novamente. Sentia falta de Prímula; tal como as flores ela também o animava. Sabia que se estivesse viva, naquele momento, estaria o repreendendo por agir de forma tão depressiva. Drogo riu baixinho, enxugando as lágrimas com a costa das mãos. Realmente, devia parar de se amargurar pelo o que tinha ocorrido. Prímula não iria querer aquilo, muito menos primo Bilbo...

– Mas que doce conveniência do destino!

Drogo sentiu um frio percorrer seu corpo. Aquela voz...

– Eu já estava ficando preocupado com a possibilidade que meu jovem primo Drogo estivesse muito mais doente do que aqueles Tûks tinham informado...

O jovem Bolseiro levantou o olhar para além de sua cerca viva: ali estava Leoamros Justa-Correia, com o seu sorriso amigável escondendo, como sempre, suas reais intenções.

– O que está fazendo aqui? – Perguntou o mais novo em tom quase semelhante a um rosnado.

– Ora, ora... Bilbo não te ensinou o mínimo de educação? Bem, não devo me surpreender, afinal aquele breeder não tinha nada de educado; já que foste criado por ele...

– Não ouse falar deste modo do meu primo Bilbo! – Bradou Drogo se levantando do chão subitamente – Ele é mil vezes mais nobre e valoroso que você!

– Cuidado com o que dizes, pequeno breeder. Seu querido priminho não está mais aqui para te defender!

– E-eu não preciso dele para me defender! – Tentou parecer firme, mas falhou no gaguejar – Posso me defender sozinho!

– Sério? Que interessante saber... Apesar daquele lamentável acidente na balsa, creio que o seu conceito de “se defender” está precisando de reformulação, não achas? – Sorriu novamente.

Drogo sentiu seu corpo tremer. Não estava gostando do rumo que aquela conversa estava se direcionado; não podia esquecer que estava diante daquele que deveria ser o assassino de Prímula.

– Eu irei perguntar de novo: o que está fazendo aqui?

– Ora, preciso de motivos para visitar o meu caro primo? Principalmente, levando em consideração que faz 3 meses que não sais do Bolsão .O conselho já estava ficando preocupado, afinal ninguém desejaria que algo de ruim ocorresse com o único herdeiro da família real dos Bolseiros do Condado, tendo em vista que Bilbo está casado com o rei anão...

– Como você pode ver, eu estou bem. Pode informar isso ao conselho.

– Mas será que estás mesmo bem? Depois do acidente, o conselho pôde presenciar o quão frágil nosso querido Bolseiro é...

– Eu não sou frágil!

Leoamros ignorou aquilo e continuou:

– Por isso eu propus que, para o bem da linguagem real, alguém deveria ser responsável por sua segurança... Além disso, já que a aliança com Erebor está mantida pelo casamento de Bilbo com o rei Thorin, um novo breeder estaria livre desta obrigação. Entretanto, é de extrema importância que a linhagem dos Bolseiros não se finde...

– O que está querendo dizer com tudo isso? – Perguntou Drogo, desconfiado.

– Pequeno Drogo, estou aqui para lhe trazer a grande notícia! Para garantir a sua proteção, eu me ofereci para me casar com você.

– Hã? Está louco? Eu não pretendo me casar com você... Nunca! – Só imaginar que aquilo poderia ocorrer lhe dava ânsia.

O velho hobbit apenas gargalhou.

– E como irá impedir isso? Com as suas flores? – Falado isso, pegou um botão de rosas e esmagou na mão – Se você for minimamente inteligente, como o seu primo, saberia que está perdendo uma grande oportunidade. Tendo em vista que sua vida está em perigo.

– Você está me ameaçando?

– Ninguém gostaria que o jovem mestre do Bolsão morresse sem ao menos aproveitar a sua fase adulta! Seria uma grande pena... Mas o clã Justa-Correia será sempre fiel; tomaremos conta da herança dos Bolseiros com extrema devoção.

“Aquilo, sim, era uma ameaça...” Pensou horrorizado Drogo.

– Bem, fico feliz que esteja saudável... – Sorriu novamente – Oh! Quase me esqueci! Hoje a tarde o conselho irá fazer uma votação, lógico que trata-se algo unicamente burocrático, em relação a nosso casamento. Não se preocupe, sei que vai ser unânime, em prol a nossa união e sua proteção. Falo isso, pois sei que mesmo com sua presença, seu voto de nada vai valer se todos os outros votarem contra a sua vontade e a favor da minha, não é mesmo?

Antes que o menor pudesse responder ao outro, este começou a se afastar gargalhando. Era evidente que viera ali somente para humilhá-lo.

– Não. Quem são eles para julgarem o que é melhor ou pior para mim? – Seu corpo tremia, mas não era de medo, e sim, de raiva.

– Drogo? – Adalgrim veio ao jardim carregando uma travessa com xícaras de ch;, era bastante evidente que ele não estava acostumado a fazer isso já que tremia, botando em risco as porcelanas que ali estavam – Eu ouvi alguém conversando com você... Quem seria? Ah! Eu trouxe chá!

– Ada, obrigado, mas acho que não é o momento adequado para beber!

– M-mas você não comeu nada desde que acordou...

– Tenho que ir ao conselho de Hobbiton! – Disse rapidamente o menor.

– Hã? E por quê?

– Impedir um casamento!

– C-casamento? De quem?

– O meu.

Isso foi o suficiente para Ada largar a bandeja, deixando que as xícaras e pratos quebrassem ao colidirem no chão.

– Eu vou com você! – Rosnou o Tûk. Ele não pôde fazer nada para defender Bilbo quando este foi forçado a casar-se; desta vez, estaria presente para proteger Drogo.

O jovem Bolseiro somente assentiu com a cabeça e indicou para o primo que eles deveriam se apresar.

~TKATC~

– ...Nós, membros deste conselho formado pelos representantes dos clãs mais importantes do Condado, aqui estamos reunidos para votar em relação a um assunto de extrema importância para o nosso povo: a segurança da linhagem real! Mesmo que estejamos sobre a influência de Erebor, ainda mantemos nossa independência política interna. Devemos preservar nossa soberania. – Falou Promer Brandebuque – Como sabem, há três meses, nosso amado e querido herdeiro e atual líder do clã real dos Bolseiros sofreu um acidente! Mesmo que pela inconveniência do destino, essa fatalidade nós ver abrir os olhos para a realidade... Drogo Bolseiro necessita de proteção; além disso, o clã Bolseiro precisa de descendentes! Mesmo que sua majestade Bilbo Bolseiro Durin tenha filhos, esses serão herdeiros da dinastia de Erebor e não do reino do Condado! Se Drogo vier a falecer sem deixar filhos... Temo que seremos totalmente anexados ao reino dos anões!

Os membros do conselho ali presentes emitiram resmungos e comentários de insatisfação em relação aquela situação crítica que enfrentavam.

– Por isso, graças a proposta do nosso amigo Leoamros Justa-Correia, temos uma solução conveniente! O casamento de nosso valoroso membro do conselho com o jovem Drogo, além de garantir a pureza da linhagem, pois os descendentes desta união não serão mestiços... – ele foi interrompido:

– Definitivamente! Já imaginaram? Meio anões e hobbits? – Disse Boldo Pé-Soberbo enojado – Nem quero imaginar como serão os filhos de Bilbo com aquele anão... Serão aberrações!

Sons de aprovações advieram dos outros membros do conselho.

– De fato, eles serão melhores do que os que poderiam nascer com o sangue podre de Leoamros nas veias! – Todos viraram e ficaram surpresos ao verem Drogo na entrada da grande sala.

– Olha quem veio dar a luz de sua presença! – Sorriu Leoamros – Tens um senso de humor peculiar, meu amor.

– Seu verme... — Rosnou Ada, já pronto para atacar o Justa-Correia, mas fora impedido por Drogo.

– Quero que parem com essa loucura, esse casamento não irá ocorrer! – Falou o jovem Bolseiro.

– Alteza, tens que entender que o que fazemos é para a sua proteção e bem estar!

– Minha proteção? Meu bem estar? Como eu poderia ter isso ao lado do assassino de Prímula?

Os membros do conselho novamente apresentaram o semblante surpreso, e olharam de relance para Leoamros, que ainda detinha um sorriso no rosto.

– Alteza... Essa é uma acusação muito séria. – Disse Promer.

– Além de estar sem provas... – Falou o Justa-Correia.

– Não foi um simples acidente o que ocorreu comigo! Como uma balsa poderia afundar convenientemente horas depois de ser colocada na água? Se ela estivesse com um furo comum, logo teríamos visto! Vocês não pararam para pensar nesta incongruência? – Drogo estava ofegante, era difícil crer que eles em nenhum momento analisaram afinco aquele estranho acidente.

– Ora... – Pigarrou Leoamros – Você está sob uma situação de estresse, lógico que deve ter imaginado coisas. Ainda mais uma fêmea e um breeder navegando sozinhos em uma balsa só poderia resultar em desastre, não é mesmo?

– Eu naveguei diversas vezes com Prímula e nunca algo assim ocorreu! O fato dela ser mulher não a torna incapaz de ver o que é evidente! E por que não pergunta a sua filha Lobélia, que estranhamente sugeriu a Prim que usássemos a balsa?

– O que? Nós não sabíamos disso... — Promer parecia intrigado.

– Vocês irão confiar na palavra dele? – Riu nervoso Leoamros – Essa jovem hobbit nem está viva para podermos investigar essa suspeita! O que eu vejo é só um hobbit fugindo de sua responsabilidade e agindo de forma imprópria! Sendo um breeder, deveria pelo menos mostrar respeito para os membros do conselho!

Drogo mordeu o lábio inferior, uma lágrima solitária rolara de sua face. Sentia raiva, impotência... Não podia provar nada contra o Justa-Correia.

– Aposto que isso tudo é fantasia de sua mente mirabolante e fraca... A leitura daqueles livros tolos deixados por seu primo acabaram por influenciar a mente já suscetível de um breeder. Aventuras e contos de heroísmo! Algo tão anti-hobbit!

– Eu não vou me casar com você. Independente do que digas, eu não irei ser forçado a algo que não quero! Já esqueceram que foi esse mesmo Leoamros que sugeriu a ideia de usar poções para me tornar um breeder antes de eu ter a minha maturidade? Ele quase me matou! Como vocês podem confiar novamente neste hobbit que age pensando mais na fortuna e título dos Bolseiros do que no bem-estar dos membros da linhagem real?

– Já chega! – Rosnou – Já cansei destas insubordinações! Ponha-se em seu lugar, breeder. Deveria se considerar com sorte de eu aceitar me casar com você! Que outro hobbit gostaria de ter um breeder rebelde como esposo e ainda tendo o primo casado com um anão?

Uma flecha rasgou o ar e fincou em um pilar de madeira, a poucos centímetros do rosto de Leoamros, que emitiu um grito assustado, caindo da cadeira a qual estava sentado.

– O que tem de errado em se casar com um anão? – Falou um rapaz de cabelos negros e olhos castanhos vivazes, adentrou no salão do conselho. A pouca barba que crescia em seu rosto e seu tamanho indicavam que não se tratava de um hobbit, e sim de um jovem anão.

– Quem te deu permissão para entrar nessa reunião e tentar me matar?! –Rosnou o Justa-Correia.

– Matar? Ora, se meu intuito fosse realmente te matar você não estaria falando e respirando, velhote!

– M-mas que atrevimento!

– Mas, sinceramente, irmão... Você bem que deveria ter mirado na orelha dele. Ele merecia alguma cicatriz! – Falou outro rapaz de cabelos loiros e olhos azuis. Apresentava barba da mesma cor dos cabelos; outro anão.

– Q-quem deu autorização para vocês entrarem? Esse é um conselho formado pelos nobres! – Bradou Boldo.

– Oh! Nobres? – O moreno sorriu – Será que nós enquadramos nessa categoria, Fili?

– Acho que sim, Kili...

– Por Yavanna... Eu não acredito – Drogo sussurrou. Um sorriso se fez em seus lábios. Primo Ada estava visivelmente confuso, pois não sabia se aqueles anões seriam aliados ou novos inimigos – Fili... Kili?!

– Você os conhece? – Perguntou o Tûk, mas não obteve resposta, já que o seu priminho estava ocupado demais sorrindo e fitando um dos anões, mais precisamente aquele denominado Kili.

Kili sorriu para o pequeno hobbit e acenou. Fili, por sua vez, deu uma tapa na nuca do irmão, como para lembrá-lo de que não estavam sozinhos.

– Não temos tempo para brincadeiras! – Rosnou o Justa-Correia – Irei chamar os guardas agora mesmo!

– Não acho que isso irá adiantar muito... – Riu o anão loiro.

– Ora, e por que não?!

– Porque eles são os Príncipes! – Disse Drogo – Kili Durin e Fili Durin, sobrinhos de Thorin Escudo-de-carvalho Durin, primeiro rei de Erebor!

– O que... O que eles... Digo... Vossas altezas estão fazendo no Condado? –Perguntou Promer, fazendo uma reverência exagerada.

– Não é obvio? Viemos proteger nosso “primo” Drogo! – Disse Kili colocando o braço envolta do ombro do pequeno hobbit, que corou imediatamente.

– Soubemos que ele sofrera um atentado...

– Um acidente! – Interveio Leoamros.

– Um atentado e — Continuou a falar Fili – Tia Bilb... Digo... O segundo rei Bilbo ficou preocupado com a segurança de seu primo. Logo viemos de Erebor o mais rápido possível. Não sei muito bem se vocês hobbits esqueceram que quando Bilbo se casou com o nosso tio as duas linhagens, Durin e Bolseiro, se entrelaçaram... Logo, Drogo também faz parte da linhagem real dos anões. De modo que todo esse papo de manter a linhagem pura e a soberania do Condado é uma total perda de tempo; isso só mostra o quão mal informados vocês estão. A independência do Condado é garantida por lei, e está redigido no contrato da aliança Condado-Erebor... Por acaso vocês leram o contrato?

Nenhum membro do conselho se manifestou; esses olhavam para os lados, como para esconder o embaraço da verdade.

– Já tinha imaginado... – Suspirou o príncipe – Enfim, melhor pararem com essa loucura, pois um casamento sem a permissão do reis de Erebor significaria uma afronta e podia desestabilizar a aliança. Creio que não é isso que vocês querem, não é?

– Oh! Não! – Responderam todos rapidamente – Nós estamos gratos por essa aliança! Pedimos perdão por nossos atos.

– Pois muito bem. — Sorriu Fili – Acho que salvamos o dia, não é? – Piscou para o irmão, que repetiu em retorno.

– Não! Eu não irei ser derrotado pelos Bolseiros novamente! Eu estava tão perto em ter o que eu queria... – Bradou Leoamros, que retirou uma adaga do casaco e avançou em direção a Drogo, em uma tentativa insana de conseguir a sua vingança. Os príncipes nem precisaram pegar suas armas, pois Ada avançara e dera um soco no velho hobbit, o fazendo cair desacordado no chão.

– Finalmente eu tive a chance de mostrar o verdadeiro poder de um Tûk! – Falou orgulhoso.

Fili suspirou aliviado, soltando a mão do punho da sua espada. Kili tinha abraçado o hobbit fortemente para protegê-lo; relutante e envergonhado se afasta.

– Drogo... Você está bem? – Perguntou o príncipe mais novo.

– E-eu... Não estou sonhando... Não é? – Balbuciou.

– Não — Sorriu – Temo que isso tudo ocorreu de verdade.

– Você... É mais bonito do que eu tinha imaginado. — Falou baixo, meio ofegante.

– Er... Ah... – Kili ficou sem saber o que dizer. O seu rosto estava totalmente vermelho, talvez até mais do que o rosto de Drogo – Espera... — Tocou a testa suada do menor – Ele está queimado de febre!

– Tolo! Eu sabia que devia tê-lo forçado comer um pouco antes de sairmos! Nem os remédios ele tomou! — Resmungou o primo Ada.

– Ele está doente? – Perguntou Fili, preocupado.

– Calem a boca! – Reclamou teimosamente Drogo — Eu estou bem!

O jovem Bolseiro se sentiu elevado do chão, e quando olhou para os lados, confuso, logo notou que estava sendo carregado por Kili.

– Onde fica o Bolsão? – Perguntou o príncipe.

– E-eu vou guiá-lo! – Disse Ada, sendo logo seguido por Kili.

– Agora começa o romance... — Resmungou Fili, andando encurvado logo atrás.

Notas finais
Lady: Qual o nome do novo ship? *o* Vocês estão tão ansiosas por isso quanto eu? e_e