Os dois reis sob a montanha
72 Penteados
— Sinceramente, isso é revoltante! — Reclamou o elfo de longos cabelos loiros, seu corpo esbelto apresentava apenas um ligeiro abaulamento na região do ventre que era ainda mais destacado pelo vestido bordado em prata que utilizava.
— E o pior! Não tem vinho, só esse suco ridículo! — Falava isso enquanto bebia todo o copo do referido suco, além de indicar para um servo próximo que colocasse mais.
— Deveríamos fazer a cerimônia em Mirkwood! A floresta está linda com a primavera! Cheia de flores...Além disso, com a diminuição do número de aranhas gigantes graças a Tauriel, além de bela, a floresta está segura.
— Pai... — Legolas que já estava por demais nervoso com toda a cerimônia, não precisa de mais uma dose de estresse em suas costas. Sim, apreciava a presença de seu pai, Thranduil, naquele dia que seria um dos mais importantes de sua vida, só que apreciaria ainda mais se esse mesmo pai não rezingasse tão constantemente — Você sabe muito bem por que minha cerimônia de noivado será feita aqui em Erebor, justamente para que o meu casamento seja em Mirkwood, foi o acordo que fizeste com o rei Thorin, ou já esqueceu?
— Além disso... — Acrescentou Elrond, forçando o seu amado elfo a sentar em uma confortável cadeira — Já conversamos sobre o vinho, concordámos que durante a gravidez você iria evitar tal tipo de bebida.
O rei elfo rolou os olhos, bebericando o seu suco de uva de contragosto, apesar de obviamente estar gostando da bebida.
— Eu só quero ajudar, afinal...Esse é o noivado do meu filho. — Resmungou contrariado.
— E você está ajudado. — Garantiu Legolas dando um leve aperto na mão do seu amado progenitor — Quando não está reclamando, você está ajudando.
Duil fez uma careta e Elrond conteve uma risada.
— Eu só estava sendo crítico...
— E com o quê? — Quis saber uma velha senhora hobbit que se aproximava lentamente com o apoio de sua bengala.— Pois saiba que meu neto está organizando toda essa cerimônia. E ele é um Bolseiro com sangue Tük. Uma coisa que nós Tüks sabemos fazer é uma boa festa! Então, o mestre elfo está criticando o que, precisamente?
— Madame Tük... — Começou a falar Elrond em seu melhor tom diplomático.
— Madame? Prefiro ser chamada de vovó Tük ou melhor senhora Tük!
— Bem... — Pigarreou o lorde de Valfenda.
— Eu confio em Bilbo. — Declarou Thranduil — Ele sim tem bom gosto, quem eu não tenho confiança é em Thorin. Aquele anão cabeça dura tornará tudo por demais anão, ou seja, sem graça e estilo.
— Engraçado, se tudo advindo dos anões é tão sem graça e carece de estilo com você diz, não entendo a necessidade de importar vinho de Erebor. — Comentou Legolas ocultando o sorriso que expressava em seus lábios.
— Ora... — Duil estava sem respostas e como consequência bufava de irritação.
— Vocês estão brigando? — Drogo inqueriu, emergindo por detrás de um biombo aonde se encontrava, tentando vestir sua roupa de casamento. O pequeno hobbit não queria o auxílio dos servos para desempenhar tal função. Aliás, preferia a ajuda de seus amigos e familiares do que os numerosos servos anões. Sim, logo se tornaria príncipe de Erebor ao partilhar laços de matrimônio com Kili, mas isso não significava que gostava ou se acostumaria com as regalias reais.
— Estamos tendo uma discussão amigável. — Garantiu Duil.
— Drogo, meu querido... — Vovó Tük soltou um suspiro ao ver o seu outro neto vestido com suas roupas matrimonias — Nunca entendi essa necessidade do uso do azul...
O pequeno hobbit sorriu com ternura, enquanto alisava a túnica de coloração azul clara a qual tinha um elegante bordado no centro, bordado esse que representava o símbolo dos Durins, ou seja, um martelo sobre uma bigorna, ademais, pairando sobre esses dois objetos, uma coroa rodeava por estrelas. Sabia que sua roupa era semelhante ao de Bilbo quando esse mesmo se casou. Sabia disse pois o seu primo o tinha mostrado a roupa meses atrás. Poderia ser uma vestimenta austera, típica anã a qual tradição e os deveres para com o seu povo são por demais importantes, mas também tinha seu toque particular. O azul claro, cor semelhante ao céu de Erebor durante o verão, era a cor que representava Kili, por isso, se sentia feliz a utilizando ainda mais quando se tratava de um dia tão especial como o seu casamento.
“Meu casamento...” Pensou dando um olhar de relance no grande espelho de prata disposto atrás de si. Não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Meses atrás era apenas um pacato hobbit vivendo a sua rotina campestre em Hobbiton, sonhando com aventuras épicas, inspirado nos livros, mas nunca acreditando que participaria de uma delas. Agora estava ali se casando com um príncipe depois de participar de tantos perigos, tais como enfrentar o conselho de Hobbiton contra o suposto casamento que planejavam impor a ele, lutar contra orcs, participar de um resgate de um príncipe elfo encarcerado, ser sequestrado por anões megalomaníacos e pervertidos... E sentia que isso tudo era só o começo.
— Você está lindo. — Adalgrim Tük disse enquanto enxugava lágrimas que persistiam a rolar de seu face. O seu primo tinha persistindo em chorar desde o começo da preparação da cerimônia. Drogo já estava começando a se preocupar com ele...Afinal, ao final do evento era bem possível que seu primo Ada estivesse sofrendo de desidratação severa!
— Ora, deixa de ser um bebê chorão! — Reclamou vovó Tük dando uma bengalada no calcanhar de Adalgrim — E é obvio que ele está lindo, ele é meu neto!
— Vocês acham mesmo que...Estou bem? — Inqueriu com insegurança. A túnica parecia um pouco folgada. Os anéis que usava, cravejados de diamantes e outras pedras preciosas, lhe eram tão estranhos, mas Kili tinha insistido que usasse, já que foi seu marido que fabricou com suas técnicas ourives, habilidades essas que Drogo desconhecia.
— Concordo com o senhor Tük — Sorriu Legolas — Você está lindo.
Drogo correspondeu ao sorriso do amigo. O príncipe elfo não usava a túnica anã, pelo visto, tal vestimenta era reservada para o casamento, usava, por sua vez uma túnica de colorações castanhas amareladas, o bordado muito se assemelhava a folhas outonais justapostas uma as outras, que cobria todo o seu corpo esbelto e cominava com o tom pálido de seus cabelos.
— Você também está deslumbrante...
— Obrigado.
Alguém fungou, se imaginou que era o primo Ada, mas desta vez foi Thranduil a choramingar, assoando o nariz no seu lenço de seda.
— Realmente, vocês dois estão perfeitos. — Opinou o rei elfo indo até o seu filho e o abraçando — Meu filhinho...Parece que foi ontem que te dei seu primeiro arco e flechas! E agora você irá noivar...Aquele anão bobalhão irá roubar meu amado filho de mim!
— Pai, isso não irá acontecer. Não estou sendo roubado nem nada! — Tentou tranquilizar, Legolas — Não esqueça que o nome do bobalhão é Fili.
Duil fez biquinho e soltou um suspiro resignado.
— Vamos logo cuidar deste seu cabelo, tenho que fazer tranças nele, não é? Esse tolo costume anão! — Mesmo reclamando Duil começou a trabalhar com agilidade e destreza sobre os sedosos cabelos do príncipe elfo.
Drogo olhou ansioso para os seus próprios parentes, pois de acordo com o costume anão, só parentes próximos poderiam ter o direito te tocar nos cabelos um do outro. Seu primo Ada não parecia possuir nenhum conhecimento capilar, afinal, nunca o vira sequer pentear o próprio cabelo que por vezes até tinha pedaços de galhos e folhas ocultos em seus rebeldes cachos. Não lhe admiraria se um pássaro confundisse a cabeça de Ada com um ninho.
— Sente aqui, Drogo. — Mandou vovó Tük, ordem que logo o Hobbit cumpriu. Sentando-se sobre um banquinho, sentiu os dedos finos e trêmulos de sua avó acariciarem seus cabelos negros.
— Maldita artrite... — Resmungou a anciã — Eu fazia tranchas belas quando mais jovem, mas a idade parece querer limitar minhas habilidades.
— Está tudo bem, vovó. — Garantiu o jovem Bolseiro, com doçura.
— Não está tudo bem...Queria poder fazer uma bela trança nos seus cabelos, além do mais...Temos que colocar o broche com o símbolo de sua família, não é mesmo?
Drogo anuiu, esse era outro requisito necessário para o casamento, deveria também entregar esse broche para Kili, mais necessariamente, colocar em seu cabelo. Também receberia um broche do seu futuro marido, representando a casa dos Durin. Assim, corresponderia o oficial casamento dos noivos. Diferindo dos hobbits que trocam alianças e votos.
— Mas, Bilbo nos garantiu que estaria aqui para... — Ada nem terminou sua fala, pois a porta se abriu de súbito e o segundo rei de Erebor adentrou. Além disso, ele não estava sozinho.
— Meu bisneto! — Exclamou, vovó Tük toda animada para receber o bebê Frerin em seus braços. Bilbo não relutou em entregá-lo, já que o pequeno já estava ansioso para receber carinho e mimos de seus parentes hobbits.
— Vossa majestade. — Elrond acenou com a cabeça para o hobbit que respondeu o gesto com um sorriso.
— Ah! Eu quero segurar o Frerin também! — Exigiu Thranduil, seus olhos azuis praticamente brilhavam com a visão do bebê.
— AI! Papai! Cuidado! — Choramingou Legolas, ao sentir um dos seus cachos ser puxado por seu progenitor.
— Não escutou, elfo? Eu sou a Bisavó dele! Tenho preferência pelo o sangue e pela a idade! — Afirmou Vovó Tük que segura o infante como se ele fosse a qualquer momento ser roubado pelo rei de Mirkwood.
— E você acha que é mais velha do que eu? Sabe quantos anos eu tenho?
— Sei que elfos vivem bastante tempo, mas pelo visto eles não adquirem muita sabedoria... Logo, quando digo idade me refiro a maturidade mental. Deste modo, a preferência só pode ser minha e não sua, senhor elfo.
— O que disse?! — A voz de Duil adquiriu um timbre fino e esganiçado.
— Duil... Que tal retornar a sua tarefa de fazer tranças em Legolas? Depois, você poderá brincar com o príncipe Frerin. — Elrond, como sempre, tentando apaziguar os ânimos.
— Vovô, pare de tentar ficar puxando briga. — Sussurrou, apreensivo Ada — Não estamos no Condado...
— Um Tük nunca puxa briga, somos apenas um clã virtuoso de espírito insurgente, a qual muitas vezes as palavras são substituídas por punhos e quiçá bengaladas. Parece que esqueceu suas origens?
Como para enfatizar isso deu uma bengalada no calcanhar de alto hobbit, ganhando uma risada de Frerin, que via tudo aquilo como uma grande brincadeira. Ele não era o único a estar rindo...Bilbo parecia tentar controlar a risada, tapando a boca. Entretanto, tal ato se mostrou infrutífero, o segundo rei de Erebor não conseguia abafar suas próprias gargalhadas.
— Bilbo? O que você está fazendo aqui? — Inqueriu Drogo, com nervosismo — Sei que está atarefado com toda a cerimônia...
O segundo rei levantou a mão, fazendo que o mais novo se calasse.
— Posso estar atarefado, mas você, meu primo, é minha prioridade. — Sorriu Bilbo, ganhando um soluçar da parte de Drogo, agora era a vez dele se emocionar.
— Ei, sem choro, sim? Não queremos que Kili te veja com olhos avermelhados. Ainda mais, esses lindos olhos azuis. — Acariciou a face avermelhada de Drogo.
— Você irá fazer minhas tranças? — Fez a pergunta com timidez.
— Obvio. Já adquiri experiência nesse negócio de tranças. Você também irá ficar, se casar com um anão requer o aprendizado de coisas bem peculiares. Matemática, cuidados capilares e noção básica de mineração e gemas preciosas. Acredito que esses meses você teve lições sobre o assunto, não? — Enquanto fazia perguntas, iniciava o seu trabalho. Drogo tinha, ou melhor, foi meio que obrigado a deixar crescer sua cabeleira. O que era necessário, ainda mais, para colocar os broches, símbolos tão importantes para a cultura anã.
— Sim. Senhor Balin designou professores anões, além dele mesmo me dar aulas extras. Confesso, que a parte de tranchas e cuidados capilares negligenciem um pouco... Ainda mais, Kili não ajudava muito, sabe?
— Oh! Sim. Imagino que Kili não queria passar o tempo que tinha a sós com você estudando. — Provocou, Bilbo.
— Tal como aquela busca por joaninhas? — Opinou Ada, que agora segurava o bebê, na verdade, o tinha colocado em seus ombros e Frerin se entretinha puxando os cabelos do seu primo segundo.
— Joaninhas? Que história é essa? — Bilbo franziu o cenho e encarou Ada como se ele estivesse maluco.
— N-nada... — Interpolou Drogo com rapidez.
— Hum... — Bilbo ergueu uma sobrancelha, posteriormente iria investigar mais sobre isso, mas agora deixaria passar a oportunidade de satisfazer sua curiosidade. Além disso, apesar de estar emocionado exercendo o seu papel como familiar, trançando os cabelos aveludados de Drogo, sabia que estava driblando da obrigação de participar de algumas das tarefas entediantes da organização do casamento e noivado dos seus sobrinhos. Thorin fazia questão de inspecionar as coisas mais triviais, tais como os talheres, pratos e taças a serem utilizados na festividade. Bem, como as mesas e cadeiras. Anões estão polindo os cristais e pedras preciosas que adornam a sala do trono. Bilbo, como um bom hobbit, entendia a necessidade deixar a toca arrumada, contudo, havia um limite quando a limpeza se tornava uma obsessão. Thorin estava se esforçando demais...Mas para quê? O que tem de tão especial nesse anão de nome Daín?
~***~
— Ai! Mãe!
— Fique quieto, Kili!
— Como posso ficar quieto se você quer me escalpelar!?
— Ora, não seja bebê chorão...
— Mãe...O pente... — Indicou, com receio, Fili. O príncipe anão observava a cena com evidente assombro. Seu irmão mais novo estava sendo imobilizado por sua mãe, princesa Dís, enquanto essa “penteava” os seus cabelos. Se é que aquele ato de tortura poderia ser denominado como pentear.
— Droga! — Dís examinou o pente, os dentes do mesmo tinham entortado. Vale ressaltar que o pente fora confeccionado a partir do ferro.
— Mahal, me ajude... — Choramingou Kili, seus braços haviam sido amarrados por sua adorada mãe com corda e lençóis. Deste jeito, estava preso na cadeira, incapaz de se defender.
— A culpa é sua em ter cabelos tão rebeldes. — Dís lançou seu olhar que muito se equiparava ao do seu irmão mais velho, Thorin, para um dos servos que prontamente lhe entregara outro pente — Você tem que estar apresentável em seu casamento! Trata-se de um evento único! Algo a ser lembrando...
— De fato, me fazer ficar careca irá ajudar muito a ser lembrado. — Resmungou Kili.
— Mãe, não acha melhor que eu faça as tranças? — Sugeriu Fili — Afinal, quando erámos pequenos, muitas vezes era eu que fazia as tranças de Kili, lembra?
— Está dizendo que sou uma mãe anã incapaz de pentear o cabelo das próprias crianças? É isso, Fili Dúrin? — Ela ergue as sobrancelhas e colocou as mãos sobre as cadeiras. Fili engoliu em seco.
— Você não é uma mãe incapaz. — Garantiu, Kili — Só não sabe ser delicada.
Ao ouvir isso, Dís deu um tapa na nuca de Kili. Não foi demasiado forte, mas isso não significava que não tenha provocador dor.
— Sou uma princesa anã, da linhagem dos Dúrin, isso significa que sangue guerreiro corre em minhas veias! — Falou, com orgulho.
— Mas eu não sou um orc, mamãe! Sou seu filho! Então, não me ataque com esse pente!
— Calado! Quero acabar logo de te pentear, pois ainda tenho Fili para me preocupar depois.
Fili tremeu e levou as mãos aos próprios cabelos, temendo pelo o futuro deles.
— Não desconte nos meninos sua inépcia com habilidades domésticas. — Estavam tão entretidos com a briga que a família não notara a presença de mais um membro da linhagem dos Dúrin no quarto. Os servos agora faziam reverências para a chegada do primeiro rei de Erebor.
— Thorin? O que está fazendo aqui? — Reclamou Dís — Pensei que estava ocupado demais sendo maníaco obsessivo com os preparativos para se preocupar com os seus sobrinhos.
— Dís, querida irmã, acha mesmo que deixaria os meus sobrinhos a mercê de seus cuidados? — Disse ele arrancando o pente das mãos da irmã.
— Hoje é o dia de atacarem a princesa Dís com insultos?
— Não é insulto se é a verdade. Recordo que nossa mãe reclamava de suas atitudes que ela mesma classificava como inapropriadas para uma lady.
— Eu era uma lady mas também era guerreira! — Se defendeu, mas não fez questão de impedir que Thorin tomasse a dianteira na tarefa de fazer as tranças. Na verdade, ela até agradecia, silenciosamente, a presença do irmão ali. Na verdade, aquela situação muito lembrava o passado...Quando Erebor tinha caído e quando Dís perdera seu amado marido. Estavam em péssimas condições, vivendo como nômades por entre as cidades dos homens. Mesmo nesse estilo de vida errante e humilde, Thorin despendia parte do seu tempo penteando os cabelos dos seus sobrinhos, contando histórias sobre os tempos passados, os ensinando sobre sua linhagem e Erebor. Não era atoa que os meninos o seguiram quando a possibilidade de retomar a Montanha Solitária surgiu. Thorin fora mais do que um tio para Kili e Fili...Foi um pai.
— Não pensei que iria viver tempo o suficiente para ver vocês dois se casando e começando suas próprias famílias. Falo isso, devido ao jeito infantil de vocês dois... Sempre se metendo em confusões e desobedecendo as minhas ordens. — Comentou Thorin enquanto exercia com destreza a sua função de trançar as mechas negras do cabelo do seu sobrinho mais novo — Imaginei que teria barba branca quando os visse amadurecer, de fato.
— Tio... — Kili fez biquinho — Eu já sou adulto a muuuito tempo. Só você que não notou...
— Aham, sei. — O rei ergueu as sobrancelhas negras e sorriu — Já sei que será Drogo a cabeça pensante do casal.
— Ei! — Rezingou batendo com os pés no chão.
— Pelo menos a barba dele finalmente começou a crescer. — Notou, Fili com um sorriso provocador estampado no rosto.
— Antes tarde do que nunca. — Anuiu Thorin, de fato podia ver que a barba do príncipe mais novo estava ganhando forma, conferindo um ar menos juvenil ao rapaz, mas isso poderia ser uma tremenda propaganda enganosa.
— EI! — Rosnou Kili — Vocês dois estão se aproveitando que estou amarrado para ficarem me provocando, é isso?
Ao invés de responder, Thorin e Fili riram, o que só fez com que aumentasse a irá do jovem anão.
Dís também acompanhou a risada, mas lágrimas vertiam silenciosas de sua face. Tinha perdido grande parte de sua família devido ao ataque do Dragão...Depois, perdera o amor de sua vida. Imaginara que também perderia Thorin e seus filhos quando esses decidiram se comprometer com aquela missão suicida de retomar Erebor. Contudo, todos os seus temores foram recompensados...Sua família estava reunida e também estava aumentando.
Só esperava que a vinda de Daín também contribuísse para ampliar essa felicidade. Afinal, ele também era da família, não é mesmo?
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