Os dois reis sob a montanha

41 Os verdadeiros inimigos estão próximos


Notas iniciais
MENSAGEM IMPORTANTE DA NATHY: "Sim, sei que demorei. Mas realmente estou em um momento crítico de minha vida, então acredito que lhes devo explicação (para aqueles que já sabem, podem pular isso e ir logo para o cap kkk) eu vou viajar para fazer meu doutorado na Espanha no início do próximo mês (aliás, tenho 24 anos, caso vcs estejam tentando me imaginar como uma garota velha kkk eu já me considero velha), estou no corre-corre para resolver as coisas e estou super mega ultra nervosa e ansiosa. Por isso, estou sem conseguir escrever." Lady: uma salva de palmas para essa nossa escritora que, numa vida tão conturbada (fala sério, DOUTORADO NA ESPANHA) arruma um tempinho pra nos alegrar com essas fics. Sinceramente, agradecimentos eternos. E claro, desejamos boa sorte nessa nova jornada! Agora vamos ao capítulo. Em élfico: Ada - pai Tampa - pare Mankoi lle uma tanya? - Por que você fez isso? Lle lakwenien? - Você está brincando?

Drogo estava mirando os próprios pés enquanto seguia pelos longos corredores de Erebor. Deveria estar com a cabeça levantada — sabia disso, pois essa era uma oportunidade de decorar os caminhos, já que seu primo o estava acompanhando – contudo, não conseguia encarar Bilbo depois de ele tê-lo flagrado naquele momento tão íntimo com Kili e, para piorar, Thorin também estava presente. Aquele era só o seu segundo dia em Erebor e já estava ansiando fugir, envergonhado.

– Teve uma boa noite de sonho, presumo? – Bilbo inquiriu, talvez tentando puxar assunto enquanto caminhavam. Drogo lambeu os lábios, pensando em uma resposta adequada e, principalmente, neutra. Não queria entrar no assunto delicado sobre o seu romance, apesar de saber que é só uma questão de tempo... Cedo ou tarde o flagrante embaraçoso seria relembrado.

– S-sim. Mesmo que fiquei meio confuso, não tinha janelas em meu quarto então não sabia se o sol tinha levantado ou não.

– Te entendo, sempre estivemos acostumados a guiar nossas atividades de acordo com o ciclo do sol. Antes do amanhecer cuidávamos do jardim, com o nascer do sol voltávamos nossa atenção para a preparação do primeiro café da manhã, o sol ainda está firme no horizonte quando saímos para fazer compras da feira de Hobbiton. Bem antes que o nosso astro solar estivesse no meio do céu, voltávamos para preparar o segundo café da manhã... E assim vai. Mas os anões vivem debaixo da montanha, na escuridão de seus túneis de pedras preciosas; seu ritmo é diferente dos hobbits.

– E como eles se guiam então? Digo... Eles devem ter uma hora de dormir e acordar...

– Veja! – Drogo levantou os olhos para poder ver o que o seu primo o estava apontando: era um instrumento cheio de engrenagens, fincado na parede de mármore bem no meio do corredor. O estranho objeto fazia um barulho constante e periódico. Tinha uma grande placa com desenhos variados, duas setas, sendo uma longa e outra curta que estavam dispostas em meio a placa arredondada. Havia desenhos nas bordas desta mesma placa, e escritos em uma estranha língua, a qual deveria ser Khuzdul – Os anões, além de serem conhecidos por suas habilidades de mineração e guerreiros fortes e resistentes, são perfeitos engenheiros e artesões. Isso é só mais uma de suas obras, chama-se relógio. Eles mensuraram o dia; nós também fizemos isso usando medidores solares, lembra-se? Havia um no meio da praça em Hobbiton. Também temos ampulhetas, contudo esse relógio é bem mais preciso. Existem as horas e estas são divididas em minutos, minutos em segundos... Com isso, sabemos exatamente em que momento estamos durante o dia. Por exemplo agora trata-se de 10 horas e 15 minutos da manhã. – Explicou, apontando para as setas. Drogo estava totalmente maravilhado com aquela invenção, talvez ainda mais surpreso em saber que anões — tal como Kili– poderiam criar algo tão útil.

– Agora, lembre-se: isso é segredo. – Sorriu Bilbo ao primo – Os anões não gostam de compartilhar suas descobertas, são extremamente possessivos e desconfiados. Contudo, até que alguns relógios dos mais simples e menos precisos são comercializados com os homens, mas os melhores ficam retidos em Erebor.

O jovem Bolseiro assentiu com a cabeça, concordando, então os dois recomeçaram a caminhar pelo o corredor.

– Irá perceber outras invenções interessantes em seu quarto, mais tarde. O banheiro é abastecido com água quente! Creio que essa é uma das melhores invenções!

– Isso é incrível! – Exclamou, imediatamente ansioso por tomar um longo e relaxante banho quente. Já iria perguntar sobre mais invenções quando Bilbo parou subitamente; Drogo pode ver que o seu primo ficara tenso e segurava o pequeno Frerin de encontro ao peito. Um outro anão estava logo a frente e guardas o acompanhavam. Será que ele seria da família real? Tinha tantas joias nos dedos e nos cabelos que o Bolseiro ficou impressionado; nem Thorin e muito menos Dís usavam tamanha fortuna no corpo.

– Glorin... – Bilbo praticamente rosnou – A que devo a honra de sua presença na área pertencente à família real?

– Majestade. – O anão fez uma pequena reverência, e Drogo pôde perceber o quão forçado fora o gesto – Vim aqui pessoalmente para dar as felicitações pelo nascimento do herdeiro ao trono de Erebor.

– Fili ainda é herdeiro ao trono. – Disse Bilbo, enfático – Creio que meu marido já tenha conversado sobre isso no conselho, não? Meu filho, Frerin, não irá usurpar o direito que há muito tempo foi do príncipe Fili.

Glórin parecia meio desconcertado, seus olhos não fitavam diretamente o segundo rei; ao invés disso, se cravaram em Drogo, que engoliu em seco ao ver a intensidade daqueles olhos castanhos.

– Bem, talvez esse tal direito possa ser refutado tendo em vista aos eventos recentes...

– Que eventos?

Glórin deu um meio sorriso e finalmente retirou os olhos de Drogo. Se voltou para Bilbo, parecendo exibir um sorriso de desdém e provocação.

– Muitos anões viram o príncipe Fili demonstrando, abertamente, afeto por um certo elfo. Tais atitudes não estão sendo recebidas com muita aceitação por parte do conselho...

– Veio aqui dar felicitações ou discutir assuntos políticos, Lorde Glórin? –Interveio o Bolseiro mais velho – Pois se for pelas felicitações, eu já as aceitei; logo, pode se retirar.

O anão pareceu que iria falar mais alguma coisa, mas desistiu em seguida. Era evidente o quão estava enfurecido, mas se continha.

– Com sua licença, majestade. – Fez novamente uma reverência forçada e um sorriso falso surgiu em seu rosto.

Bilbo fez sinal para que um dos guardas permanecesse enquanto o resto escoltava o lorde anão para fora do local.

– Da próxima vez, anunciem a chegada deste tipo de visita. Esse andar é exclusivo para a família real e os mais íntimos, e quero que permaneça assim. – Mandou Bilbo.

– Peço perdão, vossa majestade, mas ele insistiu e nos ameaçou com o seu título.

– Qual é o maior título: o de rei ou o de lorde?

– L-lógico que o título de rei, vossa majestade.

– Muito bom. – Bilbo sorriu e deu leves tapinhas no ombro do guarda anão –Não se amedronte com anões metidos como o lorde Glórin, lembre-se que ele também serve a mim e ao primeiro rei Thorin. Agora vá, depois farei rosquinhas açucaradas para você e os outros membros da guarda.

– Obrigado... Majestade! – O anão agora parecia mesmo afoito com a possibilidade de ganhar comida.

“Bilbo conquistou os anões pelo estômago!” Riu Drogo, mas logo a lembrança de Glórin ressurgiu em sua mente – “nem todos foram conquistados” -. Aquele anão lhe deu calafrios, ainda mais quando lhe lançava aquele olhar esquisito.

– Quem era aquele lorde? – Perguntou.

– Digamos que seja a versão anã de Leoamros Justa-Correia. Talvez um pouco pior. Mas não se preocupe, ele é perigoso, mas o mantemos em rédeas curtas.

– Espero mesmo que sim... – Sussurrou, temeroso. Já tinha derrotado um Leoamros, não queria ter que iniciar outra batalha!

Continuaram caminhando em silêncio até o local que Drogo já conhecera no dia anterior, o quarto de Bilbo e Thorin. Contudo, não estavam sozinhos, um velho amigo os esperava junto a porta.

– Bilbo e Drogo! – Disse Glóin com o sorriso amplo.

– Oh! Não esperava a sua visita! – Disse Bilbo devolvendo o sorriso – Veio rever o pequeno Frerin?

– Bem, de certa forma, sim. Na verdade, trouxe mais alguém para conhecer o novo príncipe.

– Alguém?

A pergunta do Bolseiro foi logo respondida quando uma pequena cabeça espiou por trás das pernas de Glóin. Era uma criança anã, cuja compartilhava dos mesmos cabelos castanhos claros, quase que avermelhados, do anão mais velho.

– Gimli? Que maravilhosa visita! – Bilbo soltou uma doce risada, a criança anã voltou a se esconder atrás do pai, provavelmente envergonhado. Drogo sorriu. Aquele era o famoso Gimli, o filho que Glóin tanto falava ao longo da jornada — sem dúvida era muito fofinho.

– Ele ficou chateado quando lhe contei que conheci o novo príncipe, e fez tamanho escândalo que acabei prometendo que iria apresentá-lo a Frerin II hoje. Espero não ser um momento inconveniente, sei que ainda está se recuperando...

– Besteira! – Interpôs o segundo rei – Estou perfeitamente bem. Parece que ser um Breeder nos dá algumas vantagens; uma rápida recuperação pós-parto é uma delas. – Explicou, já abrindo a porta do quarto com ajuda de Drogo.

– Isso é uma verdadeira dádiva. O parto do meu pequeno Gimli demorou três dias e, nos piores momentos, pensei que iria perder a minha adorada esposa durante o processo... Sem falar que, depois do nascimento, ela teve que ficar um mês descansando.

– A gravidez entre os anões é realmente difícil... – Drogo deixou a frase escapar, não muito mais alto que um murmúrio, mas logo mordeu o lábio inferior, embaraçado por deixar seus pensamentos se manifestarem através de sua fala.

– Sim, é muito difícil. – Concordou Glóin, com um leve sorriso – Por isso que Bilbo é tão admirado pelo o nosso povo. Está sendo até glorificado como uma espécie de entidade da fertilidade e do bom parto.

– Como é? – Bilbo corou totalmente com aquela informação – Yavanna tenha paciência! Eu não acredito!

Glóin deu uma grande gargalhada.

– Não subestime o imaginário de nosso povo... Existem canções bem interessantes falando da sua fertilidade e como a linhagem do Durin será ampliada a milhares.

– Eu não sou uma fábrica de bebês! – Resmungou – Anões e seus estranhos fascínios. Se não as barbas, são as pedras preciosas e agora isso: gravidez e bebês?!

Glóin nada disse, só continuou rindo. Parecia se divertir com a fúria do pequeno hobbit.

Adad... — Gimli puxou as vestes do pai e exibia um grande biquinho nos lábios.

– Oh! Sim... Não esqueci de você! – Disse o pai se abaixando e pegando a criança. Bilbo esqueceu a irritação e sorriu, amável, para a criança.

– Gimli, filho de Glóin, conheça Frerin II Durin. – Falou isso, aproximando o bebê do pequeno anão. Frerin estava bem ativo, babando e agitando as mãos freneticamente; parecia saber que estava prestes a encontrar um novo amigo.

Ele é tão pequeno... – Falou a criança anã. Drogo, infelizmente, não conseguiu entender, ficando meio frustrado.

– Peço perdão — Glóin pareceu notar seu desconforto – Ele ainda não sabe falar muito bem a língua comum. Ele acabou de dizer que Frerin é muito pequeno...

Ele é pequeno sim, mas um dia será grande e forte, como você, pequeno Gimli. – Drogo e Glóin encararam Bilbo, impressionados com a sua eloquência na fala.

Gimli sorriu e riu.

Mas eu ainda serei maior que ele! – Falou o anãozinho estufando o peito – Como ele é ainda pequeno... Devo protegê-lo! Meu pai é um guarda e protege o senhor rei Thorin. Devo também ser um guarda e proteger o pequeno Frerin!

Bilbo riu daquela inocente declaração.

Que assim seja, jovem guarda Gimli. – Os olhos do garotinho pareciam brilhar tal como diamantes; ele parecia extremamente feliz por ter conseguido uma missão adulta.

– Você fala Khuzdul? – Indagou Glóin, ainda surpreso.

– Não só falo como também escrevo.

– Impressionante...

– Nós Bolseiros sempre tivemos facilidade com línguas. – Piscou, divertido, indo para o berço de Frerin, que estava posto ao lado da cama do casal real. Gimli se remexeu no colo do pai até que, por fim, Glóin o colocou no chão. O pequeno anão seguiu o segundo rei, ainda curioso com o novo bebê e também pronto para exercer sua função de guarda.

– Eu ainda não aprendi direito o élfico... – Revelou, a contragosto, o Bolseiro mais novo – Ainda erro muito com os verbos.

– Querido primo, com a sua idade eu também tropeçava nos verbos.

– Também sabem falar a língua dos comedores de grama? – Glóin disse isso com um tom de desprezo. Bilbo rolou os olhos e Drogo sorriu.

– Mas lembre-se, meu caro Glóin, meu conhecimento sobre as línguas deve permanecer em segredo... Digamos que o conselho não saiba destas habilidades.

– Entendo... Não serei um delator. Na verdade, acho que tens todo o direito de aprender, és nosso rei.

Bilbo sorriu para o mestre anão e deu um cafuné em Gimli, que espiava o príncipe Frerin no berço com fascinação.

– Então, quem irá querer biscoitos de chocolate?

– Bi-biscoitos?! – O pequeno anão levantou seu olhar para o segundo rei, lambeando os lábios.

– Essa palavra você sabe, não é mesmo? – Riu dando um novo cafuné no pequeno anão – Estou ansioso para começar a cozinhar novamente, já Thorin havia me proibido nas últimas semanas de gravidez, acredita? Só por causa disso, não farei scones para ele por um mês.

– Isso, para ele, será uma grande lástima. – Glóin deu sua grande risada, a qual Gimli tentou copiar, sem grande êxito.

– Vamos, Drogo, me ajude a fazer a massa dos biscoitos. Não posso também esquecer das rosquinhas açucaradas.

Drogo logo foi ajudá-lo. Quando estava próximo ao primo, o ouviu sussurrar.

– Não pense que esqueci da nossa conversa... Quero saber tudo sobre a sua jornada e, principalmente, falaremos sobre seu romance com Kili.

O jovem hobbit sentiu suas bochechas esquentarem, indicando o rubor que deveria as dominar quase por completo. Ele abaixou mais o rosto.

– Mas não se preocupe, não irei brigar. Na verdade, confio em você. Nós Bolseiros somos os cérebros da relação, logo, somos bastante racionais. Contudo, o único problema é que não confio em Kili. Sei como os Durins podem ser insistentes, galanteadores e... Pervertidos! – Agora era a vez de Bilbo ter as bochechas coradas – Temos que ser firmes e sermos capazes de dizer não.

– Falas como se estivesse adestrando um tipo de cachorro — Provocou Drogo, relaxando mais.

– De certa forma... – Piscou o segundo rei. Logo os dois começaram a rir e Gimli, curioso, se aproximou, oferecendo ajuda. Glóin sentou em um pequeno banco perto do berço, acalentando o jovem príncipe.

~TKATC~

– O quão irritado ele está? – Perguntou Legolas a Tauriel, enquanto se aproximava da sala do trono de Mirkwood. A sua chegada ao reino fora silenciosa, o que poderia significar o prelúdio de uma tempestade. Seu pai permaneceu distante — na verdade, ainda não o tinha encontrado pessoalmente. O primeiro contato desde do seu retorno seria agora.

– Bem... Não sei como mensurar ao certo.

– De uma escala de 1 a 10. – Sugeriu, nervosamente, o príncipe elfo. Sentia as suas mãos suarem, além disso, se sentia nu sem seu arco e flechas. Seu pai não era um inimigo e não eram necessárias suas armas, contudo, a tensão que sentia naquele momento muito se assemelhava a quando estava prestes a entrar em um campo de batalha.

Tauriel colocou o seu longo dedo no queixo, pensativa.

– Creio que o nível de irritação seria... Onze. – Falou isso quando as portas para sala foram abertas pelos guardas elfos, e ambos avistaram Thranduil no alto de seu trono, portando um impecável manto prateado e assumindo uma postura altiva e elegante.

– Deixe-nos. – Mandou o rei com um gesto com a mão. Tauriel parecia relutante em abandonar Legolas, mas o olhar do Thranduil logo a fez retroceder e sair do salão junto com os guardas. Legolas inspirou profundamente e expirou.

Que a tempestade se iniciasse.

Ada... – Começou a falar, mas Thranduil o interrompeu, levantando a mão em um sinal claro para que se calasse.

– Sabe o quanto fiquei preocupado ao saber que meu único filho abandonou as fronteiras de meu reino para fazer parte de um grupo de anões sem o meu consentimento? Esperei dias por suas notícias e nada! E quando, por fim, retornas, vem de Erebor e ainda mais... Com essas coisas! – Disse isso apontando para os broches que Legolas tinham presos em suas mechas de cabelo – Ridículo! Um filho meu usando algo dos anões... Nossos broches são milhares de vezes melhores! Nossos artesões produzem as peças mais perfeitas e delicadas! O que os anões entendem de beleza? Com aquelas grandes mãos desajeitadas ...

Ada, tampa. — Interrompe Legolas, sabia que se deixasse, seu pai iria tagarelar uma longa lista de críticas a cultura de Erebor, e logo iriam fugir do real assunto a ser discutido – Peço perdão por não ter te informado sobre minha decisão, mas a urgência da missão me impediu de fazê-lo. Iríamos salvar o primo do segundo rei de Erebor, um jovem hobbit a qual sofrera uma tentativa de assassinado; sua vida corria risco caso nos demorássemos.

– Primo de Bilbo, você diz. Bem... Trata-se de uma missão valorosa, então. Sabes que gosto do rei hobbit, ele em bem melhor que o estúpido anão que tem como esposo.

– Pai, não deve esquecer que o rei Thorin é o seu aliado...

– Oh, sim... Não esqueço. Mas isso não muda o fato que ele é um estúpido.

Legolas rolou os olhos, era inútil discutir em relação a aquele quesito.

– Mas mesmo que a missão fosse valorosa, meu filho, príncipe de Mirkwood, não poderia ter se oferecido. Que mandasse outro elfo! Tauriel seria uma boa escolha. Não sabes o quão é valioso para o reino, para mim? És meu único herdeiro!

– Príncipe Fili e seu irmão Kili também participavam da missão. Fili é herdeiro ao trono de Erebor. Não seria certo mandar Tauriel, estaríamos desmerecendo a importância da missão. Teria que ser um príncipe.

– Eu não dou a mínima se os sobrinhos de Thorin participavam dessa jornada; se ele foi louco em mandá-los, que assim seja.

– Algo está ocorrendo na Terra Média, algo ruim... Não estranhas a quantidade de aranhas que invadiram nosso território? De onde elas vêm? Por que estão aparecendo agora? Durante a nossa jornada encontramos orcs no ermo, pareciam estar caçando algo... Orcs trabalhando juntos e ousando a cavalgar em seus lobos durante a luz do dia? Não vê como isso tudo é muito suspeito?

– O que acontece fora das fronteiras do meu reino não me interessa. – Falou Thranduil, simplesmente. Legolas se conteve para não soltar um palavrão na língua élfica. Podia amar o seu pai, mas odiava essa necessidade de se manter distante de tudo o que ocorria em sua volta.

– O que ocorre fora do nosso reino nos afeta! Cedo ou tarde!

Thranduil soltou um longo suspiro e se levantou do seu trono, descendo lentamente.

– Você ainda é jovem, não entende como funciona esse mundo.

– Eu não sou mais uma criança, ada. Sou adulto.

– Já enfrentei várias batalhas, vi as consequências delas. Não irei colocar o meu povo em perigo sem necessidade. Somos imortais, filho, ao menos que sejamos assassinados ou quando... – Thranduil levou a mão ao peito, levemente – Quando nosso parceiro ou parceira morre... Eu, mesmo, não deveria estar vivo. Quando seu outro pai morreu, foi como... – Os olhos do rei elfo marejaram e Legolas mordeu o lábio inferior. Era doloroso ver aqueles raros momentos de fraqueza – Senti como se extirpassem um membro de meu corpo; estou eternamente ferido e incompleto. Graças a nossa magia eu não morri, mas às vezes temo que... – O rei sacudiu levemente a cabeça, como se tentando se livrar destes pensamentos – Enfim, você não entende ainda a dor da perda... Muito menos entende o que é amar.

– Eu entendo sim, ada...

Thranduil, agora mais próximo de Legolas, o encarou. Seus olhos saltaram, e rapidamente tocou o cabelo do filho, analisando o broche.

– Isso não é um broche comum... — Sussurrou.

Legolas engoliu em seco — aquele era o momento da verdade.

– Não... Não é broche comum. Fili... Ele...

– Já chega. Cale-se! – Ordenou se afastando com as mãos trêmulas. — Mankoi lle uma tanya?

Legolas tentou se aproximar, mas seu pai continuou a se afastar, cambaleante.

Ada, por favor, me escute... Não é algo tão ruim assim.

Não é ruim? Você fala como se conhecesse todos os segredos da Terra Média. Eu sou seu pai! Vivi muitos séculos! Vi homens nascerem e morrerem, também vi anões sofrerem o mesmo destino. A nós elfos foi entregue a dádiva da imortalidade e você está prestes a renegá-la por um... Um... Anão?!

– Eu o amo. – Falou firmemente.

– Ama? – Thranduil riu, era uma risada esganiçada – Você diz que é um adulto, mas age como uma criança. Veremos quanto tempo dura o seu amor. GUARDAS!

– O que quer dizer com isso? – Inquiriu temeroso.

O rei elfo o ignorou.

– Quero que escoltem meu filho para uma cela. – Mandou, sem encarar o atônico Legolas – 200, 300 anos são poucos para nós, mas irás ver como afetará o seu querido Fili.

Lle lakwenien? – Tentou se desvencilhar dos guardas que o arrastavam, eram vários. Mesmo que conseguisse se livrar de um, haveria outro para tomar o seu lugar. Sem suas armas, estava em desvantagem.

– Eu sou o rei de Mirkwood e essas são as minhas ordens. Verá que fiz para o seu próprio bem.

Legolas chorou e lutou por sua liberdade... Inutilmente.

“Fili...” Em desespero, o nome ecoou em sua mente. Prometera retornar... E agora pensava em como iria cumprir a sua promessa.

Notas finais
Lady: e aí, galero? Vocês acham que o Thranduil vai se arrepender? Afinal, ele pode ser tão impetuoso... Ele tem seus motivos. Já avisando que não respondo por mim se xingarem meu elfo cinzento preferido! Zoa, vcs xinga quem vcs quisere Eu vou mimbora porque tenho que acordar cedo. .-. Quel kaima, namárië! Ps da Nathy: Se quiserem entrar no meu grupo do facebook podem ficar a vontade lá se discuti fanfics, séries, livros enfim, essas coisas que todos nós gostamos! https://www.facebook.com/groups/758613497539269/?fref=nf