Notas iniciais
Lady: olá chimichangas! quem tá no grupo da Nathy no facebook sabe que eu tô atrasada pra caramba. me desculpem. *e sabem que a nathy está "estável" só agora na espanha e por isso o capítulo atrasou tanto* desculpem-na também. mts boas noites e tal

Quantos dias já tinham se passado? Legolas presumia que quase uma semana havia se transcorrido desde que fora jogado em seu cárcere. Bem, na verdade, sua cela mais parecia um quarto de hóspedes, com direito a uma confortável cama e três fartas refeições diárias. Todavia, não dispunha janelas e a única porta estava fortemente guardada. Seu pai realmente pensava que o deixaria trancafiado daquela maneira por 300 anos? Aquilo o levaria a loucura! Um elfo precisa de espaço, principalmente contato direto com a natureza, algo que aquele quarto não conferia. Como iria praticar o arco e flecha? Sem dúvida aquela prisão era uma verdadeira tortura.

– Legolas? – Um sussurro foi ouvido advindo de espécie de buraco que havia no alto de uma das paredes, onde se permitia a circulação do ar. O príncipe elfo olhou para os lados, tentando avaliar se os guardas que estavam do lado de fora não tinham ouvido o chamado e esperou. Vendo que não teve nenhuma reação, correu até a parede e pegou uma cadeira, subindo na mesma para se aproximar mais do seu único contato com o exterior.

– Tauriel? – Sussurrou, incerto.

– Lógico que sou eu! Só alguns dias no cárcere foram o suficiente para afetarem sua cabeça e diminuir sua inteligência? — Resmungou sua fiel amiga e Legolas sorriu; algo que não fazia desde muitos dias.

– Eu só queria ter certeza.

– Bem, eu peço desculpas por não ter conseguido te visitar antes; digamos que nosso amável rei me conferiu diversas tarefas para me manter bastante ocupada, além de negar meus pedidos de visita.

– Já imaginava que ele iria nós manter afastados.

Houve uma pausa e depois Tauriel reiniciou a conversa.

– Seu pai te ama muito, você sabe disso, não?

– Sim, eu sei... Mas o modo como está agindo é errado. Me trancafiar aqui não irá me fazer parar de amar Fili. Na verdade, tem o efeito bem contrário – comentou, com certo desespero na voz.

– Acho que seu pai teme exatamente isso...

– O que? Fili? Por ele ser um anão?

– Não. O amor.

– Como assim?

– Pense bem, Legolas. Seu pai perdeu a sua alma gêmea há muitos anos; ele sabe a verdadeira dor de perder alguém que compartilhou parte de sua alma. Se não fosse pela a magia élfica, ele também teria morrido junto com o seu amado, mas você sabe por que isso não ocorreu? O que o impediu de seguir com esse destino?

– Ele estava grávido de mim... — Balbuciou o príncipe elfo. Sabia daquilo, apesar de Thranduil nunca ter mencionado qualquer coisa sobre o falecimento de seu outro pai. Na verdade, o rei elfo evitava de todas maneiras recontar aqueles fatos passados, que pareciam ainda lhe causar tamanha dor.

– Seu pai, creio eu, teme que você sucumba no mesmo sofrimento que ele hoje sofre. Não quer que você escolha um parceiro ou parceira em que está fadado a morte. Um anão pode viver muitos anos, contudo, não é um ser imortal.

– Meu outro pai, Laeroth, era um guerreiro elfo detentor da imortalidade, mas isso não impediu de sucumbir a morte em batalha.

– Sim, eu sei. Por isso Lorde Thranduil também não deseja que Mirkwood se envolva em assuntos além de nossas fronteiras. Quer, de todo modo, evitar algum conflito que leve a um confronto físico.

– Meu pai quer fugir de todo o modo da realidade!

– Seu pai quer te proteger, você é a única coisa que o mantém vivo... O fruto do seu amor passado.

Legolas fechou os olhos e encostou a testa de encontro a fria parede. Sabia que Tauriel estava certa; a elfa, mais do que ninguém, podia entender o que ocorria dentro do privado círculo familiar da família real de Mirkwood, pois ela foi praticamente adotada por Thranduil. Desta forma, Legolas e Tauriel foram criados juntos. Podia confiar na opinião dela.

– Eu posso entender as justificativas de meu pai, mas não concordo com elas. Não permanecerei trancafiado deste modo... Eu amo Fili. A imortalidade sem amor se transforma num martírio. Os homens e anões vivem felizes as suas curtas vidas, pois não é a longevidade que garante a verdadeira felicidade. Sei que bem no fundo do coração machucado de meu pai ele entende essa verdade.

– Pode até ser, mas Lorde Thranduil é muito teimoso, dificilmente poderá convencê-lo de voltar atrás em suas palavras.

– Isso não me importa agora. Precisamos de um plano de fuga. Depois planejarei uma forma de convencer o meu pai.

– Para falar a verdade, não sei o que é mais difícil...O plano de fuga ou convencer seu pai.

– Se não fizermos nada, cedo ou tarde, Fili virá a Mirkwood e isso sim seria um verdadeiro desastre... Se meu pai ferir ou mesmo ameaçar o herdeiro ao trono de Erebor, podemos dizer adeus a fraca aliança que temos com os anões! Meu pai deseja tanto evitar uma guerra, mas suas ações podem culminar provocando uma!

– Certo, certo... – O tom nervoso de Tauriel não tranquilizavam Legolas – Vejamos o que podemos fazer...

– Poderias ir a Erebor, avisar da minha situação a Bilbo; ele saberia o que fazer, é o mais sensato.

– Estou sob intensa vigia, Legolas. Não posso sair dos limites de Mirkwood. Foi com muita dificuldade que consegui vir aqui te visitar! Nem sei se conseguirei outra oportunidade como esta...

– Então o que faremos? – O príncipe elfo já mirava avidamente seu entorno, ao se equilibrar na cadeira para não cair. Pensaria em um jeito de transformar a mobília em armas e assim forçar a sua liberdade; sabia que era uma ideia estúpida, mas não se conformaria em permanecer ali esperando por um golpe de sorte ou do destino.

– Eu soube que Lord Elrond está vindo visitar Erebor. Os vigias da fronteira informaram hoje cedo que avistaram a comitiva do lorde elfo. Talvez ele...

– Você sabe que ele e meu pai não se dão muito bem... É bem possível que ele nem adentre em Mirkwood.

– Duvido muito, pois já mandou batedores para avisar a sua chegada.

– Como sabes disso?

– Estou vendo isso agora!

O som doce das trombetas élficas foi ouvido, avisando a chegada de visitantes. Legolas sentiu como esperança renascer.

– Fale com ele, Tauriel! Ele poderá nos ajudar! – Clamou.

– Vou ver o que posso fazer... — Prometeu, meio incerta.

– Sei que encontrará um jeito. Confio em você!

– Príncipe Legolas, seu café da manhã. – Anunciou um servo que já adentraria no recinto. Rapidamente, Legolas saltou da cadeira pare receber o visitante, tentando disfarçar sua agitação e alegria. Sabia que sua prisão estaria com os dias contados...

~TKATC~

Thranduil não estava em seu melhor humor. Em suma, poderia dizer com total certeza que, precisamente, aquele era o pior dia para fazer sala para um convidado nada conveniente. Por que Elrond tinha de visitá-lo? Seu objetivo não era Erebor? Por que todos estão tão interessados no reino dos anões, afinal de contas? Mirkwood é mil vezes mais esplendorosa em comparação àquela montanha fria e horrorosa. Não que estivesse chateado por saber que Elrond veio de tão longe unicamente para exibir seus votos de boas-vindas ao novo Durin nascido. Lógico que não se importava com interesse do lorde elfo! Não dava a mínima para aquele metido a diplomata e...

– Thranduil, tão belo como sempre.

A voz do alvo de sua irritação atual o fez sobressaltar. Tinha esquecido completamente que os servos tinham anunciado que o lorde elfo iria adentrar na sala do trono. Tentando recuperar a sua compostura, fingindo arrumar sua coroa e roupa prateada, quero mostrar total descaso com a visita. Definitivamente não seria cordial.

– Vejo que ainda está irritado... – Elrond exibia um sorriso, e o rei elfo não pode ocultar o rubor que dominou suas bochechas.

– Eu tenho um título, sabia? Estás em meu território, não deves esquecer disso! – Enfureceu-se mais ainda.

O elfo moreno rolou os olhos e deu os ombros.

– Como quiser, majestade.

– Então... – Thranduil cruzou as pernas, elegantemente – O que desejas vindo aqui?

– Não posso vir aqui visitar um velho amigo?

– Primeiro, não sou velho. Segundo, você não é meu amigo.

Elrond deixou escapar uma gargalhada, o que causou um total alvoroço em Thranduil. Como ele ousava tratar tudo como fosse uma espécie de piada? O rei elfo, subitamente, se levantou de seu trono e desceu, batendo com suas botas cinzentas fortemente de encontro a cada degrau da escadaria em espiral. Todavia, no derradeiro degrau, as abas de seu manto se enroscaram com o seu calçado, o fazendo perder o equilíbrio. O que seria mais humilhante? Ser alvo de risadas daquele intrometido e irritante lorde elfo ou cair diante aos seus pés? Seu orgulho não podia ser mais destroçado do que isso. Porém, sua queda foi interrompida por braços fortes que o ampararam.

– Continuas tendo um temperamento explosivo como sempre, Duil? – A voz tenra perto de seu sensível ouvido fez Thranduil sentir calafrios percorrendo o seu corpo.

– Não me chame desta maneira! – Disse, contudo, sua voz não tinha a mesma força e fúria de momentos atrás. Se afastou, relutante, do abraço do outro elfo.

– Como quiser... – Elrond apenas sorriu, não parecendo nada afetado pelo que tinha acabado de ocorrer.

– Quais são suas reais intensões?

– Não fale nesse tom acusativo, foi você que nunca respondeu minhas cartas! Não me trate como fosse o responsável por não ter vindo te visitar antes. Não sabia se seria recebido com flores ou flechas.

– Bem, na próxima vez, podes acreditar que é bem provável que tenha flechas!

– Duil- digo... Thranduil, será que podemos esquecer o que... – Elrond tentou acariciar a face do rei elfo, mas este afastou a mão bruscamente.

– Não se pode esquecer os fatos! Eu estou casado com Laeroth! E você também tem sua amada esposa elfa, Celebrían.

– Você sabe, tão bem como ninguém, o quanto eu respeito Laeroth... E quanto a minha esposa, também a respeito, contudo, se estamos falando de amor...

– Já chega! Acho que sua visita já perdurou muito tempo. – Interpôs o rei –Agradeço sua visita e adeus!

Elrond não teve tempo nem de argumentar; o rei era como uma tempestade: volátil e imprevisível. E assim Thranduil saiu da sala do trono, abandonando o visitante.

O som estrondoso das portas se fechando se propagou pelo salão agora vazio. Elrond massageou a testa, sabia que esse contato, depois de tantos anos, seria difícil.

– Não se culpe pelo o humor do nosso rei... — Uma voz cordial fez o lorde elfo levantar o seu olhar, voltando a sua visão para uma das pilastras da sala. Uma jovem elfa de cabelos castanhos quase ruivos se revelou – Ele está explosivo desde... Bem... Digamos que ele tem seus motivos.

– Creio que a minha presença possa ter amplificado ainda mais o seu mau-humor. – Suspirou pesadamente – Enfim, e você seria...?

– Perdão, meu lorde. Sou Tauriel – Fez uma reverência – Amiga do príncipe Legolas.

– Legolas? Oh, sim! Eu não o vi desde que cheguei... Pensei que com a presença dele talvez o seu pai poderia se, digamos, conter mais.

Tauriel deu um sorriso tímido.

– Digamos que Legolas não pode comparecer, pois está preso... – A elfa sussurrou a última parte, olhando para os lados, desconfiada.

– Ocupado, você quer dizer?

– Não... Preso. Sob o comando de nosso rei, o príncipe está preso.

Elrond levantou uma das sobrancelhas em sinal de assombro.

– Venha, jovem elfa... Me acompanhe até a minha comitiva e, enquanto me escoltas, conte-me tudo que está ocorrendo.

Tauriel assentiu acompanhou o lorde elfo. Tinha muito o que contar e o trajeto não era muito extenso.

~TKATC~

– Fili? O que está fazendo?

Fili levantou os olhos para encontrar o seu irmão o observando da porta de seu quarto.

– Nada. – Respondeu curto e secamente.

– Isso é uma mochila?

O príncipe anão não respondeu, afinal, estava bem óbvio o que era.

– Isso são mantimentos? Saco de dormir? Mapas?

– Certo. Entendi que você tem uma ótima visão e consegue muito bem discernir os objetos. Mas, por favor, sem mais perguntas óbvias, está bem?

Kili mordeu o lábio inferior – e, pelo jeito, seu irmão mais novo estava tentando conter a vontade de fazer mais uma pergunta.

– Sim, Kili, eu pretendo viajar. E não, nosso tio não sabe disso.

O jovem anão abriu a boca, talvez para expressar sua opinião ou...

– Não! Você não pode ir comigo! – Interpôs Fili com um meio sorriso, ao ver o quão emburrado o seu irmão ficou. Ao encarar a carranca, percebeu que acertou todos os seus questionamentos.

– Fili, eu não acho que esse seja um momento adequado para você fazer algo assim... O conselho.

– Eu não ligo para o que o conselho diz!

– Pois deveria ligar! Eles estão denegrindo a sua imagem como príncipe e herdeiro ao trono. Se fugir agora não terá como nosso tio te defender!

Fili soltou um suspiro e olhou para todos os seus pertences sobre a cama. Nunca se sentira tão dividido como naquele momento. Seu coração o dizia uma coisa e sua mente outra. Quem deveria ouvir?

– Ele disse que logo me daria notícias. Já se passaram 7 dias... E nada! – O anão loiro fechou os punhos fortemente – E se ocorreu algo? Eu não posso ficar aqui apenas esperando!

– Olha... Eu posso não ser muito inteligente...

Fili teve que soltar uma risada; mesmo naquele momento de tensão seu irmão o fazia rir.

– Ei, eu estou falando sério! – Resmungou o jovem anão.

– Sim, desculpe — Pigarreou o príncipe mais velho – Pode continuar.

– Bem... Eu só acho que não podes ir a Mirkwood sem ter um plano. Não será recebido de portas abertas e tampouco sabemos como nos guiar naquela floresta! Sabe como ela é traiçoeira!

Fili teve que concordar com seu irmão quanto aquela questão. De nada valeriam seus mapas, pois nenhum deles o guiaria pela a floresta negra.

– E o que sugere que eu faça?

– Fale com tio Bilbo! Ele está te apoiando... Acho que ele pode nos dar alguma luz diante esse problema.

– Nossa. Estou impressionado.

– Hã? Com o que?

– Você, me dando conselho e sendo maduro? Isso tudo foi influência de Drogo?

Kili corou e ficou com a cara amarrada, de novo. Pelo visto o jovem hobbit estava realmente agindo sobre a personalidade impulsiva do príncipe anão.

– Eu posso ser maduro e inteligente quando quero! – Enfatizou, a contragosto.

– Então, antes você somente não quis ser maduro e inteligente? – Provocou.

Kili falou um palavrão na língua dos anões que não deveria ser nunca traduzido em língua comum, o que arrancou mais uma gargalhada de Fili.

– Então, você quer encontrar com o tio Bilbo ou não? – Resmungou o mais novo.

– Lógico que sim, e quanto mais rápido melhor. Mas ele não está ocupado com Frerin?

– Bem, ele sempre está disposto a ter ajudantes... Eu já troquei a fralda do nosso priminho; e quanto a você?

– Er... — Fili engoliu em seco e mal teve tempo de responder, pois fora arrastado por seu irmão para fora do quarto. Pelo visto agora, para conseguir os conselhos do segundo rei, teria que executar algumas tarefas... Como as que um anão guerreiro temia não estar preparado para executar, no entanto.

Notas finais
lady: *barulho dos grilos com thranduil x elrond* quem shippa? aqui é barduil e thorinduil na veia. claro que bagginshield é >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> né, então lá fui eu me meter nos barduil e ano passado li cada headcanon lindo. ai, meu core.