Notas iniciais
Ola! Um novo capítulo, estou relembrando a vocês que essa história segue um ideia diferente do livro e do filme, sendo mesmo uma história original! Vou tentar entrar em mais detalhes possiveis da cultura dos anões e dos hobbits! Espero que gostem!

– Ele não virá – Falou um velho hobbit que mastigava o seu cachimbo, tentando esconder o seu nervosismo. Estava sentado em um pequeno banco que deixava ainda mais evidente o seu excesso de peso. Seu nome era Boldo Pé-Soberbo, líder do Conselho dos Hobbits do Reino do Condado.

– E se ele não vier? O que faremos? Os anões já devem estar chegando! Por Yavanna, estamos perdidos! – Choramingou um outro hobbit também velho, mas ao contrário do seu companheiro, era extremamente magro e andava para um lado para o outro, passando a mão pelos seus cabelos brancos encaracolados. Este era Promer Brandebuque, membro do Conselho e segundo no comando.

– Senhor Brandebuque, não deve se preocupar – Sorriu o terceiro membro. Não era tão velho como os dois anteriores, mas seus cabelos já indicavam o sinal da idade com vestígios grisalhos escondidos entre os fios escuros da sua cabeleira.

– Como posso não ficar preocupado, Leoamros Justa-Correia? Sabes muito bem como esse encontro é importante! Devíamos ter mandando alguém no Bolsão e trazer o jovem mestre Bolseiro aqui. Mesmo que sendo contra a sua vontade! – Tagarelou Promer – Mesmo que isso, de fato, fosse ruim, nós hobbits não costumamos ser violentos, mas situações extremas requerem medidas extremas. Não é mesmo, Senhor Pé-Soberbo?

Boldo resmungou algo que o Promer interpretou como uma afirmação.

– Devem ficar calmos. Lembre-se que temos a nossa segunda opção, não é mesmo Lobélia? – Leoamros olhou para a sua filha que estava sentada ao seu lado, a mulher sorriu animada.

– Sim, papai! Se o idiota do Bilbo não cumprir com a sua função, podemos usar o Drogo. – Disse a moça.

– Tenha respeito, senhorita Justa-Correia! Bilbo ,por mais difícil que seja de se lidar, é um Bolseiro, isso significa que pertence à família real! –Lembrou o velho Brandebuque – E eu não concordo muito com os métodos utilizados por vocês...

– Como você mesmo disse, velho amigo, “situações extremas requerem medidas extremas” – Disse Leoamros, sorrindo – Além do mais, só estou pensando no bem do Condado...

– “Bem do Condado”? Só se for para o bem do seu próprio bolso... – A porta da pequena sala de reuniões do Conselho se abriu subitamente, permitindo a entrada do jovem Bolseiro. Este estava seguido por Drogo e um velho humano vestindo uma roupa cinzenta, bem como um chapéu pontiagudo, acompanhado de um estranho cajado.

– Ora, se não é o meu jovem primo Bilbo Bolseiro – Sorriu Leoamros, abrindo os braços e se levantado da cadeira em que estava sentado.

– Não me venha com falsidades, Leoamros Justa-Correia. – Rosnou Bilbo – Nós nem somos primos de verdade. Se não fosse o fato de sua filha ser casada com o meu primo... Eu lhe daria um soco e apagaria esse sorriso mentiroso de seu rosto!

– Vocês estão vendo? Esse é o herdeiro da família real que tanto ostentam e respeitam? — Provocou Otho, rindo alto – É esse Bolseiro que vocês entregarão ao Rei dos Anões? Temo pela segurança do nosso Condado.

Os outros dois membros do conselho se entreolharam aflitos; de fato, temiam o futuro do Condado. Será que Bilbo seria mesmo a escolha mais correta para assumir tal importante cargo como esposo do rei? Todavia, não havia outros Breeders disponíveis.

– Ora, faça-me um favor e cale essa boca. – Resmungou Bilbo – Se não tem nada de realmente importante para dizer, é melhor não dizer nada e evitar gastar o pouco de dignidade que tens.

– Coloque-se em seu devido lugar, Breeder! – Rosnou Leoamros.

Drogo engoliu em seco. Receava que um conflito como aquele se iniciasse, afinal Breeders deviam ser submissos e subservientes tais como as mulheres hobbits. Essa era a tradição e a regra, mas Bilbo nunca foi um hobbit de seguir os conceitos e valores frívolos.

– Você... Que deve se colocar em seu lugar... – Disse o jovem Bolseiro, não temendo o hobbit mais velho e mais alto que se aproximava, estufando peito, orgulhoso – Eu posso ser um Breeder, mas sou o único descendente da família real que restou, fora Drogo, que ainda não está na maioridade. De modo que me torno o líder da minha linhagem. E quanto a você, Leoamros Justa-Correia, forçou a sua filha, Lobélia, casar com Otho Sacola-Bolseiro, meu falecido primo, só para que sua família ganhasse prestigio político; pois agora você se tornou um nobre, não é mesmo? Por isso está participando deste conselho! Você não mede esforços para conseguir o que deseja. Até praticar atos mesquinhos e perversos! – Nisso, Bilbo jogou uma garrafa de vidro no chão, diante dos pés do patriarca Justa-Correia. Lobélia mordeu o lábio inferior ao notar que era a poção que tinha dado a Drogo.

– Não pode me acusar sem provas, Vossa alteza... — Disse de forma sarcástica o outro.

– E quem disse que estou te acusando? – Bilbo focou sua visão em Lobélia; esta engoliu em seco – Você sabia que Drogo podia morrer no processo de transformação em um Breeder? Por que acha que tal método é proibido? Se fosse tão fácil assim transformar um hobbit em um Breeder, não estaríamos tendo essa confusão, não é mesmo? – Agora sua visão voltou para Leoamros – Mas era isso que você queria, não é mesmo? Se livrar de mim e de Drogo para que assim herde o Bolsão e toda a fortuna dos Bolseiros. Fingindo se importar com o Condado. Seu grande hipócrita ganancioso...

– Como ousa? Você não passa de um órfão Breeder! – Levantou a mão, pronto para desferir um tapa no rosto do menor. Bilbo fechou os olhos esperando o golpe que, todavia, não veio. Abriu seus olhos e percebeu que o punho do seu dito “primo” estava sendo bloqueado pelo cajado de Gandalf.

– Acredito que violência física contra um Bolseiro é um crime, não é mesmo? –Sorriu o velho.

– E quem é você para saber de nossas regras e lei? – Bradou o Justa-Correia.

– Sou Gandalf, um velho amigo da família dos Bolseiros. Estou aqui representando os falecidos pais de Bilbo e servindo de seu conselheiro e guia. –Explicou ainda expondo um sorriso divertido em seu rosto – Acho que os problemas acabaram, afinal, Bilbo concordou em cumprir com o seu dever.

– Ele concordou? – Boldo finalmente falou, soltando seu cachimbo admirado.

– OH! Que bom, que maravilha! – Suspirou aliviado Promer.

– Como podemos confiar na palavra dele? Bilbo já se provou ser bastante rebelde. Quem sabe não está nos enganando? – Disse Leoamros, sorrindo triunfante ao ver o rubor enfurecido dominar o rosto do jovem Bolseiro. Sim, Leoamros queria que ele explodisse. Assim, todos veriam o quanto Bilbo era instável emocionalmente, desta forma, inapto para o cumprimento do dever.

– Sou Bilbo Bolseiro, filho de Bungo Bolseiro e Beladona Tûk, chefe atual da linhagem dos Bolseiros. Sei muito bem da minha responsabilidade, tanto como hobbit, como também por pertencer à família real. Nosso povo não tem reis, nos abdicamos desse modo de organização política visando à democracia, de modo que esse conselho foi criado com os representantes das famílias mais importantes do nosso reino para que juntos possamos decidir sobre o nosso futuro. Olhem a sua volta! A sala do conselho está praticamente vazia! Muitos morreram... Muitos foram deixados órfãos... Linhagens inteiras foram exterminadas! Acham mesmo que eu serei egoísta a tal ponto que ficarei cego com relação a nossa situação? Precisamos dos anões para restaurar o que o Condado foi. Um reino de paz, de tranquilidade! Se para que tal objetivo seja alcançado eu devo me casar com um rei Anão... Que assim seja! – Falou o jovem, arfando.

Nem tinha percebido, mas já estava gritando ao fim do seu pequeno discurso. Os membros do conselho o observavam boquiabertos; não esperavam tais palavras de Bilbo. Drogo sorria orgulhoso e Gandalf também expressava um olhar de consentimento. Aquele pequeno hobbit era realmente cheio de surpresa; o mago nem precisou intervir tanto naquela situação.

O som do bater de palmas foi ouvido e ecoou no salão praticamente vazio. Os hobbits logo notaram que havia outros convidados ali, presenciando o momento. Um anão de cabelos brancos tal como sua longa barba, batia palmas animadas. Ao seu lado, outro anão, mais alto, portando várias tatuagens no corpo o acompanhava, contudo não expressava a mesma alegria e cordialidade que o outro. Na verdade, tratava-se do oposto: seu olhar era sério e desconfiado.

– Belo discurso, sem dúvida! – Falou o anão de cabeleira branca – Resumiu bem a situação em que nos encontramos. Belíssima palavras, Alteza.

– P-pode me chamar somente de Bilbo, Senhor. Er...

– Oh! Que indiscrição a minha. Vocês estavam tão absorvidos em sua discussão que não quisemos interromper, peço perdão. Meu nome é Balin, filho de Fundin, esse é o meu irmão Dwalin. Eu sou o conselheiro real de Thorin Escudo-de-Carvalho, Herdeiro de Durin, Rei de Erebor. Às suas ordens! – Fez uma pequena reverência sendo logo acompanhado pelo o seu irmão.

– Oh! Oh! Mestres anões, nós que pedimos perdão! Não notamos a presença de vocês. – Falou aflito, Promer.

– Será mesmo que estavas sendo educado e não se intrometendo em nossa pequena discussão ou... Estavas nos avaliando? – Perguntou Bilbo, olhando desconfiado para o anão sorridente.

– Bilbo! – Ralhou Promer – Ele não quis dizer isso, Mestre anão.

– Não, o Mestre Bolseiro não está tão errado assim – Disse Balin, exibindo um sorriso cordial. De relance, fitou Gandalf; seus olhos exibiam um cumprimento amigável ao velho mago que correspondeu o olhar – Devem entender que nós queríamos de fato avaliar se vocês entendiam o quão delicada é a atual situação. Principalmente com relação a vocês. Parece que não preciso explicar nada!

Bilbo ainda não confiava naquela explicação, mas não iria criar mais entraves ou intrigas.

– Meu... Futuro marido não veio ao Condado me encontrar? – Perguntou.

– Infelizmente, o nosso rei está muito ocupado e não pode deixar Erebor. Não precisa se preocupar quanto a isso, Mestre Bolseiro, eu sou seu representante e segundo no comando do nosso reino. Não interprete como se sua majestade não desse importância a esse encontro! – Respondeu Balin prevendo algumas indagações do pequeno hobbit.

– Entendo. Então, o que devo fazer? Tem alguma cerimônia? Ritual? Não posso me casar sem a presença do noivo!

– Decerto, não. Seu casamento será feito em Erebor, na qual iremos partir imediatamente, após assinar esse contrato. – Nisso, o anão retirou de seu bolso um papel e entregou a Bilbo – Trata do acordo entre você e nosso rei. Thorin já assinou o mesmo documento. Trata-se de deveres e direitos que ambos compartilharam como um casal.

Bilbo começou a ler o documento rapidamente.

“O Rei e seu esposo compartilharam direitos e deveres em comum:

Devem ser fieis;

O rei deve garantir conforto e segurança ao seu esposo;

O esposo deve sempre obedecer às ordens de seu rei;

O esposo não deve desobedecer ou questionar abertamente o seu rei;

O rei deve permitir conferências individuais com seu esposo para discussão de assuntos pessoais;

O esposo deve conferir herdeiros ao seu rei.

“O descumprimento de quaisquer itens deste contrato implica no rompimento do matrimônio, que culminará na dissolução da aliança Condado — Erebor”

O jovem Bolseiro quase amassou e rasgou tal folha. Como aquelas exigências eram ridículas! Sentia-se claramente prejudicado. Não podia questionar o rei e tinha que obedecê-lo? Além disso, era seu dever dar herdeiros? Isso não devia ser uma exigência.

– Lógico que cabe a Thorin avaliar se houve ou não quebra do contrato. – Falou Balin, observando a ira no rosto do hobbit – Tais regras parecem muito rígidas, mas só você, Thorin e poucos outros anões, saberão o que de fato está escrito neste contrato. E como eu disse antes, nosso rei pode modificar ou mesmo adicionar novos itens; isso irá depender da situação, claro?

– Sim, claro – Resmungou Bilbo. Não estava vendo nenhuma vantagem naquilo tudo.

– Oh, Mestre Balin! Você esqueceu-se de mencionar que ao assinar esse contrato, isso irá conferir a Bilbo status de rei. Ou como vocês anões intitulam, o segundo rei; desta forma, o jovem Bolseiro terá uma autoridade semelhante ao rei de Erebor –Falou Gandalf. Isso chamou a atenção de Bilbo.

– Isso... Significa que serei... Um rei? – Balbuciou o hobbit.

– Bem, sim, de fato. Você terá todos os direitos e deveres de um rei; isso inclui a autoridade e a responsabilidade diante do povo anão! Sua autoridade só não é maior a de Thorin, lógico. – Explicou Balin.

– Oh... — Isso seria certa vantagem. Pelo menos não teria que ser submisso a outro anão ou hobbit, que não fosse Thorin. Isso era algo novo. Como Breeder, teve que se submeter a diversas humilhações, pois era forçado, devido a sua herança, a deixar que outros decidissem seu destino. Isso poderia lhe dar liberdade que tanto sonhara.

– Vai assinar ou não, Mestre Bolseiro? – Perguntou Balin.

Não tinha como voltar atrás, tinha dado a sua palavra. E já tinha decidido. Antes mesmo de ver aquele contrato.

– Sim, irei assinar. – E Balin entregou um pena contendo tinta em sua ponta. Bilbo aceitou e colocou o contrato sobre a mesa, pronto para assiná-lo. Sua mão tremia. Aquele simples papel iria prendê-lo a um novo destino, além de também poder salvar o Condado. Contudo, não parecia ter coragem de assiná-lo.

– Bilbo... Se quiser eu posso ir ao seu lugar! – Falou Drogo segurando a mão do primo –Eu não ligo de... Tomar a poção de novo.

– Não! Drogo... Você tem um futuro diferente do meu. Não quero que se sacrifique! – Sorriu Bilbo – Além disso... Eu sei que você gosta da Prímula Brandebuque. -Sussurrou só para o primo ouvir, o que fez que esse corar – Está tudo bem. Eu não tenho ninguém em meu coração. E você sabe como sempre sonhei em visitar outros locais na Terra Média! Essa é a minha oportunidade.

– Tens certeza...?

– Tenho. Obrigado, Drogo. — A coragem que faltada foi restituída. Bilbo escreveu seu nome no contrato.

Agora estava feito.

Seu destino estava entrelaçado ao de Erebor.

– Perfeito! Será uma honra servi-lo. Vossa Majestade Bilbo Bolseiro do Condado! –Disse Balin pegando o contrato e se ajoelhando; do mesmo modo, Dwalin copiou o irmão. Logo os outros membros do conselho se viram acompanhando os anões na reverência. Mesmo Leoamros e sua filha se viram obrigados aquele ato.

“Por Valar e as Valier... Sinto que estou me metendo em uma aventura bem maior do que estou preparado.” Pensou o pequeno hobbit nervoso. “Que Yavanna me ajude”.

Notas finais
Se querem fazer seus nomes ao estilo senhor dos aneis http://www.wizards.com/dnd/article5.asp?x=dnd/dx20010202b,0 => Gerador de nomes Dicionário Khuzdul (língua sagrada dos anões) http://pt.scribd.com/doc/98387422/Khuzdul-Dictionary-E-K-v01-JUN12 E os Os Valar e as Valier são os deuses ( de forma geral) da terra média! Espero que tenham gostado do comentário! vejo vocês no próximo capítulo!