Os dois reis sob a montanha
4 A despedida
Notas iniciais
Bilbo tocou a parede, na verdade estava mais para uma caricia. Tinha voltado para o Bolsão para arrumar suas coisas e se preparar para a longa viagem para Erebor, contudo nunca pensou que fosse tão difícil assim... Estava se demorando o máximo, retardando um processo inevitável. Sobre a sua cama havia algumas poucas roupas que tinha escolhido, Balin disse para evitar de levar muita coisa, garantiu que o rei iria lhe oferecer tudo que necessitasse, a viagem seria longa e não poderia carregar todos os seus pertences... Porém, falar era algo fácil, como poderia abandonar tudo aquilo? O Bolsão era a memória de sua família, principalmente dos seus pais, se sentia protegido naquela grande toca.
–Por que fui assinar aquele contrato idiota... – Suspirou encostando a cabeça na parede e fechando os olhos, talvez aquilo tudo fosse um sonho, ou um pesadelo...Quando acordasse tudo estaria bem, seus pais ainda estariam vivos...Estariam felizes! Já imaginava a sua mãe o chamando para comer e seu pai estaria lendo seus livros na frente da lareira, fumando seu cachimbo e expelindo nuvens de fumaças diversas que as vezes assumiam formas, como anéis, esferas... Era quase mágico.
–Bilbo...Você está bem? –A voz de Drogo fez com que o Bolseiro mais velho despertasse de suas divagações.
–Estou... De certa forma...- Suspirou novamente e forçou um sorriso, contudo temia ter saído mais como um expressão de dor do que de fato um sorriso amável.
–Ainda não arrumou sua mochila de viagem? –Apesar de ser uma pergunta, na verdade era uma afirmação.
–Estou arrumando... –Resmungou Bilbo voltando a atenção para suas roupas, dobrando algumas camisas e casacos, logo notou as roupas sujas do primo –Drogo? Aonde estavas?
–Ah! E-eu...Espera! Aqui! – O menor retirou algo do bolso, era vários saquinhos de tecido escuro e sujo de terra – São as sementes de seus tomates premiados, tomei a liberdade de pegar sementes de abóboras e outros legumes... Coloquei nesses saquinhos... E-eu...Queria lhe dar um presente de despedida, algo que fizesse lembrar do Condado e do nosso lar... –Nesse momento lágrimas começaram a rolar do rosto do menor –Algo que te faça lembrar de mim...
–Drogo...- Bilbo sentiu uma pontada de dor em seu coração com aquela confissão, deixou suas roupas e foi abraçar o jovem primo – Como eu iria esquecer de você? És minha única família... Para mim, você é como um irmão mais novo...
–E-eu... Queria ir com você! –Choramingou.
–Não... Seu lugar é aqui, no Condado, o Bolsão precisa de um Bolseiro para cuidar dele, não é mesmo? – Sorriu Bilbo limpando as lágrimas do rosto de Drogo, sentindo também lágrimas se formaram nos próprios olhos– Você agora será o responsável por isso... Assim poderei partir tranquilo sabendo que essa casa estará em boas mãos... Prometes cuidar de nossa casa?
–Eu prometo cuidar bem dela! – Disse o menor ainda fungando –Mas você tem que prometer voltar...Para me visitar!
–Bem...Acho que não posso prometer isso...- Suspirou tristonho Bilbo se afastado do menor pegando os saquinhos de sementes de sua mão – Nem sei se posso plantar isso em Erebor...Vou viver em uma montanha... Mais precisamente, dentro dela... Terei uma vida muito diferente daqui...
–Sei que dará um jeito! O Bilbo que eu conheço sempre arranja uma solução...Luta por seus sonhos e por expor suas opiniões! – Falou Drogo sorrindo otimista –Mesmo quando éramos órfãos e ainda crianças você nos protegeu e reconstruiu o Bolsão! Você mesmo me disse que nós somos os instrumentos para...
–...Mudar a nossa realidade...- Completou Bilbo compartilhando o sorriso otimista do primo –Minha mãe sempre dizia isso... “Se a realidade que vivemos não nós traz a felicidade. Mude-a, pois nós somos os instrumentos para mudar a nossa realidade” Essas foram as palavras dela!
–Tia Beladona era um muito inteligente...
Bilbo riu e afagou os cabelos encaracolados e negros do primo.
–Ela era um mulher incomparável e sempre arrumava confusão! –Se lembrou ainda risonho o Bolseiro mais velho.
–Estou vendo que...Você puxou a ela! –Provocou Drogo.
–E-Ei! Não arrumo confusões! –Tentou se defender.
–Claro que não... O que fez no conselho a momentos atrás foi o que?
–Ora...Bem... Só estava me defendendo e defendendo o Condado! Além de te defender também!
–E eu agradeço por isso... Vou sentir saudades de suas confusões... – Disse Drogo tentando esconder sua tristeza dobrando as roupas do primo, mas logo percebe que suas mãos estão muito sujas e nervosamente tenta limpa-las nas suas calças igualmente sujas. Bilbo balança a cabeça com aquela visão... Realmente iria sentir saudades do seu pequeno primo...
–Ah! Drogo! Você fez o que eu te pedi?
–Oh... Sim! Eu mandei seu recado para os Tûks... Acho que o primo Adalgrim já deve estar...
Batidas fortes advindas da porta da frente do Bolsão foram ouvidas.
–Bill! Bill! Você está aí? –A voz forte e grossa de Adalgrim Tûk parecia ressoar pela a casa.
– Como sempre fazendo balbúrdia...- Resmungou Bilbo indo a porta da frente sendo acompanhado por Drogo que estava curioso com aquela visita.
As batidas continuavam até que Bilbo abriu abruptamente a porta, o que fez Adalgrim parar suas ações quase que paralisando o punho a poucos centímetros da face do Bolseiro.
–Ola! Bill! –Sorriu o Tûk, Adalgrim realmente era um hobbit se destacava entre seus companheiros de raça, era bastante alto, talvez uma altura igual a de um anão, cabelos castanhos claros encaracolados curtos que ressaltavam o seu rosto firme a meio retangular, apresentava várias cicatrizes expostas em seu corpo, pois vestia uma camisa com as mangas arregaçadas até os ombros e calças meio curtas. Em seu olho esquerdo era coberto com um tapa-olho, uma grande cicatriz era visível vindo da testa, passando pelo olho coberto, e findando no queixo.
–Ada... – Sorriu Bilbo retirando o punho do primo de perto do seu rosto –Oh... Seu olho... – O Bolseiro sabia que o primo tinha já batalhado contra diversos Orcs, recentemente ele sozinho tinha expulso um pequeno grupo que havia invadido as terras dos Tûks, localizadas na fronteira do Condado, era um dos poucos guerreiros hobbits ainda vivos.
–Está tudo bem... –Disse ainda sorridente o maior –Eu ainda tenho o outro olho! –Apontou alegre para o olho de íris verde vibrante ainda são e salvo.
–Você é um idiota... Sabes que sua família é bem vinda ao Bolsão, não precisam viver na fronteira! –Ralhou o Bolseiro indicando para que o outro o acompanhasse para dentro da casa.
–Bil... Como você ama o Bolsão eu também amo a minha terra na fronteira, sei que não é um dos lugares mais seguros, contudo é aonde meus antepassados viveram, não irie abandonar tal lugar... –Esclareceu o Tûk.
–Eu só... Não quero te ver machucado... –Resmungou Bilbo, Drogo também compartilhava daquele ressentimento, quando tinham ficado órfãos os dois Bolseiros se viram acolhidos pelos Tûks, enquanto os outros hobbits do Condado se distanciaram de tal responsabilidade, preocupados em se salvaram e nem se interessando com a linhagem dos Bolseiros apesar de que seus membros se sacrificaram para proteger o reino. Bilbo e Drogo se sentiram parte de uma família novamente, mesmo que os Tûks fosses conhecidos por serem uma linhagem excêntrica e normalmente tratados com desprezos, os Bolseiros os viam como leais amigos e aliados. Adalgrim em especial fora como um irmão mais velho para ambos jovens Bolseiros, desta forma era lógico que eles queriam a segurança dele...
–Bil... Agora não vai precisar se preocupar tanto comigo! Os anões estão chegando para salvar o Condado! Um dos meus primos que ficou na fronteira me avisou que viu grupos de guerreiros anões se aproximando! Finalmente, não é? –Falou Ada se sentando em uma cadeira na cozinha do Bolsão, aonde Bilbo o havia guiado com intuito de oferecer um pouco de chá –Fico pensando o que aconteceu...Digo, eu sei que os anões reconquistaram Erebor, mas pensei que tinham até esquecido da antiga aliança!
–Bem...- Era obvio que o seu primo não sabia do ocorrido, o conselho parecia não querer expor a população do Condado sobre o que discutiam a portas fechadas em seu salão de reunião. Principalmente os Tûks, que pareciam ser excluídos das decisões que ocorriam na capital do reino. O que parecia era que os anões já tinham previsto a sua decisão e já se moveram para o Condado... Bilbo suspirou meio aliviado, significava que, pelo menos, Erebor horava a sua palavra– Eu devo ter algo haver com essa mudança...
–Você? –O grande hobbit encarou o seu primo, confuso.
–Ada...Você sabe que sou um Breeder, não é?
–Sei...E daí?
– A aliança, para ser retomada, seria necessário fazer uma troca... Algo que o reino do Condado tinha a muito tempo prometido a Erebor... O casamento de um Breeder da linhagem dos Bolseiros com o rei do reino dos anões.
Bilbo esperou, mentalmente contou até 10...Mas nem chegou ao final da contagem para ouvir o grito de fúria de Adalgrim .
–COMO É QUE É? QUEM DECIDIU ISSO? Você vai ser entregue aos anões como...Como...Uma espécie de mercadoria exótica? Quem eles pensam que são?! Esqueça essa aliança tola! Conseguimos sobreviver até agora... Vamos conseguir sobreviver mais tempo!
–Adalgrim não sejas tolo... Sabe muito bem que “sobreviver” não seria bem a palavra correta referente a nossa situação...Eu diria que estaria mais para “definhar”...Estamos morrendo lentamente... O Condado não irá sobreviver mais 100 anos... –Falou Bilbo dando uma xícara de chá ao primo que ainda parecia bufar de raiva.
–E daí? Eu não aceitou isso! Não vou deixar que o meu pequeno primo Bilbo seja jogado a um bando de anões!
–Eu fico encantado com a sua preocupação mais...Eu já assinei o contrato que me comprometia a Thorin...Atual rei de Erebor, sou agora seu esposo, pelo menos em termos técnicos, a cerimônia de casamento só irá ocorrer em Erebor...
–Espera um pouco...Você assinou? Você vai embora? Por que só está me avisando isso agora? Foram aqueles porcos do conselho que te forçaram a isso? Aposto que foi aquela cobra desprezível do Leoamros... – A xícara quase estava sendo esmigalhada pela a grande mão de Ada que transferia sua fúria para a frágil peça de porcelana.
–Controle-se Adalgrim! Eu não te contei por que sabia que irias reagir desta maneira... Você é um bom hobbit, tens um ótimo coração... Contudo, ages sem pensar! Além disso, inicialmente eu pensava em negar tal demanda do conselho e de Erebor, mas vendo a nossa situação atual... Vejo que não podemos perder essa oportunidade, a aliança é a nossa salvação...
–Mas... Isso...É tão errado!
–Eu sei...
Um silêncio se fez na cozinha, Drogo olhava para os dois primos esperando a conclusão.
–Por que me chamou? Para se despedir? –Finalmente falou o Tûk, o chá já havia esfriado e nenhum gole fora dado.
–Também...Mas eu tenho um favor a te pedir...
Adalgrim levou sua visão e encarou o primo, esperando o pedido.
–Quero que tome conta do Bolsão e de Drogo!
–Eh? –Agora era a vez do outro Bolseiro falar – Como assim? Eu posso tomar conta do Bolsão sozinho! Você mesmo disse isso...Me fez prometer!
–Eu sei...Mas Drogo você ainda não atingiu a maior idade...Temo que Leoamros faça alguma coisa...
–Mas...Ele é um Bolseiro, de certa forma...A filha dele foi casada com um Bolseiro...- Disse Ada – Eu sou seu primo, mas devido a meu parentesco com Beladona Tûk, por ela ser minha tia, porém o conselho pode não aceitar isso...
Bilbo sabia disso, na verdade temia isso...Será que era esse o real plano de Leoamros? Ficar como guardião de Drogo e roubar toda a sua herança?
–Mas você não precisa se limitar as ordens do conselho, você agora é segundo rei de Erebor! –Uma voz conhecida fez Bilbo se sobressaltar, para a sua surpresa adentrando na cozinha estava Gandalf , o mago.
–C-como você entrou? Por que gostas de aparecer assim do nada? –Resmungou o Bolseiro.
–Quem é ele? –Perguntou Ada confuso.
–Eu entrei pela a porta da frente, que novamente estava destrancada, e eu sou Gandalf, o cinzento...Meu caro mestre Tûk, presumo! –Falou o velho cordialmente.
–OHH! Você é o velho dos fogos de artifício! –Sorriu animado Ada.
–E-ele é um mago...-Sussurrou Drogo ao primo.
–Um o que?! Está brincando? –O Bolseiro mais novo negou com a cabeça e o grande hobbit assumiu uma expressão de surpresa –Oh...Então...Devo pedir perdão...Senhor mago...
–Está tudo bem...Não foi o primeiro a se lembrar tão somente dos meus fogos de artifício! –Riu o mago –Então, pretendes deixar o Bolsão aos cuidados do seu primo Tûk, muito inteligente Bilbo...
–Sim...Mas...O conselho pode se opor!
–Como disse antes...Você não deve se limitar a eles...Lembre-se do que Balin lhe disse, você agora é o segundo rei de Erebor, a única pessoa que você deve se reverenciar seria Thorin, o seu marido.
Bilbo evitou de soltar um grunhido de irritação com o fato que agora tinha um marido, todavia o mago estava certo... Isso era uma vantagem afinal.
–Oh! Agora me lembrei por que vim aqui! –Riu Gandalf –Balin estava preocupado com a sua demora, ele deseja partir antes do anoitecer... Você já está pronto?
–N-não...-Confessou Bilbo.
–Pois acho melhor se apressar...
–Eu ajudo! –Se ofereceu Adalgrim – Digamos que esse é o meu presente de despedida!
Bilbo sorriu para o primo e o guiou ao seu quarto para dobrar o resto das roupas....
O momento de se despedir estava chegando e não podia mais adiar...
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–Finalmente... –Resmungou Dwalin ao ver Bilbo saindo de sua casa com uma mochila nas costas, sendo acompanhado por Drogo, Adalgrim e o mago.
–Tenhas respeito Dwalin! –Reclamou Balin ao irmão –Ele agora é nosso rei!
–Isso é só burocrático, para mim um rei de verdade deve provar seu poder! –Sussurrou –E até agora não vi nada nele que me impressionasse....
–E eu não pretendo ficar tentando me provar para você, mestre anão! – Interrompeu Bilbo – Meu objetivo não vai ser e nunca será de impressionar... Cabe você avaliar por minhas ações que sou digno ou não!
Os dois anões se impressionaram, na verdade não tinham notado o quão próximo o hobbit tinha ficado deles, de fato os rumores das habilidades dos “pés silenciosos” dos hobbits eram de fato verdade.
–Majestade... Nós não queríamos te ofender...-Começou a se explicar Balin.
–Primeiro, meu nome é Bilbo, não sou acostumado a ser chamado de “alteza” ou “majestade”...Somente Bilbo está bom! Segundo posso ser o rei de vocês...Mas eu não sei nada sobre governar, admito... Peço perdão, desde já, pela a minha falta de experiência ou de conhecimento acerca da cultura dos anões, apesar disso pretendo me esforçar para corrigir esses defeitos!
Os anões se entreolharam e trocaram sorrisos, pareciam estar satisfeitos com aquele pequeno discurso.
–Não se preocupe, mestre hobbit, nossa função também é te auxiliar em seu estudo e treinamento que será feito ao longo da viagem a Erebor...- Falou Balin.
–Mas, eu ainda te acho muito pequeno e frágil para ser segundo rei de Erebor! –Disse o segundo anão.
– Dwalin! –Ralhou o anão de cabelos brancos.
Bilbo riu daquilo o que deixou a dupla de anões meios desnorteados com aquela reação.
–Gosto de sua sinceridade...Mestre Dwalin, mas acho que não deves me julgar pela a minha aparência... Como eu disse antes, me avalie pelas as minhas ações e depois formule sua opinião, não vou te obrigar a me aceitar! -Disse o jovem Bolseiro.
Dwalin iria argumentar mas foi impedido por um pequeno grupo de hobbits que se aproximava, era Leoamros Justa-Correia e sua filha.
–Parece que chegamos bem na hora! –Disse ofegante o patriarca Justa-Correia. Bilbo o observou desconfiado.
–O que desejas Leoamros? Não creio que sejas para se despedir de mim e desejar boa sorte na jornada...
–Ora, ora Bilbo, não sejas tão rancoroso! Somos seus parentes, lógico que viemos nos despedir...Além disso, devemos tratar do futuro, como disso isso...Me refiro ao jovem Drogo, coitado, irá perder o seu guardião, deves estar muito preocupado com relação a isso... Por ele ser menor de idade...
–Guarde essa ladainha para você mesmo... Essa falsa preocupação sua me enoja, quando fiquei órfão, bem como Drogo também, o clã dos Justa-Correia nos negou amparo... Agora que o Bolsão está reconstruído e a fortuna protegida, você, milagrosamente, se importa? Isso deve ser uma piada! –Riu com desdém.
–Que seja...Isso não importa, afinal eu sou o seu parente mais próximo e compartilho da linhagem dos Bolseiros devido a minha amada filha! Não pode negar tal fato! O Bolsão agora será meu! –Falou exibindo um sorriso triunfante –E não há nada que possa fazer e...
Um soco foi dando no rosto de Leoamros o fazendo cair no chão meio atordoado, olhou assustado para Bilbo que massageava o punho.
–M-Maldito Breeder v-você me bateu? –Rosnou enfurecido.
–Sim... Balin! –Chamou o Bolseiro e o anão logo se pós ao seu lado.
–S-sim...Mag...Digo, Bilbo?
–Me corrija se eu estiver errado... Eu sou o segundo rei de Erebor, correto?
–Sim...-Confirmou o anão.
– Isso significa que minha casa e minha herança agora fazem parte de Erebor, não é mesmo?
–Oh...-O anão agora já entendia para onde aquela conversa estava se direcionando –Sim, de fato, pertence a Erebor...
–Logo, posso muito bem decidir a quem deixo a minha fortuna...Não é mesmo? Presumo que o meu marido não vai achar minha decisão errada?
–Não, creio que não... Thorin não iria se opor quanto aos seus negócios, mestre Bilbo.
–Pois muito bem... Acho que devemos colocar isso em um contrato, não? Vocês anões parecem gostar destas coisas...
–Oh! Sim! –Rapidamente Balin retira um papel em branco do seu bolso e pede para Dwalin arranjar algo para escrever, logo uma pena com tinta em sua ponta foi oferecida.
–Espere um pouco! O que pensa que está fazendo? –Perguntou atônito o Justa-Correia.
–Estou passando a tutela do meu primo Drogo para o meu primo Adalgrim Tûk...Deste modo ele que irá coordenar a minha fortuna e o Bolsão até quando Drogo alcançar a maioridade...
–Não! Você não pode fazer isso! –O outro hobbit se lançou sobre Bilbo, enlouquecido pela a fúria, contudo foi interrompido por Dwalin.
–Mantenha suas patas gananciosas longe do nosso rei... –Rosnou o anão empurrando Leoamros que caiu fortemente no chão, sendo amparado por sua filha.
–Eu posso sim... É o meu direito! Conforme-se com isso! –Sorriu Bilbo e começou a ditar as suas palavras anteriores para Balin que escrevia o contrato. Adalgrim logo se aproximou para assinar o papel e seguido por Drogo que também assinou.
–Está feito! Mestre Tûk agora é o responsável pelo o Bolsão! –Anunciou Balin.
Adalgrim sorriu meio incerto, não sabia que ficaria feliz por isso, na verdade nunca quisera tal responsabilidade, nunca fora um hobbit ambicioso, mas iria fazer esse sacrifício para a seus primos.
–Ada...Por favor, proteja o Drogo! –Pediu Bilbo, o Tûk agora sorriu de forma verdadeira e abraçou fortemente o pequeno primo –Ada!
–Não se preocupe Bill, vou cuidar do pequeno Drogo e irei protege-lo com a minha vida! –Soltou Bilbo, este estava meio com falta de ar devido a força do abraço.
–Por favor...Escreva...-Pediu Drogo.
–Eu vou escrever... Sempre! Você também deve escrever...- Sorriu Bilbo dando um leve beijo na cabeça do mais novo.
–Quando chegar a Erebor...Eu quase estarei adulto... –Sussurrou.
–Eu sei...Eu vou sentir muito pesar por não estar presente na cerimônia...
–Não! Não sinta! Quero que fique feliz por mim...Como eu estou feliz por você...Primo!
Os dois sorriram e se abraçaram, Adalgrim já estava chorando sonoramente com aquela cena, os Bolseiros logo riram daquele fato... O grande Tûk era e sempre será um hobbit de coração mole.
–Bilbo... Teremos que ir! –Anunciou Gandalf.
–Eu sei...- Engoliu em seco o menor – Então...Esse é um ...
–Até logo! –Completou Drogo –Sei que nós veremos de novo!
Bilbo sorriu para o primo...
–Sim...Até logo... –Acenou para os primos e voltou-se para os anões, querendo esconder as lágrimas que escorriam do seu rosto. O mago dava tapinhas de conforto na costa do jovem Bolseiro.
–Ele...Parece que pode ser um bom rei...- Resmungou Dwalin ao irmão.
–Parece? –Balin parecia surpreso com aquela mudança de opinião.
–Sim...Ele ainda tem muito que aprender... Mas...Parece que pode ser um bom rei...Pelo menos seria alguém que gostaria de seguir...-Continuou a resmungar o anão.
–Oh...Pelo que vejo o “pequeno e frágil” Bilbo Bolseiro já te conquistou! –Provocou.
–Tsc...Que seja... –Rosnou mal-humorado o maior se afastando do irmão que apenas riu.
“ Se Dwalin já foi conquistado... Imagino que Thorin também será, assim espero...” Pensou o anão de cabelos brancos. Suspirou por fim e apressou o passo para acompanhar o grupo que já seguia pela a rua principal da cidade ruma a saída...
Aquele era o início da jornada de volta para Erebor...
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