Ser um arqueiro requeria determinadas habilidades, como concentração e primorosa visão. Um eximo arqueiro seria calculista, pois não era só a questão de encontrar o ponto fraco do inimigo e acertá-lo há metros de distância. Também deveria levar em consideração a direção e velocidade do vento. Contabilizar quantas flechas ainda tinha em sua aljava. E se o inimigo estava por demais próximo, de modo que usar seu arco seria inútil, deveria saber quando era necessário trocar sua tática de combate para o corpo-a-corpo. Muitas variáveis e tudo deve ser analisado no calor da batalha. Logo, um bom arqueiro também era frio e paciente. Era por tais características que muitos estranharam Kili Durin ter escolhido o arco como sua principal arma.

Kili era inconstante, distraído e impulsivo. Não pareciam ser qualidades próprias de um arqueiro, mas, pelo visto, não se deve estereotipar um guerreiro. O príncipe Durin demostrou ter uma destreza admirável naquela arma...Quase podendo ser comparado a um elfo. Quase.

Novamente Kili surpreendeu a todos quando ainda em tenra idade para um anão, pediu Drogo em casamento.

O encrenqueiro Kili iria casar-se? Aquele mesmo anão que passava mais tempo fugindo das responsabilidades associadas ao seu título de príncipe, agora assumiria um compromisso tão sério como o matrimônio? E não era um casamento comum... Era com um Breeder, o que significava entrelaçamento das almas entre ele e seu noivo Hobbit.

Kili não estava brincando. Iria sim se casar. Estava pronto para se entregar àquela nova aventura...Talvez a aventura mais épica de sua vida.

— Acho que vou vomitar... – choramingou o “bravo” Kili quando estava prestes a sair do quarto, para assim se dirigir ao salão cerimonial.

— E por que será? – questionou Fili que dava alguns retoques na sua própria roupa, alisando a sua túnica azul escura, além de avaliar seu aspecto no espelho – Nervoso?

— Talvez um pouco...

— Bem, deveria estar mesmo. Comparado com a cerimônia de casamento dos nossos tios Thorin e Bilbo, a sua será bem superior em termos de convidados como também de festividades. Digo isso, pois só agora temos formalizada e fortalecidas as nossas alianças com o reino dos Homens de Dale, os elfos de Mirkwood e de Valfenda, ademais dos Hobbits do Condado. Representantes desses povos estão todos presentes no grande salão cerimonial de Erebor... Imagine só, caso você faça alguma besteira, tipo tropeçar nos próprios pés, por exemplo, todos irão presenciar tamanho feito!

Kili encarou o seu irmão com olhos arregalados.

— Isso era para me fazer sentir melhor? Diminuir o meu nervosismo?

Fili deu um meio sorriso.

— Ora, obvio que não. Só estou destacando os fatos, querido irmão.

Kili soltou um palavrão e empurrou o ombro do outro.

— Me admira que você não esteja nervoso como eu!

O príncipe mais velho soltou um suspiro.

— Hoje é o noivado, mas tarde haverá um casamento para se preocupar. E como digo me preocupar, não é tão somente com a organização da cerimônia ou como será meu futuro com Legolas...Não. Nossa preocupação é política e, se posso dizer, racial.

— Hã? Como assim? Pensei que o Rei de Mirkwood tinha aceitado sua relação com o Legolas...

— Ele pode ter aceitado, mas isso não significa que todos os elfos compartilham da opinião de seu governante. Legolas me informou que muitos nobres da corte de seu pai se recusam aceitar a mistura do sangue elfo com o anão... E por eu ser o herdeiro ao trono de Erebor tendo um futuro segundo rei elfo, seria de afronta aos elfos, de alguma forma. Um elfo subordinado a um anão, segundo o contrato que rege os dois reis da montanha solitária.

— Esse contrato nem é colocado em prática na realidade. Basta ver como Tio Bilbo interage com Tio Thorin! Alias, parece mais que Bilbo tem o nosso tio aos seus pés e não o oposto!

Fili teve que gargalhar com aquela verdade. De fato, seu tio Thorin faria de tudo por Bilbo e não daria ordens ou humilharia o seu amado se utilizando do contrato como respaldo legal.

— Mesmo assim, o contrato existe.

— Existe ainda. – Sorriu Kili – falaremos como nosso tio, pediremos que ele elimine o contrato entre os Reis de Erebor.

— Mas... Esse contrato existe há muito tempo...Digo, desde e a primeira aliança com o Hobbits!

— E daí? Isso só prova que está ultrapassado...Breeders, sejam eles elfos ou hobbits, não deveriam ser tratados como inferiores ou escravos sexuais! Eles são nossos esposos! Nossos companheiros! Amados! Devem estar ao pé de igualdade! O contrato deve ser rasgado!

Um silêncio se fez no aposento. Fili detinha um olhar surpreso com a declaração de Kili.

— O que foi? – exigiu saber Kili – Não vai falar nada?!

Agora era a vez de Fili sorrir, estendeu as mãos para ajeitar a coroa de prata sob a cabeça do seu irmão mais novo.

— Fiquei sem palavras por alguns segundos, desculpe. Ainda não estou acostumado com seus lapsos de sabedoria, Kili.

O rubor no rosto do outro anão apenas adquiriu outras camadas de vermelhidão com aquelas palavras.

— Melhor ir se acostumando, irmão...Afinal, serei seu principal conselheiro quando você se tornar rei!

— Aye! Vejo que estou em boas mãos.

Os dois trocaram uma leve batida entre suas testas e riram. O nervosismo que ambos sentiam minguava aos poucos.

— Acha que poderei fazer Drogo feliz? – Sussurrou Kili sem se afastar do seu irmão mais velho, mantendo as testas unidas em um leve e fraterno toque.

— É esse o seu medo? – Inqueriu Fili, admirado.

— Acha que não devo temer? Digo, ele é um hobbit tão inteligente e habilidoso... Eu não quero me tornar um fardo... Ou alguém que ele sentirá vergonha de ter sua alma entrelaçada.

Fili negou com a cabeça e deu uma leve tapinha na bochecha do seu irmão.

— Não tem nada a temer, Kili. Drogo te ama assim como você o ama, não vou dizer que o futuro será um mar de rosas e que viverão felizes para sempre. Porém, posso dizer que mesmo com as atribulações que porventura encontre em seu caminho, vocês poderão enfrentar juntos. O que muito melhor do que encarar tudo sozinho... Na verdade, se prestar atenção, sempre estivemos juntos: eu e você. Agora está na hora de cada um seguir seu destino associado a seu parceiro amoroso... Fico feliz em saber você não está só no futuro vindouros.

Kili fungou.

— Oh! Pela barba de Mahal... Você está chorando?

— Não! Lógico que não! – negou o príncipe mais novo – Só foi um cisco no olho!

— Guarde as lágrimas para a cerimônia, sim?

— Eu não vou chorar e nem estou chorando! – insistiu – Alguma poeira vinda do teto de madeira deve ter caído no meu olho...

— Aham. Sei. Sabe que o quarto é talhado na rocha, não é mesmo? O que significa: sem teto de madeira.

Kili abriu a boca para contra-argumentar, mas logo percebeu que não havia nada a ser dito que pudesse responder o lagrimejar dos seus olhos. Fechou a boca e marchou em direção a porta. Abandonando um risonho irmão para trás.

— Ei! Espera! – chamou Fili correndo atrás de Kili – Temos que entrar no salão cerimonial juntos! Kili!

~***~

— Primo Ada, se continuar a chorar deste jeito...Como irá me acompanhar ao salão cerimonial? – questionou Drogo, já perdendo um pouco a sua paciência. Afinal, seu primo Tük estava com olhos vermelhos e rosto inchado de tanto chorar. Não imaginava que Ada fosse tão emotivo.

— Imaginar vocês todos se casando... – fungou e assou o nariz em um lenço.

— O que? Está com ciúmes? – ralhou vovó Tük cutucando o neto com a ponta de sua bengala – Você não consegue uma oferta de casamento devido esse seu jeito estabanado! Que jovem hobbit vai desejar um rapaz assim?

— E-eu não penso em casamento, vovó! – Resmungou Adalgrim, corando levemente.

— Será um solteirão, é isso? Hunf! E qual é a sua intenção, quando arruma o jardim do Bolsão sem camisa em Hobbiton? Mesmo no inverno? Para impressionar quem?

— Vovó! Casamento não é para mim! E...E...

— Ficar só no namorico? Flertando tudo e a todos? Ou fazendo propaganda enganosa?

— Vovó! – exclamou já ficando tão vermelho como um tomate – O quero dizer que estou feliz que meus primos estejam se casando...O que quero dizer é que, por ser mais velho, percebo que meus priminhos mais novos estão todos adultos...

— Está se sentido velho? Imagine eu! – gargalhou vovó Tük – Pare de dramatizar, Adalgrim Tük! Você e nem eles estão tão velhos assim!

— Eu não estou dramatizado! Só que...Parece que foi ontem que encontramos os dois na floresta da fronteira do Condado, nas terras dos Tüks... Tão pequenos e desamparados... – E começou a chorar novamente.

— Que Yavanna me dê paciência. – A anciã rolou os olhos com aquela cena, Drogo colocou as mãos na boca para abafar o seu próprio riso. Aquelas brigas familiares pelo menos serviram para amenizar o nervosismo que começava a dominar. A hora do tão esperado casamento se aproximava...

— Príncipe Drogo? – Nori se aproximou do jovem hobbit, fazendo uma pequena reverência, algo muito formal de modo que Drogo ficou alarmado sem saber o que responder.

— O que foi? – inqueriu Vovó Tük, de forma meio bruta.

— Príncipe Kili já se encontra no salão cerimonial, chegou a hora de dar início ao evento.

Drogo quase entrou em pânico. Cerrou os punhos em sua túnica azulada. Não que tinha medo do casamento em si, na verdade estava mais do que ansioso por ser ver casado com Kili, mas toda aquela cerimônia, ritual e formalidade o deixavam nervoso. Apesar de ter treinado durante o inverno com Bilbo e outros tutores, temia errar em algum ponto. Queria que Legolas estivesse ali, mas a sua entrada pelo salão se daria em outro local, além disso, o príncipe elfo seria acompanhado por uma comitiva elfa burlando um pouco a tradição anã.

— Vossa alteza? Se não tiver pronto, posso informar aos servos, eles podem enrolar um pouco a cerimônia e nos dar mais tempo...

— Nori... – choramingou o Bolseiro – Por que me chama assim?

Nori piscou, maroto para o hobbit.

— Ora, você terá que começar a se acostumar com o seu título, não é mesmo?

— Prefiro que me chame só de Drogo. – Resmungou.

— Então, só de Drogo, está pronto? – provocou o anão.

— Pare de brincar. – Mandou a matriarca Tük – Não vê que meu neto está nervoso? Drogo, querido, deseja que eu te faça um pouco de chá? Aposto que um chá de camomila com pitadas de mel irá acalmar seus nervos...

Drogo negou com a cabeça. Já não era mais o momento de hesitação. Deu um forte tapa em suas bochechas, assustando a todos com o seu ato.

— Vamos indo! – anunciou, com as bochechas avermelhadas e um olhar determinado a frente.

— Si-sim! – Concordou Adalgrim se pondo ao lado do pequeno primo e oferecendo o seu braço para que o outro apoiasse a mão.

Os dois seguiam o caminho indicado por Nori, sendo observados com deleite por vovó Tük que silenciosamente agradecia Yavanna por lhe dar oportunidade de assistir tal maravilhoso evento, antes que sua vida se findasse naquela terra.

~***~

O salão estava fenomenal. Enfeitado com arranjos florais (ideia de Bilbo) dava uma vitalidade a rocha bruta. Além disso, havia a grande quantidade de pessoas. Humanos, elfos, hobbits e anões, todos juntos presenciando aquele evento. Sem dúvida era um evento sem precedentes na história de Erebor. Tantas faces desconhecidas, apesar de sorrirem para ele, não amenizavam o seu sentimento de isolamento.

Algumas crianças hobbits, acompanhadas por infantes anões, lançavam pétalas de rosas sobre o seu caminho. Era tudo muito belo, mas o nó que sentia no estomago, somado com o tremer de suas mãos, impossibilitavam de apreciar toda a cena.

— Primo Bilbo realmente se superou, não é mesmo? Quem diria que ele, dentro todos, iria saber organizar uma grande festa como essa... – comentou Ada ao seu lado.

— Como assim? – inqueriu Drogo, sua voz estava entrecortada e fraca. Até suas cordas vocais tremiam.

— Esqueceu que o Primo Bilbo foi responsável pelo a maior parte das catástrofes envolvendo as festividades de Hobbiton? Na festa da colheita, ele lançou uma colmeia de abelhas dentro da sala de reuniões do conselho...

— Oh! Eu me lembro disso.

— Devia mesmo se lembrar, afinal, todos os membros do conselho saíram aos gritos e cheiros de ferroadas.

— Principalmente Leoamros Justa-Correia.

— Principalmente ele!

Drogo riu, era bom recordar daquelas lembranças de sua infância. Entendia o contraste do Bilbo do passado e o Bilbo atual, seu primo realmente tinha mudado e amadurecido. E quanto ao Drogo? Será que também tinha mudado?

— Você está ótimo, primo. – Garantiu Ada, como estivesse lendo seus pensamentos.

— Hã?

— Erebor fez você ficar ótimo. Dá para ver no seu olhar e no seu modo de agir. Confesso que me preocupava um pouco de você ficar sempre a sombra de Bilbo. Querendo copiá-lo, sabe? Mas agora vejo o quão estava errado... Você e Bilbo são hobbits fenomenais e Erebor fez com que suas qualidades florescessem de uma forma que não sei descrever...

— Você acha mesmo, primo Ada?

— Tenho certeza e não só eu que acho isso... Ele também deve achar. – falou isso enquanto apontava para o alto do altar, mais precisamente para quem estava ali em cima. Por segundos ficara sem ar com a visão de Kili Durin. Vestindo sua túnica azul claro, cabelos negros penteados e arrumados em uma elegante trança. Uma delicada coroa prateada rodeava sua cabeça. Seus olhos castanhos fitavam com intensidade Drogo que, por sua vez, sentiu suas pernas tremer.

“Já chegamos até aqui?” Nem tinha notado que tinha se aproximado do seu destino final. A conversa trocada com Adalgrim fizera até esquecer aonde estava, talvez fosse essa o objetivo do seu amado primo Tük: tranquilizá-lo até o último instante.

— Obrigado... – conseguiu balbuciar o Bolseiro ao seu primo – Por tudo...

— Não precisa me agradecer. – Piscou Ada, dando um leve cafuné nos cabelos castanhos encaracolados de seu priminho. Sua avó e até mesmo Bilbo iriam criticá-lo por desarrumar todo o penteado de Drogo, mas ele não iria perder a oportunidade de dar uma expressão do seu amor fraternal para com o seu priminho.

Alguém pigarreou. E atenção de Drogo se voltou a voz. Kili tinha descido a escadaria do altar para recebê-lo. Agora que estava mais próximo parecia ainda mais belo. O coração do hobbit estava quase saltando do seu peito.

— Obrigado por trazê-lo. – Disse o príncipe anão a Adalgrim.

— Posso não ter uma força semelhante aos dos anões... – Começou a falar Ada, flexionado o seu braço deixando amostra os seus músculos – Mas se fizer o meu primo sofrer, juro que irei enchê-lo de porradas!

— A-Ada! – gaguejou Drogo, meio surpreso e meio embaraçado com a fala do seu primo.

— Eu prometo tomar conta de Drogo. – Garantiu Kili, segurando a mão do seu noivo – E se eu o fizer sofrer de algum modo, juro que irei ao Condado para que você me encha de porrada, mestre Tük.

Isso parecia ser a resposta correta, pois Adalgrim assentiu para o príncipe e piscou para Drogo quando se distanciava pelo caminho.

— Bem... Acho que agora é a hora. – comentou Drogo, nervosamente.

— Está começando a se arrepender de sua decisão? – Inqueriu Kili acariciando a mão do Bolseiro, com tamanho carinho e delicadeza que fez Drogo sorrir com ternura – Ainda dá tempo para correr, sabe? Só precisa me dar um chute nas minhas joias reais e fugir...

— Não pretendo fazer isso. Ainda mais, não quero prejudicar suas “joias reais”, ainda mais quando precisamos delas para a noite de núpcias...Não?

“Não acredito que disse isso em voz alta!” A mente de Drogo gritava, mas não se arrependia por sua súbita coragem.

Kili piscou os olhos uma vez e uma vez mais.

— Oh! – Foi a única coisa que disse antes de formar um sorriso malandro em seus lábios – Então não vamos adiar mais... Casemos logo!

O príncipe puxou o hobbit com rapidez rumo ao altar, ignorando todo o protocolo da cerimônia que dizia que deviam subir as escadas de forma lente e solene...

~***~

“Tanto reclamara sobre Ada e agora sou eu que choro...” reclamou Bilbo tentando conter as lágrimas ao ver seus “sobrinhos”, Drogo e Legolas ali. Depois de tantos contratempos e dramas, finalmente tinham alcançando aquele ápice de suas relações amorosas. Sentia tanto orgulho...

Thorin estava ao seu lado, com sua roupa de gala, que consistia em sua armadura cerimonial, que diferia da armadura de combate, pelos detalhes ornamentados em ouro. Ele estava lindo, pelo menos segundo o ponto de vista de Bilbo. Se Thorin ainda tinha alguma dúvida quanto à sua posição monárquica em Erebor, bastava se olhar no espelho! Nem Daín iria questioná-lo, aliás o outro rei anão assistia a cena com igual admiração e orgulho em seu olhar.

— Meus irmãos anões... Amigos e aliados... – Começou a falar Thorin, sua voz ecoou e se propagou pelo grande salão capturando atenção de todos – Estamos todos aqui reunidos para seremos testemunha da união desses casais... Meus sobrinhos, príncipes de Erebor, herdeiros da linguagem dos Durin, e seus respetivos companheiros, tenho a honra, como primeiro rei de Erebor, de concedê-los a minha benção.

O som de cornetas e palmas foram ouvidas da multidão que assistia. Mas um sinal dado por Thorin fez com que todos se calassem.

— Kili Durin, filho de Dís Durin e Thoth Aldrin... Príncipe de Erebor, aceitas Drogo Bolseiro, membro da linhagem real dos Bolseiros do Condado, como o seu legitimo esposo. Prometendo protegê-lo, amá-lo e respeitá-lo até o fim de sua vida?

Kili deixou sua mirada cair sobre o hobbit a qual iria se casar. Sem fitar o seu tio, proferiu a sua resposta.

— Lógico que aceito! Como poderia dizer não? Só se tivesse louco! Bem que estou meio louco sim...Louco de amor por esse hobbit!

Drogo deu um leve cotovelada no seu príncipe, tentando ignorar o rubor que dominava o seu rosto.

— Kili, um sim já seria o suficiente. – Comentou Bilbo contendo o sorriso.

— Então, Sim! – Repetiu Kili todo sorridente.

Thorin sacudiu a cabeça tentando não rir da situação. Alguém tinha que seguir o protocolo da cerimônia!

— Drogo Bolseiro, filho de Posco Bolseiro e Berylla Brandebuque, primo do segundo rei de Erebor, pertencente a linguagem real dos Bolseiros do Condado, aceitas Kili Durin como o seu legitimo marido. Prometendo protegê-lo, amá-lo e respeitá-lo até o fim de sua vida?

Drogo mordia o lábio inferior, indicando um claro nervosismo, mas esse foi logo esquecido com o súbito ímpeto do hobbit em levantar o seu rosto e encarar o primeiro Rei de Erebor.

— Eu aceito! – Praticamente gritou, mas logo depois sussurrou desculpas por seus modos.

Thorin sorriu complacente. Aqueles dois dariam, sem dúvida, um ótimo casal.

— Pelo poder concedido a mim, por Mahal e pela coroa de Erebor...Os abençoou e os declaro casados. – Anunciou, finalmente.

— Vocês devem trocar os broches. – Lembrou Bilbo ao notar que Kili já avançava para beijar o seu agora esposo, mas este foi mais rápido. Puxando uma das mechas do seu marido para colocar o broche que representava o Condado.

— Ai! Cuidado!

— Siga o protocolo, Kili! – mandou o menor, tentando não rir. Estava tão feliz que não conseguia nem mesmo censurar o seu marido.

— Sim, claro. Como quiser...Drogo Bolseiro-Durin. – disse Kili colocando com cuidado o broche que o representava os Durin e mais precisamente o próprio Kili – Não pode me culpar por querer queimar etapas.

Drogo negou com a cabeça, desconcertado com a forma direta como que Kili se expressava. Com a mão, acariciava o novo broche em seus cabelos. Seus dígitos identificavam o símbolo em formato de arco que indicava Kili.

— Já está se arrependendo? – arqueou as sobrancelhas, o príncipe de Erebor.

— Nunca irie me arrepender. Eu te amo, Kili Bolseiro-Durin.– Sussurrou Drogo sorrindo para o seu amado.

— Você pode bei... – Bilbo nem sequer terminou sua fala, pois Kili já se adiantou tomando Drogo em seus braços e o beijando com fervor.

E assim começava a vida de casado do príncipe Kili e príncipe Drogo.

Notas finais
Próximo capítulo será voltado para o noivado de Fili com Legolas!! Espero que tenham gostando deste casamento... Longa vida a Kili e Drogo! E que venham os filhos!