Thranduil Greenleaf, rei de Mirkwood, estava utilizando a sua melhor vestimenta. Uma túnica bordada em prata com um manto translúcido tecido em seda produzida pelas lagartas endêmicas da floresta. O elfo também portava uma coroa que parecia ter crescido naturalmente para cumprir sua funcionalidade como adereço real de Duil, afinal era formada por galhos crescidos pelas árvores centenárias de Mirkwood, tais como essas árvores tivessem oferecido ao governante da floresta aquela coroa como um presente. Sim, ele estava formidável, de tal modo que...

– Você sabe que é o meu noivado, não é mesmo? – questionou Legolas avaliando criticamente o seu pai. A comitiva élfica se organizava em outro salão, se preparando para adentrar no salão cerimonial por outra entrada, quebrando com o protocolo da rígida tradição anã, contudo aquilo era compreensível afinal seria a primeira vez que um elfo noivaria com um anão. Logo, algumas peculiaridades em relação a cerimônia deveriam ser aceitas e aplicadas...Pelo menos essa era a justificativa de Thranduil.

— Infelizmente, eu sei. – Confirmou o elegante rei dando os últimos retoques em seu penteado – Ainda tem uma ínfima chance de se arrepender, sabe? Podemos nos esgueiras pelos corredores e fugir da montanha sem que esses tolos anões percebam.

Alguns desses referidos tolos anões eram os guardas reais de Erebor que se encontravam dipostos em pontos estratégicos do salão aonde se encontravam. Pelo visto, Duil não os notava, talvez os considerando parte da mobília... Mas os anões tinham ouvido e trocavam olhares confusos e críticos.

— Pai... Eu não irei me arrepender. – Garantiu o príncipe – Estou preparado para me unir a Fili.

— Céus, não fale em unir, pois logo irei imaginar você e ele...Em um momento íntimo!

— Bem, você nem precisa imaginar. – comentou Elrond soltando um pigarro para chamar atenção para si, o lorde elfo de Valfenda também usava o seu melhor traje, uma combinação de tons austeros que ressaltavam um aspecto sério e altivo – Meio que já os flagramos em um desses momentos íntimos.

— AHH! – gritou Duil levando as mãos aos olhos – Não me lembre! A imagem daquela cobra gigante! Coitado do meu filho! Como irá sobreviver? Ou melhor...Como irá se sentar?

— PAI! – exclamou Legolas, sentindo suas bochechas corarem – Pare de falar isso aqui. Não estamos sozinhos!

De fato, não estavam. Além dos guardas anões, também estavam rodeados por vários elfos de Mirkwood e Valfenda. Não eram muitos, mas era os que prontamente se voluntariado para acompanhar Legolas em seu noivado. Muitos se mantiveram neutros ao evento, entretanto outros se opuseram veemente. Sequer tinham comparecido as reuniões sobre o assunto em Mirkwood. Legolas tentava permanecer paciente com o seu povo, mas não ocultava a sua decepção...Supostamente um povo imortal deveria ser mais sábio e menos rancoroso, não é mesmo?

— Não, continue. Quero saber mais. – Insistiu uma elfa de cabelos castanhos.

— Tauriel, não o incentive. – Repreendeu.

— Concordo com o meu irmão. – Elladan se pronunciou, fazendo uma careta de nojo – Imaginar anões nus? Prefiro me abster desses traumas.

— Irmão é? Já está assim íntimo? – Outro elfo falou, ele tinha uma aparência por demais parecida com o filho de Elrond, o que evidência o fato dele ser o seu irmão gêmeo. Aquele era Elrohir.

— Obvio...

— Que não! – completou Legolas em um tom brincalhão. Já estava começando a se acostumar com a presença de Elladan e quiça aceitando o seu parentesco. Mais quanto aos seus novos “irmãos”? Ainda não tinha formulado um conceito claro sobre eles...

Elrohir gargalhou.

— Compreensível. – disse o jovem lorde elfo – Elladan é mesmo cativante. Compartilho contigo, Legolas, os sentimentos paradoxais de fraternidade em relação a Elladan.

— Irei considerar isso um elogio. – disse Elladan lançando seus cabelos negros para trás – Sou muito cativante e um ótimo irmão!

— Aham... Muito. – Concordou Elrohir rolando os olhos. Apesar de serem similares em aparência havia também discrepâncias. O Elrohir parecia ter um porte físico mais avantajado que Elladan, alguns centímetros mais altos também. Contudo, isso só seria notado quando se prestava mais atenção aos gêmeos. Ou melhor, quando os dois estavam lado a lado. Seria fácil confundi-los em aparência, mas pelo visto, não em personalidade.

— Isso é verdade! Sentimos a sua falta! – declarou uma elfa de lindos cabelos negros que se lançou sobre Elladan e o abraçou. Essa seria a sua irmã mais nova: Arwen – Fala para ele, Elrohir!

— Valfenda está bem mais tranquila. – comentou o outro irmão.

— Elrorhir! Não seja grosso! Valfenda está muito chata sem sua presença Elladan...

— Conseguimos até relaxar... Dormir...Não sou posto de castigo devido as ações de um determinado elfo. – Continuou a falar Elrohir – Afinal, esse mesmo elfo costumava se aproveitar de sua semelhança que compartilha comigo para escapar dos castigos...

— Isso é uma desvantagem...Não quer passar uma temporada em Erebor, Elrohir? – inqueriu Elladan.

O elfo iria responder, realmente tinha aberto a sua boca para negar o ridículo pedido, mas sequer teve a chance de se pronunciar pois foi interrompido por seu pai.

— Meninos! – ralhou Elrond – Vocês vieram aqui para ajudar e não brigar.

— Peço perdão pela a indiscrição de minhas crianças, Legolas. – Acrescentou o lord elfo – Afinal, esse é o seu noivado.

— E também é uma reunião familiar. – disse Legolas – Vocês todos que fazem parte dessa cometiva...

Mirou a face dos elfos de ambos reinos elfos que estavam ali representados.

— ...Aceitaram minhas escolhas e estão aqui me apoiando. A tradição élfica diz que, durante o casamento os familiares ou os amigos mais íntimos são os que irão acompanhar na entrega do noivo a seu pretendente. No passado... Minha família era composta só por meu pai e Tauriel, mas agora... – Legolas sorriu para o grupo que ali estava.

— Minha família aumentou... Me sinto sortudo de diversas formas por isso. Obrigado.

Nisso fez uma pequena reverência, surpreendendo a todos.

— Legolas... – Tauriel estava sem palavras. Podia ver que Legolas ocultava o rosto em meio a seus cabelos louros platinados. Sabia que o príncipe de Mirkwood tentava esconder as lágrimas que se formavam em seus olhos.

— Bem, ele tem que agradecer mesmo...Afinal, sabe como foi cansativo todo os preparativos para a cerimônia? Papa Duil nos fez treinar por mais de um mês! E para que? Para andar em fila? Entende como isso é estressante? E esse é só o noivado! Imagine no casamento! – reclamou Elladan.

— Papa Duil? – Thranduil franziu o cenho – E o que tem de errado com o meu treinamento?

— Nada. Nada. Adoramos o treinamento, não é mesmo Elladan? – rapidamente respondeu Elrond. Ninguém tinha entendido o que ele tinha falando anteriormente? Nada de brigas.

— Se adorar é sinônimo de odiar, então, sim. Adoramos. – Completou a fala com um sorriso que era tudo menos verdadeiro.

— Elladan! – repreendeu em uníssono Elrond e Elrorhir.

Legolas apenas riu. Sim, sua família tinha aumento, sua vida como filho único, sob a proteção de um pai solitário e rancoroso agora era passado. Tinha ganhado um novo pai e novos irmãos e irmã. E seu futuro? Envolvendo Fili só indicava que sua família aumentaria ainda mais...E Legolas estava ansioso para que isso ocorresse.

— Já chega! – ordenou Duil usando de toda a sua autoridade real – Todo esse estresse não é bom para mim, para o bebê e nem para o meu filho!

Nisso se aproximou de Legolas e segurou a sua mão com ternura. Ultimamente, o seu pai estava demonstrando mais e mais os seus sentimentos, a presença de Elrond e o reequilíbrio de sua marca fizera que sua personalidade se tornasse mais amena. Até mesmo era menos rude com os anões...Algumas vezes, claro. O simples fato de seu pai se tornar o maior defensor de seu amor diante da sociedade élfica, já demonstrava o quão o seu amado progenitor tinha evoluído em relação aos seus preconceitos. Se o rei Thranduil era capaz de mudar outros elfos também poderiam.

— Já chegou a hora... – declarou Duil, antes mesmo que o mensageiro anão se aproximasse para anunciar que cerimônia deveria começar.

Está pronto?— questionou o rei na língua élfica – Podemos adiar até que você esteja mesmo pronto...Não queremos mostrar a esses anões um elfo nervoso e inseguro! Mostraremos a eles o futuro segundo rei de Erebor!

Estou pronto sim. — Apertou a mão do seu pai, engolindo em seco e erguendo o queixo em direção a porta, sua saída ruma a cerimônia.

Com sua declaração resoluta, seus familiares e amigos logo se organizaram em duas filas duplas na dianteira, sendo que Legolas se encontrava no último lugar acompanhado de seu pai.

— Que abram a porta! – mandou o rei de Mirkwood, os anãos, sem hesitar o fizeram com rapidez. E assim, a comitiva élfica adentrou no salão.

~***~

Fili tentava controlar o seu próprio nervosismo. Drogo já tinha chegado, Kili já o tinha ao seu lado...Enquanto Legolas? Sabia que os elfos usariam de outra forma de apresentação, mas isso significava que não sabia ao certo como e quando ele iria aparecer. Infelizmente, seu sogro não quis informar como seria toda essa apresentação, tão pouco Thorin ou Bilbo foram avisados.

— Aquele comedor de capim... – resmungou o primeiro rei, rangendo os dentes – Ele esqueceu que a cerimônia tem hora de começo e término? Não podemos passar a noite toda na espera!

— Thorin! – ralhou Bilbo, cutucando o seu marido – Tudo ainda está dentro do que tínhamos previsto. Alias, um atraso para mais ou para menos tem ppuca importância. O que é mais importante é o casamento e o noivado dos nossos sobrinhos...

— Eu sei. – Continuou a resmungar o Durin – Mas eu tenho quase certeza que aquele elfo está atrasando de propósito...

Bilbo iria argumentar, mas o som de arpas e flautas começaram a serem ouvidos do lado oeste do salão. Fili, assim como seus parentes que ali estavam no altar, voltaram seus olhares para aquela direção. Elfos abriram passagem pelo a multidão tocando seus instrumentos e dispostos em fila. Fili os observava ansioso. Não vira Legolas entre eles. Bem, verdade era que só conseguia vislumbrar as faces na primeira fileira.

— Desça. – Sugeriu Bilbo, sussurrando para o príncipe herdeiro – Acho que você deve recebê-los.

Fili apenas assentiu e de forma apressada desceu os degraus enquanto observa a comitiva elfa se aproximando. Sem dúvida era uma coisa diferente de se observar. A melodia tranquila e compassada difere da música anã que normalmente se basea em instrumentos de percussão. A partir daquele cortejo se observava a diferença cultural entre eles...

O cortejo finalmente alcançou a base do altar. Fili buscou o seu elfo, vendo rostos conhecidos e estranhos, mas nenhum sinal do seu amado. Antes que pudesse questioná-los, os próprios elfos começaram a se mover. As fileiras de elfos se dispersaram em sincronia até que, por fim, os últimos da fila se tornaram visíveis. O rei de Mirkwood e ao seu lado o seu filho.

Legolas estava deslumbrante, com sua túnica de colorações castanhas amareladas, o bordado como folhas outonais justapostas uma as outras. Cabelos loiros trançados, uma delicada coroa de galhos dourados (combinando com a roupa) estava posto sobre sua cabeça. Era tão belo que, por alguns segundos, Fili ficou sem fala e paralisado.

— Oi. – Acenou Legolas ao seu abobado anão.

— O-oi... – Gaguejou em resposta. De algum modo, Fili se sentiu embaraçado. Tal como tivesse encontrado pela a primeira vez com Legolas e não sabia como se aproximar de uma criatura tão linda. Estava sendo um tolo, sabia disso...Mas não conseguia evitar!

— Fico feliz que você...Bem...Tenha comparecido. – Disse em um tom formal desnecessário.

— Eu não iria perder esse evento por nada, mestre anão – Provocou Legolas dando uma piscadela e utilizando de um tom demasiado formal.

Fili desejava dar um pontapé em si mesmo.

— Ainda bem...Pois eu iria fazer um tremendo papel de bobo. – disse dando um sorriso nervoso.

— Mais do que agora? – inqueriu o elfo dando um sorriso tão amável que o coração do príncipe anão quase saiu de seu peito.

Duil se adiantou, interrompendo aquela situação tola entre os amantes. Elevando a mão de Legolas e entregando para Fili que prontamente a segurou.

— Esse é meu filho, meu bem mais preciso... Foi por ele que decidi viver, lutando contra o destino da própria marca. Eu devia ter morrido anos atrás, quando meu querido esposo faleceu, mas não podia abandonar Legolas. Permiti que metade de mim morresse para viver pelo o meu único filho. Agora tenho minha marca estabilizada e também sei que é o momento de deixar que Legolas siga o seu próprio caminho...Temia que ele se tornasse como eu...Um elfo com a alma esfacelada. Cujo o amor e a marca fizeram sofrer uma dor inominável. Imaginei que amor era sinônimo de dor, não desejava ver Legolas na mesma situação. Por esse medo cometi muitos erros...Mas agora vejo que o amor tem diferentes facetas...Sim, a dor pode ser uma de suas faces. Entretanto, esperança e alegria também o são. Não serei um obstáculo que impeça que o meu experimente o amor.

O rei elfo fungou, lágrimas teimavam em rolar em sua face, apesar da clara expressão de seriedade que transparecia na sua face.

— Por isso, anão, estou entregando o meu filho. Que ele seja a sua joia mais preciosa de seu tesouro...

Fili aceitou a mão de Legolas e sorriu para o seu sogro.

— Legolas já é minha joia mais preciosa... Quanto a isso não precisa se preocupar. – Garantiu.

Acho bom mesmo. Não sou um bom arqueiro como o meu filho, mas sou um ótimo espadachim...Deste modo, posso muito bem castrar essa cobra que tens entre as pernas...— Disse na língua élfica. Fili piscou os olhos, sem entender. Legolas, por outro lado corou e pigarreou. Duil sorriu de forma misteriosa e se distanciou junto com o cortejo élfico.

— Acho que seu tio está ao ponto de implodir. – Indicou o príncipe elfo com o dedo. Sim, parecia que Thorin estava se controlando para não os arrastar lá para cima e continuar a cerimônia.

— Ele pode esperar...Somos nós os homenageados. Foco do evento. Temos direito de nos demorar e degustar do momento. – Fili beijou a mão de Legolas fazendo com que esse corasse ainda mais.

— Prefiro degustar quando estivermos sozinhos... – Sussurrou – Em nosso quarto...Em nossa cerimônia privada.

Fili ergueu as sobrancelhas, apreciando a ideia sugerida.

— Então, não adiemos mais o noivado, não é mesmo? – E com isso conduziu o seu futuro noivo pelas as escadas.

~***~

Kili e Drogo tinham finalmente se casado.

Fili estava feliz por seu irmão e Drogo. Sentia que um capítulo da vida dele tinha acabado de ser iniciado. Esperava ver como o casamento iria transformar Kili, o fazendo amadurecer ainda mais. E se tornasse pai? Fili apenas balançou a cabeça, incrédulo com a possibilidade de ver o seu irmão mais novo cuidado de outra criança com responsabilidade. Nem o fazia direito com o seu priminho Frerin!

“E a quem estou tentando enganar? Eu e Kili éramos parceiros de travessuras! Quem sou eu para dar alguma lição de morar?” analisou de forma crítica.

Sentiu um leve puxar na manga de sua túnica azul. Era Legolas.

— Agora é a nossa vez... – Murmurou o príncipe com certo nervosismo.

Fili assentiu com hesitação. Chegara o momento que tanto esperava.

Os dois se dirigiram para o local antes ocupado por Kili e Drogo. Thorin os observava com o seu famoso olhar. Bilbo, por outro lado, sorria de forma amigável.

— Fili Durin, filho de Dís Durin e Thoth Aldrin. Meu herdeiro ao trono...Futuro primeiro rei de Erebor. Você está aqui, diante de todos os seus súditos e aliados para formalizar o seu noivado com Legolas Greenleaf, príncipe elfo do reino de Mirkwood.

— Isso mesmo. – Confirmou Fili, estufando o peito e erguendo o queixo em sinal de confiança. Não queria transparecer o nervosismo que sentia, principalmente para a plateia que o observa.

— Entendo que essa união é sem precedentes na história de Erebor. – Começou a falar, quebrando o protocolo ensaiado com o seu tio previamente – Nunca um elfo e um anão compartilhavam uma relação mais profunda que amizade. Amor? Isso não era algo sequer imaginado existir entre nossas raças...Principalmente depois do que ocorreu a Erebor com o ataque do dragão. Entendo que muitos devem se opor e estranhar. Somos diferentes. Não só culturalmente como também de aparência. Dirão que não somos compatíveis. Também temerão pelo o futuro de nossas crianças. Sim, sei que imaginam um futuro obscuro para mim e meu noivo, Legolas.

Fili mirou seus súditos, podia ver que muitos anões evitavam o seu olhar, por vergonha. Sim, eles não confiavam naquela união.

— Tememos o desconhecido. – Continuou a falar o príncipe anão – Quando os primeiros anões chegaram a montanha solitária, não sabiam os tesouros que suas entranhas escondiam...Tão pouco sabiam que ali seria construído um próspero reino que seria um das bases primordiais da raça anã. Se eles tivessem medo e não desbravassem o desconhecido, não estaríamos aqui hoje...

Agora voltou seu olhar para Legolas, segurando novamente a sua mão.

— Legolas é um valoroso guerreiro. Salvou a minha vida diversas vezes. Ele também é sábio e possui uma personalidade forte o suficiente para me suportar.

— Fili... – Sussurrou o elfo, embaraçado. Contudo, o público adorou a fala proferida pelo anão, pois risadas foram ouvidas.

— Lhes garanto que Erebor não podia estar em melhores mãos do que Legolas como futuro segundo rei. Sim, ele é um elfo, mas devemos ver além da raça e da aparência. Ele é um herói. Corajoso. Generoso. Sincero. Espirituoso. Companheiro. Fiel. As suas qualidades são incontáveis que fosse para listá-las...Passaríamos horas aqui! E quanto aos nossos filhos, esses serão maravilhosos pois apresentaram as melhores qualidades de ambas raças...Elfos e anões. Serão como novas gemas preciosas a serem descobertas nas profundezas da terra...

Legolas tentava segurar o choro, mas era inútil, lágrimas rolavam em sua face pálida.

— Então, faço um pedido a vocês. Anões, elfos, hobbits e humanos. Que sejam desbravadores...Junto comigo nessa jornada para uma nova Erebor. Que esse meu noivado seja mais do que um temor do desconhecido, mas as portas abertas para uma jornada rumo a uma nova possibilidade...Um novo futuro...Quem saberá que maravilhas não seremos capazes de formar com essa união? Querem testemunhar isso ou fechar os olhos e fugir como covardes para o conforto de suas realidades?

Um silêncio se instaurou no salão, mas esse logo foi quebrado...

— Longa vida a Fili e a Legolas! Príncipes de Erebor e Mirkwood! Futuros reis de Erebor! – gritou alguém da plateia e logo foi seguido por outros. Um coro de vozes foi ouvido e ecoou no grande salão.

— Belo discurso. – comentou Thorin ao sobrinho que apenas assentiu. Fili sentia que suas pernas estavam ao ponto de virarem gelatina. Não tinha ensaiado aquelas falas, logo, não sabia se surtiria o efeito esperado. Devia agradecer a Mahal por tê-lo o inspirado diante daquela tão tensa situação.

— O noivado... – Continuou falando o primeiro rei em um tom alto para fazer que o público se acalmasse e entendesse que a cerimônia ainda não tinha terminado – Não requer troca de broches e tão pouco votos... E sim a minha aceitação do compromisso firmado entre os pretendentes. E não tenho nada a me opor a essa união. Eu, Thorin Escudo-de-carvalho Durin-Bolseiro, primeiro rei de Erebor, concedo a minha benção ao casal, Fili Durin e Legolas Greenleaf. Que em breve o casamento entre eles acorra sem maiores obstáculos.

Com as palavras finais de Thorin sendo ditas e os aplausos lançados. Fili já estava pronto para puxar o seu amado para um tão desejado beijo, mas Legolas se adiantou. Puxou Fili pela a gola de sua túnica, se abaixando para beijar os lábios do seu anão.

Não teriam que temer os olhares críticos a serem lançados...

Não precisavam ocultar o seu amor...

Eles iriam demonstrar a todos ali que os observavam o quão lindo e verdadeiro é amor entre um elfo e um anão.

Notas finais
Longa vida a Legolas e Fili!! E agora começa uma nova fase de Erebor!! Que venham os lemons????