Os dois reis sob a montanha
49 Nova Aventura - Missão de Resgate
Notas iniciais
— Desculpe... — Sussurrou o jovem hobbit, segurando nervosamente a borda de sua camisa, evitando olhar para o primo. Estava envergonhado por seu total fracasso em tentar ocultar a verdade de Thorin, mas o rei anão podia ser persuasivo — ainda mais com aquele olhar avassalador, pior que o fogo do mais terrível dragão. Só bastou um curto olhar para que Kili e Drogo se desesperassem, perdessem a fala e se tornassem incapazes de executar o plano – Eu devia ter feito mais. Digo... Você confiou em mim, e...
A mão quente de Bilbo se colocou sobre a do primo, fazendo com que esse levantasse seu olhar. Ficou surpreso ao ver a feição sorridente e gentil de Bilbo – então, não havia decepção em sua expressão, algo que esperava encontrar no segundo rei.
— Não precisa se preocupar! Sei que você fez o seu melhor. Contudo, também sei que poucos tem imunidade ao olhar fatal do meu querido Thorin. Eu não te culpo!
— Ele parecia muito irritado e triste... Depois de saber que você foi para Dale. Na verdade, nunca o vi tão- Bem... Eu não o conheço há muito tempo, mas ele parecia extremamente decepcionado.
Seu primo soltou um suspiro. E indicou para que Drogo o servisse chá. Estavam sentados em um salão no qual Bilbo tinha denominado “de visitas”; tratava-se de uma sala que servia de passagem para o corredor no qual se encontravam todos os quartos destinados a família real. Antigamente, era só um compartimento sem nenhuma decoração e tampouco iluminação. Tinha um ar um pouco depressivo. O segundo rei resolveu mudar tal ambiente. Um hobbit de respeito deve reverenciar o seu lar e aproveitar os espaços disponíveis, tornando-os úteis, arejados e convidativos. Os anões sabiam ser grandes construtores, mas eram totais ignorantes em relação a decoração. Logo a sala antes morta ganhou vida. Flores frescas. Quadros de paisagens primaveril e outonal. E o toque final: comida fresca. Bilbo sempre fazia chá e biscoitos e trazia para ali, compartilhando com os guardas, alguns servos e membros da família.
Drogo serviu o chá e retirou uma rosquinha para si.
— Thorin pode ser meio... Digo... Totalmente cabeça dura, mas desta vez, a culpa foi minha. Ele estava certo. Me arrisquei muito nessa pequena excursão... Mesmo que... — Bilbo deixou um sorriso transparecer em seus lábios enquanto bebia o seu chá — Uma aventura nunca será algo que conseguirei evitar. Deve ser o sangue Tûk... Mas, enfim, eu não pensei que minhas ações teriam consequências tão negativas, ainda mais levando-se em consideração a marca.
Ao ouvir aquela palavra Drogo levou sua mão ao meio do peitoral, onde deveria se encontrar a dita marca. Lógico que agora não tinha nenhuma letra élfica antiga escrita em sua pele alva. Ainda. Falar da marca gerava a direta associação com Kili. Sabia que um dia teria sua alma compartilhada com o príncipe anão. Aquele destino lhe causava receio pela simples possibilidade de influir no tempo de vida do seu amado... Todavia, aquela marca também era como uma demonstração extrema de amor. Estariam juntos. Na vida e na morte.
— Se algo ocorresse, mesmo que fosse altamente improvável, colocaria em risco não só a minha vida, mas a de Thorin também. E quem iria sofrer mais? O nosso pequeno Frerin! Eu senti a dor de ser órfão... De ter meus amados pais retirados de mim de forma abrupta. Você também compartilha esse sentimento, Drogo... Logo, não desejo um destino assim para o meu filho.
O jovem Bolseiro assentiu em silêncio. Não desejaria um futuro obscuro como esse para ninguém, principalmente o seu primo-segundo.
— Então, vocês brigaram? — Inquiriu, curioso.
— Sim, de certa forma. — Bilbo deu os ombros — Nós sempre discutimos, mas rapidamente nos reconciliamos e... — Um leve rubor dominou o rosto do hobbit mais velho — Digamos que foi uma boa reconciliação.
Agora era a vez de Drogo corar e enfiar a rosquinha na boca, para poder ocupar as mãos. Tinha entendido que tipo de reconciliação tinha ocorrido.
— Mas, ainda não discuti com ele sobre o plano proposto por Bard... Não sei muito bem como ele irá reagir.
“Principalmente, depois da descoberta do ciúme tolo de Thorin...” Analisou em pensamento Bilbo. Aquela descoberta ao mesmo tempo o surpreendeu como também explicou o hábito competitivo que seu marido apresentava quando estava na presença do rei humano. Anões podiam ser bastante apaixonados em suas crenças e extremamente teimosos para mudar de opinião. Convencer ao rei anão de que não havia nenhum rival tentando roubar o seu hobbit seria uma longa e maçante batalha.
A porta da sala foi aberta com um estrondo; um bravo anão adentrou. Pelo visto, o destino estava adiantando a dita batalha. Bilbo já estava sentindo uma dor de cabeça se aproximando.
— Quando iria me dizer que Bard irá participar do plano? — O choramingo de Frerin II, que estava nos braços de Thorin, pelo menos diminuiu um pouco a expressão de fúria do papai-anão. Dwalin também entrou, acompanhando o rei e seu melhor amigo.
— Já sei quem te informou sobre o nosso plano... — Lançou um olhar irritado para o guerreiro anão que apenas pigarreou. Era difícil tentar agradar os seus dois reis, e ambos podiam ser assustadores quando tomados pela a fúria.
— Eu não sabia que era segredo. — Resmungou Dwalin em sua defesa.
— Estava querendo esconder isso de mim, Bilbo? — Inquiriu Thorin embalando o já choroso filho. Frerin, claramente, não gostava de ver o seu pai com aquele humor.
Bilbo rolou os olhos e se levantou, então se aproximou do marido e do filho. Tinha já as mãos na cintura.
Dwalin lançou um olhar para Drogo que logo correspondeu. Sabiam muito bem qual era essa “postura”: era hora da bronca.
— Thorin Escudo-de-Carvalho Durin, eu não estou escondendo nada de você. Deixa de ser desconfiado! E o que tem de errado de Bard participar do plano? Ele quer ajudar- e ainda mais, parece estar ávido por uma aventura! Não pode esquecer que ele tem mais experiência! Já trabalhou como barqueiro, sendo intermediário no comércio entre elfos e humanos na cidade do lago.
— Se ele participar eu vou participar também! — Concluiu, teimosamente, o rei anão. Bilbo soltou um suspiro e tocou a face do seu bebê.
— Frerin, meu querido, por favor, não herde a personalidade tola do seu pai anão, sim?
O infante se remexeu no colo do pai, como que indicando que queria ir ao seu outro progenitor. A contra gosto, Thorin entregou o bebê para Bilbo.
— Não tem nada de tolo em meu pedido.
— Ontem mesmo você reclamou de eu me expor a um perigo desnecessário... E aqui estamos com você propondo tal loucura.
— E achas mesmo que irei permitir que vá sozinho com Bard a essa aventura?
Bilbo rolou os olhos. Então, era isso a sua preocupação.
— Eu não irei participar dessa aventura, em especifico.
— N-não? — O Durin agora parecia surpreso — Eu pensei que...
— Eu sabia que se eu sugerisse a minha participação um certo rei anão iria querer também adicionar sua presença na comitiva esquecendo totalmente que ele é um rei e não pode se ausentar unicamente por sentir ciúmes!
— Ciúmes? Eu não estou com ciúmes! — Resmungou, baixinho.
— E não vou abandonar o meu filho... — Disse isso dando um sonoro beijo na bochecha fofa de Frerin.
Thorin deixou um sorriso transparecer em seus lábios.
— Bem... Então, quem irá participar da comitiva? — Quis saber Dwalin, achando que era o momento correto para interromper a briga do casal real.
— Eu irei liderar. — Fili, o príncipe herdeiro, adentrou na sala sendo seguido por seu irmão, Kili.
— Eu também irei participar! — Anunciou o príncipe mais novo levantando a mão com expectativa.
Thorin negou com a cabeça, claramente discordando da possiblidade.
— Dois príncipes anões em uma missão louca rumo ao reino élfico? Isso seria um desastre diplomático se vocês fossem pegos ou se esse plano desse errado... E se aqueles ruminantes os capturarem, como iriei explicar para o conselho?
— Essa missão é minha! Não irei permitir que outro anão salve Legolas. Sou eu que devo libertá-lo e protegê-lo! — Fili cerrou os punhos tão fortemente que Bilbo temeu que o seu sobrinho ferisse as palmas das mãos e o sangue começasse a verter. Era mais que evidente que por todo esse tempo quem mais estava sofrendo era Fili Durin — sem ter contato com o seu amado, sendo julgado por seu próprio povo devido a escolha de seu coração e a impotência de fazer algo para ajudar, pelo menos até agora. Seria de extrema maldade exclui-lo da missão. Na verdade, era quase certo que de qualquer modo (com ou sem a permissão do tio) iria adentrar no reino elfo e enfrentaria tudo e a todos para resgatar Legolas.
O rei anão soltou um longo suspiro, levou a mão a testa e começou a massagear o espaço entre as sobrancelhas.
— Fili, não pretendo afastá-lo da missão... Só Mahal sabe o quanto gostaria de manter você aqui, seguro, em Erebor. Mas, não seria a primeira vez que você escapa da montanha e adentra em perigosa aventura sem meu consentimento e sem ligar para as consequências.
— Isso é diferente, tio! Antes, eu admito que escapava de Erebor por diversão. Eu não dava a mínima para a punição e nem passava por minha cabeça o quão irresponsável estava sendo. Pondo em risco não só a minha vida mais também o futuro da linhagem dos Durin. Mas, agora é diferente! Não sou o mesmo anão... Essa missão é importante para mim. Não irei abandonar Legolas. Não irei abandonar o desejo de meu coração!
Bilbo sorriu orgulhoso com aquele pequeno discurso. Fili tinha evoluído muito nos últimos meses — na verdade, o segundo rei acreditava que o potencial para um líder já existia no príncipe herdeiro, só agora estava aflorando e mostrando o seu real poder. Thorin parecia compartilhar aquela mesma linha de raciocínio, pois um sorriso, mesmo que tímido (pois, lá no fundo, ainda estava bastante irritado), também se formou em seus lábios.
— Pois muito bem, não vejo motivo para detê-lo. Contudo, quanto a seu irmão... — Mirou Kili, e este estufou o peito ao ver que agora era a sua vez de ser o foco.
— Eu vou aonde Fili for! — Disse com convicção, dando um passo a frente.
— Ser um príncipe já é um grande risco... Não se esqueça que já permiti que partissem em uma jornada para o resgate do primo de Bilbo, Drogo. E o que aconteceu? Foram atacados por orcs, aranhas... Quase morreram!
— Você falou bem, tio. Quase. Nós sobrevivemos e completamos a missão! Juntos! Unidos somos fortes!
Thorin negou com a cabeça, sabia mais do que ninguém como era difícil separar aqueles irmãos. Na verdade, aquilo lhe trazia uma certa nostalgia, afinal, no passado, também fora muito ligado a seu irmão mais novo, Frerin. Tinham planejado lutarem sempre juntos em todas batalhas. Contudo, no primeiro combate que tiveram lado a lado, seu querido irmão sucumbiu. Desejos e sonhos de um futuro gloriosos foram apagados pelo corte de uma lâmina imunda de um orc.
— Thorin... — O toque termo de Bilbo o fez despertar de suas lembranças dolorosas — Entendo o seu receio. Mas devemos confiar neles, afinal não se trata de uma missão que envolva combate físico e tampouco uma guerra — assim espero, pelo menos.
— A missão será apenas um resgate. — Concordou Lord Elrond que silenciosamente tinha adentrando, sem ser anunciado e tampouco notado — E eu mesmo irei garantir que nada de mal aconteça aos seus sobrinhos...
— Como você entrou aqui? — Rosnou o rei anão — Eu não te dei permissão para...
— Eu dei! — Ao lado do elfo estava a princesa de Erebor, Dís — Esqueceu que também tenho autoridade o suficiente para permitir que meu convidado venha tomar uma xícara de chá comigo?
— Dís... — Thorin rangeu os dentes. Tinha uma leve impressão de que sua “querida” irmã fez aquilo para enfurecê-lo. Talvez fosse hora de revisar os limites de poder que conferiu a princesa anã.
— Ainda mais, deixar um lorde acampando nas portas de nosso reino é um pouco mal educado de nossa parte. Ele é um aliado e amigo. Salvou meus filhinhos, logo devíamos conferir muito mais de nossa hospitalidade anã. Não acha?
— Eu acho... — Começou a dizer o rei anão, mas foi cortado novamente pelo tagarelar da irmã.
— Enfim, desde quando eu ligo para o que você acha? — Deu os ombros — Ainda mais, essa conversa toda sobre a dita missão deveria me incluir, como também o lorde elfo. Esqueceu-se de que são os meus filhinhos que irão participar desse plano? Tenho total direito de emitir minha opinião!
— Eu acho... — Novamente o primeiro rei tentou também emitir sua opinião.
— Ela está certa, Thorin. — Interrompeu Bilbo — Sinto muito, Dís. Não queríamos exclui-la...
— Sem ressentimentos, querido Bilbo! Sei que a culpa disso tudo deve ser do meu irmão e não sua.
Thorin estava ao ponto de explodir. Seu rosto estava totalmente vermelho. Drogo sentiu que um desastre estava prestes a ocorrer então, resolveu atuar...
— E-eu também quero participar! — Proclamou levantando a mão, meio trêmula. Todos o miraram. Era bem provável que a maioria tinha até esquecido da sua presença ali.
— E qual seria a sua justificativa? — Inquiriu o primeiro rei. O pequeno hobbit engoliu em seco e tomou coragem para se pronunciar.
— J-já que m-meu primo Bilbo não poderá participar, creio que devo representá-lo. Ainda mais, sou um hobbit. Elfos não sentem nenhuma antipatia por minha raça. Se algum problema ocorrer, posso servir como um membro neutro e tentar resolver as coisas sem violência e com o diálogo... — Conforme falava, mais baixo sua voz ficava; para falar verdade, nem sabia se poderia ser útil. Fora impulsivo. Queria evitar uma briga entre a família real... Mas, talvez desejasse sim participar. Kili iria. Não queria ser apenas um observador! Tinha lutado na última vez! Era praticamente um guerreiro!
— Parece ser um bom motivo para inclui-lo. — Sorriu Elrond.
— Não! — Uma voz firme, entretanto, parecia ter outra opinião sobre o assunto — Drogo deve ficar em Erebor!
Kili nem ao menos mirava Drogo, seu olhar se firmava em Thorin, como que suplicando para o tio proibisse aquela possível adição no grupo.
— E por que eu não poderia ir? — Questionou, já sentindo a fúria o dominando e esquecendo toda a compostura, afinal, estava diante do rei e princesa de Erebor.
— V-você poderia... N-nos atrasar... — O príncipe anão balbuciou ainda sem encarar o seu amante.
— Como é? Repita isso de novo Kili Durin!
— Não precisa ficar irritado...
— Pois eu já estou irritado! Quem enfrentou aquele orc albino enquanto você estava ferido? Posso não saber manejar uma espada tão bem quanto manejo uma tesoura de poda, mas não foi essa falta de experiência que me impediu de proteger aqueles que amo!
Kili corou e engoliu em seco. Thorin arqueou as sobrancelhas e lançou olhar de relance ao esposo que exibia um tímido sorriso nos lábios. Fili balançava a cabeça levemente para os lados, discordando silenciosamente de toda a situação.
— Eu quero te proteger... Não pude fazê-lo quando os orcs nos perseguiam, mas agora eu posso!
— Essa escolha não é só sua! Se desejo ir para Mirkwood salvar Legolas não será você e seu desejo súbito de me proteger de todo o mal que irá me impedir!
— Drogo! Eu só quero... Por Mahal! — Finalmente Kili fitou o hobbit — Será que poderia me deixar fazer o meu trabalho e te proteger?
— Seu trabalho? E o que você acha que é o meu trabalho? Também quero te proteger!
— Você pode fazer isso daqui!
—Aham. Lógico. Pois facilitaria muito o seu trabalho me deixando aqui, eu não te distrairia, seria a perfeita donzela indefesa esperando, paciente, pelo o retorno de seu cavaleiro... Afinal, eu seria um grande estorvo se estivesse na missão!
— Sim... Digo, não! Você não é um estorvo! Tampouco é uma donzela! Mas, você não pode negar que estaria mais seguro aqui, onde há... Sei lá... Milhares de guardas, muralhas fortificadas.
— Acha mesmo que eu me sentiria seguro sabendo que você está lá fora sem eu estar ao seu lado?
Os dois se calaram, mas os olhos, castanhos e azuis, se encaravam, perpetuando uma discussão silenciosa.
— Bem... — Bilbo pigarreou, agora era a sua vez de intervir — Acho que a decisão não cabe, unicamente, a Drogo. Eu e Thorin também temos que aceitar ou não a adição de meu primo a comitiva.
Drogo fitou o Bolseiro mais velho, receoso. Kili, por sua vez, lançou seu olhar de suplica ao tio, algo que ele sabia fazer muito bem.
— Acho que uma coisa vocês anões tem que aprender: um Bolseiro não deve ser inferiorizado por suas habilidades. Somos mais fortes do que aparentamos. Principalmente, devem entender que um Bolseiro nunca irá fugir de um desafio. Somos a família real do Condado. Orgulho e perseverança estão impregnados em nosso sangue tanto quanto nossas virtudes na culinária e agricultura. Se meu primo deseja ir, não vejo por que impedi-lo!
Drogo sorriu, animado pelo apoio.
— Meus sobrinhos tolos e agora um hobbit que parece ser tão teimoso quanto meu amado esposo... — Thorin soltou um novo suspiro — E ainda mais, temo que se eu disser não, vão arranjar um jeito de não cumprir minhas ordens, pois parece que esse título de “primeiro” rei de nada vale para a minha família!
— Aw, Thorin! — Dís deu um pequeno tapa no ombro do irmão — Sendo um dramático, como sempre. Mas ainda falta a minha opinião.
A princesa anã mirou seus filhos, esses pareciam nervosos.
— Eu já percebi que os “machos” Durins tem uma estranha tendência de se meter em situações perigosas e colocar suas vidas em risco. Sei também que somos uma família valorosa e que tendemos sempre a participar dos grandes eventos da Terra Média. Nunca me opus em suas jornadas, meus filhos. Melhor que lutar por honra e ouro, é lutar por amor.
Thorin rolou os olhos com aquelas palavras, ganhando um tapa não tão leve de sua irmã, o que fez resmungar algo na língua anã sobre mulheres e suas mãos pesadas feito um martelo.
— Desejo que sejam felizes e se sua felicidade está associada a essa missão, então não irei ser um obstáculo.
Os príncipes sorriram, aliviados pela a decisão final.
— Obrigado, tios e mãe. — Disse Fili animado — Prometemos retornar ilesos e com um príncipe elfo!
— Espero que o seu plano dê certo! — Ameaçou Thorin a Elrond, que apenas observava tudo com um alegria sucinta. Parecia que o elfo nunca tinha visto uma discussão em família tão fervorosa.
— Você tem a minha palavra, majestade. Não é só o seu sobrinho que deseja salvar o seu amado, afinal. Também desejo me reunir com a minha alma gêmea...
— Você tem um péssimo gosto, escolhendo Thranduil ... — Thorin fez uma careta de nojo, mas essa expressão também pode estar associada a dor, pois seu esposo acabara de lhe dar uma cotovelada. Frerin soltou uns sons inteligíveis, parecia bastante animado com todo o evento.
Fili estava ansioso. Agora não havia nenhum impedimento para salvar Legolas.
Logo teria o seu amado elfo em seus braços, novamente.
***
— Você deveria comer algo... — Sugeriu o servo elfo vendo que, como da última vez, o príncipe tinha negado sequer tocar na sua refeição. Informar ao rei sobre isso era extremamente estressante.
— Não estou com fome.
— Mas seu pai nos informou que essa é sua comida preferida. — Indicou a salada de tomates e cogumelos, numa tentativa tola de fazê-lo olhar para o prato. Sentia pena dos servos, que nada podiam fazer a não ser receber as ordens de Thranduil e não mais, também, de Legolas.
Este não respondeu. Estava deitado em sua ampla cama e fitava o teto; esperava. Tauriel tinha lhe informado que existia um plano para libertá-lo. Disse que teria que esperar. Ter paciência. Elfos eram conhecidos por ter paciência. Isso estava atrelado a sua imortalidade... Talvez...
Mas Legolas não tinha nenhuma paciência.
Queria sair daquela prisão.
Rever Fili.
Beijá-lo.
E fazer tudo que deveria ter feito quando estavam de fato sozinhos.
Sentia saudades de seu toque...
De seus lábios...
Legolas levou a mão ao peito, onde, quem sabe, no futuro iria residir a sua marca. Ligando sua alma ao anão. Perderia sua imortalidade. Provavelmente seria renegado por sua raça. Mas... Não sentia pesar por causa disso. Queria ficar ao lado de Fili. Na verdade, mesmo sem a marca, já sentia seu destino entrelaçado ao príncipe anão.
Falta pouco... Ele logo virá para te salvar!
Foram as palavras de sua amiga dias atrás.
Paciência.
Teria que ter paciência.
Sua barriga roncou. Talvez devesse também comer. Se fosse fugir deveria ter energia também.
— Espere! — Chamou o servo que já estava na porta do quarto — Acho que irei provar um pouco desta salada....
— Oh! Alteza! Seu pai irá ficar tão feliz em ouvir isso!
“ Não estou fazendo isso por ele...” Pensou irritado, mas evitou de pronunciar aquelas palavras.
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