Os dois reis sob a montanha
79 Nas águas...
— Eu não sei se fico surpreso ou assustado? – Inquiriu Fili ao sentir ser puxado para um canto escuro, por seu agora noivo.
— O que? Assustado? Surpreso? Devia se sentir orgulhoso, tal como um professor satisfeito com o progresso de seu pupilo. – Legolas falou isso com um sorriso nada inocente nos lábios, enquanto tateava uma parede próxima, um espaço logo atrás de uma grande pilastra. Não demorou para encontrar o que estava buscando...Uma reentrância que com o seu toque, afundou.
— Oh! – Exclamou satisfeito. Uma passagem foi aberta, um túnel estreito e meio empoeirado. Oculto pela sombra do pilar de modo que ninguém do salão sequer notara o surgimento daquele caminho.
— Então, iremos escapar de nosso noivado por meio de uma das passagens secretas que eu te mostrei? – Inquiriu Fili não conseguindo ocultar o sorriso a se formar no canto dos seus lábios – Se o conselho souber que um elfo tem o conhecimento dessas coisas...
— Não sou qualquer elfo, serei o futuro rei. Obvio que devo ter conhecimento dessas coisas. – Falou isso se enfiando na passagem com o príncipe anão sendo arrastado atrás de si – Está com medo do conselho? Por isso falou que estava assustado?
Havia um claro desafio em sua fala. No estreito túnel dominado pela penumbra, era difícil ver a expressão que o príncipe de Mirkwood estava exibindo.
— O que me assusta é que você me ultrapasse um dia, pelo menos no quesito travessura.— Provocou.
— Hum... Nisso você tem razão. Posso ser bem travesso. – Ouviu o outro dizer, Fili quase podia vê-lo sorrindo. O coração do anão deu um salto em seu peito – E tenho certeza de que já te ultrapassei em muitos quesitos, meu caro professor.
— Não em todos.
— Sério? – Estavam praticamente no fim do túnel – Pois eu duvido...
Fili avançou, tocou uma pedra solta perto dos seus pés só para abrir uma nova passagem lateral. Uma passagem secreta dentro de uma passagem secreta? Anões sem dúvida podiam ser bem imprevisíveis. O príncipe segurou a mão do elfo e o guiou para a nova passagem, antes que este protestasse.
— Vou te ensinar mais uns truques ou dois... – Falou isso se deixando levar pela a passagem que era, ao contrário da outra, escorregadia e ainda mais escura.
Os dois caíram no breu, sendo levados para um labirinto de túneis escorregando pela passagem. Legolas gritou durante todo o trajeto, Fili, por sua vez, apenas gargalhou. Por fim, alcançaram o seu destino, caindo sobre um amontoado de feno. Tinham culminado nos estábulos da guarda real.
— Fili Durin... – Legolas assoprou as mechas loiras que caiam em sua fronte – Não é por que você é bonito e por eu te amar que minha vingança será menos cruel...
Fili tentou conter a risada. Realmente deveria ganhar um prêmio por sua resistência diante da situação. Um elegante príncipe elfo, com uma roupa estonteante, jazia afundando em feno. Para completar, um pônei próximo começou a mastigar parte do feno que tinha caído sobre a cabeça de Legolas. Contudo a coloração amarelada da erva ceifada era por demais semelhante aos cabelos loiros pálidos do elfo...De modo que o pônei não tardou a tomar a liberdade para provar os cabelos de Legolas.
— Oh! Não! – Se levantando de súbito, o elfo tentou se afastar do animal só para enfiar seu pé em um monte de terra...Não. Tinha se enganando, pelo cheiro e textura, não se tratava de terra.
— Por Aüle! – Exclamou depois de adicionar uma série de pragas élficas.
— Uma forma interessante de escaparmos de nossa festa de noivado, não é mesmo? – Sorriu Fili oferecendo a mão para o noivo.
— Muito interessante, sem dúvida! – Rangeu os dentes, mas aceitou a mão oferecida – Uma forma ainda mais interessante de começar a nossa vida como noivos...
— Pois é, isso só prova que nossa vida como um casal não será nada monótona.
— Nunca imaginei que seria. – Disso com um certo ar de empáfia – Sabia que estava me metendo em uma grande aventura quando aceitei seus flertes...
— Já se arrependendo?
Legolas se abaixou para roubar um beijo dos lábios de Fili. Não foi um beijo leve, um simples roçar de lábios. Não. Foi um beijo cálido. Gemidos abafados. Dentes colidindo. Línguas provando uma a outra. O mundo a sua volta estava quase que esquecido. O cheiro do estabulo, filtrado pelo fervor dos toques e caricias. Como se conjurassem uma cúpula de vidro, os isolando do resto...Isso podia ser a realidade para eles, mas não para os outros que porventura os encontrassem.
— Dwalin! Por favor...
— Ori, é só um beijo o que lhe peço!
— Não tente fazer essa cara de cachorro pidão. – Resmungou o bibliotecário – Eu já estou praticamente imune as suas táticas. Afinal, sei que com você um beijo pode levar a outras coisas.
— Coisas? Que coisas?
— Dwalin! Pior que a cara de cachorro pidão é a cara de falsa inocência.
— Pelo visto, tenho muitas caras, não é mesmo?
— Sim...Eu reparo nelas. Devia até escrever um livro sobre elas...
— Hum...Meu Ori sempre prestando tanta atenção em mim. Sinto-me honrado.
— Dwalin, controle as suas mãos!
— Shhh...Estamos sozinhos aqui. Seus irmãos mais velhos nem estão à vista! Em meio a tantas comemorações, casamento e noivado dos príncipes, quem iria vir aos estábulos?
— Er... Talvez eles. – Ori falou isso apontando para um determinado casal que estava bastante envolvido em sua tarefa de alcançar o ápice de seu prazer, ali mesmo, no meio ao feno e estrume.
— Fili? Príncipe Legolas? – Dwalin podia ser mais discreto, mas a surpresa fez com sua voz, mais alta do que o normal, assustasse os pôneis e cavalos que ali estavam. O relinchar parece ter chamando atenção do casal real.
— Dwalin? – Fili falou, meio abobado. O efeito do beijo e caricias tinha amolecido seus neurônios, mas outras partes do seu corpo estavam bem rígidas (em contraste).
— Oh! Por Eru... Hoje é o dia de eu morrer de embaraço, só pode. – Resmungou Legolas tentando ocultar seu rosto corado em meio as suas mãos.
— Pensei que vocês estariam na festa ou em suas acomodações... E não aqui! – Implicitamente Dwalin estava querendo dizer: um estábulo não é um local para se encontrar príncipes e futuros reis de Erebor em atividades nada castas! Uma atitude nada apropriada para o herdeiro ao trono!
— Nós já iremos sair. – Cortou Fili com um sorriso forçado – Deixarei o local livre para vocês continuarem as suas atividades, vieram aqui escovar os pôneis, presumo?
Implicitamente, Fili estava dizendo: Eu sou proibido de usar o estábulo para namorar, mas você, nobre guarda real, pode utilizar o espaço para o seu bel prazer? Interessante. O que será que Nori e Dori iriam achar disso?
— S-sim. Escovar os pôneis. – Disse Ori, nervoso. Não gostando do olhar fulminante que Dwalin lançava ao príncipe.
— Oh! Nós também estávamos escovando os pôneis, não é mesmo Legolas? Então vocês irão fazer o mesmo que nós...Maravilhoso.
— Hã? Escovar os pôneis é algum tipo de eufemismo para dar uma amasso? – Sussurrou Legolas sem entender, corando em seguida por ter notado que seu questionamento poderia ser ouvido pelo outro casal que ali estava. Na verdade, sua fala não foi cortês, talvez isso fosse culpa da influência de Elladan.
— Fili... – Dwalin rangeu os dentes tal como um cachorro raivoso. Pelo visto, ele guardava a face "cachorro pidão" unicamente para Ori.
— Melhor irmos! – O nobre príncipe anão disse, saindo com Legolas do estábulo. Sim, ele sabia que era divertido provocar Dwalin, mas também tinha consciência do limite dessa provocação. Dwalin não era do tipo de ladra e não morde...Definitivamente iria morder!
— Então...Ori e Dwalin são um casal? – Sussurrou Legolas, ainda tentando entender o que tinham acabando de vivenciar.
~***~
— Sem mais aventuras nos estábulos. – Sentenciou Legolas assim que chegaram ao quarto deles. Sim, aquelas acomodações reais agora eram deles: Legolas e Fili. O príncipe anão não devia ficar tão feliz com aquele simples fato, mas sim estava radiante. Os meses de inverno foram focados na reforma das acomodações reais, tanto de Fili quanto de Kili. Antes, os dois príncipes dividiam o mesmo quarto. Era divertido recordar daquela época de sua infância e adolescência. Quantas traquinagens eles tinham se metido. Quantas dores tinham compartilhado. E agora estavam separados para seguir suas próprias vidas e sonhos. Formando suas próprias famílias. Bem, não estavam assim tão separados, pois o quarto de Kili e Drogo só estava a uma porta de distância.
A reforma no quarto de Fili foram bastante drásticas, pelo menos do ponto de vista dos anões. Legolas exigiu algumas adaptações a seu próprio estilo de vida. Afinal, viver enclausurado debaixo da montanha não devia ser confortável a um elfo cuja o estilo de vida residia na liberdade da floresta. Por isso, agora eles tinham uma varanda cuja paisagem exibia, ao longe, Mirkwood.
Outra adição a planta do quarto foi o banheiro. Não que os anões não tivessem banheiros! Sim, eles tinham. Entretanto a versão anã era bem prática, sem dar espaço para nenhuma regalia ou adornos. Já os elfos vinham o banho como algo quase que sagrado. Como consequência, o banheiro se transformou em algo muito semelhante a uma casa termal, com direito a uma ampla piscina com águas mornas e perfumadas. Fili recordou como os engenheiros e arquitetos anões expressaram indignação ao construírem aquilo, porém ao final, até estavam satisfeitos com sua criação. De fato, a piscina quase parecia um singelo lago natural, nas estranhas da montanha. Pilares de pedra vertiam do teto tal como estalagmites e estalactite que se encontraram no meio de seu crescimento continuou pelo intemperismo. Algo rústico e belo. Isso provava que as culturas anãs e élficas juntas podiam construir coisas inovadoras e admiráveis.
— Estou fedendo a cocô e a baba de cavalo... – Continuava a resmungar Legolas se livrando de suas sandálias, enlaçadas com diversos fios. Era algo belo e complexo...Fili nem saberia como seu noivo poderia se desfazer do entrançado e dos nós, mas com destreza fenomenal o elfo se livrou do calçado.
— Se serve de consolo, acho que você continua lindo...Com ou sem fedor...Com ou sem feno nos cabelos. – Falou todo galante.
—Hum...Eu estava pensando seriamente em te deixar dormindo na soleira de nossa porta, sabia? Mas com todas essas amabilidades... Posso mudar de ideia.
— Me deixar na soleira? Assim não seria uma noite de núpcias, não é mesmo? – Sorriu o príncipe – E não me lembro de você reclamar...Quem iniciou o beijo não fui eu. Pelo que me lembro, o estábulo foi bem excitante.
— Quase fizermos amor lá! Isso seria horrível! – Ralhou o elfo.
— Seria? – Fili realmente não se importava com o lugar desde que este fosse junto com Legolas. Talvez não fosse tão romântico quanto o seu irmão...Kili passou as últimas semanas no jardim de Drogo, o transformando em uma verdadeira maravilha. Será que Legolas queria algo semelhante? Agora se sentia culpado por simplificar demais a situação.
— Sim...Ainda mais quando planejei tanto... – Resmungou.
— Planejou? – Isso chamou a sua atenção.
Legolas o mirou, seus olhos azuis faiscavam, tal como a mais majestosa pedra preciosa. Novamente, Fili sentiu seu coração acelerar. O que será que Legolas tinha planejado?
— Me acompanhe no banho. – Não foi um pedido e sim uma ordem, Fili atendeu com entusiasmo.
Os dois se dirigiram ao banheiro/banho termal. Ao logo do caminho, Fili se desfazia de suas roupas. E eram várias, tendo em vista a capa que usava, túnica, casaco, joias. Estava deixando uma verdadeira trilha de despojos. Entretanto, Legolas só tinha se desfeito de sua coroa, a qual deixou delicadamente sobre um dos móveis antes de entrar no banho.
— Legolas...A sua túnica. – Comentou, ao ver o elfo se dirigir para o lago artificial. A luz da lua adentrava e iluminava as águas transparentes. Os arquitetos anões realmente eram excelentes em seu ofício, por meio de espelhos e estreitos túneis, trouxeram para aquele cômodo a iluminação natural do exterior.
Legolas colocou os pés nas águas quentes e começou a descer os degraus. Apesar de parecer uma lagoa, ainda fora arquitetada por mãos anãs, isso significava ter degraus e um piso liso.
— A sua roupa! – Exclamou.
— Esse tecido é especial – Informou Legolas, sem encará-lo – Moldado não por fios e sim por magia élfica.
— Magia... – Balbuciou Fili, arregalando os olhos. Já iria fazer questionamentos, mas o que aconteceu em seguida calou qualquer dúvida que brotasse de sua mente.
A túnica de colorações castanhas amareladas, o bordado como folhas outonais sobrepostas uma as outras, começou a se dissolver. O que antes parecia tecido, se tornou líquido e se alastrou pelas águas da lagoa. Um doce perfume e uma leve bruma também se propagaram pelo ambiente. O banheiro todo se transformou em uma questão de segundos.
— Magia élfica... – Voltou a repetir, ainda mais maravilhado.
No meio do lago, totalmente nu, estava Legolas, sorrindo de forma sedutora.
— Meu pai quis adicionar afrodisíaco no encantamento que compõe minha vestimenta, mas eu neguei...Não precisamos de nenhuma substância para nos estimular sexualmente, não é mesmo?
Fili, lentamente, negou com a cabeça. Com certa hesitação, o príncipe anão se aproximou da água. Se sentiu envolvido por aquela bruma sobrenatural. O cheiro era reconfortante e, de certa forma, lembrava o ar primaveril de Mirkwood.
— Esse foi o seu plano? – Inqueriu. Cada vez mais perto do seu alvo. Se era possível o elfo ficar ainda mais belo?
— Queria que nossa primeira vez fosse especial... Gostou? – Parecia que Legolas estava receoso. Bem, nem todos em Erebor iriam receber com bons olhos algum truque dos comedores de folhas. Mas, Fili a muito tempo abandonou tal pensamento limitado e preconceituoso.
— Eu adorei. – Admitiria, elevando a sua mão e tocando a face do seu amor – Pelo visto você também tem um truque ou dois a esconder...
— Truques que não pretendo te ensinar. – Sussurrou, deixando sal cabeça pender, se deixando acomodar na mão áspera do seu anão.
— Isso é injusto... E por que eu não poderia aprender?
— Porque eu pretendo sempre te surpreender. – Mas dessa vez foi Fili e não Legolas, que tomou a iniciativa. Suas bocas se colidiram em um molhado e ardente beijo. Havia uma certa urgência em seus toques e ações. Quanto tempo esperavam por aquilo? A liberdade de se amarem em sua totalidade? Sem limites e imposições.
— Eu te amo. – Deixou escapar Fili, entre um beijo e outro – Por Mahal...Como eu te amo...
Legolas sorriu, não era o tipo de sorriso provocador ou com aquele ar de superioridade que as vezes ele insistia em exibir. Não. Era um sorriso meigo, repleto de sentimento.
— Também te amo...Fili.
Com essa declaração, advindo do fundo do coração de ambos, o casal recomeçou a se beijar. Desta vez, mais lentamente. Saboreando o momento. Legolas abriu a boca permitindo que a língua de Fili invadisse. Provando e conquistando cada espaço. O elfo deixou que suas mãos navegassem pelo corpo do anão. Primeiro seus ombros, para depois descer por seu peitoral. Anões, ao contrário dos elfos, são musculosos. Brutos como a rocha a qual eles tanto garimpam. Aquilo fascinava Legolas.
Fili, vacilante, interrompeu o beijo. Com afabilidade, guiou Legolas até a beirada da lagoa, aonde se sentou em um dos degraus, só para ter o príncipe sentado em seu colo. Fili o abraçou com ternura.
— Peço perdão...
Legolas piscou várias vezes, confuso.
— Perdão? Pelo o que?
— Você planejou tudo isso e...Eu te fiz cair em um monte de feno e ter a cabeça lambida por um pônei.
— Não esqueça de minha sandália...E o esterco.
— Sim. E o esterco.
— Eu achei divertido. – Riu o príncipe elfo – Sair da monotonia e do previsível.
— Prometo que quando nos casarmos, nossa noite de núpcias será formidável. – Insistiu.
Legolas rolou os olhos. Virou-se para encarar o seu anão, colocando suas mãos ao redor do rosto de Fili.
— Tolo. Fala como se tivesse estragado algo. Como se eu tivesse decepcionado. Eu estou feliz... Esse momento é só nosso. E pretendo aproveitá-lo ao máximo. Então, pare de pensar em noites de núpcias futuras e concentre-se no que tens no presente.
Fili sorriu.
— Acho que posso fazer isso.
— Perfeito e ahhh! – Legolas tinha baixado a guarda, não tinha percebido que enquanto conversavam, as mãos de Fili tinham avançado para além dos "limites". Massageando sua coxa e subindo para o espaço entre as suas pernas.
As mãos dos elfos sempre foram macias, mesmo depois de anos de treinamento com espadas e arcos. Por isso a sensação era tão exótica quando Fili o tocava. Os dedos ásperos e grossos dos anões, contrastando seus próprios dedos longos e delicados. Quando ele massageado o seu pênis, pressionando o seu polegar sob a cabeça. Brutos e ao mesmo tempo gentil. Quanto prazer aquilo lhe dava.
— Fi- Fili... – Arfou, a água tinha se tornado turva devido ao encantamento de sua túnica. Não podia ver o que Fili fazia em seu órgão. Mas podia sentir. Ele massageava. Esfregava com carinho. Depois começou os movimentos rítmicos. Para cima e para baixo. Estocadas lentas e provocantes.
— Eu... – Sua mente já não conseguia funcionar de modo a pronunciar as palavras com lógica. Gemidos manhosos saiam de seus lábios, mais do que palavras.
Não...Uma palavra era constante.
— Fili! – Gemeu, segurando o ombro do anão.
O príncipe de Erebor, como resposta, só tornou seus movimentos mais rápidos e intensos. O seu limiar estava sendo alcançando.
— Relaxe, meu tesouro. Se derrame em minhas mãos. – Com aquelas palavras, Legolas alcançou o seu ápice. Ejaculando sobre as mãos habilidosas de seu amado. Mesmo que seus sentidos ainda estivessem entorpecidos pelo prazer, não pode conter o seu assombro com palavras ditas anteriormente.
— Você...Falou em élfico? – Murmurou, talvez tivesse sonhado. Realidade e sonho podiam estar confusos em meio aquele feitiço.
— Sim. – Confirmou Fili, o sotaque era forte, mas a língua ancestral de Legolas estava ali, sendo falada por um anão.
— Você está mesmo surpreso, não é mesmo?
— Você sabe...A minha língua...
— Bem, pedi para Bilbo me dar algumas aulas...Ainda tenho dificuldade em algumas palavras. Verbos....Mas, achei que já que você está deixando Mirkwood para ficar ao meu lado, o mínimo que eu poderia fazer é aprender um pouco de sua cultura e língua, para que não se sentisse tão sozinho aqui, tão deslocado e...
O resto da explicação foi interrompida, já que Legolas tinha dando um tremendo beijo em Fili.
— E você dizendo que não tinha nada especial para me dar... Por Eru e todos os valar! Você consegue ser romântico sem ao menos tentar!
Fili deu uma risada incerta.
— Obrigado?
— Ainda não acabamos, sabe? — Disse Legolas em sua língua mãe – Ainda temos muito o que fazer...
— Legolas...Eu ainda não sou tão bom em sua líng... – O príncipe de Mirkwood resolveu demonstrar ao invés de continuar falando, tocando o grosso e grande membro de Fili.
— Ah... Já entendi o que você quer.
— Perfeito. Mas antes eu quero provar o seu falo...
Fili arregalou os olhos.
— Eu ...Acho que entendi o que você disse ... – Dando um meio sorriso, se levantou subindo mais degraus até se sentar a beira da lagoa.
— Hum...Seu élfico parece ser muito bom quando o assunto pertinente é safadeza, não?
— Talvez eu tenha estudado mais determinado tipo vocabulário. – Admitiu dando os ombros.
Legolas teve que sorrir para isso, mas sua atenção logo se voltou para o pênis de seu noivo. Seu pai estava certo contra a descrição. Anão eram sem dúvida bem dotados. Outra discrepância entre as raças.
O elfo acariciou o membro com gula. Sem se conter, começou a lamber. Da base a cabeça. Sentindo a pulsação do roliço órgão, reagindo ao seu toque. Mordicou a cabeça, arrancando um gemido que mais parecia um rosnado do seu noivo. Puxou com os dentes a pele do prepúcio, deixando amostra a glande.
— Legolas...
— Hum? – O elfo o ignorou, concentrando em abocanhar com apetite o membro que tinha diante de si.
— Mahal! – Gritou Fili. Ver Legolas com sua boca preenchida completamente por seu falo. Os olhos azuis, agora turvos de desejo. A saliva escorrendo de seus lábios avermelhados.
— Lindo... – Balbuciou encantado. Bem, logo depois não conseguiu mais falar, pois logo depois Legolas começou a chupá-lo.
Legolas era um guerreiro habilidoso e feroz. Tais características, felizmente, não se limitavam a arte do combate... Ali estava a habilidade. Ali estava a ferocidade. Em cada movimento de sua língua. Em cada caricia. Em cada gemido. Em cada olhar. Fili sabia que tinha perdido aquela batalha...
— Assim está bom. – Determinou Legolas, se livrando do pênis do seu amado. Uma linha de saliva ainda interligava a sua boca ao excitado membro.
— Bom? – Fili queria argumentar contra essa descrição.
— Bom para o que está por vir. – Explicou com total seriedade.
— O que está por vir... – Repetiu Fili com um sorriso nos lábios. Legolas se afastou nadando nas águas quente do lago, mas seu "escapar" foi interrompido, pois Fili o puxou para si.
Legolas riu, mas sua risada logo se transformou em sons mais prazerosos. A água quente os envolveu como uma capa protetora. O elfo sentiu suas pernas serem afastadas. Também sentiu suas nádegas serem massageadas e entrada sendo tocada. Seu corpo tremeu. Um calafrio deleitoso trespassou o seu corpo.
Antecipação.
Ansiedade.
— Fili...O que está esperando?
O príncipe anão, se não tivesse tão excitado, teria rindo de tal comando. Mas ele mesmo não podia esperar.
— Eu devia te preparar...
— O encantamento serviu justamente para isso, Fili Durin. Eu não preciso ser preparado... Não precisa se conter.
Aquilo era tudo que Fili gostaria de ouvir no momento. Não iria se conter.
Posicionou o seu membro. O penetrou lentamente. Legolas gritou. Dor e prazer estavam vinculados em um paradoxo de emoções. Estavam unidos. Ambos podiam sentir o poder da marca os envolvendo. O entrelaçar das almas e do destino. Lágrimas começaram a rolar dos olhos de Legolas. Algo queimou em seu peito.
A marca havia se formado.
— Legolas... Você sente dor? Devo parar?
— Nem pense nisso... Se você parar, eu juro que pego minha espada e irei cortar o seu precioso falo fora! – Rangeu os dentes. Quem disse que elfos eram dóceis e delicados, não conhecia Legolas Greenleaf...O príncipe agora parecia se tornar uma verdadeira fera.
— Então devo continuar. – Não fora uma pergunta e sim uma constatação. Começou a se movimentar. Estocando fundo e com força. Os movimentos eram rítmicos e quase que hipnóticos. Tal como dança dos amantes, sobre a melodia da paixão.
As mãos de Fili agarravam com firmeza a cintura esguia do elfo. Forçando-o contra si a cada estocada. Enfiando ainda mais fundo o seu membro.
Legolas não mais falava, só gemia e demandava por mais. E Fili não iria negar o comando de seu noivo, futuro esposo e segundo rei de Erebor.
Mas aquela dança estava preste a chegar ao seu fim. Ambos sentiam isso com misto de pesar e necessidade de alcançar o pico de seu prazer.
— Fili... – Agora Legolas dizia palavras que para Fili lhe era desconhecido. Na verdade, até mesmo o príncipe anão balbuciava incongruências em sua própria língua mãe.
Errático era os seus movimentos. Ávidos estavam por sentir mais.
E sentiram. Em um urro de puro deleite ambos, em sincronia, alcançaram o seu limiar.
A bruma começou a se dissipar, mas o cheiro doce agora mesclado por suor de seu amor. Legolas deixava a sua cabeça repousada sobre a cabeça de Fili. Ambos estavam ofegantes, cansados, mas satisfeitos.
— Isso sim foi maravilhoso... – Murmurou Legolas, sentindo sua voz fraquejar.
— A marca... – Fili notou as palavras agora formadas no peito de seu amante.
— Pois é... Está começando a se arrepender? A coisa está ficando bem séria agora...
Fili riu. Olhou para cima, para fitar a face de seu amado noivo.
— Nunca. Nunca irei me arrepender de você. Do que nós temos. De nossa vida. Juntos. – E o beijou, com a mão tocando as palavras marcadas na pele de seu elfo. Agora eram um. Verdade era que eles já eram um antes, aquilo só era a formalização de um fato. A formalização do amor que ambos compartilhavam com tamanha intensidade que suas almas se entrelaçaram em uma culminam profunda. Iria durar conforme suas vidas perpetuassem...
Fale com o autor