Notas iniciais
Ola! Novo capitulo! Já agradeço as recomendações para a história! obrigada! ^^ Mesmo mesmo! *chora de emoção* Isso incentiva a escrever mais... Obrigada de novo! Agora aproveitem!

Bilbo abriu os olhos, já que uma certa luminosidade adentrava no quarto. Nem tinha reparado que havia janelas com vitrais; eram pequenas, contudo, os raios solares penetravam pelos seus vidros coloridos e formavam imagens de anões no ato de mineração. O hobbit parecia meio confuso aonde deveria estar, não reconhecendo o acampamento que estava acostumado a acordar ao longo daqueles meses de viagem. Estranhou não sentir o solo duro ou a relva por debaixo de si; ao invés disso tinha um colchão fofo e confortável.

“Onde estou?” Pensou, tentando assumir a posição sentada, mas uma forte dor na parte inferior do seu corpo o fez interromper o processo. “Por que estou dolorido?” Logo as imagens da noite anterior vieram a sua mente. O casamento, coroação, festa e principalmente a noite de núpcias.

– Por Yavanna!? O que eu fiz? – Falou baixinho, surpreso com suas próprias atitudes. Pensara que iria resistir mais! Contudo, acabou se entregando ao anão. Mesmo que agora eles fossem casados, tanto por meio do contrato quanto pelo o ritual anão, não significava que teria que entregar o seu corpo logo na primeira noite! Mesmo que aquilo fosse uma tradição.

“Não me lembro de você resistir a ele... Ou mesmo de não gostar do que ele estava fazendo!” Sua consciência falava em sua cabeça, o que resultou no corar do rosto do hobbit. Sim, de fato, não iria negar que tinha gostado. Sentia algo por Thorin, mas ainda não sabia dizer o que era. Seria atração meramente física ou algo mais?

– Falando em Thorin... – O jovem Bolseiro notou que o outro lado da cama estava vazio. Bilbo tocou as cobertas e travesseiros daquele lado e não sentiu o calor advindo do seu marido e isso indicava que a tempos ele teria levantando.

– Aquele anão estúpido! Que marido deixa o seu esposo sozinho na manhã seguinte a noite de núpcias?! – Bufou o jovem segundo rei, cruzando os braços diante do corpo, já imaginando a longa conversa que teria com o anão quando este retornasse.

Um leve toque foi ouvido da porta.

– Majestade? – Uma voz rouca advinda de fora do quarto falou – Está acordado?

Bilbo olhou para o seu corpo nu e corou, levantando as cobertas e se cobrindo.

– Q-quem é?

– Que bom que está acordado! – Disse a pessoa adentrando o recinto.

– E-eu disse “quem é” e não permiti a sua entrada! – Disse o hobbit aflito. Porém já era tarde; um anão de barbas e cabelos cinzentos e com uma estranha corneta de metal no ouvido tinha invadido o quarto.

– Não seja tímido! – Riu o anão, se aproximando da cama – Eu sou Óin, o curandeiro real. Vim aqui para te avaliar.

– Avaliar? E eu não estou sendo tímido! Além disso, não estou doente! – Bilbo não estava nada contente com aquele anão ali, principalmente levando-se em conta a sua nudez.

– Sim, deves estar dolorido, não? Depois da sua noite com o primeiro rei...

– Isso não é da sua conta! – Cortou o hobbit.

– Pelo o contrário, sou o curandeiro, e meu dever é cuidar da saúde dos membros da família real!

– Eu posso me cuidar sozinho, muito obrigado pela preocupação. Se o senhor puder me dar licença, gostaria de ficar sozinho.

– Como eu disse antes, não precisa ficar tímido! Sei que vocês hobbits são pequenos e não devem estar acostumados com o tamanho de nós anões. Principalmente com relação a Thorin que, aliás, é bem dotado!

Bilbo sentiu que até suas orelhas estavam vermelhas. Sinceramente, não queria discutir aquelas coisas com um desconhecido. Na verdade, não queria discutir aquele tipo de assunto muito íntimo com ninguém!

– Eu estou extremamente bem, senhor Óin! Já disse que não preciso de ajuda.

O anão mais velho suspirou longamente.

– Thorin me falou que você poderia ser teimoso...

– Oh. Ele falou? – Arqueou as sobrancelhas o jovem rei – E onde estaria o meu adorável marido esta manhã?

Óin riu baixo, parecendo se divertir com o sarcasmo na voz do pequeno.

– Ele tinha uma reunião com o conselho logo cedo. Devo enfatizar que ele não queria te acordar e me instruiu para tomar conta do seu bem estar físico.

– Que fofo da parte dele — Rosnou Bilbo – Já disse que estou bem, não preciso de ajuda.

– Pois muito bem, por que não levanta da cama então? – Desafiou o curandeiro.

– Ora... — O hobbit olhou para os lados meio receoso, nem conseguia ficar sentado direito – Eu... Não quero me levantar agora!

– Nem para provar que eu estou errado e você certo?

Bilbo não sabia o que fazer. Odiava ficar encurralado daquele jeito.

– Certo. Você venceu. Eu não consigo levantar porque... Porque...

– Não precisa dizer. — Nisso, Óin já levantava as cobertas e Bilbo gritou.

– O que você pensa que está fazendo?! – Puxou as cobertas para si novamente.

– Vou analisar se houve algum ferimento...

– Não precisa analisar. Só me dê algum remédio para parar com a dor!

– Mas se estiver machucado o seu an...

– Eu mesmo olho! – Cortou Bilbo, antes que ele falasse algo mais.

– Como?

Novamente o tom de desafio do outro anão fez Bilbo ficar em silêncio. De fato, como iria analisar aquele “local”?

“Maldito anão...” Por mais que desejasse negar, o anão estava correto.

– Majestade, sei que não é algo confortável de se compartilhar com alguém... Mas eu sou um curandeiro experiente, tratei de ferimentos muitos mais graves durante as batalhas que vivenciei do meu povo. Não tem nada a temer, serei profissional! O que não deve ocorrer é você ficar sofrendo algo que pode ser remediado. Além disso, poderei responder a perguntas de caráter médico caso tenha alguma.

O hobbit ficou em silêncio por alguns minutos. Aquelas palavras o fizeram pensar.

Quando estava no Condado, não tivera contato com nenhum curandeiro, tratava de seus ferimentos e doenças sozinho. Às vezes pedia ajuda a sua avó Tûk por conselhos e remédios caseiros, mas não não era nada profissional. Não podia negar que Óin estava correto no que dizia. Por mais envergonhado que a situação fosse, teria que deixá-lo examinar.

– Pois muito bem. — Concordou o jovem rei – Você pode fazer o que veio fazer.

– Obrigado, majestade — O anão deu uma pequena reverência.

– Bilbo.

– Perdão? – Óin ajeitou a corneta de metal para ouvir melhor o que o outro tinha dito.

– Eu disse que o meu nome é Bilbo. Não precisa me chamar de majestade.

– Oh! – O anão curandeiro sorriu – Então, Bilbo... Daria permissão para ver o seu corpo?

Bilbo corou, relutante assentiu. Óin retirou as cobertas que cobriam o menor e começou a analisar o corpo.

– Hã? Que estranha marca é essa? — Perguntou o anão, tocando o peito do hobbit.

– Q-que marca? – Bilbo olhou para onde o outro apontava e logo notou uma estranha marca em seu peito. Na verdade, eram palavras escritas em élfico antigo. O pequeno hobbit já havia as visto antes, em um livro antigo que encontrou no Bolsão. Trata-se de um livro sobre Breeders; o único que se salvou da destruição causada pelos orcs. Nele, descrevia-se algumas características básicas dos Breeders e foi esse livro que o auxiliou a preencher o vazio de conhecimentos que Bilbo tinha sobre aquela área. Tanto que ainda lhe restava muitas dúvidas sobre o assunto. Entretanto, por ser o único Breeder e também um dos últimos descendentes da família real Bolseiro, não havia ninguém para conversar ou para ensiná-lo.

– Isso é uma tatuagem? – Perguntou Óin, um pouco preocupado, tirando uma lupa de um dos vários bolsos de seu casaco – Parece... Uma cicatriz! Não tem tinta na pele. Parece que foi escrito na carne. Mas não é como fosse um ferimento... Estranho.

– É a “marca” — Sussurrou Bilbo, acariciando o local, ainda impressionado com aquilo.

– “Marca”? – Novamente o anão ajeitou a corneta como para ampliar sua audição –O que seria isso?

–Eu li em um livro que... Quando um Breeder ...Bem...-As bochechas do Hobbito coraram, novamente não se sentia confortável em tratar destes assuntos, afinal já estava acostumado a deter tais informações para si mesmo...Mas teria que contar, Óin era o curandeiro além disso tinha certeza que iria informar tudo a Thorim cedo ou tarde teria que falar – Quando um Breeder perde a sua virgindade...Com aquele que será o seu companheiro essa marca aparece em seu peito, está escrito em uma língua élfica antiga...

–Élfico? –O anão parecia não ter gostado muito daquela informação.

–Nós Hobbits da família Bolseiro temos uma ligação com os elfos... Conta-se a lenda que o primeiro Bolseiro se relacionou com uma elfa e desta união surgiu os primeiros descendentes da linguagem... A capacidade de ser um Breeder é derivado dos elfos.

–Hum... Então os elfos machos podem também albergar vida em seus ventres?

–Acredito que sim... Eu nunca tive contato com elfos ao logo da minha vida...A não ser agora ao longo da viagem. O que eu estou contando são lendas e histórias que são contadas no meu reino... Não sei se são reais ou não...Quem poderia saber deveria ser meu pai ou outro membro mais velho do clã Bolseiro, contudo todos eles já morreram...

–Você tem orelhas pontudas como os elfos...Mas nem tão pontudas assim! –Analisou Óin –Sem falar que não tem muitos pelos pelo corpo... A não ser nos pés... Talvez tais contos estejam certos, no princípio seu clã e sua raça podem ter tido alguma ligação com os elfos... Mas ao longo dos anos o vestígio elfo foi se dissipando na descendência a não ser na linhagem dos Bolseiros na qual a característica de ser Breeder ainda permanece, contudo nem todos os Bolseiros homens tem essa capacidade...-O curandeiro parecia falar mais consigo mesmo do que com Bilbo, como estivesse raciocinando sobre a situação, mas o Hobbit concordava com aquele raciocínio e de certa forma se sentia feliz por ter alguém com quem poderia discutir sua natureza e origens.

– E o que essa “marca” significa?

– Pelo o que sei, significa que a minha alma está entrelaçada com a do... -Empalideceu. Tinha esquecido totalmente daquela informação; como pôde esquecer sobre assunto tão crucial?

– Com a do...?

– T-Thorin. — Balbuciou.

– Isso é bom ou ruim?

– Você sabe que hobbits não vivem muito tempo... Pelo menos não se comparado a anões ou elfos.

– Isso é verdade... — Óin massageou a sua barba pensativo.

– Mas um Breeder, após ser “marcado”, viverá conforme vive o seu... Companheiro.

O anão curandeiro se sobressaltou com a informação.

– Desculpe, Bilbo. Acho que não compreendi o que disse — Pegou a corneta e a limpou rapidamente, depois recolocou no ouvido – Poderia repetir?

– Eu estou tentando dizer que... Agora eu irei viver o tempo que Thorin viver. Meu tempo de vida se adaptará com o dele! – Bilbo mordeu o seu lábio inferior. Lágrimas se formaram no canto dos seus olhos. Tinha se esquecido daquilo... Como pôde esquecer? Agora não só estava preso a Thorin pelo contrato, como também pela vida!

– Bilbo... — O anão não sabia como agir diante do hobbit choroso – Isso não é algo ruim.

– Você não entende — Chorou o menor – Eu perdi totalmente a minha liberdade. Nem tenho mais o direito de morrer...

– Isso não é bem verdade. Sua vida pode estar agora dependente do primeiro rei, mas aposto que você ainda poderia morrer por doença ou por um acidente. – Falou o anão mais velho – Essa “marca” deve se referir somente que o seu tempo de vida vai ser ampliado. Afinal, deve-se levar em conta a função biológica dos Breeders... Devem fornecer filhos ao seu companheiro. Se morressem cedo ou vivessem pouco, poderiam não ser capazes de garantir o cumprimento de sua função, deste modo a “marca” é uma garantia. Isso deve ser uma magia élfica do passado... Magia antiga que, com o passar de tantos anos, não deve ser mais desfeita, pois acredito que nem essa língua é mais falada entre os elfos... — Referia-se a palavra escrita no peito de Bilbo.

O hobbit enxugou as lágrimas com a costa das mãos. Nunca tinha parado para pensar daquela forma... Mesmo assim se sentia preso ao destino, forçado a seguir um determinado caminho imposto por forças ocultas. Não gostava de ser forçado a nada; ter de receber ordens, de ser submisso. Quase o fazia sentir como um escravo.

– Eu não sou romântico, mas... Realmente, seria ruim viver ao lado do seu companheiro até o final? Morrer juntos... Trata-se de uma opção que muitos de nós não tivemos; eu mesmo perdi a pessoa que amava no ataque do dragão. Às vezes penso que como se uma parte de minha vida estivesse deixado o meu corpo naquela dia sombrio... Me sinto incompleto deste então.

Bilbo pôde ver as feições do curandeiro mudarem de jovial para triste. Perder alguém que você ama deste jeito deveria ser realmente horrível.

– Eu... Eu sinto muito, Óin.

– Sei que ainda é muito cedo para você sentir algo por Thorin, vocês se conheceram ontem! – Riu o anão, voltando ao seu jeito jovial anterior – Mas eu devo confessar que vocês fazem um belo casal.

– Fazemos? – Bilbo parecia surpreso com aquela informação.

– Sim, vi como dançaram ontem, na festa... — O hobbit corou. As imagens da “aula de dança” logo vieram a sua mente – Além disso, ele te protegeu. E hoje de manhã quando ele me chamou... Bem... Confesso que me surpreendi com a atitude dele.

– Por quê?

– Thorin, desde que reconquistou Erebor, só trabalhou. Quase não comia ou dormia! Como curandeiro, devo dizer que ele me dá muito trabalho de tratar. Hoje de manhã foi a primeira vez que o vi relutar a sair para trabalhar. Ele ficou ao seu lado até Balin vir aqui chamá-lo, preocupado com o atraso...

Bilbo não pôde conter um sorriso formando em seus lábios. Então Thorin simplesmente não o abandonou de manhã? Óin percebeu a mudança de humor do hobbit e sorriu também. Sim, aqueles dois teriam um futuro como um casal, só precisavam de um tempo para se conhecerem e o resto iria acontecer naturalmente.

– Espere um pouco. Essa “marca” irá aparecer em Thorin também? –Perguntou o curandeiro; o primeiro rei não iria gostar nem um pouco em saber que teria letras élficas gravadas em seu corpo.

– Não, só em mim – Disse o menor, tocando novamente o seu peito.

– Acho melhor você explicar a ele toda essa situação... Ele tem direito de saber.

– Eu vou contar. – Falou baixinho.

Óin sorriu.

– Bem... Acho que agora eu devo te examinar! – Disse o anão, virando bruscamente o hobbit, fazendo com que este ficasse de bruços na cama.

– Ah! Ei, cuidado!

– Ops. Esqueci que vocês hobbits são mais frágeis que nós, anões! – Riu Óin.

– N-não somos tão frágeis assim. — Resmungou.

– Bem... Vou te examinar agora. Mas antes, tem alguma pergunta a me fazer?

– B-bem... Queria saber se... Se todas as vezes vai doer assim. Digo... Eu vou ficar dolorido sempre?! – Sussurrou o menor.

– Hum... Não, não! Isso só ocorreu porque foi a sua primeira vez. Garanto a você que nas próximas vezes não terá tantas consequências dolorosas. Na verdade, será ao contrário e...

– Certo! Eu já entendi! – Corou o pequeno hobbit – P-por favor... Faça o seu exame e... E receite algo que diminua a dor!

– Certo, certo! – Riu Óin, voltando a se concentrar em seu trabalho.

~TKATC~

– Então, acreditamos que devemos começar a impor impostos aos produtos dos homens, afinal, já os demos bastante tempo para restabelecerem-se. Nós devemos visar o nosso lucro... — Falava um dos membros do conselho, enquanto os outros concordavam com a cabeça e Thorin suspirava entediado. Sua mente vagava para muito além daquela sala, as palavras ditas pelo velho anão pareciam brisas da manhã, nada significavam para o primeiro rei.

– Thorin... — Balin que estava ao seu lado notou a evidente distração do rei – Você está bem?

Demorou um pouco para que o outro anão notasse que alguém estivesse falando com ele.

– O que foi, Balin?

– Você ouviu alguma coisa que Dufur disse? – Perguntou o anão mais velho, arqueando uma das sobrancelhas enquanto encarava o amigo.

– Lógico que sim. Alguma coisa relacionada a dinheiro... — Resmungou Thorin, claramente desconfortável por, de fato, não saber do que aqueles comerciantes estavam falando. Mas sempre era algo relacionado a dinheiro.

Balin suspirou, mas logo depois sorriu.

– Já é quase o fim do dia... Fico me perguntando o que Bilbo estaria fazendo agora. — Falou o anão de barbas brancas, e isso sim chamou a atenção do rei – Ele não é o tipo de pessoa que fica deitado o dia todo esperando. Acredito que ele seria mais do tipo que explore, se aventure e... Se mete em confusão.

– Hum... Não acho que ele esteja em condição de correr por aí. — Thorin sorriu ao falar aquilo, se lembrando da noite anterior e de como Bilbo adormeceu exausto.

– Certamente, isso significa que irá ficar mais contente por causa disso... Enquanto ele está sozinho, você está aqui!

– Eu tinha que vir trabalhar. O conselh-

– Thorin... — Balin tocou levemente a mão do rei, interrompendo-o – Eles ainda são seus súditos. Erebor está sendo reconstruída! Seu povo está bem e a salvo. Você tem o direito de descansar e passar o dia ao lado do seu esposo... Você agora tem outras responsabilidades, que não só para com o seu povo, mas para com a sua família!

– Mas... – Thorin ainda parecia incerto se deveria ou não seguir o conselho do seu velho amigo.

– Me diga a verdade, você preferia estar aqui ou ao lado de Bilbo?

Thorin sentiu um certo corar dominar o seu rosto. Não pôde negar que o amigo estava certo. Sua atenção não estava voltada ao conselho. Não podia mentir para si mesmo.

– Majestade... O que você acha a respeito desta questão? – Perguntou Dufur, o anão que estava discursando até aquele momento.

– Eu tenho uma declaração a fazer... — Disse o rei, se levantando de sua cadeira – Hoje eu tirarei o resto do dia de folga... E amanhã também. Balin irá me substituir durante a minha ausência.

– Majestade... Mas por quê?

– Eu acabei de me casar. Acho que devo aproveitar um pouco isso, não? –Disse Thorin. Alguns membros do conselho pareciam concordar e até riram, contudo, outros apresentavam um semblante irritado e cochichavam entre si.

– Pode ir sossegado, Thorin! – Falou Balin – Você tomou conta do reino durante esses vários meses em que estive fora, está na hora de você tirar umas férias.

– Obrigado — Sorriu o rei, gerando algumas exclamações de surpresa por parte dos outros anões, afinal o rei raramente sorria. Thorin acenou para o amigo e saiu da sala de reuniões ruma o andar destinado a residência real.

~TKATC~

– Quando eu vou receber as minhas roupas? – Resmungou Bilbo, enquanto vestia um grande camisa. Obviamente não era do seu tamanho, mas o que podia fazer que Dori ainda não tinha trazido a suas roupas para o quarto? Pelo o que Óin lhe informou, Thorin proibiu que alguém o incomodasse. A única visita que teve, além do curandeiro, foi Bombur lhe trazendo o café da manhã.

– Ótimo... – Disse observando a si mesmo diante do espelho, se sentia como uma criança vestindo a roupa dos pais – Isso é ridículo! – Começou a tirar a camisa. Pelo menos o remédio que Óin tinha lhe dado aliviara a dor que sentia, o que permitia se movimentar com maior facilidade. Contudo, o curandeiro tinha instruído que permanecesse no quarto – Eu não sou um inválido! Por que todos me tratam como eu fosse um vaso de porcelana?

– Talvez seja o tamanho.

– Tamanho? Eu não sou tão pequeno assim! Sou até um pouco mais alto que outros hobbits! E quem são os anões para falarem de tamanho? Já compararam os homens ou aos... — Bilbo parou de falar ao perceber que não estava sozinho no quarto. Se virou rapidamente, se cobrindo com a camisa, e logo viu o intruso. – ...Thorin! — Falou em um tom irritado.

– Não parece feliz em me ver. – Disse o anão, se aproximando.

– Você não devia estar em uma reunião?

– Deveria. Mas achei melhor te visitar. — Nisso, o rei retirou a capa que usava, deixando ela cair no chão. Aquilo fez o hobbit corar, afinal, foi algo semelhante ao que ocorreu na noite anterior antes que fizessem...

– V-visitar? Q-q-quem disse que estou solitário? – Respondeu.

– Gostei da roupa. Ou melhor, da falta dela.

Se o menor tinha corado antes, agora a tonalidade de vermelho tinha atingindo um nível bem mais escarlate.

“Eu esqueci que estou nu?!” Pensou abraçando a camisa para perto de si, principalmente cobrindo a região “sul”.

– I-isso é sua culpa! Eu estou sem roupas. Não encontrei as roupas que usei ontem, então...

– Minha camisa ficou linda em você, deveria usar mais. — Sorriu Thorin. Agora já estava próximo o suficiente para acariciar a face do seu esposo, que por sua vez não fez nenhuma ação para desviar daquela caricia, apenas olhou para o lado, embaraçado.

– Você ficou me observando todo esse tempo?

– Talvez.

– Idiota! – Resmungou.

Thorin riu, contudo, logo se calou ao ver algo sobre o peito do menor. Rapidamente puxou Bilbo para si, levantando-o em seu colo.

– O que pensa que está fazendo?! – Rosnou o menor.

– Quem fez isso? – Agora era a vez de Thorin rosnar. Sua mão examinava a marca no peito de Bilbo – Quem te machucou? Quando isso aconteceu?

– T-Thorin... — Bilbo se assustou um pouco ao ver a raiva nos olhos do seu marido, mas logo se acalmou ao notar ao que ele se referia. Sua pequena mão ficou sobre a mão do anão, sobre o seu peito – Ninguém me machucou.

Mas... Essa marca! Isso é uma cicatriz! E que letras ou língua é essa?

– Acho que temos que conversar. Que tal tomarmos um chá? – Falou o hobbit, apontando para um bule de chá que estava sobre o criado mudo.

– ...Hum... Mas...

– Eu vou te explicar sobre essa marca. Mas antes você tem que me soltar!

– Certo. — Concordou o rei, relutante, deixando o menor sair dos seus braços.

Bilbo aproveitou o momento para vestir rapidamente a camisa, mesmo que ela ficasse folgada era melhor do que ficar andando nu. Foi ao criado-mudo e encheu a xícara de chá e ofereceu ao seu marido.

– Você escuta e eu falo. Nada de interrupções!

– Certo, certo... Majestade. — Resmungou o rei anão, pegando a xícara e sentando na cama, esperando a explicação.

– Primeiro devo te explicar algumas coisas sobre os Breeders...

Bilbo explicou sobre tudo que sabia, que consistia na mesma coisa que tinha dito a Óin naquela manhã. Podia ver que Thorin estava impressionado com aquelas informações, e nem ao menos bebeu o chá, que esfriou nas suas mãos. Depois de falar, Bilbo esperou que o primeiro rei perguntasse algo ou mesmo ficasse irritado; quem sabe até quebrasse o contrato. Conforme o silêncio se ampliava, mais temeroso Bilbo ficava. Thorin, por fim, colocou a xícara de chá sobre o criado-mudo e levantou a mão. Por um milésimo de segundo, o hobbit tremeu, pensando que iria bater nele, mas ao invés disso o rei anão acariciou o peito do menor, no local aonde estava a marca.

– T-Thorin?

– Isso significa que tenho que cuidar mais da minha vida e não fazer nenhum ato estúpido... – Disse o anão.

– B-bem...Sim. Você não está bravo?

Thorin puxou o menor para si, fazendo que este ficasse em seu colo. Bilbo corou.

– Por que eu estaria bravo?

– B-bem... Por minha causa, você terá sua vida limitada...

– Bilbo... Eu não quero morrer tão cedo, eu já acumulei muitas cicatrizes. Fiz atos impensados pensando que... De alguma forma poderia compensar o erro dos meus antepassados. Eu quase morri quando reconquistamos Erebor, bem como Kili e Fili...

Bilbo ficou surpreso com a revelação.

– Essa marca... Só vai me ajudar a manter a promessa que fiz quando me recuperei dos meus ferimentos. Que iria dar mais valor à minha vida! Agora tenho que viver por nós dois. E quem sabe, no futuro... Por nosso filhos.

Lágrimas rolaram do rosto do hobbit, o que deixou Thorin confuso.

– Bilbo? O que...

– Eu pensei que... Você ficaria furioso.

– Eu não estou. — O anão delicadamente limpou as lágrimas do rosto do menor com os dedos.

– Pois... Eu estou. Você me deixou sozinho e... E dolorido! –Choramingou, mas realmente não havia raiva naquelas palavras. Se sentia relaxado agora, estranhamente, se sentia bem ao lado de Thorin.

– Desculpe — Riu o rei anão – Mas eu vou compensar.

– Como?

– Eu estou de folga. Vou ficar com você esses dias...

– Hum. Sério? – Perguntou Bilbo meio incerto. Todos diziam que Thorin era fanático por trabalho e agora tirando “férias”? Será que era algo bom?

– Quero ficar mais tempo com você... Ou não quer? – Thorin acariciava os cabelos cacheados de Bilbo, dando atenção especial a trança que continha o broche com o símbolo do escudo, prova do casamento entre eles.

– Quero... — Respondeu baixinho, embaraçado por admitir que estava muito feliz pelo rei ter sacrificado o seu trabalho para ficar com ele. Não queria pensar muito nesses sentimentos estranhos que borbulhavam; felicidade, embaraço, necessidade de ficar perto do outro. Não queria analisar tudo que passava em sua mente ou coração. Só queria aproveitar o momento.

– Pois muito bem. — Thorin puxou o queixo do menor para perto de si –Aqui estou... – Os lábios se aproximaram e o beijo foi trocado.

O primeiro rei aproveitou o momento para deitar na cama com Bilbo por cima.

– Hmm... T-Thorin... Nós não podemos... Digo... — Corou o menor já prevendo aonde aquilo iria dar – Ainda estou me recuperando de ontem!

– Bilbo... Existem outras formas de sentir prazer, além do que fizemos ontem... – Sussurrou o anão no ouvido do hobbit, fazendo com que este tremesse de excitação e de antecipação.

– C-como... Quais? – Perguntou em um sussurro.

Thorin então desceu suas mãos da cintura do hobbit para a parte mais abaixo, acariciando a bunda empinada de Bilbo e arrancado gemidos deste, continuando o seu trajeto até a extremidade da camisa, puxando-a para cima.

– Thorin... — Gemeu baixinho.

Você é tão lindo... – Sussurrou o anão que se virou na cama, agora ficando por cima. Continuou a puxar a camisa até expor as partes que ele queria ver. Bilbo levou as mãos para cobrir a sua intimidade, ainda embaraçado com aquela situação, mesmo sabendo que Thorin já o tinha visto nu.

– Você confia em mim, Bilbo? – Perguntou o anão colocando suas mãos ásperas por sobre as do hobbit.

– S-sim. — Assentiu com a cabeça o menor. Mesmo conhecendo-o por pouco tempo, sentia em seu íntimo que poderia confiar nele. Retirou as mãos lentamente, expondo seu membro ao marido que emitiu uma espécie de rosnado.

Você é perfeito. Agradeço a Mahal por ter me dado uma joia tão linda... – Sussurrou, enquanto pegava o membro do menor e o massageava, Bilbo estava ofegante. Seu corpo começou a esquentar novamente.

– T-Thorin...

Toque a mim também – Pediu o anão, guiando a mão do hobbit até as suas calças, onde podia-se observar uma evidente protuberância.

“Ele... Já está excitado... Por minha causa?” pensou Bilbo, enquanto tocava, curioso, o local.

– Ah, Bilbo... — Arfou baixo o anão.

– D-desculpe.

– Não precisa se desculpar. Continue o que está fazendo e estará tudo bem... — Sorriu descaradamente.

Thorin continuou a massagear o membro do jovem segundo rei, este, com as mãos trêmulas tentou abaixar as calças do anão, com dificuldade conseguiu e libertou a grande ereção do primeiro rei.

“Isso... Isso entrou em mim ontem?” Agora entendia porque ficara tão dolorido. Suas mãos tocavam aquele grande e grosso membro, explorando.

– Quente... — Sussurrou o menor em meio a gemidos.

Thorin agora segurou a ereção do menor e começou a masturbá-la com força. Bilbo gritou.

Faça o mesmo que eu... – Instruiu o anão ao seu amante.

Bilbo assentiu com a cabeça e tentou imitar os movimentos do outro, usando as duas mãos para masturbar o anão. Era inexperiente e não sabia se estava dando tanto prazer quanto desejava.

Continue... Está perfeito... – Rosnou Thorin aumentando a velocidade de sua mão, Bilbo gemia e arfava com toda aquela ação, suas mãos tentavam também aumentar a velocidade.

– T-Thorin... — Choramingou – Acho...Acho que vou... –Podia sentir a pressão em seu baixo ventre , tal como na noite anterior, sabia o que estava por vir.

Goze... Pode gozar...–Incentivou o anão ao seu ouvido, aquela voz rouca e autoritária dita em outra língua fez Bilbo chegar ao seu limite ejaculando nas mãos do anão.

Ao ver a expressão de prazer no rosto do menor e o jeito fofo que Bilbo se esforçava para faze-lo gozar...Fora o suficiente para que Thorin também gozasse nas mãos trêmulas do segundo rei.

Os dois ficaram deitados assim, ofegantes e satisfeitos com a “exploração”.

–... Eu quero minhas roupas...-Sussurrou Bilbo minutos depois – E roupas de baixo!

–Você fica tão bem assim... Essa podia ser a sua roupa oficial...

Bilbo deu um tapinha no ombro do maior, olhou o marido com um olhar furioso.

–Eu não vou poder sair do quarto vestindo só a sua camisa!

–Então não saia do quarto... Fique assim...Só para eu ver...

Bilbo corou com o jeito possessivo e também se não dizer romântico de Thorin.

“Romântico?! Eu estou sendo tolo!” Pensou irritado consigo mesmo por achar aquilo.

–Thorin...- Lançou um novo olhar irritado ao anão que suspirou derrotado.

–Está bem...Você terá suas roupas...

–Ótimo! –Sorriu o Hobbit –Depois temos que discutir sobre o quarto...Temos que trazer mais moveis... Livros...Quero visitar a biblioteca! Quero conhecer toda Erebor...

–Certo, certo, mas uma coisa de cada vez...-Riu Thorin com o entusiasmo do esposo, Balin estava certo quanto o que tinha dito anteriormente com relação ao espirito aventureiro de Bilbo – Primeiro vamos descansar...Precisas se recuperar para que assim possamos explorar o nosso reino...

–Tem razão...- Falando isso Bilbo se aproximou mais do outro, deitando sua cabeça no ombro do rei anão.

Thorin o abraçou, estava preste a conchilar embalado com o cheiro doce do esposo quando ouviu algo.

RONC!

–Você está com fome? –Disse o anão surpreso –Não te trouxeram o café da manhã? –Agora Thorin já estava ficando irritado.

–Trouxeram...Mas já está quase na hora do segundo café da manhã...-Falou Bilbo.

–Ah? Segundo?

–Nós Hobbits comemos 7 refeições diárias: café-da-manhã, segundo café-da-manhã, elevenses, almoço, chá, jantar e ceia!

–N-nossa...- “ E para onde vai tanta comida em uma criatura tão pequena?” Pensou o anão observando o corpo magro e delicado do seu esposo.

–-Thorin? – O Hobbit cobriu a barriga tentando abafar outro roncar.

–Acho que...Vou informar a Bombur sobre o segundo café da manhã...-Riu o anão.

–Acho bom informar das outras refeições também!

–Sim, sim...-O anão se levantou e ajeitou as calças, mas antes que pudesse sair da cama sentiu alguém puxando a sua túnica.

–Você...Vai comer comigo, não é? –Pediu tímido o menor.

–Sim... Vou...-Sorriu Thorin se abaixando dando um leve beijo nos lábios do esposo antes de se levantar e sair do quarto.

Bilbo tocou os lábios e sorriu.

Realmente se sentia feliz...Como nunca antes tinha sentindo...

Notas finais
Gostaram? Eles são fofinhos juntos! Eu irei explicar que essa história é composta de temporadas... Pois terá certas parte da história que vão focar outros casais como Fili e Legolas e Kili e...??? (segredo), estejam avisados! No proximo capítulo explico melhor! Espero que tenham gostado!