Notas iniciais
Ola! Como vão? Bem, esse pequeno capítulo (junto com outros que irão se seguir) serão uma pequena coletânea de cartas de Bilbo ao Drogo contando sobre a sua vida em Erebor. Espero que gostem! Aos poucos vai mostrar o cotidiano do Hobbit no reino dos anões!

Bilbo estava sentando em sua escrivaninha escrevendo uma carta ao seu primo Drogo. Um sorriso se formava em seus lábios conforme o bico da pena passava pelo papel formando as palavras...

Caro Drogo,

Como você está? Agora deve ser o início do inverno no Condado, os primeiros flocos de neve devem estar caindo sobre as colinas... Eu realmente gostaria de poder ver.

Quando a Erebor? Bem, aqui também está iniciando o inverno, talvez mais cedo do que aí; já tem uma camada fofa de neve ao redor da montanha. Na verdade, aqui é bem mais frio que o nosso reino... Mas Kili e Fili me garantiram que a primavera é bastante quente e tem muitas flores, assim espero.

Na sua carta anterior você me perguntou como era viver com os anões. Bem, você fez muitas perguntas! Vou tentar responder todas e também descrever as minhas experiências aqui no reino destes “teimosos e mal-educados” anões.

Primeiro... Anões não tem modos na mesa!

O hobbit parou de escrever, tocou a pluma da pena em seu queixo enquanto se lembrava de um dos eventos que estavam relacionados àquela afirmação e iria transcrever para o seu jovem primo.

~TKATC~

Bilbo estava receoso com o seu primeiro encontro com todos os membros da “companhia”; era assim que Thorin chamava o seu grupo de amigos mais próximos. De acordo com seu marido, foram eles quem primeiro responderam ao seu chamado para rumar a Erebor e buscar por uma porta secreta pela qual poderiam adentrar na Montanha, roubaram a Arkenstone e com ela puderam convencer os outros anões que era possível enfrentar o dragão; afinal, eles tinham conseguindo sobreviver depois do roubo. Resumidamente, foi isso que aconteceu. Lógico que houveram várias complicações, mas o pequeno hobbit não queria saber mais sobre morte e guerras; não agora, que estava se sentindo tão feliz.

Agora só pensava em dar uma boa impressão na frente daqueles anões. Quando adentrou o salão onde iria ser servido o jantar, Bilbo pôde notar os 12 anões que ali estavam sentados. Alguns ele já conhecia, como Dori, Nori, Glóin, Óin, Dwalin, Balin, Bombur, Kili e Fili. Os anões que faltavam eram Bofur, que era irmão de Bombur e primo de Bifur. Eles faziam um trio de certa forma engraçado; Bofur trabalhava na mineração, enquanto Bifur era artesão e fazia brinquedos diversos. Além deles tinha o tímido Ori, irmão mais novo de Nori e Dori, responsável pela biblioteca real. Bilbo logo gostou dele, pois compartilhavam gostos em comum. O jovem anão prometera ao segundo rei uma coleção inteira de livros sobre aventura, algo que Bilbo simplesmente adorou.

O encontro com a “companhia” até o momento estava ótimo. Eles eram animados e era um momento raro ver Thorin relaxado ao lado dos amigos, compartilhando algumas de seus brincadeiras. Bilbo realmente estava gostando daquilo, até que...

– O jantar está servido! – Anunciou Bombur, quando os servos colocaram os vários pratos sobre a longa mesa. O anão cozinheiro mal terminara de falar, quando os outros anões praticamente atacaram o alimento.

Bilbo estava horrorizado. Eles comiam com as mãos, apesar de ter pratos e talheres postos na mesa. Alguns jogavam comida nos outros. Bebiam cerveja até que esta escorresse por suas barbas. Falavam de boca cheia...

– Não vai comer, tio Bilbo? – Perguntou Kili com o pedaço de porco assado ainda em sua boca.

Bilbo se levantou e bateu as mãos fortemente na mesa. Todos se calaram subitamente.

– Posso respeitar alguns hábitos seus, como anões, afinal é a cultura de vocês. Mas, do mesmo modo, vocês devem respeitar os meus! – Falou o pequeno rei – Deste modo, pelo menos quando eu estiver comendo com vocês, gostaria que tivessem “modos”!

– Modos? – Perguntou Fili, limpando, com as costas das mãos, a boca suja.

– O que é isso? – Desta vez era Bofur que perguntava.

Logo os anões começaram a perguntar entre si o que o segundo rei estava querendo dizer, mas nenhum deles parecia chegar a uma conclusão do que seria, de fato, ter “modos”. Bilbo massageou a testa, já estava perdendo a paciência.

– V-vocês nunca ouviram falar de “etiqueta”? – Perguntou Bilbo controlando a raiva.

– Ah, sim! – Riu Nori – Isso nós sabemos!

– Por que não disse antes o que queria? — Resmungou Dwalin.

– Pois muito bem. Então vocês sabem usar a etiqueta? – O hobbit estava meio incerto quanto essa possibilidade.

– Lógico! Olhe. – Kili pegou uma coxa de frango, levantou o dedo mindinho enquanto fazia isso, e a mordeu com força, arrancando a carne do osso – Isso é “etiqueta"! – Falou de boca cheia, pedaço de carne saindo por todo o lado.

Bilbo olhou para os outros anões e logo viu que todos imitaram Kili, levantando os dedos mindinhos e comendo do mesmo modo de antes. O hobbit olhou para o seu marido buscando uma solução ou mesmo um esclarecimento da situação. Thorin comia do mesmo modo dos outros, com o dedinho mindinho levantado.

– Desisto! – Resmungou Bilbo sentando novamente e pegando um pedaço de carne e comendo como se deve. Pelo menos ele não seria afetado pelo o ato dos anões.

– Tio Bilbo! Cuidado! – Tarde de mais; um pedaço de carne foi lançado sobre o rosto do segundo rei.

– Ops... — Disse Kili. Fili engoliu em seco.

– Vocês anões... — O menor tirou a carne do rosto e encarou os anões que, por sua vez, ficaram quietos e apreensivos. O hobbit suspirou e recolocou a carne em um prato – Eu vou deixar esse incidente passar. – Os anões suspiraram aliviados – Mas... Podem buscar tempo livre nas agendas de vocês.

– Tempo livre? Para o que? – Perguntou Dori, confuso.

– Aulas de etiqueta! – Respondeu o hobbit, todo irritado – Eu mesmo vou dar essas aulas! Vocês devem saber o mínimo pelo menos para se portarem diante de um jantar? E se tivéssemos convidados de outros reinos? Dos homens? Elfos?

– Elfos... — Rosnaram alguns anões do grupo.

– Quem convidaria os elfos para jantar?

Logo começaram a discutir sobre como os elfos eram tolos e como tinham péssimo gosto para comida e música, esquecendo totalmente a “questão” que Bilbo tinha levantado.

“Eles parecem crianças...” pensou furioso.

– Meu caro Bilbo, nós sabemos um pouco de etiqueta, sim... — Começou a explicar Balin, tentando apaziguar os ânimos.

– Só escolhemos não segui-la! – Completou Kili – Etiqueta é algo para elfos, não é, tio Thorin?

– Ora, claro que si- — Thorin iria concordar quando viu o olhar mortal que Bilbo lançou a ele. O primeiro rei engoliu em seco, e pela primeira vez se sentiu encurralado.

– O que iria dizer, Thorin? – Perguntou Bilbo, cruzando os braços e batendo o seu grande pé no chão.

– Eu... Eu iria dizer que aula de etiqueta parecem algo bom! – Falou o rei, ganhando resmungos dos outros anões.

– Que bom! – Sorriu o hobbit – Estejam preparados... Eu costumo ser um professor muito rígido.

A “companhia” de anões se entreolhou temerosa, pois sentiam que tinham despertado uma fera... Talvez pior que o dragão.

~TKATC~

Sim, eles são um pouco rudes... Mas eu já estou conseguindo controlá-los; graças as aulas de etiqueta que estou ministrando eles estão se portando bem, pelo menos na minha presença. Sei que quando saio do salão de jantar ouço os gritos e as comidas serem lançadas ao ar... Bem, só espero que meus filhos, digo, no futuro lógico que terei filhos, não herdem esse tipo de atitude.

Falando em comida, outro fato que percebi com relação aos anões é que eles preferem comer grandes quantidades de carne, queijo, alguns tipos de tortas (de carne, em sua maioria), além de beberem muita cerveja e vinho! Isso não são comidas saudáveis! Onde está a verdura? As frutas? Sucos? Bolos? Doces? Eu não iria sobreviver muito tempo com tais hábitos alimentares então... Tive que fazer algo!

~TKATC~

Quando o jantar foi servido aquela noite os anões da “companhia” ficaram surpresos, ao invés de encontraram a fartura de carnes que estavam acostumados, se viam rodeados de estranhas comidas.

– Mas... Mas o que isso? – Perguntou Bofur pegando uma folha verde e cheirando.

– Acho que isso se chama vegetal... — Disse Ori cutucando com o garfo um tomate.

– E por que isso está aqui? – Reclamou Dwalin – Não somos vacas para comer pasto!

– Bombur! Qual é o significado disso? – Perguntou Nori ao cozinheiro que nada disse. Ao invés disso, olhou para a porta de entrada do salão. Bilbo adentrou ao salão ainda vestido com um avental sujo, evidentemente vindo da cozinha.

– Então... Era lá onde você estava a tarde toda! – Resmungou Thorin, claramente chateado.

– Desculpe a minha ausência, querido... — Sorriu doce o hobbit, o que fez com que o primeiro rei corasse e disfarçasse, virando o rosto para o lado. Alguns anões riram alto da reação anormal do amigo, mas Thorin logo se recuperou do seu “embaraço” e encarou os seus companheiros com o seu famoso olhar “mortal”; logo todos se calaram. – Mas, eu pedi a Bombur para mudar o cardápio do jantar...

– Mudar? Por quê? – Choramingou Kili.

– Porque todos os dias e todas as refeições só tem carne! Isso não é saudável!

– Carne faz bem para os músculos! – Defendeu Dwalin.

– E isso também! – Falou Bilbo pegando uma cenoura – Verduras e frutas são necessárias para a dieta. Mas parece que vocês anões não estão acostumados com isso, pois nem Bombur sabia como preparar uma simples salada! Por isso tive que ajudá-lo na cozinha, ensinando o que deveria ser feito!

– Nós vamos... Comer isso?! – Bofur parecia incrédulo. Na verdade não só ele, todos os anões encaravam os vegetais com um misto de confusão e nojo.

– Pelo menos uma vez por semana iremos comer isso! – Falou o segundo rei, sentando ao lado de Thorin – Nós hobbits precisamos comer essas coisas... Vocês querem que eu fique doente?

– Não! – Falaram todos ao mesmo tempo, Bilbo sorriu, eles podiam ser teimosos e brutos, mas eram gentis e honestos.

– Pois, pelo menos provem. Eu prometo que na próxima eu cozinho algo que seja mais do agrado de vocês... – Disse o Hobbit sorridente.

Os anões também sorriram... Menos Thorin.

– Você vai cozinhar para eles? – Perguntou o primeiro rei.

– Ora, sim.

– Eles não precisam que você cozinhe para eles. Para isso, Bombur é o cozinheiro!

– Mas eu quero cozinhar para eles por serem meus amigos! Isso é um costume comum no Condado.

– Hunf! – Resmungou o anão rei, ainda chateado com a ideia.

“Não acredito que ele está com ciúmes... Por causa disso!” Bilbo teve que se controlar para não rir. Se levantou e deu um beijo na bochecha do marido.

– Eu prometo fazer uma comida especial só pra você... — Sussurrou o hobbit no ouvido do rei.

– Hum... Eu vou gostar disso. — Sorriu Thorin, puxando o menor para o seu colo.

– AH! Por favor! Não façam isso em público! – Choramingou Kili – Estou tentando comer...

– Tios... Não nós traumatizem... — Falou Fili também compartilhando a opinião do irmão.

– Bobos! – Sorriu Bilbo e, para provocar, deu um leve beijo na boca de Thorin, arrancando mais gemidos de desaprovação dos sobrinhos. Lógico que um beijo simples não era suficiente para o primeiro rei, que logo aprofundou o beijo, não se importando se estavam diante dos outros anões ou não. O hobbit deu tapinhas no ombro do marido para que esse o libertasse, algo que ele fez minutos depois.

– T-Thorin... — Arfou Bilbo irritado e corado.

– Bombur, traga o nosso jantar para o nosso quarto. – Anunciou o primeiro rei se levantando e carregando Bilbo no colo – Traga daqui 2 horas. Não, melhor 4.

– Thorin, não! Me bote no chão! – Brigou e esperneou o menor, inutilmente. Os dois saíram do salão rumo ao quarto.

Bilbo ainda pode ouvir algo antes deles se distanciarem.

– Eu ainda fiz um pouco de carne. Quem vai querer? – Era a voz de Bombur. A gritaria de aprovação foi ouvida.

Bilbo balançou a cabeça reprovativo.

“Anões...”

~TKATC~

Aos poucos estou mudando o cardápio, misturo frutas e vegetais com a carne e eles nem sabem a diferença. Estou testando novas receitas! Nunca pensei que fosse tão difícil fazer anões comerem algo mais saudável. Parece que eu adotei 13 crianças! Mas... Estou me divertindo muito.

Ainda sinto falta do Condado, do Bolsão... De você e do primo Adalgrim! Mas aos poucos vou transformando essa grande montanha em meu segundo lar.

Espero que tenha respondido algumas de suas perguntas!

Na próxima carta responderei mais.

Um grande abraço.

Saudades...

Bilbo Bolseiro Durin, segundo rei de Erebor.

Notas finais
Foi curto, eu sei! Mas vai ter mais!