Os dois reis sob a montanha
59 Fadado ao fracasso
Notas iniciais
Vários corpos. Foi isso Bilbo presenciou quando foi forçado a seguir seus capturadores pelos corredores da ala real, os mercenários eram habilidosos, isso ele concluiu, mas percebeu que grande maioria dos guardas não estava morto, graças a Yavanna, mas sim desacordados, talvez quem tivesse os contratado não desejava uma carnificina. Aqueles que faleceram deveriam ser fruto da própria falta de disciplinas daqueles anões sem-rei ou nação, andarilhos do ermo, que deviam ficar muito animados em uma luta para esquecer as ordens lhe foram dadas. Drogo o seguia, segurando o Frerin II que choramingava em seu colo, talvez o infante sentia o clima pesado que os envolvia, o pior é que os mercenários ainda forçaram Gimlin a unir a eles, com o argumento que mais uma criança anã surtiria um efeito maior nas negociações. Bilbo se sentia culpado, ainda mais ao ver o pequeno Gimlin segurando fortemente a aba de sua túnica, enquanto a sua outra mão segurava o cabo de sua espada de madeira, como se pudesse defende-los com aquilo.
“Um garoto corajoso...Sem dúvida, no futuro dará um bom guarda-costas, como ele assim ambiciona.” Pensou acariciando os cabelos castanhos claros do menor, tentando tranquiliza-lo.
— Vamos! Vamos! — Mandava um dos fétidos anões, cutucando os hobbits com a lâmina de sua espada — Não temos muito tempo!
Sim, de fato não deveriam ter, pelo que estava observando havia menos guardas na Ala Real do que o costume, o que poderia indicar que deveria existir algum tipo de distração providenciada pelos mercenários que fez com que parte dos guardas fosse direcionada para outra seção da Montanha. A resposta para suas divagações fora respondia com um som alto e abafado de explosão advindo dos níveis mais inferiores, seguido de um leve tremor no chão. Bombas, anões eram exímios artesões, criando gerigonças novas e também perigosas... Um exemplo claro disso seria a especialização que alguns anões tinham para com os explosivos, muitos desses utilizados para auxiliar na mineração, mas outro também tinham sua função para o combate.
— Essa foi a terceira bomba, não? Ralguc disse que só teria três! — Analisou um dos sequestradores.
— Ya, só três... Vamos! Temos que ir para o esconderijo! — Disse o outro, que devia ser o líder, com evidente nervosismo na fala. O grupo avançou pelos corredores praticamente desertos. Só havia quatro mercenários no total, não eram um exército... Contudo, Bilbo não pode negar que aquele golpe foi meticulosamente organizado.
“ Quanto tempo você estava planejando isso, Glorin? Quanto tempo almejaste o trono? ” Pensou o segundo rei em fúria. Anões podiam ser seres gananciosos, mas eles também davam um grande valor a honra e sua palavra valia mais que potes de ouros. Ainda mais, outra característica do povo anão era a sua lealdade, quando se conquistava a amizade de um anão, pode ter certeza que essa iria durar, até mesmo por várias gerações. Glorin extrapolou todos esses conceitos, sendo extremamente egocêntrico, orgulhoso e um pérfido!
— Entrem! — O pequeno grupo adentrou em um dos elevadores, enquanto outro mercenário mexia na polia, girando-a, o que ocasionar no abaixar da estrutura rumo a escuridão da montanha.
~**~
— Maldito seja! — Gritou Kili, socando a parede ocasionando uma leve rachadura no local, além de provocar a queda de alguns quadros que ali próximo estavam pendurados — Devíamos ter feito alguma coisa! Qualquer coisa!
— Acalma-se. — Pediu Dwalin, que surpreendentemente estava bastante tranquilo apesar da crítica situação em que se encontravam, ainda mais por ele ser o guarda-costas de Bilbo, logo, ele deveria se sentir ainda mais frustrado, não é mesmo?
— Bilbo estava certo em se entregar. — Continuou falando o Fudin.
— Como assim? Certo?! Se tivéssemos lutado...
— Lutar em um espaço apertado como esse? Com duas crianças expostas? Que garantia tínhamos que Frerin fosse ferido ou Gmilin? Além dos mais, não sabíamos quantos eles eram...E se chamassem reforços? Se morrêssemos ali, tentando proteger nossos amigos, que ajuda realmente teríamos conferido! Somos mais úteis vivos do que mortos como heróis! Lembre-se disso, jovem guerreiro.
Kili queria argumentar. Queria dizer que ele estava errado, pois seu espirito não aceitava a impotência de deixar Drogo ir com aqueles anões...Simplesmente não aceitava não ter ao menos matado um deles.
— Bilbo nos deu uma chance de fazer algo para salva-lo...
— Como? Eles bloquearam a porta! — O príncipe provou esse ponto tentando empurrar a porta de entrada do quarto com o corpo. Nada ocorreu. Era bem possível que os mercenários tenham colocado vários moveis, pedras, enfim...Coisas pesadas o suficiente para dificultar que saíssem, pelo menos, a tempo para intercepta-los e salvar o segundo rei. Nesse momento, os dois guerreiros ouviram uma movimentação. Era barulho que podia ter sido confundido por ratos... Contudo, Bilbo era tão cuidadoso no trato de seu quarto, ainda mais por ter alimentos ali, que dificilmente um rato se aventurava por aquela câmara sem ser morto por uma das incontáveis ratoeiras espalhas pelos pequenos túneis deixado pelos roedores. Aquilo não devia ser um rato.
— Dwalin... — Sussurrou Kili.
O outro anão guerreiro apenas assentiu e pegou o seu machado. Olharam ao redor buscando a fonte do som até que...
Em uma das paredes do quarto, um bloco quadrado de pedra se abriu, tal como uma porta, revelando um túnel donde saiu dois anões cobertos de fuligem e sujeira. Eram Bofur e Nori.
— Pelas barbas de Mahal! — Dwalin quase desceu a lâmina de seu machado nos amigos, afinal, como iria saber que eram eles? — Vocês estão loucos de aparecerem assim?
— Aya! Cuidado com essa arma, mestre Fudin! — Exclamou Bofur rolando para fora do túnel.
— Eu disse para usarmos a porta...Como anões respeitáveis. — Lembrou Nori — Bilbo irá ficar chateado com a nossa invasão...Provável que fiquemos sem os sconnes que ele faz em segredo! Espera...Onde está o segundo rei?
Dwalin soltou um suspiro cansado. Kili deixou a sua vista cair, evitando o olhar dos dois amigos. Isso não passou despercebido pelos astutos anões.
— Algo ocorreu aqui também? — Bofur inqueriu nervoso.
— Aqui também? — Dwalin franziu o cenho.
— Sim, houve uma explosão na feira, nos níveis inferiores! Era aonde estávamos... Achamos o evento muito suspeito. — Explicou Nori.
— Sim, por que explodir uma barraca de doces? Não parecia ter lógica nenhuma. Ninguém saiu ferido, só com barbas chamuscada. Ao que parecia a bomba era mais para chamar atenção com a quantidade de fumaça e o barulho que provocou ao ser explodida do que de fato gerar danos...Quando tentávamos subir para os níveis superiores para avisar outros membros da companhia houve outra explosão, agora em uma barraca de tecidos... Um alerta para a guarda foi emitido e ocorreu uma verdadeira confusão! Os elevadores estavam lotados, por isso utilizamos outros meios para chegar aonde desejávamos ir. — Bofur apontou para o túnel — Existem muitas passagens secretas por Erebor... Só basta saber aonde procurar e que palavras utilizar para abri-las.
— Você acha que isso foi algum tipo de distração? Digo, assim haveria menos guardas aqui e seria fácil sequestra Bilbo e os outros? — Kili analisou coçando a sua pouca barba.
— Pelas pedras mais preciosas! Bilbo foi sequestrado? — Os olhos de Nori pareciam que iriam saltar de suas orbitas.
— Fizemos certo irmos primeiro para o quarto Real do que ir para a sala do conselho... — Bofur analisou — Pensamos que seria mais prudente falar primeiro com Bilbo do que com Thorin... Se tivéssemos chegando antes...
— Não se culpe, ainda mais, Bilbo se entregou aos anões mercenários que estão por trás dessa zorra que se instaurou em Erebor. — Interrompeu a lamúria do amigo — Fez isso para evitar um combate e que mais anões saíssem feridos...
Nisso indicou o jovem guarda anão que estava desacordado em um dos cantos do quarto, anão esse que foi usado como refém.
— Uma atitude que devíamos esperar de nosso segundo rei Bilbo. — Assentiu solene Nori — Mas...Onde está Frerin? Mestre Drogo e Gimlin?
— Os mercenários os levaram também... — Rangeu os dentes Kili, segurou o seu próprio punho, tentando conter sua vontade de continuar socando as paredes.
— Pela barba de Mahal...Qual é objetivo dessa afronta!? — Bofur estava atordoado com aquelas informações.
— Um golpe. — Dwalin foi enfático, não havia dúvidas naquela conjuntura — Irão usar eles como forma de exigir algo de Thorin e esse algo eu presumo que seja o controle de Erebor.
— Quem? Quem cometeria tal traição?
— Bilbo presume que seja lorde Glorin e nosso segundo rei não costuma errar nas suas deduções. Esse desgraçado deve ter sido responsável por enganar a princesa Dís, a fazendo sair de Erebor ao receber um falso chamado de Daín, deixando o caminho livre para que Glorin infiltrasse esses mercenários aqui. Ou seja, tudo isso foi planejado antecipadamente...
— Que os Globins comam os seus testículos! — Esbravejou Nori — O que iremos fazer?
— Acalmem-se... — Instruiu Bofur pensativo — Devemos buscar outros membros da companhia para que ajudem, fomos capazes de lutar contra um dragão seremos igualmente capazes de batalhar contra traidores... Ainda mais, sei que Bilbo irá buscar formas de escapar. — Ao falar isso apontou para o túnel, novamente — Esqueceram que ele foi meu aluno? Não só ensinei sobre como classificar gemas preciosas...Também o instrui sobre como identificar passagens secretas em Erebor.
— Você ensinou isso a ele? E por que não me ensinou? — Reclamou Kili em um claro choramingo — Digo, confesso que eu e Fili utilizamos algumas passagens secretas que descobrimos acidentalmente em nossas explorações... Nem sabíamos que havia uma forma de identifica-las! Isso nos pouparia tanto trabalho!
— Acha mesmo que seu tio iria permitir que conferisse tal conhecimento aos seus sobrinhos fujões? E ensinar vocês? Bah! Vocês eram os piores alunos que tive! — Bofur deu um meio sorriso — Bilbo, por outro lado, era um bom aluno... — Deu um tapa em sua barriga proeminente — Ganhava tortas quentinhas em cada aula!
— Então...Se eu te der uma torta, você me ensina?
—Hum... Talvez. — Bofur coçou sua barba, analisando a possibilidade.
—Se usarmos esse túnel poderemos sair da Ala Real e ir para onde? — Inqueriu Dwalin se agachando para melhor analisar o túnel, era longo, estreito e coberto de teias de aranhas, o que era um indicativo da sua falta de uso.
— Esse túnel irá levar para uma antessala não utilizada, lá existe outras passagens que podem nos levar para locais diversos de Erebor. — Explicou o anão minerador — Temos que ter um plano...
— Sim. — Concordou Nori — Que tal nos dividirmos? Eu sei um pouco sobre as passagens...Logo podemos formar dois grupos!
— Um para avisar Thorin e livra-lo da possível encrenca que esteja enfrentado. — Opinou Dwalin — E alertar outros membros da companhia pelo caminho...
— E outro para o resgate! — Conclui Bofur.
— Mas...Como saber aonde levaram Drogo e os outros? Digo... Não temos ideia! — Kili parecia meio desesperado, Erebor era gigante... Havia diversos esconderijos que poderiam ser utilizados para ocultar os mercenários e seus reféns.
— Se Bilbo escapar por uma das passagens secretas... Poderemos encontra-lo. — Garantiu Bofur, confiante.
— Assim espero... — Murmurou Kili massageando o punho machucado.
— Não esqueça do poder de nossos hobbits. — Garantiu Dwalin colocando sua mão sobre o ombro do jovem príncipe — Drogo lutou contra o orc albino para te defender...Bilbo enfrentou trolls para proteger você e seu irmão. Não os subestime e confie na coragem dos Bolseiros.
Kili forçou um sorriso e assentiu. Sim, tinha que confiar neles, Drogo ficaria muito irritado se soubesse que não o estava inferiorizando como guerreiro. Não iria ficar aqui se lamentando... Iria agir!
— Nem Mahal irá poder salvar Glorin e seus comparsas quando a companhia, unida, o enfrentar. — Garantiu Kili já avançando para o túnel, ansioso.
— Eles que nem ousem rogar pela proteção de Mahal. Sacrilégio! — Resmungou Bofur se pondo da dianteira, afinal, ele que iria guia-los e não um príncipe irrequieto que parcamente sabia a direção a qual seguir.
— Eu mesmo irei retirar seus olhos e língua. — A promessa de Dwalin foi ainda mais macabra — Traidores...
Nori assentiu. O futuro para aqueles anões seria obscuro e repleto de dor.
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— Eu devia tê-lo acompanhando! Não importasse que meu tio tenha dito! — Fili andava para um lado e outro do pequeno salão, era o local de arquivos do conselho, ou seja, era uma verdadeira confusão de pergaminhos, papeis, tintas e penas. Thorin sugeriu que o príncipe ficasse ali, pelo menos enquanto avaliasse a verdadeira situação do conselho, era uma medida de segurança, algo que Fili relutou em aceitar.
— Coma algo, isso sempre me ajuda a relaxar. — Bombur sugeriu oferecendo um pedaço de um bolinho de carne que havia tirado sabe-se lá de onde. Fili, educadamente, recusou.
— Seu tio estava certo, jovem príncipe. — Oín comentou enquanto limpava a sua corneta que ampliava a sua audição — A crise se iniciou devido ao seu romance com o elfo... Logo, deve imaginar que o ambiente no conselho não esteja favorável a sua presença.
Bifur fez alguns gestos com as mãos e o anão médico prontamente assentiu.
—Aye, está correto meu velho amigo. Bifur enfatizou que mais do que sua presença não sendo favorável, podia ser perigoso. Sabemos como alguns anões podem querer expressar sua antipatia com punhos e não com palavras.
— Eles que tentem. — Falou o príncipe pegando a sua espada.
— O que disse? — Oín recolocou a corneta na orelha. Fili rolou os olhos e repetiu.
— ELES QUE TENTEM!
— Oh! Não seja impulsivo! — Reprovou o anão negando com a cabeça — Ainda mais, não creio que foi só devido a isso que o seu tio não permitiu acompanha-lo.
— E qual seria o outro motivo?
— Reforços! — Bombur falou, farelo de comida saindo por todos os lados — Acho que Thorin teme que algo muito ruim possa ocorrer no conselho.
— Se for esse o caso, nós deveríamos ir checar... Não digo que iremos entrar lá, mas só ver como está as coisas! — Sugeriu ansioso, não aguentado mais ficar parado ali e escondido. Ele que devia se explicar para o conselho e não o seu tio...Afinal, parte de toda essa confusão se deve, como Oín enfatizou muito bem, por seu romance com o príncipe de Mirkwood. Queria mostrar a aqueles velhos e preconceituosos anões que não havia nada a temer! Que não estava traindo a sua raça tão pouco o seu reino! Que ainda poderia ser um rei e que protegeria o seu povo! Afinal, era o príncipe herdeiro e iria defender a sua posição!
Bifur que parecia muito concentrado em algo, fez mais gestos bruscos com as mãos, parecia alarmado.
— Oh! Calma aí! Eu não entendo a linguagem de sinais quando você faz gestos assim tão rápidos! — Fili disse nervoso.
— Ele disse que sentiu vibrações... — Traduziu Bombur que deixara de comer, o que era um indicativo de preocupação — Algo nos níveis inferiores, ele acredita que tenha sido bombas.
— O que? — Clamou Oín voltando sua corneta para o anão cozinheiro.
— BOMBAS! — Repetiu alto e devagar.
— Oh! Por Mahal... Isso não deve ser algo bom!
— Não, não deve ser. — Fili desembainhou a sua espada e mirou os seus companheiros — Vamos ao conselho... Se somos os reforços, vamos agir como tal!
Os outros anões assentiram pegando suas armas. Oín pendurou sua corneta no cinto e empunhou sua maça de guerra. Bifur uma lança cuja a extremidade apresentava uma lâmina semelhante a uma faca afiada. Já Bombur segurava uma grande e escura colher de metal... Não era para ser subestimada, Fili já vira o instrumento ser utilizado para esmagar cabeças de Orcs em batalhas.
O pequeno grupo saiu sorrateiro da sala, rumo ao conselho...
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— Basta que assine. — Insistiu Glorin com aquele sorriso adulador em seus lábios que sempre fez os punhos de Thorin coçar, pois esses mesmos punhos muito desejavam socar aquele rosto e quebrar aqueles dentes irritantemente brancos.
—Você espera que eu assine antes de ler o contrato? Sou um anão, meu instinto diz que tenho que ler. — Falou o primeiro rei pegando o papel das mãos do traidor.
— O que importa o que está escrito? Não poderás mudar os termos, ainda mais, nem pense em rasga-lo...Tenho outras cópias disponíveis.
Thorin no respondeu, deixou que seus olhos treinados navegassem pelo pergaminho. Todo anão deveria aprender a escrever e interpretar contratos, ainda mais para descobrir modos de burla-lo. Balin também lia o documento por sobre seu ombro. Glóin permanecia de guarda, com seu machado levantado para os mercenários que os rodeavam.
— ... Aqui diz que além de se tornar responsável por governar Erebor até que Frerin II estiver na idade adequado de assumir o trono, você exige o casamento com um breeder? — Questionou o rei, levantando o olhar de fúria para anão comerciante.
— Oh! Não pense que desejo casar com o seu breeder, mesmo que ele seja uma tremenda tentação e já ter provado que é fértil, mas a verdade é que ele já foi usado... — Falava isso com naturalidade que apenas aumentou a raiva crescente de Thorin que só não se lançou sobre o outro anão por Balin segurar o seu punho e apertar, sussurrando que ele tivesse calma — Entretanto, o outro breeder, aquele que veio do Condado... Esse sim, desejo para mim...Injusto seria que só vocês nobres tivessem a regalia de ganhar esses fabulosos breeders. Ele é virgem, não é mesmo? Adorarei ser o primeiro a provar de sua carne inocente! O melhor? Ter meus filhos com ele!
— Breeders não objetos a serem barganhados! — Disse em meio a um ranger de dentes, Thorin.
— Meu caro rei... — Glorin negou com a cabeça, como estivesse com pena — Obviamente que Bilbo deturpou a sua mente, devo entender que as habilidades de um breeder, ainda mais, quando bem treinado, são legendárias! Por isso você se deixou fraquejar pelo o que o “segundo rei”, aceitando tudo que ele pede, só para poder saboreá-lo! Você deixou que um mero breeder opinasse em sua vida? Ora, não sejas tolo. Eles só servem para dois propósitos: nos dar prazer e filhos. Não cometerei o mesmo erro que você cometeu a dar tamanha liberdade a um breeder. Drogo saberá o seu devido lugar, que será acorrentando ao lado de minha cama.
— Você realmente não sabe de nada sobre os hobbits e muito menos sobre os breeders. — O Durin agora sorria, de um modo que fez Glorin sentir calafrios descerem a sua espinha — Bilbo é bastante esperto além de ser um guerreiro, eu mesmo o treinei... Você subestima o seu poder e esse será a sua queda.
Glorin riu.
— Acredita que seu breeder poderá fazer algo para escapar de sua situação? Meus homens o estão mantendo cativo! Não esqueça que a vida dele irá depender da assinatura desse contrato!
“Ele não sabe sobre a marca...” Concluiu Thorin, afinal, se soubesse, saberia que ao ameaçar a vida de Bilbo diretamente ameaçava a vida do primeiro rei, o que seria um grande trunfo para Glorin.
“Sua ignorância será a sua ruína”.
— Quero provas que meu esposo, bem como meu filho, foram capturados. Só assim pensarei em assinar esse contrato. — Ao falar isso lançou ao chão o pergaminho que caiu bem nos pés de Glorin.
— Pois terá sua prova, logo! — Nisso lançou um olhar contrariado para um dos seus capangas que assentiu e saiu correndo do salão, provavelmente para verificar o fato ou mandar o recado.
Thorin sorriu, Glorin realmente tinha muito que aprender... Subestimar Bilbo, além de não levar em consideração que havia anões leais e habilidosos prontos para lutar para proteger não só Erebor, mas seus companheiros e amigos. A companhia não fora toda capturada...
Aquele golpe estava fadado ao desastre!
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— Bilbo... — Drogo não precisava nem formular a frase para expressar a sua aflição. Bilbo sabia o que o assustara... Estavam nos túneis de mineração, um local que se espera estar repleto de mineradores, mas esses jaziam mortos no chão pedregoso. O pior? Eram as marcas em seus corpos. Cortes ferozes, marcas de mordidas, o terror no rosto dos falecidos. Já havia visto algo assim antes, no Condado, na época que os Orcs os atormentavam.
— Aqueles vermes fizeram bem a sua parte do acordo. — Comemorou o mercenário que, por sua vez, não parecia nem um pouco intimidado pela aquela imagem horrenda do massacre de seus irmãos de raça.
— Vocês fizeram um acordo com Orcs? — Bilbo simplesmente não podia ficar calado, aquele era um ato que jamais teria imaginando ocorrer.
Os anões pareciam surpresos, talvez não imaginassem que simples Hobbits, ainda mais breeders seriam capazes de identificar um ataque Orc.
— Nosso chefinho é que fez. — Disse um dos mercenários — Eles ficaram responsáveis pelo trabalho sujo como pode ver! Em troca, o ajudamos a entrar na montanha!
— Orcs? Em Erebor? — Drogo engasgou, aflito.
— Não se preocupem. — Riu o anão exibindo sua boca com dentes faltando — Eles desejam explorar os níveis ainda mais inferiores da montanha...Sei lá por que! Acho que buscam algo! Seja lá o que interessa aqueles vermes!
Continuaram a caminhar por um tempo até alcançarem uma porta, a entrada por um posto de mantimentos dos mineradores. Ali, ao adentrarem, os reféns foram empurrados para mais uma outra porta que dava para um local repleto de sacos de pedregulho que seriam descartados como dejetos da mineração.
— Se comportem, se as negociações derem certo, vocês não irão precisar se preocupar com nada. — Garantiu um deles trancando a porta, os deixando sozinhos ali com a tênue luz de uma lamparina disposta no alto de uma estante de picaretas e martelos.
— O que faremos agora? — Sussurrou Drogo ao primo — Eu não acredito que eles permitiram que Orcs adentrassem na montanha! Isso é tão...Tão...
— Shh... — Instruiu Bilbo que começou a apalpar as paredes, algo que seu primou achou estranho de ver — Glorin superou minhas expectativas... Ele irá fazer de tudo que tiver ao seu alcance para conseguir o poder. Se aliar a Orcs prova o quão mínimo ele se importa com a ética e a moral. Ele não é um anão... Não acho que algum anão chegou a esse ponto.
— Bilbo...Er...O que está fazendo?
— Shh... Tenho que me concentrar para...Ah! Achei! — Nisso o segundo rei indicou alegre um símbolo talhado na parede de pedra, Drogo reconheceu como khuzdul, mas não sabia o que deveria significar ainda mais por que Bilbo parecia tão alegre com a sua descoberta.
— Edr (abra). — Falou o Bolseiro mais velho em fluente Sindarin (língua élfica)*, para a surpresa de Drogo, um bloco de pedra se abriu, revelando uma passagem escuro. Aquilo era magia?
— Anões construíram diversas passagens secretas por toda Erebor. — Explicou imediatamente Bilbo — Afinal, nunca se sabe quando ocorrerá uma desmoronamento ou uma invasão, de modo que poderias ficar encurralado, sem ter como escapar de seu inimigo ou do desastre eminente...Passagens escondidas foram, então, construídas, símbolos especiais em khuzdul marcam as entradas e você deve falar algum comando para revela-las. Normalmente, a palavra “abra” em élfico é utilizada...
— Em élfico?
— Pois é. — Riu o segundo rei — Ironicamente, esse foi o idioma escolhido, assim, só alguns anões saberiam como utilizar as passagens.
— Iremos fugir? — Drogo mirava ansioso o primo que assentiu.
—Ao menos que queira ficar aqui, como um “bom breeder”? — Piscou provocando.
— Mas...E os Orcs? — Inqueriu receoso.
— Eu vou proteger vocês. — Ao falar isso exibiu a sua espada élfica escondida por debaixo de sua túnica, a lâmina que emitia um tênue brilho azulado, o que não um bom sinal, mas pelo menos os ajudaria a guiar na escuridão —Não ficarei sentado aqui esperando ser salvo... Mostraremos a Glorin e esses anões idiotas com quem eles realmente estão lidando. Não sou apenas um breeder ou um hobbit, sou o segundo rei de Erebor! Como tal, lutarei para defender o meu reino e aqueles que amo!
Drogo sentiu uma imensa admiração por seu primo, havia mesmo um ar majestoso o envolvendo. Tinham que escapar! Ficarem sentados ali de nada ajudaria na situação...
O pequeno grupo se esgueirou pelo estreito túnel, pelo menos Frerin não mais choramingava, na verdade o bebê parecia desperto e atento a tudo a sua volta, quem sabe tenha identificado a aventura que estava participando, tendo sangue de Bilbo nas veias, estava excitado com a novidade. Gimlin também estava quieto, segurava sua espada pronto para atacar os monstros que por verntura encontrassem no caminho. Drogo se sentiu inútil por não ter trazido sua espada consigo, mas rezava a Yavanna para que não seja necessário que utilizem da espada de Bilbo para se defender.
Assim esperava...
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