Os dois reis sob a montanha

83 Extra: Vantagens da vida Adulta


Um longo bocejo foi dado por Kili. Tinha passado o dia anterior tendo aulas sobre estratégia militar com Balin. Agora que estava se dedicando mais ao seu papel como comandante e braço direito de Fili, sua vida se tornou bem maçante. Além das aulas, havia o comparecimento obrigatório nas reuniões do conselho e também nas reuniões com os aliados.

"Então, essa é a vida de adulto?" Questionou em pensamento, mas não havia ressentimento, pelo contrário, apesar das responsabilidades havia suas vantagens. Kili passou a mão em sua barba, sim, ela havia crescido mais nesses últimos meses! Agora não sofreria mais piadas referente a falta de pelos faciais!

Essa era uma vantagem e a outro...

O cheiro de comida recém retirada do forno perfumava o seu lar. Kili deixou que um sorriso se formasse em seus lábios ao ver um atarefado hobbit retirando bandejas com quitutes quentinhos do forno.

— Bom dia, meu doce e querido esposo! – Anunciou Kili abraçando Drogo por trás e o erguendo no ar.

— AH! K-Kili! – O menor soltou um gritinho que logo foi substituído por risos – Por Yavanna! Você já está tão animado? São 4 horas da manhã!

— Lógico que estou animado! – Kili deu um sonoro beijo na bochecha do Bolseiro-Durin, apesar da mesma está coberta de farinha – Afinal, acordar cedo e encontrar meu amado fazendo maravilhas em nossa cozinha... Melhor vantagem em minha vida de adulto!

— Peço perdão... – Drogo disse agora exibindo uma expressão de culpa – Eu te acordei, não é? Você estava tão cansado devido aos estudos...

— Não estou tão cansado assim. – Disse se deixando aconchegar no pescoço de seu amado – Na verdade, ficando ao seu lado consigo recarregar minhas energias bem mais rápido. Deixe-me ficar aqui, te abraçando e logo estarei pronto para suportar milhares de horas sobre estratégias!

Drogo voltou a rir.

— Milhares de horas? Isso é muito tempo. Ficarei solitário.

— Posso muito bem escapar das lições. – Murmurou o príncipe.

— Pode, mas não irá fazer, não é?

Kili fez biquinho e assentiu lentamente.

— Fique o tempo que for necessário para aprender, só isso que eu te peço. – Recomendou Drogo acariciando as mãos do anão que o abraçava – E, além disso, você esqueceu que dia é hoje.

— Hum? Hoje é algum dia especial?

— Não me admira que esteja tão avoado ultimamente. Hoje é sim um dia especial, por isso você deve ser liberado das lições de Balin. Terá um dia de folga!

— Oh! Sério? Mas... – Kili estreitou os olhos, prestando mais atenção ao que acontecia a sua volta. Sobre a mesa da cozinha havia diversas travessas de comida, doces e salgados. Aquilo era demais para ser tão somente destinado ao seu café da manhã.

— Espera! Isso tudo não é para mim? – Choramingou Kili.

— Bobo, você não conseguiria comer tudo isso!

— Ahhh...Drogo está utilizando suas habilidades culinárias para outra pessoa? Eu sinto ciúmes, sabe?

Drogo riu dando um leve beliscão em Kili fazendo com que esse se afastasse um pouco, dando maior liberdade para o hobbit pegar uma torta salgada e oferecer ao seu manhoso esposo.

— Ainda não foi capaz de desvendar o mistério da importância do dia de hoje?

Kili abriu a boca e se deixou ser alimentado por Drogo.

— Hum...Espera.. Já estamos chegando no inverno, não é? – Ponderou, ainda com a boca cheia da deliciosa iguaria que seu esposo o tinha oferecido.

— Que perspicaz de sua parte, alteza. – Provocou o hobbit.

— Oh! Inverno! O aniversário de Frerin! É hoje? – Com a descoberta Kili se desvencilhou do seu esposo, quase caindo para trás com a surpresa – Eu...Eu...

— Sei que tinha esquecido. Com as lições, treinamentos e reuniões...

— Mas, isso não deveria ser uma desculpa! – Kili levou a mão ao rosto retirando as mechas de seu cabelo de sua face – Frerin vai ficar decepcionado comigo! Nem fiz nenhum presente para...

— Não se preocupe com isso! – Interpôs Drogo, limpando as mãos em seu avental – Eu escrevi e ilustrei um pequeno livro infantil exclusivamente para Frerin! Um livro que conta, de forma bem simplificada, as nossas aventuras...Quando você, meu príncipe, me salvou de um hobbit malvado no Condado.

Kili sorriu, suas mãos buscaram o broche que pendia de uma das tranças que adornavam a cabeleira de seu hobbit. Era o broche que simbolizava a sua união, o seu casamento.

— Nessa história você colocou a luta desse bravo hobbit contra Lobos gigantes e orcs malvados? Afinal, deve mostrar que o hobbit também salvou o seu príncipe!

— Oh! Sim, fiz questão de dedicar todo um capítulo a esse grande feito. – Drogo devolveu o sorriso ao seu marido.

— Você fez só um livro? Gostaria de poder ler... Agora estou com ciúmes de Frerin!

— Bobo! – Riu, mas logo depois abaixou os olhos e uma das mãos começou a enrolar um dos seus cachos, um claro sinal de nervosismo – Bem...Estou escrevendo uma outra versão do livro...Mais longa...Que vai até o nosso casamento e talvez até mais além ...

— Sério? Isso será um presente também?

Drogo mordeu o lábio inferior e voltou seu olhar para as bandejas de comida.

— Eu ando comendo muito, sabia? Esses quitutes são para a festinha do Frerin, me comprometi com em ajudar. Bilbo também deve estar atarefado fazendo a sua parte... Mas, eu comi grande parte do que assei.

Kili ergueu as sobrancelhas com aquela declaração.

— Ora, você está preocupado com isso? Eu não me importo! Você pode ficar gordinho que eu nem ligo! Aliás, acho até melhor! Já que você vai ficar ainda mais fofinho de apertar!

Drogo lançou um meio sorriso para Kili, mas ainda não o encarava.

— Também estou tendo enjoo matinais...

— Oh! Sim. Isso eu sei. Mas deve ser algo que você anda comendo? Tipo, já que você está comendo demais...Você está doente? É isso que você está querendo me dizer? Será que devo chamar o Oín para que ele te avalie? – Agora o anão estava claramente nervoso.

— Eu já me consultei com o Oín. – Murmurou, Drogo corando levemente.

— Se consultou? Mas... Eu nem sabia? Eu estou tão ausente assim? – Inqueriu, tristonho – Estou sendo um péssimo marido, não é?

— Lógico que não. Você é maravilhoso! O melhor marido...Só um pouco lento em entender as coisas, mas ainda o melhor anão que eu poderia ter escolhido amar.

— Mas, então...? O que?

— O livro que estou escrevendo, com a nossa história, ainda não tem um fim, sabe? Na verdade, pretendo continuar escrevendo até que ele ou ela chegue. Quero mostrar que nossa aventura não terminou com o nosso casamento, que outra ainda mais maravilhosa está se iniciando... – Disse isso dando uma leve caricia em sua barriga.

— Ele ou ela? Estamos esperando alguma visita? E outra aventura? O que você...– Kili paralisou, Drogo podia ver que até suas expressões faciais congelaram. Seus olhos fitavam o horizonte e sua boca estava entreaberta.

— Oh! Por tudo que é verde! Será que eu o quebrei? – Questionou Drogo meio preocupado, estalou os dedos perto do rosto de seu marido e não obteve nenhuma reação.

— Kili? Meu amor? Está me ouvido? Acho que devo ir chamar o Oín... – Mas antes que pudesse fazer precisamente isso, foi puxando para um forte abraço que logo se tornou uma dança alegre e meio descoordenada.

— Por Yavanna... – Drogo tentou não rir, se deixando ser rodopiado em meio a sua sala de estar – Você ficou louco?

— Só se for louco de amor por você! – Exclamou Kili fazendo um passo de dança que fez com que o Hobbit caísse de encontro aos seus braços.

— Você está feliz? – Perguntou, timidamente, Drogo, finalmente fitando o seu anão nos olhos.

— Como eu não podia ficar feliz? Meu esposo está grávido! Eu vou ser papai! Eu, Kili Bolseiro-Durin, serei papai? Aposto que ninguém imaginou que isso fosse acontecer!

— Bem...Devido a frequência em que fizemos amor, era bem provável que logo iria acontecer. – Resmungou, embaraçado, Drogo.

Kili gargalhou ao ponto de chorar. Sim, agora estava chorando que nem uma criança anã.

— Obrigado, Drogo.

— Não tem o que agradecer, sabe? Não é como eu tivesse engravidado sozinho! – Disse também dispondo de lágrimas nos olhos.

— Mesmo assim...Obrigado por ser meu esposo. Por ter me aceitado em seu coração. — Disse agora na língua anã.

Como disse antes em língua comum, agora repito na sua língua. Não precisa agradecer. Estamos nessa nova aventura juntos.

— Uma nova aventura...Sim, estou preparado para ela! – Sussurrou tomando os lábios do seu esposo em um carinhoso beijo.

De fato, a vida adulta tinha diversas vantagens...E acabara de descobrir uma das mais estupendas e satisfatórias delas.