Os dois reis sob a montanha
84 Extra: Festa de aniversário de Frerin II - Parte 1
— Viu, adad? Viu o Bom! E... – Frerin tagarelava no colo do seu orgulho pai anão. Por meio de gestos e sons, o bebê agora de um ano de idade (oficialmente) relatava ao seu progenitor tudo que tinha observado no desfile. Seu vocabulário era limitado, mas Frerin compensava isso com a dramatização do seu testemunho.
— Eu sei, meu querido. – Anuía Thorin com um sorriso afetuoso estampado nos lábios.
— Aí, o vovô Dalf fez ZUMM! – vovô Dalf era como Frerin denominava o mago Gandalf. Pelo som que o infante reproduzia era bem provável que estivesse descrevendo os fogos de artifícios que sem dúvida foram a atração mais magnifica de todo o desfile. Gandalf tinha se superado em sua perícia, seus fogos assumiam formas diversas, desde verdejantes florestas, revoada de pássaros brilhantes e até mesmo um dragão. Bem que essa última obra-prima tenha provocado incialmente pânico entre os espectadores, principalmente anões e humanos, mas quando o dragão imaginário explodiu em milhões de estrelas cadentes o medo foi substituído por admiração.
— Eu estava lá, meu querido. Sei do que você está falando... – Riu o primeiro rei, orgulhoso do entusiasmo do seu filho. O desfile foi sua ideia de comemoração e pelo visto tinha causando uma boa impressão no pequeno príncipe.
— Devo admitir que sim o desfile foi fenomenal. Logo, posso entender um pouco o entusiasmo de Frerin.– comentou Bilbo, fazendo que Thorin se sentisse muito mais orgulhoso, afinal se recordava das críticas do seu adorado esposo quanto a necessidade de se organizar um desfile.
— Mas, não essa não é a única comemoração que teremos hoje. – Continuou o hobbit.
De fato, ainda haveria mais uma festa. Algo mais informal reunindo os amigos mais íntimos. O resto de Erebor ainda festejava o aniversário de um ano do príncipe Frerin II, banquetes estavam sendo organizados nos salões inferiores, música e dança ecoavam pelos corredores de pedra do reino anão. Em relação a comemoração mais intima da família real, essa se localizava na confortável e familiar salão de chá (como Bilbo denominou) no andar destinado a família real de Erebor.
— Feliz aniversário, príncipe Frerin II Bolseiro-Durin! – Exclamaram os convidados assim que os reis de Erebor e seu filho adentraram no referido salão. Frerin arregalou os olhos, um misto de surpresa e alegria ao ver tantas caras conhecidas batendo palmas e falando o seu nome.
— Papa, ô... – Frerin sussurrou para Bilbo, como que tentando expressar a sua incredulidade quanto a aquela festa.
— Sim, são seus amigos Frerin. Vieram comemorar o seu aniversário.
— Um! – rapidamente o bebê indicou com o dedo a quantidade de anos que estava fazendo. Infelizmente, não com o dedo correto... Novamente a criança estava fazendo o símbolo de "cotoco". Bilbo tentou corrigir o filho, indicando que ele deveria mostrar o dedo indicador e não o dedo de meio como previamente tinha feito.
— Ele ainda está fazendo isso? Quem o ensinou a fazer esse gesto obsceno? – resmungou Thorin, raivoso.
Uma gargalhada meio abafada foi ouvida do grupo de convidados. Elladan tentava conter o ataque de risos com a mão, mas era obvio que estava falhando. Legolas, que estava ao seu lado, rolou os olhos com tamanha infantilidade de seu irmão-adotivo. Tauriel, por outro lado, compartilhava da necessidade de ocultar a risada, mas ao contrário de Elladan estava conseguindo manter a fachada enquanto comia um grande pedaço de bolo. Lord Elrond manifestou a sua opinião quanto aquela situação dando um tremendo tapa na nuca do seu filho, que ainda não parou de rir.
Thorin estreitou os olhos ao assistir aquela cena, os elfos sempre tão perfeitinhos também tinham seus próprios problemas familiares, problemas do nível Kili-Fili... Bem, o primeiro rei apreciava aquele tipo de "infortúnio" decair sobre os tão orgulhosos comedores de capim.
— Você está sorrindo? Não devia estar irritado? – inqueriu Bilbo desconfiado.
— E eu estou irritado. Não consegue notar que essa é minha cara de irritado?
— Essa não é a sua cara de irritado, meu amor. Essa é sua cara de estar de deliciando com o fato dos elfos estarem fazendo alguma cena que de alguma forma prejudique a imagem de seres superiores que eles possuem. Em outras palavras é a sua cara de deboche.
Thorin pigarreou e voltou o seu olhar para o seu esposo.
— Essa descrição é deveras precisa sobre a minha cara.
— Eu te conheço muito bem, Thorin Escudo-de-carvalho Bolseiro-Durin.
Thorin sorriu, não pode evitar as batidas fortes e aceleradas que seu coração produziu. Sim, adorava saber o quanto Bilbo o conhecia, não só as suas expressões como também fisicamente.
— E essa cara é de pervertido. Está pensando alguma coisa indevida...
Thorin pigarreou novamente e deu um sorriso nem um pouco casto para o seu hobbit, que por sua vez, corou.
— Ora, ora... Já está na hora de entregar os presentes. Se não for, isso não importa, meu presente não pode esperar... – falou Thranduil que se aproximou da família real sendo seguido por Legolas e Tauriel, ambos carregavam uma grande caixa lindamente ornamentada com desenhos que parecem folhas e árvores. Na opinião de Bilbo a caixa em si já seria um presente.
— Existe um protocolo a ser seguido, elfo. – Thorin falou, quase resmungando.
— Protocolos? Você gosta desse tipo de coisa, não é? Será que tanta burocracia seja uma forma de compensar alguma coisa que esteja em falta, anão?
Thorin já estava pronto em dar uma resposta, ou apenas rosnar como um anão furioso, contudo Bilbo diplomaticamente interveio:
— Não tem burocracia e tão pouco protocolos. Esse é um evento informal com nossos amigos mais íntimos, não é mesmo Thorin?
—Alguns "amigo" abusam da intimidade... – resmungou o primeiro rei, ganhando um chute nada "diplomático" de Bilbo. Frerin riu, batendo palmas, achando tudo aquilo muito divertido.
— Desse modo, posso dar o meu presente primeiro. Afinal, sendo eu o padrinho de Frerin II tenho algumas regalias...
— Padrinho?! – Thorin arregalou os olhos, surpreso com aquela nova informação. E o pior que não foi só Thorin que recebeu aquela revelação com igual surpresa e ressentimento.
— Como assim? Pensei que eu fosse o padrinho do Frerin! – declarou visivelmente chateado, Bofur.
— Você? Ora, claro que não! Eu que sou o padrinho do jovem príncipe! – disse Nori.
— Meus caros, todos vocês sabem que eu que sou o mais apropriado para figurar como padrinho da sua alteza real...
— Ah! Chega de papo, Balin!
Bifur fez uma gestos bem determinados com as mãos, claramente demonstrando a sua frustração e alegando sua posição como padrinho.
Bilbo soltou um longo suspiro. Era por causa dessa confusão que decidira não nomear ninguém oficialmente como padrinho do seu filho. O hobbit lançou um olhar chateado para o seu amigo elfo, mas Duil não parecia nenhum pouco culpado com a discussão que gerara com a sua fala, pelo contrário. O rei de Mirkwood indicou que Legolas e Tauriel deixassem o presente diante de Thorin que carregava o já afoito principezinho.
— Aqui o seu presente, meu afilhado querido.
— Psente! – exclamou o pequeno todo animado.
— Escute aqui, Thranduil, você não é... – Thorin não teve tempo para continuar a sua fala, pois Frerin escapuliu de seu colo (algo que o bebê aprendera a fazer muito bem) e engatinhou até a grande caixa.
— Vamos deixar essa discussão para depois, sim? – Pediu Bilbo ajudando Frerin a ficar em pé, para melhor ver o seu presente élfico.
— Isso mesmo, não é tão importante assim saber quem é ou não é padrinho de Frerin. – Tentou ajudar, Elrond. Entretanto, o lorde elfo foi recebido com resmungos e grunhidos irritados contrários a sua fala. Inclusive Duil foi um daqueles a reclamar.
— E o que seria isso? – Bilbo tentou mudar de assunto.
— Psente... – Respondeu Frerin, batendo com suas mãozinhas na tampa. E... A tampa se remexeu em resposta. Ou melhor, algo de dentro da caixa tocou na tampa a fazendo se mexer.
— Mas o que...? – O segundo rei franziu o cenho, curioso.
Legolas com um sorriso nos lábios retirou a tampa e revelou o presente.
— É um...
— Um alce de Mirkwood. Um filhote, logicamente. – Explicou o rei elfo para a pequena animal, meio desajeitado, que tentava sair da caixa. Frerin tinha os olhos arregalados de pura admiração.
— Um alce? Está louco, Thranduil? – Questionou Thorin – Esse animal é muito grande para um anão ou hobbit montar...
— Ele parece pequeno, para mim. – Avaliou Bilbo, achando o pequeno alce muito fofo. Frerin tentou tocar no animal que, por sua vez, começou a farejar a mãozinha do príncipe. Frerin riu animado ao sentir a língua do alce o lamber.
— Por enquanto... Esse alce irá crescer.
— Ora, quanta ignorância Thorin. Acha mesmo que eu daria ao meu afilhado, algo que ele não poderia utilizar? Essa espécie de alce é anã. Muito rara de ser encontrada em minhas terras, sendo fruto de anos e anos de cruzamentos mediados por nossos engenhosos criadores. Aliás, as aranhas chegaram a atacar nossos campos de criação...Cheguei a pensar que a raça tenha sido perdida. Contudo, nos últimos meses conseguimos encontrar alguns sobreviventes...Apesar de pequenos, eles sobreviveram as aranhas gigantes e viveram no centro da floresta, sem necessitar de nossa proteção. São criaturas surpreendentemente resilientes...Não se deixe enganar pela a fofa aparência. – Explanou o elfo.
Bilbo já se sentiu conquistado com o histórico daquela raça especial de alce e pela as risadas divertidas de Frerin, o seu filho também tinha se apaixonado por seu presente.
Thorin não podia recusar aquele presente, também não podia negar que foi um razoável presente. Não que fosse admitir em voz alta.
— Nós também temos presentes a oferecer! – Falou os outros anões da companhia, não gostando que o rei elfo tenha roubado a cena.
— Não esqueçam que eu também tenho presentes. Afinal, sou o segundo padrinho de Frerin, como todos sabem muito bem. – Agora foi a vez de Bard, o rei humano, pronunciar.
— Você o padrinho? E eu? – Gandalf indagou – Eu presenciei o nascimento do jovem príncipe...
— E fui eu que ajudei, de fato, no parto! – Oín argumentou.
E a confusão teve início... Bilbo e Thorin tentaram conciliar os vários candidatos a padrinhos do jovem príncipe. Já Frerin, por sua vez, estava entretido abraçando o seu novo amigo alce.
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