Os dois reis sob a montanha

56 Comemoração em Mirkwood (Parte 2)


Notas iniciais
Ola! Feliz ano novo! Aí está a atualização! Espero que gostem!

As festas élficas se diferenciam e muito as festas anãs, principalmente em relação a música. Harpas, flautas, entre outros instrumentos que pareciam tão frágeis para serem sequer manuseados, eram responsáveis por gerarem melodias doces, lentas e relaxantes. Os elfos dançavam, e era como flutuassem no ar a cada passo elegante que davam. Bilbo suspirou fascinado, como tivesse imerso em um novo mundo de luz e pureza.

— Frescos. — resmungou Thorin enquanto cutucava a salada que lhe foi oferecida com o garfo de prata.

Bilbo rolou os olhos com aquele comentário e agradeceu internamente por Thranduil e Elrond estarem entretidos demais brincando com o pequeno e afoito Frerin para notarem o resmungar do primeiro rei de Erebor.

— Coma as verduras, sim? Não brinque com a comida. — pediu dando uma leve tapinha na mão do seu teimoso marido.

— Eu não estou brincando, — resmungou novamente, lançando um olhar rabugento para Bilbo — você parece estar gostando muito daqui...

O Bolseiro estava prestes a comer um tomate cereja quando ouvira tal comentário; o tomatinho caiu no prato, momentaneamente esquecido.

— Ora, eu gosto, mas também gosto de Erebor. Se estás implicando algo como eu não estar satisfeito com o meu lar atual, melhor esquecer e parar de pensar em tolices. — nisso, pegou o garfo do marido e fincou diversas folhas, em movimentos rápidos e firmes.

— Elfos e anões são culturas e povos diferentes, aprecio suas particularidades. Gosto da música dos elfos, mas também me divirto e muito com as baladas e canções anãs. Ficaria muito agradecido se você não tivesse ciúmes dos elfos... Eles não vão me roubar de você! — deu um sorriso meigo, mas só arrancou um outro resmungar de um Thorin agora embaraçado.

—Agora pare de ser ranzinza e coma! — brandiu o garfo tal como fosse uma arma e direcionou para a boca firmemente fechada de Thorin.

— Isso aí está cru! — disse o anão fazendo careta.

— Lógico que está cru! É uma salada! Você tem que comer algo, é muito mal-educado de sua parte não comer o que está sendo oferecido.

— Se eles fizessem um porco assado...

— Eles são vegetarianos, Thorin.

— Pois é, mas eu não sou!

Fili concordava com o seu tio em silêncio. Lógico que estava acostumado em comer algumas coisas verdes graças a influência culinária de Bilbo, pois o hobbit fazia questão de diversificar o cardápio puramente carnívoro dos seus anões, mas ali não tinha opção de escolha — ou eram coisas verdes ou eram frutas. Sua barriga roncava, demando comida gordurosa.

— Tem peixe, — sugeriu Legolas, indicando os pratos no meio da grande mesa: peixes cozidos, fritos, assados na brasa — era essa a única carne oferecida.

Ao ouvir a palavra peixe Fili estremeceu de cima a baixo. Ainda fedia ao dito ser aquático e a experiência no barril ainda lhe era muito fresca na memória.

— Peixe? — o rei anão franziu o cenho, acariciando a barba como se analisasse profundamente a nova opção.

Bilbo bufou, impaciente.

— E depois diz que nós que somos “frescos”, não é? — Duil se deliciava com um cacho de uvas. Frerin agora estava no colo de Elrond, animado por explorar a cabeleira negra e longa do lorde elfo — isso valia de alguns puxões nos quais Elrond disfarçava a careta de dor com um forçado sorriso.

— Eu não tenho o que reclamar. — falou Bard com a boca cheia de comida; pelo visto o soberano humano estava aproveitando a comida grátis oferecida — Tenho que pegar as receitas desses pratos depois, não sabe como é difícil fazer meus filhos comerem verdura e outros produtos verdes... Tenho sempre que inovar.

— Nem me diga. — resmungou Bilbo lançando um olhar mordaz ao seu marido e sobrinho — Fili.

Thorin fincou a faca em um peixe frito e o arrastou para o seu prato, não se importando em derrubar tudo pelo caminho.

— Quem é o fresco agora? — disse isso enquanto comia o pescado e fazendo questão de adicionar alfaces e tomates nas garfadas. Bilbo se sentiria orgulhoso do avanço gastronômico do marido, se tal sentimento não fosse rivalizado pela a vergonha relacionado com a falta de modos do primeiro rei.

— Pois bem... — Duil tentou ignorar o seu rival anão, mas o fato do rei elfo estar sentado próximo e que a comida de Thorin parecia saltar do seu prato causando um evidente risco a vestimenta gloriosa do elfo fazia o ato de ignorar ser algo muito difícil de ser realizado — Creio que temos assuntos pendentes a serem tratados.

— Hã? Que assuntos? — a comida, pelo visto, não só saltava do prato, mas também da boca do rei anão. Bilbo teve que intervir enfiando, de forma nem um pouco brusca, um guardanapo no rosto do seu amado esposo.

— Falo da relação entre meu querido filho e o seu... — Duil parecia se esforçar, mas por fim conseguiu falar sem usar de um apelido que não seria apreciado pela a maioria presente — sobrinho.

Legolas engasgou com a bebida e Fili, que estava tentando comer um pedaço do maligno peixe, se viu deixando a carne branca cair de seu garfo e desaparecer na sua barba loira. Os dois jovens amantes esperavam que aquela conversa fosse adiada — talvez, até, Thranduil esquecesse de tudo aquilo ao se distrair com a festa... Pelo visto, fora um grande, ledo engano.

Thranduil franziu o cenho e lançou um olhar ao seu filho, que podia ser facilmente traduzido em “você tem mesmo certeza da sua escolha? Ainda há tempo para trocar por alguém menos cabeludo e mais elegante!”. Legolas, como resposta ao questionamento silencioso de seu progenitor, ajudou Fili a se limpar e ainda lhe deu um sonoro beijo na bochecha. Duil rezingou algo em elfo sobre o fato da nova geração ter um gosto muito estranho para o amor.

— Pois acho que o assunto bastante conveniente. — falou Bilbo piscando para o novo casal — Devo concluir que com a festa e tudo mais que já aceitas a relação do príncipe Fili com o príncipe Legolas?

— Aceitar é uma palavra muito forte... — Duil pegou uma taça de prata vertendo em seu interior uma grande quantidade de vinho.

— Duil. — alertou Elrond.

— Papai! — Legolas também demonstrou sua irritação.

— Sim, sim... Eu aceito, apesar de não compartilhar das preferências de meu filho, não irei interferir no seu amor. — terminou a fala soltando um logo suspiro e bebericando o vinho.

— Ótimo. — sorriu Bilbo, satisfeito com aquela resposta — Mas acredito que o que queres discutir não seria sobre a relação em si...

— De fato, acho que devemos impor algumas regras, não é mesmo? Apesar de eu fantasiar com um futuro cheio de netinhos... Não pretendo ter esse sonho realizado tão cedo!

— Papai... — agora Legolas choramingou levando a mão ao rosto corado, será que tinham que falar sobre isso diante de todos? A mesa podia ser destinada a realeza, mas não era como tivessem uma reunião privada, afinal Bard estava ali bem como Dwalin e Balin — sem contar Elladan, seu novo “irmão”, que estava estranhamente calado, mas esboçando um sorrisinho nada inocente em seus lábios, que gerou um frio na espinha por parte de Legolas. E quanto a Kili e Drogo? Aqueles dois tinham escapado, para a sorte dos mesmos.

— Concordo com o comedor de capim- digo, Thranduil. — disse Thorin, provocando o rei elfo, que parecia se controlar para não jogar a taça de prata no anão — Ainda mais, levando em consideração que Fili é meu herdeiro e o noivado ainda não fora anunciado de maneira oficial em ambos os reinos...

— E-espera um pouco... N-noivado? — questionou Fili — não estamos indo um pouco rápido demais?

— Vocês são príncipes, herdeiros dos seus respectivos reinos, ficar apenas de namoricos infelizmente não é uma opção.

— Noivar não significa que já irão casar. — tentou tranquilizar Bilbo — Thorin só está querendo dizer que existem algumas questões a serem levadas em conta...

— Como o fato deles serem elfo e anão? — interpôs, sem cerimônia Bard.

— Precisamente. — concordou Elrond — infelizmente isso pode tornar as coisas um pouco complicadas.

— Eu diria que torna as coisas mais interessantes. — disse o rei humano — nenhuma história de amor que realmente preste advém de enredo sem drama.

Bilbo acenou em concordância com o amigo. Muitos dos livros de grandes narrativas épicas que tinha lido sempre havia a menção de um romance no qual se sofria diversos obstáculos para que o casal, no final, acabasse junto e alcançassem a felicidade. Além disso, tomando um exemplo mais real, sua própria história romântica poderia ser categorizada como dramática: fruto de um casamento forçado, Thorin e Bilbo não tiveram um bom começo, mas ao final acabaram acertando suas diferenças e se apaixonaram. Outro exemplo seria Elrond e Thranduil, quantos anos (décadas, séculos, enfim...) levaram para se acertarem e por fim ficarem juntos? Lógico que não desejava sofrimento para os seus sobrinhos, mas o mundo real não facilitava... Obstáculos e dramas sempre irão existir, entretanto, talvez sejam esses entraves no caminho que resultasse no fortalecimento dos laços que uniam o casal.

— Essa rivalidade entre anões haveria de chegar a um fim, logo vejo que o noivado entre Legolas e Fili seria um belo ponta pé inicial para essa mudança. — Bilbo falou enquanto saboreava o seu tomate cereja não mais esquecido.

— Um ponta pé bem nos meios das joias preciosas dos anões, isso sim. — comentou Dwalin — o conselho não irá aceitar tão facilmente.

— O conselho nunca aceita nada facilmente.

— Isso é bem verdade. — concordou Balin — mas devemos tratar esse assunto com bastante cautela.

— Pessoal. — interrompeu Fili evidentemente nervoso com toda aquela discussão — Eu ainda acho que noivar seria um passo muito precipitado.

— Precipitado? Você não ama o meu irmãozinho? — Elladan, por fim, se fez presente na discussão. Legolas não escondeu o incomodo ao ouvir o outro elfo o chamando de “irmãozinho”.

— Lógico que sim. — respondeu sem ao menos hesitar o anão.

— Então, não vejo por que se opor a isso. Não é como fossem casar amanhã! Céus! Ainda mais, que eu saiba ao primeiro e segundo rei de Erebor, nem lhes foi concebida a oportunidade de noivar; assinaram um contrato e TAM DAM! Se casaram. Vocês estão tendo uma oportunidade, não desperdicem por medo de assumirem responsabilidades.

Legolas sabia que Elladan estava correto em seu pequeno discurso, mas...

— Eu não estou temendo as responsabilidades! — Fili bateu com o punho na mesa fazendo os pratos e taças darem um pequeno salto. Frerin soltou uma alta risada, se divertindo com toda a situação, alheio a tensão no ar — O que sinto por Legolas não é uma reles paixão efêmera!

— Pois, então? — Elladan ergueu a sobrancelha incitando ainda mais a fúria do príncipe anão.

— Eu não quero que vocês decidam que nós iremos noivar, desse modo tão impessoal... Quero eu mesmo pedir Legolas em noivado!

— Oh! — Bard não se conteve; teve que expressar seu gosto por aventuras românticas e desde começo assistia todo o evento com uma infantil excitação. Bilbo teve que se refrear para não copiar a mesma reação do amigo quanto ao que estavam assistindo.

Fili parecia agora perceber o que tinha confessado e ainda mais agora que era o principal centro da atenção da mesa, senão da festa como um todo. Pigarrou, tentando coletar o pouco de compostura que lhe restava.

— Príncipe Legolas. — disse fazendo uma ligeira reverência e depois estendendo a mão para o elfo — Gostaria de falar com você em particular.

— Hã? Como assim? Eu gostaria de ver o pedido de... AI! — Bard foi silenciado por um nada discreto chute dado por Thorin por debaixo da mesa. Fili acenou em agradecimento o seu tio pelo auxilio.

Legolas aceitou o pedido e se deixou ser conduzido pelo anão para um local afastado, próximo de um jardim repleto de gardênias e jacintos de cores pálidas e que emitiam uma quase imperceptível luminosidade, como diminutas tochas brancas tivessem sido acesas das moitas, conferindo a toda a paisagem um clima místico e belo.

— Eu sinto muito. — clamou Fili quando já estavam bastante afastados, movimentando as mãos como que para demonstrar sua insatisfação — Eu não sabia que eles- Eu... Não pretendia e nem planejei que as coisas se desenrolassem dessa maneira!

— Shh... — O elfo tocou delicadamente os lábios do seu amante, aquele simples toque fora o suficiente para não só calar o anão como também conferir um relaxamento imediato. Estivera tão sobrecarregado desde o resgate e mesmo na festa ainda não fora capaz de cessar o seu sentimento de alerta e adrenalina — Está tudo bem, não é sua culpa... Não tínhamos como saber como eles iriam reagir a situação.

— Verdade. — Fili segurou a mão de Legolas, aquela que tinha tocado seus lábios, passou seu dedo áspero por sobre a palma lisa e macia do outro — Mesmo assim, parece que tudo está caminhando de forma tão rápida que chega a ser irreal... Algumas horas atrás você estava trancafiado em um quarto e agora discutimos noivados e política?

— Isso é verdade. — assentiu descontente — Ainda mais, parece que foi ontem que guiei a comitiva de Bilbo pela floresta e tive um diálogo bastante animado com um certo príncipe anão. — nisso, sorriu, relembrando daquele fato. Mesmo que na época já tivesse, de certa forma, conhecido Fili (mas tal conhecimento advinha somente de conversas de terceiros sobre os príncipes rebeldes de Erebor ou mesmo de vislumbres a distância do loiro anão) aquele encontro fora, de fato, a primeira vez que tinha interagido com o herdeiro de Thorin. Recordou o quão decepcionado ficou, inicialmente, e como sua curiosidade deu lugar a raiva depois da troca de insultos feitas pelos dois príncipes... Mas nesse mesmo encontro eles se reconciliaram e uma inesperada amizade nasceu. Quando essa amizade evoluiu para algo a mais? Quando começaram os primeiros flertes? Não conseguia lembrar de uma data especifica, contudo, era natural a atração de um para o outro, o surgimento do romance era apenas uma consequência previsível.

— Eu fui mesmo um tolo naquela vez. — disse Fili coçando o queixo, evidentemente encabulado pelas suas ações passadas.

— Pode até ter sido, — provocou, um leve sorriso brincando nos lábios — Mas mesmo sendo um tolo grande parte do tempo eu ainda gosto de você, não se preocupe.

— Eu não estou preocupado quanto a isso, sei que está perdidamente apaixonado por mim. — disse de forma arrogante, o que fez Legolas dar um soco (talvez não tão leve) no ombro do anão. O elfo agora estava ruborizado, mas não negou a afirmação do outro.

— E só acho... — continuo Fili tentando camuflar a dor no ombro e falhando indubitavelmente, mas ao final não conseguia encontrar palavras para se expressar.

— Bem, eu aceito. — disse Legolas, por fim, confiante.

— Hã?

— Você veio aqui me pedir em noivado, certo?

— Sim, mas... — o anão simplesmente estava perdido; queria ter privacidade para falar com o seu elfo, mas ao mesmo tempo não sabia por onde começar. Pedi-lo em noivado? Estava tão preocupado em salva-lo e poder vê-lo novamente que não planejara fazer um pedido formal pós resgate. Será que Elladan estava certo? Estava com medo de assumir responsabilidades... Assim como o futuro trono de Erebor? Será que era mesmo uma opção correta para substituir o seu tio? Estava cansado de ficar repleto de inseguranças, de não ter confiança em si mesmo. Tinha liderado o resgate, não tinha? Conseguira libertar Legolas e mesmo assim hesitava a dar o próximo passo.

— Doeu, sabia? — o príncipe de Mirkwood se afastou um pouco e começou a caminhar pela trilha de pedras brancas que serpenteava o jardim, pequenos vagalumes voavam no ar, como se pequenas e fracas estrelas tivessem descido a terra para explorar a noite fria da Terra Média — Doeu ficar separado de você... O tempo que permaneci naquele quarto, pensei que iria sentir saudades do vento nos meus cabelos, da floresta, do meu arco, mas o que mais falta me fez foi a sua presença e ainda mais, com a possibilidade de ficar sem te ver por imposição do meu pai. Não quero sentir nunca mais esse pesar que dominou meu coração novamente... Quero ter certeza que, independente dos obstáculos que enfrentemos no futuro, estaremos juntos, como casal e oficialmente, nada mais de romances e encontros as escondidas, não quero que nosso amor fique encoberto nas sombras. Por isso, digo que se para ficarmos juntos é necessário que fiquemos noivos, façamos isso.

Um calor se alastrou por seu peito, contrastando com a atmosfera invernal, tinha perdido tanto tempo buscando palavras corretas enquanto o seu elfo fora capaz de expressar tudo naquele lindo discurso... O anão sorriu, suas inseguranças foram abafadas — poderia ter muitas dúvidas em relação a si mesmo e ao seu futuro, mas uma coisa tinha total certeza: iria trilhar essa jornada ao lado de Legolas.

O príncipe anão se precipitou pelo caminho e novamente segurou a mão do elfo, o puxando para si.

— Legolas Greenleaf, filho de Laeroth e Thranduil, príncipe de Mirkwood. Me concede a honra de entrelaçar seu destino ao meu por meio do matrimônio? Devo enfatizar que esse mesmo matrimônio não irá ocorrer tão cedo, mas isso não muda o fato que desejo viver ao seu lado até o fi m dos meus dias, quando meu corpo repousar sobre a rocha dos meus ancestrais, você estará ao meu lado.

Lágrimas reluziram nos olhos azuis do elfo.

— Fili Durin, filho de Dís, sobrinho de Thorin, príncipe de Erebor. Aceito o seu pedido... Na verdade, já tinha aceitado antes, se não percebeu.

— Eu sei, mas você nem deixou que eu fizesse o pedido de forma correta!

— Agora está satisfeito com o “pedido”, meu noivo? — mesmo falando com esse ar petulante, lágrimas rolavam de sua face.

— Ainda não, falta um pequeno detalhe final.

— E o que detalhe seria esse? Francamente! Vocês anões sempre cheios de tradições e metidos a perfeccionistas-

Fili segurou o rosto de seu noivo e o guiou para perto do seu, a reclamação de Legolas logo fora silenciada quando seus lábios se encontraram com os do seu anão. O beijou selou o pedido e seus destinos: Legolas e Fili agora eram noivos. Todavia, naquele momento eles não mais pensavam no pedido e sim no sentir. Se perder na sensação de completitude, em meio a abraços e beijos... Essa era a verdadeira felicidade que buscavam.

~***~

— Nós não devíamos ter feito isso...

— Você queria ficar e assistir enquanto eles discutem o futuro de Fili e Legolas? Ora, já sabemos que eles ficaram juntos, isso que importa.

— Mesmo assim, não foi educado sairmos sem avisar!

Kili deu apenas um sorriso maroto, como estivesse de deliciando com a fuga e por não ter que seguir a formalidade da festa. O príncipe anão ainda tivera o descaramento de arrastar Drogo consigo, o envolvendo naquela artimanha infantil. Os dois escapuliram para um jardim próximo, seguindo em meios as folhas ainda esverdeadas; pelo visto, as plantas pertencentes a Mirkwood não seguiam a mesma lógicas de suas companheiras na Terra Média em relação as estações. Perpetuavam o seu vigor apesar do frio do inverno e da premissa de neve. Quem sabe fosse magia élfica? Drogo não sabia, mas lhe encantaria saber mais.

— E o que iremos fazer agora? — questionou ao pararem em uma pequena clareira. Evitaram seguir as trilhas de pedras brancas temendo serem descobertos.

— Sei lá. — deu os ombros e se deitou na relva — Relaxe e aproveite.

— Não acredito nisso... — resmungou deitando de contragosto na grama.

Kili riu, ignorando o mau-humor do seu companheiro. Os dois observaram o céu agora estrelado, era sem dúvida belo.

— Isso são vagalumes? — o sussurro do anão fez Drogo virar o seu rosto para o lado e assim notar os pequenos insetos luminosos voando ao redor deles.

— Lindos... — disse assombrado. Vagalumes lhe eram comuns nas noites de verão no Condado, não esperava ver algo assim em pleno fim de outono e início de inverno. Recordava de sua infância, quando tentava capturar os insetos e prende-los em jarras, com os Tûks a caça e captura de vagalumes era quase uma competição... Nostalgia — sentia saudades do seu antigo lar.

— Ei. — Kili notara a mudança no semblante do hobbit — Se quiser, podemos voltar, sabe? Eu só queria que tivéssemos um tempo sozinhos e...

— Não. Está tudo bem. — sorriu, sacudindo a cabeça em sinal de negativa.

— Você ainda está bravo comigo?

— Hum? — arqueou as sobrancelhas surpreso com a pergunta e se virou para fitar o anão, se levantando um pouco para isso.

— Durante essa missão eu me comportei como um tolo. — confessou, cabisbaixo.

— Kili, você meio que se comporta como tolo sempre...

— E-ei! Estou tentando me desculpar aqui!

Drogo riu, mas se conteve ao ver a expressão amoada do outro.

— Certo, você realmente foi mais tolo que o normal nessa missão. Você tem que entender que sou capaz de me defender, posso não ser um exímio guerreiro como vocês anões, mas sei segurar uma espada e usa-la.

Agora Kili emitiu um grunhido de desaprovação.

— Eu admiro a sua coragem, Drogo, mas ainda não sabes como usar de verdade uma espada.

Drogo franziu o cenho, emburrado.

— Pois então, me ensine! Você já tinha feito antes, não é mesmo? Por que não continuou me treinando?

— Achei que...

— Achou o que, Kili? — insistiu.

— Depois do encontro com o orc branco... Tenho medo que se eu te ensinar a lutar você se precipite em entrar em um confronto e que se machuque ou pior... — soltou um rouco suspiro e acrescentou por fim — Não quero te perder, Drogo. Já não consigo ver a minha vida sem ter você ao meu lado.

O Bolseiro deixou que sua mão caísse sobre a grande mão de Kili e a apertou com ternura.

— Também não quero te perder, Kili. Por isso, quero aprender a lutar, pois assim batalharei para ficar vivo e ao seu lado. Você mesmo disse que Erebor não era tão segura quanto o Condado, lembra? Nossas vidas não são uma calmaria, infelizmente, por isso não quero que tentes colocar uma redoma de vidro sobre mim e me isolar do mundo.

— Anões também são ótimos artesões de vidros, sabia? Aposto que conseguiria construir uma redoma indestrutível para te proteger!

— Kili!

— Estava brincando. — sorriu de forma jovial elevando a mão de Drogo até os seus lábios e a beijando, o pequeno hobbit logo corou com o gesto. Kili tinha uma estranha habilidade mudar de brincalhão para romântico em um piscar de olhos o que gerava uma verdadeira confusão de sentimentos no Bolseiro —Aceitas as minhas desculpas?

— Só se prometer que retorne o meu treinamento.

— Está bem, mas não esperes um tratamento especial, pois vou querer que vires um verdadeiro guerreiro! Os orcs irão temer ao ouvir o seu nome: Drogo, o sanguinário!

— Eca... Não exageres, querido. — riu, mas foi surpreendido novamente por Kili, que com o puxão o fez cair sobre o peitoral firme do príncipe.

— Que tal um beijo? Só para comprovar que fizemos as pazes. — pediu manhoso, Drogo achava cada vez mais difícil de resistir as demandas feitas pelo anão moreno.

— Só um beijo? — ousou perguntar, enrubescendo logo em seguida.

— Bem, agora que você questionou... — Kili se levantou um pouco, se aproximou do rosto do hobbit, que engoliu em seco; mas o anão não buscou sua boca, e sim uma suas orelhas pontudas, onde sussurrou — Essa roupa que estás usando me fez sentir quente por dentro- na verdade, a quentura se concentrou mais em alguns lugares do meu corpo do que em outros... Você a vestiou para me provocar, meu pequeno guerreiro?

— E-eu... O-ra, não seja bobo! Nem tudo que faço é para chamar a sua atenção, sabes?

— Pois isso é uma pena, pois a maior parte das coisas que faço é para chamar a sua. — com isso beijou o hobbit antes que este desse uma resposta. Os dois rolaram na grama gelada e agora Kili estava por cima de Drogo, atacando sua boca com um ardente desejo, que era igualmente correspondido pelo Bolseiro. Mãos navegavam pelo corpo do hobbit, a vestimenta era tão fina que podia sentir com facilidade as ásperas mãos de Kili o apalpando, massageando...

Talvez não tivesse sido totalmente verdadeiro...

Talvez tivesse se vestido para Kili.

O anão alcançou a barra da túnica e começou a subi-la lentamente, fazendo questão de se demorar, apreciando a visão da pele branca do hobbit se revelando ao perder a camada de tecido.

— N-não devíamos estar fazendo isso. — disse Drogo ofegante — Primo Bilbo ficará bravo...

— Que fique. — murmurou Kili deixando que sua mão explorasse um ponto em especial da anatomia do seu hobbit.

Ah! Kili! — arfou ao sentir seu membro ser segurado firmemente. Suas costas arquearam, tentou conter sua voz, mas não conseguia... Era uma sensação nova e alucinante.

— Não podemos retornar a festa desta forma, não é mesmo? Com essa roupa, ficaria muito evidente a sua excitação...

— Se estou excitado, isso é tudo a sua culpa. — resmungou tentando lançar um olhar irritado para o príncipe.

— Verdade. — com a outra mão livre, Kili segurou a mão do menor e a guiou para um evidente relevo nas calças do anão. Drogo engoliu em seco ao sentir o membro ainda coberto do outro sob suas mãos. Já o tinha visto antes... Tinha ficado surpreso com o seu tamanho e também tinha desperado pensamentos nada castos.

“Primo Bilbo irá ficar muito decepcionado comigo...” pensou, mas não se deteve. Seu desejo era bem maior que a sua consciência.

— Isso também é a sua culpa, Drogo. O que pretendes fazer a respeito?

Drogo mordeu o lábio inferior e massageou a ereção coberta de Kili arrancando um resmungo rouco do seu companheiro.

Kili se lançou sobre o hobbit, beijando-o lascivamente. Continuavam a rolar na grama, mãos exploradoras agora tinha encontrando seu “prêmio”. Roupas foram retiradas e jogadas aleatoriamente no mato. Apertavam, massageavam, movimentavam... Os dois soltavam gemidos, arfavam, murmuravam o nome de um e de outro como uma oração. Os sons da festa haviam se esvanecido, o próprio frio não mais existia. Eram só eles. Seus corpos e seus desejos.

Drogo foi o primeiro a sentir que chegava ao seu limite, tentou avisar a Kili, mas nenhuma palavra inteligível saía dos seus lábios. Quando por fim gozou, seu corpo tremeu, sua mente apagou e seu coração quase explodiu de seu peito. Não demorou muito para Kili alcança-lo, falando em sua língua anã ainda desconhecida pelo hobbit:

Eu te amo...

E se deixou cair sobre o Bolseiro, sem ar, sem importar que se melarem com o próprio gozo e tão pouco pela nudez de seus corpos.

— O que você disse? Em khuzdul? — inqueriu em um sussurro Drogo acariciando os cabelos castanhos do seu amante.

— Hum... Depois eu te digo. — disse manhoso — Agora quero dormir um pouco.

— Dormir? Aqui? Estás louco! — falou alarmado, ainda mais ao ver os olhos do príncipe se fecharem.

— Sem dúvida, vocês devem estar loucos. — uma terceira voz foi o suficiente para fazer Kili despertar e levantar a cabeça para o alto. Um outro anão os observava com um olhar crítico.

— Fili?

— Ola, Kili. — acenou — Drogo. — também acenou para o envergonhado hobbit que cobria o rosto com as mãos desejando desaparecer.

— Acho que isso pertence a vocês. — Legolas indicou o resto da túnica de Drogo que segurava nas mãos— Vocês deixaram uma verdadeira trilha de pistas pelo caminho, sabiam?

— Obrigado? — disse Kili meio incerto.

— Deve agradecer a Mahal por nós termos encontrados vocês e não nossos tios!

— Sim, irei fazer uma prece especial para ele quando chegarmos em Erebor, prometo.

— Kili, estou falando sério!

— Menos briga e mais roupa, sim? — pediu Legolas que já estava começando a ficar embaraçado com a situação — Aliás, gostaria de avisa-los que eu e Fili agora estamos noivos.

— Oh. — Drogo que já tinha pegado sua túnica e se vestia rapidamente — Hm... Parabéns.

— Nossa! Já? Parabéns, irmão! — disse afoito Kili esquecendo sua evidente nudez e indo abraçar o irmão.

— Obrigado, Kili, mas sem abraço, sim? Não que não deseje o seu afeto, mas já reparou que está sujo?

Kili olhou para o seu peitoral e barriga melados com uma substância branca.

— Ops. — riu nervoso o anão mais novo.

— Sim, um grande ops.

— Mais roupa, por favor! — clamou Legolas.

A missão de resgate tinha terminado, mas a aventura épica do romance havia apenas começado.

Notas finais
Só para deixar claro: Não se preocupem coma demora, não significa que abandono a história, ok? Simplesmente escrevo várias outras histórias ao mesmo tempo, além das responsabilidades relacionadas a vida pessoal e profissional. Por isso, relax and take it easy! Ok? Agora em relação ao capítulo: Parece que "Frodo" irá ser formado mais cedo ou mais tarde, ne não? Espero que tenham gostado! Feliz ano novo! / Lady: vocês já deviam ter desistido de mim, sério. que coragem feliz ano novo eh nois