Os dois reis sob a montanha
57 Saindo da frigideira para cair no fogo
Notas iniciais
O retorno a Erebor foi muito mais animado que a ida a Mirkwood. Fili estava sorridente, o peso que ao longo das semanas jazia em suas costas, parecia ter sido retirado, de modo que o jovem anão brincalhão tinha retornado, para um certo desespero por parte de Thorin que gritava vários palavrões em khuzdul diante das provocações e brincadeiras partilhada entre seus sobrinhos. Naquele momento, Kili e Fili cavalgavam logo a frente em uma curta corrida descendo a colina.
— Esses idiotas... — ralhou o primeiro rei, cerrando as mãos sob as rédeas do seu pônei — Como os guardas irão protege-los se ficam correndo para um lado e outro?
— Não esqueça que eles são guerreiros, Thorin, creio que saibam se cuidar. — comentou Bilbo sentando confortavelmente em sua charrete, ao seu lado estava Drogo que embalava o afoito Frerin II.
— Sabem mesmo? Tenho minhas ressalvas quanto essa questão. — resmungou — não me admiraria que eles caíssem de suas montarias, com a bunda em cima de suas espadas!
Bilbo conteve uma risada ao imaginar o fato.
— Kili pode parecer ter a cabeça em meio as nuvens, mas é um guerreiro muito capaz. — respondeu Drogo, para a surpresa do casal real que o miraram com interesse, o pequeno hobbit notou a súbita atenção voltada para sí e logo começou a gaguejar — D-digo... Isso é só a minha o-opinião...
— Humm... — Thorin ergueu uma sobrancelha — Você passa muito tempo com o meu sobrinho, não é mesmo?
— S-sim, senhor. — falou quase em um sussurro, Drogo.
Bilbo franziu o cenho para o marido, já pronto para intervir, mas o Durin levantou a mão em gesto simples para que ele esperasse.
— Também ouvi falar que Kili estava te treinando.
— I-isso é verdade.
— Isso é algo muito maduro da parte dele. Eu também treinei Bilbo, quero que ele esteja preparado para se defender quando eu não estiver ao seu lado. Aliás, tenho que começar a treina-lo de novo, já que parece ter recuperado do parto e tal...
Drogo deu um leve sorriso com aquele comentário ainda mais com o rubor que se alastrou pela a face de seu primo. Bilbo sabia o quanto daqueles ditos “treinamentos” resultaram em outro tipo de exercício com outro tipo de espada... Quem sabe Frerin não fora justamente formado em uma dessas sessões? Pelo visto, o libido de Thorin Escudo-de-Carvalho Durin tinha retornado com toda a força depois do período de limitações carnais recomendadas por Oín.
— O que quero dizer é que... O seu relacionamento com Kili parece fazê-lo ser mais responsável.
— Oh... Obrigado? Er...Magestade! — O jovem Bolseiro não sabia muito bem como agir diante do primeiro rei, sempre achou sua figura muito altiva, ainda mais por ser um rei! Como um simples hobbit se aproximaria de alguém assim? Quem sabe fosse tolice de sua parte, era um Bolseiro, pertencia a linhagem real do Condado, mas mesmo assim, nunca fora “treinado” para os requintes da realeza. Sim, seu primo agora também era um rei, na verdade, já tinha encontrado diversos reis nesses últimos meses! Bard, Thranduil e mesmo o Lord Elrond... Todos eles eram figuras de prestígio na Terra Média. Quiçá estava mesmo sendo um tolo não conseguindo falar normalmente com o marido de Bilbo.
— Drogo.
O garoto levantou a cabeça, pois sempre que falava com Thorin evitava mira-lo no rosto (um gesto involuntário, que não conseguia controlar). O primeiro rei exibia um sorriso amável.
— Nós somos uma família, não é mesmo? Pode me chamar de Thorin.
Drogo assentiu rapidamente, o vermelho já dominava suas bochechas alvas.
— Ainda mais, acredito que no futuro seremos ainda mais família, afinal, prevejo que meu sobrinho deverá te pedir em noivado.
Agora era o pequeno Bolseiro soltou uma espécie de exclamação mesclada com um engasgo, um som nada bonito, de fato, mas arrancou uma risada gostosa de Frerin II.
— Thorin! — reclamou Bilbo — Pare de provoca-lo, sim? Ainda mais, Drogo ainda é muito novo para discutir sobre noivados e essas coisas... Já basta Fili estar noivo! Por Yavanna!
O primeiro rei somente sorriu e nada disse, voltou sua atenção para o horizonte onde a grande montanha jazia imponente. Estavam se aproximando de seu lar, contudo, nuvens cinzentas pareciam envolver o cume da montanha solitária, um prelúdio de uma grande tempestade quiçá, o que gerou um certo descontentamento no anão. Sentia que ainda não podia relaxar, aquele só podia ser um sinal que mais problemas o esperavam... Podia sentir em seu sangue, em seus ossos. Uma nova batalha se aproximava.
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As longas trombetas de prata tocaram anunciando o retorno da comitiva real. Contudo, mal o grande portão principal fora aberto, quando um anão se aproximou em passos rápidos, era Gloin e seu semblante estava obscurecido de preocupação e seriedade. Thorin atiçou o seu pônei para ir de encontro ao amigo.
— O que está acontecendo? — quis saber Bilbo questionando Balin, mas esse também trotou com o seu cavalo para perto do primeiro rei sem lhe conferir uma resposta apropriada.
— Acho que é problema no conselho. — chutou Dwalin dando os ombros, não parecia muito preocupado.
— Bilbo! — mais um anão veio correndo do grande portão, era Ori, desta vez Dwalin expressou apreensão — Bilbo!
Ori parou junto a charrete ofegante. Fili e Kili tinha trazido seus pôneis para perto, com expressões confusas nos rostos, pelo menos no rosto do príncipe mais novo, Fili, por outro lado, exibia determinação e seriedade no olhar.
— O que está acontecendo, pelo amor de Yavanna! Por que todo esse alvoroço?
— O c-conselho... — tentou falar o bibliotecário, tomando ar ao pronunciar cada silába, aquele anão não estava acostumado a correr longa distâncias em tão curto tempo! Carregar, catalogar e traduzir livros utilizava outro tipo de músculo... Não apreciado muito pelos anões guerreiros.
— Sim, o conselho, sempre causa problema, Ori... Isso não é novidade.
— Eles... E-estão...Votando.
— Votando? — o segundo rei franziu o cenho, seu coração acelerou subitamente — Em que, precisamente?
— Em quem...Deveria ser o novo sucessor do trono. — falou por fim, enxugando o rosto úmido de suor com a manga negra de sua túnica.
— Novo sucessor? Mas Fili é o sucessor.
—E-eles acreditam que Fili não seria adequado para o cargo por estar...Er...Se relacionando com um elfo.
— Eles? Ou seria ele...Um certo anão que conheço muito bem. — Bilbo praticamente rosnou. Frerin II que observava tudo com seus grandes olhos verde-azulados, começou a choramingar, sentindo a tensão do ambiente — E o safado aproveitou a saída minha e de Thorin para sugerir essa votação? Isso seria um ato legal?
— Er... Seria se o conselho não considerar que o primeiro rei seja capaz de julgar a situação.
— Como é?! — se Bilbo estava irritado antes, agora estava simplesmente furioso — Isso é um golpe! Estão tentando usurpar a autoridade de Thorin!
Frerin II começou a chorar, isso parecia ter despertado o Bolseiro daquele mar de fúria que o envolvia. O segundo rei foi amparar o seu assustado bebê, pensando no grande problema que tinha adentrado.
— Até parece que estamos saltando da frigideira para cair no fogo. — resmungou, mais para si mesmo do que para o grupo que o ouvia.
— O que iremos fazer? — quis saber Kili.
— Acho que Thorin deve pensar em algo... — sugeriu Dwalin dando o seu cantil de água para o ainda ofegante Ori.
— Não só o tio Thorin! Esse assunto também me é pertinente! —falou incisivo Fili que atiçou seu pônei e se dirigiu para aonde se encontra o primeiro rei. Bilbo assentiu, orgulhoso pela iniciativa do sobrinho, nem precisou empurra-lo diante da responsabilidade, o jovem anão já estava seguindo o caminho que optara por trilhar.
— Lorde Glorin deve estar por trás de toda essa zorra. — o segundo rei praticamente rangia os dentes — Será que posso comparecer ao conselho e dar uma boa surra bem no meio daquele grande nariz pomposo?
— Infelizmente, não acredito que seja uma boa ideia. — falou Ori — Sabe que muitos daqueles anões não acreditam que a função do segundo rei deveria abranger assuntos políticos.
— Oh, sério? Não me diga? Aposto que eles pensam que minha função aqui é só parir os filhos do Thorin?
— Er... — o pobre bibliotecário começou a suar novamente, mas dessa vez o motivo não era o exforço físico e sim temendo falar alguma besteira o que resultasse na explosão de Bilbo, já tinha visto isso ocorrer, mas nunca direcionadas a sua pessoa.
— Não precisa responder, Ori, foi uma pergunta retórica.
— Bilbo, melhor não complicar mais as coisas. — disse Drogo que abraçava o próprio corpo, só imaginar Lorde Glorin e seus olhos lascivos sobre si o fazia ter calafrios — Sei que está chateado, mas agir em meio a fúria não pode dar bons resultados.
— O pequeno hobbit tem razão. — assentiu Dwalin — Vamos nos dirigir aos aposentos reais e tentar formular algum plano.
— Certo, posso aceitar isso, só não espero que Thorin espere que eu fique em nosso quarto esperando por notícias como um breeder belo, recatado e do lar. Não irei admitir que alguém machuque a minha família dessa maneira. — dito isso Bilbo lançou um último olhar ao seu marido, mas esse já estava sendo conduzido para a seu novo “combate”, contudo, antes de desaparecer por um corredor lateral, Thorin olhou de relance para o seu esposo e forçou um sorriso que o segundo rei logo correspondeu. Não iria permitir Thorin lutasse sozinho... Iria pensar em algo. Prometera a si mesmo.
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— O povo sabe dos estratagemas de lorde Glorin? — a pergunta foi feita enquanto Bilbo fazia o seu chá, na portátil cozinha existente no seu quarto. Pensava também em fazer um bolo e também biscoitos, não que tivesse mesmo com fome, mas cozinhar sempre fora uma válvula de escapar para as suas frustrações.
— Vocês só ficaram uns três dias fora... O conselho agiu rápido, mas a população nada sabe sobre o que está acontecendo de fato. Na verdade, só aqueles mais próximos do ciclo administrativo e burocrático do governo é que tem ideia da confusão que Lorde Glorin e seus aliados estão fazendo. — esclareceu Dori, o anão tinha acabado de chegar com mais notícias da crítica situação.
— Isso não seria considerado algum tipo de traição? — agora a sua pergunta foi direcionada a Ori, afinal o jovem anão era o intelectual do grupo, se alguém sabia das interpretações das complicadas leis de Erebor, esse seria ele.
— Tecnicamente, não. Como disse antes, se o conselho, em sua maioria considerar que as emoções do monarca estão obscurecendo o seu julgamento em determinada questão, então, eles assumem a autoridade e o poder de decisão. Essa lei foi criada depois... Er... Bem...Depois que o avô de Thorin enlouqueceu... Na verdade, foi o próprio Thorin que formulou essa lei, como uma medida preventiva para si e para os reis futuros. — falou enquanto mirava a xícara vazia de porcelana que fora colocada diante de si por Drogo. Hobbits eram criaturas mesmo estranhas, analisou o bibliotecário, em um momento como aquele pareciam ter assumido ainda mais sua característica “caseira”.
— Eles estão usando a lei criada por Thorin contra ele? Isso é horrível... — Drogo cerrou o punho, não gostava daquela sensação de Déjà vu, era como tivesse retornado a Hobbiton, diante de Leoamros Justa-Correia e de seus planos de o forçar casar, ou mesmo quando o enganou para que tomasse as poções e o transformasse em um Breeder antes do tempo de seu amadurecimento, pondo em risco a sua vida, lógico que não podia esquecer do que ele tinha feito com a balsa que resultou na morte de sua melhor amiga. Indivíduos com más intenções, manipuladores, existem em todos os reinos... Seja no Condado ou em Erebor.
— Bem, vocês disseram que eles queriam votar para um novo sucessor ao trono... E quem seria esse? — Bilbo já estava misturando a farinha, manteiga e os ovos. Kili, debilmente retirava a chaleira do forno e servia o chá.
— Essa é uma boa questão. Não ficou muito claro quem seria o candidato. — comentou Dori acariciando sua barba.
— E quanto a Dís? Ela ficou responsável por coordenar as coisas por aqui, durante nossa ausência... — lembrou-se subitamente o segundo rei parando até de bater a massa — Eu não a vi na entrada? Ela não nos recepcionou!
— Ela não poderia, pois a um dia atrás recebeu um corvo das Colinas de Ferro, do primo Daín Pé-de-ferro, pedindo por sua audiência urgente em uma determinada questão... Dís, antes de vir a Erebor, exercia uma função de conselheira de finanças no governo de Daín. — explicou rapidamente Dori.
— Falou muito bem, ela exercia, agora ela é terceira no comando de Erebor! Não poderia abandonar o posto assim!
— Daín ajudou indiretamente financiando Thorin e sua comitiva, foi um dos poucos a dar um voto de confiança ao primo quando a maioria dos anões acreditava que Erebor não poderia ser reconquistada. Os irmãos (tanto Thorin quanto Dís) estão em dívida com Daín. Mas... Você tem razão... Não creio que Dís sairia do seu posto por uma carta qualquer... Talvez algo tenha ocorrido nas Colinas de Ferro.
—O conselho começou essa loucura de votação precisamente um dia atrás, não é?
—Er...Sim.
— Quando Dís saiu. Alguma coisa na carta deve ter a forçado ir... Ou melhor, alguém forjou uma carta sabendo da reação da princesa ao lê-la.
Os anões que ali estavam miraram Bilbo surpreendido com aquela conclusão. Drogo deu um tímido sorriso, eles ainda não tinham se acostumado com as habilidades dedutivas do Bolseiro mais velho?
— Isso é uma acusação muito séria, Bilbo. — Dwalin se pronunciou, lentamente — Se alguém realmente fez isso, esse mesmo alguém vai ser julgado por traição!
— Não é uma acusação é um fato. Se querem confirmar o que digo, mandem um corvo a Daín perguntando o motivo de chamar a princesa as colinas. Ainda mais, mandem uma carta a Dís que ainda deve estar no meio do caminho, explicando o que está ocorrendo a Erebor na sua ausência.
Dori e Ori trocaram olhares.
— Isso é uma ordem? — inquiriu o bibliotecário com receio.
— Sim, é uma ordem. — assentiu convicto — Quanto mais rápido desmascaramos Lorde Glorin, melhor!
Os dois anões prontamente se levantaram e saíram apressados do quarto. Dwalin parecia pensativo, talvez matutando na verdade por trás daquelas conjunturas. Um anão acusado de traição tinha uma das piores penas, arrancam-lhe seus olhos e língua, o deixam vagando pela montanha desprovido de armamentos e provisões, era uma morte solitária e lenta, isso desestimulava muitos a cometerem tal crime... Glorin teria que ter muita confiança em seu plano, para cometer tal ato desleal de traição.
— Vamos ter biscoitos? — soltou a pergunta Gimlin ansioso em sua cadeira, fazendo careta ao ver sua xicara ser preenchida com chá — Posso ter chocolate quente?
— Depois, se começar a falar a língua comum. — sorriu momentaneamente Bilbo, desejando ter a inocência e alienação de uma criança quanto aos problemas que se empilhavam sob sua cabeça. Glorin deseja escolher o próximo sucessor, isso parecia lógico, ainda mais tendo em vista que Thorin nunca cedia a seus pedidos de aumento de impostos, restrições no comercio de modo que beneficiasse os produtos do próprio Glorin, entre outras demandas tolas, logo para o rico anão comerciante o atual primeiro rei era um estorvo, mas também era um herói, logo, não podia simplesmente elimina-lo, sem antes trazer a fúria de toda Erebor sobre si mesmo. Sim, Bilbo imaginava que a ambição de um indivíduo, seja ele anão, hobbit, elfo ou qualquer outra raça possa impelir a matar. Já tinha visto isso antes, Leoamros e outros membros das famílias nobres do Condado pareciam mais preocupados em salvar suas riquezas, títulos e suas vidas em detrimento de dar a mão a um hobbit necessitado, escolhendo ficar cego quanto as mortes que ocorriam a sua volta, o descaso e apatia eram também formas de assassinar. Egoismo, falta de empatia, orgulho exacerbado, essas eram as características que moldavam uma pessoa desprovida de sentimentos para com o seu próximo e cujo objetivo seria sempre se beneficiar em qualquer situação. Mas quem seria o herdeiro ideal para Glorin?
— Ah! Frerin! Você fez coco de novo? — reclamou Dwalin que tinha ficado incumbido de ser babá do pequeno hobbit-anão, esse, por sua vez soltou uma risada divertida ao ver a careta de nojo no rosto do seu “tio”.
— Não... — balbuciou o segundo rei horrorizado com a sua própria conclusão.
— Tio Bilbo? O que foi? — Kili se levantou preocupado com a súbita mudança de semblante do segundo rei.
— Primo Bilbo? — Drogo logo estava ao seu lado igualmente preocupado.
— Eu acho que entendi o plano de Glorin.
— Sério? — Dwalin arqueou uma sobrancelha, descrente.
— Sério. — respondeu ríspido Bilbo — Acho que devemos chamar mais guardas leais a Thorin, para proteger a ala Real.
— Hã? Como assim? Já temos muitos guardas aí fora. E você tem a mim? Não é o suficiente? — o dito “guarda-costas” (e babá nas horas vagas) parecia ofendido.
— Não sei. Lorde Glorin não teria ido tão longe se não tivesse aliados. — comentou entregando a tigela com a massa para Drogo e indo rapidamente tomar Frerin II dos braços do outro anão.
— Mas qual seria o plano de Glorin, afinal? — quis saber Kili — Sabe quem seria o herdeiro que eles desejam?
— Pensem, qual seria o herdeiro ideal? Aquele que facilmente possa ser manipulado, principalmente se for muito novo, logo seria fácil ensina-lo o modo adequado de “reinar”.
Drogo soltou um palavrão em élfico (tinha aprendido ao ouvir os resmungos de Legolas em Mirkwood). Contudo, Kili e Dwalin ainda estavam totalmente confusos.
— Eles querem o Frerin II. — falou em quase um sussurro, Drogo.
— Thorin não iria permitir! O que você está insinuando é que eles vão sequestrar Frerin? Retirar Thorin do trono? Isso é um absurdo! — Dwalin praticamente urrou. Gmilin choramingou, afinal ainda era uma criança e toda aquela tensão o estavam deixando assustado. Kili foi acalenta-lo, mas suas próprias mãos tremiam devido a raiva que começava a queimar dentro de si, como um chama de uma grande fogueira nas fornalhas. Se Glorin iria machucar a sua família como Bilbo tinha concluído, iria mata-lo. Não pensaria duas vezes antes de pegar seu arco e atirar uma flecha na garganta daquele asqueroso membro do conselho.
— Não é um absurdo é uma possibilidade. — murmurou Bilbo.
Antes que Dwalin pudesse argumentar contra aquela loucura se ouviu som de espadas se chocando, escudos sendo usados, gritos e exclamações na língua dos anões. Tudo isso vindo do corredor a poucos metros dali. Dwalin e Kili trocaram olhares, logo os dois empunharam as suas espadas.
— Maldito seja, Lorde Glorin. — Bilbo abraçou o seu bebê de encontro ao seu peito — Que Mahal o condene a perdição.
Hobbits não eram criaturas violentas, isso era um fato, mas optariam para lutar para defender aqueles que amam. Bilbo, com uma mão livre empunhou a sua espada e Drogo prontamente o seguiu. Gimlin segurou a sua espada de madeira, mas se prostrou atrás dos Bolseiros, segurando o choro, afinal também era um guerreiro anão e deveria proteger Frerin.
O som do combate se aproximavam...
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