Os dois reis sob a montanha
35 Chegada a Valfenda
Notas iniciais
Drogo pensava ter se acostumado com o cavalgar, afinal, já fazia mais de uma semana que tinham começado a jornada. Contudo, agora, enquanto corriam para se salvarem dos orcs sedentos por sangue, sentia que, infelizmente, não tinha de fato se preparado para aquelas mudanças bruscas de velocidade, entre saltos e desvios.
– Legolas! Quão perto estão? – Gritou Fili, que cavalgava ao lado do grande corcel do elfo.
– Estão muito perto. – Respondeu o elfo, extremamente sério. O pequeno hobbit tremeu com o tom de voz. A rapidez do galope o impedia de ver com clareza a paisagem a sua volta, mas sabia que estavam em um bosque. As árvores passavam rapidamente e tudo parecia amedrontador — a penumbra gerada pelo o pôr do sol, os uivos e urros sem um ponto certo de origem.
– Estamos perto de Valfenda? – Perguntou Glóin, sem ao menos adicionar um comentário maldoso sobre a morada élfica, e isso só demonstrava o quão séria estava a situação.
– Eles estão nos cercando! – Agora era a vez de Kili gritar, com certa urgência. Drogo se virou para encará-lo; talvez a visão de seu amado amenizasse o medo que dominava o seu coração. Contudo, uma flecha surgiu da escuridão e acertou, certeiramente, o pônei de Kili, fazendo o príncipe ser lançado ao chão.
– KILI! – Gritou o jovem Bolseiro em desespero. Fili já estava dando meia volta para ajudar o irmão, Legolas praguejava em élfico e Glóin já desmontava de sua montaria, pegando o seu machado e se preparando para a batalha que, agora, parecia inevitável.
– Venham, seus vermes nojentos... Produtos da diarréia de um troll! – Bradou o anão mais velho.
Legolas também saltou do seu cavalo e ajudou Drogo a descer, este rapidamente correu para o lado de Kili. O príncipe anão tentava, em vão, se levantar. Um filete solitário de sangue escorria de sua testa, e além disso, atrás de si o pônei relinchava agonizante. A queda em alta velocidade deve ter causado ferimentos graves no pobre anima – mais do que a própria flechada.
– Acho que torci meu calcanhar... Ou o quebrei. — Resmungou o jovem anão, mal humorado. Drogo mordeu o lábio inferior, aflito até de mais. Seu coração apertou ao ouvir aquelas palavras. Tentou ajudar o seu amado a se levantar, mas este o afastou sem demoras. Drogo não titubeou — a teimosia e orgulho dos anões perduravam mesmo – principalmente — em situações críticas como esta.
Agora era a vez de Fili praguejar em sua língua. O hobbit tentou se fazer útil, retirando rapidamente algumas ervas de sua mochila. Estava trêmulo e não ousava olhar ao redor.
– Eu posso tratá-lo – E realmente podia; tinha um grande conhecimento sobre ervas medicinais.
– Não temos tempo! – Cortou Fili, já empunhando a sua espada.
– Drogo, fique atrás de mim. — Falou Kili, se levantando com dificuldade, mas mesmo assim segurando seu arco e algumas flechas. Demorou até parasse, estável, no chão, mas Drogo tinha perdido a paciência.
– Tolo! Achas que tens condição de me dizer isso? Eu que deveria estar te defendendo e não o contrário! – Falou o menor, então, puxando uma espada que estava na cintura do anão, para surpresa do jovem príncipe.
– Você só teve uma aula! Acha que você tem condições de lutar contra inimigos de verdade? – Bradou Kili, furioso, sem querer.
– Pois tão pouco tens condição de lutar! – Esbravejou Drogo.
– Já chega vocês dois! – Interpôs Fili, mais irritado e preocupado que todos os dois – Esse não é o momento para brigar.
– Ele tem razão... – Legolas, de flecha já alinhada à corda de seu arco, disse. A flecha foi lançada rumo ao breu da noite, que agora já avançava sobre eles. Não tinham luz! Tinham que ter acendido alguma tocha ou algo do tipo – mas na urgência de apagar os vestígios do acampamento, não pensaram nisso. Mesmo assim, na escuridão, um grito de agonia se fez, e Legolas soube que tinha acertado o seu alvo. Um deles, pelo menos.
– Fiquem juntos! — Comandou Fili, puxando uma corrente do seu pescoço. O pingente dado pelo elfo brilhava, e mesmo a sua tênue luz era capaz de afastar as sombras do grupo, mas não era forte o suficiente para iluminar o bosque. Mais uivos e urros foram ouvidos.
Drogo segurava a sua espada, entretanto suas mãos estavam tremendo. Muito. Como nunca estiveram ao podar uma rosa. Temia não ter coragem de tirar a vida de alguém, mesmo que esse alguém fosse um monstro e quisesse dizimar aquele pequeno grupo. E se falhasse? E se seus companheiros se ferissem por qualquer deslize seu? Era o elo mais fraco do grupo e estavam ali por causa dele — por isso tinha que se esforçar mais. Não iria morrer ali! Não tinha escolhido aquela jornada para perecer logo no início – percebeu que não era a primeira vez que pensava aquilo. Respirou fundo.
– Vai dar tudo certo... — Sussurrou Kili, sem a raiva anterior, que já tinha se esvaído do seu semblante – Vamos escapar dessa. Quero que veja o quão bela é Erebor — e ainda tem o filho do Bilbo! Não podemos perder esse evento, não é? Aposto que tia Bilbo iria ficar muito chateado. – Disse ele, tentando apaziguar a situação. Mas ela só piorava.
– Kili... — Drogo sentiu uma lágrima solitária rolar por seu rosto suado. O príncipe anão queria animá-lo e dar esperança, mesmo em um momento como aquele? Rapidamente limpou os olhos com as costas das mãos e engoliu o choro – S-sim. Nós iremos ver Erebor juntos.
Aquilo não era uma promessa vã. Não! Eles iriam a Erebor.
A esperança que começava a se formar em seu peito praticamente evaporou quando os Wargs chegaram à clareira onde se encontravam. A luz iluminou parcialmente as feras que os circundavam, rosnando e salivando. Drogo já tinha visto aqueles seres, e a sua infância fora povoada de pesadelos nos quais aqueles lobos gigantes eram os personagens principais. Tentara esquecê-los, mas ali estavam, não mais sendo frutos de suas lembranças reprimidas, a poucos centímetros de um ataque mortal.
– Para trás, feras! – Bradou Glóin, girando o machado sob a sua cabeça, sem muita graciosidade. Mas o intuito não era esse, mesmo. Os animais realmente se assustaram, e um deles recebeu um corte profundo no maxilar, emitindo um ganido. Legolas atirou mais algumas flechas, bem como Kili, e os perseguidores se afastaram. Podiam-se ver os olhos dos wargs, bem como os dos orcs na escuridão, tais como gemas, amarelas e azuis, brilhando e faiscando.
– Maldito anão! – Rosnou um orc – Será o primeiro a morrer!
– Quieto! – Outro ser falou. Sua voz era grave e fria, mais que as outras, de modo que gerou um calafrio no hobbit. O pior é que todos se aquietaram com aquele comando. Até eles próprios. Legolas não vacilou em seu arco, porém, e Fili estava tenso segurando a espada. Quem quer que tenha falado, emanava poder e perigo.
– Eu avisei que os anões são a minha presa... – Nisso, um warg branco e sujo saltou para o meio do grupo. Legolas atirou uma flecha, mas errou por milímetros do seu alvo, que desviou. Glóin e Fili saltaram para o lado, sendo recebidos por um grupo de orcs montados em seus wargs. Kili foi mais lento e tropeçou na perna ferida — e Drogo não o abandonou. Tentou ampará-lo e servir de apoio para que o príncipe se levantasse.
“Yavanna, nos ajude!” Pensou desesperado – e, como se a Valie tivesse ouvido as suas preces, as nuvens que cobriam o céu se dissiparam, permitindo que os a luz da Lua e das estrelas iluminassem o local. Contudo, talvez a cegueira fosse uma opção melhor — já que agora Drogo podia ver, com detalhes, os seus inimigos. Eram cerca de 10 orcs montados naquelas feras-lobo. Fili e Glóin lutavam, lado a lado, em um extremo na clareira. No outro, Legolas lançava uma chuva de flechas em seus inimigos, fazendo com que alguns deles caíssem. Todavia, a situação mais crítica era a que Drogo se encontrava: diante dele, o warg de pelagem esbranquiçada e o orc, denominado Azog, o analisava. Na verdade, seus olhos estavam voltados a Kili que, ofegante, tentava se levantar, mas a perna agora ensanguentada (indicando a gravidade do ferimento) o impedia.
– Ora, ora... — Sorriu Azog, algo que era muito estranho de se observar, pois mais parecia uma expressão de dor. Isso fez Drogo chegar a conclusão de que orcs não foram feitos para sorrir – Um príncipe anão... Que sorte a minha.
– Como você... — Kili mordeu o lábio inferior, contendo a pergunta.
– Lógico que sei muito bem sobre a linhagem do meu inimigo. Os Durins... –Gargalhou – Já imagino a dor e a tristeza que o grande rei Thorin sentirá quando eu entregar a cabeça de seus amados sobrinhos... Esse encontro não podia ser mais afortunado.
– P-para trás! – Disse Drogo, apontando a lâmina de sua espada para o inimigo, se colocando entre Azog e sua presa. A espada tremia tanto que ele temeu não conseguir segurá-la por mais tempo. O warg parecia surpreso com a presença do pequeno hobbit, talvez o tivesse esquecido, ou nem tivesse o notado de primeira. Rosnou. – A única c-cabeça a ser tirada aqui s-será a sua! – Gaguejou, mas conseguiu dizer a frase até o fim.
– Drogo... – Kili estava abismado com a atitude do seu amado. Abismado, maravilhado e extremamente preocupado.
– Thorin, para me vencer no nosso último confronto, usou um tronco podre de carvalho como escudo. Agora o seu sobrinho usa uma criatura, cuja única utilidade é ser comido por meus subordinados, como escudo? A família real de Erebor realmente tem táticas estranhas de combate! – Riu com escárnio o orc, o que não era uma risada aberta, e sim uma rouquidão sombria.
– Para trás! – Drogo falou mais firme e ao mesmo tempo atacou o focinho do lobo gigante, que soltou um ganido e fez um movimento súbito para trás. Azog caiu de sua montaria, sem esperar o golpe de jeito nenhum. O jovem Bolseiro se sentiu, momentaneamente, eufórico — tinha sido capaz de causar tamanho feito -; mas sua alegria realmente fora momentânea, pois o orc se levantou, e seu olhar era completamente insano.
– Você vai me pagar por isso. – Rosnou, enquanto brandia a sua lâmina negra e torcida.
– DROGO! – Kili tentou estender o braço e alcançar o menor, mas infelizmente não conseguira. O hobbit estava paralisado de medo, contudo não iria fugir, não iria abandonar Kili.
Que ele fosse o obstáculo necessário para salvar o anão.
Um som alto, melodioso, cortou o ar. Os orcs paralisaram e se entreolharam aflitos, e depois encararam o seu chefe, esperando instruções. Fili aproveitou o momento de estupor para matar um dos orcs e Glón seguiu o seu exemplo. Agora, pouco menos de cinco orcs se encontravam vivos — todavia, também carregavam feridas e cicatrizes da batalha.
O som agora estava mais perto. Azog rugiu, embravecido, e montou em seu Warg.
– Isso não terminou. – Disse, apontando o gancho metálico que substituía sua mão decepada para Drogo – Eu ainda arrancarei o seu coração e seu querido anão não poderá fazer nada a respeito.
– Q-quero só ver! – Disse o hobbit, a voz tão esganiçada que se arrependeu de ter aberto a boca no momento em que falou. Suas pernas mais pareciam gelatina, sua mente gritava desesperadamente: “por que você ainda está o provocando?!” Mas Drogo não saberia responder. As palavras apenas saíram de sua boca.
Azog rosnou furiosamente. Parecia ter repensado a provável retirada que iria fazer, afinal o pequeno hobbit o irritava de tal maneira que a necessidade de matar era maior do que de auto-preservação, mas uma flecha dourada fora lançada e acertou a poucos milímetros da pata do Warg albino que ganiu irritado. O orc pareceu praguejar em sua língua bruta, e depois falou um comando aos seus subordinados remanescentes. Rapidamente o bando sumiu na escuridão, deixando para trás um grupo de aventureiros exaustos e feridos.
– Kili... – Drogo se deixou ajoelhar ao lado do anão – Você está be...
Antes que terminasse a pergunta, Kili o puxou para um abraço apertado.
– Nunca mais faça isso. — Sussurrou o príncipe. Drogo podia sentir algo umedecendo o tecido de sua roupa, em seu ombro direito onde Kili tinha disposto o seu rosto... Ele estava chorando, o hobbit também podia sentir que o corpo do guerreiro estava tremendo – Nunca mais... Nunca mais...
– Eu estou bem, Kili. – O hobbit tentou fazer com que o anão olhasse para ele, mas este agia como uma criança mal-criada, não querendo desgrudar o rosto do ombro de Drogo.
– Por favor, me prometa que não irá fazer algo assim de novo.
– Eu não posso fazer isso... Não posso prometer algo que pode significar que não poderei te proteger em outra ocasião!
– Mas eu não quero te perder. Eu não posso te perder! – O abraço de Kili ficou mais apertado.
– E-eu também não posso te perder... — Sussurrou o menor acariciando os cabelos negros do anão, tentando acalmá-lo – Já que somos ambos teimosos, que tal, para evitar problemas futuros, tentar evitar situações perigosas como essas? Então, não teríamos que nós preocupar com quem deve proteger quem, e muito menos se iremos perder um ou outro.
Drogo sentiu que Kili agora ria. Pelo menos seu desespero tinha diminuído.
– Isso é meio difícil de evitar. Atraímos sempre alguma confusão.
– Verdade... – O Bolseiro não pode negar aquela afirmação, e logo também começou a rir, acompanhando o amado. Circundou o rosto com suas mãos pequenas, tratando de secar as lágrimas que ficaram ali.
– Parece que vocês estão bem o suficiente para ficarem agindo feito tolos alegres. – Falou Glóin ao se aproximar. Seu machado estava sujo de sangue negro dos orcs abatidos, e havia um sorriso de satisfação em seu rosto.
– Graças a Mahal... — Falou Fili, que o acompanhava. Um ferimento feio era exibido em seu ombro, provavelmente causado por uma mordida de warg – Quando vi Azog indo atacar vocês e não podendo fazer nada para protegê-los... – A fala do príncipe anão se findou em um misto de resmungo com choro contido. Por alguns duros instantes, pensara que perderia seu único irmão e ainda mais o pequeno hobbit que jurara proteger.
– O que importa é que estamos todos bem. – Falou Legolas. As flechas suas tinham quase terminado – tratou de recolher algumas, mesmo que soubesse que, visando seu objetivo, teria muitas novas em pouco tempo. Suor e cansaço estavam presentes em sua fisionomia, o que era bem raro para ele. Mas aconteceu de esses fatores sumirem quando, num lampejo, seus olhos quase saltaram das órbitas ao ver o ferimento de Fili. Assim ele logo correu para o lado do amante, a fim de oferecer os primeiros socorros.
– Mas acho que devemos agradecer realmente a outras pessoas... – Disse Drogo, apontando para a flecha dourada cravada no chão.
– Sábias palavras, jovem hobbit. – Uma voz autoritária se anunciou. O grupo estava tão concentrado em avaliar se todos estavam bem que nem notara que um outro grupo, à cavalo, que se aproximava.
Um elfo, cabelos negros e longos, de feições nobres que irradiavam autoridade e também experiência, montava em um corcel branco e usava uma armadura élfica de batalha. Retirou o elmo, deixando ainda mais evidente o seu rosto sério.
Legolas fez uma reverência — que não foi seguida pelos anões.
– Lorde Elrond.
– Príncipe Legolas. – O elfo mais velho fez uma leve inclinação com a cabeça – E companhia... – Olhou de relance para os outros membros do excêntrico grupo – É com alegria e desprazer que os saúdo, já que, apesar de ser bastante aberto a visitantes, não costumo gostar que orcs adentrem em minhas fronteiras.
– Não fizemos isso de propósito! – Falou, com certa indignação, Fili.
Legolas lançou um olhar irritado ao seu amante, passando uma mensagem silenciosa para se calar imediatamente. Fili entendeu-a.
– Creio que essa não seria a intenção. – Concordou, solene, Elrond – Mas, mesmo assim, trouxeram perigo a porta da minha casa.
– Os orcs nojentos é que nos perseguiam! Saiba que a sua casa era a ultima de nossas opções. – Bradou Glóin, imensamente irritado – Não queremos depender de favores de elfos!
Agora Legolas não pôde evitar e rolou os olhos. Seus amigos anões não estavam ajudando. Deveriam agradecer e não iniciar um briga com seus salvadores.
– Amigos, não é o momento para iniciar conflitos. – Uma voz cansada interveio e um velho amigo adentrava no cenário, montado em seu cavalo. Era Gandalf – Devemos comemorar que nossos companheiros viajantes estão são e salvos.
– Certamente. – Elrond exibiu um sorriso cordial.
– Precisamos de ajuda... – Interveio Drogo nervoso, indicando Kili que continha sem sucesso a dor que sentia na perna.
– Pelo o visto, teremos que levá-los a Valfenda. – O lorde elfo falou algo em sua língua a seus companheiros — uma frota élfica que o seguia, completamente vestida com seus elmos e armaduras brilhantes, que se aproximaram e rodearam o grupo.
– O que ele disse? – Rosnou Glóin, já levando o seu machado – Pretendendo nos atacar?
– Na verdade, ele acabou de oferecer comida e cuidados médicos. – Informou Legolas, corando um pouco devido as atitudes de seus amigos.
– Oh. Então, sem problema. – Disse o anão mais velho agora mais animado. Fili balançou a cabeça, meio envergonhado. Afinal, era ele que deveria tomar as decisões, como líder do grupo. Mas estava tão cansado que preferiu não discutir com o amigo.
Gandalf soltou um suspiro e depois sorriu para Drogo.
– Bem vindo, meu pequeno amigo. Fico feliz em te ver bem... E indo para Erebor? Dois hobbits vivendo sob a montanha... Creio que causará muitas mudanças e confusões no reino dos anões. – Brincou o mago, piscando para Kili que, por sua vez, corou.
– Sim — Riu nervoso o menor – Você sabia de nossa chegada?
– Oh! Sim, sim! – Exclamou o ancião. Enquanto falava, uma pequena mariposa voou em direção ao mago, pousando sobre a aba de seu chapéu cinzento –Digamos que tenho alguns aliados que estavam de olho na pequena aventura da qual participam. Eu tenho uma atenção em especial a meus pequenos amigos Bolseiros, e uma dívida para com a sua família; além disso, creio vocês dois tem um papel essencial para a Terra Média.
– Um papel essencial? – Drogo perguntou, todo confuso, ao ser erguido por Legolas para subir em sua montaria. Atrapalhou-se, ainda meio atordoado pelo combate.
– Devemos deixar esse tipo de conversa para Valfenda, depois de nossos convidados descasarem e se recuperarem. – Interveio Elrond, lançando um olhar irritado, mas contido e cheio de compreensão, ao velho amigo.
– Bem, teremos pouco tempo para isso. – Argumentou o mago.
– Como assim? – Agora era a vez de Fili perguntar. Os anões foram colocados sobre alguns cavalos, que eram, de longe, grandes de mais para seu tamanho – e havia sido uma tarefa difícil de ser completada. Infelizmente ou felizmente, os pôneis haviam sido as únicas vitimas do ataque dos orcs.
– Bilbo está prestes a ter o seu bebê. Se eles se perpetuarem muito tempo aqui, perderão a oportunidade única de verem o nascimento. – Explicou Gandalf, pacientemente. Drogo sentiu seu coração acelerar de alegria e desespero; tinha quase esquecido de quão grávido Bilbo estava! De fato, se a gravidez seguisse o padrão hobbit, o seu primo já teria tido o seu filho (ou filha) há mais de um mês.
– M-mas como poderemos ir? – Perguntou o jovem Bolseiro, expressando quase todo o desespero. Queria estar ao lado do amado primo naquele momento tão importante – Ainda falta muito para chegarmos a Erebor!
– Eu tenho a carona perfeita para nós. – Piscou o mago, contente consigo mesmo, como ficava às vezes. A mariposa voou de seu chapéu e sumiu no céu estrelado noturno.
Drogo esperava que tal esperança fosse verdade – além de que também temia viajar pelo ermo novamente. Sabia que aquele orc albino não fazia promessas falsas. Estaria o esperando para cumprir o que prometera.
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