Notas iniciais
Lady: heeeee-heey babe hoo ha i wanna knoo-ooow if you'll be ma gurl

– Nossa... — Drogo estava maravilhado com Valfenda. A arquitetura era um misto de delicadeza e precisão. Tudo bem organizado e também artístico, o pequeno hobbit se sentia dentro de uma obra de arte. Nada comparado ao modo de vida rústico do Condado, nem mesmo o Bolsão tinha tanto esplendor. Seus dedos acariciavam de leve os diversos livros que compunham a biblioteca élfica gigante que lorde Elrond permitira que visitasse; na verdade, até insistira, afinal era um bom passatempo enquanto seus companheiros estavam sendo tratados. Até quisera ficar ao lado de Kili, mas os elfos eram bastante rígidos quanto seus tratamentos médicos. Só os curandeiros poderiam ficar na presença dos doentes durante o tratamento.

– Bilbo iria adorar isso aqui... – Falou, fascinado. Seus olhos logo abandonaram as várias estantes para se concentrarem em uma grande pintura, que tomava praticamente toda a parede da biblioteca, do lado oposto aonde se encontrava. A peça de arte lhe chamou atenção, mas não sabia o porquê, talvez fosse a presença daquela figura escura e sinistra sobre um homem que, com a espada quebrada, lhe cortava os dedos. Um anel dourado parecia ser o principal foco da pintura — este brilhava tênue em um dos dedos escuros decapitados. Drogo sentiu um calafrio percorrer seu corpo de modo tão abrupto que até se abraçou.

– Interessante, não é?

A voz de Elrond fez o menor soltar um gritinho assustado e se sobressaltar.

– Minhas desculpas, mestre Bolseiro, não foi minha atenção assustá-lo.

– Oh. Não... – Riu nervoso Drogo – Não precisa se desculpar, eu que estava muito distraído e não o ouvi se aproximar.

– Hum... — Os olhos azuis do elfo se voltaram a pintura – Eu te entendo. Às vezes me perco a observando, mas lógico que por motivos diferentes do seu.

– Motivos diferentes? Oh, desculpe. Eu não deveria estar te perguntando isso... – Disse envergonhado o menor, afinal, podia ser algo pessoal e que não deveria ser alvo da curiosidade dos hobbits.

– Você teme a pintura, pois ela retrata uma época sombria do passado de nosso mundo; mesmo sem saber, sabes do poder que essa imagem exala. No meu caso, essa pintura me faz reviver lembranças que há muito tempo quis esquecer.

– Lembranças? Mas essa batalha deve ter ocorrido há muito tempo... Oh. Que tolice a minha, esqueci da imortalidade dos elfos.

Elrond sorriu.

– Está gostando da biblioteca? – Inquiriu o lorde elfo, claramente querendo mudar de assunto, o que deixou Drogo intrigado. Aquela pintura... Aquela batalha antiga... Aquele estranho ser sinistro... Aquele anel. Havia algo que estava perdendo. Sabia que iria, de alguma forma, pesquisar mais a respeito. A curiosidade sempre fora um defeito e uma qualidade de um hobbit.

– Sim! Ela é estupenda! Bem maior que a biblioteca que temos no Bolsão. Bem que muitos dos nossos livros foram destruídos no incêndio, de modo que não me sei ao certo o tamanho real de nossa coleção de livros, mas tenho certeza que não se compara aos de Valfenda!

– Lamento pelo o que ocorreu ao seu reino.

Drogo negou com a cabeça e sorriu.

– Não, está tudo bem... Vocês não tinham a obrigação de nos salvar.

– Creio que minha linhagem tem a total obrigação de proteger; pelo menos a família dos Bolseiros.

– O quê? – O hobbit tombou a cabeça para o lado, confuso – Como assim?

Elrond parecia surpreso pela a expressão do seu pequeno companheiro — logo depois assentiu com a cabeça, como estivesse concordando com algum pensamento que lhe veio à mente.

– Claro, vocês eram muito pequenos para saber, afinal de contas quando houve o desastre no Condado não remanesceu nenhum Bolseiro mais experiente para lhes explicar... – O elfo parecia estar falando consigo mesmo, ignorando o confuso e já irritado hobbit.

– Explicar o que? O que não sabemos? – Insistiu.

– Você e seu primo devem saber que os Bolseiros apresentam breeders em sua linhagem, devido ao fato de terem ascendência élfica.

– S-sim... — Concordou Drogo – Pelo menos foi isso que lemos e que nos disseram.

Elrond indicou que o menor se sentasse em uma grande mesa de mogno, que se encontrava no meio da sala. Drogo estava desconfiado de toda aquela situação. O que o lorde elfo queria dizer com toda aquela história de eles não saberem? Havia algum segredo em sua família que desconhecia? Elrond logo sentou a frente do menor e começou a falar em um tom semelhante ao de Bilbo, quando iria dar início ao relato de alguma história fantástica que tinha lido em algum livro:

– Pois bem, meu tio era um elfo, obviamente. Tinha um porte físico diferente para alguém de sua raça; ele era baixo e por muitas vezes foi alvo de piadas por seus irmãos elfos... Seu nome era Elamir. Um dia, cansado de ser excluído por seus iguais, Elamir decidiu explorar a Terra Média, tentando buscar algum lugar no qual seu coração se sentisse relaxado e que finalmente poderia chamar de lar. Depois de anos de buscas, Elamir encontrou. Em meio a colinas verdes, um povo pequeno e simples, meu tio encontrou o reino do Condado — encontrou os hobbits. Foi recebido com bastante alegria pelo o líder daquele povo; na época, Bordo Bolseiro.

– Espera um pouco... — Drogo falou aquelas palavras lentamente – Bordo... Ele... O seu tio...

– Acalme-se, ainda não terminei. – Disse Elrond, dando um pequeno sorriso – Elamir e Bordo tiveram uma relação que era muito além de uma simples amizade. Eles se amaram e se casaram, mesmo sendo esse ato, casamento entre dois seres do sexo masculino, ser pouco compreendido pelos hobbits. Devido o respeito e autoridade de Bordo, aquela união não foi questionada. Devo imaginar quão surpreso o povo do Condado deve ter ficado ao verem Elamir grávido depois de alguns meses...

– Por tudo que é mais verde! – Interrompeu Drogo novamente – Elamir era um breeder?!

– O primeiro breeder da família dos Bolseiros, responsável por deixar descendentes que apresentam a mesma característica. Na verdade, entre nós elfos, em relação a quem irá albergar a criança, não existe diferença entre homem ou mulher. Ambos podem carregar uma criança dentro do ventre, e, deste modo, tratamos ambos os gêneros como iguais. Talvez seja por causa disso que alguns membros de outras raças nos considerem andrógenos. –Falou calmamente, jogando uma mecha negra que lhe caia sobre o ombro para trás, com tamanha delicadeza e elegância que causava até certa inveja em Drogo.

– Isso significa que somos... Parentes? – Perguntou meio incerto o menor. Afinal Elrond seria sobrinho de Elamir, o elfo que há muito tempo tinha se casado com um antigo antepassado do clã dos Bolseiros – Espera! O que ocorreu com Elamir? Ele não era um elfo? Deveria viver para sempre!

– Seu primo, ao se entregar a Thorin, gerou a formação de um laço espiritual, de tal modo que a alma de ambos se tornou conectada. Trata-se de uma magia antiga de meu povo, onde acontecia que alguns elfos não desejavam viver para sempre sem ter ao seu lado os seus amores. Seria uma vida débil e, na verdade, para muitos, considerado algo semelhante à própria morte. Logo, preferem morrer em sincronia com o seu amado. A Marca que aparece no peito do breeder após a sua primeira noite de amor é o vestígio desta velha magia que ainda está impregnada em nossa raça. Lógico que muitos elfos usam outras magias para inibir a marca, outros acham que a marca é um lembrete para sabermos escolher bem aqueles a qual entregaremos o nosso coração.

Drogo levou a mão ao seu peito. Imaginou que no futuro também apresentaria a mesma marca, mas não sentia temor de ter sua alma entrelaçada a de Kili. Sua vida não seria a mesma sem ter o príncipe anão ao seu lado.

– E, respondendo a sua pergunta, sim. Creio que somos, de certo modo, parentes, como uma espécie de primos.

O hobbit teve que rir com aquela afirmação. Tudo aquilo era tão fantástico, ter um parente elfo, saber a verdadeira história dos Bolseiros... Tinha tanta coisa para contar a Bilbo quando chegassem a Erebor. Exprimiu uma exclamação de alegria.

– Por isso, peço perdão por não ter ajudado ao seu povo, principalmente a sua família, quando mais necessitavam. Elamir não iria me perdoar por minha falta de comprometimento para com os seus descendentes. – Elrond abaixou a cabeça, visivelmente ressentido. Drogo pode ver que o elfo fechava os punhos com força, mostrando a sua raiva contida.

– O que está feito, está feito. – Falou o jovem Bolseiro – A culpa não irá trazer meus pais de volta, mas você pode compensar esse erro de agora em diante.

– Como? – O lorde elfo inquiriu, levantando o rosto esperançoso.

– Bem... É sempre bom termos contato com o “outro” lado da família... Talvez ter primos elfos seja uma vantagem. – Sorriu sincero o mais novo – Nós hobbits gostamos de grandes famílias; na verdade, a família é algo extremamente importante para nós. E quanto mais, melhor.

– Você quer me incluir em sua família? – Sua voz estava embargada, o que era quase raro, e a emoção era evidente em seu rosto e olhos, agora úmidos pelas lágrimas ainda contidas – Mesmo depois de minha omissão?

– Muitos fatores foram responsáveis pela destruição de minha família... A queda de Erebor e a perda da aliança com os anões, nosso próprio modo de vida deveras pacifico o que nos tornou incapaz de nos defender... Talvez, a catástrofe, de certa forma, foi benéfica, pois graças a ela podemos mudar a forma de nos organizar politicamente. Talvez o Condado evolua, renasça das cinzas, e... Oh! Céus... Estou falando demais, desculpe. – Corou e abaixou os olhos – Você é um lorde elfo... Não iria querer ter como um parente um simples hobbit e...

– Pelo contrário. – Interpôs Elrond tocando a mão do menor, levemente – Eu me sentiria muito honrado em participar do seu núcleo familiar.

Drogo colocou sua mão por cima da mão do elfo.

– Pois, bem vindo a família... Primo.

Elrond gargalhou, algo que fez Drogo se sobressaltar, afinal o elfo parecia muito aristocrático para agir daquela forma, mas ao se recuperar do susto também o acompanhou, rindo.

– Vejo que cheguei em um momento propício! – Gandalf vinha apressado. O som do toque do seu cajado no chão da biblioteca ressoava e ecoava – Sinto imensamente por ter interrompido... Infelizmente, o nosso tempo é curto e nossos amigos enfermos já estão saudáveis o suficiente para a viagem.

– Kili está bem? E a perna dele? – Perguntou Drogo, levantando rapidamente.

– Por que não vê por você mesmo? Eles estão esperando na sacada principal.

O hobbit nem esperou o mago acabar de falar, já corria rumo à saída da biblioteca — contudo, logo se lembrou que, por ser um Bolseiro, deveria agir como tal, e, deste modo, deveria ser educado.

– Er... Obrigado pela conversa, Lorde Elrond. – Fez uma pequena reverência, como Legolas tinha feito anteriormente.

– Entre parentes não se faz necessária tamanha formalidade. – Disse o elfo exibindo um grande sorriso – Eu que agradeço a sua maravilhosa companhia. Aliás, creio que nos veremos novamente, pois somos família, e além disso, deverei visitar o meu mais novo priminho que nascerá em breve, não?

– Se Thorin permitir... – Drogo parecia meio inseguro quanto aquilo, pois ouvira tanto falar sobre como o primeiro rei de Erebor repudiava os elfos e coisas de origem élficas.

– Não se preocupe. – Piscou Elrond – Sei lidar com a teimosia dos anões. Agora vá, seu querido príncipe anão deve estar te esperando.

O hobbit acenou e correu dali, deixando os dois sábios com sorrisos nos rostos.

– Seu coração está em paz, meu amigo? – Perguntou Gandalf.

– Está... — Soltou um longo suspiro, como se um peso fosse retirado de seus ombros.

– Elamir iria ficar orgulhoso de sua atitude.

– Assim espero. – Falou cabisbaixo o elfo, olhando de relance para uma pintura no alto da parede. Um quadro do rosto jovial de um elfo de cabelos negros como os seus, e olhos azuis profundos que pareciam emitir um brilho de energia e bondade.

“Elamir... Seus descendentes são fortes e corajosos. Terias muito orgulho de sua prole. Eu respeito sua decisão por ter escolhido a mortalidade e ter produzido tão maravilhosos filhos.” Pensou, e uma lágrima solitária rolou de sua face.

~TKATC~

Givasha... Respire fundo. Lembre-se do que Óin disse... Inspira... Expira.

– Cala a boca, Thorin! – Rosnou Bilbo, e todos os outros guardas se encolheram devido a raiva expressa naquelas palavras. O segundo rei, com sua imensa barriga, abria passagem pelos corredores de Erebor; ao seu lado, Thorin tentava conter o seu afoito esposo, que insistia naquela loucura de continuar andando por aí enquanto sentia contrações.

– Bilbo! Isso é para o seu bem. Retorne para o nosso quarto! – Comandou. Esperou que sua autoridade como rei e marido não fosse questionada pelo pequeno hobbit.

– Eu estou bem! – Disse Bilbo, ofegante. Sua testa estava suada, e era evidente que escondia as dores que sentia, devido as caretas contidas em seu rosto – O bebê não irá nascer ainda!

– Acho que não é você que irá decidir isso... – Falou um pouco mais dócil o outro – Nosso filho ou filha está anunciando a sua chegada, meu amor. Não será adequado fazer o parto em meio aos corredores do nosso reino!

– Ele ou ela ainda não vai sair ainda! – Enfatizou – Vamos esperar a chegada dos seus sobrinhos e meu primo!

– Bilbo... — Thorin olhou para trás para o cortejo que os perseguia. Oín, o médico real, Dwalin e Ori, dando mais apoio moral do que ajudando de fato; além dos vários guardas e servos que pareciam nervosos e ansiosos com o evento, afinal, o nascimento de uma criança e ainda mais um Durin era algo quase sagrado para o povo anão – Não podemos esperar por eles...

– Não! Isso não é justo... Eles têm que comparecer ao nascimento. Gandalf prometeu trazê-los... – Lágrimas rolaram do rosto avermelhado do hobbit. Thorin sentiu seu coração apertar. Se possível, escavaria quantas montanhas fossem preciso e lutaria com milhares de dragões só para realizar qualquer pedido de seu amado esposo, mas não tinha o poder o suficiente para controlar o nascimento de seu filho (ou filha). Se ele viesse, teriam que recebê-lo, mesmo que seus outros familiares não estivessem presentes.

– Ukurduh... – Murmurou, enquanto abraçava com ternura o hobbit – Nossos sobrinhos e seu primo entenderão a situação. Pense na saúde do nosso bebê. Por favor... Eu te peço que venha ao nosso quarto e relaxe.

– Thorin... Deixe-me ir a sacada. Só mais uma vez. – Sussurrou o pedido.

– Bilbo... — O primeiro rei soltou um grande suspiro – Está bem, mas só mais uma vez. Se as contrações aumentarem, eu te arrastarei para o quarto, ouviu bem?

– Alto e claro, meu rei. – Sorriu o segundo rei.

O cortejo, então, seguiu pelo corredor até que a porta dupla foi aberta, permitindo a passagem de todos para uma ampla sacada. O pôr do sol se exibia no horizonte, o céu já assumia uma coloração alaranjada e a escuridão da noite que se aproximava se exibia em alguns pontos da paisagem. Um vento frio os atingiu, e Thorin logo despiu o seu manto de pele, colocando-o sobre os ombros do seu grávido esposo.

– Viu? Não tem nenhum sinal deles. Satisfeito? – O rei anão já estava guiando Bilbo para dentro quando este segurou fortemente o seu braço.

– Eu vejo algo se aproximando! – Exclamou alegre o menor.

– Onde?

– Ali! – Apontou para o sol, à oeste. O anão não conseguiu ver nada. Talvez seu esposo estivesse começando a delirar devido a dor das contrações — mais uma boa justificativa para retornarem ao interior da montanha.

– E-eu também vejo alguma coisa. – Agora era a vez de Ori, o bibliotecário, também entrar naquele delírio.

– Não existe nada...

– Por Mahal! O que é aquilo? – Até Dwalin tinha aderido àquela loucura. Thorin soltou um resmungo e voltou sua atenção ao ponto anterior, indicado por Bilbo.

– Mas o que... – De fato, algo se aproximava com velocidade, vindo pelo céu. Por um instante, Thorin pensou se tratar de um dragão, mas conforme o ser, ou seres, pois agora notava que se tratava mais de um, se aproximavam, podia notar que se tratavam de grandes águias.

– Soldados! – Bradou o primeiro rei, pronto para iniciar um ataque contra aqueles seres estranhos que invadiam o seu reino – Preparar armas!

Os guardas logo correram para as margens da sacada, onde catapultas e arpões estavam estrategicamente localizados — eram a defesa contra ataques aéreos, protegendo Erebor de um segundo ataque de dragão.

– Não! – Interpôs Bilbo – Não são inimigos, Thorin. Veja!

O primeiro rei já iria ordenar que seu esposo fosse levado para o interior da montanha, mas a insistência de Bilbo o fez olhar novamente para então notar, para sua surpresa e alegria, quem estava montando aquelas aves gigantes.

– Tio Thorin! Tia Bilbo! – Acenou Kili do dorso da ave.

– Cuidado, tolo! Assim iremos cair! – Brigou um pequeno hobbit que estava sentado logo atrás do príncipe anão, com os braços entrelaçados no tronco do deste.

– Drogo... — Sussurrou Bilbo.

As águias finalmente pousaram na sacada e abaixaram suas cabeças, permitindo que seus tripulantes desmontassem.

– Bilbo! – Aquele que deveria ser o primo de Bilbo foi o primeiro a correr de encontro ao segundo rei, o abraçando com força. Thorin sorriu com a cena. Seu querido esposo correspondia o abraço com lágrimas nos olhos. Ele estava feliz, e era isso que importava.

– Um elfo?! O que ele está fazendo aqui? – Foi a pergunta de Dwalin que fez o rei anão despertar para a situação — tinha um visitante não previsto.

– Filho daquele rei élfico metido? – Rosnou Thorin, ao ver Legolas descendo, com destreza, da águia. Ao seu lado estava Fili que, estranhamente, assumia uma postura defensiva na frente do elfo, como que protegendo-o.

“O que Fili pensa que está...”

A pergunta não teve o seu término na mente do primeiro rei, pois seus olhos logo focaram nos broches dispostos nos cabelos loiros e claros do príncipe elfo. Reconheceu de imediato quem tinha forjado e o que significava.

– Fili... – Rosnou. O príncipe, por sua vez, se manteve firme na frente de Legolas – O que significa isso?

– Vamos nos acalmar, sim? – Disse Gandalf, que fora o ultimo a descer – Hoje não é o dia de brigas e confrontos, e sim de alegrias.

Thorin já iria dar uma resposta bem a altura ao mago, algo semelhante a “isso não é da sua conta, velhote!”, mas temia receber alguma maldição devido a tal ato.

– Gandalf está certo... — Agora a vez de Bilbo falar. Sua voz estava mais rouca e ainda mais ofegante, e isso fez com que a fúria do rei anão fosse esquecida quase que de imediato – Nada de brigas. Não quero trazer nosso filho em meio à tensão e tristeza, e... Ai. – O hobbit tocou a sua barriga.

– Primo Bilbo?! – Drogo, que estava ao seu lado, o segurou. Um líquido escorreu pelas pernas do segundo rei.

– Ele fez xixi nas calças? – Sussurrou Kili, mas logo recebeu um tapa do elfo. Pelo menos o príncipe comedor-de-pasto sabia a hora de manter-se calado.

– A bolsa estourou! – Exclamou Óin – Devemos levar imediatamente para o quarto. O bebê não tarda a chegar.

– Ah... Certo. — Disse Bilbo respirando fundo. Thorin ainda parecia estar se recuperando da realização de que aquilo era a indicação que logo, logo seria pai – Thorin! – O resmungo de dor do hobbit fez que o rei finalmente saísse de seu estado paralisado e fosse ajudar. Tomou o menor nos braços, carregando-o com delicadeza e pressa.

Erebor iria ganhar um novo príncipe ou princesa.

~TKATC~

– Eu te odeio! – Gritou Bilbo enquanto tentava “empurrar” como Óin pedia, mas o problema que não era tão simples assim o empurrar! Seria bem mais fácil se não sentisse tanta dor ou mesmo que tivesse tentando expelir uma melancia. Quem sabe a lenda a vovó Tûk tinha contado era verdade? Ele teria um filho com cabeça de melancia por não ter comida a fruta com a quantidade adequada! Sabia que deveria ter comida mais! Agora estava dando a luz a uma melancia!

Givasha... — Sussurrava Thorin ao seu ouvido – Não sabe o quanto te amo... Você está tão belo agora.

– Belo? Eu pareço um troll gordo! Você está louco! – Falou em meio a “respiração”, inspirava e expirava tão rapidamente que temia se afogar com o próprio ar – E eu ainda te odeio! Você é o culpado por tudo isso que está acontecendo...! Maldito anão pervertido!

Thorin riu, ignorando totalmente a raiva do esposo.

– Que eu saiba, para produzirmos um filho, são necessárias duas pessoas... Ninguém é culpado sozinho. – Ele acariciou os cabelos de Bilbo, que não estava em condições de negar o contato.

– Ora... Cale a boca! – Resmungou, claramente perdendo a batalha com aquele argumento.

– Empurre mais uma vez! – Mandou Óin, que tentava se manter alheio à discussão. Bilbo tentou fazer o que o curandeiro pedia, mas a dor era insuportável. De acordo com o anão, os Breeder desenvolviam um canal durante a gestação, permitindo que o bebê saísse, mas se o canal não tivesse desenvolvido o bastante, um corte na barriga seria necessário – Está se abrindo... Que maravilha!

Bilbo realmente não queria saber das mudanças que estavam ocorrendo em seu corpo, só queria acabar logo com todo aquele sofrimento.

– Mais uma vez!

– Vamos, Givasha... Mostre a sua força para mim. – Sussurrou Thorin, segurando-lhe a mão. Bilbo fechou os olhos e empurrou o mais forte que conseguia. A pressão parecia aumentar dentro do interior do corpo e depois... Depois, um vazio. Sim, sentiu como se algo saísse, e um vazio substituiu o peso que já estava tão acostumado nos últimos meses.

O choro algo cortou o ar. Bilbo abriu os olhos. A adrenalina do evento já estava se esvaindo, dando lugar a um cansaço extremo. Pôde ver Oín colocando o pequeno bebê em uma manta azul e entregando a Thorin, que examinou o serzinho com orgulho.

– Deixe-me vê-lo... — Pediu o segundo rei, sua voz agora estava rouca e baixa.

Thorin se aproximou, pode notar lágrimas escorrendo do rosto do anão.

Ele é perfeito... – Falou, entregando o embrulho para Bilbo. Suas mãos estavam trêmulas e sua voz embargada — o rei anão estava segurando o choro, inutilmente.

De fato, ele era perfeito. Um pequeno anão-hobbit com cabelos castanhos escuros, encaracolados. Olhos grandes e expressivos, a coloração era meio acinzentada, mas no futuro, provavelmente, daria origem a olhos de íris claras. O bebê, que estava chorando fortemente até o momento, se calou quando se viu nos braços daquele que tinha lhe dado a luz.

– Nosso pequeno Frerin... – Falou, dando um beijo na testa avermelhada do recém-nascido que, como resposta, enfiou a mão na boca e a chupou.

– Frerin? – Inquiriu Thorin espantado.

– Oh... Bem... Sim, eu pensei que podíamos dar o nome para ele de Frerin II Durin, em homenagem a seu irmão. Não gostou? Podemos pensar em outro se quis... – Bilbo foi silenciado por um voraz beijo dado pelo rei, ao ponto de deixá-lo sem ar. O pequeno Frerin começou dar indícios que iria começar chorar novamente, talvez não gostando de ter seu papa tratado daquele jeito e o deixando de lado.

– Isso significa que gostou? – Perguntou por fim, Bilbo, com um sorriso no rosto.

– Eu... Bilbo... Tenho certeza de que meu irmão iria ter adorado essa homenagem. Por Mahal... — Thorin se abaixou e beijou a testa do bebê, acariciando os cabelos cacheados. Seu dedo passeou pelo rosto gorducho de Frerin II, e o pequeno virou-se para ele, começando a sugar avidamente, arrancando uma risada de ambos os pais – Meu filho... Eu ainda não acredito. Finalmente posso segurá-lo e vê-lo... Ainda parece um sonho.

– Pois, é melhor acordar para a realidade. Agora que nossa vida vai se complicar ainda mais. – Riu Bilbo, em um tom cansado.

– Estou disposto a enfrentar mais essa aventura. – Disse confiante o primeiro rei.

– Bom... — Sorriu o outro, quase fechando os olhos – E... Esqueça o que falei há momentos atrás. Eu não te odeio. Eu te amo.

– Eu sei, ukurduh. Eu também te amo. – Frerin deu uma soluçada que fez Bilbo voltar sua atenção para ele.

– Mas se você me engravidar tão cedo, juro que irei te matar, Thorin Escudo-de-Carvalho Durin – Ameaçou, sonolento. Mesmo naquele estado cansado, o rei anão sabia que deveria levar a sério as ameaças do seu querido esposo.

Nisso Thorin riu, nervoso. Parece que seu planejamento de ter vários filhos (um em cima do outro) teria que ser reformulado.

E assim nasceu príncipe Frerin II, filho de Thorin e Bilbo, reis sob a montanha.

Notas finais
Lady: tem tanta coisa que eu queria dizer aqui mas tudo o que consigo pensar é "KSJDALSKDJKSHJ LEGOLAS FILI DWORI CADE FRERIN AI MDS FRERIN "- Belo? Eu pareço um troll gordo! Você está louco! E eu ainda te odeio! Você é o culpado por tudo isso que está acontecendo...! Maldito anão pervertido!" KASJDKJSDFJ" pois é