Os dois reis sob a montanha

71 Aventura de pequeno príncipe Frerin


Mesmo nas profundezas da montanha o som dos pássaros e o cheiro das flores se faziam presente. Penetravam pelos intricados túneis. Ecoavam nos corredores e salões moldados na rocha bruta. Apesar de o ambiente no interior de Erebor não exibir diretamente as indicações das mudanças de estação, a Primavera conseguia impor sua presença.

Três meses de inverno já tinham se passado e agora Erebor dava boas-vindas a quente e fresca estação. A neve já derretia nos portões de entrada do reino anão e como uma fera acordando de um período de hibernação, Erebor já exibia sua agitação e sua vitalidade. Servos andavam para um lado e para o outro, não só se ocupando de suas tarefas habituais, mas também se concentrando nos preparativos da cerimônia de casamento do príncipe Kili e do mestre Drogo. E não podiam esquecer da festa de noivado do príncipe herdeiro Fili e o príncipe Legolas, que apesar de não ser um casamento propriamente dito, estava sendo tratado como uma espécie de prévia do grande evento.

Todos estavam atarefados, principalmente a família real... Isso significava que Bilbo e Thorin estavam ocupados com suas responsabilidades como reis de Erebor, afinal, eram eles que deveriam coordenar as cerimônias, conferindo as bênçãos reais para os novos casais. Anteriormente, Gandalf, o mago cinzento, que fora incumbido de tais obrigações (afinal, não havia outros reis em Erebor, a não ser o próprio Thorin, e ele não podia bendizer sua própria cerimônia de casamento), mas agora Erebor tinha seus dois reis efetivos e a antiga tradição foi restaurada.

Com os pais tão sobrecarregados, babás eram necessárias para vigiar o pequeno príncipe Frerin...

— Dwalin! Por favor! — Resmungou embaraçado um jovem anão bibliotecário, tentando afastar as mãos que insistiam em levantar a sua túnica e explorar sua pele sensível.

— O que? — Inqueriu Dwalin erguendo as sobrancelhas em uma falsa expressão de ingenuidade — Só estou analisando a sua temperatura...Afinal, o seu rosto está todo vermelho, meu caro Ori. Será que está com uma gripe primaveril?

— E-eu estou muito bem! E caso eu tivesse doente, não seria tirando a minha roupa o procedimento adequado para ...

— Que eu saiba você é um bibliotecário e não um curandeiro. — Notou Dwalin, interrompendo a fala do anão.

— Isso não impede que eu tenha senso comum!

Dwalin voltou se aventurar em zonas consideradas fora dos limites, para Ori. O jovem anão costumava ser bastante paciente, afinal trabalhava na biblioteca não só como bibliotecário, mas também como restaurador dos livros e pergaminhos queimados e parcialmente queimados. Trata-se de um trabalho que requeria muita atenção e autocontrole...Mas tudo tinha seu limite.

— Dwalin Fudin, controle-se! — Exclamou em seu tom de sermão. Raramente utilizava, mas era bastante eficaz contra um determinado anão guerreiro — Esqueceu que estamos aqui para cuidar do príncipe Frerin II? Esse é nosso dever!

— Isso significa que depois de cumprido o nosso dever, poderemos...

Ori rolou os olhos, tentando ignorar o rubor de suas bochechas. Tinha que se concentrar em sua tarefa, afinal, Bilbo havia confiado a ele seu bem mais precioso...Teria que ser responsável e...

— Dwalin...Cadê o príncipe Frerin? — Inqueriu Ori ao ver que o bebê não mais se encontrava sentado sobre a tapete, na sala de estar do quarto dos reis de Erebor.

Frerin havia se desenvolvido rápido, segundo os padrões anões. O pequeno príncipe tinha começado a engatinhar agora que completara 6 meses de vida. Um anão desta mesma idade, não teria ainda nem começado a ficar deitado para baixo com a cabeça erguida. Sim, havia uma clara diferença de desenvolvimento entre Hobbits e Anões, sendo Frerin mestiço, pelo visto, a sua ascendência hobbit estava ganhando nesse quesito. Desde que aprendera a engatinhar, Frerin se tornara um explorador...Segundo as palavras de Bilbo, um aventureiro. Outros costumam interpretar de forma diferente, quiçá Frerin desejasse fazer todos terem ataques cardíacos com suas peripécias.

— Ele deve estar enfiado debaixo das mobílias de novo. — Assegurou Dwalin — Ele gosta de se esconder para que possamos ficar feito loucos o procurando! Na última vez, o danadinho estava nos armários da cozinha, os de cima e não os debaixo...Como ele chegou lá? Eu até hoje não sei!

— Assim espero... Digo, se Bilbo souber que perdemos o filho dele!

— Eu ficaria mais preocupado com Thorin, quando a isso.

Ori arregalou os olhos, não queria nem imaginar na possibilidade de enfurecer o primeiro rei de Erebor. Estava prestes a entrar em pânico...

“Não. Eu estou ficando nervoso atoa. Frerin deve estar dentro deste recinto! Ele ainda é um bebê! Não consegue abrir as portas, logo...Não tem como ele ter fugido para muito longe!” mesmo pensando desta maneira, o bibliotecário começou a murmurar uma reza e clamor por ajuda a Mahal só por precaução.

~***~

Frerin estava entediado. Era isso que o bebê estava matutando, sentado tendo seu dragão de madeira como companheiro de brincadeira. Apesar de gostar muito do seu amigo dragão, era muito chato ter que brincar sozinho. Mirou para a antessala, aonde se encontravam Tio Ori e Tio Dwalin. Os dois pareciam estar brincando entre si...Uma brincadeira muito estranha, envolvendo toques e beijos. Algo muito desinteressante, no ponto de vista de Frerin.

— Pa... — Sussurrou tristonho. Seu papa não estava ali.

— Ada... — Chamou em outro murmuro choroso, nem o seu Adad estava ali.

Seu Adad podia brincar de “Luta contra o Dragão Feroz”, uma das brincadeiras preferidas de Frerin, apesar de seu amigo dragão fazer o papel de malvado, mas isso era só temporário. Sabia que seu amigo dragão era bonzinho, ele só fingia ser malvado durante o faz-de-conta. Adad também poderia carregá-lo e levá-lo para visitar seu trabalho. Quando visitavam o escritório de Adad, Frerin adorava rasgar os pergaminhos que ali estavam, principalmente aqueles que faziam Tio Balin fazer caretas engraçadas. Também visitavam as minas, ali Frerin pegava pedras brilhantes e guardava dentro de sua frauda. Seu Papa não gostava desta mania de esconder coisas dentro de sua frauda, principalmente coisas brilhantes...Dizia que isso devia ser coisa de anão, ainda reclamava que era anti-higiênico. Frerin não entendia essas reclamações e continuava a guardar seus tesouros em sua frauda.

Se seu papa estivesse ali, leria histórias para Frerin. O pequeno príncipe adorava quando papa lia e fazia vozes engraçadas, imitando os personagens. Também gostava de ajudar o seu papa na cozinha. Quando Frerin dizia ajudar significava se sujar com farinha, colocar a mão dentro de massa e “provar”, ou mesmo colocar os “ingredientes” dentro da tigela, sem que seu papa estivesse olhando.

Sentia saudades de seus pais. Eles estavam tão apressados para fazer suas coisas de adultos que estavam esquecendo Frerin! Isso não era certo! Frerin teria que fazer alguma coisa quanto a essa questão.

— Ga! — Exclamou Frerin, resoluto. Se seu papa e Adad não iriam até Frerin, era ele que iria atrás deles. Com essa ideia em sua cabeça, começou a engatinhar rumo a porta de entrada do grande quarto.

~***~

— Dwalin! Já procuramos em todo o lugar! Será que Frerin encontrou uma daquelas passagens secretas?

— Impossível, muitas dessas passagens precisam de uma senha para que funcionem. Ou seja, você precisaria falar a palavra ou frase secreta. Príncipe Frerin ainda não sabe falar!

Os dois anões estavam evidentemente nervosos. Já tinham revirando tudo na busca do bebê e sem nenhum resultado. Ori já estava perdendo as esperanças, andava para um lado e outro, tentando imaginar o que poderia ter ocorrido. Não havia janelas ali. Frerin não poderia ter escalado a chaminé da lareira...Ou poderia?

— Ninguém saiu ou entrou no quarto, não é? — Inqueriu o guarda-costas, só para perceber que o seu companheiro estava ajoelhado nas fuligens da lareira apagada — Er... Ori? O que você está fazendo?

— O que acha que estou fazendo? Buscando o Frerin! E não... Ninguém ent...

O bibliotecário paralisou. Dwalin temeu pela a sanidade mental do seu amado. Ori parecia não saber agir muito bem diante situações de estresse.

— O cesto com as roupas sujas. — Sussurrou.

— Hã? O que disse?

— O cesto com as roupas sujas! — Gritou Ori, se levantando e correndo para a porta de entrada — Não está mais aqui!

— Os servos devem ter pegado. Eles fazem isso, sabe. — Respondeu, Dwalin, meio confuso.

— Mas quando chegamos aqui, o cesto estava cheio e ainda estava aqui! O que significa que esse cesto foi tirado em algum momento...Quando estávamos distraídos. — Concluiu embaraçado o anão mais novo.

— Você não acha que príncipe Frerin saltou para dentro da cesta...Digo...Ele é só um bebê!

— Ele é primo de Fili e Kili...E filho de Bilbo. Acha que ele não seria capaz?

Dwalin sentiu um calafrio descer por sua espinha. Se já sofrera com as confusões que os príncipes se metiam, somado com as atitudes de Bilbo, agora a próxima geração apresentava vislumbres de uma personalidade travessa... Será que deveria começar a pensar em um pedido de aposentadoria?

~***~

— Ga! Ga! — Frerin batia palmas animado. O carrinho que o levava pelos corredores de Erebor se movimentava velozmente. O servo empurrava o pesado carro repleto de cestos de roupas sujas. Os corredores estavam abarrotados de outros servos, todos apressados e focados em suas tarefas, afinal, seus deveres tinham aumentado devido a preparação para as festividades. Erebor iria receber convidados ilustres advindo de diversos locais da Terra Média: elfos de Valfenda e Mirkwood, Hobbits do reino do Condado, Homens do reino de Dale, além de anões oriundos das Colinas de Ferro e montanhas azuis. Na verdade, o alvoroço maior era justamente pela vinda deste último grupo. Colina ferro constitui outro grande reino anão, cuja dinastia também era descendente dos Durin, seu governante atual, Daín II Pé de ferro, era primo de Thorin e viria pessoalmente para participar das festividades. Erebor ainda estava se reconstruído e a vindo de outro reino anão bem como o seu rei, parecia ser um teste, para avaliar se Erebor merecia o seu título de Reino Anão. Logo, havia uma necessidade implícita de demonstrar a glória do reino reconquistado.

Em meio de todo esse alvoroço, os servos nem notaram um bebê escondido por debaixo de algumas mantas sujas.

— Devog! Devog! — Um anão imberbe, mas compensava essa falta de cabelos faciais pela a longa cabeleira negra arrumada em uma longa trança que se arrastava pelo chão — O que você está fazendo?

O anão, Devog, que estava empurrando o carrinho, para subitamente, para encarar aquele que seria o seu supervisor.

— Balut...O que acha que estou fazendo? Estou levando as roupas sujas da realeza para lavar!

— Modos, Devog! Esqueceu que sou seu supervisor?

— E também é meu irmão mais novo, então não preciso ser submisso!

— Quanta ousadia! Veremos se é tão rebelde assim quando eu contar tudo para a mamãe!

Devog rolou os olhos com aquela ameaça.

— Pare de colocar a nossa mãe nisso!

— Ora, ela é a nossa supervisora, então, acho adequado colocá-la em nossa discussão!

— Olha, eu já estou atrasado...

— AHÁ! Sabia que você estava atrasado! As roupas da família real deveriam ter sido recolhidas horas atrás!

— Eu teria recolhido se você não tivesse me designado a lavar as tolhas de mesas para as festividades de hoje à noite!

— Bem... — Balut coçou seu queixo sem barba, mas antes que desse uma resposta adequada, uma das cestas tombou para o lado liberando seu conteúdo no corredor. Alguns servos que traziam em suas mãos bandejas com pratos e taças recém polidas, tropeçaram nas fraudas sujas. E isso foi o suficiente para ocasionar um efeito em cadeia. Anões trombavam uns nos outros. Carrinhos com mais cestos colidiram. Ameaças. Palavrões. Em meio a toda aquela confusão, ninguém sequer notou um bebê todo sorridente, engatinhando rumo a um elevador próximo. Tão pouco viram quando o elevador foi acionado e o príncipe Frerin desceu rumo ao desconhecido.

~***~

Enquanto isso, na sala do trono...

— Por Yavanna e tudo que é verde! Se decida logo, Thorin! — Reclamou Bilbo massageando as têmporas. Não entedia como seu marido podia causar tamanha comoção unicamente para escolher a cor adequada para as toalhas de mesa.

— Bilbo, não me apresse... Isso é uma decisão muito importante. — Garantiu o primeiro rei enquanto analisava com seriedade diferentes toalhas que foram colocadas sobre o seu colo.

— Todas são azuis! Não entendo qual é a diferen...

— Azuis? Não são todos azuis, são distintas tonalidades... Veja esse azul safira, enquanto esse é azul marinho, também tem esse azul cobalto, além deste belo azul inverno. — Falava isso enquanto exibia as toalhas para o seu esposo.

— Para mim, isso tudo é azul e ninguém irá notar a diferença se você escolher um tipo de azul em detrimento do outro. — Resmungou, impaciente, Bilbo. Afinal, devido aquela demora na escolha da cor, estavam atrasando todo o cronograma. Havia muita coisa a ser feito e a cerimonia ocorreria naquela noite, sobre a luz da primeira lua cheia da primavera. Eles não tinham muito tempo.

— Daín irá notar. — Respondeu o Durin também em um resmungo.

“Oh! Então era isso!” concluiu o Hobbit em pensamento. A vinda do rei do reino das Colinas de Ferro havia provocado um abalo em Thorin, que já tinha uma mania de perfeccionismo e agora essa mania acabara por atingir um nível insano. Bilbo já estava começando a se irritar com aquele tal Daín, antes mesmo de conhecê-lo.

— Que tal usar o seu azul? — Argumentou Bilbo colocando a sua mão por sobre a calejada mão do marido — Afinal, o azul mais apropriado seria aquele pertencente ao primeiro Rei de Erebo, não é mesmo?

Pelo sorriso que se fez nos lábios de Thorin, Bilbo sabia que o problema com a cor azul estava solucionado.

— Pois muito bem... — Disse Balin indicando com a cabeça para que os servos se retirassem com as toalhas de mesa — Agora passamos para a escolha dos...Er...Arranjos florais?

O conselheiro real franziu o cenho com aquele tópico adicionado no cronograma.

Thorin riu.

— Aposto que isso deve ser alguma brincadeira dos meus sobrinhos... Quem utiliza arranjos florais em uma cerimônia de casamento? Elfos?

— Sinto informá-lo, meu querido marido, mas fui eu mesmo que adicionei esse assunto a nossa lista de afazeres. — Anunciou Bilbo — E digo ainda mais: Hobbits, Homens e Elfos adornam suas festividades com flores. Já que estamos fortalecendo nossas alianças com esses povos, nada mais adequado do que aderir esse tipo de ornamentação em nossos salões!

— M-mas Bilbo...Meu tesouro. Anões e flores? Isso não combina! Digo...Se Daín vir isso...

— Thorin, quem é rei de Erebor, Daín ou você? — Inqueriu o Hobbit, colocando as mãos na cintura, evidente sinal de irritação.

— Obvio que sou eu. — Respondeu, aborrecido.

— Que ótimo! Pois, saiba que o seu reino não é composto só de anões. Não mais. Eu sou um Hobbit, meu primo, futuro esposo do príncipe de Erebor é um Hobbit...Não esqueçamos que o Príncipe Legolas é um Elfo. Logo, não imponha a cultura anã sobre a cultura de seus aliados. Isso não é justo, não é mesmo?

Thorin assentiu, mesmo que um pouco hesitante.

— Mas... Nós anões não sabemos como fazer esses arranjos florais. — Argumentou tentando não fazer careta quando falou florais.

— Quanto a isso, não se preocupe... Já pedi auxílio aos meu povo nesse quesito.

Ao falar isso, as portas do salão foram abertas e vários hobbits adentram, carregando cestas e vasos com diversos tipos e cores de flores diferentes.

— Por Mahal... — Balbuciou admirado.

— Agora, teremos que escolher o melhor arranjo! — Disse animado, o segundo rei.

— O melhor? Bem...Qualquer um serve, afinal...Tudo é flor.

— Oh! Não! Cada flor tem um significado diferente! O Jasmim, por exemplo, significa sorte, doçura e alegria. O Lírio seria um antigo símbolo da pureza da alma, inocência e paz. Existe uma linguagem das flores e devemos passar uma mensagem apropriada para os nossos súditos e convidados.

Thorin ainda não conseguia entender como aquilo era importante, mas preferiu não proferir suas dúvidas. Iria assentir e concordar com tudo que Bilbo disser naquele assunto em particular. E estava fazendo exatamente isso quando as portas do grande salão se abriram novamente, desta vez, não foram hobbits sorridentes que entraram e sim...Dwalin e Ori?

~***~

Frerin estava prestes a chorar. Tinha sido enganado! Havia seguido alguém com pés peludos, pensara que era o seu papa, mas era alguém totalmente diferente. E não era só um, havia vários impostores! Eles tinham cabelos encaracolados e pés peludos. Alguns cantavam. Outros dançavam. Nenhum deles estava lendo um livro ou fazendo chá...O que era uma prova que não eram seu papa e sim impostores!

— Pa... — Fez biquinho, mas segurou o choro. Só tinha que engatinhar de volta para onde veio e voltar a procurar, mas então...Algo atraiu a sua atenção.

~***~

— Onde está Frerin? — Foi a primeira coisa que Thorin perguntou. Ori estava tão pálido que parecia que iria desmaiar a qualquer momento e Dwalin evitava olhar nos olhos do seu melhor amigo. Aquilo só fez aumentar as suspeitas de Thorin. Eles não poderiam tê-lo perdido, afinal, era só um bebê...Um pouco travesso, sim, mesmo assim, ainda nem sabia andar e tão pouco falar! Quão difícil era cuidar de um bebê?

— Oh! Cuidado! Uma das cestas está andando sozinha! — Exclamou uma hobbit próxima ao rei. Logo gritinhos de assombro se espalharam pela comitiva de hobbits floristas.

— Será um coelho?

— Talvez seja um rato do campo?

— Seria melhor acertá-lo com uma vassoura!

Thorin viu a cesta que estava emborcada e se locomovia por debaixo da saia de uma hobbit que gritou assustada. A cesta continuou o seu trajeto, se desviando de seus perseguidores até...

— O que temos aqui? — Bilbo havia se agachado diante da cesta, interrompendo o seu trajeto. Com cuidado a levantou só para revelar um risonho príncipe anão.

— Pa! — Disse Frerin todo coberto de violetas brancas e rosas vermelhas. Além disso, levantou os bracinhos pedindo colo.

— Ora, ora... — Riu o segundo rei, carregando o seu filho no colo — Pelo visto já escolhemos as flores para o arranjo! Violetas brancas podem significar que uma promessa está sendo feita e a rosa vermelha significa amor. Isso é perfeito! Frerin, você é um gênio! Devemos agradecer ao Tio Dwalin e ao Tio Ori por terem o trazido aqui.

— Devemos? — Franziu o cenho, Thorin.

— Oh! Sim! — Interpôs Dwalin dando uma risada nervosa — Foi essa a nossa intenção, trazer o pequeno príncipe aqui, não é mesmo, Ori?

O bibliotecário não respondeu, pois acabara por desmaiar nos braços do seu companheiro. Isso gerou uma grande comoção entre os Hobbits que se prontificaram em ajudar, pois um bom florista também detinha um vasto conhecimento em ervas medicinais. Enquanto Ori era socorrido, Thorin se aproximou do seu esposo, com uma expressão desconfiada estampada no rosto.

— Ad! — Acenou Frerin para o seu papai anão.

— Você acha mesmo que eles trouxeram o Frerin aqui? Tenho uma leve impressão que foi nosso filho que veio por si só nos encontrar... — O Durin beijou a testa do seu amado filho.

— Ora, você acha mesmo que Frerin seria capaz de causar tamanha confusão? — Inqueriu Bilbo com um sorriso orgulhoso em seus lábios.

Thorin não respondeu, apenas beijou os lábios do seu amado esposo e deu um cafuné nos cabelos castanhos escuros de Frerin II, fazendo com que flores caíssem de sua cabeleira. Tocou o broche em um dos cachos do pequeno príncipe. O broche que ele e Bilbo tinham forjado juntos.

Kili e Fili pareciam ter se aposentando em relação as travessuras...Mas o destino deveria equilibrar a realidade das coisas, o que significa que outro arteiro estava assumindo o seu lugar de direito em Erebor. Seu nome era Príncipe Frerin II Durin.

Notas finais
Peço perdão por essa grande demora! Pois, ocorreu muitos problemas, referente ao wattpad (exclusão do perfil e das histórias) além das provas da faculdade, estudos de concurso e trabalhos no laboratório. Queria manter todas as plataformas que publico em sincronia de conteúdo, mas graça aos deuses do Yaoi, meu perfil (de forma misteriosa) retornou... Enfim, agora estou com mais tempo para escrever. Espero que tenham gostado da aventura de Frerin...Agora só falta Frodo nascer, não é mesmo?