Os dois reis sob a montanha
74 A competição de bebidas!
— Dís! – Daín os braços abertos, todo alegre ao ver a princesa de Erebor vir em sua direção, com passos rápidos e firmes. A comitiva real seguia pelo corredor principal, escoltados pelos soldados de ambas as comitivas, de Erebor e das Colinas de Ferro.
Thorin parou subitamente e fez uma careta. Bilbo já iria adverti-lo sobre ter modos e isso incluía acompanhar as visitas até o final do corredor, mas sua reprimenda sobre o decoro diplomático deveria ser direcionada a outro Durin...
Dís parou diante de Daín, mas ao invés de lhe dar o tão desejado abraço, lhe deu um tremendo de um soco.
Os guardas ficaram abismados. Não sabiam se deviam empunhar suas armas ou apenas observar a cena. Afinal, aqueles membros da realeza anã eram todos familiares e amigos, não é mesmo?
Daín levou a mão a bochecha, pelo visto a sua farta barba tinha amortecido parte do golpe, mas a dor ainda era evidente na expressão do rei anão, além da explicita surpresa.
— Demorou muito para chegar. – Disse a princesa, cruzando os braços diante do peito.
— Dís! – Bilbo estava horrorizado com a atitude da irmã mais nova de Thorin – Das Colinas de Ferro para Erebor são dias de viagem...Ele chegou no tempo devido.
— Não me refiro a essa viagem em particular, Bilbo. – Frisou a anã, fitando com o seu olhar mortal o seu primo.
Thorin pigarreou e Bilbo estreitou os olhos.
— D-desculpe. – Falou Daín forçando um sorriso – Eu realmente demorei a vir...
— Isso é verdade. – Concordou Thorin com um pigarro – Mas o que importa é que agora você está aqui.
— Sim, isso é verdade. Agora ele terá que compensar o tempo perdido. – Sentenciou Dís.
— Claro... – Respondeu o rei de ruiva cabeleira.
Bilbo sentiu um pouco de pena de Daín, era palpável a pressão que Dís e Thorin exerciam sobre o outro rei anão. Contudo, parcialmente entendia o fato de estarem aborrecidos. Daín esteve ausente durante todo o processo de reconstrução de Erebor. Sim, ele ajudava financeiramente, mas durante os grandes eventos o primo monarca não estivera presente. O hobbit imaginava que existia um motivo para isso, pois não sentia que o anão ruivo fosse alguém de má-índole. Somado a isso estava a forma como Daín agiu quando foi mencionado o nome de Frerin...
— Vossas majestades? – Balin havia se aproximado e feito uma ligeira reverência – Venho lhes informar que um salão foi preparado com comida e bebida o suficiente para os nossos convidados.
— Perfeito! – Exclamou o segundo rei, piscando para o conselheiro real pela a iniciativa de vir buscá-los – Melhor irmos, afinal, Daín deve estar suficiente descansado para as festividades que ocorrerão mais tarde.
—Você ainda é fraco com a bebida como antigamente, primo? – Thorin questionou, erguendo elegantemente uma sobrancelha.
— A última vez que bebemos juntos, Thorin, éramos apenas anões cuja barba estava começando a nascer! – Resmungou Daín, assumindo uma coloração avermelhada tal como a tonalidade de seus cabelos e barba.
— Isso não foi bem uma resposta negativa e nem afirmativa.
— Confesso que, quando estava trabalhando como secretária das finanças nas Colinas de Ferro, nunca o viu beber uma caneca de cerveja sequer... – Sorriu Dís, em um tom provocador.
Daín apenas soltou um grunhido inteligível e lançou um olhar de advertência para os irmãos.
— Sei muito bem como lidar com o álcool. – Disse isso enquanto seguia pelo corredor, ignorando as risadas emitidas por Dís e Thorin.
“Pelo menos estão agindo de forma mais espontânea...” analisou Bilbo, apesar que desaprovava uma competição de bebidas tão cedo, ainda mais, quando queria que seu marido estivesse sóbrio o suficiente quando estivesse exercendo seu papel real de Primeiro rei de Erebor casando Drogo e Kili.
~***~
— Mais um! Mais um! — Gritavam os anões ao redor da mesa aonde se encontravam as suas majestades reais, reis anões da linhagem dos Durin realizando uma elegante cerimônia de...Se embebedarem feito anões fanfarrões! Pelo menos essa era a opinião de Bilbo sobre toda aquela situação.
— E aí? Como se sente, primo? – Questionou Thorin limpando com as costas da mão o líquido de cerveja que escorria por sua barba negra. Logo em seguida, bateu com força a sua caneca na mesa, fazendo ecoar no salão o som de sua ação.
— B...Burg! – Dáin arrotou antes que pudesse emitir uma resposta inteligível.
— Mais um! – Comandou Dís que também estava participando da ridícula competição.
— Ma! Ma um! – Exclamou Frerin alegre, batendo com as mãos em sinal de incentivo aos adultos.
— Nem pense em seguir o exemplo deles! Ouviu bem? – Repreendeu Bilbo ao infante que fez biquinho. Seu papa estava sendo muito chato.
— Eles parecem estar se divertindo. – Comentou Balin ao lado do rei, mesmo o conselheiro real estava bebericando uma caneca de cerveja, mas devido o olhar crítico desferido por Bilbo, o velho anão acabou por abandonar a caneca sobre a mesa.
— Eles poderiam se divertir depois da cerimônia. – Frisou Bilbo – Já imaginou como seria o casamento do Kili e Drogo, com um Thorin muito bêbado os abençoando? É bem possível que neste estado ele confunda os noivos com as pilastras do salão de cerimônias. A primeira benção matrimonial que o primeiro rei de Erebor irá dar será para pilares de pedra!
Dwalin, que estava sentando próximo, conteve uma risada.
— Não é engraçado. – Ralhou o hobbit.
— Tudo dará certo. – Tranquilizou o Fudin mais velho – Thorin tem uma grande tolerância ao álcool. E vocês dois já adiantaram bastante nos preparativos... Não esqueça que o casamento seu com Thorin foi organizado por mim e outros membros da companhia, logo, sabemos como lidar com toda essa pressão organizacional.
— Gandalf também ajudou. – Lembrou Dwalin.
— Gandalf... Me pergunto aonde está aquele velho mago. – Resmungou Bilbo embalando o seu filho – Queria poder mandar uma carta para ele avisando sobre as coisas, mas nem sei aonde ele deve estar!
— Ô! – Exclamou Frerin tentando puxar algo que estava atrás de Bilbo. Para conseguir alcançar o seu objetivo o bebê praticamente escalou o ombro do seu papa hobbit e estendeu os bracinhos.
— Frerin! Por Yavanna! Você quer cair?
— Ô! – Insistiu o pequeno.
— Já vi o que suas mãozinhas podem fazer, príncipe. Gostaria de manter a minha barba ainda presa ao meu rosto, se me permite a regalia. – A voz rouca e jovial fez Bilbo se alegrar.
— Gandalf? – Ao se virar deu de encontro ao velho amigo. O mago estava apoiado no seu cajado exibindo um sorriso afetuoso apesar da evidência de exaustão em suas feições.
— Olá, Bilbo. Fico feliz em revê-lo a salvo e feliz.
O hobbit já tinha imaginado respostas mordazes para dar ao velho amigo, contudo, vendo o aspecto cansado de Gandalf, resolveu reconsiderar sua atitude. Pelo visto, não fora só Bilbo que passara por situações estressantes e perigosas.
— Queria dizer o mesmo em relação a você, Gandalf. – Sussurrou, não ocultando a preocupação em sua fala – Sente-se, na verdade...Como conseguiu entrar? Nem pude convidá-lo para a cerimônia por não saber em que lugar na Terra Média você se meteu!
— A porta de entrada de Erebor estava aberta e simplesmente entrei. – Anunciou o mago em um tom divertido. Dwalin ofereceu uma cadeira para ancião, contudo a que tinha oferecer era adequada ao tamanho de um anão ou mesmo hobbit, não para alguém alto como ele. Mesmo ficando um pouco desconfortável em seu assento, Gandalf agradeceu.
— Uma porta aberta com guardas armados. – Frisou Bilbo, desconfiado que o mago tivesse usado algum truque magico para adentrar no reino anão. Não que estivesse censurando-o por isso, mas não era necessário a ser feito! Pelo visto, Gandalf tinha uma estranha mania de entrar nas casas dos outros sem ser formalmente convidado.
— Imaginei que não seria bem-vindo... – Confessou.
— Bem, você realmente perdeu muitas coisas, mas pelo que posso ver, também teve suas próprias aventuras, não é mesmo? – Ofereceu uma caneca de cerveja advindo da cevada fermentada no Condado. Frerin tentou pegá-la, mas Bilbo já estava treinado em evitar o “ataque” das mãozinhas curiosas do seu filho.
— Você é nosso amigo, Gandalf. Sempre será bem-vindo. – Reafirmou o segundo rei.
O mago estampou um amplo sorriso nos seus lábios.
— Obrigado. Fico feliz de ouvir isso. E de fato, tive minha própria carga de aventuras...Se podemos nomeá-las desta maneira. – Bebericou a cerveja com evidente satisfação.
— Mas tudo foi resolvido, presumo?
Gandalf soltou um suspiro.
— Temo que as coisas não sejam tão simples assim. – Balbuciou em um tom agorento.
— Nada é simples. Só os tolos pensam assim. – Se intrometeu, Dwalin – E sabem o que é mais tolo? Ficarem falando de temas depressivos em um dia de casamento! Isso dá azar!
Bilbo assentiu. Seja o que for que Gandalf tenha passado, ele não estava ali para reverberar tais memórias, mesmo que tivesse uma certa curiosidade por saber aonde Gandalf tinha estado. Mas, não podiam esquecer o objetivo de toda aquela festividade! Depois teriam tempo de conversar mais sobre o assunto.
— O mestre anão está correto. Deixaremos as conversas sérias para mais tarde. Ainda mais, estou muito curioso com o que ocorreu aqui em Erebor. – Falou isso lançando um olhar significativo para Bilbo que o deixou levemente desconfortável. Parecia que o velho mago, apesar da ausência, podia decifrá-lo como se o hobbit fosse um livro aberto.
Será que ele sabia sobre a vinda do Azog a Montanha solitária? Bem que esse fato não era mesmo um segredo... Todos em Erebor sabiam da invasão dos orcs nas Minas e também sabiam das consequências dessa invasão. Os anões mortos jazem em um memorial na entrada das Minas, memorial moldado na pedra, feito pelas mãos de Thorin e seus sobrinhos.
E o Gollum? A criatura que encontrara no lago subterrâneo? Será que Gandalf sabia dela? E se soubesse...Saberia do anel? Esse era um segredo que não ousara falar para ninguém, nem para o seu amado marido. E por que era um segredo? Anéis mágicos não são um fato raro em Erebor, mas mesmo assim...Não conseguia se ver falando sobre o assunto! Tão pouco, entregando o anel para outro analisar...
Era seu.
Somente seu.
Seu prec...
— Papa! – Chamou Frerin dando tapinhas na bochecha do segundo rei, o fazendo despertar de seus pensamentos. Bilbo sorriu, qualquer lembrança do anel foi esquecida com a visão do seu filho sorridente segurando um...
— De onde você tirou isso? – Era um pedaço de bolo de chocolate, parcialmente comido. Aliás, vale ressaltar que parte desse bolo estava agora na bochecha e queixo de Bilbo, já que Frerin o tocou para o chamar atenção.
— Eu que dei. – Admitiu um elfo que, pelo visto, tinha tomado a iniciativa de se sentar próximo ao segundo rei. O rapaz jogou os cabelos negros para trás em uma forma dramática, completando a cena como um sorriso arrogante estampado em seus lábios.
— Elladan... – Concluiu Bilbo com um suspiro de resignação. Se Elrond era seu parente distante, Elladan tinha se tornado (automaticamente) seu novo “sobrinho”. Pelo visto, Yavanna não tinha misericórdia em lhe oferecer um novo sobrinho que não fosse arteiro e que não causasse um aumento de sua pressão arterial devido ao estresse – Eu já te falei para não dar quitutes ao Frerin, pelas minhas costas.
— Eu sei, mas deve notar que estou dando o referido quitute na sua frente e não pelas suas costas, logo, isso significa que não desobedeci às suas ordens, não é mesmo? – Respondendo enquanto ele mesmo comia um pedaço de bolo.
Bilbo as vezes achava que estava sendo punido pelos anos de travessura que submetera aos adultos de Hobbiton durante a sua juventude. Sim, devia ser uma compensação ou reflexo da lei de causa e efeito.
— Então, irei reformular a ordem. Sem quitutes! Acho que agora não dá para sair pela tangente, não é mesmo?
— Seu papa é um chato. – Disse Elladan cutucando a bochecha rosada do bebê que sorriu em retorno. Pelo visto, Frerin já considerada Elladan o seu “tio” preferido.
— Desculpe me intrometer. – Pigarreou Gandalf – Mas você seria Elladan, filho de Lord Elrond?
O elfo ergueu as finas sobrancelhas e fitou o mago como se só agora tivesse notado a presença dele ali.
— Pode não parecer, mas sou sim filho do senhor de Valfenda. – Respondeu, sem rodeios, o jovem elfo.
Gandalf riu e negou com a cabeça.
— Você parece sim com o seu pai. Quanto a isso não se preocupe.
— Sério? – Elladan franziu o cenho – Estamos falando do mesmo elfo metido a estudioso e diplomata?
— Elladan! – Repreendeu Bilbo.
— Seu pai já foi jovem um dia. Bastante rebelde, devo dizer. Logo, consigo ver as semelhanças nas atitudes. – Garantiu o velho mago.
— Hum... Papai nunca falou sobre isso. – Fez biquinho.
“Talvez por não querer estimular as mesmas atitudes.” Analisou Bilbo, apesar de não conseguir ver o sério Elrond com uma personalidade semelhante a Elladan, contudo, confiava nos relatos de Gandalf já que o mago já demonstrara ter vivido bastante tempo para presenciar o nascimento de diversas linhagens de reis e rainhas da Terra Média.
— Bem... Eu gostaria de falar com o seu sobre algo. – Revelou o ancião mirando de relance para Frerin.
— Algo? Eu não costumo ser garoto de recados, sabe?
— Elladan, não seja mal-educado. – Reclamou Bilbo dando um chutão no elfo, por debaixo da mesa – Não é como você estivesse ocupado ou algo do tipo.
— Ouch! Hobbit deveriam ser criaturas fofinhas e delicadas, me sinto enganado!
— Não sei aonde você tirou essa ideia errônea de minha raça, mas irei descontruir ainda mais a sua imagem romantizada dos hobbits se você insistir em ser rude. – Ameaçou, Frerin adorou aquela interação e começou a bater palmas.
— Certo. – Resmungou Elladan – Eu falo com o meu pai que você, Mithrandir, deseja falar com ele. Posso perguntar qual seria o assunto ou é algo secreto?
— Secreto? Talvez para alguns seja uma situação delicada. Entretanto, devo esperar a resposta de Lorde Elrond sobre a questão para revelar mais...
— Hum... – Elladan fez, novamente, biquinho nos lábios.
Gandalf sorriu.
— Paciência, jovem elfo. A depender da resposta do seu pai, quiçá você terá muita importância na valorosa missão...
— Importância? Eu? Bem, eu sou um guerreiro muito habilidoso, estou pronto para qualquer missão. – Falou isso cheio de empáfia. Bilbo rolou os olhos, bem como sentiu que os anões que estavam próximos também o acompanharam no gesto.
— Imagino que sim. – Assentiu o mago dando um leve cafune em Frerin.
Mas a conversa sobre a “misteriosa” missão de Elladan deveria ficar para outro momento já que Thorin se aproxima a passos trôpegos.
— A competição de bebidas terminou. – Anunciou o primeiro rei, tal como tivesse chegado ao fim uma longa deliberação de alguma reunião do conselho. Bilbo o fitou com desaprovação.
— E o que ocorreu com Daín? – Quis saber Balin vendo que Thorin estava acompanhado de sua irmã e não do rei anão das Colinas de Ferro.
— Ele está ali atrás. – Apontou Escudo-de-Carvalho, para o primo caído no chão, roncado alto.
— Oh! Por tudo que é verde! – Exclamou Bilbo contendo um sorriso que se formava no canto dos seus lábios – Isso não foi prudente, Thorin. Digo, ele é nosso convidado...Não acho que seria certo embebedar nosso convidado e, além do mais, seu parente.
— Bem, ele poderia ter desistido. Ninguém o estava obrigando a beber. – Respondeu o primeiro rei com um sorriso provocador nos lábios.
— E quem ganhou, afinal de contas? – Agora foi a vez de Dwalin perguntar.
Agora Thorin assumiu uma expressão de desgosto.
— Obvio que fui eu! – Revelou Dís sorridente. Ela nem parecia que tinha bebido incontáveis canecas de cerveja. Isso só fez Bilbo admirá-la ainda mais.
— Acho que você roubou... – Resmungou Thorin.
— Roubei como? Escondendo o excesso de bebida no meu decote, caro irmão? Não seja um mal perdedor, sim? Aceitei que a princesa Dís é a melhor bebedora, dentro da linguagem dos Dúrin!
Ao falar isso, fez com que todos os anões que estavam próximos gritassem em coro palavras em sua língua nativa que descreviam elogios quase que divinos a princesa de Erebor. Pelo visto, saber tolerar o álcool era uma qualidade bem vista entre os anões, concluiu Bilbo.
— E o que devemos fazer com o mestre Daín? – Inqueriu Bilbo preocupado.
— Deixa que eu o levo para o quarto dele. – Decidiu Dís já indo para próximo do anão ruivo e o erguendo no colo como se ele pesasse menos que uma pena.
— Er... Está bem. – Concordou o segundo rei, ainda mais surpreso.
Tantas coisas tinham ocorrido em tão curto espaço de tempo...E o cerimônia de casamento ainda nem tinha começado! Alias, não tinha tempo para ficar ali conversando e muito menos, bebendo. Tinha um casamento e um noivado para organizar!
— Bem, já que a competição de bebida terminou...
— Alguém já te disse que tens olhos mais lindos que a mais lindas esmeraldas? – Perguntou Thorin, de repente, pegando o hobbit de surpresa.
— Thorin? – Piscou, confuso.
O segundo rei retirou Frerin dos braços de Bilbo e o entregou para Elladan.
— Acho que me apaixonei por você, novamente. Meu tesouro mais precioso. — Declarou o rei anão beijando as mãos de Bilbo, ignorado o público que os observava.
— Por Yavanna...Você está bêbado?
— O que? Eu não estou bêbado...Só me sinto inspirado em declarar o quanto te acho lindo. Sua beleza ultrapassa todas as riquezas de Erebor... Nada se compara ao meu belo e sexy Hobbit!
— Oh...Céus... – Bilbo começou a corar dos pés à cabeça – Você está mesmo bêbado!
— Um Dúrin nunca fica bêbado.
— Tens certeza? E quanto a Daín ali atrás?
A resposta veio com uma súbita ação de Thorin, carregando Bilbo em seus braços.
— Dwalin, Balin...Estou tirando uma momentânea folga dos meus deveres como organizador da cerimônia, para passar um tempo com o meu amado e precioso segundo rei.
— Como é que é? Não! – Esperneou Bilbo, mas era inútil escapar dos braços fortes do seu anão – Ainda temos muita coisa que fazer! Nem pensei que...
— Só não demore muito. – Lembrou Balin com um sorriso complacente – Você é que deve abençoar os casais.
Thorin apenas assentiu enquanto levava o irritado esposo para o quarto real. Gandalf soltou uma gargalhada que foi logo acompanhado pelos súditos e outros convidados que ali estavam próximos.
— Isso foi muito ridículo. – Comentou Elladan para o bebê que tinha em seu colo – Apaixonar nos deixa idiotas! Nunca irei sofrer desse mal.
Prometeu a si mesmo o jovem mestre Elfo de Valfenda...
Mas o mesmo desconhecia que as teias do tear do destino já estavam entrelaçando o seu fio ao fio de outro alguém.
Alguém que ainda estava por vir de grande importância para o futuro da Terra Média.
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