Notas iniciais
Lady: ÚLTIMO CAPÍTULO . . . . . . . . . . . . . DO ANO! :D Gente, eu vou viajar hoje mais tarde, então betei o capítulo rapidinho pra vocês não ficarem sem nada esse fim de ano. A propósito, feliz ano novo pra todos vocês!

Thorin soltou um suspiro de prazer. Adorava sentir os dedos de seu esposo em seus cabelos, trançando, penteando. Quantos anos tinham se passado desde que deixara outro alguém tocar o seu cabelo e cuidar de sua aparência com tamanho amor? O primeiro rei acreditava que a última vez que tivera alguém desempenhando essa mesma função, fora na época que sua mãe ainda estava viva. Estava relaxado, e o peso do seu trabalho parecia se esvair toda vez que passava algum tempo com Bilbo; contudo, naquela manhã estava meio distraído. Fazia e desfazia a mesma trança diversas vezes, e mesmo que Thorin adorasse aquele momento, ele ainda tinha reuniões a comparecer...

– Bilbo – Chamou, mas não obteve resposta – Bilbo?

O hobbit realmente parecia perdido em seus pensamentos.

– Bilbo, eu acho que Bofur acabou de quebrar seu conjunto de chá de porcelana.

Aquilo foi um golpe baixo, sabia disto, mas era a forma de fazer o seu esposo acordar do seu estado contemplativo. Como mágica, Thorin sentiu seu cabelo sendo puxado com força.

– O que disse? O que aconteceu com minha porcelana? – O tom de fúria era evidente na voz do pequeno hobbit; o anão sabia por experiência própria que não era muito sensato irritar o seu pequeno esposo.

– Ai, Bilbo, tesouro! Meu cabelo! – Naquele momento, o grande primeiro rei anão de Erebor choramingou devido a dor; ora, os cabelos e barbas dos anões eram sensíveis!

– Oh, desculpe. – Disse Bilbo soltando a trança rapidamente – Mas e a porcelana?

– Eu menti, era só para te chamar a atenção. – Explicou se virando para fitar o seu amado. Ambos estavam sentados na cama, Bilbo em suas costas cuidando do cabelo; era uma rotina matinal habitual entre eles.

– Não minta sobre essas coisas, Thorin Escudo-de-Carvalho Durin! – Falou o menor, colocando as mãos na cintura. Entretanto, a sua postura de “hobbit zangado” no momento não assustava o rei anão, que tinha os olhos focados na grande barriga que seu amado exibia, agora mais proeminente quando Bilbo fazia aquele tipo de ação.

– Desculpe, meu amor. – Sorriu, e ele não parecia nem um pouco culpado pelo que tinha feito, na verdade.

– Mas... Eu estava tão distraído assim?

– Sim, não que eu reclame de suas habilidades de trançar, tampouco de passar mais tempo com você, contudo eu tenho uma reunião daqui a meia hora.

Bilbo suspirou. Dentro da montanha não sabia muito bem como o tempo passava, afinal sempre se guiou pela a posição do sol, mas parecia que os anões tinham uma total consciência sobre isso, mesmo vivendo debaixo da terra.

– Desculpe.

– Não, está tudo bem. – Disse, agora não sorrindo mais. Podia ver a preocupação transparecer nos olhos do seu amado – Bilbo, o que estavas pensando? Está se sentindo bem? É o bebê? – Falou rapidamente, já tocando a barriga do esposo, buscando sentir se tinha algo de errado. O hobbit não escondeu o sorriso se formando em seus lábios; Thorin poderia ser fofo, às vezes.

– Não, amor. Eu estou bem, e o nosso filho está bem. – Acariciou a barriga, sua mão se encontrou com a mão grande e áspera do seu marido – Nós estamos ótimos.

Thorin suspirou aliviado.

– Então, o que é?

– Eu estou preocupado com Kili e Fili, me pergunto sempre se conseguiram chegar ao Condado; além disso, estou pesando também no Drogo. Em sua segurança.

– Se quiser, mando um corvo para nos informar mais sobre o encaminhamento da missão. Mas, temo que talvez ele não chegue a tempo; esta missão foi planejada para ser desempenhada com rapidez, e eles podem estar a caminho de Erebor neste momento que conversamos. – Tentou tranquilizar – Eu também estou preocupado com eles, pois essa é a sua primeira missão oficial. Digo, sei que meus sobrinhos já fugiram outras vezes e exploram a Terra Média, contudo desta vez é diferente.

– Eu sei que eles podem ser responsáveis, Thorin. – Sorriu Bilbo – Mas eu não posso deixar de me preocupar... Na verdade, me sinto responsável pelo o que está ocorrendo.

– Amor, você não é culpado pelo atentado que ocorreu com o seu primo!

–Eu devia ter imaginado que Leoamros pudesse agir desta forma desesperadora. Ele não iria descansar até conseguir o Bolsão e o legado dos Bolseiros para si. Eu o provoquei quando deixei o encargo da minha herança com meu primo Tûk, desta forma ele deve ter esperado até o momento que Drogo atingisse a maioridade para por em prática o seu plano. Eu fui um tolo em imaginar que Drogo estaria seguro sozinho. – Lágrimas já começaram a rolar de sua face; a gravidez o deixava mil vezes mais emotivo.

– Ukurduh, não se culpe. Drogo sobreviveu, não é mesmo? Kili e Fili já devem estar no Condado o amparando!

– Mas... Devido a minhas ações minha querida Prímula morreu! Ela era tão jovem ainda, Thorin... – Chorou mais ainda, e o anão o abraçou.

– Não preencha seu coração com esses sentimentos de culpa, Bilbo. Eu te entendo, pois eu também me culpava pela a morte do meu irmão, Frerin... Eu pensava constantemente que se eu tivesse sido mais forte, se eu tivesse agido diferente; mas a verdade é que esses “se eu” não vão trazer o meu irmão mais novo de volta.

Bilbo levantou os olhos ainda marejados devido às lágrimas. Era raro Thorin falar de seu irmão. Contudo, não havia tristeza nos olhos azuis do rei — talvez certo vestígio de nostalgia e saudades, mas não tristeza.

– Além disso, eu sei que meu irmão não iria querer que eu me prendesse ao rancor, que o pesar de sua morte me impedisse de continuar a lutar e proteger nosso legado como membro da família real. Eu sei, pois se nossos lugares fossem invertidos e eu tivesse falecido, também desejaria que ele continuasse a seguir a sua vida. Sua memória não deve ser de pesar e tristeza, e sim de motivação e esperança.

Bilbo fungou. Aquelas palavras pareciam cravar-se em seu coração. Prímula não iria desejar que ficassem em um luto eterno.

– E o verdadeiro culpado não foi você. – Continuou a falar Thorin – Não esqueça quem são os verdadeiros inimigos.

Realmente, Bilbo não podia esquecer quem era o inimigo.

– Qual é a justiça dos anões para caso de traição? Creio que o fato Leoamros tentar assassinar o meu primo seria categorizado como traição, não é? –Perguntou curioso.

– Vocês hobbits não tem uma justiça para isso?

– Bem, o conselho vota para uma punição, e normalmente envolve desapropriações de terras, venda de propriedades ou destruição de jardim.

– Destruição de jardim? – O rei anão arqueou as sobrancelhas, intrigado.

– Nós hobbits gostamos muito de nossos jardins! – Bilbo o encarou irritado, já presumindo que seu marido iria comentar algo negativo quanto as prioridades dos hobbits.

– Acho que nossas leias são mais severas... No caso de roubo, por exemplo, cortamos as mãos do ladrão.

– C-cortam... As mãos? – O segundo rei gaguejou, aquilo era realmente violento.

– No caso de traição, creio que arrancamos os olhos e a língua, depois condenamos o anão ao exilio. Mahal irá julga-lo, e se tiver piedade, provavelmente permitirá que morra rápido e não sendo alimento de algum orc faminto.

– Isso... Isso... — Bilbo não sabia nem o que dizer, sentiu calafrio na espinha só de imaginar em fazer isso com Leoamros. Mesmo que odiasse aquele hobbit ganancioso, aquela punição seria muito severa e sanguinária.

– Creio que Balin deve ter omitido esses ensinamentos em suas aulas. – Thorin estava dando ponta-pés mentais por ter falado aquelas coisas tão naturalmente. Não queria assustar o seu amado o fazendo pensar que anões eram bárbaros – Mas para alguém ser condenado também deve se apresentar a três julgamentos: o popular, a qual envolve o povo de Erebor; o dos nobres, sendo julgado pelo conselho; e o do rei, no caso eu, que o julgaria sozinho. Depois são analisados os veredictos de cada julgamento e uma sentença é gerada, tentando levar em consideração o resultado como um todo. Às vezes, se levam mais de 20 anos para se ter uma sentença concreta. Mas durante a espera pelo o resultado final os acusados ficam presos no calabouço e às vezes ficar lá é pior do que a sentença.

– Oh... – O pequeno hobbit estava ainda absorvendo as novas informações – Mas eu não acho que Leoamros deve ser julgado pelo modo dos anões. Além disso, de acordo com o primo Ada, na carta que ele escreveu, não existe provas que indique a participação real do Justa-Correia.

– Mas Bilbo, deixar esse hobbit em liberdade é perigoso. E não acho que destruindo o jardim dele irá impedi-lo de machucar o seu primo!

– Isso se meu primo ficar no Condado... Sempre haverá o risco de novos ataques.

– Bilbo... – Thorin agora entendia a linha de raciocínio do seu esposo, logo, presumiu o conteúdo da carta que ele tinha entregue a Fili – Você deseja trazer Drogo à Erebor?

– E-eu... Peço perdão por não ter falado isso para você, digo... Na hora parecia a ideia mais sensata, mas eu não deveria tomar essas decisões sem te consultar, não é? Eu não estou quebrando o contrato! Eu só queria manter o meu primo protegido, pois ele é como um irmão mais novo, eu prometi protegê-lo e não posso abandoná-lo. Você pode ficar bravo, mas eu o desejo ao meu lado, aqui no reino anão. Você pode gritar comigo e ficar furioso por eu não ter levado em consideração a sua autoridade como primeiro rei e... — Thorin o beijou, fazendo que aquele tagarelado se interrompesse. De início Bilbo estava tenso, mas logo relaxou e correspondeu o beijo, puxando pelo casaco de pele o anão para perto de si. Ficaram assim por alguns instantes, se deliciando um com o gosto do outro. Mas não podiam avançar mais, principalmente quando Bilbo soltou um gemido desconfortável e tocou a barriga. Thorin se afastou de imediato e encarou o esposo assustado.

– E-ele está bem? Chegou a hora?

– Shh... Calma Thorin, por tudo que é mais verde e maduro, às vezes eu acho que você que está gravido e não eu! – Resmungou – Só foi um chute... E que chute!

– Ele será um grande guerreiro — Sorriu o rei anão, mas logo ficou sério e fitou o seu amado – Bilbo, você não precisa pedir perdão. Eu sei que temos um contrato... Mas se eu pudesse o rasgaria! Não quero que se sinta limitado por aquelas regras tolas. Estamos casados porque nos amamos e não devido a necessidades de alianças e relações diplomáticas. Lembre-se disso.

Bilbo sorriu. Um rubor dominou o seu rosto; de fato, não deveria se deixar influenciar por aquele contrato... Suas vidas estavam sendo guiadas pelos seus corações, e não por um mero pedaço de papel.

– Quanto à vinda do seu primo, eu não iria proibir. Contudo, se ele for mesmo um breeder... — Thorin se calou, ficando pensativo, o que deixou o segundo rei preocupado.

– O que tem de errado?

– Bem, alguns nobres podem vir a se interessar...

– Eles que se mantenham bem longe do meu primo ! – Rosnou o hobbit – Se eu vir algum destes anões olhar de forma indevida para o Drogo, juro que eu mesmo irei arrancar os olhos deles.

Thorin tentou não rolar os olhos com aquela atitude explosiva, pois sabia muito bem que Bilbo nunca faria algo tão extremo, mas sem dúvida poderia assustar muitos anões com seus ataques de fúria — principalmente quando estava grávido.

– Além disso... — Recomeçou a falar, agora mais calmo. Aquelas alterações de humor sempre deixaram o primeiro rei confuso – Creio que Drogo já pode ter um pretendente.

– Já? Quem?

– Tsc, tsc... – O hobbit sorriu fazendo um sinal negativo com o dedo indicador — Você realmente não consegue enxergar o romance que ocorre a sua volta, não é?

– O único romance em que quero me concentrar é este aqui... — Puxou o hobbit para o seu colo – Não preciso notar nenhum outro. – Beijou a ponta do nariz avermelhado do esposo.

– Galanteador... Se continuar falando essas coisas, talvez eu não te deixe sair do nosso quarto hoje. – Disse manhoso, se acomodando melhor no colo do outro, remexendo o bumbum sobre um local “perigoso”.

– Bilbo... — Thorin devia reprimi-lo, sabia disso, mas como podia resistir a aquele hobbit que tanto amava? – Talvez eu não deseje deixar o quarto hoje...

– Mas e o conselho? – Perguntou o menor, mas já estava retirando o casaco leve que usava, despindo lentamente e observando o olhar faminto de seu anão.

– Eu sou o rei... Que o conselho coma fezes de troll! – Rosnou já bastante excitado se lançando sobre o seu jovem esposo. Bilbo gargalhou, seus sentimentos de insegurança, culpa e preocupação estavam se esvaindo conforme Thorin o beijava.

“Agora só resta Drogo aceitar a minha proposta...” Pensou antes de se entregar totalmente ao prazer.

~TKATC~

Balin interrompeu a sua mão antes que esta tocasse a porta do quarto do rei.

– Não vai bater na porta? – Perguntou Dwalin, contrariado – Thorin está atrasado para a reunião, não? E eu ainda tenho que servir de babá do segundo rei... Aposto que ele vai me fazer regar e adubar toda a estufa. – Resmungou.

– Creio que terei que alterar a agenda de atividades de nossos reis. – Falou Balin acariciando a sua barba branca e sorrindo. Seu irmão já iria perguntar o que queria dizer com aquela afirmação quando ouviu um gemido alto advindo do quarto real. Era Bilbo, e não precisava ser gênio para entender o que poderia ter gerado aquele gemido... Certamente não foi dor.

– Oh... — Dwalin coçou a barba, escondendo o embaraço – Isso significa que terei uma folga. Vou à biblioteca!

– Biblioteca? – O outro anão arqueou uma das sobrancelhas, desconfiado do o interesse repentino do seu irmão para com a literatura.

– Er... Sim. Melhor eu ir. – Disse rapidamente, não dando tempo para Balin inquirir mais.

– Ah! O romance... — Suspirou o velho anão – Melhor eu pensar em uma desculpa para o conselho – Disse isso enquanto caminhava tranquilamente pelo corredor.

“Mais um hobbit irá chegar à montanha... Como será que os anões irão reagir?” Acariciava a sua longa barba, contemplativo. Se Bilbo já tinha causado algumas divergências, o que mais um breeder poderia gerar? Além disso, ainda tinha que informar a Thorin sobre os relatórios da presença de orcs nas fronteiras...

– Isso não importa agora. — Concluiu – Devo pensar em coisas mais otimistas, como: uma festa de boas vindas.

~TKATC~

Condado

Fili observa a carta em suas mãos. Sabia o que deveria saber, mas mesmo assim estava relutante. Se o fizesse talvez significasse machucar o coração do seu irmão. Não queria ter que interromper aquele romance... Afinal, sabia o quanto era doloroso um amor à distância. Contudo, não podia esperar mais — tinham que partir o quanto antes.

–... Os elfos tem flores que brilham? – A voz de Drogo o fez sobressaltar. Levantou os olhos e observou o pequeno hobbit vindo do jardim (afinal estava usando o seu grande chapéu de palha e segurava um regador) acompanhado por Legolas.

– São muito belas, devia ouvir as canções que elas cantam durante as noites sem luar.

– Cantam? Você consegue se comunicar com as plantas? – Os olhos do jovem Bolseiro brilhavam.

Como um coelho ao ver uma cenoura suculenta.

Lembrou-se das palavras do seu irmão, de fato, Drogo parecia mesmo com essa descrição.

– Quando elas querem falar, nós escutamos. As mais novas são mais tímidas, mas conforme passam os anos acabam por se tornar umas verdadeiras tagarelas.

– Uau! – Drogo estava fascinado.

– Er... Bom dia. – Interrompeu Fili. Legolas de imediato pareceu notar que tinha chegado a hora.

– Oh! Bom dia, Fili! – Sorriu cordial – Onde está Kili? – Olhou para os lados, rapidamente, e um leve rubor surgiu em suas bochechas.

– Ele ainda está dormindo. Acho que a competição de bebidas entre ele e o primo Ada não foi algo muito sensato de se fazer.

– Eu tinha avisado a ele sobre a tolerância ao álcool que o primo Ada tem, e os Tûks são assim. Todas as competições de bebida do Condado eles vencem!

– Bem... Na verdade, Drogo, — ele mudou abruptamente de assunto — eu tenho algo a te entregar.

– Algo? O que?

Fili entregou a carta. Drogo o observou confuso, mas logo notou o nome de Bilbo no envelope.

– Meu primo...

– Ele escreveu para você... Mas não acho que é como as outras cartas que vocês trocaram.

–Oh. — Drogo engoliu em seco, pois, em parte, temia o conteúdo ali escrito.

– Eu aconselho a ler com atenção e pensar bem sobre a sua decisão... — Disse Legolas tocando afetuosamente o ombro do menor.

– Eu também tenho que te informar que partiremos amanhã para Erebor.

A notícia de Fili parecia ter abalado mais o hobbit do que a carta que segurava.

– Infelizmente, você tem até amanhã para nós informar o que irá decidir.

– Você fala que tenho que decidir algo? Mas o que seria? – Perguntou nervoso.

– Leia a carta. – Disse Fili simplesmente – você vai entender o que estamos dizendo.

Drogo voltou sua atenção para a carta. Seu coração batia forte. Sentia que estava diante de uma grande decisão que poderia alterar o seu destino...

Notas finais
Lady: "ukurduh" quer dizer "meu coração" em Khuzdul, a língua dos anões. FELIZ 2015