Os descendentes - entre lutas e fugas
7 Spin-off: Passado, presente e futuro
Notas iniciais
P.O.V. Minerva McGonagall
Eu caminhava pela minha sala, em uma conversa com Jade e Érick, eles comentaram que o feitiço o qual permite visualizar pessoas, podia ser utilizado entre diferentes épocas, isso me chamou a atenção, curiosidades do futuro sempre rondam a cabeça de todos, mas seria realmente a melhor escolha? Não desejava ver a guerra ou os instantes logo após, apesar da coragem, preferia não descobrir o lado vencedor, além do mais, existem possibilidades.
Suspirei. Jade comentara que poucas coisas eram fixas entre os tempos, ou seja, poucas coisas se manteriam fixas se o presente fosse alterado. Eu não considerava nenhuma delas realmente significante para meu objetivo.
Apertei os lábios, não podia simplesmente ver o presente, apesar de tudo. O quadro de Alvo Dumbledore me incentivava, enquanto o de Salazar não parecia muito interessado, apesar de se tratar de seus netos. Se eu visse o futuro, podia descobrir o lado que venceu, mas isso significaria que as pessoas continuariam vivas? Ou que não houve uma guerra posterior cujo resultado mudou?
— Minerva, pare de pensar tanto. — A voz suave de Dumbledore surgiu na sala.
— Dumbledore tem razão, é entediante. — A voz monótona de Snape acompanhou.
— Minerva, não precisa pensar tanto, não precisa contar o que verá para a jovem Jade White e seu marido, Érick, isso será um segredo dos diretores.
— Não sabia que a diretora era curiosa. — Um quadro comentou em tom ácido.
Eu suspirei. Podia achar pistas para ajudar, não? Além disso, em uma reunião fora de Hogwarts, comentaram que auxílio podia vir do passado ou do futuro.
Não seria covarde. Recordei-me dos detalhes do feitiço, pensando na pessoa e época que eu queria, logo eu estava observando uma imagem nublada, mas eu podia perceber que me encontrava em Hogwarts. Aos poucos, a imagem foi ficando mais clara e pude ver a jovem garota de cabelos castanhos estava deitada em sua cama com uma carta em suas mãos, eu sabia qual era e que também que não a primeira vez que a jovem passava seus olhos pelas palavras ali escritas.
Ela se mexeu, guardando a carta no meio de seu exemplar de "Hogwarts: uma história", antes de pegar um livro em latim e sair do cômodo, a torre azul e prata estava iluminada, sendo assim, a estátua de sua mãe também tinha um certo encanto. A garota parou, erguendo seu olhar para o rosto do objeto e sua expressão se modificou em um leve sorriso.
E então seguiu, caminhando até a biblioteca, mas, em um corredor cruzou com Érick Mason. Jade White sempre fora do mesmo jeito, inteligente e corajosa, isso causava atritos com o, agora, seu marido. Érick possuia sangue Slytherin e criação Mason, isso não é uma boa combinação em um local com mestiços e nascidos-trouxas. Aqueles dois vinham de famílias consideradas luz e trevas, ela tinha coragem e ele, a vontade de se provar; ela, a inteligência e ele, a astúcia. Um era o oposto do outro, mas ambos igualmente poderosos.
Érick Mason desconhecia sua origem, mas, para quem sabia, era óbvio; seu preconceito lhe colocava em problemas maiores do que qualquer outro aluno, mesmo tendo fama de ser o pior Mason, isso só podia ser dito quanto ao sangue, demais situações não lhe afetavam; seu irmão, Richard, era "mais brando", porém todos que não cumprissem uma específica lista de característica sofriam alguma consequência. Para combatê-los, apenas Jade tinha coragem, ao menos para defender até quem não conhecia e as lutas eram intensas. Poder era quase palpável, a diferença, visível; um se movimentava no ataque e o outro, na defesa. Mesmo tendo coisas em comum e complementares, ninguém, naquela época, imaginaria os dois como casal.
Parando com meus desvaneios, voltei minha atenção para a imagem a minha frente. A jovem simplesmente ignorara o sonserino e continuou o percurso original, devia ser fim de semana, pois o local estava relativamente vazio, apenas um garoto loiro era visível, ele se encontrava totalmente focado no livro a frente.
—Olá, Luke. — A jovem cumprimentou o mais velho que a olhou com um sorriso.
—Oi, Jade. Veio estudar? — Ele a olhou curioso.
—Sim, tenho dever e também marcamos de estudar aqui hoje. — Ele fez uma expressão confusa e, então, o rosto se iluminou.
—Verdade, fiquei tão focado nas provas que já estou me esquecendo do resto. — Luke abaixou o rosto envergonhado e seu olhar se fixou em um ponto atrás da irmã, ela se virou para ver quem atraíra a atenção do loiro.
—Alysia Phillips? — A de cabelos castanhos sussurrou, deixando o garoto um pouco mais envergonhado.
—É...
—Luke, chame ela para sair.
—Nós passamos tempo juntos.
—Não como amigos, Luke. — Ele tossiu levemente
—Ela é legal, mas... — A garota revirou os olhos e pegou o livro que o loiro lia, fechando-o.
O corvino observou a irmã com um olhar levemente incrédulo em seu rosto, enquanto os passos decididos da morena a levava direto para o corredor em que a senhorita Phillips se encontrava. Um leve sorriso surgiu em meus lábios, o amor adolescente é tão... Um barulho na sala fez eu me perder, era apenas Salazar Slytherin entediado. Distraída, eu voltei a observar a cena, com o pensamento de que o medo do garoto parecia um pouco infantil visto agora, já que os dois estão casados.
—Aonde ele achou? — A White sussurrou, suspirando em seguida e, assim, atraindo a atenção da mais velha. — Luke, onde você pegou esse livro?
—Você é irmã de Luke? Luke White?
—Sou, você é Alysia Phillips, né?
—Sim. — Ele sorriu. — É bom te conhecer.
—Vocês são amigos, né?
—Somos.
—Vai em Hogsmead?
—Pretendo ir com as minhas amigas.
—Legal. Quem sabe não nos encontramos lá?
—Vai com seu irmão? — A loira pareceu mais curiosa do que de costume.
—Ou com Luke ou com os meus amigos, depende dos planos dele. — Jade deu de ombros, parecendo desinteressada. — Foi bom te conhecer, Phillips. — Então balançou o livro que carregava. — Vou ver se Luke consegue me dar uma descrição melhor de onde ele pegou. — Os olhos castanhos passaram pelas lombadas dos livros que a outra carregava.
Antes que as duas saíssem, eu percebi um livro de capa escura, cujas letras brancas se destacavam, “Mistérios ocultos de Hogwarts e seus fundadores”. Isso podia ajudar, certo? A jovem White não percebeu o título do livro, na verdade, ela não pareceu prestar muita atenção nas prateleiras, estava focada em ajudar o irmão; mas eu já estava anotando a informação em um pergaminho.
Despedindo-se, a de cabelos castanhos retornou para onde o irmão estava, colocando o livro em sua frente, ele ainda a olhava desacreditado e a incredulidade fora o que o manteve sentado durante a conversa que as garotas tiveram.
—Página 187. — A voz da herdeira do castelo o fez retornar para a realidade.
—Oi?
—Você estava na página 187. — Ele assentiu lentamente. — A propósito, ela é legal, parece ser uma pessoa realmente animada e inteligente, ela estava com alguns livros bem interessantes. Sabe, em Hogsmead, a companhia dela vai ser as amigas; porém acho que não se importaria de mudar, ela pareceu interessada em saber se eu iria com você.
—Tem certeza? — A indecisão dominou os olhos azuis do garoto, parecendo muito ansioso, esperando a resposta da irmã, a qual concordou. — Coragem? — Ela concordou mais uma vez.
Luke White respirou fundo, pegando o livro que lia e seguindo para o corredor onde as corvinas conversaram por um tempo. Por estar acompanhando a descendente de Rowena, não pude saber a conversa, porém, quando retornou, o adolescente tinha um grande sorriso no rosto.
—Deu certo. Obrigado, Jade. — Ele abraçou forte a irmã.
—De nada, Luke... mas vamos estudar agora que você já tem um encontro? — O jovem concordou ainda sorrindo.
A imagem começou a ficar nublada mais uma vez, porém ainda não queria passar para outra fase da vida, tentei focar no feitiço mais uma vez e a imagem retornou ao ficar nítida, podia perceber que estávamos no mesmo dia, devido a calça jeans clara e camiseta azul clara de estilo bata que a garota usava. O irmão já não estava mais com ela, mesmo assim, caminhou pela segunda vez para o corredor em que tivera companhia mais cedo, pude perceber que ela vira o livro e deu um suspiro.
—Bom, amanhã, Luke e eu voltaremos para ler o misterioso livro. — Ela olhou por pouco tempo até que a bibliotecária retornou anunciando o fechamento do local. Jade se despediu com um “Boa noite” e seguiu para os corredores, a garota não parecia ter jantado, talvez, por isso, ela continuou descendo mesmo quando já tinha chegado no andar da Corvinal. Acompanhei até ela chegar na cozinha, os elfos gostavam da garota, pois, assim que apareceu, todos os trabalhadores começaram a cumprimentá-la.
—Olá, como vocês estão?
—Senhorita White.
—Oi, pequeno. — Ela esticou a mão fazendo carinho na cabeça do elfo. — Você pode me trazer um pouco de comida? Eu fiquei estudando e perdi a hora. Por favor. — Ela recebeu apenas um aceno de cabeça, antes do cozinheiro se virar de costas e retornar com uma bandeja repleta de comida que ele mal aguentava carregar. — Tudo isso para mim?
—Sim, senhorita.
—É muito. Obrigada. — Ele se aproximou mais e quase caiu. — Ops, deixa que eu te ajudo. — Ela pegou a bandeja e colocou em um espaço que arrumaram em uma mesa. — Muito obrigada.
Era muita comida para ela, mas pegou um pouco de cada item: panqueca, purê, algo que parecia batata assada recheada e mais outras comidas, sabia que tentara pegar a quantidade que aguentaria, considerando a sobremesa. A refeição estava realmente farta. Assim que terminou, pegou um pequeno pedaço da torta de abóbora e um do bolo de chocolate.
Jade agradeceu mais uma vez, antes de se retirar. Ela seguia tranquilamente pelos corredores, quando foi possível ouvir um barulho; a garota seguiu o som de forma silenciosa e não ficou surpresa ao ver os irmãos Masons parados de pé, enquanto um nascido trouxa estava desmaiado, mas levou alguns segundos para reconhecer Jack.
—O que vocês fizeram? — A corvina puxou a varinha, porém algo estava estranho, mesmo com a expressão irritada que os irmãos sempre faziam ao vê-la, tinha algo a mais, medo.
—Nada. — O mais velho respondeu. — Mas íamos se seu amiguinho sangue-ruim não tivesse caído antes — Jade nunca aceitara esse termo e eu sabia que, agora, ela não começaria. Encarei, sem surpresa nenhuma, quando ela atacou o mais velho dos irmãos, esse preconceito sempre o colocou em situações complicadas.
Assim que atacou, ela correu para o amigo tentando ver o que ele tinha, Jack tremia um pouco, mas não abria os olhos, a cena acabava sendo ainda mais desesperadora, Jade buscava uma resposta para a situação ao ser atacada.
—Quem pensa que é para nos atacar assim? — A voz de Érick Mason pingava raiva. — Esse seu maldito amiguinho sangue-ruim não serve nem para passar pela gente, ele é um inútil mesmo, um desperdício.
Consegui perceber claramente o momento em que seu lado Ravenclaw deu espaço ao lado Gryffindor, Jade White, agora, tinha varinha em mãos e postura de luta, seu olhar desafiador era tão paralisante quanto a postura de autoritária dos Masons e sua mente estrategista era tão aterrorizante quanto a fúria quase assassina de seu futuro marido. Eram dois contra um, mas a coragem dominava a jovem, tudo em seu corpo demonstrava isso, a parte mais assustadora era o poder do, nos tempos atuais, casal. Jade venceria Richard de forma mais tranquila, a pior parte era o Slytherin.
—Você gosta muito desse imundo, devia ter vergonha de trair seu sangue-puro.
—Nunca gostei de não-sonserinos, mas com a mais absoluta certeza você, White, é a pior. — O mais velho completou e a garota riu de forma anasalada.
—Vocês são os traidores, traem essa escola ferindo os alunos, se Salazar não teve poder contra os restantes, vocês não também não terão poder. — Mal falou e se defendeu.
—Como ousa falar mal de Salazar?
—E você possui a audácia de se comparar aos demais fundadores, cada hora fica ainda mais ridícula.
—Pergunto-me o motivo de ser corvina, um sangue não deve bastar. — Ela fez uma expressão de orgulho como se pensasse: “Érick Mason, como está errado” e ele de fato estava completamente errado.
—Eu nem preciso perguntar, vocês só falam e age às escondidas, mas por qual razão não lutam? São covardes? Acho que o sangue Mason não dá superpoderes, afinal. — Foi assim que Jade White usou seu poder para dar apenas um ataque que começou a luta. Os três se encontravam no limite, mas apesar da raiva pelas falas, eu me lembro que a própria garota admitira que acreditara que eles não fizeram nada, ela percebera o mesmo medo que eu apenas consegui ver agora.
A imagem ficou nublada com o combate ainda ocorrendo, o que estava mais ferido era Richard Mason, ele não tinha a mesma potência em seus feitiços do que os demais. Apertei meus lábios, eu já sabia o resultado dessa luta. Para começar, Jade se metia em encrencas para defender pessoas dos dois sonserinos; a cada ano que se passava, mais as pessoas temiam colocar os Masons de detenção e isso piorava para os demais alunos, de fato, o sobrenome tinha peso, mas não o suficiente para garantir uma formatura tranquila.
Jade e Érick surpreenderam a todos ao começarem um relacionamento, mas o garoto realmente tinha mudado, ele aprendeu o necessário para melhorar, por isso, até hoje, só voltava a sua fase jovem sob forte influência de magia das trevas.
Pensando nisso, foquei em uma data diferente e refiz o feitiço, mais uma vez, aos poucos, a imagem foi se tornando nítida e pude ver o casal, agora, um pouco mais velho. A mulher observava atentamente tudo o que estava na sua linha de visão, a procura de algo, a camiseta um pouco folgada mostrava levemente a barriga um pouquinho maior, ela estava grávida e, aparentemente, de seu primogênito, mesmo com o bebê em sua barriga, ela estava preparada para lutar. Às suas costas, Érick Mason, seu marido, possuía uma postura semelhante a dela. Ambos traziam em si uma aura de poder, a qual levava medo a muitos.
Uma sombra se tornou visível e a mulher logo lhe lançou um feitiço, fazendo-a recuar; em seguida, foi a vez de seu marido. Os futuros pais aparentavam estar cercados, inimigos os rodeavam, eram dois contra vários. Então Jade respirou lentamente por um momento e eu sabia o que significava, ela acalmava a coragem para ouvir a razão e estratégia. Tão logo, esse momento passou, a mulher voltou a lutar muito mais forte, mas ainda assim, cuidadosa, devido à gravidez.
O marido se juntou a ela, assumindo uma certa sincronia, um ajudando e protegendo o outro, enquanto enfrentavam os demais bruxos do local. A luta foi se tornando cada vez mais intensa, o casal se movia quase sincronizado, mas sempre protegendo o bebê que Jade carregava; era triste pensar que ela não pôde nem aproveitar muito a gravidez, por conta de sua origem. Eu respirei fundo, a jovem exaltava coragem, mas sei que deve ter sido bem difícil para ela, mesmo não reclamando, sabia que ela só queria ser uma mãe sem preocupações quanto ao futuro de Dylan e Cecília. Os ataques se tornaram ainda mais intensos quando Ceci fez 3 anos, eu me recordo das palavras da Ravenclaw contando o que ocorrera com os pequenos.
Eu desfiz a imagem, eu queria adiar muito o tempo, porém ao pensar em uma data dos grifinórios crianças, a data se alterou e só ouvi um grito de raiva antes de retornar para o ano inicial.
—Mã. — Uma menina de cabelos negros tentava segurar o colar que sua progenitora usava, ela encarava encantada a águia que tinha no brasão. Tão logo a voz infantil foi ouvida, um garoto de uns 3 anos apareceu correndo e subiu cuidadosamente na cama onde a mãe trocava a caçula.
O jovem Dylan ficou sentado sobre os joelhos com as mãozinhas sobre as pernas, observando o rostinho de sua irmã. Ele parecia ter toda a paciência que a morena não possuía ao esperar tranquilamente ela ficar pronta.
—Jade. — A mulher olhou para a porta, direção de onde a voz do marido a chamou. — Estão prontos? — Ignorando a pergunta por um momento, ela terminou de deixar a bebê arrumada, antes de responder positivamente ao questionamento.
Érick se aproximou pegando Dylan no colo, enquanto sua esposa ficou com a filha. O mais velho se aproximou da mulher, dando um selinho, seguido por um beijo na testa.
—Vai ficar tudo bem.
—Eu sei que vai.
—Mã. — A menina chamou, recebendo a atenção desejada. — Aquia. — Ela apontou para o colar da mãe, a qual deu uma leve risada.
—É, Ceci, uma águia. Você também tem um, o que acha de colocar? — Os olhinhos azuis da menina brilharam e não demorou para pronunciar um “sim” animado.
—Você quer ir junto, Dylan?
—Quero, papai.
—Então, vamos nós.
A família seguiu para o quarto da caçula, que não parava de observar tudo ao redor, mesmo quando a mãe a colocou sentada no tapete, nem quando o irmão passou a lhe fazer companhia em cima do objeto.
—Jade, eu vou descer para receber Richard quando ele chegar, me chama para levar o Dylan. — A esposa assentiu, enquanto abria uma delicada caixa branca que estava sobre a cômoda naquele local.
Eu não precisava de muito para saber o que a cena tinha de importante, na caixinha, tinha objetos com os brasões das seis famílias: Whites, Masons, Ravenclaw, Gryffindor, Hufflepuff e Slytherin. Era inegável que todos os símbolos eram muito poderosos, pois mesmo a famílias mais “comuns” eram consideradas famosas e importantes.
A menina se jogou para cima da mãe, apoiando suas mãos nas pernas da mais velha em uma tentativa de se aproximar e ver o que a caixa guardava.
—Calma, Ceci.
—Eu queio tuio.
—Eu sei que quer, filha, mas seus primos ainda não sabem de algumas coisas importantes, ok? — A de olhos azuis pareceu um pouco decepcionada, mas não reclamou, ela observou sua mãe pegando as pequenas pulseiras com os brasões dos Masons e Whites e colocando em seu bracinho esquerdo.
A menina acompanhava todos os movimentos da mais velha e obedeceu quando foi colocada sentada novamente no tapete aconchegante do cômodo, apoiada por seu irmão. Os olhos seguiam os gestos de Jade, observando o fecho sendo aberto e o metal gelado encostando contra a própria pele, a morena parece registrar na jovem memória os fios verde e prata se cruzando, entrelaçando um envolta do outro, no mesmo instante em que pareceu momentaneamente hipnotizada pela serpente se entrelaçando no M, como se iniciasse uma subida pela letra.
Seu olhar se desviou do animal, ao ver a mãe segurando uma outra pulseira, essa azul e branca com palavras escritas em uma delicada letra cursiva na cor prata, dessa vez, ela não reagiu ao toque metálico, apenas encarou o animal que tanto lhe atraia, o mesmo estampado no colar utilizado pela mãe, uma águia.
Jade observou a filha olhando para o animal símbolo de sua casa, algo que lhe representava muito mais do que uma simples escolha do chapéu seletor, mas aquele que traduzia parte de sua origem, de sua história. Esse momento pareceu infinito, mas o fim chegou ao serem ouvidas vozes na residência e junto com os três saindo do quarto, a imagem foi se dissipando.
Eu parei um pouco, esse feitiço exigia muito poder, eu estava bem cansada. Caminhei até a cadeira e me sentei, tentando recuperar um pouco da energia. Aproveitando esses minutos, eu reli minhas anotações sobre as imagens vistas, tinha alguns pontos, mas não sei se seriam de fato úteis. De qualquer forma, eu não tinha muito tempo para questionamentos, deixando o pergaminho sobre a mesa, me dirigi até o local onde guardava algumas poções para utilizar caso necessário. E ali estava um frasco com uma poção de energia, exatamente o que precisava.
Em poucos minutos, eu me recuperei totalmente, já estava preparada para a próxima data, a qual não era especial e trazia o uso original do feitiço. Hoje. A hora? Nesse momento.
Os corredores dos castelos estavam escuros por já serem de noite. Eu sabia onde estava e, de repente, a imagem clareou, podia ver um casal no meio de tantos livros, Érick tinha um jeito um pouco mais relaxado, a camiseta verde, parecia um pouco larga do jeito que ele estava, o homem tinha seus pés descalços sobre a mesa e segurava um livro em suas mãos, enquanto percorria, com os olhos, as páginas amareladas do velho livro em latim.
Sentada a sua frente, estava Jade sentada, com o livro sobre a mesa, a cabeça leve e delicadamente apoiada sobre a mão, a camiseta branca era justa e a calça jeans também, os dois estavam completamente entretidos nas páginas em latim, nada parecia desconcentrar eles, mas, até nesse momento, era perceptível a diferença, enquanto Érick tinha uma postura mais descontraída, Jade assumia um jeito mais tenso.
Eu observei a cena por um tempo, mas não mudou muito, apenas o fato de, algumas vezes, enquanto trocava os livros, o homem ficava observando a esposa. Como percebi que dificilmente veria algo que aqueles dois não tivessem visto, mudei o foco para o primogênito deles. Dylan estava em sua cama, com pergaminhos e livros espalhados pelo colchão, ele prestava atenção em tudo, seus olhos vagavam de um local ao outro, o grifinório vestia seu pijama, mas isso não o distraia. Considerando quem era, provavelmente, não era estudo, mas dados sobre a guerra.
Os olhos do jovem garoto pareciam devorar as palavras, ele se perdia em um mundo onde o inglês e o latim se misturavam, habitando o mesmo espaço, dividindo as mesmas folhas, separando e definindo as barreiras de até onde os demais podiam saber.
A mistura de letras deixava claro que ele não era o único que desenvolvera o material, mas sua origem também esclarecia tal fato. Observei ao redor com atenção, quase todas as camas estavam ocupadas, exceto uma. Eu me questionava o que o senhor Potter podia estar aprontando no momento. Esse, talvez, tenha sido um dos únicos motivos pelo qual, quando alterei a visão, escolhi ele ao invés da Slytherin caçula.
Eu gostava do jovem Potter assim como gostava de seus pais e das avós e avôs. A imagem levou um tempo para se fazer clara, mas a lua cheia vista da janela atrás do rapaz transmitia paz para o local. A sua frente, a irmã o observava.
—O que houve, James?
—Lily, você acha que eu exagero com os Masons, você sabe, os S...
—Acho que exagero é uma palavra muito, muito, muito fraca.
—Lily, é sério.
—Jay, todo mundo acha que você ultrapassa o exagero quando o assunto é Dylan e, especialmente, Cecília. — Com a luz a pele do garoto parece ganhar um tom levemente avermelhado.
—Lily.
—James. — A menina se divertiu com a expressão do mais velho, porém continuou séria. — Você pode negar que sente algo por ela, mesmo toda Hogwarts sabendo; mas não pode negar que ela mexe mais com você do que o irmão, ela te irrita mais, te confunde mais, te intriga mais...
—Chega, Lils.
—Obrigada, a lista era grande, podia ficar até a amanhã.
—Mas eles...
—Não, eles não estão nos enganando nem nos traíram, ok? Você não entende isso. — Esses momentos de irritação a deixavam mais próxima da idade real. Mas o suspiro do irmão a fez o olhar.
—Eu entendi isso, Lily. — Ele respirou fundo. — Quero tentar dar uma chance. Por mais que eu lute, a família inteira não pode ter sido enganada, né? — Por mais que eu percebesse um leve tom de dúvida em sua fala, precisava admitir que era surpreendente. — A verdade é que, por mais complicada que a minha relação seja, eu pensei muito e não quero perder minha família por uma ideia, muito menos com uma guerra se aproximando. — De repente, a caçula se jogou no irmão o abraçando bem forte.
—Eu tenho orgulho de você, James. — O jovem abraçou a caçula bem forte. Esses dois se davam muito bem mesmo quando brigavam.
Eu fechei os olhos guiando meus pensamentos para outra pessoa e pude ver a garota com os cabelos negros soltos em uma sala em que eu não conhecia, ela estava rodeada dos mais diversos itens mágicos, livros raros, utensílios de poções, local para treinamento, penas; mas o que mais me chamou a atenção foram os quatro fantasmas que a acompanhavam durante o treino da menina, cujo os olhos azuis brilhavam intensamente de uma forma assustadora, como sempre ficavam quando ela lutava sem o fator raiva, seus movimentos eram impecavelmente precisos, algo que tornava complicado lutar contra.
Ela estava no meio de uma luta, quando o som de um objeto pesado caiu por perto, a assustando e fazendo-a se virar completamente preparada para atacar quem quer que fosse, mas, ao invés de alguém vivo, ela se deparou com o fantasma de mulher, sua tia, Helena Rawenclaw.
—Desculpe-me, Ceci. Não queria te assustar.
—Tudo bem, tia. — A grifinória passou a manga da camiseta que usava no rosto.
—O que está fazendo aqui? — A fantasma percorreu o local com os olhos. — Minha irmã sabe disso?
—Como acha que estou aqui? Estou tentando treinar e aproveitar ao máximo o tempo restante que temos.
Ignorando as companhias, a jovem continuou lutando, eu podia ver o cansaço através da barreira que ela criou ao seu redor, os livros espalhados, a roupa colada no corpo pelo suor, os machucados no corpo, os cortes e arranhões, tudo isso me indicava o tempo que a garota tinha passado ali. Sem descansar, se esforçando para melhorar; essa é uma característica que os irmãos realmente herdaram da casa verde e prata.
Eu me via presa observando os movimentos de luta da jovem Cecília, conheci os pais dela e, mesmo com todos os comentários, ela e Dylan são a mistura dos dois de maneira inquestionável. De qualquer forma, precisava dizer que era encantador ver o quanto os Slytherins sabiam enfrentar uma guerra e lutar, nunca em meus anos, conheci alguém como aqueles quatro.
Desviei meu olhar para o primeiro diretor dessa escola, ele encarava a neta por meio da névoa, a intensidade de seus olhos verdes parecia refletir essa mesma característica dos golpes da grifinória. Eu sabia que a noite seria extremamente longa para Cecília Mason, na verdade, para todos daquela família.
Por mais que a guerra se aproximasse, tudo parecia estar se encaixando, os Masons, em sua zona preferida, James prestando mais atenção à sua família, as imagens que vi hoje mostravam isso, sem dúvidas.
Cecília sempre foi de se dedicar muito, querer ser a melhor, ela ama adrenalina e se sentir forte, sendo a pessoa perfeita para aguentar tudo. A caçula dos Slytherins, desde criança, é mais fria, intensa, teimosa e ama estar no centro das atenções; mas é responsável e sabe ser centrada, inegavelmente, tem o poder do leão, símbolo de um de seus avôs, de sua casa e de seu signo. Por outro lado, seu irmão, é mais contido, Dylan tem um lado muito doce e inteligente, porém prefere ser mais discreto e mais estável na intensidade, mesmo sendo igualmente poderoso, pode ter menos destaque do que a mais nova pela natureza levemente mais introvertida, mesmo com menores barreira.
Entretanto, eles têm muito em comum, ambos sofreram muito e foram exigidos desde crianças; tiveram perdas e mais machucados do que a maioria, mesmo com todos os motivos, os dois se mantêm fortes, compartilham da coragem gigante de Godric, da ardilosidade de Salazar, a inteligência de Rowena e a dedicação no que fazem de Helga. Além de possuírem as características por serem netos desses quatro, elas podem ser intensificadas pelas vontades de brilharem do leão, a estratégia de águia, a movimentação pela nobreza dos atos do texugo e o desejo de conquistarem tudo o que querem da serpente.
E não poderiam ser filhos de outras pessoas que não fossem Jade e Érick Mason, ela tem a dominância de leão com a visão de águia e, como a ave, sabia enxergar os melhores caminhos, com a força vermelha e sabedoria, isso a tornava uma excelente estrategista, pois, se é racionalmente o melhor, não importava os desafios; além de que, com sua beleza e olhar desafiador, Jade podia conquistar o mundo. Seus pais teriam orgulho. Por outro lado, Érick tem o apreço por arte das trevas como seu sangue sonserino e a dedicação do lado amarelo. Claramente, ele não puxara o lado gentil de Helga, mas isso passou ao filho, Dylan parecia ter herdado a gentileza da avó, mesmo com combinações, aparentemente mais fortes. De qualquer forma, vale ressaltar que o filho de Slytherin é uma cobra, no sentido de manipular, ser ardiloso e escorregadio; mas tinha parte da lealdade lufana nele e o leve desejo de ser o melhor para a família. Suspirei, Mason mudara do jovem Érick Mason, em sua adolescência, ele era a cópia de seu pai, segundo os registros que tínhamos, não havia nada de Helga nele.
Retornando a imagem para o casal acima mencionado, eu ainda me impressionava com o quanto esses dois se complementam, eles se completavam em si e entre si, isso explicava o porquê de seus filhos serem do jeito que são. Érick era trevas, ela era da luz; ele era frio, ela não; ela era séria, ele nem tanto; mas ambos tinham seus objetivos, seus demônios, dois filhos e uma guerra para enfrentar.
James Sirius, por outro lado, tinha uma leveza incomum, para ele, não tinha seriedade em nada, acabando por ser considerado irresponsável e infantil. Aquele garoto tinha o dom de aprontar do avô e seus amigos, a risada fazia parte de seus dias, não tinha grandes preocupações e pôde aproveitar sua infância ao máximo, sem treinos ou estudos pesados. James tinha uma família grande, feliz e unida, daquelas que se reúnem em todas as situações possíveis, mas sem festas chiques.
Era como se ele fosse classe média e Cecília classe alta, ela tem altas obrigações e requisições, ele não, mas esses dois podiam vir a ser tornar um casal, ao menos, eu acredito nisso, não sei exatamente o que, mas via um pouco de Jade e Érick nesses dois; porém, Cecília deve enfrentar a guerra antes, só assim ela se sentiria “livre para pensar em coisas normais”, além do mais James precisaria mudar para chamar a atenção dela primeiro. Mudanças necessárias para os dois se juntarem, opostos e complementares. Talvez, Cecília Mason herdara isso da mãe ou o gosto pelo proibido do pai.
Falando em futuro, fui pega em desvaneios sobre o que será que aconteceria? Os jovens Slytherins tinham sido bem-preparados para esse momento, mas será que seria o suficiente? A apreensão tomava conta de todos os corações e eu, prestes a ir para mais um momento, me vi demorando na iniciativa. Eu temia pela vida dos herdeiros de Hogwarts, fazia muito tempo que os conhecia e tinha um carinho com eles, especialmente Jade.
Eu conheci a filha de Gryffindor desde que ela entrou na escola, ela sempre foi uma aluna exemplar, apesar de toda a coragem que tinha e que a fazia entrar em alguns conflitos, especialmente, com certos sonserinos. Tinha contato com Érick mais ou menos desde a mesma época, porém, ao invés de ser de um jeito amigável como a agora esposa, era por problemas que arrumava.
O mais engraçado é que Cecília puxou o lado intenso dos pais, tendo a coragem de entrar em brigas como a mãe e algumas complicações advindas do lado Sonserino; Dylan acabou por ser o oposto, entra em poucas brigas, geralmente, para defender alguém ou por alguém que ama estar no meio.
Eu torcia para aquela família sobreviver assim como torcia pelo Harry, muitas mortes na vida e a luta por uma vida mais justa e sem dominação por artes das trevas sempre merecia torcida, apoio e esperança de todos. Esses jovens renunciaram a tudo para lutas, isso merecia reconhecimento.
Um pensamento cruzou minha mente e me vi assistindo a lembranças com rostos jovens passando, eu me lembro do dia em que descobri sobre o fato que ocorreu, houve muita mudança por causa disso e a caminhada se tornou um pouco mais difícil. Com um suspiro, meus pensamentos se desviaram para memórias das reações de Cecília ao pedir para que o segredo fosse revelado, por mais que todos enxergassem unicamente uma jovem irritada, eu podia perceber a vontade de proteção para consigo e para com os demais, isso me lembrava muito o dilema de sua mãe, ser professora e maternal ao mesmo tempo.
Isso trazia questionamentos... Será que eles teriam uma vitória? Qual seria o lado vencedor? O futuro esperava? Eu não queria ter todos os detalhes, então escolhi uma data consideravelmente distante e lancei novamente o feitiço, esperando com um quê de apreensão a qual aumentava com a demora de se formar uma imagem clara.
Aos poucos, pude enxergar através da névoa inicial e me peguei observando um quintal muito bonito, não sabia onde estava, em qual casa ou em qual cidade. Nada ali me respondia a essas perguntas e nada parecia acontecer até que uma jovem cruzou a imagem, eu podia ver o longo cabelo e uma parte do rosto, mas sem muitos detalhes.
—Luana, espera. – A garota diminuiu o ritmo permitindo que uma segunda a alcançasse. – Como foi? Deu certo?
—Deu. – A primeira menina respondeu rindo e abraçou a segunda. – Obrigada.
—Sério? – Elas se afastaram até a primeira concordar. – Que bom!
—O sucesso sendo comemorado. É bom ver felicidade assim.
—Josh. – As garotas falaram juntas, olhando para o recém-chegado, que trazia curiosidade nos olhos.
— Muito obrigada, Josh. – Luana abraçara o garoto que levou um tempo para retribuir. – Obrigada pela ajuda.
—Não foi nada, Lu.
—Bom dia para vocês, meninas.
—Mirela, não te vimos aí. – Uma terceira menina entrou na minha linha de visão, mesmo estando parada ao lado de Josh em todo momento.
—Olá, Lu, Mel. – Então a garota que chamara a Luana se chamava Mel.
—Oi.. Ai. – Mel levou a mão a cabeça quando uma goles a acertou. – Jonas, cuidado. – Ela disse para alguém que não apareceu, devolvendo a bola.
—Desculpa. – Uma voz masculina soou gritando à distância.
—Não quis jogar, Mel? – Mirela questionou.
—Não, hoje, eu passo. Quis ver como a Lu estava.
—Entendo, aparentemente, não fomos os únicos que desistimos do Quadribol por um dia. – Mel segurou a risada pelo comentário da última menina a chegar.
—O que houve? – A confusão pareceu cruzar o olhar do menino.
—Não é óbvio, Joshua? É um pouco irônico.
—Talvez um pouco, Louise.
—Você que é...
—Lou, também é irônico por você.
—Eu sei, Marj. – Ela concordou com mais uma recém-chegada. – Acho que só Jack que está jogando, né? Pelo que vi.
—Para ser sincera, eu não reparei muito.
—Aquele é vidrado em Quadribol, não perderia nada.
—Também, sendo filho de quem é.
—Mel e Luana, olhem só vocês. A Lu só concordou, mas você, Mel, sabe que está falando do seu...
—Do nosso... – Outra garota apareceu sendo cortada logo em seguida
—Meninas. – Uma nova recém-chegada se dirigiu às primeiras duas garotas que apareceram. – Estão sendo chamadas. Desculpa te cortar, Kim, mas falaram que precisava de pressa.
—Tudo bem, Soph. Você sabe onde está meu irmão?
—Não, não o vi ainda. Por quê?
—Não acho ele e vocês vivem juntos, imaginei que saberia.
—Sinto muito, Kim.
—Sem problemas, vou continuar procurando por ele. Quer me ajudar?
—Claro. – Um silêncio prevaleceu por um tempo depois da saída das duas.
—Nossa, o que houve? Todo mundo em silêncio se olhando.
—Sempre delicada, né, Emma? – A criança recém-chegada sorriu.
—Josh, Mi, meu irmão está perguntando se vocês não querem participar do próximo jogo.
—Eu vou. – Único garoto do local saiu e Mirela o seguiu.
Até o momento, não vi nenhum adulto e isso me deixava um pouco preocupada, até por não ver ninguém com o jeito dos irmãos, mas aparentemente, nem todos os jovens tinham aparecido ainda e eu não podia deixar de torcer para isso.
O foco da imagem me teletransportou para o aparente novo jogo de quadribol, onde eu podia identificar os dois que saíram, eles faziam parte do mesmo time. Também podia ver a distribuição, mas ninguém mais conhecido, na verdade, olhando um pouco melhor, podia ver Louise no time adversário.
—Muito bem, líderes, Eddie e Jonas, podem se cumprimentar e deem início ao jogo. – Dessa vez, eu pude ver o garoto que, antes, só foi citado.
Eu observei o jogo com atenção, tinha jogadores realmente bons, formariam um time bem forte em Hogwarts; eu me questionei se eles treinavam para os jogos da escola assim também, um time contra o outro. Dava para perceber o nível de afinidade entre eles e um pouco de cada jeito. Foi realmente interessante de se ver e senti que aprendi um pouco mais sobre aqueles que estavam na partida.
A imagem não parou, mesmo com o fim do jogo e novas pessoas iam aparecendo para comemorar a vitória do time de Eddie, Josh e Mirela.
—Foi um belo jogo, Eddie.
—Digo o mesmo, Jonas. – Os dois apertaram as mãos.
—Parabéns, Eddie. – Um novo rosto abraçou o capitão do time vencedor.
—Obrigado, Chris.
—Josh, muito bom.
—Obrigado, Chris, mas foi um trabalho em equipe.
—Quais são os planos para o campeonato?
—Aqui, não, Christopher, conversamos depois, mas teremos jogos complicados pela frente. – Eddie virou para Josh. – Obrigado pelo jogo, você realmente foi excelente.
—Agradeço.
Depois disso, o grupo se separou e a imagem acompanhou Eddie adentrando a casa. Ela era bem bonita e ampla, ainda não sabia de quem era ou em que cidade estava, apenas que era bem grande.
—Eddieee. – Uma menina veio correndo em sua direção.
—Oi, Lorraine. Tudo bem?
—Tudo. Minha mãe está chamando você.
—Sério? – A criança balançou a cabeça concordando.
— Ela está na sala. – A pequena apontou para o local atrás dela.
Eu acompanhei por um tempo, mas parei. Não tinha tanta certeza se queria descobrir quem seriam os adultos que estavam com a mãe da Lorraine. Eu parei a imagem por um momento, tinha curiosidade de ver sobre o futuro, mas a nova geração, passei por uma guerra e, hoje, sei que seria relativamente tudo bem ver a geração atual em Hogwarts, seria bom ver os filhos de Harry, pois isso traria um pouco de alento em tempos difíceis e sei disso hoje, depois de anos do fim da guerra.
Mas será que eu queria arriscar agora? Qual seria o limite da coragem? Seria inteligente fazer uso dela para saber de perdas jovens de pessoas próximas? Seria humano? Seria sensível? Era válido ser sensível quando uma guerra estava prestes a explodir? Seria leal à defesa dessa escola? E à proteção dos alunos? Eu me peguei questionando sobre o fato durante longas horas. Não podia deixar meu apego influenciar minhas decisões enquanto diretora dessa escola; mas meu objetivo era descobrir pontos importantes que pudessem nos ajudar.
De qualquer forma, saber se morreu ou não, não queria dizer o lado vencedor, pois podiam morrer e vencer; os demais podiam sobreviver, mesmo em anos de trevas; o fato de não terem tido filhos, não representava que haviam morrido; e sobreviverem, não queria dizer que as estratégias de hoje se mantiveram, na verdade, o simples fato de saber a vitória, não ajudava em estratégia. E o foco era a estratégia.
Sabia que Jade e Érick não viram as imagens por estarem apurados, estarem longe de serem imparciais, além do receio que negavam ter de, talvez, não encontrarem os filhos vivos, ao menos, parecia isso. Não conseguiria imaginar a dor que Jade teria se descobrisse que Dylan ou Cecília havia morrido.
“Ok, Minerva, vamos lá, foco no importante”. Com a varinha em punhos, refiz o feitiço uma última vez, indo para longe de Eddie e Chris, tentei focar em Josh. Pensando no garoto, repeti os passos necessários e, pouco tempo depois, me vi de volta no grande quintal.
—Josh. Você está bem?
—Por que a pergunta, Mi? – Josh e Mirela estavam sentados sozinhos em um canto do quintal, aparentemente, tinham pessoas a distância, pelo jeito que ele olhava por cima do ombro da garota.
—Você está tenso.
—Estou bem. – Ela o olhou como se conseguisse perceber o que o menino tentava esconder. – Estou pensando em algumas coisas.
—Tipo, trabalho?
—Um pouco, sim. – Mirela riu da resposta.
—Você vai se dar bem, tenho certeza, só se solta um pouco.
—É difícil no ano que estamos.
—Joshua, você é inteligente e não fica questionando muito se você vai conseguir o emprego ou não, foca no que pode hoje e pronto.
—Tem certeza?
—Sim. – Ela parou um pouco e ele a olhou curioso.
—O que houve?
—Nada... – Mirela encarou o jovem e desistiu. – Eu só fico pensando, todo mundo correndo na vida, preocupados em colocar “ordem”. Sabe, não existe só trabalho na sua vida, Josh. – Ele riu meio de lado.
—Eu não namoro, isso novamente?
—A questão não é namorar, você nunca achou ninguém interessante, acho que o senhor é muito exigente e não usa a desculpa do sobrenome, sei que só faz isso para tentar fazer piada e fugir do assunto. Eu já falei algumas vezes, mas tento não colocar tanta pressão.
—Eu sei, Mi. Só... quando eu me interessar por alguém, eu te conto. Você vai ser a primeira a saber, prometo. E como está o... – Antes que a frase fosse completada, ela colocou a mão sobre a boca do jovem.
—Calma, não espalha. – Ela pareceu desconfortável por um momento e ele ergueu as mãos, fazendo com que Mi recuasse.
—Tudo bem. Quer mudar de assunto?
—Josh, eu estava pensando sobre a guerra hoje... Você acha que os Masons mudariam algo?
—De jeito nenhum. Ninguém com esse sobrenome mudaria, você sabe o quanto orgulho fala alto.
—Não sei se fico tranquila.
—Fique. Não teria como mudar. Você acha que...
Mas a frase nunca mudou, não sei o que aconteceu, porém a imagem sumiu e estava bem cansada para voltar, então suspirei desistindo e fiz as anotações do que tinha percebido. Acredito que tinha ajudado um pouco com isso, só não sabia se era o suficiente.
Eu me lembrei dos Slytherins, mesmo tarde, eles estavam estudando, treinando e se dedicando, a cada dia a guerra estava mais próxima e não era hora de desanimar, eles levavam isso bem a sério. Só torcia para o futuro que vi não mudar, que todos esses jovens se mantivessem vivos e com saúde. Esperava por um futuro melhor, sem sombras, sem guerras, só com paz e que todos pudessem ter uma vida tranquila.
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