Notas iniciais
Olá, estou de volta depois de um bom tempo, hein? A verdade é que não consegui me organizar muito bem desde meu emprego, mas busco retornar com mais frequência!

P.O.V. Cecília Mason

O dia amanheceu como qualquer outro de inverno, temperaturas baixas e todas as garotas em sono profundo enroladas nas várias cobertas. Assim como nos demais, separei o uniforme e fui tomar um banho quente para iniciar o dia como qualquer outro. Deixe-me relaxar com a água quente encostando no meu corpo, lembrando-me do dia anterior.

“-Chega, Cecília. Você não tinha direito. Não tinha o mínimo direito. – Nathan gritava na sala de aula vazia. – Como você me abandona e ainda fala isso na frente daqueles... daqueles...

—Chega você, Nathan. Parece criança, seja mais responsável, uma guerra está chegando, não é hora de ficar com briguinhas. Entre os estudos de Hogwarts, estratégias, estudo dos inimigos, treinos e tudo mais, não tenho tempo para ficar resolvendo as discussões que você cria por besteira. Não vou te ajudar mais e quis deixar isso bem claro.”

Nathan queria ser o dono da verdade como sempre, sério, ele ficava se preocupando com os Potters e Weasleys, o que eles faziam, o que planejavam, Nathan devia se preparar para a guerra, assim como a gente.

Eu sentia minha mão formigar com a lembrança. Nathan sabia ser infantil quando queria. A guerra supera nossos relacionamentos e afinidades, ele não entende isso. Eu não me sentia confortável com a situação, não gostava de me perceber tão próxima assim dos Potters e Weasleys, na verdade, acredito que só era melhorzinho com meus "primos" e, sinceramente, meu tempo é dividido nos vários módulos dessa guerra, graças aos fundadores, eu não precisava me preocupar com os NOMs, ao menos, não pelos motivos tradicionais, porque esse estudo, eu estou evitando. Minhas horas ficam entre as atividades de Hogwarts, estudar para aprimorar meu conhecimento, ajudar a planejar estratégias e a entender os inimigos, pesquisar sobre eles e treinar, isso buscando manter uma rotina boa em quesito sono e alimentação, eram poucos os dias em que retornava ao dormitório de madrugada, geralmente, parávamos próximo da meia-noite; em resumo, não estava com tempo para me preocupar com brigas que Nathan arruma por ter o Potter envolvido.

Tão logo esse pensamento finalizou, eu encerrei o meu banho e decidi me vestir, o inverno estava cada vez mais próximo e, com ele, a temperatura se encontrava cada vez mais baixa, por isso, os dias de utilizar o tão conhecido “aestus” estava chegando. Como ainda não era hoje, eu vesti o uniforme, a saia com meias, o sapato e a camisa branca, o banheiro estava quente, se alguma das meninas estive acordada, provavelmente vai gostar.

Nenhuma estava, conforme esperado. Minha gravata me esperava esticada na cama, pronta para ser vestida e assim eu fiz, o casaco dobrado na minha mochila, caso necessite. Enquanto caminhava rumo à porta, peguei a mochila a colocando nas costas. Só esperava Dylan na Sala Comunal e minhas expectativas foram mais uma vez cumpridas.

—Bom dia. – Ele observava a imagem de Godric iluminada com o Sol nascente e banhada com a claridade avermelhada do fogo com tanto interesse que podia me questionar se ele ouviu meu cumprimento.

—Bom dia, Ceci. – Então Dylan se virou para mim e me observou por um instante. – Até que você está bem depois de ontem.

—Você também – Nós treinamos até tarde na noite anterior e realmente tinha sido cansativo, mas não era a primeira vez. Então eu encostei as costas no sofá dali. – Ainda bem que estamos acostumados.

—Verdade. Vamos? – Ele indicou a porta. – O dia tende a ser um pouco mais tranquilo hoje.

—Eu gosto dos treinos.

—Eu também, Ceci.

A tranquilidade dos dias anteriores se repetia aqui, afinal o Sol ainda nascia quando saímos da Torre e eram raros os que acordavam nesse horário.

—Estou pensando em estudar hoje de noite, quero conhecer um lugar.

— Que lugar? – Mas fomos interrompidos por uma coruja cruzando o castelo, isso era incomum, elas ficavam no Corujal e costumavam entrar apenas no café-da-manhã para entregar a correspondência. E eu conhecia essa. Sem nos olharmos, começamos a seguir a ave pelas escadas e corredores de Hogwarts até que nos vimos de frente para a Sala Precisa, cujas portas estavam já bem visíveis.

Dylan assumiu a frente e abriu as portas, o casal já conhecido se encontrava lá, meu pai com roupas escuras procurava algo nas enormes estantes dali, enquanto minha mãe estava sentada no entre um monte de livros, fazia alguns feitiços, enquanto lia.

—Sejam bem-vindos. – A voz da minha mãe chamou a atenção do meu pai que nos olhou.

—Vimos sua coruja. Resolvemos seguir. – Como se correspondesse ao que foi dito, a ave piou e voou até pousar no ombro esquerdo da sua dona. Os intensos olhos brilhantes do pássaro olharam para nós, nos analisando.

—Aconteceu alguma coisa?

—Alguns comensais foram vistos aos redores. Estou planejado uma ronda por Hogsmead, acertando alguns detalhes para isso.

—Vamos mantê-los informados, mas foquem nas aulas por enquanto. – Algo ali não fazia muito sentido, porém entendi o recado.

—Bom planejamento. – Disse puxando Dylan que ficou confuso.

—Eles vão nos colocar no plano. – Respondi ao sair da sala.

—Certeza?

Mas eu ignorei, eles não demorariam para falar se nós fôssemos excluídos. De qualquer forma, nossa conversa ficou na minha cabeça pelo restante do dia.

O jantar já estava servido, a comida tinha um cheiro incrível; mas eu não estava com fome, percebia que Dylan também não. Algo não estava certo, então olhei para onde meus pais estavam, eles também percebiam. Foi, nesse momento, que tudo começou, uma onda de magia negra atingiu Hogwarts com força, ninguém mais parecia perceber, além de nós.

—Érick, peça reforços para Hogsmead. – A voz da minha mãe soou com alerta, sem ser necessário falar, percebia, pela postura do meu pai, que ele estava preparado para o que viria, assim como Dylan e eu, os dois já no centro do salão. – Diretora, não deixe ninguém sair daqui, cuide para ajudar todos a se protegerem, Dylan, Ceci, vocês ficam aqui.

—Nathan e Jennyfer, sejam os reforços deles e John cuide de sua irmã – Meu pai completou antes de olhar para nós. – Sabem o que fazer.

Olhei Dylan, uma sensação completamente nova surgia, lutar em Hogwarts com meus pais era bem diferente. Eu vi os dois saindo juntos, ele com camiseta de manga curta preta e calça igualmente escura, a única cor vinha de tênis de detalhes verdes; ela com camiseta fina de manga longa azul e calça jeans, a sapatilha era creme.

—Então vamos lutar? – Eu olhei para Nathan com as roupas de Hogwarts e Jenny também, bom, não era a roupa mais confortável para lutar, mas era o que tínhamos, então que fosse.

Sem falar nada, Dylan assumiu a direita, enquanto eu fui para a esquerda. Nossa prima, ficou entre nós, enquanto seu irmão, ficou no extremo do grifinório. Por um momento, tudo pareceu incrivelmente parado, assim como antes de uma explosão, não sei ao certo por quanto tempo, mas o suficiente para que eu pudesse observar todo o Salão, alguns olhares de medo, outros, curiosos e alguns até de ansiedade, como se quisesse participar da luta. Os Weasleys continuavam sentados e eles estavam no último grupo, bem como os Potters; o mais velho olhava fixamente para onde estávamos.

—Preparados? – A voz do meu irmão soou, fazendo com que eu voltasse meu olhar para ele e concordasse, Nathan e Jenny estavam com as varinhas em punho, a proteção já estava no lugar, os dois lados e o fundo do corredor principal estavam seguros, alunos e professores também, os expostos eram nós quatro, nós quatro contra os comensais que passassem pelos meus pais e, pelo que eu sentia, eram muitos para eles derrotarem. O ar da escola estava cada vez mais denso e com mais magia negra.

Então as portas abriram e agimos por impulso. Dava para vez luzes de feitiços do lado de fora, mas não tínhamos tempo para isso. A luta já começava intensa e rápida. Sem tempo para pensar, apenas agir. Nathan e Jenny ajudavam. Mesmo protegidos, se os comensais quisessem podiam se focar em romper a barreira, então não podíamos dar tempo a eles, isso era o principal. Sem tempo de treino, a luta era real, dei um passo à frente e vi a sombra de um feitiço vindo na minha direção, eu me abaixei sabendo que Jenny não seria atingida.

Aproveitando, um comensal lançou um segundo feitiço em mim, mas consegui bloquear e devolvê-lo, um cruciatus foi direcionado a Dylan, ele se protegeu a tempo. Jenny e Nathan lutavam bem, talvez, não o suficiente para impedir muitos, mas bastava no momento, estavam mais acostumados com essa situação que meus outros primos.

A luta era intensa, feitiços voavam de um lado para o outro, atingindo principalmente a eles, porém não posso negar que os nossos também estavam machucados. Pelo canto de olho, vi uma fraca luz marrom, mas não tinha como parar, os feitiços eram constantes.

— Ai. – Gelei ao ouvir a voz de Nathan.

— Nathan. – Jenny gritou e correu para o irmão, ele levantou um pouco a camiseta e deu para ver a marca em sua barriga. Droga.

— Bombarda. – Lancei, esperando ganhar um tempo.

“Eu vou”, uma voz afirmou.

“Não, Dylan, fica.”

“De jeito nenhum, não vou deixar você se arriscar”, ele correu para os dois.

— Jenny, vem.

— Ceci, não posso. – Eu a olhei, estava irritada.

— Pode e deve, apenas eu e Dylan sabemos como ajudá-lo, precisamos de você aqui, lutando.

— Mas...

— Deixa a gente trabalhar ou ele morre, Jenny. – Alguns comensais retornavam para atacar, então os distrai novamente.

Aproveitei que Dylan disse algo para ela e fui para seu lado, analisando a extensão dos ferimentos.

— Não. – Ouvi ele dizendo.

— Sim, Dylan. Eu já comecei e você consegue proteger a Jennyfer, ela precisa de alguém junto, me deixa aqui.

Ele me olhou irritado e se levantou, puxando nossa prima, sabia que Dylan estava contrariado, mas não podia fazer nada.

Posicionei-me de frente pata Nathan, ajeitando-me melhor, mas sem parar com os feitiços, virei meu corpo levemente para o lado para poder olhar caso algum feitiço viesse.

— Jenny, vamos lutar e proteger eles. Sabe o que fazer. – Ela concordou, enquanto ele se defendeu.

A intensidade foi retomada. A luta continuava, os comensais tentavam me atingir, quando meu irmão e minha prima não conseguiam me defender, eu criava uma barreira.

No momento, era assim que eu estava: contendo o feitiço que atingira Nathan com uma mão e me defendendo com a outra. Isso me distraia? Um pouco. Isso fazia com que o processo fosse mais lento? Com total certeza, porém era a solução.

Eu sentia a magia negra entrando em minhas veias e só agradecia por meu pai ter nos ensinado ela, tal fato permitia uma maior resistência. Graças a ele, conseguia conter a maldição que Nathan recebera, bom, graças a isso e aos conhecimentos mais profundos que o filho de Salazar tinha.

Ouvi uma explosão próxima, senti Nathan ficar instável, então tive que voltar com as duas mãos para ele, pude ver uma luz passando próximo e Dylan se jogando sobre Jenny. Meu primo estava quase, então pronto, estável, a magia ainda estava nele, porém não iria se espalhar.

— Cecília! – A voz do meu irmão me fez virar para me defender, mas, antes que pudesse me mexer, senti a dor do mesmo feitiço que o sonserino recebera, respirei fundo, uma segunda explosão próxima.

O olhar de Dylan desesperado, foi se tornando irritado até ele começar a atacar com ainda mais intensidade os comensais ali presentes.

P.O.V. James Sirius Potter

Aquela cena parecia fugido do controle, desde que Cecília fora atingida por ter o primo atacado, eles pareciam um pouco perdidos, era possível perceber que Jennyfer estava preocupada com o irmão, mesmo esse estando estabilizado, ela usava seu conhecimento ao máximo para protegê-lo.

Dylan tinha preocupação com a irmã também, a qual ficava cada momento mais pálida, ela parecia lutar contra o feitiço enquanto lutava para proteger a escola; o garoto respondia aos gestos da caçula inconscientemente, mas o foco estava na frente dos inimigos.

—Cuidado. – A voz dele gritou para a de olhos azuis se proteger, quando ele se jogou na direção da prima que não percebera o Avada Kedavra indo em sua direção.

— James – Senti uma mão no meu braço tão suave quando a voz que me chamou. Olhei para o lado encontrando Domi.

— O que houve?

— Se acalma. – Ao ver a confusão tomar conta do meu rosto, ela indicou a mesa, dava para perceber toda a tensão que eu sentia ali, apertava a madeira com toda minha força a ponto dos nós de meus dedos estarem completamente brancos, as pontas já adormecidas, eu sentia uma vontade insuportável de entrar naquela batalha, mas sabia que não seria fácil romper aquela barreira; então, por um momento, eu me senti levemente mais tranquilo, na mesa da Sonserina, tinha algumas pessoas tão tensas quanto eu, incluindo Alvo, eu não era o único, afinal.

— Não podemos fazer nada. – Fred não tinha o tom brincalhão e leve de sempre.

— Chega. – A força e determinação chamou minha atenção, Dylan voltava para onde estava, ele parecia ainda mais forte agora, Ceci correspondia. Balancei a cabeça, “Mason” corrigi mentalmente.

Discretamente, Jennyfer entregou algo para a prima que tomou e pareceu retornar um pouco ao seu normal, ela encarou fixamente os inimigos, posicionando-se como geralmente fazia para lutar; percebi um leve olhar dela para o menino desmaiado, aquilo me incomodou um pouco.

A sonserina se posicionou para proteger o ferido, no mesmo momento em que os grifinórios retornaram totalmente para a luta com a pequena diferença que a garota estava mais parada agora. O menino parecia quase uma máquina de tão rápido que atacava, mesmo com a situação, os dois atacavam muito, eles estavam fazendo algo que poucos escolheriam.

Alguns comensais foram lançados para fora pela terceira vez e observando, percebia que era a mesma pessoa, um dos que escapou atacou a adversária e percebi um corte se abrindo no braço dela quando cambaleou, precisando se agachar para reequilibrar, quase imediatamente, Dylan se posicionou à sua frente, ainda a deixando mais para trás, ele só retornou quando a irmã voltou a ficar de pé, mas tremia um pouco, o que piorou ao se defender do próximo ataque, Cecília se preparou para contra-atacar quando o inimigo foi puxado, deixando todos confuso.

— Deixa meus filhos em paz. – Uma Jade completamente irritada apareceu na vista de todos em posição de luta e ao lado do marido que também ajudava, atrás, eu via mais duas pessoas diferentes, mesmo um pouco mais altas que os herdeiros de Hogwarts não consegui reconhecer.

Com exceção daqueles que estavam no corredor, os restantes se mantiveram extremo silêncio, talvez, esse foi o motivo que ouvimos “mamãe, papai” antes da de olhos azuis desmaiar. Sem que desse tempo de Cecília bater no chão, Dylan segurou sua cabeça.

Então a cena foi rápida, Érick Slytherin correu para perto dos jovens, ajudando a sobrinha, agora sentada, a se levantar e caminhar, depois de conferir o estado dela, então ela ergueu a cabeça e viu os outros adultos.

— Mãe? Pai? Vocês vieram? – Então eram os Masons, os reais Masons ali atrás, todos pareciam incrivelmente cansados, porém a visão deles deu energia que permitiu a sonserina correr.

—Dylan. – O garoto levantou a cabeça com a menção de seu nome pela mãe. – O que aconteceu?

— Putrescat Cumphallus. Nathan foi atacado e Ceci foi ajudar, era ela ou eu – Ele pareceu arrependido, ainda mais com expressão da mãe deles e do pai, que ergueu a cabeça rapidamente depois de ouvir a fala, ele verificava o sobrinho. – Eu estava contra muitos e Jenny foi atacada, eles afastaram a Jenny para atacar a Ceci, tentamos proteger rapidamente, mas não deu tempo.

— Onde? – O pai perguntou.

— Costas. – O Slytherin mais velho acenou e levou rapidamente o ferido para os pais.

— Em, leve ele para a enfermaria, Ceci conteve o feitiço, mas não teve tempo de curar. – A cunhada concordou.

— Richard, me ajuda?

— Leva a Jade, eu vou precisar do Richard. – O de olhos verde olhou para o outro que concordou, então se virou quando a esposa saia, ela parou e olhou para ele, o fazendo se virar um pouco, como se falasse algo, um movimento positivo fez com que a mulher saísse pala porta, Érick fez um movimento com suas mãos e uma mesa bem alta apareceu. – Dylan. – O filho foi chamado no instante que uma segunda superfície surgiu, essa repleta de poções, o mais novo correu em sua direção.

— Érick?

— Teremos que ser mais agressivos aqui, você sabe o que quer dizer, Rich. – O protetor de Hogwarts pegou cuidadosamente a filha e a deitou na mesa de costas para cima, levantando parcialmente a camiseta dela, apenas o suficiente para o ferimento ser visível.

— Ajuda-me aqui.

— Estranho Jade não dizer nada. – Comentou o pai de Nathan e Jennyfer ao se aproximar do local.

— É magia das trevas, inclusive, não a deixe entrar. Ela me pediu para não fazer besteira.

— Ela não vai gostar.

— Não tenho escolha. – O Slytherin se afastou, quando foi segurado para colocar uma nova proteção em volta deles.

— Cuida dela, eu faço isso. – Então o tio se afastou, ainda colocava as proteções quando as esposas voltaram, mas Dylan e o pai já haviam começado o processo.

De onde estava, consegui observar a mudança de expressão no rosto da Gryffindor, ela se aproximou ainda conversando, ao perceber o olhar do cunhado nela.

— Érick, não.

— Jade, Cecília vai morrer não tenho escolha. – Ela parou um tempo e balançou a cabeça em negativa.

— Você não, pede para o Richard. – Algo ali me dizia que ela não pedia por temer pela vida do marido.

— Não, ele não sabe tudo. – Os olhos verdes deviam ter se fixado momentaneamente nos da esposa, ela então percebeu que Richard terminava a proteção e adentrou, porém, assim que isso ocorreu, ela tossiu e cambaleou.

— Eu ajudo, então. – Disse entre tosses.

— Você que não pode fazer isso, White. – Assim que terminou o que fazia no momento, Richard caminhou para a mulher que tentava se aproximar e a puxou para fora, ele tinha abraçado ela para não a deixar fugir.

— Jade, o Érick é a melhor pessoa para isso e ele não está sozinho – Mas parecia que a Ravenclaw estava prestes a encarar o seu maior e pior inimigo. – Confie nele.

— Eu sei que ele pode, mas o que me preocupa é o custo.

— Não é hora de ser corajosa. – Jade não expressou nenhuma reação a fala, porém permaneceu observando onde o seu marido estava, era perceptível a apreensão que tomava conta dela e isso me deixou um pouco agitado. O que deixaria a filha de Godric assim?

Érick Slytherin estava de costas para onde estávamos, enquanto Dylan preparava algumas poções e entregava para o pai ou colocava sobre o ferimento de Cecília. Algumas vezes, o homem se mexia e dava para ver a mão dele sobre ela, de modo semelhante com que ela fizera anteriormente em Nathan.

Eles estavam há um tempo ali quando surgiu um comentário na mesa dos professores “ficaremos por muito tempo aqui? Sério que uma garota vai nos segurar? A luta acabou, a madame Pomfrey cuidaria bem mais rápido”. Apesar da distância, consegui perceber Slytherin tencionando as costas e, depois do rápido choque inicial, a Ravenclaw pegando a varinha, preparada para lutar conforme o marido se virava para a origem da voz.

E eu gelei. O rosto de Érick Slytherin estava completamente diferente, se eu achara os olhos dele frios antes, bom, observando agora, diria que eram muito calorosos. O verde parecia ter congelado e encarava o dono do comentário como uma serpente analisando sua presa, os traços que marcavam seu rosto pareciam mais definidos agora, passando uma sensação ainda mais pesada; só de olhar, um arrepio percorreu minha espinha.

O poder em volta dele parecia potencializado nesse momento e muitos se chocaram, esse era Érick Slytherin em toda sua glória, se podemos dizer assim...

“... Mas foi o suficiente para nascer um menino idêntico ao pai, tanto na aparência quanto na personalidade”.

Silêncio.

— Cala a boca, seu imundo, primeiro, não ouse falar sobre eles, se Cecília está aqui é porque você não teve a menor coragem de querer se juntar, assim como nunca participou. – Quando o professor começou a falar, foi interrompido novamente – A barreira podia ser quebrada. Me dá nojo dividir o mesmo espaço que um mestiço de...

— Érick. Pai. – Jade e Dylan falaram ao mesmo tempo, Slytherin movimentou sua mão, o professor estava centímetros de seu rosto.

— Eles são crianças fazendo o trabalho, vai demorar o tempo necessário para ela ficar bem, porque ela merece viver. – Então o professor foi lançado para longe. – Só não uso Sectumssempra para não manchar o castelo com seu sangue infectado. E o feitiço que Ceci levou só faria desperdiçar minha magia.

— Pai, a Ceci. – Érick pareceu lutar um pouco consigo.

— Da próxima vez, não vai ser um simples silêncio e um voo tranquilo que vão te esperar. – Com essa ameaça em voz mortal, Slytherin retornou sua atenção à garota.

O mais curioso é que Gryffindor não se moveu durante a situação, ela permaneceu do mesmo jeito em que estava no começo, a varinha apontada, o olhar analítico e desafiador.

— É isso. – Rose comentou, ela também havia reparado em Jade. O que eu estava perdendo?

— O que?

— “Você não”. – Rose relembrou a fala de Ravenclaw.

A princípio, não havia ficado tão claro para mim o que estava sendo dito, mas então me veio algo, Jade pode não ter gostado da resposta, porém, talvez, e apenas talvez, ela se encontrava preocupada com esse comportamento do marido e estava preparada para atacá-lo caso isso se fizesse necessário.

Eu realmente não tinha ideia do tempo que demorava, mas, quanto maior era, mais apreensivo eu ficava. O que está acontecendo? Nem é minha irmã ou alguma prima ali, graças a Merlim, porém por que tanto nervosismo?

Podiam ter passado horas e eu sequer teria percebido, por mais que eu não quisesse admitir, eu estava preso no que acontecia, ainda sentia um pouco de frio na espinha de quando Érick Slytherin se virou.

Tudo parecia tão sério ali. Pude perceber que o mais velho dos Masons ainda mantinha a cunhada fora da proteção, enquanto onde cuidavam da ferida parecia tornar o ar bem denso, todos prestavam atenção onde a ação acontecia, mas algo estava estranho, por mais que fora comentado que Ceci apenas estabilizara o primo e ela estava sendo curada, a demora é grande.

Assim que essas palavras surgiram em meus pensamentos, percebi Érick se afastando, o movimento refletido pelo filho. O de olhos claros observou ao redor, seu jeito e expressão eram ainda mais assustadores e ainda mais de Salazar do que antes.

— Pai. – O homem se virou para o jovem – Memoriae bomun. – Mais um feitiço que não conheço, pude perceber que parecia uma hipnose.

Os olhos azuis escuros surgiram em minha mente, o cabelo preso, lendo um livro, mas aquela cena não mudou, vi-me novamente na caça ao tesouro, porém, nesse momento, os olhos me tranquilizaram, sem entender, registrei mentalmente eu me acalmando.

Voltei a erguer o olhar e, aos poucos, os traços de Érick se suavizaram, então um pedido de desculpas quase inaudível, seguido por um “estupore”. Com a distância, pude perceber o jovem Dylan cambalear levemente antes de se recuperar.

Ele foi para o centro da proteção e simplesmente ficou parado, os braços levemente afastados do corpo e as palmas das mãos viradas para frente.

— O que ele está fazendo? – A voz de Rose parecia alerta, mas não entendia o motivo; ela observava exatamente a mesma cena, então o que viu que eu não?

Foi então que eu captei algo, não sabia como, porém o ar turvo na redoma parecia se mover em direção ao garoto.

— Não. – Jade quase invadira a proteção, sendo impedida novamente pelo cunhado. – Fica aqui. Vou ajudá-lo e, quando acabar, — Ele destacou a última parte – você entra, ok?

Ainda parecendo meio receosa, a filha de Godric concordou e ficou aguardando ao lado da outra mulher, enquanto o Mason adentrou o local onde o irmão e a sobrinha estavam desacordados.

Os olhos fechados no primeiro momento, ele pegou a varinha, juntando-se ao mais novo e tornando o local, lentamente, menos denso até tudo ficar claro. Richard apenas abriu os olhos quando uma tosse soou, Dylan se desequilibrou novamente e o tio o apoiou, nesse momento, sem mais diferença entre dentro e fora da proteção.

Com o braço esquerdo do Slytherin nos ombros, ele apontou a varinha para onde as mulheres aguardavam, sendo possível ouvir um barulho alto como algo desabando e, então, as duas se aproximaram.

— Você está bem, Dylan? – Jade estava com a mão no rosto do filho.

— Estou, mãe.

— Deixa que eu cuido dele, Jade. – A mãe de Nathan assumiu o local do marido e guiou o sobrinho para fora.

— Você não parece tão preocupada, não como achei que estaria. – A mulher deu de ombros.

— Eu vou ajudar a madame Pomfrey.

— Claro que vai. – A voz do homem soou irônica. – Quem? – Questionou quando se aproximaram de Érick e Cecília.

— Érick está melhor, eu o levo, mas, antes, deixa eu te ajudar com a Ceci. – Mesmo com toda a aparente tranquilidade, provavelmente, pela confiança no marido, percebi uma certa agitação na mulher e em seus gestos.

— Obrigado. – Cada um seguiu para um lado, Jade de costas para a mesa da Grifinória.

Richard virou cuidadosamente a menina e a mulher a equilibrou para evitar que o machucado tocasse qualquer superfície, mesmo assim, foi o suficiente para Richard conseguir colocar a sobrinha sentada a fim de colocá-la sobre o ombro, tudo com muito cuidado.

— Prontinho. – Ravenclaw comentou, ela se aproximou e afastou um pouco do cabelo da filha, fazendo uma expressão triste antes de se virar para o marido, fazendo-o levitar.

Assim o salão ficou vazio dos Masons.

Notas finais
1- O que acharam da atitude de Nathan de brigar com a Ceci? 2- A rotina de Cecília parece bem pesada, hein? 3- O que será que os comensais estão aprontando? 4- Qual será o feitiço que atingiu Nathan e Ceci? 5- Por que James estava tão tenso na luta? E o que será que realmente o tranquilizou na mesa da Sonserina? 6- O que acharam de Dylan defendendo a irmã? 7- O que Jade temia? 8- Qual será o custo ao qual ela se referiu? 9- Érick parece ter mudado, hein? O que acharam? 10- O que será que os dois feitiços fazem? 11- O que acharam do capítulo? Qual foi a parte favorita de vocês? Até o próximo...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.